Com um lugar para começar e 8 dias para achar uma pista concreta, Shinn Asuka saiu da casa Lehnman por volta das 8 horas, com um bilhete agradecendo a hospitalidade e deixando o número de seu telefone celular, para quaisquer problemas posteriores, em relação à doação da casa.

Dirigindo-se à face nordeste da ilha, onde ficavam as residências privativas, dedicadas às famílias abastadas ou com boas ligações. Se quisesse fazer o serviço, provavelmente precisaria de contatos com a alta cúpula; alguém que pudesse sacar informações sonsamente, sem despertar suspeitas. Ele só queria não cruzar com uma pessoa. Sacando seu celular, discou um número.

- Residência Zala, Meyrin Zala falando.

- Meyrin... é o Shinn. Estou de passagem e chego em 15 minutos. Preciso falar com você.

- Mas...

- Sem mas... estou aí em 15 minutos – disse desligando. Pese todo o convívio social que Luna o obrigava a ter, conhecia ela e Meyrin desde a academia e não tinha tempo para amenidades.

Enquanto isso, um cansado Atthrum Zala se dirigia para casa após uma conferencia militar que varou a madrugada, pensando em com chegara à isso: Almirante das forças militares de Orb. Nunca esperava que Cagali fizesse o convite e muito menos que ele aceitasse. Depois de como tudo acabou entre eles, era uma surpresa que eles pudessem conviver novamente. O problema foi como Cagali desistiu dele. Segundo sua esposa, ela disse que deixaria os seus sentimentos de lado por enquanto e, que nesse período, que ela cuidasse bem dele. isso seria uma desistência formal, se ele não a flagrasse o olhando como antigamente. Ele tinha Meyrin e estava feliz. Feliz? Essa palavra se aplicaria a ele agora? Tudo era bem mais simples, quando tinham 14 anos. Ele queria destruir a Terra e ela queria impedi-lo. Bons tempos.

Com esses pensamentos ele avistou o portão de casa e viu sua esposa abrindo a porta para um outro homem. Outro homem? Outro homem!! Sim, não sabia se era feliz, mas sabia que iria matar alguém assim que descesse do carro!!

Abriu a porta o mais silenciosamente possível, enquanto se torturava mentalmente. Será que dera amor demais ou de menos? Chegou na sala e viu que ambos estavam na cozinha. Notou também que o desgraçado estava com uma mochila. Estariam planejando fugir juntos? Aproximou e viu sua esposa no fogão enquanto o maldito estava de costas para a porta olhando para o traseiro de sua esposa. Sem perder tempo começou a socá-lo sem piedade, enquanto este, não conseguia reagir, surpreso com o ataque. Após alguns socos e chutes, amante de sua mulher conseguiu reagir, derrubando-o e aplicando uma chave de pernas que o imobilizou. Nesse instante ouviu uma voz conhecida:

- Qual é o seu problema, desgraçado? Você quebrou meu nariz! – mesmo anasalada, ele conhecia essa voz.

- Shinn. Então... você estava me traindo com o Shinn? – perguntou Atthrum confuso.

- Você é maluco ou o quê?! – gritou Meyrin – Shinn estava em PLANT até ontem! Fora o fato que ele namora minha irmã... e não esqueçamos o fato de que eu nunca traí você!! De onde você tirou essa idéia?

- Bom, eu estava chegando e... vi você atendendo a porta e... uma coisa leva a outra... e dá pra me soltar, Shinn?

- Me lembre de nunca mais visitar vocês – grunhiu o coordinator enquanto pegava um pano com gelo que sua cunhada lhe estendia para estancar o sangramento.

O ambiente não estava bom para o jovem Almirante. Seu amigo desejava-lhe uma dolorosa morte e não podia dizer nada e sua mulher, bem... digamos que ele iria dormir no sofá por um mês ou dois por isso.

- Shinn, se importa de nos dizer o motivo dessa visita repentina? – perguntou Meyrin, ignorando Atthrum.

- É melhor você se sentar, Meyrin – disse, observando como o efeito contrário do desejado era obtido – Há 5 dias, a Equilibrium, nave de Z.A.F.T. atracou no porto de Onogoro, em modo de silencio de comunicações, mas isso, vocês provavelmente já sabiam. O que vocês não sabem é que 3 dias atrás, houve um ataque à Equilibrium, onde algumas pessoas foram seqüestradas. Luna foi uma delas... – parou a narrativa enquanto sua cunhada cedia sob o próprio peso. Muita água com açúcar depois, Shinn conseguiu retomar a narrativa.

- Nesse momento, eu estava em PLANT, cuidando de outros assuntos e assim que fiquei sabendo disso, vim para cá.

- Por que você não estava com ela? – fuzilou Meyrin.

- Eu estava preso por desacato ao capitão. Como tecnicamente ainda estou preso, estou investigando por minha conta. Como a missão aqui era confidencial, Z.A.F.T. não irá negociar a libertação dos prisioneiros – disse, validando seu ponto de vista.

- Por que você foi preso, Shinn?

- Isso não é da sua conta.

- Por que você foi preso? – gritou novamente a garota.

