Disclaimer: Naruto pertence ao Kishimoto-sensei!

Casal: Sasuke e Sakura; Hints de Ino e Shikamaru


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Capítulo IX

- Sasuke...? – Ela deixou escapar, surpresa com a visão.

- Preciso falar com você. Vamos sair daqui. – O Uchiha explicou, não se demorando na face delicada que sentira falta durante aquele tempo, e logo virou de costas, iniciando uma nova caminhada por entre as pessoas.

Sakura sabia que não devia segui-lo, mas algo a impedia de seguir seus conceitos e ela já estava acompanhando-o. Provavelmente era o choque que ainda a consumia após a idéia de Sasuke ter procurado-a – ainda ter olhado daquele jeito em seus grandes orbes! – e arrastado-a para algum lugar que, percebia naquele momento, era habitado apenas pelos pequenos animais noturnos.

Não estava gostando daquilo. Deveria ter ficado em sua casa e escutado seus instintos que a fariam deitar na cama e ter uma bela noite de sono – ou ao menos tentar, afinal aquilo estava se tornando uma de suas mais árduas tarefas – mas algo a contrariou, e estava começando a desconfiar que fora a mesma coisa que a fazia parar de seguir o Uchiha quando este também parou a caminhada, e observá-lo se virar de frente para ela.

Era difícil pensar em qualquer outra coisa que não fossem aqueles orbes negros mergulhando nos seus e não sentir seu coração trincando por lembrar as vezes que isso acontecera e fora seguido de algum beijo inusitado, porém a confusão da Haruno se sobressaia a tudo aquilo.

- O que aconteceu? – Sakura indagou, não gostando do silêncio que era tão cortante naquele local deserto. E se ele escutasse as batidas aceleradas de seu coração?

Claro que essa sua preocupação evaporou no momento em que pareceu ter ficado surda para qualquer coisa que martelasse em seu peito, e tudo pareceu se perder em um silêncio mais profundo porque os lábios de Sasuke caíram sobre os seus, súbita e ainda assim delicadamente. Apenas não poderia dizer que se afundara no gelo – Droga, tudo havia congelado! – porque jamais havia sentido uma corrente tão forte de calor percorrendo seu corpo. Nem mesmo quando fora beijada por ele outras vezes ou quando ele dizia que a amava.

Não... Porque daquela vez ele estava consciente.

E ainda assim estava beijando-a daquela forma, provavelmente ignorando a sua incapacidade de fechar os olhos arregalados, mas ainda assim beijando-a. E graças à sua paralisia, ela foi incapaz de impedir a língua do rapaz de adentrar sua boca, cautelosamente, por ínfimos segundos que lhe pareceram uma eternidade que faria saltar seu coração para fora do peito.

Céus... O que ele estava fazendo...? Não, por que ele estava fazendo aquilo? Já não bastava o sofrimento tão óbvio que passara durante aquela semana?! E maldita fosse aquela mão dele correndo para o seu pescoço daquela forma tão suave que lhe causava arrepios suficientes para uma vida inteira! Droga! Tinha alguma coisa errada! Espere, não...! Não, não podia haver! Ele estava beijando-a e provavelmente a única coisa errada era que não estava sendo inteligente o bastante para retribuir àquele ato tão imprevisível!

Ainda com os pensamentos em um caos maior que da multidão no festival, Sakura novamente não pôde fazer nada ao senti-lo se afastar ligeiramente, fixando os olhos mais misteriosos do que nunca nos seus. A jovem tinha certeza que nada poderia quebrar aquele momento – nem mesmo a brisa da noite, ou seu coração desesperado por uma pausa, ou os gritos em sua cabeça – a não ser o despertador, mandando-a dar o fora da Terra dos Sonhos.

Mas não... Ele continuou mergulhando em seus olhos, suavizando ainda mais o toque da mão em seu pescoço e murmurando o que os ouvidos da médica-nin jamais esperariam ouvir naquele momento.

- Você continua irritante.

- O-O que...? – Sakura tentou se recompor diante do beijo e das últimas palavras que não ajudavam a clarear suas idéias. – Você... você está bem?

