BLOOD LUST
BY DAMA 9
Nota: Os personagens de Saint Seya não me pertencem, apenas Aidan e Jéssica são criações únicas e exclusivas minhas para essa saga.
Boa Leitura!
Capitulo 9: O outro lado da moeda.
.:A Historia Dentro da Historia:.
Romênia/ Há muitos anos atrás...
Viu as casas de palha e sapé ao longo do caminho, fazia tantos anos que não andava por aquelas estradas. Bem, fazia também muitos anos que já não era mais o mesmo.
Os sorrisos e risos infantis ainda ecoavam em sua mente, suspirou seguindo em direção ao rio. Pelo que já tinha visto, tudo continuava como antes. O castelo imponente e sombrio como sempre, seus ancestrais deveriam adorar viver ali, mas ele não.
Se pudesse mandaria destruir aquele lugar e jamais colocaria os pés ali novamente, mas não se pode fugir de sua natureza, agora tinha um destino a cumprir.
Ainda era uma criança, inocente e despreocupada, quando fora privado da companhia de seus amigos queridos e levado dali para um lugar desconhecido. Na época não sabia o porquê, passara anos trancado em uma masmorra fria, tendo apenas livros como sua companhia.
O tempo passou, havia perdido as contas sobre ele, até que um dia sua vida mudara para sempre. Ergueu os orbes para cima, vendo a lua cheia pintada de vermelho, erguer-se imponente no céu, como naquela noite, há muito tempo atrás.
Já não era mais um garoto, era um homem, mas sentia necessidade de rever seus amigos queridos, que ficaram a seu lado, quando toda a família morrera. Ele fora o único sobrevivente. Eram crianças inocentes, então Kara e Gabriel não entenderam na época o que era para ele ser um Drácul.
Agora as coisas seriam diferentes, talvez nem pudessem ser mais amigos, mas queria matar a saudade. Suspirou, segurando com mais força as rédeas do garanhão negro, tão negro quanto uma noite sem estrelas.
Gabriel sempre fora o mais atirado dentre os três, fazendo jus aos cabelos vermelhos, herança de seus antepassados irlandeses. Sempre se metiam em problemas com os planos mirabolantes armados pelo garoto.
Kara pelo contrario, embora tivesse um temperamento forte era um doce, uma menina linda de sorriso contagiante, capaz de aquecer o mais frio dos corações; ele pensou, puxando as rédeas do cavalo, fazendo-o refrear os passos.
Sentia falta dela, só sobrevivera aqueles anos todos, pensando que um dia, quando pudesse, iria poder reencontrá-la de novo. Sua Kara... Ai ninguém mais poderia se colocar entre eles.
Convicto de que tudo iria sair como planejara, continuou a andar, a casa de madeira próximo ao rio, onde viviam os pais de Kara estava toda iluminada. Já não era mais uma casa simples, parecia bem maior do que se lembrava.
Ouvia o som de vozes animadas e música. Estavam comemorando algo, quem sabe um aniversário; ele pensou. Não podia se aproximar muito, teria de esperar o momento certo para conversar com ela, sem assustá-la diante de sua nova condição; ele pensou, amarrando as rédeas do cavalo numa árvore, para desmontar em seguida.
Iria dar uma espiada através da janela e ver o que estava acontecendo, assim poderia planejar melhor como proceder.
Tudo lá dentro parecia impecavelmente organizado e limpo, as pessoas conversavam animadas, bebendo e comendo. Crianças corriam entre os adultos, ignorando o protesto deles para que se aquietassem.
Sentiu o coração disparar quando a música parou e uma jovem de longas melenas vermelhas entrou na sala principal. A pele era tão alva quanto à neve, delicadas sardas cobriam sua face nas maçãs rosadas. Os orbes de um verde intenso pareciam ainda mais brilhantes aquela noite.
-Kara; ele sussurrou, segurando-se no batente da janela, para não se delatar.
-Meus caros amigos, ficamos muito felizes em recebê-los essa noite; Gordon, pai a jovem falou levantando-se de um banco, aproximando-se dela. –Afinal, todos aqui sabem que faço muito gosto dessa união;
Assobios e palmas soaram pelo cômodo e a face da jovem tornou-se levemente rosada, quando um homem de cabelos flamejantes, tão intenso quanto os dela se aproximou, vindo da outra extremidade e tomou as mãos delicadas entre as suas. Fitando-a de maneira embevecida.
-Por isso agradeço a presença de todos aqui, por terem vindo prestigiar esse momento de imensa alegria para nossa família; Gordon falou, colocando a mão sobre o ombro do rapaz. –Abrahm pode não estar presente entre nós filho, mas ficaria orgulhoso do homem que se tornou e eu, estou mais ainda, por tê-lo na família; ele completou sorrindo.
