Ordinary day – 3 – The end of the coma
Já se passara três dias desde quando Sirius me contara sobre... Eu nem conseguia repetir. Eu não conseguia ir ao hospital. Na minha mente tudo estava se corrompendo e os médicos não estavam dando a mínima para a minha dor ou a de Sirius. Regras do hospital... Besteira... Eu morreria se acontecesse algo a Harry Potter. Eu não resistiria. Aquela fora uma notícia súbita para a qual eu não estava preparada.
No Domingo Sirius fora até minha casa, conversar com minha família e eu. Era uma opção caso ele quisesse transferir Harry, mas seria tão arriscado quanto desligar os aparelhos de vez. Bufei, fechei a cara e não disse nada. Não precisou, pois lágrimas de ódio e mágoa rolaram pelo meu rosto mostrando minha não conformação com aquilo. Subi imediatamente para o meu quarto. Sirius tentou me seguir, assim como no hospital, mas ouvi a voz de mamãe falando para me deixarem sozinha. Hermione foi até meu quarto mais tarde e, com ela, eu desabafei, chorei e me consolei. E naquela hora eu soube que havia ganhado uma melhor amiga.
Aqueles dias foram difíceis para mim. Acho que passei mais de uma semana até conseguir voltar ao hospital e rever Sirius ou os médicos e, para mim, parecia que ninguém entendia a minha tristeza completamente.
Eram as "políticas do hospital" segundo disseram os médicos. Sentia mais tristeza do que raiva e pela primeira vez na minha vida eu realmente soube o significado da palavra solidão. Não que as pessoas se afastassem de mim, era eu quem as afastava. Meus pais, Sirius, Rony, nem mesmo Hermione conseguiam conversar comigo sem que tudo acabasse em discussão. Na verdade, nem eu estava me suportando mais...
Era muito difícil e complicado. A única coisa que mudaria minha situação estava quase ao ponto de realmente nunca acontecer. Tudo o que eu queria era ele de volta. Nada mais. Meu Harry, meu amor. Depois de alguns dias comecei a freqüentar o hospital novamente, eu não me sentia bem, mas queria ficar perto dele.
Os médicos haviam dado um prazo até o final do mês para que tudo fosse decidido e já estávamos na segunda semana de Outubro e a cada dia que se passava minha tristeza e infelicidade aumentavam mais.
Em mais um dia eu aconcheguei-me a ele na beirada da cama (estávamos sozinhos) e fiquei ouvindo sua respiração baixíssima. Pus a mão sobre seu peito e permaneci daquela maneira por vários minutos. Senti meus olhos ficarem quentes e em poucos segundos as lágrimas desceram para o lado do meu rosto. A única coisa que não me deixava cair fora da realidade era o coração dele que, agora, batia com um pouco mais de força sob minha palma.
Senti um leve aperto no coração quando ouvi o eletrocardiógrafo apitando e o peito de Harry subindo e descendo pesadamente. Sem saber bem o que fazer segurei a mão dele e sentei-me ao seu lado. Passei a outra mão pelos seus cabelos e comecei a sussurrar, chamando-o de volta, ele continha o ritmo da respiração, o que me deixava ansiosa e nervosa. Gritei por ajuda e em questão de segundos a enfermeira do turno da noite chegou.
Ela correu ao meu encontro e me afastou com firmeza e delicadeza. Ela escutou o coração dele com o aparelho e puxou uma de suas pálpebras (sua pupila mexia-se de modo frenético), observou suas feições por alguns segundos e, então, olhou para o aparelho. A enfermeira tinha uma expressão abismada, surpresa e tensa no rosto.
Perguntei o que estava acontecendo, meu coração batendo tão forte quanto o de Harry. Ela olhou para mim um pouco aérea e sorriu.
— Eu acho que ele está voltando. — Falou em um fio de voz e apertou o botão que havia ao lado da cama.
— Tem certeza? — Voltei a perguntar e sentei-me ao lado dele, me tremendo toda.
— Quase. Mas já chamei o Doutor.
Eu peguei na mão dele novamente e comecei a sentir seus dedos movimentando-se aos poucos.
