Na manhã seguinte, Finn estava deitado em sua cama, lendo um livro e tendo Rachel dormindo tranquilamente ao seu lado. Ele olhava suas feições suavizadas devido ao sono profundo.

Estava feliz por tê-la ali. Teve a oportunidade de dormir com ela pela primeira vez e, por ironia, nem sequer tinham feito sexo anteriormente. Tinham apenas dormido, um abraçado ao outro. E foi agradável.

Nunca havia simplesmente dormido com uma mulher em sua cama antes, nunca se dera esta oportunidade. E Rachel era a pessoa perfeita para ser a primeira, ele pensou, com um leve sorriso.

Sentiu quando ela começou a se mexer ao seu lado e ficou olhando-a despertar. Rachel abriu os olhos lentamente e sorriu ao vê-lo, ainda com aspecto meio sonhador e inconsciente. Fechou os olhos novamente para abri-los de par em par logo depois, voltando a olhá-lo.

– Finn? – ela girou, ficando com o corpo virado para cima. Os olhos se arregalaram ainda mais quando se deu conta de onde estava. Meio hesitante, levantou o cobertor e olhou por debaixo, constatando que estava completamente sem roupa. – Jesus Cristo amado! – ela pôs as mãos na testa e virou a cabeça para olhá-lo, que ria de toda a reação. – Nós dois...? – deixou o resto da frase no ar.

– Não. – ele respondeu. – Apenas dormimos. Você estava bêbada demais ontem, portanto eu te trouxe para cá.

– Bêbada? – Rachel olhou para o teto, tentando se lembrar do que havia acontecido no dia anterior. Lembrava-se de ter ido a um bar com Kurt e Blaine. Lembrava-se de ter começado a beber por não estar aguentando ver o casal trocando carinhos em sua frente, quando ela estava passando por uma pior. Depois disso, não conseguia se lembrar mais de nada.

– Tão bêbada que mal conseguia andar.

– E por que me trouxe para cá? Para o seu apartamento?

– Porque Santana não estava em casa e você não tinha condições de ficar sozinha.

Rachel ficou calado por uns instantes, absorvendo aquelas informações. O fato de não se lembrar de nada dava uma boa ideia do quanto estava realmente bêbada. Nem sequer se lembrava de como havia parado ali, de ter tirado as roupas e ter se deitado. O que significava que Finn devia tê-la ajudado durante todo o processo.

Pensar em Finn cuidando dela, mesmo tendo estado com raiva pelas coisas que dissera sobre ele, fez com que Rachel ficasse um pouco emocionada. Ele havia estado chateado, mas mesmo assim certificara-se de que ela estaria bem, coisa que não tinha a menor obrigação de fazer.

Mas aí, Rachel começou a se dar conta de que estava com uma tremenda dor de cabeça. De olhos fechados, fez careta ao perceber a latência em suas têmporas e levou as mãos até elas, massageando-as.

– Aqui, tome. – Finn falou e Rachel abriu os olhos. – Aspirina. Coloquei aqui na mesa de cabeceira para quando você acordasse.

– Ah...

Por que ele estava sendo tão legal? Ela não merecia aquilo. O cuidado de Finn com ela deixou-a desarmada. Estava acostumada a lidar com o desejo sexual que havia entre os dois, mas não com aquilo. Aquilo era... diferente. Acordar ao lado dele, por si só, era algo que já estava assustando-a bastante, pois criava um grau de intimidade entre eles que Rachel não tinha certeza se podia arcar.

Pegou a aspirina e o copo com água que ele oferecia e, apoiando-se em um cotovelo, tomou-a, para logo depois voltar a se deitar. A cabeça doía intensamente e Rachel massageou as têmporas mais uma vez.

– Nunca mais vou beber de novo.

– Isso é o que todos dizem, até que bebem de novo. – ele sorriu. – Você quer algo para comer?

Pensar em comida a deixou extremamente enjoada.

– Não.

– Tem que comer, Rachel.

– Eu sei, mas agora não. Vamos esperar a aspirina fazer efeito, depois eu vou para casa e como alguma coisa.

Finn respirou fundo e rolou os olhos. Ela já estava falando em ir para casa de novo. Rachel estava sempre esperando a oportunidade de escapulir. Olhou-a ao seu lado, fazendo cara de dor ao mesmo tempo em que massageava a própria cabeça.

– Vem, eu faço uma massagem. – ele ofereceu.