- Porque eu não queria ficar estacionado em Onogoro, há poucos quilômetros de onde perdi minha família, satisfeita? – respondeu de má vontade.

Ela não estava satisfeita. E mostrou isso deixando a marca de seus 5 dedos na bochecha esquerda de Shinn.

- Desgraçado! Ela gosta de você, conta com você e como pagamento o quê recebe? Um meio homem, que não consegue se separar do passado! Acorde, garoto. Todos nós perdemos alguém nessa maldita guerra. Todos tivemos nosso quinhão de sofrimento, mas só interessa o sofrimento do grande Shinn Asuka, "eu vi minha famíla morrer e só sobrou um aparelhinho celular"...

O som de vidro estalando ecoou na cozinha, silenciando a todos. O copo que Shinn segurava estava em pedaços, enquanto sua mão sangrava profundamente. Seus olhos estavam úmidos, mas seu olhar transbordava raiva e dor.

- ... Acho que fiz errado em vir aqui. Não se preocupe Meyrin, eu vou descobrir onde ela está e salvá-la. Depois farei você engolir cada uma de suas palavras.

- Shinn!! – gritou Atthrum, em dúvida se deveria apoiar sua esposa ou ajudar seu amigo e por conseqüência sua cunhada – Desculpe-me Shinn – sussurrou e foi ter com sua esposa.

Saindo dali rapidamente, com um nariz quebrado a mão sangrando e sem nenhuma informação adicional. Não era isso o ele esperava quando resolveu ir até ali. Seguramente esperava que o maldito Zala usasse suas conexões para lhe dar mais pistas, mas ele fora tão útil quanto um soco no nariz. Na verdade ele fora um soco no nariz. Tão irritado com isso não ficou surpreso ao ouvir um "ai" e perceber que esbarrara em alguém. Quando parou e a ajudou a levantar-se, aí sim ficou surpreso.

- Kyla?

- Shinn? Meu Deus, o quê aconteceu com você? Está sangrando!

- Eu causo esse efeito nas pessoas – respondeu o jovem, desconfiadamente. Quando seu dia não poderia ficar pior, alguma coisa acontece.

- Deixe-me cuidar de você. Tem um hospital aqui perto – ofereceu a jovem.

- Não é necessário, daqui a pouco estanca por si só e pronto – tentou sair pela tangente, mas a garota já o pegava pelo braço machucado e o levava em uma direção desconhecida por ele.

- Ei, para onde vamos?

- Para um hospital aqui próximo.

- Mas eu estive em um ontem – queixou-se.

- Ontem não precisava de atendimento médico...

- Mas não tenho dinheiro.

- É público.

- Mas vão fazer perguntas que não quero responder.

- Essas eu vou fazê-las e de mim não irá escapar – disse a garota sem dar espaço para réplica.

- Nada nessa vida vem de graça – sussurrou para si mesmo, desolado

Um gosto estranho na boca. Uma tremenda dor de cabeça. A sensação de que o tempo lhe fora empurrado goela abaixo. essa era algumas das sensações que o capitão Yamato começava a sentir em seu corpo. Por outro lado, significavam que ele ainda estava vivo.

- Capitão, o senhor está bem? – perguntou uma voz feminina.

Essa voz logo entrou em foco, revelando a dona como uma de suas oficiais.

- Já estive melhor e também pior, tenente. Onde estamos?

Olhou ao redor e viu uma cela dessas com pouco mais de 2 metros quadrados, parecida com aquelas de cinema, com um tom lúgubre e fétido. Lembrava até a lendária prisão do Carandiru, se ela ainda existisse. De seu pulso viu a marca de um relógio, mas ele já não existia. Sua tenente o observava, e falou.

- Calculo que tenha passado 2 dias desde que nos surpreenderam, na saída da nave e nos trouxeram aqui. Sei tanto deste lugar quanto o senhor. Acordei à uma hora atrás.

- Como pode ter tanta certeza, Luna?

- Pelo atual estado do meu ciclo menstrual – disse, evidentemente ruborizada.

- Desculpe por isso. – disse Kira, sentindo-se envergonhado – Pelo visto, só nós fomos capturados.

- Acredito que sim. Só resta saber o que eles querem – ponderou a garota.

Enquanto isso, Atthrum Zala saia à procura de seu amigo. Colocara sem dificuldades sua esposa para dormir, mas teve que ficar com ela até que o calmante fizesse efeito. Antes de cair no sono, ela pedira que o procurasse e ajudasse a resgatar sua irmã. Ela tinha sido injusta com ele e sabia disso, mas a possibilidade de perder a única família que lhe restava fizera com que ela atacasse o único laço de Shinn com seu passado para se sentir melhor.

Ao chegar na rua, pensou que seria estupidez perguntar por um rapaz de mochila de viagem e mão sangrando, mas era isso ou voltar para casa e tentar o celular, então como não tinha nada a perder, parou em uma banca de jornal.

- Boa tarde senhor, por acaso não viu passar por aqui um homem jovem, com mais ou menos 1 metro e setenta, com uma mochila enorme e mão sangrando?

