A sede da Mão Invisível ficava em uma casa estilo colonial, junto da região nobre ao sul de Onogoro. Se não era como a parte onde os

signatários viviam, estava acima da média, em relação aos outros pontos da cidade.

Shinn se pegou pensando que, se eles parassem de investir em decoração, poderiam ajudar pelo menos, umas 10 famílias. Ele resolveu dar

uma volta pelo quarteirão e estudar o movimento, antes de entrar. Nesse momento, sua missão passaria do ponto de retorno. Se ele estivesse

certo, iria para a boca do leão em instantes. Se estivesse errado, condenaria uma organização de auxilio à pessoas que, como ele perderam

tudo na vida injustamente. Não podia se dar ao luxo de errar. Respirou fundo e entrou na sede da Ong.

- Bom dia, nós somos a Mão Invisível. Em que posso ajudá-lo? – perguntou uma simpática recepcionista.

- Bom dia, eu estou procurando o senhor Phistopollis – disse, levemente impressionado com a estrutura.

- E quem devo anunciar? – perguntou musicalmente a recepcionista.

- Shinn Asuka.

- Um momento.

Shinn olhava para tudo em volta de si, mas acabava com seu olhar recaindo sobre o decote generoso da jovem ao telefone. Um minuto depois

de apartar sua vista pela terceira vez, ouviu uma voz:

- Shinn, que surpresa em vê-lo! Não esperava que me procurasse tão cedo. – disse o homem, saindo de um corredor em direção à recepção.

Vamos à minha sala.

- Na verdade, senhor Phistopollis, eu teria vindo antes se não tivesse tido alguns contratempos.

- Como sua injusta prisão pelos nazistas do Estado, suponho. Não se preocupe, temos várias pessoas nas instituições que nos procuram para

ajudar amigos, parentes e mesmo estranhos no que consideram injustiças perpetradas pelo Estado – agregou, vendo como Shinn o olhava

espantado.

- Deve ser um mundo muito pequeno, mesmo. Afinal, órgãos governamentais têm seus limites e avisam as Ong´s quando a ajuda dela é mais

adequada, correto?

- Sim. Sente-se e diga o que o traz aqui?

- Estou aqui para falar de sua proposta – disse o jovem, com o olhar decidido – Do que exatamente você estava falando?

- Veja bem, Shinn. Existe dois tipos de pessoas: aquelas que protegem seus entes e tudo o que aprecia com a mão aberta ou com o punho

fechado. Você pode escolher o seu caminho conosco. Necessitamos de todos os tipos de pessoas que desejam ajudar as outras.

- Está errado, Mel – diz o tenente, aproveitando seus reflexos, pegando uma mosca e a aprisionando em seu punho – Esse é um punho

fechado. Ele serve para atacar, mas também para proteger. – abrindo sua mão, libera a mosca – Já a mão aberta é amistosa, mas..

Shinn aproveita a distancia e parte para dar um tapa de mão aberta em Phistopollis, detendo-se a centímetros do rosto de seu anfitrião.

- Entendi seu ponto de vista, Shinn e confesso que tenho orgulho que pense assim. Mas isso não resolve a questão. Há dois anos, trabalho com

refugiados e vi muita coisa ruim. Para dar uma vida melhor para as pessoas, muitas vezes tivemos que caminhar por ruas tortuosas e escuras. A

pergunta é: se visa o bem maior, você tem coragem de trilhar esse caminho?

- Para proteger outras pessoas do que sofri! Para poupar pessoas da dor de perder todos aqueles que amavam! Eu irei até o inferno e trarei o

diabo de joelhos se necessário for. – disse Shinn.

- Nesse caso pode ser que a hora de vermos se o que diz é verdade, Shinn. Encontre-me amanhã a noite para o seu teste de iniciação.

- Isso aqui é uma seita? – disse sorrindo

- Nada tão elaborado. Vejo você amanhã, meu jovem. – respondeu amenamente o diretor da organização.

Enquanto isso, Cagalli Yula Attha estava despachando em seu gabinete, enquanto pensava em algo que estava completamente fora de sua

agenda. A visita de Shnn Asuka. Por um lado ela estava apreensiva em vê-lo, especialmente tão cedo, de volta à Orb. Soubera por Kira que

Lunamaria obrigara-o a comparecer ao casamento. Enquanto Luna veio para a despedida de solteira da irmã, o impetuoso coordenator

aparecera um dia antes do casamento, ficou hospedado na casa do noivo e partiu um dia depois deles terem saído em lua-de-mel. Nessa

manhã se encontrara com ele por acaso e ele disse que não pretendia por os pés em Orb por muito tempo. E uma coisa ela poderia dizer de

Shinn: ele era esquentado, mas costumava ser fiel às suas promessas.

