Como prometido, aqui está a segunda parte. Milagrosamente não será a última, porque eu adoro sofrer e fazer vocês sofrerem junto. Obrigada pelas reviews, vocês são maravilhosos!
Return
Uma gota de suor escorreu pela têmpora do animago. Remus a tolheu com a língua, inebriando-se do gosto salgado. Sirius aproveitou a aproximação e inclinou o rosto, encontrando a audição ultrassensível do lobisomem. Contornou o lóbulo com os lábios entreabertos, deixando esvair um gemido arrastado quando os dedos contornaram sua glande. Deixou a língua contornar as dobras de cartilagem e Remus estremeceu antes de se afastar, ofegando como se tivesse corrido uma maratona.
E o mundo escureceu de repente.
Sirius fitou os olhos negros e sem vida logo a sua frente. Os dedos magros apertaram a maçaneta e todo o seu corpo se retesou, em uma postura muito claramente pouco amigável.
"O que você quer aqui?", foi a primeira coisa que disse, dispensando cumprimentos.
"Tenho assuntos a tratar com Lupin. Se me der licença", Snape forçou a passagem pela porta, mas Sirius bloqueou o caminho com o próprio corpo.
"Ele está ocupado agora."
Snape lançou um olhar analítico ao longo do animago, que trajava apenas calças obviamente grandes demais para ele e tinha os cabelos ligeiramente desalinhados.
"Eu aposto que está", murmurou o pocionista, novamente forçando seu caminho para o interior da casa. "Mas trago ordens de Dumbledore."
Com isso, Sirius cedeu. Fechou a porta com um baque seco e fitou com estranheza a figura pálida de Snape parecendo deslocada na casa do lobisomem. Arrastando os pés no piso de madeira ele se retirou, murmurando para que Snape não tocasse em nada em sua ausência.
O mundo entrou em foco devagar. A primeira coisa que detectou foi a dor de cabeça que o acometia. A segunda foram as mãos em seus cabelos, penteando os fios para trás.
"Padfoot?", o lupino esfregou os olhos, parecendo nem ao menos reconhecer onde estava. "O que aconteceu?"
Sirius sorriu diante da expressão confusa do outro.
"Você apagou de repente. Quando nós estávamos, bem...", ele pigarreou, fazendo um gesto vago com as mãos. "Devia ter me dito que não estava se sentindo bem."
Remus corou até o couro-cabeludo. Suas bochechas arderam e ele desviou os olhos cansados, enquanto lembranças vívidas do que ele e Sirius faziam preencheram sua mente.
"Eu estava," o lupino acrescentou depois de alguns segundos, ao notar a expressão preocupada do outro. "De verdade. Acho que a noite de ontem foi um pouco intensa demais", ele riu, ainda sentindo o rosto corar.
Sirius acompanhou sua risada. O som do riso de Moony o fez esquecer-se da visita indesejada, e aqueles lábios curvados em um sorriso sincero amoleceram o coração do animago. Sirius se inclinou e sua respiração se misturou a de Remus.
Bastou um segundo para que o mundo escurecesse de novo, mas sem que nenhum deles perdesse a consciência dessa vez. Os braços longos do lobisomem fecharam-se em torno do pescoço do animago, trazendo-o para perto e Sirius deixou-se guiar sem relutância.
Não havia pressa no modo como uma boca se movia contra a outra. Ao contrário, Remus conduziu o contato, guiando Sirius lentamente. Seu paladar se encheu de Sirius. O ar suspenso ao seu redor parecia mais leve com a simples presença do animago. Havia mãos em sua cintura, empurrando-o contra os travesseiros macios. Remus tinha cheiro de chá e gosto de algo que Sirius jamais conseguira descrever nem para si mesmo.
O som de passos impacientes vindos da sala quebrou o momento.
"Quem está aí?", Remus murmurou, o corpo inteiro se retesando de uma só vez.
Sirius bufou impaciente quando seu pequeno momento ruiu diante de seus olhos. "Snivellus."
"Snape?", Remus piscou, afrouxando o aperto ao redor do pescoço de Sirius.
"Ele diz que tem notícias de Dumbledore."
"Agora?", Sirius rosnou na direção de Snape, fazendo um esforço colossal para não perder completamente a compostura, "Você não pode estar falando sério."