– O quê?

– Deita aqui. – disse, indicando o próprio peito. – Eu faço uma massagem na sua cabeça.

– Não, tudo bem...

– Vamos, Rachel, não seja tão teimosa! Estou tentando ajudar. Você realmente quer ficar com a cabeça doendo?

Mesmo sem querer ceder, pois não queria tornar a situação ainda mais íntima, ela queria que a dor passasse o mais rápido possível. Portanto, fez o que ele dizia e soltou um gemido de satisfação pela garganta ao sentir as mãos de Finn fazendo pressão em sua cabeça. Inspirou e expirou o ar profundamente e fechou os olhos para relaxar.

Quando a dor na cabeça dela melhorou, minutos depois, Finn a convenceu a ir até a cozinha e comer alguma coisa. Ela protestou, como já havia virado costume, mas ele não se deu por vencido e acabou convencendo-a.

Rachel se sentou à mesa da cozinha enquanto Finn preparava o café da manhã, apesar de que a manhã já havia passado com sobras.

Ainda ficava meio enjoada ao pensar em comida, mas comeria nem que fosse um pouquinho, só para fazê-lo parar de encher seu ouvido, e então iria para sua própria casa.


Mas ela não foi.

Passou aquele dia todo no apartamento de Finn. Puck ficou a maior parte do tempo fora, então praticamente tiveram o lugar só para eles. Rachel ficava prometendo a si mesma que ficaria só mais um pouquinho, mas acabou ficando bem muito.

Batera o pé, dizendo que ia embora e que agradecia muito a ajuda dele, mas que não havia mais motivos para ficar. Mas o maldito Finn Hudson sabia ser persuasivo. Assistiram alguns filmes, deitados na cama dele. Abraçados ainda mais!

A luz vermelha de alerta piscava agora na mente de Rachel insistentemente. Estavam agindo totalmente como um casal, coisa que não eram! Mas Rachel era uma idiota e ficara. Tanto que até mesmo voltou a dormir lá.

Mas como poderia ter resistido, quando ele começou a beijá-la e a sussurrar coisas em seu ouvido? Aquele homem exercia um poder sobrenatural sobre ela. E, para piorar, repetira tudo o que ela havia confessado a ele na noite passada, quando estava bêbada. Disse a ele que não acreditava em nada daquilo, mas, por dentro, sabia que aquelas palavras eram mesmo o que ela estivera pensando.

Ficou vermelha de vergonha, mas ele voltou a beijá-la e uma coisa levou a outra. Quando menos esperava, estava nua com Finn, abraçada a ele e voltando a atingir altos índices de prazer. Depois, os dois dormiram abraçados e Rachel tentou não pensar nas complicações que aquilo ainda traria no futuro.


Praticamente neste mesmo padrão as coisas foram se desenvolvendo nos dias seguintes.

Rachel finalmente havia aceitado o pedido dele para sair. Não podia negar para si mesma que sentiu borboletas no estômago quando viu o sorriso radiante no rosto dele, depois dela ter dito que aceitava.

Estava começando a descobrir um novo Finn Hudson nos dias que se passaram. Eles estavam juntos praticamente todo o tempo, alternando as noites entre o apartamento dele e o dela. Mas não apenas isso. Também costumavam sair como um casal junto com os outros amigos. Agora, os dois, Santana e Brittany, Kurt e Blaine e Puck e a nova namorada dele, chamada Quinn, formavam um grupo único de amigos.

Os dois acabaram criando o hábito de almoçar juntos todos os dias, num restaurante vegetariano que ficava perto de onde trabalhavam. Rachel tinha até convencido Finn a começar a comer mais saudavelmente, o que era um feitio e tanto. Quando se encontravam nos corredores, paravam e flertavam discretamente um com o outro, às vezes roubando um beijinho ou outro. Os rumores do envolvimento dos dois já corriam pela redação da revista e Rachel conseguia perceber certos olhares de inveja.

Ela tinha até conhecido a mãe dele! As duas tiveram uma identificação imediata. E agora Rachel conhecia praticamente a família toda, só faltava o padrasto. Fora o próprio Finn quem a convidara, para grande surpresa dela, diga-se de passagem, a jantar no apartamento dele, aproveitando que Carole estava visitando-o de novo para poder conhecê-la.

