Ordinary day - 2 - Prays...
Os médicos nos deram boas e falsas esperanças a seu respeito. Passei um mês inteiro ao lado dele, logo após a operação, que ele conseguira resistir. Esta foi a boa notícia e a má notícia era que seu quadro hospitalar encontrava-se em um coma profundo, mas mesmo assim, as chances de que ele recuperasse os sentidos eram válidas, apesar de que havia trinta e cinco por cento de chances de isso acontecer. Pelo menos, foi o que o médico disse depois da grande insistência que Sirius e eu fizemos contra ele.
Aqui e agora não tentarei descrever exatamente o que eu senti quando o vi pela primeira vez, tanto depois do acidente, quanto depois da cirurgia. O que posso dizer é que ao vê-lo debilitado, fraco e machucado naquele leito de hospital, a primeira coisa que se passou pela minha mente foi a imagem dele, sadio e imponente em sua moto. Meus pelos se arrepiaram e quando eu toquei minha mão em sua pele tão gélida, meus olhos ficaram turvos e por alguns instantes minha visão embaçou e no segundo seguinte eu estava quase correndo e deixando Sirius, Rony e meus pais lá dentro.
Sai do hospital e corri pelas ruas sem me importar com as pessoas me olhando com estranheza. Corri pelos muros de pedra, por alguns becos vazios, pelas sebes altas e verdes. Meus pés começaram a doer e por dentro uma ardência quando eu tentava respirar. Eu parei e me apoiei em uma parede relativamente velha bem na esquina da rua Churchill. Quando ergui meus olhos, vi a igreja embaçada ao longe, mal percebi que ainda chorava.
Ergui-me e andei até lá, olhando de espreita se havia muitas pessoas dentro. Mas haviam poucas e quase todas ali estavam ajoelhadas no chão, orando. Franzi o cenho, já fazia muito tempo que eu não entrava em uma igreja. Eu acreditava em Deus, sempre acreditei embora eu estivesse afastada dele. Sentei-me no banco em uma das últimas fileiras vazias, baixei minha cabeça e fechei os olhos e desejei de todo o meu coração que Deus ouvisse meu desespero, e tivesse pena de mim e mandasse Harry são e salvo de volta para todos nós.
Pedi uma, duas, três vezes de todo o meu coração e de toda a fé que eu possuía naquele momento, para que Deus o tirasse daquele coma. Eu sentia que não merecia pedir nada a Ele, mas não era por mim que eu estava implorando, era por Harry. Algumas lágrimas teimaram em descer pela minha face e depois de alguns minutos de olhos fechados e coração aberto, eu me senti bem por estar ali. Enxuguei meu rosto e fiquei sentada ainda por algum tempo, observando a igreja e não sabendo se voltava para o hospital ou ia para casa.
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Um mês depois daquele meu pedido para Deus, meu Harry ainda não voltara para mim. Seu coma ainda continuava e por duas vezes naquele mês ele teve parada cardíaca. Eu lembro que em ambas ás vezes eu ficava isolada em algum compartimento e pedia a Deus que o deixasse vivo para mim. Não havia perdido as esperanças, eu jamais me deixaria perde-las. Afinal, o que mais eu poderia fazer se não me agarrar a qualquer leve mudança em seu estado ou a qualquer parada cardíaca superada?
Minha vida passou como um leve borrão. Consegui passar no ano letivo com esforço e qualquer vestígio de vida social estava banida para mim. Eu realmente não tinha cabeça para pensar em qualquer outra coisa que não fosse ele. Só ia em casa para almoçar, e dormir e ficava o resto dos dias no hospital. E a cada ligação que eu recebia quando não estava lá, meu coração explodia de ansiedade, esperando que fossem boas notícias.
Quase três meses depois das paradas cardíacas, nada mais acontecera. Nada, nem para pior ou melhor. Nada. E havia sempre um grande vazio no meu peito que apenas ele poderia preencher um dia, caso ele voltasse para mim. Quando estava sozinha no quarto com ele, colocava músicas que escutávamos nas tardes que passávamos juntos no quarto dele. Eu contava coisas corriqueiras, esperando que, no fundo, ele conseguisse me ouvir. Eu sussurrava em seu ouvido o quanto eu o amava e que estava esperando por ele.