"As ordens de Dumbledore foram expressas. Você obviamente não está seguro aqui", Snape fez questão de acrescentar um inconfundível tom pejorativo ao se referir à casa de Lupin. "Mas eu não vou insistir para que me acompanhe. Não faz diferença para mim que esteja em segurança ou não."
Remus assistia a cena se desenrolar sem dizer nada. Sua cabeça ainda doía, mas se havia processado as informações direito – e Remus raramente não compreendia o que acontecia ao seu redor – Sirius teria que voltar a se esconder como o fugitivo que era.
A informação lhe doeu mais do que as pontadas em sua cabeça.
"Não vou," Sirius afirmou em tom de quem encerra uma discussão. "Não existe a menor chance de que eu vá ficar naquele lugar. Prefiro voltar para Azkaban."
"Padfoot," Remus se interpôs finalmente, a simples menção de Azkaban o deixando nauseado. "Eu entendo que não queira ir, mas se Dumbledore acha melhor..."
"Eu não me importo com o que Dumbledore acha ou deixa de achar," Sirius rebateu de imediato, virando-se para Remus com um tom de quase súplica. "Eu não vou."
"Se já tomou sua decisão," Snape impacientou-se, virando-se de costas e dando um passo em direção à porta, "Eu tenho mais o que fazer além de me preocupar com a segurança de alguém que obviamente não se importa se está morto ou não. Mas transmitirei seu recado à Dumbledore."
"Snape," Remus finalmente se ergueu da poltrona em que estava acomodado. "Pode me dar um minuto a sós com Sirius? Só um minuto."
Snape grunhiu algo que parecia uma concordância. Sem nenhuma objeção abriu a porta e se retirou da casa, sem ao menos olhar para trás.
"Moony-"
"Padfoot, escute," Remus interrompeu o que sabia que seria uma torrente ininterrupta de reclamações, "Você precisa ir. Eu sei de todos os seus motivos, mas você corre riscos aqui. Não tardará até o ministério bater na minha porta atrás de você. Provavelmente Dumbledore está impedindo que isso aconteça agora mesmo, mas nem mesmo ele pode parar o ministério por muito tempo."
O estômago de Sirius pareceu afundar. Ele sabia que Remus tinha razão, mas todos os seus instintos entravam em alerta quando pensava em ter pisar novamente em sua antiga casa.
"Eu vivi os últimos doze anos em Azkaban. Passei o último ano me escondendo em cavernas e me alimentando de ratos. E ainda assim, a ideia de ficar preso naquela casa consegue me assustar ainda mais."
Remus foi pego de surpresa com o tom de voz amargo do animago. Seu coração diminuiu de tamanho ao ver o pesar nos olhos de Sirius. Ele não fazia a menor ideia de como as situações em sua vida mudavam tão repentinamente, obrigando que ele se adaptasse imediatamente.
"Padfoot...", Remus se aproximou, uma das mãos erguidas quando os nós dos dedos acariciaram o rosto do animago.
"A ideia de ficar longe de você por mais... Sabe-se Merlin quanto tempo! Moony, por favor", Sirius segurou o pulso fino do lobisomem, seus olhos se fechando como se quisesse absorver o toque em seu rosto.
Remus sorriu fracamente, sabendo que era uma batalha ganha ao ouvir o tom de voz de Sirius.
"Daremos um jeito," Remus murmurou, tentando parecer o mais convincente possível, "Nós sempre damos um jeito."
Sirius reabriu os olhos. Fitou o lobisomem por um longo minuto, como se tentasse decidir o que fazer em seguida, e a melhor solução que encontrou foi abraçar Lupin como se sua vida dependesse disso.
Remus arfou diante do ímpeto do gesto. Seus braços exageradamente compridos abarcaram o animago, engolfando-o em um abraço protetor. Sirius cravou os dedos no suéter de Remus, quase rasgando o tecido, como se estar conectado ao lupino fosse sua única salvação.
"Você não pode vir junto?", Sirius murmurou após uma longa pausa, a voz abafada contra o ombro de Remus.
Remus riu. "Farei o possível."
Sirius se afastou. As mãos escorregaram ao longo dos braços alheios, até que encontrassem as mãos frias de Remus.
"Snape está te esperando. É melhor você ir."
NA: Isso era pra ser uma one-shot, eu não sei o que aconteceu. Menos sofrimento no próximo capítulo, eu juro. Reviews me dão vida.
