Sua cabeça rodava, juntamente com o torpor por todo seu corpo, eram um claro indicativo, que já tivera dias melhores. Era como se
despertasse de sua primeira bebedeira, com a diferença que desta vez, parecia que esse porre foi durante seu linchamento. Se Shinn
conseguisse pensar coerentemente, a primeira coisa que faria seria xingar o dia em que viu aquele maldito cartaz de alistamento em Z.A.F.T.
Demorou a se incorporar novamente. Sua mente parecia estar em chamas e clamava por uma aspirina. "Nunca mais vou colocar o lixo para fora"
pensou enquanto viu pela janela da viatura o caminhão de lixo crescer para cima do carro. Espere... caminhão de lixo? Viatura? Lembrava de
fatos específicos, mas a dor não deixava-o focar um pensamento coerente.
- Não se levante rápido demais, Shinn. Você teve uma concussão quando meus homens te resgataram.
- Mell... eu não me lembro... o quê...
- Durma um pouco meu jovem, quando acordar se sentirá melhor – disse o grego, injetando algo em suas veias.
Após isso, o tenente de Z.A.F.T. estava cansado demais para notar qualquer coisa.
Não muito longe dali, enquanto Shinn dormia, Luna e os outros acordavam de mais um sono sem sonhos. Novamente foram drogados e
precisavam agir rapidamente, se quisessem ter alguma chance. Segundo seus cálculos, seu desfecho seria dado em alguns dias, no máximo. Se
estavam de olho em mais algum membro da conferencia secreta, eles deveriam chegar entre hoje e amanhã, se não haviam chegado ainda.
- Mwu-san, o quê você acha? – perguntou Kira.
- Estou cada vez gostando menos disso, acho melhor colocar um pouco de dificuldade na boa vida deles.
- Eu concordo – disse Murrue – Não podemos esperar que eles façam o que quiserem conosco.
- Segundo meus cálculos, hoje deve começar a lua minguante. Se conseguirmos escapar da construção, isso pode ser uma ajuda adicional –
completou Lunamaria; isso era algo que as irmãs Hawke sentiram no momento em que pisaram na Terra pela primeira vez: como um ciclo
menstrual poderia ser influenciado por fases da lua, assim como as marés do planeta. Com isso em mente, eles estabeleceriam uma data para a
fuga.
- Hoje à noite? – perguntou Mwu.
- Hoje à noite. – confirmou Luna.
- Hoje à noite – confirmou Kira.
- Vamos juntos – completou Murrue.
Eles viam uma pequena fresta na parede da cela de Mwu e Murrue La Flaga. Quando notaram esse detalhe conseguiram encontrar uma forma
de marcação de tempo como há milênios atrás na história humana. Dia e noite. Um período para viver e um para temer. Para se prepararem
para a fuga, resolveram treinar. Aquecendo e alongando os músculos, praticaram desde a milenar técnica do Tai-Chi-Chwan à algumas das
técnicas aprendidas na academia militar da Aliança e Z.A.F.T. Kira Yamato, a pesar de não freqüentar nenhuma delas, estava acompanhando o
ritmo de Lunamaria com folga. O exercício durou mais de uma hora, entre as diversas técnicas utilizadas. Antes de fugir, tornariam à fazer um
novo aquecimento.
Depois de um tempo, resolveram que deveriam estar preparados para as possibilidades. Eles eram 4 pessoas e havia a possibilidade de não
escaparem todos. Por isso, resolveram dizer algumas de suas pendências pessoais para que, caso não escapassem ou não sobrevivessem,
estas poderiam ser saldadas por aqueles que escaparam.
- Mwu, eu quero que se por um acaso eu não escape, você continue sua vida e procure ser feliz. Tente não galinhar muito – disse sua esposa,
com um leve sorriso – e gostaria que você desse uma olhada em Daniel, filho da Capitã Gladys. Eu prometi isso à ela.
- Murrue, não pode me pedir isso, sério... eu posso viver, mas ser feliz é algo que eu só tenho com você ao meu lado. Você me esperou por dois
longos anos e isso é mais do que eu poderia pedir à você. Eu não vou me despedir de você. Nos escapamos juntos ou morremos juntos. Sem
você não vou viver! Além do mais, de que adiantaria viver solteiro novamente, se você me impede de me divertir – disse, gostosamente.
- Nesse caso, temos um acordo – assentiu feliz.
