Três anos se passaram e Hinata já havia se acostumado com a presença de Sasuke. Até conversava com ele amigavelmente, o que era um avanço e tanto. A Hyuuga olhava fixamente para o teto azul claro do quarto. As enormes janelas de vidro estavam encobertas pelas pesadas cortinas brancas de linho. A escrivaninha abaixo das prateleiras recheadas de livros estava abarrotada de papéis e a agenda de compromissos estava aberta sobre a montanha de anotações. Hinata não conseguiu dormir a noite, pensou até em ligar para Sasuke, mas ele deveria estar no décimo oitavo sono. Apesar de estarem namorando a três anos, não tinham a intimidade necessária para ligações no meio da madrugada. Ela estava perdida nos pensamentos quando o telefone tocou. Era um pouco cedo para ligarem num sábado de manhã, mas ela sentia que era importante atender.

-Alô!-disse Hinata, mais nervosa do que o normal. Ela não entendia o porquê desse desespero. Era só um telefonema.

-Hinata? Sou eu.-disse Sasuke, com a voz um pouco embargada.-Pode vir até o Center, por favor?

-Claro, aconteceu alguma coisa com você?-perguntou ela, por educação.

-Não. Te espero no quinto andar.-disse ele, desligando.

As famílias da nobreza chavam o Hospital Central de Londres de Center. Hinata não sabia o que Sasuke queria com ela em um hospital, ainda mais no quinto andar.

Vinte minutos depois, Hinata pagava a corrida ao motorista do táxi e atravessou a rua, entrando no hospital.

-Bom dia, eu...-começou Hinata.

-Senhorita Hyuuga.-disse um enfermeiro, se aproximando.-O senhor Uchiha a espera no quinto andar. Me acompanhe por favor.

Ela entendeu menos ainda. As pessoas a olhavam com pena, como se ela tivesse uma doença terminal e fosse cair dura em cinco segundos. O elevador parou no quinto andar e Hinata logo viu Sasuke parado na sala de espera, com os braços apoiados nos joelhos e a cabeça enterrada nas mãos. Parecia estar há horas ali.

-Sasuke?-chamou ela.

Sasuke levantou a cabeça e Hinata estremeceu. A pele sempre antes alva e a expressão indiferente a tudo deu lugar a olhos vermelhos e a expressão de alguém que estava sofrendo, e muito.

-Sasuke, não estou entendendo.-disse Hinata.-Não consegui dormir essa noite e pensei em te ligar, mas achei que estivesse dormindo. Estou com uma sensação ruim, mas não sei o que pode ser.-disse ela, num fôlego só.-O que a gente está fazendo no necrotério do hospital?

-Não faz a menor idéia?-perguntou ele, e Hinata sentiu que ele iria sucumir às lagrimas a qualquer momento.

Uma onda de pânico percorreu o corpo de Hinata e ela se sentou. A viagem.

-O que aconteceu com meus pais? E com os seus e Itachi?-disse ela, entrando em pânico.

-O avião caiu ontem pela manhã e a polícia só encontrou os corpos à noite.-disse ele, enterrando a cabeça nas mãos.-Nos chamaram aqui para reconhecermos os corpos. Só falta você.

Os pais de Hinata e de Sasuke tiveram uma viagem diplomática na Áustria e Itachi foi junto com a esposa para aproveitarem o país juntos. Hinata decidiu ficar para a semana acadêmica na faculdade e Sasuke ficou porque não poderia perturbar Hinata na Áustria. Sasuke acompanhou-a até a sala onde os corpos dos pais dela estariam. Hinata sentiu o nó na garganta aumentar e segurou a mão de Sasuke. Ele se surpreendeu com o gesto e retribui o aperto. Hinata ficou de frente para as macas e sus pernas amoleceram quando o enfermeiro retirou o manto dos corpos. Hinata tremia e Sasuke a abraçou. Ela não tinha nem forças para empurrá-lo, precisava dele naquele momento. Era o único que sentia o mesmo que ela, talvez em proporção maior porque o irmão e a cunhada também haviam falecido.

Dez minutos mais tarde, eles voltaram para casa. Sasuke deixou Hinata na mansão Hyuuga e foi para casa para pensar o que faria a partir daquele dia.

OoOoOo

Era segunda de manhã e Sasuke conversava com a secretária de seu pai, Temari, por telefone. Agora que ele iria assumir o posto de duque precisava tomar conhecimento de suas funções e preparar o casamento com Hinata. Antes, precisaria dar a notícia à fera. O telefone indicou uma chamada em espera.

-Preciso desligar, Temari. Tenho uma segunda ligação.-Sasuke atendeu a outra chamada.-Alô?

-Senhor Uchiha, sou eu, Kiba.-disse um pouco afoito o motorista de Hinata.-O senhor precisa vir para cá. A senhorita Hyuuga se trancou no escritório ontem depois do enterro e não saiu até agora.-dizia ele, desesperado.-Não ouço barulho algum vindo de lá de dentro.

-Já estou indo.-disse Sasuke, com um suspiro. Pegou o casaco da cadeira e saiu, esperando que ela não estivesse tentando se matar só porque agora eles eram obrigados a se casar.

Chegou na mansão Hyuuga quinze minutos depois e foi recebido por um Kiba afoito. Sasuke simplesmente enfiou o pé na porta, arrombando-a. Hinata estava deitada no enorme tapete de veludo preto, com várias garrafas de vinho ao seu redor e uma taça intacta sobre a mesa do escritório.

-Ah, Hinata! Se não sabe beber, porque você bebe?-disse Sasuke, pegando-a no colo. O perfume dela, misturado ao cheiro dos cabelos e do vinho era muito agradável, pensou Sasuke. Hinata abriu os olhos e sentiu como se tivesse uma escola de samba em sua cabeça.

-O que aconteceu?-perguntou ela.

-Você bebeu cinco garafas de vinho sozinha, trancada no escritório.-disse Sasuke.-Tive que arrombar a porta e resgatar a mocinha.

Sasuke abriu a porta do quarto de Hinata e a depositou na cama king size com cobertor florido. Hinata se encolheu e segurou as mãos de Sasuke.

-O que faremos agora, Sasuke?-perguntou ela.

O moreno se sentou ao lado dela e a abraçou. Descansou o queixo no topo da cabeça de Hinata e disse:

-Simples. Iremos arcar com nossas responsabilidades e assumir nossas funções.-suspirou e olhou para ela que o encarava.-Vamos nos casar.

Hinata engoliu em seco e o abraçou. Não havia saída. Precisavam se tornar o duque e a duquesa

-É. Vamos nos casar.