Blood Lust

By Dama 9

Nota: Os personagens de Saint Seya não me pertencem. Pertencem ao Kuramada e outras empresas licenciadas, apenas Aidan e Jéssica são criações únicas e exclusivas minhas para essa saga.

Este é um trabalho de fã para fã, sem fins lucrativos. Com único objetivo de entreter e agradar.

Boa leitura!


Capitulo 12 – Éris.

.I.

Olhou discretamente para os lados, enquanto procurava se aproximar ao máximo da sala que Jéssica lhe indicara, Aidan não estava ali, nem mesmo Stephen, seu braço direito.

Poderia entrar pela passagem ocultando seu cosmo de forma que ninguém sentisse sua presença.

Passou pelas pesadas cortinas bordo e logo viu-se dentro de um túnel apertado, que mal tinha espaço para si mesmo andar, sua única opção era seguir em frente; Saga pensou, contendo um pesado suspiro.

Se precisasse retornar rápido ao salão por ali, também teria problema. Agora todo cuidado era pouco.

-o-o-o-o-o-

Hesitou por alguns segundos em deixar o terraço, havia alguma coisa estranha e seu sexto sentido dizia isso, mas agora estava entre a cruz e a espada. Se ficasse, Jéssica desconfiaria de sua identidade, se partisse, algo poderia acontecer.

Deu de ombros, ela sabia muito bem se defender, alem do mais iria se afastar apenas alguns minutos para ir até a mesa de bebidas e afinal, que história de filho era essa? –ele se perguntou irritado.

Quando tivesse oportunidade iria pegar o irmão pelo pescoço. Ah Saga, isso porque vivia se fazendo de santo, mas era uma verdadeira raposa traiçoeira e ardilosa; ele pensou serrando os punhos.

Mal chegou a mesa de bebidas virou-se rapidamente, as portas do terraço continuavam abertas, mas teve a impressão de ouvir um grito abafado. Será que acontecera alguma coisa com Jéssica? –ele se perguntou ameaçando voltar.

-Deseja algo senhor? –alguém perguntou atrás de si.

Respirou fundo, teria de confiar que nada acontecera e fora impressão a sua, se saísse correndo poderia ter problemas.

-Um Martine e um suco de laranja; Kanon falou, batendo o pé no chão distraidamente.

-O suco é com gelo ou natural? –o rapaz indagou casualmente, lançando um olhar de aviso a outros ao longo do salão.

-Natural; o cavaleiro respondeu.

Olhou para os lados sem notar a movimentação do salão, onde estava Saga? Não havia visto aonde ele entrara quando chegou ao salão, mas se não soubesse logo poderia encontrar com ele a qualquer momento.

-Senhor, por favor, queira nos acompanhe; três homens com quase o dobro do seu tamanho se aproximaram.

-Como? –Kanon indagou voltando-se para eles.

Com apenas uma mirada em seus olhos notou que não eram humanos, os orbes vermelhos pareciam brasas incandescentes e as presas levemente ocultas pelos lábios pareciam prestes a se revelarem.

-Nos acompanhe senhor, para o seu próprio bem; um dos rapazes falou.

-Duvido muito; Kanon resmungou ameaçando se afastar, mas viu o momento que a musica parou e todos no salão, como os rapazes voltaram-se em sua direção.

-Vamos logo; um deles falou, trocando um rápido olhar com os outros dois que seguraram Kanon assim que ele tentou se esquivar.

Eram vampiros demais para apenas um cavaleiro, mas já era tarde, viu-se arrastado pelo salão, rumo ao trono que Aidan ocupava antes e mesmo sob protestos foi empurrado para as cortinas que abriram-se revelando uma passagem.

Caíra numa bela armadilha, mas que droga! –ele pensou exasperado.

.II.

Os longos e finos dedos batiam sob o tampo da mesa de maneira ritmada, porém impaciente. Estava cansado de esperar, mas até um daqueles inúteis chegarem não poderia fazer nada.

-Meu lorde, perdoe a demora; Valentine falou entrando na biblioteca.

-Diga logo, conseguiu? –Hades indagou em tom frio.