- Caso, bem... caso alguma coisa aconteça comigo, diga para Lacus que isso não é um fim, mas um novo começo e que estarei com ela enquanto
se lembrar de mim. Diga-lhe para ser feliz. Enquanto eu estive vivo e com Lacus, vendo as crianças crescerem e protegendo-as foi maravilhoso.
- Luna, que compartir esse terno e desesperado momento de intimidade conosco? – graceja o Falcão de Edinmion.
- Não obrigado! - diz ela de maneira decidida enquanto sente as lágrimas descerem em seu rosto – Eu sou uma Hawke. Eu escolho meu destino
e morrerei em uma cama, de velhice, com todos à minha volta e de preferência, com meu marido segurando minha mão e me despedindo de
meus netos.
A tenente se afastou do grupo e sentou-se do outro lado da cela. Deixou suas lágrimas correrem livremente enquanto sussurrava "adeus,
Shinn... meu amor" ela conhecia seu namorado bem demais para saber que se ele recebesse uma notícia dessas, jamais tentaria se abrir à
outra pessoa novamente. Devido à sua notória teimosia, ele diria algo como, "chega.... duas vezes é demais para uma única pessoa". Seu
último ato, se fosse o caso, seria de altruísmo, deixando-o escolher a possibilidade de ser feliz. Com essa determinação no rosto, acabou por
chorar até adormecer. Depois de um tempo, Murrue perguntou para Kira.
- O quê acha, Kira-kun?
- Todos nós temos algum consolo para levar conosco. Vocês estão juntos e felizes. Eu... bem, morei durante quase 3 anos com Lacus e os
garotos em algum momento nos davam uma folga. Já ela não teve tanto tempo fora de Z.A.F.T. com Shinn, isso pode fazer muita diferença. É
uma situação horrível para ela, pega por acidente, apenas por estar comigo quando me seqüestraram. Ela nunca soube de nada disto, mais do
que as ordens de descer à Onogoro.
- Ela merece ser feliz – disse Mwu.
- Todos merecemos, mas não é essa a situação atual. Só espero não ter que levar esse peso para o túmulo. Além de ser seu capitão, também
me considero um amigo e, com certeza o culpado por ela estar aqui.
- Espere um pouco, Kira-kun.... e se a seqüestraram achando que ela fosse Lacus? – perguntou Murrue. Ela lembrava-se melhor de Luna que
seu marido. E considerou que se uma jovem de cabelos rosa escuro andasse com um homem que sempre foi associado à uma mulher de
cabelos rosa-claro, faria sentido levá-la junto à ele. Homens normalmente, não se ateriam à esses detalhes, ainda mais ao cair da noite.
Ao mesmo tempo, um problema era trazido à baila no quartel das Forças Militares de Orb. Tudo estava quase armado para a intervenção
cirúrgica que o Almirante e o Chefe do Serviço de Segurança da Nação levariam a cabo em algumas horas. Os soldados foram escolhidos a dedo
para esta furtiva operação por seu histórico e tudo parecia que ia muito bem, mas eis que surge um pequeno contratempo: o quê diabos havia
acontecido com o sinalizador que Asuka construíra?
Em um primeiro momento, todos concentraram-se em procurar algo com as descrições que Zalla e Stwart haviam dado. Com o tempo correndo e
cada segundo contando, não notaram que um dos guardas trouxe um aparelho, nem o estado do aparelho. Kyla ao notar, praticamente voou
em cima do homem pedindo explicações. Basicamente, um dos agentes de segurança havia dito que um suspeito portava um artefato não
classificado e que este aparelho podia ser possivelmente perigoso, daí um dos homens teve a brilhante idéia de levar ao esquadrão antibombas
para análise. E, no final de duas horas analisando, uma pequena carga de pólvora foi utilizada para neutralizar o artefato. O que nos levava à
seguinte questão: seriam capazes de trazer o aparelho de volta ao funcionamento, conseguir uma indicação segura para agir e salvar as
vítimas?
- E então Atthrum, conseguiu alguma coisa? – perguntou a princesa.
- Nada. A verdade é que nem sei por onde começar – queixou-se o jovem Almirante, que quebrava a cabeça para tentar consertar o aparelho.
- Que diabos, Zalla!! Você construiu o Tori para Kira e uma dúzias de Haros para Lacus! Porque está demorando tanto?
- Porque tanto o Tori quanto os Haros são criações minhas. É mais fácil você criar alguma coisa do zero do que consertar algo do zero.
- Que inferno! – bufou a mandatária da nação. A chama que havia renascido nela era a chama tempestuosa, da garota que preferia sair pelo
mundo descobrindo as coisas por si mesma do que receber relatórios de segunda mão, no conforto do lar.