-Obrigado senhor; Gabriel respondeu, envolvendo a jovem entre seus braços, enquanto ela apoiava a cabeça sobre seu peito.
-Um brinde aos noivos; alguém gritou.
Depois disso, o que restou de seu coração foram apenas fragmentos despedaçados que jamais poderiam ser reconstruídos. Gabriel e Kara iriam se casar. Impossível!
-Como a vida é irônica, não? –uma voz sarcástica falou atrás de si.
Os orbes que um dia foram acinzentados como a luz pálida da lua no inverno, tornaram-se completamente vermelhos. Voltou-se para trás de maneira brusca e agressiva.
Viu um homem aproximar-se, vestindo uma túnica de veludo negro, porém os longos cabelos prateados sobressaiam-se, chamando a atenção. Ele era alto, tinha traços finos, um nariz afinalado e dedos longos, quase como garras, seus orbes carmesim não traiam a origem.
Eram iguais, ou melhor, descendiam do mesmo patriarca. O que o tornava tão perigoso quanto a si mesmo.
-Quem é você? –Aidan perguntou agressivo.
-Apenas seu humilde servo, alteza; o homem falou, curvando-se num movimento gracioso.
-Sabe quem eu sou? –ele indagou surpreso.
-Sei e estive todo esse tempo lhe esperando; o vampiro respondeu. –Mas creio que os deuses lhe mandaram ate nós nesse momento que tanto necessitamos de ajuda;
-Do que esta falando? –Aidan perguntou confuso.
-Um caçador está dizimando nossa espécie. Caça-nos de dia e de noite, não temos mais paz para andarmos por nossa própria terra; o estranho exasperou. –Durante séculos vivemos em paz com os humanos, apenas matávamos o que iria nos alimentar, não mais... Mas agora, aquele bastardo caçador tornou nossa vida um inferno.
-Um caçador, aqui? –ele indagou tentando processar toda a informação rapidamente.
-Van Helsing;
-Gabriel; Aidan sussurrou surpreso.
Lembrava-se das historias que Gordon, pai de Kara contava sobre a linhagem de caçadores ao qual o amigo era o último descendente, mas até os últimos anos, pensou também que vampiros não passavam de lendas trazidas do oriente, pela estrada da seda.
Realmente, muito irônico. Já imaginava que a amizade com Gabriel jamais seria retomada, agora tinha certeza por dois bons motivos.
-Meu lorde;
-Sim;
-Permita que eu me apresente, Sire Barthon; ele falou com os orbes cintilando de maneira enigmática. –Milorde era muito jovem quando tudo aconteceu, mas eu sou um dos últimos que serviram a seu avô;
-Mas...;
-Estou aqui para falar sobre seu legado, meu lorde; Sire falou com um fino sorriso nos lábios. –O legado que aquele bastardo caçador roubou de milorde e que agora, usa para nos exterminar;
.I.
Viu-o colocar o estetoscópio sobre o coração da jovem e afastar-se em seguida. O velho médico parecia relaxado e calmo, bem diferente de si que estava a ponto de ter um surto.
-Então doutor? –Saga perguntou.
-Aparentemente esta tudo bem; o médico respondeu sorrindo. –Mas me diga rapaz, há quanto tempo estão casados?
-Uhn? –Saga murmurou confuso, quando lembrou-se de ter dito ao médico quando ele chegara, que ela era sua esposa. –Ahn! Duas semanas; ele respondeu.
-Olhe ainda é cedo para dizer, mas meus parabéns. Não é raro recém casados se tornarem três na lua de mel; o médico brincou dando-lhe um tapinha nas costas antes de colocar o esteto na maleta e ir até a porta.
Ele não podia estar insinuando que...; ele pensou sentindo a face tornar-se tão vermelha quanto os cabelos da jovem.
-Doutor;
-Se ela acordar e tiver um pouco de enjôo, dê-lhe chá e bolachas de água e sal, vai fazer bem. Até mais; o médico se despediu e foi embora. Deixando-o ali pior do que o encontrara.
Aquilo era simplesmente impossível de acontecer, eles não eram um casal de verdade, então a resposta tinha de ser outra; Saga pensou andando de um lado para outro. A menos que, suas suspeitas estivessem erradas.
Droga! Uma coisa não tinha nada a ver com a outra; ele pensou confuso com seus próprios pensamentos. Sabia que Kanon estava por perto, o cosmo que vinha sentindo constantemente era realmente do irmão, embora não tenha conseguido encontrá-lo todas as outras vezes que o procurara.
Mas ele não poderia ter estado ali o tempo todo, mas e se ele e Jéssica? Não; Saga pensou balançando a cabeça nervosamente para os lados. Não ficara afastado dela mais do que alguns poucos minutos.