-Sim meu lorde; o espectro falou. –A fortaleza de Arshet esta desprotegida agora que a guardiã não esta lá, então não foi difícil encontrar os documentos;

-Deixe-me ver então; ele falou estendendo a mão e acenando para o espectro entregar-lhe o livro que segurava.

Enquanto seus olhos corriam pelas folhas antigas do livro, sua mente trabalhava a mil para criar um plano.

Éris dera um jeito de fugir do exílio no Érebro, ou melhor, alguém a libertara, mas quem? Ninguém em seus domínios tinha autorização para chegar até àqueles limites, muito menos agir sem que tivesse conhecimento.

A menos é claro, que estivesse sob a influência de outra pessoa; o imperador concluiu.

-Mande Nix e os gêmeos vierem aqui, preciso deles agora; Hades falou dispensando o espectro com um gesto busco de mão.

Levantou-se e impaciente, começou a andar pela sala. Dali a dez anos mais ou menos teria tudo pronto para reencarnar na Terra, como das outras vezes, para enfrentar Athena na próxima Guerra Santa, por isso não poderia deixar nada pendente ali, muito menos um assunto tão perigoso quanto aquele relacionado à Éris.

Sabia que a divindade já andara armando algo parecido. Reencarnar no corpo de uma jovem mortal e tentar a sorte como Posseidon e Ares, mas possivelmente ela sairia fracassada, Éris era amadora demais.

Entretanto, o que lhe preocupava era o fato dessas maldições e quem invadira seu reino para libertá-la. A maldição de Ares fora bem clara ao ser conjurada, somente uma divindade poderia tirá-la do exílio.

Se o próprio Ares jamais descia ao mundo inferior e ele, não tinha motivo algum para libertar Éris. Quem teria feito?

-Mandou nos chamar, meu lorde? –Nix indagou, entrando na sala com seu manto violeta esvoaçante, os orbes sempre calmos e tranqüilos pareciam perturbados pelo chamado inesperado.

-Quero saber que divindade andou visitando o castelo sem meu consentimento nos últimos meses? –ele indagou lançando um olhar frio diretamente a Thanatos.

-Não faço a mínima idéia, meu lorde; o geminiano adiantou-se em se defender.

-São poucos alem de Harmonia que se arriscam a descer até aqui, meu lorde; Nix explicou. –Talvez Demeter, Apolo e Zeus tenham vindo, mas não me recordo quando foi à última vez que estiveram aqui;

-Não, Harmonia jamais faria isso... Demeter não teria motivos, nem os outros. Alguém mais? –ele indagou impaciente.

-Ahn! Teve uma pessoa que esteve aqui; Hypnos falou um pouco hesitante em tocar naquele assunto.

-Quem? –Nix indagou, surpresa.

-Afrodite; a divindade respondeu. –Ela esteve algum tempo aqui, querendo saber das Deusas do Destino;

-O que Afrodite queria? –Hades perguntou num tom frio.

-Ela não explicou ao certo, disse apenas que veio ver Adônis, mas como lady Cora disse que ele já não reside mais nesse mundo, ela queria falar com as Deusas, para saber onde poderia encontrá-lo; Hypnos explicou, vendo os orbes do imperador tornarem-se ainda mais frios.

-Já tem muito tempo que Afrodite não vem aqui, nem mesmo para visitar Adônis, isso é muito estranho; Thanatos comentou.

-Só pode ter sido ela; Hades exasperou, dando um soco na mesa, que fez os três pularem.

-O que esta acontecendo, meu lorde? –Nix indagou ao vê-lo com a face vermelha pela ira.

-Thanatos, encontre Hékates e vá com ela até a Terra, quero que vocês lacrem Éris e a tragam de volta ao Érebro; ele falou com um olhar cortante.

-Mas Éris não...; Nix parou de falar ao vê-lo com um olhar mais feroz que o anterior.

-Avisem os demais espectros, que se Afrodite pisar aqui, deverá ser lacrada no Érebro, antes mesmo que tenha tempo de fazer algo. Ela esta terminantemente proibida de se aproximar do castelo ou de qualquer uma de suas dependências; Hades vociferou.

-Como quiser, meu lorde; Thanatos falou desaparecendo.

