Surto de madrugada. Enjoy!

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EMMA
Miss BlueBird

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Eu fiz uma promessa e pretendo cumpri-la.
Todo mundo merece um final feliz.

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O mundo não está dividido entre vilões e heróis. Entre o preto e o branco, existe uma infinidade de matizes de cinza. Veja bem, na minha busca por poder e por vingança eu fiz muitas coisas das quais me arrependo. E muitas coisas das quais não me arrependo. Sou uma sobrevivente. Somos todos sobreviventes. Eu costumava achar que tudo em minha vida era negro e que eu estava fadada à escuridão, mas quando você finalmente se livra dos olhos monocromáticos – bom, você aprende a enxergar outros tons.

É preciso muita coragem pra perceber que maldade e bondade com muita frequência se misturam numa coisa só... e que pessoas não são catalogáveis.

(E eu não me arrependo da maldição que a trouxe para perto de mim.)

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Os olhos dela não eram azuis.

Claro que não é uma constatação tão importante assim, considerando-se as milhares de coisas que eu deveria estar pensando naquele momento (afinal aquilo tudo era provavelmente um erro colossal e eu honestamente não sabia explicar ou sequer entender o que estava acontecendo) – mas eu não conseguia pensar em outra coisa. Desde que a conhecera, uma das coisas que me mais me irritavam eram aqueles dois olhos tão azuis, tão vívidos. Ela me lembrava os matizes de um céu que eu nunca teria. A paz que nunca seria minha. Até eu perceber. Que os olhos dela não eram azuis.

Então segurei o queixo dela com firmeza e me afoguei dentro daqueles olhos, que tinham um tom meio cinzento esverdeado, ou azul acinzentado, com algumas manchas amarelas, como gotículas de caramelo derretido.

Eu não saberia dizer,
e isso importava?

Estávamos sozinhas, e ela me olhava com aquele olhar que eu não sabia decifrar. Uma esfinge, era isso o que ela era.

Uma esfinge, prestes a me devorar inteira.

E eu não me importava muito, porque eu queria ser devorada.
Eu queria ser devorada por ela.

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Eu soube, naquele momento, naquele exato momento. Enquanto os dedos dela passeavam suaves pelas minhas costas, traçando um caminho de fogo, de luz, de cores, de rendição. Caminho de redenção – ela era o meu final feliz. Sempre fora.

(Como pude ser tão ridiculamente cega?)

Ela era minha salvadora.
Ela era minha salvadora.

Minha Emma.

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Amo essas duas. Honestamente, nunca gostei da ideia delas juntas, mas depois daquela cena com as duas e o Henry do 4x12, simplesmente não resisti. É isso. :)