- Preciso lembrar de quem é a culpa pela quebra do aparelho? – começou a se impacientar, Zalla.
- Parem com isso, vocês dois! O que precisamos agora é focar em um detalhe! – exigiu Kyla, recebendo um ligeiro aceno de cabeça de Sado
Yasutora – Se não podemos usar o aparelho, teremos que fazer um novo. Almirante, você me disse que este aparelho era um localizador. O
quê, exatamente, ele estava programado para localizar?
- Um aparelho celular – disse o jovem militar, enquanto largava as ferramentas e enfocava as informações nos dias anteriores.
- Qual o número? – perguntou Sado.
- Não existe número... essa foi a única coisa que sobrou da família de Shinn... até agora – agregou o jovem.
- Além da importância sentimental qual era a diferença entre esse e os outros celulares? – continuou trabalhando Kyla, com tudo que seu
cérebro podia.
- Como Shinn não tinha mais o carregador, ao entrar em Z.A.F.T. ele trocou a bateria por... Deutérion.... é isso! Shinn trocou a bateria por
Deutérion! – exclamava feliz o oficial
- Então só precisamos de um radar que leia esse minério? – perguntou Cagalli.
- Antes de tudo, o que é Deutérion? – perguntou Kyla.
-Deutérion é um combustível utilizado para os Móbiles Suits. Como ele era um piloto de Móbile Suit, os técnicos devem ter ajudado a armazenar
o material, assim enquanto ele estivesse em Z.A.F.T., ele teria a bateria do aparelho carregado.
- E você pode construir um aparelho que pode rastrear esse combustível? – reiterou Cagalli.
- Esse não é o problema. O problema é que por ser uma quantidade tão pequena de minério, o radar de terra não capta, porque ele não é
configurado para incluir rocha e água como possíveis barreira, assim como Provavelmente Shinn deve tê-lo caracterizado com o único padrão de
onda que conhece: S.I.A.I. de Z.A.F.T.
- Desculpa, mas o quê significa S.I.A.I.?
- S.I.A.I. é a sigla para Sistema de Informação Amigo ou Inimigo. Isso confirma se a aproximação de um Móbile Suit é um aliado ou possível
inimigo.
- Você esteve em Z.A.F.T. na última guerra, Não se lembra disso? – perguntou Sado.
- Não é algo passado aos pilotos normalmente. Shinn só teria acesso a isso com os técnicos.
- Humm... nesse caso, só nos resta ir até a Nave de Z.A.F.T. – ponderou como se fosse óbvio, Yasutora.
- Seja bem-vindo ao mundo dos vivos, Shinn – começou Phistopollis ao perceber o despertar do jovem.
- Mell... acho que um caminhão passou por cima de mim e deixou cair uma tonelada de escombros na minha cabeça. Se não for muito incômodo,
eu gostaria de aspirina. E é melhor deixar o vidro – respondeu Asuka, levantando-se de uma vez e sentindo a inevitável tontura. Após uma
segunda tentativa, conseguiu levantar-se da cama da enfermaria e olhou ao redor. Aquele lugar parecia ser um pouco de tudo: depósito, ala
hospitalar, centro de treinamento e muitas outras funções que o coordinator não conseguia definir naquele momento. Ao lado de seu único
conhecido ali, estava um rapaz loiro, que se apresentou como Stevie Guttemberg.
- Sei que esta pergunta é redundante, mas onde é que eu estou?
- Antes de lhe responder essa pergunta, há outras mais urgentes que você deve responder, Shinn. Por quê você estava sendo preso pelos
agentes de segurança que respondem diretamente ao escritório da Representante Attha?
- Eu não faço a mínima idéia – respondeu, sincero – Na outra vez que fui detido, não chegaram a fazer uma acusação formal. Só queriam saber
o que eu fazia aqui. Isso além de me socar, claro.
- E qual é sua história com a Representante?
- Digamos que se fosse rico e famoso, eu seria um desafeto político mas, como sou pobre, isso me faz só um desafeto.
- Explique! – exigiu Mell.
- Logo no ataque da Aliança em que fiquei Órfão, fui levado para PLANT, inicialmente junto com a tripulação da Kusanagi. Foi ali que nos
conhecemos e convivemos durante um tempo até sermos evacuados por outra nave. Ela vivia me dizendo que havia perdido sua família no
ataque, querendo comparar sua dor com a minha, mas ela tinha um pingente de ouro que era de sua mãe. Antes de ir, eu resolvi roubar esse
pingente, para ela sentir o que é realmente perder tudo o que tem de sua família. Depois que saí do orfanato, passei à usar o pingente para
penhorar e sobreviver, mas jamais o devolvi para ela. E depois de tudo, jamais pensei que iria voltar a vê-la.