-O que ela fez, Hades? –Nix indagou, quando Hypnos despediu-se para ir falar com os espectros.

-Ela libertou Éris do exílio; Hades respondeu, fechando o livro que tinha sobre a mesa. –Há anos atrás Éris quis conquistar o santuário de Athena e criou um exercito das sombras, já que não podia dispor das erinias que estão exiladas. Mas Ares interrompeu seus planos e amaldiçoou toda uma geração por conta disso;

-O que pretende fazer com relação a ela? –a divindade indagou.

-Não posso me dar ao luxo de ficar me preocupando com Éris, não com a próxima guerra se aproximando tão rápido; Hades falou pensativo. –Mas antes de partir, vou me certificar de que ela não seja uma pedra em meu sapato, tão pouco Afrodite e suas sandices.

-...; Nix assentiu, compreendendo perfeitamente a que ele se referia.

Quando Afrodite marcava alguém, dificilmente deixava as coisas barato, mesmo que para isso arrumasse problemas como aquele.

.III.

Atravessou todo o corredor e olhou surpreso a sala que surgiu a sua frente, vários archotes espalhavam-se pela sala, iluminando-a belamente, ali poderia até se esquecer há quem pertencia aquele castelo.

Sentiu um cosmo manifestar-se fracamente e o som de uma suave melodia chegou até si, buscou a origem do som com o olhar e deparou-se com um trono na outra extremidade da sala.

Uma aura avermelhada envolvia a armadura, quanto mais se aproximava, com mais clareza ouvia a melodia. Ela sabia que Jéssica estava ali e chamava por ela; ele pensou surpreso.

Hipnotizado pelo brilho vermelho da armadura de vampiro, ergueu uma das mãos e estava prestes a tocá-la quando algo atrás de si lhe chamou a atenção. O som de palmas ecoou forte pela sala.

-Bravo Van Helsing, embora tenha demorado um pouco você finalmente veio me encontrar; Aidan falou batendo palmas de maneira sarcástica, enquanto fitava o cavaleiro, sentado em uma cadeira do outro lado.

-Então você é Aidan; Saga falou com os orbes serrados perigosamente.

-Pensei que se lembrasse de mim, afinal, eu disse aquele bastardo do Gabriel que voltaria; Aidan falou levantando-se num movimento elegante da cadeira. –Mas aposto que ele novamente me subestimou;

-Não Aidan, mas você os subestimou demais; o cavaleiro falou afastando-se da armadura no momento que sentiu o cosmo dela tornar-se agressivo, ao sentir que ele não era o guardião a quem chamava.

Estava acontecendo alguma coisa com Jéssica e a armadura estava lhe alertando, mas enquanto não se livrasse de Aidan não poderia procurá-la. Maldição, só esperava que Kanon houvesse ao menos prestado para estar com ela agora.

-Duvido, você é tão previsível, que você foi idiota o suficiente ao largar a dama no salão e vir até aqui; Aidan falou petulante. –Há essas horas ela deve estar em algum local bem mais seguro que o salão e esperando saudosa por mim; ele completou com um sorriso nos lábios que estava longe de ser inocente.

Um sorriso petulante surgiu nos lábios do cavaleiro deixando o vampiro de sobre aviso.

-Se você acredita, porque não vai comprovar? Posso esperar aqui se você quiser... Mesmo porque não pretendo ir a lugar algum sem mandá-lo para o inferno primeiro; Saga falou, encostando-se em um pilar próximo e cruzando os braços na frente do corpo.

-O que?

-Lorde Aidan, encontramos esse verme no salão e...; um vampiro falou empurrando Kanon para dentro da sala, mas estancou ao ver Saga ali.

Olhou estupefato para os dois, antes de voltar-se para Aidan que parecia tão surpreso quanto os outros.

-Dois?

-Como eu disse, você nos subestima demais Aidan; Saga falou tentando não se abalar com a presença do irmão ali.

Se Kanon fora capturado, provavelmente Jéssica estava sozinha, algo lhe dizia que isso não era um bom sinal.

-Dois caçadores; Aidan falou respirando fundo, enquanto os orbes azuis tornavam-se vermelhos.

