Blood Lust

By Dama 9


Nota:

Os personagens de Saint Seya não me pertencem, pertencem a Masami Kuramada e empresas licenciadas, Jéssica e Aidan são criações únicas e exclusivas minhas para essa saga.

Essa é uma história de fã pra fã, sem fins lucrativos.

Boa Leitura!


Capitulo 14: Blood Lust.

.I.

Fechou os olhos, sentindo a brisa suave que vinha com as ondas acariciar-lhe a face. Uma semana já havia se passado desde que todo aquele inferno tivera um fim.

Entretanto, não sabia ao certo se desejava que aquela missão acabasse, ou se em seu intimo, ainda desejava permanecer mais um tempo no papel que estavam encenando.

Ouviu o som de passos na areia, mas não se virou. Apenas encolheu as pernas e apoiou a cabeça entre os joelhos, enquanto os orbes de um azul intenso corriam pelas ondas negras que quebravam nos rochedos do Cabo.

-Aioros disse que você tinha vindo pra cá; Eraen falou sentando-se ao lado do pupilo.

-Gosto daqui; Saga murmurou.

-Você sempre gostou muito do mar, lembro que durante o treinamento sempre que podia, você fugia para praia para ficar assim, sozinho com seus pensamentos; a jovem de melenas lilases comentou.

-...; o geminiano assentiu.

-Ares me disse que Jéssica já acordou; Eraen falou vendo-o virar-se rapidamente em sua direção. –E perguntou por você;

-Por mim? –ele indagou, arqueando a sobrancelha descrente.

-Você parece surpreso; ela comentou confusa.

-Não é nada; ele murmurou desviando o olhar.

A verdade é que não sabia mais no que pensar. Apesar de tudo, gostara de passar aquelas duas semanas com a amazona na Romênia, no inicio achou que chegaria ao ponto de esganá-la se tivesse de ficar mais do que cinco minutos com ela, mas no decorrer da missão, haviam descoberto muitas coisas em comum.

E, mesmo que detestasse admitir, sentia-se estranhamente possessivo quando o assunto era ela e saber que o irmão o tempo todo aproveitava pequenas brechas para se passar por si, fazia seu sangue ferver.

-Ares contou que ficou preocupado por ser sua primeira missão e pediu que Kanon fosse junto, para impedir qualquer eventualidade; a valkiria falou.

-Eventualidade? Puff! –ele resmungou sarcástico. –Admita mestra, ele pensou que eu seria um completo fracasso nessa missão e mandou o Kanon, para que você visse que escolheu o cavaleiro errado;

-Ares jamais f-...; ela parou vendo-o balançar a cabeça em desalento.

-Mas isso não foi necessário, eu mesmo admito isso. Nem mesmo sei por que a senhora decidiu que eu seria o Cavaleiro de Gêmeos. Kanon se enquadra muito mais nesse perfil do que eu. Alem do mais, se eu não tivesse deixado a Jéssica sozinha, aquilo nunca teria acontecido;

-Não se subestime Saga, todos cometem erros, mas isso não foi algo que você poderia impedir de acontecer; Eraen falou. –Jéssica é uma amazona treinada para agir em qualquer situação. Você não tinha como saber que Éris estava por trás de tudo, o tempo todo;

-Mas eu poderia ter chegado a tempo; ele murmurou, dando um baixo suspiro.

-Entenda Saga, tem coisas que nós podemos impedir e tem coisas que nós só podemos ver acontecer; Eraen falou complacente. –Mas fugir de um problema não é a melhor solução para resolvê-lo; ela completou.

-Como? –ele indagou confuso.

-Assim que se recuperar, Jéssica vai embora... Se quiser conversar com ela, seu tempo é curto; ela completou levantando-se e afastando-se com passos calmos pela areia.

Viu a mestra desaparecer momentos depois, mas pode ouvir com clareza a voz dela ecoando diretamente em sua mente.

-Quis o destino que você fosse o cavaleiro de Gêmeos e não Kanon, confio em suas habilidades como cavaleiro, mas você também precisa confiar em si mesmo. O que Ares pensa ou deixa de pensar é problema dele, você tem um destino a cumprir;

Passou a mão nervosamente pelos cabelos, antes de se levantar e caminhar de volta para o santuário. Eraen tinha razão, ficar fugindo não lhe levaria a nada.