Entretanto, tinha de haver uma explicação.
-Nossa, parece que fui atropelado por um titã;
Aproximou-se rapidamente da cama, quando ouviu-a murmurar.
-Como se sente? –Saga perguntou preocupado.
-Cansada, morrendo de sono... Tive uma noite de cão; ela confessou, remexendo-se inquieta na cama.
Quase sorriu, pelo menos não fora o único a ter problemas com aquela noite, mas agora não era hora de pensar nisso.
-O que aconteceu?-ele indagou, optando por não levantar a questão do diagnostico médico.
-Quando eu entrei na banheira aconteceu uma coisa estranha; Jéssica respondeu. –Eu apaguei, mas foi tão rápido que era como se eu nem houvesse dormido, mas ai, eu não estava mais aqui;
-Uhn?
-Eu viu o castelo, vi Aidan na sala onde ele guarda a armadura; ela falou encolhendo-se. –Ele já sabe que estamos aqui;
-Como? –Saga perguntou surpreso, porém igualmente aliviado ao saber que aquele desmaio não tinha nenhum motivo escuso, que lhe fizesse desejar ser filho único.
-Lembra-se do homem que tirou aquela foto nossa assim que desembarcamos? –Jéssica perguntou.
-Sim, o que tem?
-Ele era um agente do Aidan, que tirava as fotos do pessoal, para mantê-lo informado de quem entra e quem sabe da Transilvânia;
-Mas como ele pode saber que somos nós? –Saga indagou.
-Não sei, mas ele acha que você sou eu; ela respondeu dando um pesado suspiro.
-O que? –ele quase gritou.
-É, parece que nosso caro vampirinho acha que uma mulher não pode ser uma caçadora; a amazona murmurou mais para si do que para ele, enquanto acomodava a cabeça sobre os travesseiros. –Ele pensa que você é o Van Helsing, o idiota nem se deu ao trabalho de averiguar os nomes, puff... Amador demais;
-Em que esta pensando? –Saga perguntou diante do silêncio dela.
-Em algo que ele falou; Jéssica respondeu. –Ele mencionou Kara, disse que Gabriel a roubou dele, como fez com a armadura;
-Quem é ela? –Saga indagou intrigado.
-Kara foi esposa de Gabriel, quando ele e Aidan se enfrentaram pela última vez, eles ainda não tinham se casado, porque ela fora convocada de volta ao santuário nessa época. Ela ainda era uma amazona e não teve como se recusar a ir; Jéssica explicou. –Mas depois que Gabriel venceu Aidan, eles se casaram, dando continuidade à linhagem de caçadores;
-Você acha que Aidan e Kara tiveram alguma coisa? –ele indagou curioso.
-Pouco provável; Jéssica murmurou pensativa.
Abraçou um dos travesseiros, enquanto os orbes fitavam um ponto vago. Não, Aidan não tivera nada com Kara, mas seus olhos estavam tão tristes quando falou nela.
Desde muito cedo aprendera que tinha uma missão a cumprir, que era erradicar essa raça da face da terra, mas jamais pesou os sentimentos envolvidos nisso. Não crescera os odiando como seus ancestrais, não crescera também temendo-os, fora treinada para saber exterminá-los e não temer.
Entretanto, não estava preparada para saber que eles também sentiam. Qual era a diferença afinal entre ambas as raças. O dia e a noite? A vida e a morte? Porque os deuses disseram que uns seriam seres humanos frágeis e outros, seres imortais abraçados pelo véu da noite.
-Jéssica;
-Uhn! –murmurou virando-se para ele.
-Você esta longe, no que pensava? –ele indagou preocupado.
-Que temos um grande problema pra resolver; ela sussurrou, fechando os olhos e logo caindo no sono. Quem sabe assim, tivesse as energias renovadas. Iria precisar delas mais do que tudo agora.
.II.
Entrou em seu quarto pedindo aos céus que Bianca não estivesse ali, se não seria capaz de livrar-se sozinho dela e não deixar que Stephen resolvesse o problema para si.
Retirou o sobretudo de veludo, jogando-o sobre uma cadeira, o quarto estava vazio. Ótimo. Teria de mandar re-decorar aquele lugar. Cinza e preto eram fúnebres demais, precisava de algo tão vivo e intenso quanto às melenas flamejantes de sua futura acompanhante.
Iria mandar Stephen providenciar o necessário outra hora, precisava descansar agora e estar pronto para a próxima noite, onde seus planos estariam mais próximos do fim, do que qualquer um imaginava.
-Meu lorde; ouviu um sussurro em seu ouvido.
Virou-se para trás, mas nada viu nada, porém sentiu os músculos do corpo se retesarem quando mãos delicadas pousaram sobre seus ombros, movendo-se de maneira cadenciada e calma. Suspirou extasiado.
