A jovem oficial Kyla Stwart não acreditava no destino. Ela preferia acreditar na teoria de 4 graus de separação, pela qual você esta conectado à todas as pessoas do mundo, por apenas 4 graus: seu amigo tem um amigo que conhece fulano. Contudo, essa era um pouco fora de lugar dada à natureza dos envolvidos: um refugiado com 2 dias de estada, um médico e ex-namorado e um almirante das forças armadas de Orb, seu chefe e como se não bastasse, herói de guerra? Só dessa vez, decidiu acreditar em destino.

- Então, Sai...você se tornou médico? – perguntou Attrhrum.

- Como eu passava meus dias divididos entre a ponte e a ala médica da Archangel, peguei gosto pela coisa e, depois da guerra, entrei em contato com um dos médicos que resgatamos durante a guerra e ele me conseguiu um emprego em sua clínica enquanto eu estudava medicina. Agora divido meus dias entre a clínica, as aulas e a residência aqui.

- Por que não procurou Cagali ou a mim? Podíamos ter facilitado seu ingresso na universidade.

- Eu quis fazer tudo por minha conta. Na verdade você é a única pessoa que vi além de Miri. Kuzzey voltou para sua terra natal e fiquei sabendo que morreu no ataque daquele Móbile Suit gigantesco na Eurásia.

- Destroy – corrigiu Atthrum – Uma grande perda. Kuzzey. Vou procurar algo da família. Tenho certeza que Kira também ira querer fazer algo pela família.

- Nossa... faz anos que não o vejo. Como ele está?

- Desculpe a intromissão, mas quando vocês falam da Archangel... vocês se referem à nave Archangel? – perguntou Kyla.

- Desculpe-me a rudeza, mas quem é você? – perguntou Atthrum.

- Sou a soldado de 2º classe Kyla Stwart, do Corpo de Recepção aos Refugiados de Orb. É uma honra conhecê-lo, Almirante. – disse a moça, fazendo uma torpe e emocionada saudação.

- Nesse momento... você está de serviço, Kyla? – perguntou Zala.

- Não senhor.

- Nesse caso, não é necessário o protocolo militar – disse Atthrum, sorrindo – e pode me chamar de Atthrum.

- Senhor, sim senhor. Desculpe... Atthrum. – coçou a cabeça, Kyla.

- Respondendo à sua pergunta Kyla, Sai e eu nos conhecemos na penúltima guerra, à bordo da Archangel. E como vocês se conheceram?

- Nós namoramos durante um tempo – respondeu pacificamente, o doutor Argile.

- E como você conheceu Shinn, Atthrum? – interessou-se Kyla.

Essa era a pergunta que o jovem almirante estava tentando evitar. A resposta errada poderia transformar a missão do cunhado em um fracasso retumbante. Teria que mentir e contar com a sorte; ou melhor, com a discrição de Sai.

- Shinn foi um dos refugiados que resgatamos na Archangel. Como nós fomos os últimos a nos juntar a tripulação, ainda que por pouco tempo, conversávamos bastante.

Por outro lado, Sai entendeu a indireta que o amigo lhe dera. Ele tinha memória fotográfica e lembrava dos rostos de todos a bordo, principalmente porque a maioria fora morta pelo piloto do Buster, em uma tentativa de acertar Kira.

- Agora chega de conversa. Tenho um paciente para tratar. Fora do meu consultório, vocês dois. Senhor Asuka, por aqui. Não demoraremos mais do que 10 minutos.

Enquanto o consultório era fechado, Atthrum e Kyla conversavam sobre os últimos acontecimentos.

- Gostaria de saber como ele se feriu desse jeito? – perguntou Kyla, enconstada na parede.

- Conhecendo o gênio dele, provavelmente uma briga de rua. – mentiu Atthurm, afinal não podia denunciar-se como marido ciumento para seus subordinados – Você disse que é do Corpo de Recepção de Refugiados, certo? Foi a oficial que o atendeu?

- Sim... achei melhor que ele passasse por um processo de adaptação mais longo, pois ele não parece apto á convivência social.

- Ou seja, não mudou nada – comentou Zala, com sarcasmo – Seriamente falando, sua vida foi uma tristeza em cima de outra. Você é psicóloga, certo? Pergunte sobre a namorada que ele viu morrer... como se a morte de seus pais não fosse bastante, ainda tem essa.

- Assim como Sai – sussurrou a garota.

Enquanto isso, dentro do consultório uma conversa igual acontece entre médico e paciente. Estando sozinho na missão, Shinn decidiu aproveitar e fazer as coisas do jeito dele, aproveitando a situação que lhe apresentou; um hospital público pode também ser uma fonte de informação e, com esse intuito, contou parte da história para o médico. Por outro lado, Sai se lembra claramente do quão difícil foi para Kira ter de enfrentar tudo sozinho, ainda adolescente. Isso transforma a decisão de não se envolver em guerras que Sai tomou depois da Archangel.

- Você já tem algum plano? – pergunta o médico.

- Só um bar barra-pesada onde os refugiados se reúnem à noite.

- Vou fazer umas ligações para uma amiga minha e ver o quê ela sabe.

- Obrigado. Então você e a Kyla foram namorados?

- Sim. Você está com ela agora?

- Eu a conheci ontem e jamais esperava encontrá-la de novo – defendeu-se Shinn.

- Ela tem esse dom mesmo... aparece quando você menos espera.

Sai conhecia muito bem sua ex-namorada para saber que não havia coincidências naquilo, mas resolveu deixar passar para dar um efeito dramático. Por outro lado, a coisa estava começando a ser frutífera para Shinn. Aproveitando as oportunidades, conseguiu boas fontes iniciais: um médico e um almirante, isto é, se Zala não estivesse aqui só para ter crise de consciência. Só precisava tirar um espinho de sua pata. Kyla Stwart.