.II.

Fechou os olhos sentindo o momento que um nó formou-se em sua garganta e os lábios ficaram secos. Respirou fundo, encostando-se com tanta força na parede, que se fosse possível a arrastaria consigo.

O cheiro forte de sangue chegou até si como uma onda avassaladora e inexorável. Ouviu a jovem criada murmurar uma infinidade de desculpas por ter quebrado a jarra de suco, mas esse era o menor dos problemas.

Ainda conseguia ver a expressão de espanto da garota quando entrara no quarto de repente. Estava em frente ao espelho nesse momento, havia notado que a pele estava mais pálida que o comum e achou que talvez fosse falta de sol, mas ao aproximar-se do espelho notou que os olhos agora possuíam um tom incomum de castanho, eles estavam mais avermelhados.

Instintivamente havia aberto os lábios e notou os caninos mais salientes, foi quando a criada gritou e derrubou a jarra no chão. Virou-se de pressa a tempo de vê-la, assustada tentar recolher os cacos e acabar se cortando.

Aquele cheiro insuportável estava mexendo com seus sentidos.

-Saia daqui; Jéssica falou serrando os punhos.

-Não foi minha intenção, eu... Só...;

-O que esta acontecendo aqui? –uma voz grave e carregada de um perfeito sotaque italiano chegou até si.

-Dom; a amazona murmurou voltando-se para ele com um olhar agoniado.

Com um gesto imponente, Giovanni dispensou a criada que não ousou protestar com o cavaleiro e saiu, deixando-os a sós. Atravessou o quarto, vendo a jovem encolher-se ainda mais, como se para, se proteger.

-Esta tudo bem, criança; ele sussurrou, ajoelhando-se a seu lado. –Foi apenas um susto;

-...; ela negou freneticamente com a cabeça e um olhar assustado.

-Você esta assustada e isso é normal, mas tente se acalmar; o italiano falou abraçando-a ternamente, sentindo a imediata tensão que a envolveu. –Você vem passando por muito estresse e tensão emocional nos últimos dias;

-Era para eu ter morrido, Gio; ela sussurrou, tremendo. –Eu senti quando aconteceu;

-Foi apenas um trauma querida, essas coisas acontecem às vezes; Giovanni tentou acalmá-la.

-Eu ouvi a voz dele dizendo que eu não podia morrer; a amazona murmurou. –Eu ouvi...;

-Quem? –o cavaleiro indagou num sussurro, enquanto acariciava-lhe os cabelos.

-Aidan;

-Saga nos contou que Éris estava o tempo todo por trás disso; ele falou. –Foi algo realmente inesperado;

-Eu tenho caninos agora; ela falou depois de alguns minutos de silêncio.

-Todos nós temos, você não deveria se preocupar com isso; Giovanni falou, mas parou quando a viu erguer a cabeça em sua direção e mostrar os dentes. Surpreendeu-se ao ver que os caninos da jovem estavam bem mais salientes que o comum e pareciam pontiagudos também.

Olhou-os atentamente e tentou a todo custo eliminar as hipóteses bizarras que haviam surgido em sua mente, mas elas eram a única explicação para aquilo; ele concluiu preocupado.

-Quando você se recuperar, o que acha de passar um tempo em Verona comigo e Diana? –ele indagou decidindo mudar de assunto.

-Não quero incomodá-los; ela falou dando um suspiro cansado.

Pensar em voltar para Arshet era ainda algo estranho, durante muito tempo considerou o lugar sua casa, as lembranças da família e tudo, estavam guardadas ali e nunca as quis deixar, mas agora era como se temesse voltar e confrontar algo pelo qual não estava preparada ainda.

-Você sabe que não é incomodo nenhum, nona iria adorar te receber; Giovanni falou sorrindo. –Alem do mais, ela vive perguntando de você e nesse tempo, você pode descansar um pouco antes de voltar a Arshet;

-Prometo que vou pensar; ela falou fechando os olhos e exausta, mal dando-se conta de que o cavaleiro ainda estava ali, quando caiu no sono.

