Blood Lust
By Dama 9
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Capitulo 6: Vampiros.
.I.
Estavam a um dia de viagem agora, o som do trotar dos cavalos lhe dava aquela intensa sensação de adrenalina, quanto mais perto se aproximavam do castelo, mas agitada ficava.
Queria sua armadura de volta e iria matar aquele bastardo atrevido que ousou invadir sua casa, para roubá-la.
Empertigou-se no acento da carruagem, mas que droga, porque aquele lugar tinha que ser ainda tão ultrapassado. Carruagens estofadas e clássicas, como se estivessem vivendo a mais de um século atrás. Em outro momento teria sido interessante, mas não agora.
-O que pretende fazer quando chegarmos lá? –Saga perguntou chamando-lhe a atenção.
-E não é obvio? –ela rebateu, observando a paisagem campestre através da janela, com os orbes serrados. –Aquele bastardo vai pagar caro... Muito caro;
-É melhor ir com calma, antes que acabe perdendo a razão e ficando cega; ele a repreendeu.
-Puff!
-Você sabe do que estou falando, Jéssica; Saga falou, fazendo-a virar-se para si. –Se você se deixar cegar, nós não teremos chance alguma. Esse é um terreno conhecido para você, não para mim. Então é melhor refrear seus impulsos assassinos e ir com calma;
-Como quiser, senhor meu marido; a jovem respondeu sem esconder a ironia no tom de voz.
Mesmo depois de uma semana viajando juntos, ainda era difícil assimilar a nova identidade, o que fazia a tensão entre ambos aumentar gradativamente.
-Melhor assim, senhora minha esposa; ele falou com igual tom, vendo-a de soslaio serrar os punhos.
Antes serrados do que em volta de se pescoço; ele pensou engolindo em seco.
Aquilo era muito estranho; Jéssica pensou, observando o cavaleiro que tentava inutilmente se concentrar em um livro que tinha em mãos. Por mais que detestasse admitir, havia alguma coisa ali que não estava certa.
Ainda tinha aquela sensação de que existiam dois Sagas, ou aquele que estava a seu lado tinha dupla personalidade, mesmo porque, aquele episodio no navio não voltou a acontecer, nem mesmo nos momentos em que tinham de ficar dividindo a mesma cabine.
O que lhe levava a questionar que, se àquele Saga fora tão atrevido a ponto de lhe beijar daquela maneira, porque iria agir como se nada houvesse acontecido depois, ou melhor, como ele poderia ter chegado na cabine antes de si e ainda ter caído num sono tão profundo?
Estranho, novamente aquilo não parecia fazer sentido, andava pensando muito nisso nesses últimos dias. Não reparara se havia alguma diferença no cosmo ou coisa do tipo, a única coisa que chamou a atenção foi à forma de agir.
Balançou a cabeça levemente para os lados, era melhor não pensar nesse momento, precisava manter sua mente focada apenas naquele sangue-suga filho da mãe.
Passara a vida toda convivendo com a idéia de que vinha de uma linhagem de caçadores, que simplesmente ria ante a perspectiva de encontrar com um vermezinho desses pelo caminho, mas agora a coisa era real. Eles existiam, não apenas em livros e contos de Bran Stoker.
Era mais do que apenas folclore, mais do que qualquer pessoa normal poderia acreditar.
-Você acredite em vampiros? –Jéssica perguntou, mais para si mesma do que para o cavaleiro.
-Como disse? –Saga perguntou voltando-se para ela, marcando a página que parara com um dos dedos antes de pousá-lo sobre o colo.
-Perguntei se você acredita em vampiros; ela repetiu, agora para ele.
-Claro que não, isso não passa de folclore; ele respondeu fitando-a como se estivesse olhando para um ET de cabeça verde que surgira na sua frente.
-Saga você me diverte; a jovem de melenas vermelhas falou, recostando-se no banco e dando um baixo suspiro.
Fitou-a confuso, não vendo nem ao menos um ameaço de sorriso, nem ao menos aqueles de escárnio ou petulante. Ela estava estranha.
-Jéssica; ele chamou cauteloso, deixando o livro sobre o banco e colocando a mão sobre o ombro da jovem.
