BLOOD LUST
BY DAMA 9
Nota: Os personagens de Saint Seya não me pertencem, apenas Aidan e Jéssica são criações únicas e exclusivas minhas para essa saga.
Boa Leitura!
Capitulo 8: O Laço que nos une.
.I.
Distraidamente brincava com a taça de cristal entre os dedos. A armadura prateada a sua frente parecia ainda mais brilhante do que antes. Não se lembrava de tê-la visto daquela forma antes.
Suspirou pesadamente, levando a taça aos lábios, seus ouvidos sensíveis captaram o tilintar suave da prata. A energia emanada por ela era muito poderosa e o impedia de se concentrar em qualquer outra coisa.
Aquela armadura lhe pertencia, era sua por direito, mas como um gato selvagem, negava-se a se render. Seu olhar endureceu ao ver uma delicada e aparentemente frágil barreira luminosa em volta dela. A armadura criara uma barreira para lhe afastar e que se tornava ainda mais forte a cada segundo.
Havia conseguido tira-la da fortaleza de Arshet, mas não fora uma vitória completa.
-Meu lorde! –uma voz lhe chamou, tirando-lhe a atenção da armadura, por breves segundos teve a impressão de vê-la ficar vermelha, talvez fosse um sinal de que o último caçador estivesse por perto.
-Sim!
-Como ordenou os convites já foram enviados, para todos da região também; um rapaz de melenas castanhas falou, mantendo os orbes baixos em sinal de submissão.
-Ótimo; Aidan murmurou.
Seus planos estavam começando a ser executados e tudo daria certo, como ele queria.
-Já soube se Van Helsing esta aqui?
-Não senhor, mas estamos averiguando todas as casas da região, procurando por algo suspeito; o rapaz falou. –Se ele estiver aqui, vamos encontrá-lo;
-É o mínimo que eu espero; Aidan respondeu acenando para que ele se retirasse.
Conteve um suspiro de irritação, quando estivera em Arshet, seguira apenas seus instintos que lhe mandavam buscar a armadura, fora muito fácil encontrar a fortaleza desprotegida e quase vazia. Com facilidade pegou a armadura e a trouxe consigo de volta a Romênia, seu lar por direito, mas não sabia nada sobre o novo caçador, alem é claro, dele ser um descendente de Gabriel.
Aquele bastardo que tirara sua vitória e a dos seus, mas graças a uma ajuda do destino estava de volta para remediar isso, só que, iria aproveitar o baile de mascaras que ocorreria dali a duas noites, para ver o quanto seus poderes exerciam influencias, entre aqueles pobres mortais; ele pensou, com um fino sorriso nos lábios.
.II.
No começo da noite, dormira pessimamente. Bem, se pudesse considerar aquilo por dormir. Ter ciência da presença daquele Deus Grego as suas costas era um verdadeiro martírio, mas conseguiu relaxar depois que ouviu-o se levantar e seguir para o banheiro.
Não sabia quanto tempo ele demorou lá, mas adormeceu alguns segundos depois. Agora estava imersa em um sonho bom e tranqüilo, embalada pelo calor de braços fortes que rodeavam sua cintura. Não sabia em que parte da noite aquele sonho letárgico começara, mas definitivamente não queria que a luz da manhã viesse a interromper algo tão agradável.
Fazia tanto tempo que não descansava assim, livre de preocupações, ou se sentindo tão protegida; ela pensou um pouco confusa.
Abriu os olhos, vendo que o quarto ainda estava na mais completa escuridão, embora tivesse certeza de que não faltava muito para amanhecer.
Deu um baixo suspiro, continuar ali seria tão bom, mas tinha de sondar o terreno e dar uma olhada nas coisas. Haviam decidido ficar ali mais um dia, antes de seguirem viajem, então esse era o tempo de que precisava para planejar seus próximos passos.
Virou-se para o lado, ameaçando a se levantar, quando braços fortes estreitaram-se em sua cintura, puxando-a novamente para o meio da cama. Sentiu imediatamente um frio no estomago e os sentidos ficaram alerta.
-Bom dia, aguape mou;
Aquele timbre de voz reverberou em seus ouvidos, foi o suficiente para fazê-la estremecer e se debater. Pura e instintivamente.