— Harry! — Sussurrei ao seu ouvido, meus olhos cheios de lágrimas. — Volte meu amor. Volte para mim. Eu passava a mão pelos seus cabelos, como eu sabia que ele gostava, e apertava a sua mão. — Eu te amo, Harry. Volta!
Neste momento o médico entrou rapidamente no quarto.
— O que está acontecendo?
— Ele está voltando, doutor.
— Incrível. — A expressão do médico adquiriu surpresa. Ele pareceu observar minha presença depois disso. —É melhor você sair srta.
— Mas...
— Por favor, querida. — A enfermeira pegou minha mão e me guiou para fora do quarto. — Nervosismo não é a melhor solução. Assim que tiver novidades lhe comunicarei imediatamente.
Ela fechou a porta e eu quase engasguei de raiva. Eu me tremia toda de excitação e medo. Quase arfava. Procurei o banco mais próximo e afundei nele. Não conseguia me acalmar, na minha cabeça, se eu saísse da sala ele poderia voltar ao coma e eu nem poderia fazer nada para ajudá-lo a voltar. Passei vários minutos esperando do lado de fora do quarto. Na hora nem pensei em ligar para alguém, em Rony, Hermione, Sirius ou meus pais. Algumas lágrimas rolavam por minha face.
A porta abriu e a enfermeira saiu de lá. Praticamente pulei do acento e quando, finalmente, percebeu minha presença, ela me deu um sorriso e pôs a mão sobre meu ombro. Aquilo, com certeza, fora um bom sinal, eu também sorri um pouco de emoção e bem... tantas emoções diferentes.
— Entre!
Acenei levemente com a cabeça, pois nada saia da minha boca, e rumei para o quarto. Quando eu empurrei a porta um pouco mais para o lado e o vi, sentado e recostado nas almofadas, parecendo mais velho e cansado do que nunca, ele olhou na minha direção e assim que nossos olhos se encontraram eu vi uma feição muito forte neles. Ele sorriu com timidez para mim.
Não havia parado de chorar de felicidade desde então e acho que naquele momento, eu meio que estava em estado de choque. A enfermeira me empurrava de encontro a ele e eu não conseguia, verdadeiramente, sentir-me movendo, só percebia o quanto eu chegava cada vez mais e mais perto dele.
Quando já estava perto dele o suficiente, nos olhamos intensamente, e eu o abracei fortemente, apenas como se tudo dependesse daquilo. Eu sei que o estava quase sufocando, mas era muita emoção para mim. Ele também me apertava contra si, podia sentir sua barba arranhando no meu rosto. Sorri enquanto chorava de alegria e emoção.
— Está tudo bem agora, meu amor.
Ele exclamou ao pé do meu ouvido e eu sorri ainda mais...
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Já fazia algumas semanas que ele havia saído do coma e voltado para casa. Certo que, não só ele, mas todos nós tivemos que passar por uma leve readaptação. Tudo passou muito rápido para mim. Eu sempre ajudava o Sirius com o Harry, já que ele estava usando muletas, mas o médico havia dito que seria só por um período até ele estar completamente sarado, pois, depois do acidente, ele havia ficado entrevado na cama, e mesmo que fizessem sessões semanais de fisioterapia, nada se comparava ao fato de ele andar e fazer os movimentos com as próprias pernas, e o seu braço esquerdo ainda estava um pouco inchado e dolorido.
Ás vezes era muito difícil de lhe dar com Harry. Ele sempre foi meio sem paciência, cabeça dura, mas eu me munia de toda a paciência que conseguia. Eu sabia que ele estava frustrado demais, mais do que achei que ele ficaria, porém não insisti no assunto, não queria deixá-lo com mais raiva. Eu estava tão feliz por ele ter voltado para mim, que estas pequenas birras dele não me afetavam, eu só o beijava ardentemente, desejando poder fazer mais do que apenas beijar.