- E porque você penhora ao invés de vender o pingente?
- Porque não deixa de ser uma jóia real e, por isso, quando vendê-la será por uma boa grana.
- E você acha que é por isso que ela persegue você?
- Ah, em parte. Parte da coisa reside simplesmente no fato que nos odiamos. Mas não estou em Orb para me tornar amigo dela. Agora, onde eu
estou?
- Você está no nosso refugio. Quando nossos companheiros souberam de sua prisão, eles armaram um resgate e lhe trouxeram para cá. Você
ficará algumas semanas aqui até que a poeira assente em Onogoro.
- Então não estamos em Onogoro?
- Sim e não. Continuamos em Onogoro, mas estamos fora de sua jurisdição, por assim dizer. Não se preocupe, você se acostumará. Agora,
acompanhe Stevie que ele vai te levar ao refeitório e explicará como funcionam as coisas aqui.
Quando os homens saíram, o grego ficou impassível. Por outra porta entrou Said, que ouvira a conversa escondido.
- E então? O que acha? – perguntou Mell.
- Você sabe o que eu acho, mas só está interessado em que nós pensemos como você. Se quer tanto o rapaz aqui, eu lavo minhas mãos –
respondeu irritado.
Enquanto isso, uma discussão feroz se passava do lado de fora da nave Equilibrium de Z.A.F.T. O soldado Spencer tinha ordens de impedir
qualquer pessoa que não fosse autorizada de embarcar na nave. Ele já estava acostumado a ter esta função ao estacionarem em Carpentaria
e em outros locais, durante a última guerra. Eram suas ordens e ele não podia fazer nada quanto à elas; contudo parecia que as pessoas à sua
frente pareciam não entender a questão.
- Esta espaçonave, independente de onde está estacionada, pertence à PLANT e Z.A.F.T. nessa ordem. Terei que pedir novamente que não se
aproximem. Caso contrário, tenho permissão para abrir fogo. – completou marcialmente, o homem.
- Você ao menos sabe quem somos? – argumentou Cagalli Yula Attha, em uma tentativa de contornar a situação.
- Isso não me interessa em nada. Minhas ordens são de resguardar essa espaçonave.
- Para seu governo, sou a Representante Oficial do Governo de Orb, Cagalli Yula Attha, acompanhada pelo Almirante de Orb, Atthrum Zalla, filho
de Patrick Zalla, ex-presidente de PLANT. Junto comigo está Sado Yasutora, chefe do serviço de inteligência de Orb. Necessitamos, falar com o
capitão da Equilibrium com extrema urgência.
Definitivamente, ele conhecia por nome a fama de um dos homens e não era segredo para ninguém da relação dessas pessoas com o capitão
da nave e, com a presidente Clyne. Sabia que não importava qual decisão tomasse, sua carreira militar corria sério risco de ir para o esgoto.
Mas, se havia uma coisa que ele odiava realmente, era que algum graúdo tentasse passar por ele com a famosa frase "sabe com quem está
falando?"
- Sinto muito, mas tenho minhas ordens. Se não são dignitários de PLANT, não tem poder maior para revogar a ordem que tenho. Se não
saírem, serei forçado à tomar medidas sérias.
- Soldado, qual o seu nome? – perguntou Kyla – Eu sou a soldado Kyla Stwart, do corpo de refugiados de Orb. Qual o seu nome, Soldado?
- Soldado Claude Spencer – respondeu o sentinela.
- Claude, esse era o nome de meu pai; mas voltando ao assunto, imagino a sua questão: de um lado tem suas ordens, mas sabe também que
a Representante Attha tem ligações com a presidente Clyne. Você tem suas prioridades, mas o assunto que trazemos à tona envolve cidadãos
de PLANT. Nesse caso, a Equilibrium funcionará como instância maior da representatividade de PLANT na terra. Se puder chamar seu capitão
para o limite desta nave, garanto que nós não invadiremos a nave sem a expressa autorização do comandante.
Aceitando esse argumento como válido, o soldado fez a ligação com a Ponte da nave, enquanto Cagalli comentava com os outros:
- Ele não entende a gravidade da situação. Cada segundo desperdiçado pode colocar a vida de Kira e os outros em perigo!