-Saga; Kanon chamou, lançando-lhe um olhar de aviso.

-Meu lorde, não achamos a garota; duas vampiras falaram surgindo na sala, sabe-se lá de onde e pareciam bem agitadas.

-Como? –Aidan quase berrou.

-Ela estava na sacada quando ele saiu; uma delas falou apontando para Saga, mas parou olhando para Kanon novamente e voltou-se para Aidan. –Quando um desses dois ai, saiu de lá;

-Mas quando fomos atrás dela, não havia mais ninguém na sacada; a outra completou.

-Ela tem de estar em algum lugar; Aidan exasperou. –Encontrem-na!

-Beatriz também sumiu senhor; a primeira vampira falou. –Não a encontramos em parte alguma e àquela a quem o lorde chama de Sire, também não foi encontrada;

-Impossível, elas devem estar em algum lugar e-... ; Aidan parou ao sentir um cosmo poderoso se manifestar.

-Como eu disse Aidan, você nos subestimou de mais; Saga falou chamando-lhe a atenção. –Desde o começo pensou que éramos nós os caçadores, mas esqueceu que a linhagem de Van Helsing é formada por caçadoras; ele completou vendo o vampiro desaparecer imediatamente da sala, deixando apenas uma mensagem.

-Matem dos dois!

.IV.

Sentia a cabeça latejar, mas a dor que vinha da cintura era ainda mais forte que não arriscou-se a abrir os olhos. Lembrava-se de estar falando com o geminiano e logo que ele saiu para buscar-lhe uma bebida, algo aconteceu. Mas o que mesmo?

-Você devia ter me deixado matá-la; uma voz exasperada falou.

Apesar da dor, tentou não franzir o cenho, era melhor que pensassem que estava desacordada por enquanto.

-Não seja idiota menina tola; uma outra voz falou.

Essa voz tinha impressão de já conhecer; a jovem pensou quando a imagem de uma mulher de longas melenas violetas surgiu em sua mente, sabia quem ela era devido aos registros de Arshet, o pai sempre fora uma pessoa bem organizada e lhe deixara vários livros com ilustrações de coisas ou pessoas que deveria reconhecer.

Suspirou pesadamente, sentindo a dor aumentar, não sabia com o que aquela garota havia lhe ferido, mas doía, doía muito, porém aquela era uma dor ínfima, perto do que aquela fedelha iria sentir quando se levantasse.

Não iria deixar aquilo barato, ah, mas não ia mesmo...

-Aidan vira atrás de mim e me matará; Beatriz falou.

-Isso não vai acontecer; Éris falou com um sorriso de escárnio. –Ele não vai viver muito tempo para isso;

-O que? –a garota gritou.

-Você não achou mesmo que eu iria lhe ajudar de bom grado, não é? –a deusa da discórdia escarneceu. –E duvido muito que um dia o clã Dracul visse alguém como você, sendo algo mais do que uma prostitutazinha de quinta. Aidan jamais a transformaria em sua consorte, nem que você fosse um deles;

-Por quê? –Beatriz perguntou recuando com medo quando a deusa pegou a adaga que havia usado na jovem de melenas vermelhas.

-Porque embora seu avô tenha sido o grande Empalador, Aidan ainda conserva alguns sentimentos humanos e isso o torna um fraco; Éris falou, tocando a lamina prateada com a ponta dos dedos. –Ele é um tolo, como tantos outros que tinham um poder imensurável nas mãos, mas não sabiam usar;

-Quando Aidan chegar ele...;

-Vai encontrar sua futura consorte morta e a amante sangrando até o último suspiro; Éris falou com um brilho incandescente nos olhos. –E novamente eu tão carinhosamente irei consolá-lo e lhe mostrar o quanto os humanos são inferiores a nós e que ele, tem o poder de reinar sob esses vermes; ela completou.

-Mas...;

-Tudo poderia ter sido diferente se aqueles idiotas, cavaleiros de Athena não houvessem se envolvido, mas não... Eu avisei que jamais permitiria que Posseidon, Hades e Ares saíssem vencendo, eu... Apenas eu, tenho o direito de governar sobre essa Terra, nem que tenha de destruir a todos primeiros;

-Você é louca; Jéssy falou, apoiando-se em uma cadeira e colocando-se em pé. –Acha mesmo que uma idiota como você pode ser mais forte que Posseidon e Hades? Alias, até mesmo Ares que nunca foi conhecido pela inteligência, é capaz de superá-la; a jovem provocou.

