O corpo não respondia bem aos estímulos externos. Uma onda de inconsciência parecia desejar mantê-lo em um torpor infinito, mas em seu

cérebro a coisa era completamente diferente. Ele buscava respostas claras. Um a um, dezenas de vozes vão chegando e ele acorda em um

laboratório. Seus ouvidos começam a funcionar, captando uma conversa que o interessa:

- Eles são muito perigosos. Nós iremos completar a última carga e depois eliminaremos esses malditos da face da terra – comenta um cientista.

- Ainda não entendo como foi tão fácil capturá-los. Estamos falando do legendário piloto do Freedom. Será que eles sabiam do plano e estão se

usando de iscas? – diz o segundo homem.

- Deixe de estupidez. Toda defesa é tão forte quanto seu ponto mais fraco e o plano foi desenvolvido em segredo tão absoluto que as outras

partes só tiveram conhecimento há dois meses. Não há possibilidade do plano ter falhas.

- Não sei... eu estudei para ajudar pessoas, não para destruí-las.

- Largue a mão de ser bundão. Você considerou esses malditos coordinators iguais a nós, naturals sua vida toda e o que ganhou: sua família e

amigos massacrados por algum monstro de Z.A.F.T. Francamente, você me dá nojo às vezes, por ser tão fraco. Não podemos nos dar o luxo de

sermos fracos de agora em diante. O futuro da humanidade pode depender de nós.

Mwu la Flaga resolveu continuar a fingir que estava inconsciente, mas a conversa parou aí. Sentiu uma picada e, quando olhou

dissimuladamente, viu o homem que estava tirando seu sangue preparar uma embalagem de envio. O cientista, sentindo-se observado, olhou

para ele, que fingiu inconsciência e de tanto fingir, acabou adormecendo.

Quando acordou, estava novamente em sua cela, ao lado de sua bela esposa, que ainda estava sob efeito do anestésico. Foi aí que sussurrou

para a cela do lado.

- Kira-kun, você está aí? – perguntou.

- Ele continua inconsciente. Qual a senha? – perguntou Lunamaria, do outro lado da parede.

- Phantom Pain – respondeu o homem. Depois que decidiram não esperar resgate, cada dia combinavam uma senha para saber se o outro que

estava na cela ao lado, continuava a ser quem alegava ser. Sem conhecer muito bem o casal, a tenente Hawke deixou o reconhecimento por

parte de seu capitão. E este não tinha dúvida da identidade dos prisioneiros da cela ao lado.

- Luna-san, devemos nos preparar para fugir. Ouvi alguns homens comentando hoje sobre nosso destino já ser certo. Pelo que parece eles

temem nossas habilidades. Por isso estão tirando nossas amostras de sangue.

- Então o plano deles é fazer de nosso sangue uma arma? – juntou-se à conversa, languidamente, Yamato – Mwu-san, mais alguma coisa?

- Esses homens são movidos por rancores passados. Pelo que parece, muitos deles perderam suas famílias e amigos por alguma conseqüência

da guerra.

- Saber que nosso tempo está se acabando não é novidade. O problema é saber como vamos escapar – contestou Luna.

- Não tem jeito... temos que esperar uma abertura – diz Murrue, obtendo a aprovação dos outros. Ela ouvira com atenção as revelações de seu

esposo, enquanto pensava racionalmente se havia alguma quebra de segurança. Infelizmente seus guardas conseguiam manter a estrutura de

segurança.

Enquanto isso, Shinn e Atthrum chegavam à um terreno próximo à uma floresta. Shinn portava um aparelho localizador, que andava

trabalhando nele nos últimos dois dias. Embora estivessem agindo juntos, andavam separadamente para evitar serem seguidos. Shinn seguia

com seu aparelho pelo lado nordeste da trilha, enquanto Atthrum ia pelo leste. Nesse ritmo podiam se manter na mesma direção, sem que

estivessem em contato constante. Dentro da floresta resolveram se juntar, depois de uma hora de despiste e a segurança de não estarem mais

sendo observados.

