Sasuke resolveu agradar mais Hinata e por isso ligou para Karin, que havia transferido sua floricultura para Londres por conta do casamento.

-Então Karin, prepare um buquê bem diversificado. Quero rosas de todas as cores e ponha todas naquele vaso de cristal que você me indicou, está bem?-disse Sasuke.-Vou ditar o cartão para você.

Hinata chegou da faculdade mais cedo, decidida a se controlar. Sabia que Sasuke sentia algo por ela e que não precisava tentar chamar a atenção dele com crises de ciúme doentias. Ela o faria o homem mais feliz do mundo. Deveria estar no escritório aquela hora, então Hinata se dirigiu para lá. Escutou Sasuke falando ao telefone e abriu a porta silenciosamente. O marido estava de costas para a porta observando os jardins do palácio pela imensa janela do escritório. As cortinas balançavam com a brisa da tarde e Sasuke estava com a mão esquerda apoiada na mesa de madeira polida.

-Gostaria de poder reparar todos os meus erros e sei que esse pequeno gesto é muito pouco.-Sasuke disse.-Terei muito tempo para lhe provar meu amor e espero que me dê essa oportunidade.

-Devo colocar 'Com amor, Sasuke'?-perguntou Karin.

-Sim, claro.-disse ele.-Então é isso. Até mais tarde, Karin.

Sasuke se virou e viu Hinata parada na porta, lívida. Se ela etivesse ali há muito tempo, deveria ter escutado a ligação toda. Mas pela expressão que fazia, só havia escutado Sasuke ditando a mensagem para Karin.

-Hinata, eu posso explicar!-começou Sasuke.

-Então é só eu me afastar e você já corre pros braços da Karin.-disse Hinata, com a voz tremendo de raiva.

-Ela só estava...-tentou ele.

-Como eu pude acreditar que na noite de ontem você estava sendo verdadeiro?-disse ela.-Só estava tentando me manter por perto enquanto me trocava por ela.

-Hinata, deixa eu fal...-tentou.

-CHEGA!-gritou Hinata. Ela foi até a mesa e começou a vasculhar os papéis.

-Hinata o que está fazendo?-perguntou Sasuke, que havia se afastado quando a viu se aproximar.

-Eu vou procurar os recados que você deve trocar com essa vadia!-disse Hinata.

Sasuke tentou impedí-la, mas quando se aproximou, Hinata agarou o abridor de cartas e tentou atacá-lo. Sasuke a segurou pelo braço e a atirou no chão. Hinata bateu com a cabeça na mesa do abajur e o encarou com ódio.

-Esqueça a noite de ontem, Uchiha.-disse ela.-Tudo não passou de um fingimento. Não quero que ninguém pense que não sou boa o suficiente para te manter ao meu lado.

Sasuke sentiu um peso no fundo do estômago e os olhos esquentarem. Não iria chorar na frente dela! Quando ele ia fechando a porta, viu Hinata agarrar um vaso de porcelana e atirar na direção dele, que fechou a porta e escutou o vaso chocar-se contra a porta.

O telefone tocou e Hinata foi atendê-lo.

-Sasuke, acho melhor você trocar por um 'amo você'. A Hinata vai gostar mais, eu acho-disse Karin.-Eu entrego aí na sua casa. Ela não está na faculdade, acabei de sair de lá.-Karin esperou resposta.-Então até mais.

Hinata sentiu o estômago sumir. Sasuke estava encomendando flores para ela, não a traindo. O que ela havia feito?

OoOoOo

Sasuke havia arrumado as malas e se mudado para o quarto de hóspedes. Evitava estar em casa nos mesmos horários de Hinata e não fazia as refeições em casa. Queria esquecer que a amava, mas quanto mais tentava esquecê-la mais se lembrava da noite em que chegou tão perto de tê-la. Ia para o escritório cedo todos os dias e era sempre o primeiro a chegar.

Naquela manhã, ele resolveu passar na sala de Gaaa, um diplomata que cuidava dos assuntos triviais para o duque e escutou ele e Ino, que era sua noiva a pouco mais de três meses, conversando.

-Vou ligar para a Hinata.-disse Ino.-Posso ligar do seu telefone?

-Porque você não liga do seu celular?-perguntou Gaara.

-Porque se ela vir o número do escritório, pode pensar que é o Sasuke e me atender.-explicou Ino, como se fosse óbvio.-Ela não me atende quando ligo do celular.

Sasuke correu o mais silenciosamente que pôde até sua sala e discou o número do ramal de Gaara para poder ouvir a conversa das duas na extensão.

-Alô?-dizia Hinata com a voz um pouco embargada, mas um pouco esperançosa, notou Sasuke.

-Hina, minha linda, como você está?-perguntou Ino.

-Ah, oi Ino-disse Hinata.

-Porque ao invés de você achar que ele vai te ligar, não vem até aqui e diz que o ama?-perguntou Ino.

-Caso você tenha se esquecido, eu quase o matei da última vez que nos vimos. -disse Hinata, com um suspiro.-Se eu for até aí, ele vai achar que eu vou levar um rifle e matá-lo no meio do escritório.

-Ajudaria muito se você parasse de tomar píllas para dormir esperando que o Sasuke te transforme na Bela Adormecida, Hina-disse Ino.

-Tchau, Ino-disse ela, e desligou.

Sasuke sentiu um pouco do peso do estômago o abandonar. Ela ainda o amava! Só precisava planejar direitinho como faria para se reconciliarem sem ser morto.

OoOoOo

Hinata resolveu parar de se lamentar e ir falar com Sasuke. Ainda faltavam duas horas para que ele saísse do escritório e ela faria uma surpresa. Tomou um gole do uísque que estava em cima da mesinha para relaxar e dispensou os serviços de Kiba. Iria sozinha.

Duas horas se pasaram e quando Sasuke estava de saída escutou o telefone tocar.

-Alô?-disse Sasuke.

-Senhor duque, que bom que ainda o encontrei no escritório.-disse Kiba.

-Sasuke? Está me escutando?-dise Ino, que havia tomado o telefone da mão de Kiba.-Vem pro Center agora!

-O Center? Você tá maluca?-disse Sasuke.-Ino, fala devagar!

-Tá bom.-disse Ino, respirando fundo.-Vem pro Center agora porque a Hinata tomou metade da caixa de comprimidos para dormir, bebeu, saiu de carro e capotou. Ficou claro ou quer que eu fale mais devagar?