- Se ele considerou sua opinião à respeito de nós e resolvesse refazer a vida aqui, ele seria uma boa aquisição às forças de defesa da nação,

isto é, se a surra que os agentes deram nele não tivesse um efeito contrário nele. Afastá-lo ainda mais dos ideais de Orb. E o mundo lá fora não

é exatamente simpático à ex-pilotos de Z.A.F.T; o que novamente significava que ele tentaria viver aqui ou em PLANT. Ele fora um soldado

treinado na academia de Z.A.F.T. e conviveu por muito tempo, com a equipe da Equilibrium e Kira. Vimos seu poder de motivação das tropas,

enquanto estivemos na Minerva. Ele é um jogador muito poderoso e seu poder pode se voltar contra nós – falou baixinho, a loira.

Depois de assinar mais um tratado de ajuda internacional, a garota resolveu tomar uma atitude. Pegou seu comunicador e falou para sua

secretária:

- Mandy, poderia fazer uma vídeo conferencia com o capitão da Nave Equilibrium, de Z.A.F.T. que está em nosso porto?

- Um momento, Cagalli-sama. – apressou-se a secretária. Após um minuto – Sinto muito, Cagalli-sama, mas fui informada que a Equilibrium está

mantendo silencio de rádio há alguns dias. Ninguém na base viu qualquer membro da tripulação também.

- Tudo bem. Nesse caso, pode me conectar com o gabinete da presidente Clyne?

- Imediatamente, Cagalli-sama.

Um minuto mais e a imagem de sua amiga e cunhada aparecia no monitor. Misteriosamente ela parecia drenada, como se algo muito ruim

estivesse acontecendo com ela.

- Olá Cagalli-chan. É bom vê-la novamente.

- Olá Lacus-chan. Pelo visto deveria tirar um dia ou dois de folga. Você parece muito cansada – disse com tom de preocupação.

- Você entende muito bem da pressão de ter uma nação para comandar. Pelo menos meu mandato vencerá em 2 anos.

- Eu não contaria muito com isso. Já parou para pensar que as pessoas podem te re-eleger?

- Confesso que nunca pensei nisso. Sempre achei que quando meu cargo expirasse, eu estaria livre para poder me casar com... Kira – disse a

garota de cabelos rosas. O modo decaído de se referir ao seu irmão, não passou despercebido para Attha.

- Aconteceu alguma coisa entre vocês? – perguntou astutamente.

- Não, não... não aconteceu nada... – apesar do sorriso, seus olhos não enganaram sua amiga de longa data. Ambas se conheciam intimamente

e muitas vezes, choraram no ombro da outra. De tanto se apoiarem, podiam perceber quando a outra faltava com a verdade.

- Não pode me enganar, Lacus. Alguma coisa aconteceu entre vocês, eu conheço bem este rosto, o que me lembra do outro motivo da ligação.

O quê há com Shinn Asuka?

- Ara, ara. Quem é Shinn Asuka? – perguntou, fazendo-se de desentendida.

- Você sabe muito bem de quem eu estou falando. Estou falando do homem que pilota o Destiny e serve na nave de seu... – a voz da loira

sumiu, enquanto fazia uma conexão mental entre os fatos. Algo estava estranho entre seu irmão e sua amiga, ela estava preocupada com Kira

(isso era bem obvio) e Shinn havia pedido baixa de .T. para viver em Orb? Tudo muito conveniente. Demais até!

- Cagalli? Você está me ouvindo? – perguntava Clyne, cada vez mais convencida que quem precisava de descanso era outra pessoa.

- Se Kira e os outros não dão sinal de vida e Shinn está na cidade, isso significa que ele não veio com a tripulação. Terá ele feito algo?

- Cagalli-chan... só por que Kira está desaparecido não quer dizer... – começou a dizer Lacus inconscientemente, mas isso só fez com que a

amiga tomasse conclusões precipitadas.

- Kira está desaparecido?! Vou emitir uma ordem de prisão para Shinn agora mesmo! Ele e seus associados pagarão caro por isso!