Era óbvio que não estava. Que tipo de pessoa estaria bem se desse um beijo daqueles na pessoa que sabia perfeitamente não estar em seus dias ensolarados e ainda por causa dele?! E maldita fosse aquela mão que ainda lhe causava os arrepios que não precisava para ajudá-la naquele momento! Droga! Consciente ou não, aquele Uchiha sabia muito bem como deixar uma mulher paralisada!

Merda, merda, merda! Pare com isso, Sakura! Acorde logo e tire a mão dele daí!

- Não, eu não estou bem. – Sasuke retrucou, mantendo os olhos nos dela e observando-os se retraírem em apreensão. Ele franziu o cenho, frustrado. – Não consigo tirar você da cabeça.

As jades se arregalaram mais ainda.

O rapaz não sabia o que o levava a dizer tais coisas, mesmo que tivesse sã consciência do quanto não estava dopado. Talvez fosse o contato com os lábios dela que o deixavam suscetíveis à verdade. Não, a única coisa que sabia era a inutilidade de negar o quanto estava atraído por ela-

- Você não está bem. – Sakura murmurou, assustada.

... O quanto estava apaixonado...

Não era nem capaz de desviar os olhos para algum outro lugar que não fossem aquelas esmeraldas arregaladas, e mesmo diante de tamanha perplexidade não sabia como voltar atrás e desistir de falar a ela aquelas palavras que o atormentavam fazia tanto tempo. Nada o impediria. Tivera que aturar aquele festival por causa dela! Isso deveria ser prova o suficiente!

A médica-nin o encarava, assustada.

- Você... ainda está sob o efeito do remédio? – Ela arriscou a única coisa que seus lábios se propuseram a formar e que lhe parecia a coisa mais coerente, considerando que os arrepios em sua espinha dificultavam até mesmo o seu piscar de olhos.

- Não.

O silêncio os afundou ainda mais naquele local deserto e Sakura não soube se estava se afogando neste, que a engolia para ouvir as próprias batidas de seu coração, ou nos olhos ônix, que se atreviam a adentrar mais ainda nos seus. Ele só podia estar brincando com seus sentimentos mais uma vez, exceto que conscientemente.

Por que mais ele faria aquilo? Porque a amava? Não. Ele a amara uma vez e fora com a ajuda de um remédio que lhe dera efeitos colaterais tão decisivos para o esquecimento de qualquer toque ou palavra que trocaram durante aqueles dias.

- E eu lembro quando disse pra você que não ia esquecer os momentos que passamos juntos. – O murmúrio do rapaz fez a jovem prender a respiração e ganhar uma fraca coloração na face surpresa.

Ele a amava...?

- Mas você deveria...

- Esquecer aqueles dias, eu sei, mas não consigo. – Sasuke pausou por alguns segundos, analisando a expressão abismada e o pequeno brilho naqueles olhos verdes que lhe agradaram tanto. – Não lembro exatamente de tudo, mas... lembro o suficiente pra saber que quero passar por aquilo de novo. – Pausa. – Sem o efeito do remédio.

Sakura ficou encarando-o pelos segundos mais longos de sua vida, incapaz de uma única palavra ou movimento. Seu coração pareceu ter entrado em uma corrida desenfreada pela eternidade e não desacelerou quando seus olhos suavizaram levemente, as sobrancelhas franzindo o suficiente para que as lágrimas ficassem visíveis, se formando em seus orbes.

Conhecendo-a bem, Sasuke sabia que aquela reação deveria ser boa – ainda que não tivesse gostado da visão daquelas lágrimas – mas apenas ao notar o leve sorriso nos lábios da jovem a tensão sumiu completamente de seu corpo. Era incrível como tinha o dom de fazê-la chorar, fosse de alegria ou de tristeza. Que droga de maldição era aquela que carregava?!

No entanto, o murmúrio da Haruno o atraiu para o semblante de felicidade que se alastrava por aquela face marcada pela primeira lágrima que escapou sorrateiramente.

- Eu juro... que não vou mais ser tão desastrada para trocar os medicamentos de novo... – Sem hesitação, Sakura o abraçou, escondendo o rosto no tórax do rapaz, enquanto não continha mais as lágrimas que tentavam exprimir a felicidade que prometia fazê-la explodir. – Eu pensei que você nunca mais ia lembrar e... eu... droga, eu estava apaixonada por você de novo, e pensei que...

- Sakura, pare de chorar.