- O que aconteceu com seu rosto? – interessou-se Zalla.

- Sua ex-namorada resolveu me interrogar. Sabe por que ela fez isso?

- Ela esta desconfiada da sua estada aqui. Ela foi nos procurar ontem de manhã. Meyrin disse que você havia dado baixa em Z.A.F.T. Depois

disso, achamos que ela tinha acreditado.

- Minha cara é a prova do quanto ela acreditou. Eu tomei porrada de 7 agentes de segurança dela, se revezando. Nem acredito que ela me

deixou sair assim. Nada como confiar no novo governo de Orb – comentou acidamente.

- Shinn, você não deve julgar todas as pessoas por uma única atitude. Tenho certeza que Cagali irá punir esses agentes. Acredito que ela não

sabia o que eles faziam.

- Mesmo assim, que tipo de governante é incapaz de enxergar o que se passa em seu país?

- Isso não é privilegio de Cagalli. Quando você precisa maximizar sua visão para ver por muitos, os detalhes acabam por escapar.

- E se esses detalhes como diz, não escapassem, certamente não estaríamos aqui agora.

- Esta insinuando que isso é culpa de Cagalli?

- Estou apenas dizendo que isso é resultado da guerra e da dificuldade em recomeçar que os sobreviventes encontraram.

- Não sabemos se e os culpados são realmente refugiados, Shinn – pontuou Atthrum.

- Se são ou não, não nos importa. O importante é que esses fatos estão sendo escondidos pela situação de miserabilidade da massa de

refugiados que chega em Orb. Eu pude entrar facilmente em Orb e, se não tivesse procurado por vocês, jamais saberiam que estive aqui.

- Aqui não é o lugar para discutirmos política interna de Orb. Preste mais atenção ao que procura e fale menos – sentenciou por fim.

Contrariado, Shinn continuou com um minucioso trabalho em busca de algo, com um aparelho que construíra com os materiais do Centro de

Apoio. Após uma caminhada de 10 minutos em silencio, o tentente fez um gesto de mão significando que percebera algo.

- Encontrou o que procurava? – perguntou o almirante.

- Sim, é uma boa notícia em uma hora péssima. Deve estar à oeste, 200 metros.

Foram andando na direção proposta e não tardaram muito em achar alguns objetos pessoais. Alguns relógios, óculos, anéis e aparelhos

celulares. Mais precisamente um desses aparelhos era um velho conhecido de Shinn. O aparelho celular de sua irmã, Mayu.

- Isto estava com Luna? - perguntou Zalla.

- Sim, eu deixei com ela quando estava a caminho da prisão, em PLANT. Tinha esperança de que ela ainda estivesse com ele.

- E de que adiantaria? Não sabemos onde estariam, especialmente se a idéia de Sai fosse verdade?

- Este aparelho é um celular comum, mas eu troquei sua bateria de litium por um composto de minério de Deutério. Essa bateria se alimenta

com o mesmo tipo de energia de um Móbile Suit. E como é possível encontrar um Móbile Suit sem sua transmissão de rádio? – disse o tenente,

com ar professoral.

- Através da assinatura de energia! Excelente idéia, Shinn! Mas agora não ajuda muito, já que não está com ela.

- Segundo a equipe de telemetria da Equilibrium, a assinatura do Deutério pode ser lida através de rocha sólida ou mesmo água, como quando

lidei com Abbys na última guerra. Então meu plano é me infiltrar na Mão Invisível e se eles tiverem algo a ver com o desaparecimento de Luna,

saberemos onde é esse esconderijo, através desse sensor que você carregará. Se isso não der certo, investigarei os mares com um tanque de

respiração, começando por essa localização.

- Você acha que eles estão nessa região? – perguntou, Atthrum.