-Calma, pensei que depois de todos esses dias, você já tivesse se acostumado comigo, kiria;
-Como? –Jéssica indagou, desvencilhando-se dos braços dele e saltando da cama.
Encontrou o cavaleiro vestido para sair, ainda deitado displicente sobre os lençóis, como se estivesse lhe esperando acordar, mas definitivamente aquele não era o Saga que dormira a seu lado na noite anterior.
-Oras, Jéssica, não seja inocente; Kanon falou levantando-se e vendo-a recuar um passo para longe.
Droga! Poderia acabar se delatando, mas no momento a única coisa que queria era uma desforra pelo que havia acontecido. Ou pelo menos algo que aplacasse aquela vontade de matar o irmão com as próprias mãos.
Arqueou a sobrancelha, vendo-o se aproximar ainda mais. Algo lhe dizia que tinha alguma coisa muito errada acontecendo ali.
-Você bateu com a cabeça, ou algo do gênero? –ela indagou irônica.
-Talvez; ele resmungou.
Mas a verdade é que não fora nada agradável a situação que presenciara. Estava em seu quarto no momento que sentiu Saga se afastar e aproveitou para dar uma espiada no visinho. Não entendeu ao certo o porque do irmão estar deixando o local antes do sol nascer, mas tinha a leve impressão de que ele tivera a mesma intenção que si, checar o terreno antes de partirem.
Então, soube que ele iria demorar o necessário para não se encontrarem pelo caminho.
Fazendo-se passar pelo irmão, não foi difícil entrar no cômodo e encontrá-la ali, dormindo tranqüilamente, o que lhe deixou verdadeiramente aborrecido. Porque ela só conseguira isso se já estivesse completamente a vontade na presença do irmão, o que lhe fez lembrar-se de como ela reagira a si, mais cedo, quando acabara pegando no sono entre seus braços.
Aproximou-se sorrateiro ouvindo o baixo ressonar, não pretendia ficar muito tempo, mas a idéia dela acordar em seus braços foi mais tentadora e venceu a batalha contra sua razão. Com cautela, para não acordá-la, deitou-se a seu lado, puxando-a para seus braços.
Mas sua raiva e frustração chegaram a extremos quando ouviu-a suspirar o nome do irmão e aconchegar-se entre seus braços, continuando a dormir.
Aquele ordinário, enquanto todo mundo pensava que ele era um santo, ele ficava seduzindo jovenzinhas inocentes, entre quatro paredes, quando ninguém estava vendo; Kanon pensou colérico, porém, como não podia descontar sua raiva no irmão, iria esperá-la acordar e ter sua desforra pelas noites mal dormidas que vinha tendo, desde que aquela atrevida apareceu em sua vida.
-É melhor tomar um banho gelado e começar a usar a cabeça, se é que você sabe como fazer isso; Jéssica falou sarcástica. –Você não esta falando coisa com coisa, Saga!
Parou por um momento, sentindo a raiva desvanecer. Ela não tinha como saber quem era quem, afinal, só conhecia o irmão. Droga! Estava agindo como um completo idiota.
-Olha, isso não é nada pessoal, mas você já pensou em arrumar ajuda profissional? –a jovem indagou com ar preocupado, vendo-o relaxar os músculos dos ombros e tornar-se menos ameaçador.
Mal o reconhecera a pouco e ainda sentia o coração bater na garganta pelo susto que levara. Céus, será que pelo menos um dia no meio daquela viajem louca, iria conseguir dormir com tranqüilidade?
-Como?
-Você sabe? Para essas mudanças de humor; Jéssica continuou cautelosa. –Às vezes eu mal lhe reconheço, para até outra pessoa; ela completou.
-Não; Kanon respondeu com a voz tremula, ela não podia saber a diferença? Ou poderia? –ele pensou preocupado.
Viu-a calmamente sentar-se na beira da cama e dar um tapinha a seu lado, chamando-lhe para lhe acompanhar.
-Eu estive pensando; Jéssica começou adquirindo um ar calmo agora. –Compreendo que essa viagem esteja te deixando com os nervos a flor da pele e eu também ajudei em parte nesse desastre, mas é que você é cético demais; ela falou gesticulando levemente. –Eu não queria ter pegado tão pesado, alias, lhe devo desculpas por isso, mas o que você queria? Convenhamos, antes eu do que um daqueles; ela resmungou fazendo um sinalzinho de dentes com a ponta dos dedos.