-Era pra você estar morta; Beatriz falou assustada.

-Como diria minha avó, erva ruim geada não mata! E não vai ser uma amadora como você que vai acabar comigo; Jéssica falou entre dentes.

-Você é bem mais resistente do que eu pensei garota; Éris falou aborrecida.

-Sabe, seria tão mais fácil para eu morrer e acabar de uma vez com o legado da família, mas nesses últimos minutos eu estive pensando que se eu morrer, vermes como você vão passar a zanzar por essa terra livremente. Então, decidi que vai ser mais divertido expurgar vocês daqui primeiro; a amazona falou sarcástica.

-Você é atrevida demais e vou acabar com você; a divindade falou avançando, mas antes que pudesse chegar a jovem, uma cosmo-energia intensa manifestou-se no ambiente.

Os orbes antes castanhos adquiriram um tom avermelhado, uma aura intensa a rodeava e o som de asas batendo ecoou pela cripta.

-O que é isso? –Beatriz falou encolhendo-se em um canto.

-Van Helsing; Éris falou no momento que uma nuvem negra caiu sobre o cômodo e dois cosmos poderosos expandiram-se.

As portas de aço da cripta explodiram no momento que o vampiro entrou, os orbes pareciam duas chamas incandescentes.

-Sire; ele berrou com as presas salientes.

A nuvem desapareceu, praguejou contra o vampiro por ter-lhe tirado a concentração, não tinha mais forças para resistir. A visão turvou-se e sentiu o momento que o corpo pendeu para frente, enfraquecido pela perda de sangue.

Teria caído no chão se Aidan não houvesse atravessado o cômodo e lhe segurado, mas já estava inconsciente para ver o que veio a seguir.

-Meu lorde; Éris falou engolindo em seco diante do poder que sentia emanado dele, que agora parecia bem mais intenso do que aquele que conferira a Vlad quase três séculos atrás.

-O que pensa que estava fazendo? –ele indagou segurando a jovem protetoramente entre os braços. Embora um daqueles gêmeos houvesse dito que ela era a caçadora, provavelmente era mentira. Era impossível alguém de aparência tão frágil ter tanto poder. Ainda mais uma mulher.

-Ela ia nos matar; Éris falou num tom falsamente aflito.

-Acha mesmo que uma mulher tão frágil seria capaz de lhe arranhar? –ele rebateu suspendendo a jovem do chão e aninhando-a entre seus braços, foi quando viu Beatriz tão branca quanto um vampiro encolhida em um canto, tremendo e em estado de choque.

-Ela é a caçadora meu lorde; Éris insistiu. –Ia nos matar e-...;

-Parece que é você que pretendia matá-la; Aidan rosnou ao ver a adaga nas mãos de Éris, ainda contendo resquícios de sangue e ao olhar para seu próprio braço, viu uma grande mancha avermelhada surgir, onde encostava na cintura da jovem.

Observou-a atentamente e localizou rapidamente o ferimento causado pela adaga e isso apenas fez com que ficasse ainda mais furioso.

-Reze para que ela não morra, porque você ainda não me conhece e acredite, não vai gostar de me ver furioso; ele avisou desaparecendo com a jovem entre os braços.

-Maldito! Vai me pagar caro por isso; Éris gritou, batendo com força a mão contra a cômoda, fazendo a adaga cair e fincar-se no chão.

.V.

Nuvens pesadas de chuva cobriram as torres do castelo, raios cortavam o céu e a chama dos archotes tremeram. Os gêmeos trocaram um olhar de assentimento, gotas grossas de suor caiam de suas testas. Os smokings estavam totalmente arruinados, mas não era como se fossem participar de um baile ainda.

Pequenas e delicadas fagulhas de poeira cósmica pairavam sobre a sala. Um a um os vampiros ali foram exterminados sem ao menos saber o que os atingira.

-Saga; Kanon começou.

