Hermione não estava se sentindo tão bem quanto imaginava que estaria no dia em que, finalmente, viajaria para encontrar seus amigos de infância. Um aperto estranho incomodava seu peito e, ao mesmo tempo, seu orgulho não lhe permitia abrir-se com Draco e resolver a situação antes de partir. Jogaria tudo para o alto, arriscaria seu casamento, mas, mesmo sabendo que poderia se arrepender com o resultado final, se recusava a conversar.
Draco resolvera, pelas crianças, pelo menos, acompanhá-los até a estação de trem que os levaria até a plataforma 9 ½ de King's Cross. Ele tentava disfarçar o descontentamento por estar sendo "abandonado" em casa escondendo-se atrás de um jornal, o qual ele nem ao menos prestava atenção.
Helena aguardava, quase na beirada da plataforma, apesar das inúmeras repreensões de Hermione, a chegada do trem que a levaria para a Inglaterra e para o convívio dos amigos da mãe. Apus, por sua vez, estava emburradíssimo, sentado ao lado do pai balançando as pernas para frente e para trás na tentativa de chamar a atenção do mesmo.
Eu não quero ir, pai! - ele falou, finalmente, notando que não conseguiria nada apenas com gestos.
Hum...
Deixa 'eu' ficar, pai! - ele pediu.
É melhor você ir, Apus. - ele dobrou o jornal para dar atenção ao filho. - Sua mãe tem razão. Eu tenho que trabalhar e você vai acabar ficando sozinho em casa o dia inteiro. - ele passou um braço pelos ombros do filho. - Além disso, você não quer deixar sua mãe mais brava do que ela já está, quer?
Hum... Não. - ele cruzou os braços e fez bico. - Mas por que ela está brava, hein?
E eu é que sei?! - ele respondeu.
O trem está chegando! - Helena gritou, de repente. - O trem está chegando! - animada, correu até o pai e o abraçou. - Tem certeza de que não quer ir papai? - perguntou.
Certeza absoluta. - ele respondeu, descontente.
Puxa, como você é teimoso, papai! Seria muito mais divertido com você lá, sabia?
É pai! - Apus levantou-se do banco. - Vem com a gente, pai! Vem! - ele segurou a mão de Draco e começou a puxá-lo do banco. Helena resolveu ajudar.
Vem pai! Vem!
Seu pai tem muito que fazer, crianças. Se ele não quer ir, ele não vai. - Hermione aproximou-se do grupo já pronta para empurrar o carrinho das bagagens para algum funcionário que as guardasse.
Ah, mãe. - Helena reclamou. - Aposto que se você pedisse com jeitinho ele viria. - ela sorriu, marota.
Eu já pedi, mas ele tem que zelar pelo sustento da nossa família, não é? - fitou-o, provocativa. - Despeçam-se e entrem no trem.
Hum... Que pena... - Helena falou. - Tchau, papai. Vou sentir saudades! - ela levantou os braços e forçou Draco a se abaixar para beijá-la. - Você vai, pelo menos, escrever.
Claro que vou, Lena. - ele falou. - Comporte-se lá, obedeça sua mãe e divirta-se, ok?
Está bem. - ela deu um beijo estalado na bochecha dele e se afastou para que Apus, o emburrado, se despedisse também.
Não faça essa cara, Apus. Vai passar rápido. - ainda agachado, ele falou para o filho mais novo.
Tomara! - ele disse, apenas. Deu um beijo no pai e se afastou também.
Mande notícias. - Draco falou para Hermione.
Eu aviso assim que chegarmos à casa da mamãe. - ela respondeu.
Certo... Boa viagem.
Obrigada. Vamos crianças? - ela virou-se para partir, mas deu de cara com Helena olhando-os abismada.
Só isso?!
Entrem no trem! - ela mandou.
Mas...
Andem!
Humpf. Isso não está certo, sabiam? Não está! - brava, Helena pegou Apus pela mão e o puxou para dentro do trem.
Acho que ela tem razão, Mione. - Draco aproximou-se da esposa. - Não é certo você ir embora brigada comigo desse jeito.
Agora está um pouco em cima da hora, não é? Nossas discussões não vão se resolver em cinco minutos. - ela falou, dura.