Ainda não era noite, mas foi como se uma nuvem negra caísse dentro da carruagem, deixando ate mesmo sua visão nublada.
-É uma pena;
Antes que pudesse reagir sentiu as costas baterem com força contra o banco e uma mão fechar-se contra sua garganta. Sentiu o ar faltar nos pulmões quando duas chamas incandescentes acenderam-se dentro da carruagem completamente escura agora.
-É realmente uma pena;
Conseguia ouvir a voz dela como um sussurro enrouquecido, enquanto uma unha fina roçou todo o cumprimento da garganta, quando uma veia pulsou. Estremeceu ao sentir o corpo delgado roçar o seu quando ela sentou-se em seu colo.
Havia alguma coisa muito estranha ali...
-A inocência é uma coisa muito bonita Saga; ela falou fitando-lhe diretamente, sentindo-o estremecer e os orbes azuis tornarem-se ainda mais brilhantes pelo medo. –Você ainda é jovem e não viu metade das coisas que o mundo tem a oferecer;
-O que esta acontecendo, Jéssica? –ele perguntou com a voz tremula, mal conseguindo completar as palavras sem perder o fôlego entre uma e outra.
Uma atmosfera opressiva caiu sobre ambos, impedindo-o de tentar se mover. Engoliu em seco no momento que sentiu a respiração quente chocar-se contra a curva de seu pescoço e as unhas finas descerem até o peito, detendo-se apenas no inicio dos botões da camisa.
-Você não acredita em vampiros, não é? –ela indagou mais para si do que para ele. Era impossível ver o que estava acontecendo com toda aquela penumbra. E ele mal notara que as cortinas da carruagem não estavam fechadas.
Assentiu freneticamente...
-O que acharia se fosse mordido por um? –Jéssica indagou com um sorriso travesso nos lábios, antes de afrouxar a mão que o segurava pelo pescoço, ouvindo-o dar um suspiro aliviado, mas aquilo estava longe de acabar.
-Isso é insano; Saga murmurou, tentando se esquivar, mas logo viu-se ainda mais prensado entre o banco e ela.
Aquilo não era real, deveria ser parte de um pesadelo que ainda não havia acordado, essa era a única resposta; ele pensou.
-Muitos livros relatam mordidas de vampiros como algo surpreendente; a amazona sussurrou, causando-lhe um breve arrepio quando as unhas finas e afiadas roçaram-lhe um dos braços e os lábios deslizaram suavemente até a curva da orelha. –Como o momento do clímax, que vem de maneira arrebatadora quando se menos espera;
Não foi necessário mais nenhum adjetivo para lhe dar uma previa do que ela estava falando; ele pensou sentindo gotas grossas de suor desprenderem-se de sua face, indo cair ao longo da curva do pescoço, quando sua respiração tornou-se ainda mais pesada.
-Jéssica; ele falou num sussurro enrouquecido, segurando-a pelos braços, tentando afastá-la.
Não havia mais medo, porém outro sentimento ainda mais intenso brigava por espaço entre eles.
-A possibilidade de tocar o céu com apenas uma mordida; a jovem sussurrou, deixando os lábios correrem pela face dele, roçando-lhe os lábios em seguida.
Serrou os orbes instintivamente e com eles, as mãos que a seguravam fecharam-se ainda mais, aproximando-os em vez de afastá-los de vez.
-Sabe Saga, o que torna os vampiros tão fascinantes? –a pergunta foi feito com um 'Q' de inocência que simplesmente não condizia com todo aquele clima.
-Não; Saga respondeu com a voz mais grave do que esperava.
-O perigo... Eles são extremamente perigosos; Jéssica falou calmamente.
Ela estava brincando com seus sentidos, deixando-lhe entorpecido e privando-lhe da capacidade de pensar e ele simplesmente não via com que armas combater isso, ou pior, não estava nem um pouco disposto a lutar contra.
A respiração tornou-se entrecortada, os lábios estavam a milímetros de se tocarem, apenas um pequeno movimento e àquele martírio iria acabar, quando de repente as luzes voltaram a iluminar a carruagem e ao piscar, viu-a sentada confortavelmente no banco em frente a si.