- Por favor, espere Caga... – Lacus tentou dizer, enquanto a ligação era cortada pela Representante – Droga! Eu e minha grande boca!

Ao desligar o intercomunicador, a representante Attha saiu às pressas sem sequer atender a chamada de retorno de Lacus e enquanto seguia

em direção ao gabinete do Serviço de Segurança, quando sua secretária lhe entrega uma pasta endereçada à ela. O conteúdo da pasta: um

arquivo com tudo o que os informantes e os serviços de registros, puderam coletar sobre Shinn Asuka.

Mwu La Flaga era macaco velho..de todos ali, era o que tinha servido por mais tempo no front e sabia que seria ele a dar um jeito para

escaparem. Seu treinamento era da antiga, antes de Móbiles Suits tomarem conta da guerra, onde um homem era versado em diversas

pequenas coisas que faziam a diferença, caso se encontrasse atrás das linhas inimigas. O problema era convencer suas companheiras à

confiarem nele, pois sua fama de bonachão era justa e incentivada por ele.

- Ei, Luna. Você ainda está com suas roupas, não é? Quais são suas medidas?

- O QUÊ?! – gritaram seus companheiros, presos em duas celas diferentes.

- Mwu-san, não seria mais apropriado fazer essa pergunta, em uma outra hora? – perguntou Yamato.

- Desgraçado!! – indignou-se Luna – Não acha que eu vou lhe dizer uma coisa dessas?

- Ara, ara, Luna-san. Vamos esperar que isso seja uma das suas teorias sobre cavar um buraco, ou um de nós morrerá mais cedo – disse

Murrue, com um sorriso sádico e uma veia pulsando na testa – Porque não perguntou para mim?

- Por que, amor, eu já sei de suas medidas há anos.

- O que não explica porque não recebo um presente seu aos mesmos anos? – disse a capitã da Archangel com um punho na frente do rosto.

- Bom, eu tentei mas, sabe como é, minha memória não é das melhores... – tentou defender o indefensável.

Enquanto isso, na cela do lado, os dois prisioneiros esqueceram o pedido estranho por se concentrarem na briga, que podia ser ouvida através

da parede, graças ao buraco. Foi a garota que quebrou o silencio:

- Eles sempre são assim?

- Essa é uma das manias deles. Você nunca sabe quando a briga é real ou quando estão apenas se divertindo – contesta sorrindo, Kira.

- Você não sabe porque é homem. Se fosse mulher, veria que ele está se afundando cada vez mais.

Voltando a atenção para a conversa na outra cela, eles acompanharam com interesse o resultado da briga e, como era de se esperar, terminou

com uma vitoriosa frase de Ramius:

- Espere para sairmos desse buraco e além da surra que eu vou lhe dar, ainda dormirá no sofá por um mês.

- Guarde essa lição, Kira-kun: um casamento é baseado na verdade, porque se você conta uma mentira e ela percebe, a greve de sexo é dura!

– queixou-se o homem – Agora, se vocês não se importam, será que podia ter minha pergunta respondida?

- Murrue-san, poderia...

O som de um tapa pôde ser ouvido na cela ao lado. Em seguida, um gemido masculino ecoou na cela.

- Ei! Isso dói. Porque fez isso? – perguntou o Falcão de Edinmion.

- Desconfio que era isso o que Luna-san me pediria – respondeu naturalmente Murrue – além do mais, você anda muito curioso. Como se

sentiria se eu perguntasse sobre o dote de Kira?

- EI!! – gritaram os dois homens.

- Estamos empatados agora – disse a senhora La Flaga, com um sorriso vitorioso nos lábios.

Aquele tipo de aproximação não dera resultado. Tudo o que ele queria era o bojo do sutiã das mulheres para tentar destrancar a porta da cela

que era de ferro. Como conseqüência, seria necessário um reforço para que esta não quebrasse e ele esperava que os quatros bojos

agüentassem o serviço; além do mais, ele lembrava-se do vestido dela na festa de casamento de Atthrum e Meyrin sendo aquela uma boa

oportunidade de ganhar uma aposta com Dearka. Ele teria que confiar no colega e acreditar que perdera a aposta agora.


Sei que prometi para a o começo da semana passada, mas estava com uma preguiça da preula de vir ao PC. como forma de me desculpar com

quem acompanha esta história, postarei o próximo capítulo 26 de novembro, de madrugada.

Nos lemos,

Fan Surfer.