Devíamos ter conversado, não é? - ele falou, chateado.
Você acha? - ela perguntou, sarcástica. - Eu tenho mesmo que ir, Draco. Mande lembranças a Sophie por mim.
A Sophie? - ele se espantou. - Por que a Sophie?
Oras, por nada. Eu a encontrei outro dia, ela sabe que iremos viajar, só isso. - ela respondeu.
Ah, ta... Mando sim... - ele disfarçou.
Tchau. - ela, mais uma vez, tentou embarcar...
As crianças estão olhando. - Draco avisou.
Hermione não precisou olhar para as janelas do trem para imaginar os rostos ansiosos dos filhos esperando pelo menor sinal de afeto entre os dois.
Hum... Imagino. - ela voltou-se para Draco e depositou um beijo, que pretendia ser rápido, nos lábios dele.
Draco aproveitou a deixa para beijá-la de verdade e tentar passar para ela algo do que estava sentindo naquele momento. Hermione sentiu-se estranha com aquele beijo. Queria beijá-lo daquele jeito há algum tempo, mas se forçava a lembrar-se de todas as discussões que tiveram nos últimos dias, e então se sentia usada com aquele gesto.
Quando o beijo acabou Draco falou: - Vou sentir falta de vocês.
Também... - começou, confusa. - As crianças também vão sentir sua falta... - respondeu, apenas.
Desejando que nada mais a interrompesse, Hermione caminhou apressada até o trem e entrou logo depois de deixar a bagagem com um funcionário.
As crianças vão sentir falta... - Draco repetiu, ofendido. - Só as crianças... - ele colocou as mãos nos bolsos e ficou aguardando até que o trem partisse. Ainda respondeu o aceno das crianças antes de ir embora remoendo a mágoa pelo comportamento de Hermione.
Fazia anos que Hermione não viajava de trem, e foi impossível não recordar dos anos em que ia da plataforma 9 ½ até a escola junto com seus inseparáveis amigos. Também não teve como não se lembrar das confusões arrumadas, ainda no trem, com a turma da Sonserina liderada por Draco.
"Draco..." - ela pensou. - "Como pode uma pessoa mudar tanto?" - suspirou, chateada. - "Eu devia saber... Afinal, ele já mudou muito uma vez, quando decidiu ficar comigo. Eu devia saber que ele poderia muito bem mudar de novo..."
Esse tipo de pensamento, e um certo remorso por tê-lo deixado para trás, sozinho, ainda mais desconfiando de uma traição, a acompanharam durante toda a viagem. Dezenas de lembranças e reflexões sobre as atitudes tomadas por ambos passeavam por sua mente, sem conclusão nenhuma. No fim das contas, ela decidiu apenas relaxar e observar a paisagem, já que estava fazendo aquela viagem, também, para se afastar um pouco de Draco e refletir sobre a continuidade de seu casamento.
Outra que observava a paisagem muito atentamente era Helena. Ela carregava consigo um guia bruxo de viagens de trem. Decorou as páginas que mostravam o caminho entre Inglaterra e Alemanha e ia comparando cada uma das informações ao que via pessoalmente.
Apus, por sua vez, continuava emburrado. Ensaiou se distrair com um livro de colorir, mas logo se cansou. Arriscou um quadrinho de Martin Miggs, mas também perdeu o interesse. Então, depois de expulsar Helena do banco que dividiam, e levar uma bronca de Hermione, ele se deitou e pegou no sono.
Já na Inglaterra, Hermione sentiu a volta ao passado definitivamente. Seus pais a esperavam, ansiosos, na estação. Foi bom revê-los depois de tanto tempo. Helena os cumprimentou com todo entusiasmo enquanto Apus fingia se desagradar com os beijos da avó, ainda emburrado.
Depois dos cumprimentos e de pegarem as bagagens, os cinco partiram para a antiga casa dos Granger. Hermione havia se programado para ficar num hotel, mas seus pais não permitiram. Queriam ficar perto da filha e dos netos.