-Ahn! Jéssica, do que esta falando? –ele indagou completamente confuso.
-Vai me dizer que você sofre de perda de memória recente agora? –a amazona indagou, arqueando a sobrancelha. –Carruagem, sabe? –ela continuou, esperando algum olhar de compreensão. –Você esta passando bem?
-Estou; Kanon respondeu recuperando a confiança de antes, era melhor não pensar no que exatamente ela estava se referindo, se não à vontade de matar o irmão seria ainda maior.
-Mas mudando de assunto, acho que deveria falar com ele quando voltar. Vocês homens com essa mania de orgulho excessivo, não faz bem a saúde; Jéssica continuou, com ar pensativo. –Bem, não sou o melhor exemplo de pessoa comunicativa, alias, eu já falei pra você, que prefiro escrever e ler, ao ter de falar. Mas ele é seu irmão e-...;
-O que disse? –o cavaleiro a interrompeu, engolindo em seco, o que Saga andara falando para ela sobre si? Será que isso justificava o favo da jovem saber de sua estadia ali ou da troca que vinha fazendo com o irmão.
-Você falou que estava preocupado com seu irmão, porque já faz tempo que não o via, ou já se esqueceu disso também? –Jéssica indagou, arqueando a sobrancelha.
-Ah! Sim, Kanon... Realmente faz mesmo, bastante tempo que não nos vemos;
-Uhn! Então o nome do seu irmão é Kanon; ela falou, chamando-lhe a atenção para esse detalhe.
Saga contara que tinha um irmão, mas não contara a ela seu nome. Ou ela fingia muito bem, ou realmente não sabia que o "irmão" era gêmeo. Mas precisava saber.
-Alem do mais, muitas coisas mudaram entre nós quando nossa mestra decidiu que somente um dos gêmeos iria ficar com a armadura; ele falou vendo a expressão antes calma da jovem tornar-se surpresa.
-Gêmeos? –Jéssica indagou vendo-o assentir com um olhar indecifrável. –Então existem dois de você? –ela murmurou mais para si do que para ele.
Que coincidência, isso porque ontem mesmo estavam falando sobre o assunto e Saga pareceu bastante interessado. Ainda se lembrava da semana que passaram enclausurados dentro do navio, onde passaram um bom tempo conversando e o cavaleiro lhe contara sobre o fato de ter um irmão, com quem não se dava lá muito bem.
Mas Saga nunca dissera que eram gêmeos, o fato de ser geminiano, não queria dizer nada. Mesmo porque, não tinha como adivinhar que ele era duplamente gêmeo, tanto no signo quanto na vida.
-É, duas metades; Kanon falou observando-lhe atentamente.
Como queria poder ler pensamentos e saber o que aqueles orbes castanhos, quase negros transmitiam. Entretanto sua preocupação agora era o risco que se colocara e a possibilidade dela descobrir a troca.
-Uma boa e outra ruim; ele completou chamando-lhe a atenção.
-Discordo completamente, mas não vou perder tempo repetindo tudo de novo, eu espero sua memória voltar para puxar sua orelha depois; a amazona falou levantando-se. –Já que acordei e não vou voltar a dormir mesmo, é melhor tomar um banho e descer, ver como estão as coisas; ela falou.
-Uhn! É um convite? –Kanon indagou num sussurrou rouco em seu ouvido, fazendo-a estremecer e esquivar-se dele.
-Não! Por isso, não se atreva a chegar perto daquela porta; ela avisou com os orbes serrados antes de entrar no cômodo anexo e bater a porta, certificando-se de trancá-la em seguida.
Observou longamente a porta fechada. O que ela queria dizer com aquilo? Será que ela conversara com o irmão sobre irmãos gêmeos na noite anterior. Bem, infelizmente não iria saber nunca, já que jamais perguntaria isso a Saga, muito menos daria a entender para ela, que não sabia do que ela estava falando.
Mas algo lhe intrigava, ela não parecera nada contente com sua última colocação sobre gêmeos e encerrara a conversa de forma brusca. Talvez isso fosse um ponto positivo, ou não? Mais uma incógnita naquela história.
Agora o que será que acontecera na carruagem, para ela admitir que havia pegado pesado demais? Uhn! Algo lhe dizia que não iria gostar de saber.