- Contudo Representante, não conseguirá nada usando da influencia do cargo que ocupa – disse veementemente, Kyla.
- O quê quer dizer com isso? – inquiriu a princesa.
- Que ele jamais cederia á esse tipo de pressão, apenas por um "você sabe com quem está falando?". A nave pertence à Z.A.F.T. e ele é um
cidadão de PLANT. Além de ser deselegante fazer isso, faz com que as pessoas odeiem você.
- Falando assim, você parece com Shinn – retrucou a princesa.
Kyla estava com a resposta na ponta da língua, quando a porta da nave se abriu, deixando os expectadores verem quem comandava a nave na
ausência de Yamato. Mas ao invés de verem a imagem preocupada de Arthur Gillian, esperada por Zalla, viram uma imponente figura que se fez
ouvir:
- Maldito! O que veio fazer aqui numa hora dessas?
- Yzak?! O quê você está fazendo aqui? – perguntou Atthrum indo de encontro ao amigo, assim como os demais.
- Não lhe devo satisfações! Estou aqui para a reunião.
- Quando você chegou? – perguntou Sado Yasutora.
- Isso não é da sua conta, Yasutora. O que querem?
- Precisamos usar o radar da nave para encontrar a possível base onde estão o capitão Yamato e outros delegados seqüestrados. – disse Kyla.
- Quem é ela? – disse Yzak Joule, encarando a garota. Por um momento, Joule viu a garota de cima a baixo e fixou-se em seus olhos. Após se
encararem por um momento – você é orgulhosa, o tipo de garota que não abaixa a cabeça para ninguém, diferente com aquela ali – apontou
para a Representante – Gostei de você. Fale o que quer.
- Se pudermos conseguir o paradeiro de... – começou a garota, mas estancou ao notar que não conhecia o homem que estava diante dela.
- Então vocês acreditam que se encontrarem Asuka, encontrarão Yamato?
- Sim. – respondeu Sado.
- De acordo. Sigam-me – ordenou Joule, parando junto ao sentinela – E quanto à você... quando quiser servir em uma nave de verdade, tente a
Voltaire. Sempre precisamos de soldados que saibam seguir ordens – continua, olhando de soslaio para Zalla.
Ao entrarem na nave, o almirante de Orb perguntou para o velho companheiro de armas sobre sua chegada, sendo solenemente ignorado. Não
que ele não esperasse uma coisa assim dele, mas um pouco de simpatia nunca seria demais. Chegando à telemetria, o capitão de Z.A.F.T.
colocou a S.I.A.I. no radar, mas não encontrou nenhum sinal correspondente, o que frustrou a todos.
- Droga! Era nossa última esperança! – queixou-se a loira.
- Como poderemos encontrar Shinn agora? – perguntou o almirante.
Havia um homem na telemetria que observava a ação desenrolada com interesse, esperando que não tivesse que resolver a situação, mas
suspirando, aproveitou que era o único de plantão no momento e disse:
- Vocês estão usando o S.I.A.I. errado!
- Youlan?! – gritaram Atthrum e Cagalli em conjunto.
- O que quer dizer com isso? – perguntou Yzak.
- Se Shinn usasse o código atual, em uma situação de combate, levaria a informações desencontradas, passadas pela telemetria, arriscando o
pescoço de algum piloto. Por isso, o celular dele está calibrado para a S.I.A.I. da academia.
- E imagino que você saiba qual é o código, não é? – inquiriu Kyla.
- Naturalmente, fui eu que fiz o conceito. Na telemetria, essa S.I.A.I. não é utilizada fora da academia. E só eu procuraria por Shinn com ela –
disse, enquanto inseria comandos específicos, obtendo do radar a informação que queria. Kyla aproximou de seu posto.
- Pode sobrepor esse sinal com este arquivo do mata topológico de Onogoro?
- Em um minuto.
- Temos um problema pessoal! – observou a garota – segundo a nossa sobreposição, Shinn está no meio de uma montanha, próxima ao
memorial das vítimas da primeira guerra.
- Faz sentido – disse Sado – que lugar melhor para uma organização que culpa as guerras pelas suas perdas pessoais, do que aos pés do
motivo que fizeram se organizar?
- Mas perderíamos tempo para achar a entrada – estudou Kyla.
- Não precisamos de entrada. Faremos a nossa – observou o capitão Joule.
- Como assim? – todos os olhos voltaram-se para o homem.
- Dearkka, o que você acha? – perguntou para o homem que entrava pela porta, como se não houvesse os demais.