Os três passaram o dia naquele bairro trouxa, matando a saudade e colocando a conversa em dia. Ela deu os presentes que havia comprado para os pais, comentou, rapidamente, em que pé estava sua situação com Draco, já que o sr e a sra Granger estranharam a ausência dele, contou algumas peripécias aprontadas pelos filhos e, quando se deu conta, já era noite. No dia seguinte iria para a Toca. Estava ansiosa, e nervosa ao mesmo tempo.
Me vê mais uma! - era a única frase que Draco estava pronunciando na última meia hora. - Com gelo... - completou. - Não quero fazer nenhuma besteira... - sussurrou. - Se fizer quero estar consciente do meu erro.
Ele colocou, pela quinta vez, a mão no bolso do sobretudo e retirou de lá o bilhete que Hermione havia mandado para avisar que estavam bem, já na casa dos Granger.
"ACABAMOS DE CHEGAR. MEUS PAIS NOS AGUARDAVAM NA ESTAÇÃO. AS CRIANÇAS MANDAM BEIJOS. ATÉ. H.M."
Curto e grosso! - ele reclamou, depois de receber a terceira dose de Firewhisky da noite. - Frio... Hermione nunca me escreveu bilhetes tão frios! Este está, praticamente, congelado!
Falando sozinho, Draco? - Sophie sussurrou em seu ouvido, pegando-o de surpresa. - Nunca imaginei que você desceria tanto por causa de uma mulher. - ela colocou a pequena bolsa vermelha sobre o balcão e sentou-se ao lado de Draco, cruzando suas pernas torneadas para o lado dele.
Estava me espionando, Sophie? - ele perguntou, impaciente.
Não, meu querido. - ela respondeu, divertindo-se com a situação. - Acontece que você é muito previsível. Sempre que tem problemas vem para cá, embora eu nunca tenha te visto tomar três doses seguidas.
É a última. - ele respondeu. Guardou o bilhete de Hermione.
Eles chegaram bem?
Chegaram. - ele virou a bebida toda de uma vez.
Hum... - ela pediu um hidromel ao garçom. - E você vai passar a noite neste bar? Lamentando-se pelo fim do seu casamento?
Meu casamento não acabou, Sophie! - ele se exaltou.
Acabou sim, meu caro. - ela respondeu, sorridente, depois de um gole de hidromel. - Por que outro motivo Hermione iria para a casa dos pais com os filhos.
Não vou discutir com você. - ele falou. - Sei qual é o seu plano: me deixar cheio de dúvidas e mais irritado do que já estou. - ele pegou algumas moedas e jogou sobre o balcão. - Não vou te deixar fazer isso! - levantou-se, bravo.
Draco... - Sophie terminou sua bebida e também a pagou, seguindo Draco. - Não seja tolo, meu querido... - ela, praticamente, corria para acompanhá-lo. O bar não estava muito cheio. - Hermione não o ama mais, tanto que viajou até a Inglaterra para impedir que seu antigo amor se case com outra.
Draco a ignorou, ou realmente não a ouviu, já que a música estava alta.
Ela até levou as crianças! Tem que apresentá-los para o futuro padrasto. - ela aumentou o tom. - Ela não vai mais voltar! - agarrou o braço dele e o forçou a parar, já na soleira da porta de saída, onde o barulho era muito menor.
Quando você vai entender que, mesmo que Hermione e eu nos separássemos, eu não ficaria com você, Sophie? - ele falou, duro.
Nossa, Draco... - ela protestou. - Do jeito que você fala fico me sentindo uma baranga!
Você não é feia, Sophie. - ele respirou fundo e admitiu. - Você é uma mulher linda, exuberante e me chamou a atenção logo que nos conhecemos. - ela sorriu. - Mas é chata, interesseira e atirada demais! - ele voltou a andar, mais calmo. - Entende que eu passei toda minha adolescência rodeado por garotas como você? Minha primeira namorada era exatamente como você é agora! Por isso eu digo que não há a menor chance. - ele parou novamente e olhou para ela, para enfatizar. - Mulheres como você não fazem mais o meu tipo, não servem para quem quer ter algo sério. - encerrou o assunto e voltou a caminhar.
Sophie continuou parada, bufando de raiva, indignada. Nenhum homem jamais havia sido tão sincero com ela, muito menos tão difícil. Mas ela não se deixaria vencer deste modo. Se era sinceridade o que ele propunha, era o que ele teria.