-Guarde suas explicações para depois Kanon, não quero ouvi-las agora; o cavaleiro o cortou.

No inicio achou que fosse coisa da sua imaginação, mas lhe fervia o sangue saber que era mesmo o irmão a tomar seu lugar cada vez que se afastava da amazona.

Agora compreendia porque Jéssica lhe olhava muitas vezes com desconfiança. Embora a vibração do cosmo fosse semelhante, eles eram totalmente diferentes, mas quem não os conhecesse bem, poderia facilmente se confundir.

Até onde sabia, Jéssica não deveria saber que eram dois em vez de um, mas se soubesse, tinha até medo de saber o que ela iria fazer. Obviamente iria pensar que fora algo premeditado, mas não fora... Conteve um suspiro exasperado. Nada que acontecera desde que a conheceu, foi premeditado. Entretanto não tinha tempo para isso agora.

-Precisamos encontrar Jéssica o mais rápido possível, Aidan pode ter acreditado ou não que ela é a caçadora, mas não podemos arriscar; ele falou por fim.

Kanon assentiu, seguindo-o para fora em seguida. Só pedia aos Deuses que nada houvesse acontecido a ela. Jamais vira o irmão tão determinado e igualmente furioso como estava agora e não duvidava que seria ele a sofrer sua ira se algo acontecesse a amazona; ele pensou engolindo em seco.

-o-o-o-o-o-

Colocou a jovem delicadamente sob os lençóis de cetim negro, ouviu um fraco gemido escapar de seus lábios. Respirou fundo, enquanto sentava-se na beira da cama para ver o ferimento.

Franziu o cenho ao encontrar o fecho entre a saia e o corpete. Soltou-o com cuidado para não atingir o ferimento e surpreendeu-se ao vê-la com uma calça fina por baixo e duas adagas presas à cintura, de forma que ela pudesse tirá-las discretamente, se houvesse tido tempo para se defender.

Tirou as adagas e deixou-as de lado, precisava manter-se concentrado em salvá-la e não se deixar embriagar pelo cheiro forte de sangue que sentia turvar-lhe a mente.

Aproximou-se de uma ânfora cheia de água sobre a cômoda e molhou um pedaço de tecido. Voltou até onde a jovem estava e com cuidado removeu as camadas de tecido que se instalaram sobre o ferimento, antes de começar a limpar o sangue com o pano.

Sire iria pagar caro por tê-la ferido, todos os vampiros estavam de sobre aviso, nenhum deles deveria encostar a mão nela e mesmo assim, Sire se atrevera a isso junto com Beatriz.

Um fraco gemido escapou dos lábios da jovem e lhe trouxe de volta a realidade. Iria pensar em vingar-se depois, primeiro deveria cuidar dela.

.IV.

Uma forte tempestade desabou pelo castelo, os poucos humanos que estavam ali deixaram a propriedade às pressas. Tudo ali era destruição; ele pensou passando por vidros e mesas quebradas.

Olhou para os lados vendo varias cortinas completamente rasgadas, taças e bandejas jogadas no chão.

-Nossa! Parece que um furacão passou por aqui; a jovem de melenas Royal a seu lado comentou.

-Consegue sentir a presença dela? –Thanatos perguntou, enquanto mantinha uma ânfora prateada bem segura entre suas mãos.

-Ela esta se escondendo; Hékates respondeu. –Não sei se já sentiu nossa presença, mas esta se escondendo;

-Vamos seguir em frente, ela tem de estar em algum lugar aqui; ele avisou, atravessando o largo salão com passos tão suaves, que parecia mais flutuar do que andar.

-o-o-o-o-o-o-

Não sabia quanto tempo havia se passado, porém com muito esforço, conseguira estancar o sangue do ferimento e conter seu próprio impulso de perder o controle.

Passou a mão nervosamente pelos cabelos, ainda se perguntando por que simplesmente não acabava logo com aquilo. Iria transformá-la de qualquer forma, mas porque hesitava?

Quem sabe fosse porque não tinha certeza de que os gêmeos eram realmente os caçadores, ou porque, não sentia aquilo mais como a vitória que tanto almejara sobre a traição cometida por Gabriel.