Com cuidado, suspendeu a jovem do chão e levantou-se, indo levá-la até a cama. Colocou-a com cuidado sobre a colcha e não pode deixar de notar algo quando a massa de cabelos vermelhos deslizou do ombro da jovem para o travesseiro.

Curioso, afastou algumas mechas a mais e notou dois pontinhos avermelhados sob o pescoço da amazona. Pareciam dois furinhos como as picadas de um inseto, mas pode notar que eles eram bem maiores e isso esclareceu completamente suas ultimas duvidas.

.III.

Sentou-se na confortável poltrona da biblioteca, enquanto seus orbes prendiam-se em algum ponto vago entre os livros. Há muito tempo atrás, aprendera que a primeira missão de um cavaleiro era sempre difícil, mas não conseguia deixar de lado a sensação de 'mãe desnaturada' que tinha agora, por ter deixado Saga sair em missão sem estar por perto.

Tudo bem que o cavaleiro agora respondia diretamente ao santuário, mas jamais deixaria de ser seu pupilo e Ares não tinha o direito de mandar Kanon atrás deles. Suspirou pesadamente, aquela não seria a primeira vez que seria questionada por alguém, sobre o porquê ter escolhido um e não o outro gêmeo.

-Droga, mais essa ainda; Eraen resmungou, aborrecida.

Quando começara a desenvolver seus poderes, passara muito tempo treinando diretamente com Freya e depois com o próprio pai. Emmus sempre lhe ensinou a lutar pelo que queria e acima de tudo, ouvir seu coração quando se encontrasse diante de um impasse.

E foi justamente esse conselho do pai que seguiu ao escolher um cavaleiro para se tornar o próximo guardião de Gêmeos. Há séculos atrás, quando escolhera Christian para ser não apenas o cavaleiro de Gêmeos, mas também o Grande Mestre do Santuário de Athena, fora bem mais fácil do que agora. Já que Ekil, o gêmeo de Christian era a reencarnação de Posseidon e não tinha aspirações a cavaleiro.

Agora com Saga e Kanon as coisas foram mais difíceis. Ambos eram extremamente habilidosos e desenvolveram com grande rapidez as técnicas com o cosmo e a força física, mas havia uma diferença.

Saga era gentil e carinhoso com todos ao seu redor, sabia ser humilde e respeitar os mais fracos. Já Kanon tinham um gênio mais arrogante, era ambicioso e como um titã, era capaz de pulverizar montanhas se as mesmas se colocassem entre ele e seus objetivos. Entretanto, não poderia negar que ele tinha um bom perfil para ser o guardião de Gêmeos, mas não o próximo Grande Mestre.

Fechou os olhos por alguns segundos, ouvindo a voz do pai ecoar em sua mente, dizendo para ser firme em suas decisões. Ele lhe disse que tempos difíceis viriam e que teria de saber lidar com as situações por isso confiou em seus instintos e escolheu Saga como cavaleiro de Gêmeos.

-Eraen; a voz de Ares chegou até si.

Abriu os olhos voltando-se em direção a porta. O cavaleiro de longas melenas loiro-esverdeadas parecia hesitante em se aproximar. Também pudera, depois do ataque de fúria que tivera ao eliminar os últimos vampiros remanescentes do castelo Dracul que quiseram interpor um obstáculo em seu caminho, para chegar aos pupilos.

-Sim; ela respondeu num murmúrio.

-Te procurei por toda à parte; ele comentou, enquanto entrava na biblioteca e fechava a porta atrás de si.

-Eu estava aqui, como pode ver; a valkiria respondeu sem esconder o sarcasmo.

-Eraen; Ares murmurou cauteloso. Pela forma como as sobrancelhas lilases da jovem haviam se arqueado sabia que ela estava aborrecida.

-Ouça Ares, Saga é o cavaleiro de Gêmeos agora e não vou admitir que você fique o sabotando; ela falou voltando-se com um olhar feroz para o cavaleiro que encolheu-se instintivamente.

-Eu jamais faria isso; Ares falou, sentando-se na poltrona em frente a ela.