Piscou novamente, tentando fazer seus olhos se acostumarem com a claridade e entender se havia simplesmente acordado de um sonho ou se tudo aquilo acontecera. Engoliu em seco, sentindo o corpo ainda reagir a tudo aquilo, desviou o olhar para a janela, sentindo a face levemente aquecida, enquanto segurava fortemente o livro em seu colo novamente.
-Os vampiros são sedutores Saga; Jéssica falou calmamente, enquanto voltava-se para ele.
Observou-a atentamente, as costas estavam relaxadas sobre o acento e as mãos, delicadamente pousadas sobre o colo, como uma verdadeira dama inglesa, mas a chama que queimava em seus olhos era intensa demais, para a imagem de camafeu que tinha a sua frente.
-Isso os torna ainda mais perigosos. Eles sentem cheiro de medo e viram isso ao próprio favor. Seduzem sem pudores e detonam seus sentidos, impedindo-o de pensar com clareza; ela explicou.
-Do que esta falando?
-O que vamos enfrentar em breve Saga, é um da pior das espécies. Aidan é o último descendente do clã Dracul, você já deve ter ouvido falar sobre Vlad, Aidan é sanguinário, perverso e muito cruel. Mas não deixa de ser um perigo, tanto para mulheres, quanto para homens, por isso é melhor tomar cuidado; ela avisou.
Antes que pudesse falar algo, sentiram a carruagem diminuir a velocidade e parar completamente, da janela pode ver uma estalagem na estrada. O cocheiro desceu, chamando-lhes a atenção.
-Não podemos seguir viajem, os cavalos estão cansados demais;
-Tudo bem; Saga falou, abrindo a porta e descendo.
Voltou seu olhar para dentro, vendo a jovem levantar-se e ajeitar de maneira impaciente o vestido pesado. Mais uma das recomendações de Shion, a de que parecessem um casal tradicional parado no tempo.
Estendeu-lhe a mão, vendo-a apoiar-se para descer, enquanto erguia parcialmente a barra do vestido, visivelmente aborrecida com o mesmo.
-A propósito; ela falou, chamando-lhe a atenção quando se afastou para ajudar o cocheiro retirar as malas do chochê.
-O que?
-É melhor tomar cuidado daqui para frente, sendo tão reativo, você ainda é uma presa fácil; ela avisou antes de seguir em frente, mal notando que a face do cavaleiro atingiu vários tons de vermelho em seguida.
.II.
Sentou-se na beira da cama, alongando os braços e as pernas, depois de uma semana no mar e dois dias andando a cavalo naquele lugar esquecido pelos deuses, precisava de descanso, mas não poderia se distrair, eles partiriam a qualquer momento e não poderia perdê-los de vista.
Levantou-se, aproximando-se da janela. A noite logo cairia, de onde estavam já conseguia ver um pouco a silhueta do castelo. Que ficava no alto das montanhas, mais um dia chegariam lá.
Abaixou seus olhos, vendo alguém caminhar em um pequeno jardim ao lado da propriedade, não era lá grande coisa, mas o cenário parecia perfeito; ele pensou com um fino sorriso nos lábios.
Há uma semana não dava as caras, depois daquele chute, ficara um dia inteiro sem conseguir se levantar direito e depois ainda tivera que agüentar o mal estar de ficar sentado. Aquela garota petulante iria pagar caro por aquilo; ele pensou com os orbes serrados, antes de trocar-se rapidamente e descer as escadas, tomando o devido cuidado para não encontrar ninguém no caminho.
-o-o-o-o-
Saiu pela porta lateral da estalagem, encontrou-a fitando o horizonte com um olhar vago, enquanto o sol escondia-se aos poucos entre as altas montanhas romenas. Os cabelos de tom avermelhando pareciam mais intensos banhados pelo sol vermelho.
Ela parecia alheia a tudo e todos, quando sentou-se em um banco naquele pequeno jardim. Não fazia a mínima idéia de onde o irmão estava, mas saberia se ele estivesse por perto. Aquela era a hora de se aproximar; ele pensou andando pelo caminho de seixos e parando as costas da jovem. Sabia que ela havia sentido sua presença, então, simplesmente sentou-se a seu lado.