Porém, ainda assim, Rachel mantinha certas inseguranças dentro dela. Não sabia o que Finn realmente pensava sobre o relacionamento deles e também não tinha a coragem de perguntar. Temia seriamente qual seria a resposta. Ele podia pensar que ela o estava pressionando, achando que ele era do tipo que se comprometia. E aí fugiria, porque isso era o que Finn, como qualquer mulherengo, fazia quando as coisas começavam a ficar mais sérias.

O motivo maior para o medo que sentia era o fato de que acontecera justamente o que tentara evitar com todas as suas forças, sem obter sucesso.

Apaixonara-se irremediável e completamente por Finn Hudson.

Estava muito, muito ferrada.


Finn colocou o celular de lado, impaciente. Estava tentando falar com Rachel, mas ela não estava atendendo.

Aliás, nas últimas três semanas para cá, Finn tinha a impressão de que Rachel o estava evitando. Mal atendia as ligações, não o esperava mais na saída do trabalho, parecia estar arrumando desculpas para não sair com ele.

Já estavam se vendo há mais ou menos dois meses e tudo ia bem, até que ela começou a agir de modo diferente, mais distante e fria. Quase como se tivessem retrocedido para a fase anterior a que se encontravam, depois dele tê-la encontrado bêbada no bar.

Sempre percebera um ar meio esquivo por parte dela, como se quisesse criar uma barreira de proteção contra alguma coisa ao seu redor, mas nunca havia perguntado o motivo, pois não queria criar um clima chato, ou um mal-entendido. Pensava que, com o tempo, isso passaria, mas estivera enganado, uma vez que só piorou, até que chegaram naquele ponto.

Tentava encontrar um motivo, tentava entender, mas não conseguia. Sabia que ela era muito teimosa, sempre fora, mas, de uns dias para cá, parecia ter começado a ceder. Ou isso ou então ele estivera enganado, porque chegara a pensar claramente que ela havia começado a se deixar envolver.

A conexão que fora estabelecida entre eles assustava ao próprio Finn. A necessidade que sentia dela era algo que não estava acostumado a lidar até então. No entanto, ao contrário dela, e por mais que Rachel insistisse em que ele era o mulherengo da história, o que procura manter a relação o mais superficial possível, Finn não era tão teimoso quanto ela.

Tudo isso de que ela o acusava podia até ter sido verdade, mas foi apenas até conhecê-la. Não pretendera introduzir Rachel em sua vida, ou qualquer outra mulher, mas simplesmente acontecera.

Bufou depois de mais uma tentativa frustrada de falar com ela pelo telefone. Ligou para Santana, mas era impressionante, Rachel parecia nunca por perto dela quando ele ligava. Ligou também para Kurt, mas até mesmo com ele não conseguiu nada.

– Tendo um dia ruim?

Finn levantou a cabeça, desviando a atenção do visor do celular, para olhar Puck.

– Tendo uma semana ruim, eu diria. – respondeu, mal-humorado. – Ou duas semanas ruins, para ser mais exato.

– Rachel de novo? – Puck se sentou na cadeira do outro lado da mesa de Finn. – Faz um tempo que ela não aparece lá em casa.

– Pois é... – Finn disse, no mesmo tom de antes.

– Ela está te dando um pé na bunda de novo? – Puck riu, sem poder evitar. – Cara, nunca pensei que ia chegar o dia em que te veria correndo atrás de uma mulher, que, por sua vez, corre de você.

Finn não respondeu, apenas olhou feio para Puck e jogou o celular em cima da mesa, desistindo.


Rachel olhou para a televisão com expressão descrente. Vestida com um pijama de calça e moletom, estava sozinha em seu apartamento, assistindo a um filme de romance na TV, no qual os protagonistas pareciam felizes e contentes um com o outro. Aquilo não passava de uma enganação, pensou ela consigo mesma, quando a campainha do apartamento se fez ouvir.

Estranhando, pois não estava esperando ninguém e Santana deixara claro que não voltaria aquela noite, levantou-se para ir ver quem seria. Olhou pelo olho mágico e viu Finn parado em frente à porta.

Devia ter entrado aproveitando o momento em que outro morador tivesse aberto a porta do prédio, já que, em outras ocasiões, ela não liberara a passagem para ele.

Ficou uns segundos decidindo se abria a porta ou não, mas acabou abrindo. Finn pareceu surpreso por vê-la, provavelmente achando que ela o deixaria plantado do lado de fora mais uma vez.