Quem disse que eu quero algo sério com você, Draco? - ela correu um pouco e se agarrou ao braço dele.
Sem ânimo para mais discussões, Draco não se afastou nem nada, apenas a ouviu.
Algo sério você tem com a Hermione. - ela continuou. - Um casamento estável, pelo menos há algum tempo, dois filhos maravilhosos, uma reputação indiscutível. Eu já consegui o que queria de um relacionamento sério.
Dinheiro. - ele concluiu.
Exatamente! - ela sorriu, cínica. Apressou o passo e parou na frente dele, forçando-o a parar também. - Eu quero um homem, Draco, não um marido. Quero algo agradável, sem muitas responsabilidades, não alguém que controle meus passos e para quem eu deva satisfações.
Quer apenas diversão?
Correto, novamente! - ela afirmou. - Draco... - ela levou a mão ao rosto dele, carinhosa. - Você também anda precisando disso. Hermione é séria demais, e você tem trabalhado demais... - sorriu, insinuante. - Há quanto tempo você e ela não... Você sabe!
Isso não é da sua conta! - ele tentou afastá-la para continuar seu caminho.
Mas poderia ser. - ela não se moveu. - Basta você querer... Relaxar um pouco... - agora suas duas mãos acariciavam o rosto de Draco, enquanto ela se levantava sobre a ponta dos pés para alcançar os lábios dele com os seus. - Ninguém precisa saber... - ela sussurrou, antes de suas bocas se tocarem.
Hermione acordou com uma imensa sensação de deja-vú. De seu antigo quarto branco e rosa, cheio de bonecas e bichinhos de pelúcia, perdidos em uma quantidade maior ainda de livros, ela ouvia o tilintar das panelas na cozinha, e o cheiro bom do bolo de laranja que sua mãe fazia. Era como se estivesse de férias.
Com um sorriso nos lábios ela se levantou, vestiu um roupão, lavou o rosto e desceu para a cozinha, sentindo agora, além do cheiro do bolo, o cheiro de chá e, o que mais a surpreendeu, ouvindo a voz aguda de Helena, já na cozinha.
Bom dia! - ela falou.
Bom dia, mamãe!
Bom dia, querida. - a sra Granger falou. - Dormiu bem?
Puxa! Como há muito não dormia, mamãe. - ela beijou a filha. - E você? Caiu da cama, mocinha?
Não consegui mais dormir, mãe! Nós vamos para a Caverna hoje, não vamos?
Toca, querida, Toca. - Hermione sorriu. - Vamos sim.
Estou ansiosa! Estou até sentindo umas borboletas aqui na barriga! - ela explicou. - Só fico triste porque o papai não está aqui com a gente.
É... É uma pena. - Hermione concordou. - Mas ele não veio porque não quis...
Eu sei...
Apus levantou-se algum tempo depois, emburrado, mas seu humor melhorou depois de saborear a comida da avó e de acompanhar o avô numa caçada a um gato que estava espantando os beija-flores do jardim.
Ainda antes do almoço, naquele mesmo dia, os três se aprontaram e partiram para a Toca. Foram numa chave de portal, que os deixou há alguns metros da entrada da casa. Há essa altura, quem estava com "borboletas no estômago" era Hermione, ansiosa por rever os amigos e a família a que um dia ela imaginou que faria parte.
Do lugar onde a chave os deixou era possível ver a cerca que delimitava o terreno da Toca e, por trás dela, a própria Toca. Ainda alta e torta, como que sustentada por magia, exatamente como era anos atrás.
Foi impossível não se ver naquele quintal fazendo a desgnomização, ou lembrar-se do casamento de Gui e Fleur, ou de todos os momentos de tensão vividos ali na época em que a velha casa era uma extensão da Ordem da Fênix. Seus pensamentos foram apenas interrompidos pela voz de Apus:
Isso é a Toca? - ele perguntou, com o nariz empinado e uma sobrancelha erguida.
Hermione revirou os olhos. Não havia conhecido Draco naquela idade, mas podia jurar que ele devia ser exatamente daquele jeito.
Sim, querido. - falou, paciente. - Essa é a Toca!