-Meu lorde deveria descansar mais; a voz feminina falou, enquanto a jovem segurava-lhe a mão e puxava-o consigo em direção a cama. –Não vai lhe fazer bem se sobrecarregar;
Observou os longos cabelos vermelhos caírem sobre os ombros em fartos cachos, os orbes castanhos tinham um brilho de desafio, porém eram intensos e hipnotizantes. Os lábios finos e delicados pediam por um beijo e seu corpo clamava por concedê-lo; ele pensou ofegando quando as unhas delicadas roçaram-lhe o peito desprovido da camisa.
-Aidan; a jovem caçadora sussurrou, sentando-se sobre o colo do vampiro, tirando-lhe um gemido frustrado dos lábios.
-Como chegou até aqui? –o vampiro perguntou confuso.
Não que estivesse reclamando, aquilo apenas acelerava o processo das coisas, mas sua natureza indócil o fazia desconfiar de tudo.
-Você queria que eu estivesse aqui, não? –ela rebateu inclinando-se sobre ele, deixando os lábios roçarem os dele levemente. –Não queria meu lorde?
Estremeceu, cedendo aos desejos mais intensos, antes de deixar os dedos prenderem-se entre a farta cabeleira avermelhada e colocar seus lábios sobre os dela. De maneira possessiva e intensa.
Em algum momento, que ele não soube qual foi, sentiu o beijo tornar-se mais suave, cheio de saudade. Afastou-se parcialmente, sentindo a respiração quente chocar-se contra a da jovem. Seus olhos se encontraram e seu coração falhou uma batida.
-Kara; ele falou num sussurro rouco.
Os orbes que antes eram castanhos tornaram-se verdes, os traços eram diferentes, porém via-se que ambas eram bastante parecidas, mas isso não importava, não quando depois de longos séculos a tinha finalmente onde queria. Entre seus braços.
-Você não vai vencer Aidan; Kara falou tocando-lhe a face e fitando-o de maneira cínica.
-Você não é a Kara; o vampiro falou tentando se levantar, mas o peso do corpo da jovem sobre o seu, tornou seu movimento mais lento.
-Por acaso se esqueceu de mim, meu querido Aidan? –ela falou com um sorriso que estava longe de ser inocente.
Fitou-a, buscando algum traço de reconhecimento, ela poderia ter a aparência de Kara, mas jamais seria ela. Em questão de segundos a mulher tomou outras formas, cabelos cacheados e dourados, um olhar malicioso e seguro.
-Já que não é em Kara que você esta interessando, quem sabe em mim então? –Bianca falou trançando os cabelos dourados entre os dedos, antes de jogá-los sobre os ombros, fitando-o sedutoramente.
Empurrou-a para longe, desvencilhando-se de seu toque. O que esta acontecendo? De onde todas elas haviam surgido?
-A discórdia às vezes se apresenta de maneira inesperada, meu lorde; ouviu a voz antes melodiosa e feminina tornar-se grave.
Virou-se vendo aquele que um dia fora seu conselheiro surgir no cômodo. Sire curvou-se numa breve mesura.
-Finalmente meu lorde regressou para ter o que lhe é de direito; a voz soou sarcástica e petulante.
-Quem é você afinal?
-Eu? –ele falou aproximando-se num rápido movimento, porém o que Aidan viu a sua frente agora era uma bela e letal mulher de longos cabelos violeta e olhos prateados. –Meu chamo Sire, meu lorde; ela falou sorrindo de maneira petulante.
-E o que faz novamente aqui, Sire? –Aidan indagou, erguendo suas defesas contra o poder inesperado daquele estranho.
-Vim ajudar meu lorde em sua conquista, afinal, meu lorde esperou tanto para acabar com o bastardo caçador. Nada pode dar errado agora; ela falou em tom humilde abaixando os olhos.
-Van Helsing vai pagar por tudo, mas não preciso de ajuda;
-Não, meu lorde não precisa; Sire falou sorrindo. –Mas quando ela vêm, nunca deve ser recusada;
-Que seja, agora saia; Aidan mandou, indicando-lhe a porta.
Mal havia piscado e a imagem da mulher havia desaparecido. Sentou-se na beira da cama, passando a mão nervosamente pelos cabelos prateados, que ainda conservavam alguns fios negros. Como uma forma irônica de lembrá-lo sobre a época em que ainda era um humano comum.
Mas Van Helsing lhe tirara tudo e agora iria dar o troco, iria lhe tirar tudo, a mulher de sua vida, seus sonhos, sua razão pelo que lutar, até que não sobrasse mais nada e ele ainda implorasse para que ficasse com sua vida.
Sim, ele iria implorar. Ah se iria...
Continua...