– Ah, aí está você... Viva e inteira. Cheguei a duvidar que estivesse.

Ela deu as costas para ele, mas deixou a porta aberta para que Finn entrasse. Ele entrou e fechou a porta atrás de si. Parando no meio da sala, Rachel se virou para encará-lo novamente.

– Você nunca foi bom mesmo em ler nas entrelinhas. – falou, com tom de voz calmo. – Não consegue se tocar quando estou tentando te dar um gelo.

Finn colocou as mãos dentro dos bolsos do sobretudo e respirou fundo, tentando manter a paciência.

– Bom, me desculpe se sou um idiota e, no lugar disso, fiquei preocupado.

Percebeu quando ela abaixou a cabeça, hesitante. Esperou que Rachel dissesse alguma coisa, mas isso não aconteceu, portanto, ele continuou:

– O que diabos há de errado com você, Rachel? – a voz dele era impaciente e irritada. – Você simplesmente resolve sumir, sem dar explicações e espera que fique por isso mesmo?

Ela riu sem vontade.

– Qual é o problema? Não aceita que alguém te abandone sem mais nem menos? Sempre quem tem que fazer isso é você? Fere o seu orgulho o fato de que não foi você que pôs um ponto final?

– Para com isso! – Finn exclamou, em voz mais alta. – Pare de uma vez por todas de ficar me acusando de coisas que, desde o começo, quem está fazendo é você. – ele olhou para o teto e passou as mãos pelos cabelos, penteando-os para trás. Rachel ficou um pouco surpresa com a explosão de emoções por parte de Finn, tanto na voz, quanto na expressão e no brilho dos olhos, e ficou quieta, calada. – Você foi quem quis manter tudo apenas no nível sexual. Você foi quem fez de tudo para manter a distância. Você foi quem ficou me abandonando, depois de passarmos as noites juntos. E você foi quem decidiu simplesmente sumir, sem dar explicações. Você me acusa de ser um cafajeste sem sentimentos, Rachel, quando desde o começo é você quem está brincando com os meus.

– Ah! – ela exclamou, finalmente. – Eu estou brincando com os seus sentimentos?

– Sim, está! Por mais que não acredite, eu também tenho sentimentos.

– Bom, então está provando do próprio veneno, não é?

Finn pareceu ficar ainda mais irritado depois disso. Virou-se de costas para ela, precisando de um tempo para recolocar os nervos no lugar. Estivera correndo atrás dela, procurando-a, tentando manter contato, perguntando-se o que diabos poderia ter feito de errado para que Rachel passasse a evitá-lo, depois dos dois terem passado ótimos momentos juntos. Mas, por mais que pensasse, não conseguira chegar a nenhuma conclusão, o que era ainda mais frustrante.

Virou-se para Rachel novamente e voltou a colocar as mãos nos bolsos do sobretudo.

– Você não quer que isso... Nós... Aconteça. É isso? Apenas me diga que não está interessada, de uma vez por todas, e eu vou embora e sumo da sua vida. – Finn fez uma pausa, esperando por uma resposta. Ao não vir nenhuma, continuou: – Estou cansado deste jogo de gato e rato, Rachel. – sua voz era baixa, agora, quase triste. – Diga que não sente nada por mim e que quer que eu desapareça. – ela permaneceu calada, de cabeça baixa, o que o fez perder a paciência outra vez. – Diga! – bradou, de forma enérgica.

Rachel levou um susto e deu um pulo com a mudança súbita na altura da voz.

– Não sei! – exclamou ela.

– Não sabe?

– Não!

– Ótimo. – Finn falou, com frustração. – E o que se supõe que isso quer dizer?

Para seu próprio horror, Rachel começou a derramar algumas lágrimas. Limpou com as costas das mãos as que escorriam por seu rosto, mas não adiantava, uma vez que caíam cada vez mais.

– Não sei... – repetiu. – Eu gostaria de querer que você sumisse, que desaparecesse. Mas, ao mesmo tempo, eu quero exatamente o contrário.

– Bom, isso não faz muito sentido, não é? – ele procurou não se comover com as lágrimas, mantendo o tom de voz firme.

– Não, não faz sentido. Nada mais faz sentido...

Ela começou a chorar ainda mais, se é que isso era possível. Finn não sabia o que fazer. Não sabia se ficava com raiva ou com pena. Não sabia se ficava ali parado, ou se ia até ela, consolá-la.