Ainda que apreciasse o corpo dela tão próximo ao seu, o Uchiha podia sentir muito bem as lágrimas gordas e incessantes que não se importavam em encharcar sua camisa. Aqueles braços ao redor de seu corpo tão firmemente apenas ajudaram a suavizar seus orbes escuros, e ele hesitou ao passar um dos braços ao redor do corpo esguio da jovem, desejando que aquele gesto e suas palavras fizessem aquele choro cessar.

Certo, seu "pedido" não foi muito romântico, mas quem disse que se importava com isso? Sakura o entendia o suficiente para saber que não passaria pela mesma metamorfose de alguns dias atrás. Não é?

- Desculpe, eu esqueci que você não é mais aquele Sasuke romântico e protetor. – A médica disse, afastando-se um pouco do Uchiha e deixando-o ver o sorriso singelo em seus lábios e as lágrimas que não mais deslizavam sem parar por seu rosto.

Secando mais as lágrimas, Sakura demorou alguns segundos para deixar de notar o quanto seu coração batia de forma leve e perceber a expressão na face do rapaz, que denunciava claramente não ter gostado muito das últimas palavras. Sem pestanejar, a jovem se adiantou, alarmada:

- Não, mas eu prefiro você assim...! Quer dizer, eu gostava quando você me procurava acima de qualquer coisa e se preocupava, e também queria ficar o tempo todo comigo, mas você também-

O Uchiha tinha que admitir que a jovem possuía uma grande capacidade de falar – E, no caso, de tentar se corrigir para não deixá-lo aparentemente irritado – mas isso não significava que gostava de tal habilidade, e por isso a calou com um beijo apaixonado, esperando que qualquer palavra fosse engolida de volta por ela e nada interrompesse aquele momento que consumira todos os seus neurônios na última semana.

Pela forma como a médica-nin suspirou de forma aprovadora, ele podia apostar que o momento para fazê-la ficar quieta não havia sido desperdiçado, muito menos por sua língua que não cansava da música lenta e apaixonada que dançava com a de Sakura. Tinha que admitir não se lembrar de quase nada, mas o gosto daqueles lábios o perseguiria até o inferno e isso o levava para os dias que ficara tão dopado pelo medicamento.

Lembrava de como declarava seu amor pela Haruno e essa simples recordação o fazia se arrepiar – Não, por mais incrível que fosse, não era apenas a mão da jovem correndo para a sua nuca – e ter certeza que não faria mais aquilo. Quer dizer, declamar seu amor por ela em público, nem nada romântico demais nem que estivessem a sós, mas ainda fazia questão de roubar alguns beijos dela ou envolvê-la em seus braços.

Sim, dopado ou não, não iria se desfazer de alguns hábitos, e sim, estava apaixonado por aquela mulher irritante. E daí? Não podia controlar aquele desejo absurdo de estar ao lado dela, assim como não tinha controle sobre sua mão que deslizara para a pele macia daquele pescoço, e apenas naquele momento em que estava separando seus lábios percebia isso.

Era um imã que o atraía sem parar.

- É bom que você mantenha as mãos para si também.

Céus, como ela era linda... Aqueles olhos verdes reluzentes tão próximos e aquele sorriso aconchegante que ela lhe mostrava... E aquelas palavras, claro, não poderiam ter combinado melhor com todos os sintomas que estava sentindo para um sorriso maroto brincar em seus lábios.

- Sakura, eu já toquei qualquer coisa que podia. – Talvez estivesse dopado demais com a fragrância de baunilha e por isso deixou aquela sentença que deveria levar até o túmulo escapar. No entanto, o rubor que apareceu na face da jovem o agradou imensamente.

- Ah, meu Deus! Você se lembra daquela noite...?!

Maldição. Sua face estava começando a esquentar e isso não era um bom sinal. Ligeiramente frustrado por tal sensação, o Uchiha olhou para o lado, contrariado com as palavras que haviam se esgueirado para fora. Droga! Era óbvio que se lembrava daquela noite! Por que mais teria tido o sono mais tranqüilo de sua vida?! Exceto que Sakura não deveria saber daquilo e nem encará-lo daquela forma estupefata e tão vermelha!

- ... Lembro.

- Seu pervertido! – A jovem estava mais corada do que nunca. – Você não se deixou esquecer, não é?!