- Aqui ou na outra ponta da cidade. Mas seria premeditação demais escolher um lugar como esse para plantar pistas falsas. Seria mais simples

se livrarem dos objetos à caminho do lugar onde vão. Olhe o padrão de dispersão dos objetos.

Realmente, mesmo encontrando vários objetos, estes ainda estavam espalhados de maneira caótica pelo ambiente. Após alguns minutos

recolhendo o material, eles perceberam que alguns dos objetos não lhe eram familiares.

- Notou que tem mais alguns objetos pessoais? Sabe o que significa? – considerou o almirante.

- Há mais pessoas seqüestradas. Olhe essas alianças por exemplo. Tem algo escrito nelas, o impossível é possível....

- Deixe-me vê-las – tomou assustado Atthrum – Diabos! – esbravejou – Temos mais pessoas que salvar, Shinn. Outros delegados foram

seqüestrados.

- Quem são? – perguntou o tenente de Z.A.F.T.

- Murrue Ramius e Mwu la Flaga. Meus padrinhos de casamento.

- Aquele casal de meia-idade?

- Que são dois ases de guerra. Mwu era conhecido por seu talento em Móbile Armors e Murrue é a capitã da Archangel.

- Isso não me cheira nada bem. Será que essa conferencia é uma cilada ou estão se aproveitando dos boatos que percorreram a terra e PLANT?

- Isso lá faz diferença agora, Shinn?

- Faz toda a diferença. Com isso, podemos saber se a vida das pessoas já seqüestradas estão em risco imediato ou não. E se o alvo é a

informação ou os próprios seqüestrados. Ao todo, Atthrum, quantos delegados virão?

- Cinco. Dois por Z.A.F.T., dois por Orb e um pela Aliança. Agora sabemos que faltam dois chegarem à ilha.

- Serão esses, os alvos ou os alvos já estão todos capturados?

- Se eles elegeram como alvo, aqueles que lutaram na guerra contra a Aliança, porque não fui seqüestrado?

- Porque seu status de almirante o deixa intocável. Qualquer pessoa deixaria sua guarda exposta seqüestrando um almirante das forças de

defesa de um país. Talvez eles esperarão até o dia em que você caia em desgraça para fazê-lo – sorriu sarcasticamente.

- Muito engraçado, Shin. To morrendo de rir – retalha o amigo com o olhar – Então os outros delegados podem estar em perigo. Ou o alvo deles

eram esses.

- De qualquer modo, vou para a sede da Mão Invisível. Nos vemos.

- Shinn, você não pode entrar lá sem cobertura – censurou o almirante.

- Se eles andarem na linha, não precisarei de cobertura. Se você ligar esse aparelho ao radar com esse cabo, poderá ler o local onde estou por

satélite. Até mais.

Ao ir para o quartel general, o Almirante Zalla estava consternado pela situação. Não podia dar apoio a seu amigo se colocasse a vida de sua

cunhada em risco. Tampouco tinha tempo para recorrer ao monitor para ver como estava Shinn. Precisava de alguém de confiança para

monitorar o equipamento, mas que fosse discreto o suficiente. Mas estava atarefado demais para pensar em uma pessoa.

Nesse momento nota que está próximo ao alojamento do Corpo de Boas vindas de Orb, que era uma parceria entre o exército de Orb e a

sociedade civil. Quando se aproximou, viu um grupo de jovens conversando.

- Ah, qual é, Kyla? Vai dizer que você conheceu o Almirante Zalla através de um refugiado? – dizia um rapaz.

- E que o seu ex-namorado serviu na ponte da Archangel já é demais – uma moça continuou a troça.

- Não! O pior é dizer que ela chamou o almirante de Atthrum com se fossem amigos de anos.

- Calem-se! – gritou Stwart – Se vocês não acreditam, não posso fazer nada. Belos amigos eu tenho.

- Ora, Kyla. Por quê não chama o Atthrum aqui para esclarecer esse mal entendido. – continuou um outro.

- Hahahahahhaha – todos riram do último comentário.