Certo final de semana, fomos para a fazenda que o Sirius tinha em Sheffield. Não era um caminho muito longo na verdade. Queríamos comemorar a volta e a recuperação de Harry. Mamãe e papai foram assim como Hermione e Rony e meus irmãos. Estávamos indo ao lago que ficava perto da casa. Tentei convence-lo a usar uma bóia, mas quem disse que o teimoso quis? Ele praticamente gritou comigo dizendo que não queria.
Fiquei com raiva depois disso, estava indo para fora do quarto quando ele tentou me impedir e quase caiu se não tivesse se apoiado em mim. Quando eu ia começar a ralhar com ele pelo descuido, ele trancou a porta e me arrastou como pode até a cama. Ele fez com que eu me deitasse sobre si com cuidado, me pediu desculpas e começou a me beijar. Eu sentia o quanto ele me queria, mas quando ele tentou rolar pela cama e ficar por cima, soltou um forte gemido de dor, havíamos esquecido do seu braço no calor do momento.
— Isso é muito difícil para mim ruiva. — Falou ele com a voz cansada depois de algum tempo. — Não consigo nem tocar em você direito sem sentir alguma dor.
— É por isso que você está tão carrancudo esses dias? — Perguntei. Tudo havia se encaixado na minha cabeça naquele momento.
— Você pensa que é fácil pra mim? — Ele me encarou e passou a mão delicadamente por minha face. — Já faz eras que eu não tenho você e... É difícil, você sempre fica se preocupando comigo.
— Rá. — Exclamei, e me sentei sobre ele novamente. — É claro que eu me preocupo seu turrão. E você também pensa que não está sendo difícil para mim? Eu não toquei nesse assunto porque eu achava que você nem estava pensando nisso. Tanta coisa aconteceu e...
— É claro que eu penso Gi. — Ele me beijou apaixonadamente. — Eu preciso me sentir vivo de novo, mas não consigo nem me manter direito sobre as pernas...
— Eu só queria dar o tempo que você precisava. — Passei a mão em seus cabelos rebeldes e ele fechou os olhos. — Se esse é o seu problema podemos dar um jeito.
— Sério? — Os olhos deles se abriram e brilharam pra mim e eu sorri.
— É claro. Só precisamos ser cuidadosos. — Eu o beijei novamente e depois sai do seu colo. — E vai tratando de acalmar os hormônios logo...
— Ei. — Exclamou carrancudo. — Pra onde você está indo?
— Estão todos indo ao lago agora, Harry. — Respondi prática.
— Mas...
— Mais tarde, quem sabe. — Eu o ajudei a levantar-se da cama e passei os braços por sua cintura, beijando o seu peito. — Se você se comportar direitinho.
— Como eu posso me comportar se você fica me mal tratando assim?
Eu sorri como nunca mais havia sorrido antes. Ele estava voltando ao normal, eu sentia isso. Nunca mais havíamos brincado assim um com o outro desde que ele voltara, e devo admitir que eu sentia falta do amor e do bom humor dele quando estávamos a sós.
Em geral, aquele dia passou-se rápido e pela noite ele me chamou pro quarto e perguntou se havia se comportado, como eu dissera mais cedo. Ele não esquecera. Eu sorri dele e respondi que sim. Enquanto todos dormiam, nós dois ficávamos cada vez mais e mais acordados, perdidos no amor e nos toques quentes um do outro, e eu tentando sempre ser cuidadosa com ele e não fazer muito barulho...
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Depois de um mês e meio Harry já estava quase completamente sarado. Ele havia ficado com uma leve seqüela na perna esquerda, que mancava pouco e quase que imperceptivelmente. Ele se matriculou na escola novamente para terminar o ano letivo que havia perdido, e eu consegui passar na University of Manchester para jornalismo, para a qual Harry também pretendia ir ao terminar o ensino médio e estudar engenharia. Consegui um estágio no jornal de notícias da cidade, escrevendo críticas sobre artes (músicas, cinema, teatro, concertos...)
Entramos numa rotina boa naquele começo de 2009, ele sempre ia me buscar na parada de ônibus em sua moto (que ele só começou a dirigir depois de algum tempo). Para todos os efeitos, não ficamos sabendo o que havia acontecido no acidente de Harry. Ele confessou que não lembrava de mais nada depois que havia dobrado a esquina lá de casa naquela noite, não conseguimos achar ninguém que soubesse de algo. Mas no geral, estávamos felizes por tudo ter passado e que tudo estava bem novamente.