Sasuke estava gostando cada vez menos da vermelhidão que ameaçava tomar conta de seu rosto, e também da idéia de Sakura achá-lo um depravado. Não era, droga! Não era sua culpa se não havia sido capaz de esquecer aquela noite e com certeza ela tinha muita relação com aquilo! No entanto, antes que pudesse encontrar algumas palavras não muito agradáveis, um som melodioso conseguiu acalmá-lo.

Sakura estava rindo.

- Tudo bem... – Ela murmurou, mantendo o sorriso no rosto ainda ligeiramente vermelho. – Eu não queria que você esquecesse. Porque foi muito especial pra mim.

A raiva que o ameaçava evaporou diante daquela expressão singela e do rubor nas bochechas da Haruno. Era incrível como ela conseguia unir tudo o que precisava – Aquele sorriso, a face rubra, as palavras – para fazer com que um dos cantos de seus lábios subisse e o silêncio se aconchegasse ainda mais naquele ar satisfeito que respiravam.

Poderia mergulhar naqueles orbes esmeralda até morrer afogado e ainda continuaria perdido por ali, seguindo aquele reluzir que o hipnotizava tão constantemente.

- Se você quiser – Sakura ponderou bem baixinho, rubra, encarando-o. – nós podíamos repetir, só que sem o remédio.

O rapaz a encarou por longos segundos, e – talvez fosse a leveza em que estava – sentiu aquelas palavras lhe darem uma súbita vontade de rir. Uma risada de dois segundos que fosse, pois jamais esperaria ouvir tais coisas daquela médica-nin que sustentava um semblante tão inocente. Exatamente como seus olhos demonstravam.

Porém ele conteve o riso e não percebeu que o canto de sua boca ainda estava levantado.

- Eu não disse nada, Sakura.

- Mas estava pensando. – Ela o olhou de forma desconfiada. – Eu conheço essa sua mente pervertida.

Sasuke franziu o cenho em indignação – Poderia até estar desejando naquele momento que estivessem no quarto dele ou qualquer local parecido, mas tinha hormônios e uma médica deveria saber que isso não era motivo para ser chamado de tarado. – e abriu a boca para rebater, porém o sorriso doce que apareceu nos lábios dela o deteve.

- Agora eu conheço você por completo, Sasuke-kun.

Os orbes negros ficaram presos aos esverdeados de tal forma que nada poderia quebrar aquele delicado fio que os ligava, nem palavras que o rapaz sabia não ser capaz de formar naquele instante. Poderia até ser o efeito daquele sorriso amável e daquela face ligeiramente rubra, mas ele sabia que era mais do que isso. Eram aquelas palavras que ela pronunciara daquela forma...

Que o faziam recordar o momento em que dissera a ela que talvez não o conhecesse por completo... E ela lhe mostrara um sorriso pela primeira vez desde que havia tomado o medicamento...

Céus... Aquela mulher conseguia ser mais que irritante. Conseguia resgatar aquelas memórias, as palavras dele e usá-las contra ele mesmo naquele momento que jamais esperaria, exatamente para desarmá-lo do jeito como fizera. E ao mesmo tempo fazia com que percebesse que ela estava certa, pois o conhecia tão bem e o fizera reconhecer algo que ele não descobrira de si próprio.

O quanto se deixou envolver por aquela mulher irritante.

Agradeceu mentalmente por a médica-nin conhecê-lo o suficiente para perceber a falta de palavras de sua parte, e então segurá-lo pela mão, puxando-o de volta para o festival contagiante que combinava tão bem com aquele sorriso na face dela. E ele percebeu o remédio que de fato o dopava naquele momento.

Owari


Esqueci de avisar, mas esse era o último capítulo xD Matem-me agora XD Não, não! Matem-me depois do epílogo, que eu achei tão legal escrever :D

Enfim, muito obrigada por terem acompanhado a fic e gostado dela, apesar de todos os pesares e principalmente das minhas demoras. Estou trabalhando nisso xD E na minha escrita, que prometo sempre melhorar pra compensar os atrasos xD E pra vcs gostarem tbm, claro XD Mas enfim, esse nem é tecnicamente o final e eu to me despedindo aqui xD Hahuahuahu!

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Thanks, pessoal! :D Obrigada mesmoooo!

E nos vemos no epílogo ;D

Ja ne!

Kiyuii-chan