- Calibrando o Beam Zaku., podemos cavar um túnel em segundos. Não demora mais do que 1 hora.
- Dearkka?! Você também? – perguntou Atthrum – Por quê você está aqui?
- Como o encarregado especial precisava de escolta, resolvi aproveitar e ver Miriália – diz o homem, com seu eterno jeito debochado.
- O que vocês acham que estão fazendo?! – exigiu Cagalli.
- Temos membros de Z.A.F.T. sob custódia desses homens. Logo, homens de Z.A.F.T. resgatarão os seus.
- E se vocês acertarem Shinn e os prisioneiros? – perguntou o almirante.
- Eu assumo a responsabilidade dessa missão. Yasutora, em quanto tempo você e seus homens estão prontos?
- Em questão de minutos. Só estou à espera de uma ordem da Representante.
- Youlan, há alguma maneira de mandarmos uma mensagem para Shinn? – perguntou a loira.
- Não. Se fizéssemos isso, seria um telefone normal – gracejou o jovem oficial.
- Está bem! Podemos usar o radar para investigar a instalação?
- O radar de um Zaku pode fazê-lo ao se aproximar. Não podemos, contudo, distinguir ninguém além de Shinn.
- Então, a operação começará em 80 minutos – decretou marcialmente, o capitão.
Nesse ínterim, Shinn e Stevie saiam do refeitório, onde degustaram de uma horrível ração, estilo militar. Stevie era um jovem da mesma idade
de Shinn, que ficara órfão no que ele chamava de efeito colateral do Destroy. Segundo ele, seus pais foram mortos por um míssil que não
explodira quando o Destroy de Estellar retaliou o ataque de um BaCue.
- Um homem conseguiu me salvar, mas não sem seqüelas – disse, apontando para a mão em que faltava um dedo – mas o que se pode fazer?
Depois de rodar em alguns orfanatos, completei a maioridade civil e vim para Orb. Mell me encontrou e me ajudou e, isso nos traz ao hoje. E
você, Shinn?
- Uma história semelhante, mas fiquei órfão mais cedo. No primeiro ataque da Aliança à Onogoro, durante a primeira guerra. Eu me desviei do
caminho por um minuto e minha família tinha explodido. Daí, fui mandado para PLANT e vivi em diversos orfanatos.
Nesse momento, o jovem coordinator teve a idéia de procurar seus pertences pessoais. Um de seus pertences faltava.
- Stevie, o que aconteceu com meu celular?
- Ah, aquilo... Ta vendo aquele palhaço com mais de 2 metros? Ele gosta de ser engraçado e pega objetos pessoais para irritar algumas
pessoas. Como pode imaginar, um homem com um aparelho celular rosa deve chamar muita atenção.
Shinn nem prestava atenção em seu companheiro. Estava firmemente caminhando em direção ao homem. Sem que este percebesse a
aproximação, teve um dedo quebrado para chamar a atenção.
- Ahhhhhhh! – gritou o homem, enquanto olhava o jovem – Desgraçado!
- Você me dá o meu telefone agora ou eu quebro o seu braço e a gente continua a conversar – disse duramente.
- Filho-da-pu... – não teve tempo para continuar, pois o jovem torcera seu braço, como prometido – Ah! Maldito!
Sem pestanejar, Shinn pegou um dos dedos do homem e começou a preparar o ataque, quando viu saindo do bolso, mais precisamente um
aparelho celular rosa.
- Vou dizer isso só uma vez, isso foi tudo o que sobrou da minha família e se alguém quiser falar alguma coisa sobre isso, pode começar agora.
Mas se alguém pegar este aparelho de novo, eu vou matá-lo com minhas próprias mãos!
Quando ele ia continuar, alguns de tiros foram ouvidos. Stevie o puxa pelo braço em busca de proteção. Os tiros vinham próximos à onde eles
estavam.
- De onde estão vindo esses tiros – perguntou Shinn.
- Vem das celas – gritou de volta Guttemberg.
- Celas? Tem alguém lá?
- Só algumas pessoas que vieram para cá trazer mais guerras.
Por dentro, Shinn Asuka não podia acreditar no tamanho do azar. Ele conseguira se infiltrar. Conseguira descobrir que ali existiam pessoas
presas. E agora não poderia tirá-los dali, sem chamar a atenção. Esperava, pelo menos conseguir chegar até eles. Maldição!
Mais um capítulo postado.
Até sexta, teremos um novo post.
Nos lemos,
Fan surfer