As pessoas dizem que ás vezes vemos e fantasiamos coisas quando as queremos muito. No entanto, não sei dizer se eu imaginei tudo aquilo ou se realmente aconteceu. Eu estava passando a mão em seus cabelos e rapidamente o aparelho de eletrocardiograma começou a bater mais rapidamente e por um segundo ou três eu percebi seu dedo se movimentando muito sutilmente, quase nada.
Eu sentei rapidamente na cadeira. Meu corpo todo tremendo de emoção, susto e alegria, pois aquilo deveria significar alguma coisa. Não tive a ação de correr e chamar alguém e depois de observá-lo por quase uma hora inteira e constatar que ele não se movimentaria outra vez, continuei sentada na cadeira. Eu não disse aquilo para ninguém, somente para o médico, que o examinou e disse que ele continuava da mesma maneira.
Consegui sobreviver durante todo aquele tempo. Talvez eu esteja sendo um pouco dramática em relação a isso. Muitos devem pensar que é besteira eu dizer que não consegui viver bem sem ele, mas não é besteira nenhuma. Eu realmente não conseguia. Estávamos namorando há quase três meses quando tudo aconteceu. Estávamos perdidos e profundamente apaixonados um pelo outro, e era tanto, tanto, tanto...
Meu coração doía com as lembranças de cada toque, cada momento íntimo e de amor, cada palavra de carinho, cada momento besta e feliz. Elas pavimentavam a minha mente com freqüência; as lembranças chegavam a ser fantasmas dele para mim e acho que Sirius sentia-se da mesma forma, mas claro que por outros motivos e lembranças. Sei que posso parecer egoísta. Não era só eu que sentia saudades dele. Meus pais, Sirius, Ron, Hermione(ele era namorada do Ron e amiga do Harry também).
Certo sábado eu cheguei na casa dele, logo depois do almoço, e Sirius deixou que eu entrasse. Eu subi até o quarto dele, fechei a porta e deitei em sua cama. Cochilei por algumas horas e me acordei umas quatro da tarde, grogue e faminta. Eu observei o quarto dele e vi que Sirius não havia mexido em nada, estava tudo como ele deixara. Os cd´s estavam meio espelhados e empoeirados, seus tênis estavam espalhados pelo chão, a mochila com os livros sobre a mesa de vidro do computador, o violão na cadeira, algumas roupas no cabide atrás da porta. Peguei a jaqueta preta dele e me sentei na mesa do computador, cheirando-a com os olhos fechados.
Meus olhos se encheram de lágrimas e eu a abracei, sentindo o frio e o vazio que deveriam ser preenchidos por ele. Quando a coloquei de volta na porta, sentei-me novamente e fiquei contemplando os papéis rebolados sobre a mesa. A chave da moto dele estava lá, Sirius deveria ter deixado junto com todas as outras coisas dele. Aquilo me deu uma ideia. Desci as escadas e perguntei para Sirius se eu poderia lavá-la.
Criei o hábito de fazer aquilo todos os sábados, quando eu saia do hospital. Harry sempre fazia isso naquele dia da semana e pela tarde. Só sei que depois de um mês Sirius me deu as chaves da moto e disse que eu ficasse com ela. Senti-me levemente traída e desconfortável com isso, parecia como se ele tivesse morrido, o que não acontecera ainda. Mas recebi sem nada dizer. Levei-a para casa e fiquei usando-a.
Mamãe e papai não gostaram muito da idéia. No entanto, eles se acostumaram com um tempo. Eu gostava de dirigir a moto, sentia como se ele estivesse perto de mim. Eu lembrava das aulas que ele me dera aos domingo. Sorria comigo mesma, ele não tinha muita paciência e sempre brigávamos a cada aula, mas logo fazíamos as pazes.