Engraçada. - Helena falou. - Eu sempre imaginei que ficasse embaixo da terra!
Meu Deus! Vocês achavam o quê? Que meus amigos eram uma família de doninhas? - ela riu. - Vamos até lá.
Decidida, Hermione pegou na mão dos filhos e os levou até a pequena cerca da Toca. Helena empurrou o pequeno portão de madeira, que rangeu ao abrir. O trio foi recebido por uma bola de pêlos laranja que surgiu do nada.
Bichento?! - Hermione exclamou. Surpresa ao vê-lo, ela se abaixou para pegar seu antigo bichano no colo.
Que gato é esse, mãe? - Helena perguntou.
É o Bichento. - ela respondeu, feliz. - Ele era meu, mas seu pai não gostava dele, então o deixei aqui.
Ah... Eu ia gostar de ter um gato em casa. - Helena estendeu a mãozinha para acariciar a cabeça de Bichento que, satisfeito, ronronou.
Que gato feio! - Apus falou. - Parece até que bateu o focinho num muro!
Humpf! Não vou nem comentar. - Hermione reclamou, entregando bichento para que Helena o levasse. - Vamos entrar. - ela continuou, em direção à porta de entrada.
Qual é a senha?! - três crianças surgiram, tão de repente quanto Bichento, e a obrigaram a parar, apontando varinhas para os três.
S-Senha? - Hermione perguntou, assustada.
Dêem o fora, seus pestinhas! E é melhor esconderem essas varinhas! - Hermione ouviu, emocionada, a voz de Harry vinda de dentro da casa. Ele abriu a porta e ficou paralisado ao ver a amiga do lado de fora. - Mione!
Harry! - Hermione exclamou, contente. Tomada pelo impulso, soltou a mão dos filhos e abraçou o amigo de infância. - Harry! Que saudade!
Mione! - ele repetiu, ainda incrédulo. Retribuiu, com gosto, o abraço da amiga. - Caramba! Eu nem... Nem sei o que dizer! - ele sorria.
Nossa! - ela o soltou, estava com lágrimas nos olhos. - Você... Não mudou nada!
Bondade sua! - Harry respondeu. - Não acredito que você veio mesmo!
Eu disse que viria! E eu cumpro minhas promessas, Harry Potter! - ela enfatizou.
Isso é alguma indireta? - uma segunda voz, também vinda da casa, os surpreendeu.
Rony! - ela adivinhou.
Achei que tivesse esquecido o caminho de casa, Hermione! - ele implicou.
Rony... - ela repetiu, confusa.
Sempre imaginara que, apesar de tudo que havia acontecido entre os dois, sentiria mais saudades de Harry do que de Rony, mas havia acabado de perceber que estivera enganada. Ver Rony, depois de tanto tempo, a deixara mais emocionada do que ver Harry, talvez por temer que ele, sempre tão desligado, se esquecesse dela com mais facilidade.
Você não vai mesmo fazê-la chorar, Rony? Vai? - Harry perguntou.
Ah não, por favor! - rindo, Rony saiu de uma vez e a abraçou, bem menos embaraçado do que ficaria anos atrás. - Por que você demorou tanto, Mione? - ele perguntou, de modo que só ela ouvisse.
Desculpe... - ela respondeu, também só para ele.
As lágrimas agora rolavam de uma vez e uma felicidade incrível, uma paz, como ela não sentia há muito tempo, a invadiram. Era como se estivesse num sonho, revivendo uma fase muito importante de sua vida. Sentia-se bem ali, nos braços dele, e ficara abraçada com Rony por muito mais tempo do que ficara com Harry.
Mãae? - Helena falou, então. - Esqueceu de nós?
Hermione e Rony então se afastaram, um pouco sem graça. Rony tratou de quebrar o clima:
Você achou essa bola de pêlos?! - exclamou ao ver Bichento no colo da miniatura de Hermione.
Não acredito que você ainda o chama de bola de pêlos, Ronald! - Hermione secou as lágrimas e foi até os filhos. - Deixe-me apresentá-los: essa é Helena.