-Eu te conheço Ares, de santo e inocente você não tem nada; a valkiria falou com os orbes verdes cerrados de maneira perigosa. –Não vou admitir que você se atreva a humilhar um de meus pupilos;

-Confesso que ainda não entendo porque você o escolheu para ser o cavaleiro de Gêmeos, Eraen... Mas jamais desceria tão baixo a ponto de sabotá-lo, apenas para te contrariar; ele respondeu em tom frio. –Admito que não concordei com a atitude impensada de Saga de sair em missão com a Jéssica sem experiência o suficiente no santuário, por isso fui falar com Kanon e ele decidiu ir por conta própria;

-Como? –Eraen indagou voltando-se surpresa para ele.

-Kanon ficou preocupado que toda aquela inocência do Saga, acabasse o colocando em perigo e decidiu ir, mas avisou que não iria se responsabilizar por nada que acontecesse com a Jéssica... Não foi por uma ordem minha que ele foi e sim, pela própria vontade e responsabilidade; ele frisou.

Impossível! Era completamente impossível acreditar nisso. Durante seis anos viu a batalha interminável que Saga travou para se aproximar do irmão, que sempre fez questão de manter uma barreira entre os dois, mas saber dessa repentina preocupação de Kanon lhe confundia.

Mesmo porque, se Saga não sobrevivesse, o próximo na sucessão da armadura seria Kanon. Essa era a oportunidade perfeita de deixar o irmão fracassar, mas ele optara por protegê-lo.

-Tem coisas que a gente simplesmente não entende; Ares falou com pesar, como se falasse de outra coisa que nada tinha a ver com os gêmeos.

-Giovanni falou que Jéssica vai passar um tempo com ele e Diana em Verona, assim que se recuperar; Eraen comentou, vendo-o arquear a sobrancelha levemente a menção ao italiano.

-Vai ser melhor para ela se manter afastada do santuário e de Arshet por um tempo; o cavaleiro falou. –Shion já enviou alguns cavaleiros de prata para a Trânsilvania, averiguar o paradeiro de Aidan;

-Uma coisa que eu não entendo nisso tudo é porque ele sumiu e não levou a armadura junto; Eraen murmurou pensativa.

-Talvez ele não tenha tido tempo; Ares comentou. –Alem do mais, nós não fomos os únicos a chegar ao castelo;

-É, eu também senti a presença de mais duas pessoas lá; a valkiria falou. –Provavelmente foram atrás de Éris, mas não consigo imaginar quem pode ter sido;

-De qualquer forma, já existem agentes trabalhando para colher informações sobre ela. Aaron e Cadmo estão em Calais, onde houve a primeira aparição de espectros, provavelmente comandados por Éris, quando eles voltarem saberemos a real situação e os outros contatos no continente já estão de sobreaviso. Se qualquer coisa estranha acontecer, nós saberemos;

-...; Eraen assentiu. Embora não estivesse tão confiante de que os cavaleiros seriam capazes de encontrar a divindade. Algo lhe dizia que ela estava inacessível agora, principalmente depois de sentir aqueles dois cosmos estranhos.

Há muito tempo atrás ouvira falar da lenda dos vampiros e da forma como todo o clã Dracul foi condenado pelo Deus da Guerra a viver pela eternidade entre dois mundos. Sem poder usufruir da luz do sol, tão pouco ter uma vida normal como à maioria dos mortais.

Aidan havia desaparecido sem levar a armadura, porém algo lhe dizia que essa não seria sua última aparição. Ele fora, mas deixara algo importante para trás que não poderia ser revertido; ela pensou, lembrando-se do que Giovanni lhe contara.

Quando chegaram ao santuário, havia notado a saliência nos lábios e o tom pálido da pele da jovem, mas só foi associar as coisas depois que Giovanni falara dos caninos e a marca das presas que ela possuía no pescoço agora.

Respirou profunda e pesadamente, aquela armadura agora seria um perigo até mesmo para o santuário. Ela não poderia ficar ali e Jéssica já não tinha mais condições de viver em função daquela missão, alias, já passara tempo demais se dedicando a algo que trouxera tanta discórdia a Terra.

-Preciso falar com Jéssica agora; Eraen falou levantando-se.