Levantou-se e rapidamente deu um jeito de sair dali, antes que ela voltasse. Era melhor não se arriscar mais, por hora, iria manter-se alerta e esperar uma outra oportunidade de descobrir mais sobre aquela jovem tão arredia.
.III.
Deixou-se afundar na banheira de água quente, embora aquela pousada ficasse numa das vilas mais antigas da Trâsilvania, ela tinha sutis requintes de modernidade, como água encanada e quente. Uma maravilha depois de um inicio de dia tão tenso; ela pensou suspirando.
Prendeu os cabelos num coque no alto da cabeça e serrando os orbes, recostou-se no beiral de cerâmica. Seus pensamentos voaram para longe e sem que percebesse acabou adormecendo ali, por quanto tempo, não sabia.
Abriu os olhos e viu-se diante de um corredor, olhou para todos os lados, surpresa. Tinha certeza de que deixara o quarto em direção ao banheiro e que até entrara na banheira, mas estava em um local completamente diferente.
Tateou as paredes frias e úmidas, em busca de apoio e de uma forma de guiar-se. Ouviu som de passos e apressou-se a andar. Não sabia onde estava e não podia encontrar com nenhum estranho no caminho.
Eles vinham da direção oposta e se afastavam cada vez mais, deixou-se guiar por isso e seguiu ao longo do corredor, uma luz acendeu-se no final de uma curva, aproximou-se a passos cautelosos e logo viu-se diante de uma imensa sala, parcamente iluminada por velas vermelhas, sobre castiçais dourados.
Deixou os orbes correrem para todos os lados, tentando se localizar, não era nenhum lugar que já estivesse estado antes, mas reconhecia como parte de um imenso castelo. Estranho, como fora parar ali?
-E então, alguma noticia?
Virou-se rapidamente na direção da voz e surpreendeu-se ao ver uma figura oculta pelas sombras num conto da sala. Sentado sobre o trono, Aidan brincava distraidamente com uma taça semicheia nas mãos.
Os orbes carmesim estavam perdidos sobre as chamas vermelhas das velhas, alheio ao que estava acontecendo.
-Ainda não, meu lorde; ouviu a resposta e ao se virar encontrou um rapaz, pouco mais jovem do que si talvez, se aproximar com uma pasta nas mãos. –Mas encontrei algo que pode lhe interessar;
-Se não for nada de Van Helsing, não quero saber; Aidan reclamou.
-Apenas olhe, meu lorde; o rapaz falou entregando-lhe a pasta. –Nosso agentes não encontraram nenhum registro sobre a chegada de Van Helsing ao país, mas soubéssemos que com essa temporada de festivais nos vilarejos, muitos turistas tem chegado até aqui; ele explicou e quando Aidan abriu a pasta, ele indicou-lhe algo com a ponta dos dedos.
Aproximou-se cautelosa, sem saber se poderia ser vista ou não. Viu os orbes carmesim do vampiro antes inexpressivos, enegreceram.
-É um casal de recém casados que vieram passar a lua de mel aqui; o rapaz explicou. –Achei que pudesse lhe interessar, meu lorde, principalmente por saber de sua preferência; ele completou com um sorriso malicioso.
-Interessante; Aidan murmurou pensativo, retirando de dentro da pasta, uma foto de Polaroid e observando-a de perto.
Aproximou-se cautelosa, dando a volta no trono e por sobre o ombro dele, tentou ver a foto, mas sentiu o chão sumir de baixo de seus pés ao reconhecer o casal que estava retratado ali.
Céus! De onde viera essa foto? –ela pensou preocupada. Ergueu-se na ponta dos pés e conseguiu ver que a pasta continha fotos de outras pessoas, mas Aidan parecia ignorá-las e isso não era um bom sinal.
-Se livre do resto, vou ficar com essa; o vampiro avisou, jogando a pasta de volta as mãos do outro.
–Mas meu lorde, ainda t-...;
-Suma daqui; ele o cortou, fazendo um gesto brusco com a mão dispensando-o.
-Como quiser; Sthephen falou despedindo-se e deixando-o sozinho.
Lembrava-se de ao desembarcarem, um fotografo amador insistir em tirar fotos de todos que desciam, como parte do teatro, não viram problema algum em posar para uma foto, mas pelo visto, antes que tivessem a foto em mãos, o bastardo havia tirado cópias do filme e sem duvidas devia ser algum agente de Aidan.