Helena soltou Bichento e sacudiu a própria roupa, para se livrar de alguns pêlos laranja que o gato havia deixado. Então deu um passo a frente e estendeu a mão para Rony, muito formal:
Muito prazer, sr Weasley. - sorriu.
O prazer é meu, srta Malfoy. - falou, com certo desdém, depois de se agachar para ficar na mesma altura que ela.
Pode me chamar apenas de Helena. - ela respondeu, sem notar o tom dele.
Certo, Helena. Puxa! Você é a cara da Hermione! - Rony notou.
Mas tem os olhos do Malfoy! - Harry acrescentou. - Oi. - estendeu a mão para ela.
Muito prazer, sr Potter! - ela retribuiu o cumprimento. - Estou contente em conhecê-lo! Mamãe contou todas as histórias sobre o senhor!
E sobre mim?! - Rony protestou. - Não falou nada?
Falou. - ela corrigiu logo. - Mas é que eu comecei a estudar sobre ele na escola.
Você é matéria até nas escolas alemãs? Ta brincando? - ele perguntou, indignado. Harry apenas balançou os ombros, incomodado.
Na verdade ainda não era para ela aprender sobre a guerra, mas ela é muito curiosa e se adiantou um pouco. - Hermione explicou.
Para quem será que ela puxou, não? - Harry perguntou.
Hum... - Hermione fez. - Esse é Apus. O caçula.
Apus olhava para os dois amigos muito sério e, ligeiramente, desconfiado.
Caraca! - Rony soltou. - Não dá para negar que é filho do Malfoy, hein? É a cara dele!
Por que eu negaria?! - Apus retrucou, rápido.
Bom, se fosse eu... - Rony começou, mas Harry lhe deu logo uma cotovelada nas costelas.
Muito prazer, Apus. - Harry se adiantou.
Hum... - o menino fez, apenas.
Não seja mal-educado, Apus! - Helena deu uma bronca, Rony riu da semelhança.
Olá Apus. - Rony cedeu, então. - Foi seu pai quem escolheu seu nome?
Foi, por quê?! - ele perguntou.
Hum... Nada... - riu de novo.
Quem fala o que quer... - Harry preveniu.
Eu sei, eu sei... - Rony admitiu. - Vamos entrar então? Mamãe está louca para te ver, e vai adorar conhecer seus filhos.
Puxa! Estava morrendo de saudades disso aqui! - ela falou.
Eu estou com saudades de casa! - Apus comentou seguindo, a contra gosto, os demais.
Hum... Não liguem para ele. - Hermione pediu. - Ele é muito apegado ao Draco.
E por que ele não veio? - Rony perguntou, deixando transparecer que estava se sentindo muito feliz com a ausência dele.
Papai e mamãe brigaram. - Helena falou.
Brigaram? - Harry perguntou, preocupado.
Imagine! - Hermione falou rápido, depois de lançar um olhar bravo para a pequena. - Nada sério.
Hum... - Rony fez, pouco convencido. - Mãe! Venha ver quem chegou!
Junto com a senhora Weasley, vieram receber Hermione, um número bem maior de ruivos do que da última vez que ela estivera ali. A sra e o sr Weasley ficaram muito contentes em vê-la e adoraram seus filhos, apesar do gênio de Apus, muito parecido com o de Draco. Gina chegou um pouco depois, vinda de um treino das Harpias, e ficou igualmente emocionada em rever a amiga, assim como ficara encantada em conhecer os pequenos.
Hermione e as crianças passaram o resto da tarde lá, conversando e colocando os assuntos em dia. Helena não demorou a se enturmar com os sobrinhos de Rony, embora Apus ficasse a maior parte do tempo ao lado da mãe, olhando todos de cima para baixo, desconfiado. Pouco, ou nada, se falou sobre o verdadeiro motivo de Hermione estar ali: o casamento; o que ela achara ótimo, pois rever Rony estava lhe trazendo lembranças demais. Lembranças que a estavam fazendo se sentir estranha.
N/A: Demorou, mas finalmente saiu. Peço desculpas a todos pela demora, mas é que estou numa crise de criatividade! A história não está fluindo como nas outras fics que já escrevi. Em todo caso, peço que tenham paciência, e que continuem comentando, por favor. Até os próximos capítulos...