-Em que esta pensando? –Kanon perguntou vendo a face da jovem antes tão calma contrair-se em aborrecimento e não pode deixar de sorrir com isso, um sorriso cínico e nada inocente.
-Isso não lhe diz respeito; ela respondeu num tom seco, tencionando se levantar, porém ele puxou-lhe pelo braço, impedindo-a de recuar, acabando por ter a cintura enlaçada pelos braços deles.
-Será que não existe um momento que você deixe de ser petulante? –foi a vez dele perguntar num tom aborrecido.
-Quem sabe, acho que naqueles momentos que não tenho que te aturar; ela rebateu ferida, tentando se soltar, porém perdeu o fôlego quando os braços dele se apertaram ainda mais em torno de si.
Soltou a respiração pesadamente, enquanto sem ter como evitar seu corpo relaxou. Sentiu a respiração quente dele chocando-se suavemente contra a lateral de sua face, enquanto ele apoiava o queixo sobre seu ombro.
-Prefiro você muito mais em silêncio; o cavaleiro sussurrou, fazendo-a serrar os orbes instintivamente diante do tom embriagante da voz dele.
-Oras...;
-Xiiiiiiiii; ele falou erguendo uma das mãos e apontando algo logo a frente deles.
Acompanhou-lhe o olhar, vendo uma fina linha vermelha perdendo-se no horizonte enquanto o sol era preenchido por magenta e logo, tornar-se-ia carmesim.
-Em vez de ficar reclamando deveria prestar atenção naquilo que realmente vale a pena; o geminiano falou.
Entreabriu os lábios para rebater, mas aquietou-se sem ter argumentos. Pelo menos nisso tinha que concordar com ele.
Poderia dizer que estavam quites, não sentira-se nada bem por deixá-lo numa situação constrangedora na carruagem, mas era melhor que ele soubesse através de si o que iriam enfrentar do que caiar na lábia de alguma 'vampiranha' que encontrassem pelo caminho, o que certamente iria acontecer mais hora menos hora.
Mas num ponto mentira descaradamente, estavam até que se dando bem nos últimos dias, isso é, quando a personalidade petulante não vinha a tona como agora. Não conseguia entender porque se armara contra ele apenas ao senti-lo se aproximar, era estranho.
Alem do mais, mesmo que não seguisse os mesmos padrões das amazonas do santuário, ainda não se sentia bem numa situação tecnicamente tão intima quanto aquela, precisava sair logo dali, antes que o pouco de auto-controle que tinha fosse colocado a prova.
-Eu preciso ir; Jéssica murmurou, tentando se afastar.
-Porque a pressa? O jantar ainda vai demorar a ser servido; Kanon falou, estreitando os braços em sua cintura, fazendo-a aquietar-se mesmo contra a vontade. –Alem do mais, gostaria de lhe perguntar uma coisa; ele começou.
-O que? –Jéssica perguntou, contendo um breve estremecimento. Estar ali, sentada naquele banco, praticamente colada a ele, era um teste de resistência cruel. Tudo bem, merecia isso depois do que fizera, mas fora por uma boa causa; ela pensou quase em desespero.
-Quando você acabou com aquele idiota na arena, como foi que fez aquilo? –Kanon perguntou.
Ainda estava intrigado com o que vira, fora tudo tão rápido, viu apenas a nuvem negra e momentos depois, Lucien caia morto, na época não teve tempo de ir atrás dela e perguntar. Era uma técnica diferente das que aprendera com Eraen e das que vira outros cavaleiros usarem nos primeiros dias do santuário.
Aquela garota era diferente das demais amazonas, não apenas por não usar mascara, mas porque não era nada do que parecia. Ainda lembrava-se da surra que a vira dar no irmão na casa de Gêmeos. As técnicas eram sempre precisas e mesmo estando em evidencia um ataque, ela conseguia pegar o oponente de surpresa.
Tê-la como inimiga era extremamente perigoso e igualmente excitante...
-São técnicas que estão na família há anos; Jéssica respondeu, dando um baixo suspiro. –E que começaram com Gabriel;
-Como? –ele perguntou curioso.