Já fazia, exatamente, seis meses naquela terça feira, que ele estava em coma profundo. Eu havia acabado de chegar em seu quarto e o doutor estava lá, conversando algo com Sirius. Os dois me olharam de soslaio e com certo temor. Acenei um bom dia para eles e me sentei na poltrona ao lado dele, como de costume. O médico logo saiu e Sirius ficou por um longo tempo, parado e pensativo, olhando pela janela.
Eu estava lendo um livro qualquer, mas observava seu silêncio inquieto. Levantei uma sobrancelha quando ele virou-se para mim e suspirou. Sabia que tinha alguma coisa errada, desde a hora em que eu havia entrado na sala. Sirius tinha uma expressão séria ao puxar uma cadeira e sentar-se ao meu lado, e cheio de rodeios e remorsos ele me avisou que os médicos haviam falado sobre o desligamento dos aparelhos...
Sentia mais raiva do que tristeza quando dei a partida na moto, no estacionamento do hospital. Lágrimas de uma raiva sem fim brotavam dos meus olhos e tenho certeza que meu semblante era quase homicida para quem não sabia da situação. Coloquei a chaves e acelerei, saindo com uma rapidez ensurdecedora. Passei velozmente por uma ambulância na saída do hospital, mas nem liguei, eu não estava dando a mínima para qualquer outra coisa ou pessoa naquele momento.
Enquanto dirigia furiosa pela rua, nem vi quando o sinal fechou e passei de uma vez. Tive muita sorte, não atropelei ninguém nem sofri um acidente. Continuei no mesmo ritmo, só que com mais atenção agora. Eu fui em direção aos campos, um caminho que percorri inconscientemente. Harry e eu adorávamos ir até lá, ficávamos sozinhos e em paz. Peguei o longo caminho de areia e mato e mais alguns quilômetros eu havia chegado na árvore que ficava no meio do campo deserto, o único lugar que fazia sombra.
Desci da moto e tirei o capacete, rebolando-o de qualquer jeito no chão e depois eu deitei no chão com os olhos fechados, lembrando de Sirius correndo atrás de mim no quarto, dizendo que queria se explicar melhor... Não havia o que pensar. Ele estava desistindo de Harry, desistindo do seu afilhado, e eu não conseguia nem pensar nessa proposta, pois, para mim, pensar a respeito já era dar uma ordem de assassinato.
Pensei tanto que doeu e depois de mais ou menos uma hora, eu consegui dormir. Nem sei como consegui aquele feito incrível...
N/A: Eu não pude resistir de deixar o final para o próximo capítulo. O que vocês acham? Que ele vai viver ou vai morrer?
bjs!
Emmerlyk: Fico feliz por você ter gostado da fic. Realmente ela é bem rápida, mas eu a planejei assim. Ás vezes são histórias que vem em sua mente sem explicação e eu queria escrevê-la, não com vários capítulos longos, apenas desta maneira. Ela só teria mais este capítulo, só que eu não resisti em fazer mais suspense. O próximo já é o final. Qualquer dúvida é só perguntar. BJS!
Naty Weasley Potter: Que bom que você gostou tanto, apesar de ser tão simples e curta. Quanto a passagem rápida de tempo, eu só não vi necessidade em fazê-la tão longa. BJS!
Gabi G. W. Potter: E você sempre lendo minhas fics. Adoro!kkk Obrigada pela review e fico contente de ter apreciado mais esta. Aqui está mais um capítulo e o próximo já será o final. BJS!
Isinha Weasley Potter: Fico feliz que tenha apreciado a fic. Realmente, coitadinho do Harry, mas eu queria drama na história e, infelizmente, eu sempre acho incrível a Gina sofrendo por ele(não que eu goste é claro). Espero que curta mais este capítulo, ele é bem pequeno. Bjs!
Ivy Potter: Obrigada por comentar e que bom que você gostou do estilo da fic. Como já disse, não vi necessidade de ser tão longa. É uma história compreensiva. A escrevi até em 1° pessoa, pois apenas as emoções dela sobre ele já são suficientes para mim. BJS!