No lugar disso, decidiu apenas reforçar o que dissera anteriormente.

– Se você não me quer em sua vida, Rachel, só tem que dizer. Como já disse uma vez, aliás, mas eu fui idiota e continuei aqui. Mas dessa vez não. Dessa vez será diferente. Apenas diga o que eu tenho que fazer e eu farei.

– Não posso dizer o que tem que fazer, Finn. Eu nem mesmo sei o que eu tenho que fazer. Estou confusa...

– Com o quê? – as emoções de Finn pareciam estar numa montanha-russa e, ora ele se acalmava, ora voltava a ficar impaciente, como agora. – Me dê uma explicação. Qual é o problema? – a voz dele voltou a subir de tom. – Eu quero tentar entender. Por que você simplesmente decidiu sumir outra vez? Por que, Rachel? Diga!

– Porque eu me apaixonei por você!

Um silêncio pesado se instaurou após tal declaração. Com uma mão na boca e os olhos arregalados, Rachel estava chocada demais por se dar conta de que tinha confessado o que sentia. Além dos eventuais soluços dela e do barulho da televisão, nada mais era ouvido.

– Está apaixonada por mim? – Finn quebrou o silêncio.

– Sim. Está satisfeito? – ela encolheu os ombros, na defensiva. Já tinha dito mesmo, agora não havia volta atrás. – Cometi o pior erro que poderia ter cometido. Me apaixonei por um homem que faz de tudo para correr de uma relação que ameace ficar séria. Eu ouvi histórias a seu respeito, Finn! Fiz de tudo para não me apaixonar. Foi por isso que não quis aceitar sair com você, porque sabia que a possibilidade disto acontecer era grande e eu acabaria saindo com o coração partido.

Ele ficou escutando-a falar o tempo todo em silêncio. Rachel terminou de dizer o que tinha para dizer, então também voltou a se calar. A falta de reação de Finn estava deixando-a extremamente ansiosa.

– Agora você já pode ir. – ela continuou. – Vá. Agora que já sabe de tudo pode ir e voltar à sua vida sem compromissos, da qual tanto gosta.

– Quem disse que eu gosto tanto assim?

– Bom, várias pessoas, para falar a verdade.

– Pois elas estão erradas. – Finn viu Rachel olhá-lo com expressão confusa e se aproximou dela. – Não quer ouvir a verdade diretamente de mim?

– Não tenho muita certeza se quero. – respondeu, de cabeça baixa.

Dessa vez, ele riu.

– Mas eu vou dizer mesmo assim. – Finn se aproximou dela ainda mais, ficando a apenas um curto passo de distância. – Eu também te amo.

Rachel levantou a cabeça para ele imediatamente. Seu olhar era estupefato.

– O quê?

Finn pôs uma mão delicadamente no rosto dela.

– Você poderia ter nos poupado muitos desentendidos e sofrimentos, se tivesse dito antes.

– Não, não, espera... – ela pediu. – Repete o que disse antes.

– Eu te amo.

Rachel arregalou os olhos e Finn voltou a rir, colocando a outra mão em seu rosto.

– Isso é verdade mesmo? – Rachel perguntou, com voz fraca.

– Verdade. – ele abaixou a cabeça e a beijou no canto dos lábios. – Você é uma boba. Acha mesmo que eu ainda estaria aqui, mesmo depois de tudo o que você fez para me afugentar, se não te amasse?

Rachel engoliu saliva, ainda tentando absorver as informações que ele lhe dava. Sentia que as lágrimas ainda escorriam por seu rosto. Finn começou a limpá-las com os polegares das mãos que seguravam seu rosto. Os olhos dele agora eram tão doces quanto o leve sorriso que tinha nos lábios.

Quando o fato finalmente pareceu penetrar na mente dela, Rachel sorriu amplamente e o abraçou, ficando nas pontas dos pés e o envolvendo pelo pescoço. Chorou ainda mais, molhando o sobretudo de Finn.

Depois, ela o beijou pelo rosto todo e se separou do abraço apenas o suficiente para beijá-lo na boca. Beijou-o longamente, com todo seu coração.

– Ai, meu Deus, Finn. – murmurou, depois do beijo. – O que tudo isso significa?

– Significa, Berry, que agora é que não vou deixá-la se livrar de mim mesmo.

Fim.


E acabamos mais uma fic. E aí, o que acharam?