-O primeiro caçador; ela explicou. –O nome apenas mudou com o tempo, mas a família continua sendo a mesma; a jovem respondeu com os orbes perdendo-se ao longe. –Com a mesma missão, que não se pode, simplesmente chutar tudo e escolher outro caminho. Alguém precisava fazer o trabalho sujo;
-Você não parece aprovar isso; ele murmurou, pensativo. Enquanto uma das mãos corria de maneira suave pelo braço da jovem, distraindo-a.
Não sabia ao certo porque estavam tendo aquela conversa, sendo que suas intenções iniciais eram bem diferentes. Entretanto em algum momento entre sentar-se ali e tê-la entre seus braços, mudou as coisas. Que a idéia de apenas conversarem, não parecia tão ridícula quanto seu lado 'cretino' queria que fosse.
-Por mim, eu estaria viajando pelo mundo, estudando artes plásticas, ou fazendo qualquer outra coisa que não, viver nesse inferno; ela respondeu dando um pesado suspiro e aconchegando-se entre os braços dele inconscientemente.
Havia um "Q"de melancolia ali que não havia notado antes, era estranho ver aquela garotas petulante do primeiro dia de viajem desarmar-se dessa forma, se bem que; franziu o cenho instintivamente. Não sabia o que ela e o irmão andaram conversando, para ela não estar tão na ofensiva como agora. Entretanto, não sabia ao certo o porque isso não lhe agradava nem um pouco.
Não fora nada fácil imaginar aqueles dois a semana toda confinados a noite naquela cabine quase microscópica que Shion lhes arrumara e a historia do 'casal' feliz também estava lhe tirando o sono, mas preferia ignorar completamente os motivos que lhe levavam a isso.
-Jessie; Kanon chamou ao notar que ela parara de falar.
Não houve resposta, inclinou-se um pouco para frente, vendo-a com as pálpebras cerradas, havia dormido; ele pensou surpreso. A noite já estava se tornando fria, haviam lhe avisado que era melhor andar com roupas de frio na bagagem, porque a temperatura caia radicalmente nos picos romenos, mas não pensou que justamente no segundo dia aquilo fosse acontecer.
Suspirou pesadamente, era melhor resolver aquilo logo, ela não podia ficar ali fora e nem podia deixá-la ali esperando que o irmão viesse procurá-la e a levasse de volta. Balançou a cabeça levemente para os lados, precisava ser cauteloso, mas havia uma forma de não ser visto; ele pensou dando um fino sorriso, antes de suspende-la do chão e envolvê-la entre os braços.
.III.
A água fria parecia um balsamo para seus nervos, mergulhou novamente na tina, tentando acomodar-se melhor. A amazona saira para dar uma volta e 'reconhecer' a área, então estava sozinho para tentar exorcizar os últimos pensamentos.
Quem sabe todos aqueles dias no mar, com os nervos a flor da pele houvessem causado aquela reação tão rápida as investidas dela, mesmo que não fossem propositais, bem... Não da forma com que seu cérebro havia assimilado a informação.
Estavam em missão pelo santuário, não era como se fossem realmente um casal de recém casados curtindo a lua de mel; Saga pensou e justamente essa frase, vinha repetindo a si mesmo na última semana, para simplesmente conter os ímpetos de se jogar ao mar por contra própria.
Vê-la apenas como a garota petulante que lhe irritava era uma coisa, mas ver uma garota completamente diferente naqueles dias, tornara suas noites o mais completo caos.
Nunca pensou que em poucas conversas que tivessem, pudessem descobrir algumas coisas em comum que geravam longas conversas, tanto a noite quanto de dia, mas o que aconteceu naquela carruagem lhe surpreendeu.
Não estava psicologicamente preparado para o susto que levou, ainda não entendia como ela conseguia manipular as sombras daquela forma, era muito parecido com o golpe que usara contra Lucien, mas as intenções eram bem diferentes; ele pensou sentindo um arrepio correr pelo meio das costas até o ventre.
Ela estava apenas avisando para que tomasse cuidado; Saga falou a si mesmo, enquanto passava as mãos nervosamente pelos cabelos. Era só um aviso, apenas um aviso, alias, um aviso amigável; ele tentou se convencer.