Não deveria ter tantos escrúpulos como agora, muito menos hesitar tanto; ele pensou, deixando a ponta dos dedos correr de maneira suave sobre a testa da jovem, afastando alguns fios vermelhos que caiam sobre seus olhos.

Ela tinha uma expressão tão serena, que era impossível acreditar que aquela garota fosse a descendente de Gabriel. Se bem que, os cabelos ruivos eram evidentemente uma herança irlandesa, mas poderia ser apenas coincidência, ou destino?

-Você tem de ficar bem; ele sussurrou, inclinando-se para frente, ao ver a face dela tornar-se mais rosada e pequenas gotas de suor acumularem-se em sua testa.

Ela estava tendo febre, isso não era um bom sinal.

-Você tem de viver; Aidan falou, fechando os olhos por alguns segundos.

Aquilo não fazia sentido, se iria transformá-la, não havia porque deixá-la continuar sofrendo, bastava apenas intervir, mas algo em si o impedia de seguir em frente. E detestava admitir, mas nada tinha a ver com a imagem que sempre idealizara de Kara.

Quando a viu pela primeira vez, na foto que Stephen lhe entregara, logo imaginou que se, um dia Kara voltasse aquele mundo, seria como ela. Uma jovem que transpirava confiança, ao mesmo tempo em que ainda tinha ares de inocência.

Entretanto, ela era diferente, alias, diferente de tudo que acreditava e planejara. Jéssica era seu nome, não Kara; Aidan repetiu a si mesmo. Eram mulheres diferentes, em tempos diferentes. Talvez fosse isso que o impedisse de seguir com seus planos. Mesmo porque, todos haviam sido idealizados para acontecerem quando reencontrasse Kara, o que era completamente ilógico e impossível agora.

Viu com surpresa o momento que a face da jovem começou a tornar-se pálida. Segurou-lhe as mãos e sentiu-as tão frias quanto gelo. Aquilo não deveria estar acontecendo, principalmente porque ela mal começara a queima de febre.

Sentiu seu sangue ferver quando uma energia conhecia manifestou-se na cripta. Sire não apenas tentara matá-la usando Beatriz, mas agora também decidira mostrar as garras, não iria permitir que ela morresse, não de maneira tão definitiva; ele pensou agoniado.

Tomou a jovem entre os braços, acomodando-a de forma que ela recostasse a cabeça sobre seu ombro. Ela lhe odiaria enquanto existisse, mas era um risco que pretendia correr. Não tinha mais nada a perder, seus amigos lhe foram tirados à muitos séculos e tudo que acreditava fora deturpado.

Não havia porque ter escrúpulos agora, não quando ela poderia morrer; ele pensou afastando a massa de cabelos vermelhos que caia sobre os ombros da jovem.

Devido ao corpete, apenas afastou os fios e pode ver com perfeição uma veia pulsar no pescoço da jovem. Os orbes tornaram-se ainda mais vermelhos, enquanto inclinava-se para frente.

Fechou os olhos por alguns segundos, enquanto pousava um beijo suave sobre o colo da jovem, sentiu a pele arrepiar-se e aquecer-se. Abriu os olhos novamente, os mesmos haviam sido totalmente tingidos de carmesim e ao entreabrir os lábios, as presas projetaram-se afiadas para frente.

O grito da jovem ecoou pelas paredes da cripta reverberando por todo o castelo, no momento que as presas finas e letais perfuraram a pele alva do pescoço.

Ela agitou-se, debateu-se tentando empurrá-lo, mesmo estando ainda inconsciente, mas não conseguiu, em poucos segundos viu-se presa em um abraço apertado e aos poucos o corpo começou a desfalecer, enquanto o coração diminuía o ritmo dos batimentos e a respiração aos poucos se acalmava.

O sangue fluía por seu corpo como eletricidade nos fios, aquecendo e esfriando rapidamente.

O cosmo de Sire aos poucos foi perdendo forças e desaparecendo da cripta, enquanto outros dois se manifestavam. Afastou-se bruscamente antes que fosse longe demais, reunindo as últimas fagulhas de auto-controle completou o ritual.

Agora não havia mais volta...

Continua...