Rony e Hermione também estavam na mesma universidade que eu, o que era muito bom, pelo menos eu não ia me sentir tão desolada ali sem o Harry. As coisas estavam muito bem entre nós. Eu não conseguia esquecer completamente de tudo que acontecera. Do coma, da solidão, nem ele. Porém, eu não sentia como se houvesse uma sombra o tempo todo a minha espreita. Conseguimos superar aquilo com uma proeza que até me assustava. Foi como se cada segundo de dor jamais tivesse existido. Repito, não que tivesse esquecido, é claro.
Quando Harry terminou no colégio, ele se inscreveu na universidade e passou. Eu, Harry, Rony e Hermione, decidimos alugar apartamentos em um pensionato perto da universidade e fomos morar lá. Papai e mamãe e os pais de Hermione quase não aceitavam nossa nova condição. Somente Sirius, mostrou-se mais aberto quanto as nossas decisões. Na verdade, ele escolheu o apartamento conosco.
Sempre havia muitos eventos lá. E enquanto todos iam para as festas e comemorações, Harry e eu sempre ficávamos trancados no nosso apartamento, fazendo amor ou simplesmente ouvindo música e estudando. Sozinhos e taciturnos como sempre éramos, como sempre costumamos ser em velhos tempos, sempre com a mesma paixão e a mesma emoção do começo do namoro.
Sorri ao pensar em como havíamos começado aquela relação em um dia ordinário, onde um simples trabalho de escola nos aproximou mais do que os anos de pouco conhecimento mútuo um com o outro em que ele era amigo de Rony. Eu não tinha dúvidas sobre ele, e sentia que estávamos bem depois de tanto tempo juntos. E eu também sentia hesitação alguma por parte dele comigo. Estávamos bem; e ao lado dele, qualquer dia, por mais simples que fosse, era sempre um dia a agradecer. Agradecer pela gratidão que Deus tivera comigo e por todas as orações que eu havia feito durante o seu coma e que haviam dado certo no final de tudo.
N/A:Pois é gente. Este foi o final que eu consegui dar para a fic. Devo confessar que meu plano original seria matar o Harry no final. Mas eu não conseguiria fazer tal coisa. Por pior que seja a situação ele sempre volta para a Gina, não consigo ver os dois separados assim. E se alguém tiver alguma dúvida sobre algo, pode perguntar, eu responderei.
Bem, espero que tenham gostado. Bjs!
Emmerlyk: Pois é, andei persquisando e parece que alguns hospitais do exterior realmente tem essa política quanto á pacientes em coma. Acho isso um absurdo, mas... É, esse já é o final, espero que goste desse. BJS!
Isinha Weasley Potter: "Nao tem como existir um harry sem uma gina" Você disse. Concordo plenamente. Por isso eu não o matei. Obrigada por ter acompanhado a fic e espero que goste do final. Bjs e se cuida também.
Ivy Potter: É. Meio que inconscientemente, a Gina bem queria sofrer um acidente e perder os sentidos pra não ter que sentir tanta dor no coração. Eu quase colocava esse pensamento dela na narrativa, mas pra mim ia ficar uma coisa mórbida, então resolvi não colocar. kkk Foi mesmo intenso, escrevi aquele capítulo escutando umas músicas do meu Mp3 que tem Jazz e blues, e também The Smiths, imagina. Realmente, depois que você falou, quando fui analisar a trama do filme, achei parecido e tudo mais no final. Já havia escutado muito sobre ele, mas nunca havia assistido. Bem, espero que goste do final e obrigada por acompanhar. BJS!
Gabi G. W. Potter: Sério? Você realmente chorou ou foi só uma expressão para um "estou muito emocionada"? Não, não precisa me matar, você ainda vai poder continuar lendo as minhas fics kkk. Eu não teria coragem de matar o Harry. E desculpe a demora, mas aí está o último capítulo. Espero que você goste. BJS!