Atthrum, que olhava para a cena com um sorriso nos lábios, resolvera dar o ar da graça.

- Quem de vocês está usando meu primeiro nome?! – disse, como se estivesse furioso – Vou fazê-lo limpar todo o piso com sua escova de

dente filho.

- Almirante no recinto! – gritou um sargento e todos tomaram fila e prestaram continências.

- À vontade! – vociferou o homem – quem de vocês estavam se referindo à minha pessoa pelo meu nome de batismo.

- Eu, Senhor – se apresentou um jovem soldado.

- Qual o seu nome, filho? – contestou o almirante, quase deixando-se levar pela brincadeira.

- Himura, Senhor! – disse o jovem, tremendo levemente.

- Nesse caso, senhor Himura, você e seus jovens amigos limparão o piso dos alojamentos com sua escova de dentes. Eu disse dos

alojamentos!! Todos eles.

- Senhor, sim senhor – respondeu o jovem.

- Estou procurando a soldado Stwart. – continou com o tom severo.

- Soldado Kyla Stwart se apresentando, senhor. – disse a jovem, com roupas civis e um sorriso que mal dava para esconder.

- Você está de serviço, agora soldado?

- Não senhor

- Então como eu disse que podia me chamar? – perguntou

- Atthrum-san – respondeu a jovem.

- De acordo. Preciso ter uma conversa com você, sobre nossos amigos em comum.

- Entendo senhor. Posso pedir um favor especial.

- As forças armadas não são lugares para favores especiais, soldado. Mas fiquei curioso: o que quer?

- Poderia perdoar minha tropa dessa vez? – sorriu um de seus sorrisos "sou um anjo de candura e nunca lhe pedi nada, só essa vez, por favoooor".

- Sargento? – assumiu seu olhar marcial de volta.

- Sim, senhor!

- A pena está suspensa. Em troca todos pagarão 80 flexões.

- Vamos para a cafeteria, Atthrum. Eu pago.

Ao saírem dali, começaram a ouvir o sargento contando. "um....dois....três....". ambos não se detiveram e caíram na gargalhada.

- Credo Atthrum-san. Que mau. 80 flexões? - dizia entre risos, Kyla.

- É melhor que limpar todos os alojamentos com as escovas. Quando estava na academia, meu instrutor nos fez limpar um corredor com as

escovas. Depois disso, a única vez que saí da linha, foi quando me juntei à Archangel – disse gostosamente.

- E que entrada triunfal!

- Não foi necessário. Eu estava ouvindo tudo quando cheguei. E pelo visto, você contou a versão curta da história. Que lhe sirva de lição para

não querer contar vantagem. Um guerreiro sábio é humilde, pois na humildade, aprende a não subestimar seu oponente.

- Eu entendo agora, mas isso não é importante. Por que você estava ali no Corpo de Boas-Vindas?

- Eu preciso que você faça um favor por mim. Essa é uma missão fora do protocolo e pode ajudar, não só a mim, mas também à Orb, entende?

- O que é tão importante e secreto que você escolhe confiar à uma pessoa que conheceu há tão pouco tempo? – pergunta a garota, deixando

seu lado psicóloga falar mais alto.

- Você só precisa ligar esse aparelho em um posto de radar e sobrepor sua localização ao mapa de Onogoro. Você terá que procurar anomalias.

Quando encontrar uma dessas, me avise. Isso pode me dar uma localização que é necessária.

- Mas com todo o respeito, senhor, ainda não disse o porquê de sua escolha? – continuou Stwart.

- Você não diz que sua missão é melhorar a vida dos refugiados? Se meu agente estiver certo, poderemos fazer algo pelos refugiados.


Mais um capítulo postado... ainda faltam alguns, mas a história entra em seu ponto alto.

Se o destino (com trocadilho, por favor) for bom comigo, solto outro capitulo antes de segunda de manhã!

Nos lemos,

Fan Surfer

Now with Lasers