- Agora que tal, se você levasse Kyla para uma volta, enquanto eu converso com Attrhum? Ela parece muito à vontade com você – riu baixo.

- Acho melhor conversarmos os 3 juntos. Desse modo, podemos planificar a coisa de maneira orquestrada.

- Entendo, mas que desculpa você irá usar para se livrar dela?

- Assuntos masculinos.

- Isso não existe.

- Ela não sabe disso.

- Vai acabar com a minha moral.

- Isso te passa pela piadinha sobre eu e ela – respondeu cinicamente o médico, abrindo a porta de seu consultório – Kyla pode nos dar licença um minuto? Eu gostaria de discutir alguns assuntos com Shinn e Atthrum.

- Claro... eu vou até a lanchonete – respondeu a garota.

- Somos um hospital público. Não temos lanchonete aqui, mas eu recomendo o restaurante no final do quarteirão. Vá indo lá que encontramos você em alguns minutos.

Assim que Argile fechou a porta, Atthrum se aproximou do paciente.

- Shinn... eu...

- Equeça. Só a missão é importante. Tem alguma informação?

- Há duas semanas um grupo armado de refugiados foi preso no bairro pobre com explosivos suficientes para fazer um rombo em uma nave classe Philosophy, na época achamos que era alguma briga de gangue, mas vou investigar saindo daqui.

- Onde foram as apreensões? – quis saber o médico.

- No lado leste da cidade.

- Bate com a direção do Spartan's, o bar onde os refugiados se reúnem. Pode ser coincidência, mas é nossa melhor pista.

- Shinn, você não pode ir lá sem apoio – interrompeu o almirante.

- E o que você fará? Exporá sua cara conhecida em Orb, como almirante e em Plant como o filho de Patrick Zala? Não há como saber de onde são os refugiados, mas se algum dos seqüestradores estiverem naquele lugar, eles ligarão sua presença ao seqüestro.

- Droga! Você está certo. Sai, você...

- Tenho plantão na madrugada – respondeu o médico.

- E não podemos envolver um civil sem treinamento em um lugar potencialmente volátil como aquele. Especialmente se estiver cheio de pessoas esperando um motivo para descarregar sua raiva em cima de outra pessoa.

- Ei Shinn, não é legal descrever os refugiados desse modo – contestou o médico.

- Esse é o perfil das pessoas que freqüentam o lugar. Além do mais, não posso dizer que não os entendo – disse o tenente com voz baixa, mas suficiente para ser ouvida.

- Atthrum, acho melhor ligar para Miri e ver se ela pode nos ajudar – retoma o médico, recebendo a anuência do aludido – Alô, Miri?

- Quem fala?

- Seu médico favorito.

- Jack? Como conseguiu meu novo número? – gritou enfurecida a repórter.

- O seu outro médico preferido? Aquele que acolheu você quando sua história com o Dearkka acabou?

- Sai!! – respirou aliviada a garota – A que devo essa ligação?

- Por mais que eu adore falar com você, precisamos de sua ajuda. Ou melhor um de nossos amigos precisa.

- Qual deles? – se interessou a garota.

- Aquele que gosta de liberdade e de cantoras adolescentes de cabelos rosas – permitiu-se algo de humor, o médico.

- Ele está em Orb?

- E foi seqüestrado 2 dias atrás. O tipo de seqüestro que não se pede resgate.

- E você quer que eu veja com meus informantes sobre o que, especificamente?

- Sobre algo de anormal como um grupo de refugiados fortemente armado, ou algo do tipo.

- Atthrum já sabe?

- Ele está aqui do meu lado e será a conexão entre você, eu e o agente de Z.A.F.T. que está aqui para ajudar.

- Certo! Entro em contato em algumas horas. E Sai, não se meta em encrencas. Não vou salvar sua pele de novo como daquela vez que você namorava aquela vadia...

- Hmmm, sobre isso... ela está cooperando com o caso e...

- O quê? – gritaram todos em volta do médico, como se ele tivesse acabado de perder a sanidade. O médico os mandou se calarem e continuou.

- E se vocês se encontrarem, será melhor que você tente não se defender com extrema violência... Miri?... Alô?... Desligou.

- Você pretende envolvê-la nisso? – perguntou Shinn que ainda estava desconfiada da surpreendente coincidência de encontrá-la onde menos esperava.

- Não, mas pense bem... ela lida com refugiados... se pudermos sacar algumas informações com delicadeza poderemos traçar um perfil psicológico para facilitar sua observação no bar.

- Entendo, mas como pensa em fazer isso? – perguntou o almirante.

- Almoçando. Ela irá soltar a língua para você que é o chefe dela – estocou o médico.

- E para você que é o ex-namorado – rebateu com ironia, Zala.

- Então se esse é o caso eu estou livre. Ela não falaria nada com um possível refugiado à mesa. – contemporizou Shinn – Tanto melhor. Mantenham-me informado. Vou dar uma passada no Centro de boas vindas à Refugiados, deixar minhas coisas e ver se descubro algo lá.


Pois é, gente. se na semana passada eu reclamava das medalhas de bronze, este capítulohomenageia as mulheres, todas elas (esportistas ou não) que impediram que esta nação continental pagasse mico.

Um agradecimento especial à Maurren Maggi, pelo centímetro mais cagado da história do atletismo nacional! Tenho que concordar com a filha dela, a medalha de prata é muito mais bonita, rs.

Esse capítulo foi escrito ao som de "Vox Populi" de Ana Carolina.

Nos lemos,

Fan Surfer