Ele não iria correr o risco de ser pego desprevenido apenas por ser dia; Jéssica pensou preocupada. Agora como iria sair dali sem ser vista e como ele não lhe vira até agora?
-Que coincidência; Aidan falou chamando-lhe a atenção. –Seus cabelos são tão vermelhos quanto os dela; ele murmurou tocando a foto com a ponta dos dedos.
Observou-o fitar com atenção a imagem dela e de Saga retratadas ali, até que a unha fina e pontiaguda de Aidan deteve-se sobre o pescoço de Saga e o pressionou.
-Você sempre soube escolher suas mulheres Van Helsing, Kara também era linda, mas você teve de me tirar tudo, não se contentou apenas com a armadura; ele falou com um olhar sombrio, destruindo metade da foto, onde encontrava-se o geminiano. –Mas isso não vai acontecer de novo;
Ouviu pancadas fortes na madeira e algo estourar, abriu os olhos no momento que tentou levantar e seu pé escorregou na água e afundou em seguida.
-Sua louca; Saga berrou, entrando correndo e puxando-a para cima.
Tossiu, sentindo a água penetrar em seu nariz, deixando um caminho de braças aonde passava. Ofegou enquanto as palavras que ele gritava soavam distorcidas.
-Quer se matar é?
-Cale a boca Saga, não sou surda; Jéssica rebateu, cobrindo-se rapidamente ao lembrar-se de onde estava.
Metade da água havia caído para fora da banheira, tornando o chão escorregadio. A porta estava destruída, enquanto o trinco pendia ainda, semi pendurado no que restara.
Enrolou-se na toalha que havia pendurado na borda da banheira e fuzilou-o com o olhar. Sentindo a cabeça latejar pelo susto e pela pressão.
-Que idéia foi essa? –ela indagou colocando-se em pé, tomando cuidado para não escorregar e cair dentro da banheira de novo.
-Eu é que pergunto, chamei por você e você não respondeu; Saga respondeu irritado. –Se queria se matar, falasse de uma vez, eu arrumava a corda;
-Há, há, há; a amazona falou sarcástica, empurrando-o da sua frente, para poder sair da banheira. –Guarde-a para si mesmo, eu apenas dormir e não ouvi quando você chamou; ela continuou, sentindo a cabeça latejar.
Fora só um sonho, mas parecia tudo tão real e a última parte, antes de ser interrompida pelas batidas na porta; ela pensou levando uma das mãos a cabeça, quando a visão turvou-se.
-Está se sentindo bem? –Saga perguntou preocupado, segurando-a pelos ombros quando a viu cambalear.
Os cabelos vermelhos caiam pelas costas formando fartos cachos e mesmo que fosse um santo, não era um cego, incapacitado de ver as curvas que a toalha parcamente cobria, mesmo que aquele não fosse o momento adequado para reparar nelas; ele pensou engolindo em seco.
Puxou de maneira desajeitada um roupão que estava pendurado próximo à porta e colocou sobre os ombros da jovem rapidamente, cobrindo-a melhor, pelo bem de sua sanidade.
-Não sei; Jéssica murmurou.
-Sinto que você esta perto... Não poderá fugir de mim por mais tempo Van Helsing! – a voz de Aidan ecoou em sua mente.
Os orbes castanhos perderam o foco por alguns segundos, sentia a vibração da armadura, como se em compasso com seu próprio coração.
Pensou em recuar, mas uma força maior lhe prendeu ao chão, os orbes carmesim do vampiro lhe fitaram, como se pudessem ir até o fundo de sua alma e voltar.
O coração disparou uma batida, estremeceu quando viu-o erguer a mão, como se para lhe tocar, mas era a armadura que estava diante dele. entretanto, sentiu os dedos frios roçarem sua pele mesmo assim.
-Não falta muito para nos encontramos agora; Aidan sussurrou. –Parece que o destino conspira para nos colocar frente a frente novamente;
O barulho de uma porta batendo o fez se afastar, o encanto se quebrou.
Fechou os olhos, no momento que tudo ficou escuro e não sentiu mais nada.
-Jéssica; Saga chamou, pegando-a antes que ela escorregasse.