-Maldição; o cavaleiro praguejou, antes de sair da tina, envolvendo uma toalha branca em torno da cintura, antes de secar os cabelos que escorriam pelas costas.
Como se fosse fácil só ficar repetindo aquilo e tirar tudo de sua mente, mas não... Não era. O pior é que tinha um mau pressentimento quanto a tudo isso. Não a missão em si, mas algo em seu subconsciente não lhe dava sossego.
Havia um cosmo que sentira ao lago da viajem toda, era como se alguém estivesse ocultando o cosmo ao mesmo tempo que, queria que soubesse que estava ali.
Jéssica parecia não ter notado, ou não falou nada sobre isso.
Abriu a porta do banheiro anexo com o quarto, deixara as roupas em cima da cama, alias, esse era mais um dos problemas, só que resolveria depois. Certamente iria para o chão, já que havia apenas uma para o 'casal'.
Mal deixou o banheiro, estancou ao ver as janelas abertas. Olhou para todos os lados, buscando por algum intruso, mas surpreendeu-se apenas ao ver a jovem de melenas vermelhas deitada na cama, completamente adormecida.
Imaginava que ela estava casada, uma semana dormindo naquele moquifo de cabine era um inferno, ainda mais depois de bater as costas contra a armação de ferro da esteira. Poderia jurar que ela não se recuperara completamente e aqueles dois dias de viajem em uma carruagem que mais sacolejava do que andava, devem tê-la deixado no limite.
Pegou as roupas na mala sobre uma cadeira e voltou ao banheiro para se trocar. Talvez fosse melhor acordá-la depois para jantar; ele pensou saindo pouco tempo depois.
-o-o-o-o-o-o-
Tudo estava praticamente pronto, logo seus planos iriam se concretizar. Bianca fizera tudo como queria e os convites já haviam sido mandados. Sua pequena armadilha estava armada.
-Meu lorde; um rapaz falou aproximando-se da sacada onde Aidan observava todos os seus sentinelas rondando o castelo, assim que a noite caira.
-Sim!
-Não encontramos ninguém como, milorde disse; o rapaz falou. –Ninguém com o nome Van Helsing desembarcou nos portos ou alugou chochês nas duas últimas semanas;
-Uhn! Ela deve estar em algum lugar; Aidan murmurou pensativo. –Eu sei que ela esta perto;
-Quer que continuemos a investigar?
-Não! Não será necessário, amanhã vou resolver isso; ele avisou.
-Como quiser, com licença; o rapaz falou afastando-se rapidamente e cumprimentando a jovem de melenas loiras no caminho.
-Você parece pensativo; Bianca comentou, aproximando-se até parar ao lado dele.
-Amanhã tudo estará terminando; Aidan falou.
-Uhn! Teremos paz finalmente; ela falou sorrindo ao se recostar no alpendre de mármore. –Não vejo a hora de você acabar com aquela idiota dos Van Helsing;
-Você não é a única; Aidan murmurou, fitando o mar negro de nuvens que estendia-se ao longo das torres do castelo. –Quando acabar com ela, teremos tudo que quisermos; ele falou voltando-se para Bianca com um sorriso cheio de segundas intenções.
-Se você diz; Bianca falou dando de ombros quando ele se aproximou, colocando ambas as mãos sobre o alpendre, impedindo-a de se esquivar. –Já tenho tudo que quero, com ela morta ou não;
-Ah é? –ele falou, arqueando levemente a sobrancelha.
-E não? –Bianca respondeu, de maneira insinuante. Umedecendo os lábios com a ponta da língua, sem desviar os orbes dele.
-Tudo depende da perspectiva; o vampiro respondeu antes de tomar-lhe os lábios num beijo intenso. - Mas amanhã, a armadura vai ser completamente minha; ele sussurrou entre seus lábios.
Todo o castelo estava preparado para qualquer eventualidade, todos os seus 'compatriotas' que esperavam pela chance de libertação estariam presentes para aquela desforra. Sem mais caçadores, sem mais represálias. Sem mais Van Helsing.
Iriam reescrever a história sem os caçadores, aqueles malditos que lhes perseguiram por séculos e ainda os faziam. Irmãos de todos os cantos do país estariam ali, apenas esperando o momento certo para começarem o banquete.
Continua...