O encarregado da banca de jornal, o olhava como se ele estivesse falando grego; após acender um cigarro e dar uma tragada, disse:

- Se estiver falando de mais um refugiado que chega nessa cidade e arruma encrenca por nada, é melhor procurar no hospital no fim da rua. É lá onde esses tipos geralmente acabam.

- Obrigado, senhor.

Como todo hospital público que se preze, nessa hora (e em todas as outras) estava um caos: médicos atendendo os pacientes mais graves desesperadamente sem condições, lutando contra o cansaço e contra a síndrome de abstinência porque seus corpos exigiam alguma coisa que os mantessem ativos. Nesse ambiente, há algumas horas, encontravam-se Kyla Stwart e Shinn Asuka.

- Te disse que estaria melhor, sem vir aqui. Acho que acabo de contrair o Ébola. – disse Shinn.

- Cala a boca, o Ébola foi erradicado à milhares de anos – corrigiu a garota.

- Então esqueceram de avisar esse pedaço do mundo – retrucou o rapaz.

Havia algo que chamava a atenção nesse garoto, seu senso de humor frio, seus olhos evidentemente cheios de raiva e dor... ela já sabia disso, mas sentia algo mais próximo dele, de seu jeito de andar, levemente indiferente ao mundo à sua volta, lembrava seu pai, embora tivesse o visto poucas vezes. Pedida em seus pensamentos, não percebeu quando um dos médicos a cumprimentou.

- Kyla Stwart! Como vai minha engenheira social favorita?

- Sai! Faz anos desde que eu deixei essa vida. Agora trabalho em favor de Orb, não contra – disse disfarçando um sorriso.

- E o que lhe traz aqui? Exames pré-nupciais? Ou seriam pré-natais? – disse o médico, sorrindo gostosamente.

- Idiota!! – contestou Kyla, completamente vermelha – só trouxe um amigo meu que se machucou. Dá para atendê-lo rápido, como um favorzinho pessoal para mimzinha? – disse com a melhor expressão "sou uma santa que nunca pediu nada em troca e essa é a primeira e única vez".

- E você disse que seus dias de engenharia social estavam enterrados – censurou o médico – vou atendê-lo depois deste paciente. Shinn Asuka – gritou.

- Esse é o meu amigo – contestou surpresa. Enquanto o paciente levantava-se de má vontade no fundo da sala.

Nesse momento, um homem aproxima-se da conversa e pergunta:

- Com licença, por gentileza você disse Shinn Asuka?

- Sim... Atthrum Zala?

- Sai Arguile?

- Amlirante? – perguntou Kyla.

- Que merda! – sussurrou Shinn.



Bom gente, desculpe a demora. Sei que poderia dizer que tive um bloqueio criativo neste capítulo, mas a verdade é que foi falta de vegonha na cara mesmo! O que posso dizer em defesa? Apenas que Desemprego + Olímpiadas + fuso Horário um corpo completamente fora de escala. tô trocando os horários e o que ganho em troca? Só 4 medalhas de Bronze! Vamo lá negada!!

Roberto, quando li sua review, definitivamente achei que era alguma piada cármica: eu tenho o mesmíssimo problema com meu vizinho de 13 anos e eu, já com 29, tenho que ouvir os disparates desse mini-elemento! e para piorar, a situação tem o fato de que o miserável normalmente ganha de mim no Game Gundam Seed Destiny Rengoku Vs. Z.A.F.T.2 do Play 2 (que eu recomendo) usando ninguém menos que o Strike Freedom!

Para minha sorte, existem alguns argumentos irrefutáveis sobre essa questão Kira vs. Shinn:

- A batalha da Operação "Angel Down" foi uma obra de arte de Shinn e Rey, completa em todos os sentidos, que conseguiu quebrar a espinha dorsal de Kira e da Archangel. E sim, quando o bicho pegou, Kira Mirou no cockpit (1º vez depois de Nicol).

- Um detalhe que passa despercebido durante a serie para muitos: o quanto os motivos pessoais, as conviccoes pessoais determinam o desempenho no campo de batalha. Isso acontece com Zala, ao voltar para Z.A.F.T.; com Kira durante a batalha contra o Impulse, e com o proprio Shinn quando o Strike Freedom e o Infinite Justice entram em cena. No final, a maior batalha se da com palavras.

Sei que muita gente que ler isso, dirá algo como Shinn não tem comparação com Kira e blábláblá e todo aquele papo de supreme coordinator...

Contudo, sejamos honestos: qual personagem é mais próximo às nossas experiências de vida?

O cara que é um estudante técnico com um potencial para ser um pesquisador e se descobre uma máquina de combate, ou o refugiado que perde tudo e se une ao exército do único local que acolheu? Alguém para quem tudo pode ser resolvido por palavras, ou alguém que sente a dor da perda de sua família na frente de seus olhos?

Shinn é a Geórgia, a Palestina, Israel, Líbano, Tibet. Se pensarmos assim, seria Kira Ghandi? Marthin Luther King? Madre Teresa?

Vamos criar uma polêmica na fic!

Fan Surfer