Segurou-a entre os braços, vendo a face da jovem totalmente pálida. Suspendeu-a do chão e colocou-a cuidadosamente sobre a cama. Não sabia o que estava acontecendo, mas isso não era nada bom; ele pensou preocupado.
Afastou-se e saindo no corredor, chamou um dos serventes da pousada, pediu que chamassem um médico rápido, antes de voltar para dentro, mal notando a porta ao lado abrir-se ao mesmo tempo em que a sua, se fechava.
-o-o-o-o-
Médico! O que raios estava acontecendo? Não fazia nem dez minutos que havia saído de lá e já acontecia alguma coisa. Pelos deuses, o que era? Detestava essa sensação de imponência.
Saga parecia bem, então se algo acontecera era com-...; Ele parou, dando um soco na parede, mal sentindo a dor sob os dedos que estralaram.
Se continuasse assim não conseguira saber o que aconteceu, agora só lhe restava esperar e torcer para que o inútil do irmão não fizesse nenhuma besteira, porque nesse momento era obrigado a admitir que o irmão quando perdia a calma, pelo que quer que fosse, era imprevisível.
.IV.
Afastou-se da armadura lançando um olhar envenenado ao recém chegado. Por um momento pode sentir aquela presença mais perto, não fora por muito tempo, quando Sthephen lhe trouxe o relatório pode senti-la a seu lado.
A armadura começou a cantar mais alto, como se dissesse que ele estava ali, olhou para todos os lados, não havia vestígios de ninguém alem dele e de seus criados, mas podia jurar que não fora sua imaginação.
-Meu lorde; Christine falou aproximando-se dele com um sorriso dengoso.
-Estou ocupado agora, se quer alguma coisa peça a Sthephen; Aidan falou seco.
-Infelizmente não é nada que ele seja capaz de dar; ela falou com um sorriso malicioso.
Em outros tempos não teria pensado duas vezes em responder aquela provocação, mas agora sentia-se frustrado. Se ela não houvesse chegado, conseguira através da armadura ver bem de perto seu inimigo.
O vampiro prateado era uma faca de dois gumes, pois possuía um lado que servia a humanos, mas sua essência sombria sempre estaria ali. Graças a ela, possuía aquela ligação com Van Helsing.
Quando mais alto ela cantasse, mais perto ele estaria. Duvidava muito que os outros fossem capazes de ouvi-la; ele pensou voltando-se para a jovem de melenas loiras.
Franziu o cenho, deixando os orbes correrem de alto a baixo, numa silenciosa avaliação. Sthephen estava certo ao lembrá-lo de que Christine definitivamente não era a pessoa certa para estar a seu lado no último 'ato'.
Ela era loura de mais, humana demais...; Ele pensou desgostoso. Jamais poderia substituir Kara. Jamais!
-Então é uma pena, ele é o único disponível no momento; Aidan retrucou, dando-lhe as costas enquanto voltava-se para a armadura.
-Aconteceu alguma coisa? –ela perguntou cautelosa, surpreendendo-se com a rejeição imediata, não gostando nada nada disso.
-Nada que eu não possa resolver; ele falou fitando a armadura atentamente.
Pelo menos agora tinha um rosto para buscar, não sabia porque, mas seus instintos lhe diziam que só poderia ser ele o caçador e ela... Bem, seria um premio extra, quando acabasse de uma vez por todas com aquele bastardo e tivesse a armadura só para si.
Ela não era como Christine, apenas pela foto pode perceber. O olhar imponente, o queixo empinado em tom de desafio e a forma como posara para a foto lhe diziam que era uma mulher que joga sob as próprias regras. E se tinha alguém perfeita para ficar a seu lado quando seu poder se expandisse não apenas naquelas terras, mas por todo o mundo, seria ela.
Logo seus pequenos anjos da noite não iriam mais precisar temer o dia e ele, caminharia livre em qualquer tempo, dizimando qualquer um que entrasse em seu caminho, mas ao lado de uma rainha com igual poder ao seu.
Mas agora, precisava se livrar de Christine, ela poderia se tornar um verdadeiro aborrecimento; ele pensou ignorando o olhar de expectativa da jovem, que esperava que ele dissesse o que estava acontecendo.
No momento nada, mas em breve ela saberia por conta própria...
Continua...