-Aconteceu alguma coisa? –Ares perguntou preocupado com o silêncio repentino dela.

-Não, é algo que me lembrei e tenho de perguntar a ela; a valkiria completou e antes que ele pudesse indagar mais alguma coisa ela já havia desaparecido da sala, deixando-o sozinho.

.IV.

Andou distraidamente pela feirinha, a vila próxima ao santuário normalmente era bastante movimentada naquele horário, mas nos últimos dias as pessoas pareciam menos agitadas e passavam mais tempo em casa.

Passou por algumas pessoas que o cumprimentaram brevemente, já outros faziam questão de pará-lo para jogar conversa fora. O pior é que não podia simplesmente dar-lhes as costas e ir embora.

Quando decidira viver ali, sabia que isso iria acontecer e por mais irritante que fosse, não iria sair da Grécia apenas por causa disso. Apesar de tudo, ali era sua casa. Não era porque agora o irmão era o Cavaleiro de Gêmeos e ele tinha que se manter nos bastidores não mudaria seu jeito de agir.

-Hei Tio! Joga a bola; a voz de uma criança chegou até si.

Virou-se a tempo de ver a pequena bola de pano rolar até seu pé. Voltou-se na direção do chamado, com a sobrancelha arqueando-se levemente ao ver uma criança de provavelmente quatro anos bater o pé no chão, impaciente.

Um sorriso levemente sarcástico surgiu em seus lábios quando chutou a bola de volta e por muito pouco não acertou o moleque com tudo.

-Hei seu idiota; o pequeno falou enfezado, pegando a bola e preparando-se para ir enfrentá-lo, quando a mão de um adulto pousou sobre o ombro do pequeno, refreando seus passos.

-Aiolia, não seja mal educado... Agradeça ao senhor e vá brincar em outro lugar. Aqui é movimentado demais e você pode se machucar; o adulto falou.

Observou o homem ao lado do pequeno e franziu o cenho, tinha certeza de que o conhecia de algum lugar, mas onde? Observou novamente a criança quando em sua mente viu a imagem do cavaleiro de Sagitário. É claro, aquele deveria ser o irmãozinho de Aioros e aquele, provavelmente era Gahran.

-Desculpe-o mestre Saga, Aiolia normalmente se esquece de ter educação quando Aioros não esta por perto; Gahran falou fazendo uma reverencia cortes.

-Tudo bem; Kanon murmurou, não o corrigindo sobre quem realmente era.

Viu-o dar-lhe as costas e chamar Aiolia para ir embora consigo, mas o garoto ainda hesitou antes de ir e mostrou-lhe a língua quando ouviu Gahran chamar novamente, saiu correndo atrás do guardião.

-E pensar que um dia essa figurinha ainda vai ser um cavaleiro de ouro; ele falou balançando a cabeça levemente para os lados.

Agora era melhor voltar para a casa, não queria encontrar com mais nenhum conhecido por ai que ficasse lhe chamando de Saga. Entretanto, isso poderia lhe ser útil, já fazia pelo menos uma semana que não tinha noticias de Jéssica.

Sabia que Eraen estava fazendo marcação serrada em cima da jovem, até que ela se recuperasse, mas agora já conseguiria se aproximar, apenas precisava esperar o momento certo; ele pensou.

.V.

Apoiou a cabeça sob os travesseiros, enquanto via a lua vermelha erguer-se no céu grego. A noite já caia e as dores de cabeça que passara a ter nos últimos dias, pareciam sempre amenizar com a chegada da noite.

Muitas coisas estranhas vinham acontecendo sem que conseguisse compreender a razão. A luz do sol não lhe incomodava mais, porém passara a detestar ainda mais o calor que fazia de manhã. Por isso optava por ficar ali dentro nesse período e só sair quando a noite caísse.

Os caninos pareciam desaparecer pela manhã junto com o tom avermelhado dos olhos, mas sempre voltavam quando menos esperava.

Suspirou pesadamente, na noite anterior tivera uma conversa séria com Eraen e a valkiria lhe explicara sobre a importância de proteger a armadura. Sabia que teria de tomar uma providencia com relação a ela, mas não queria treinar um pupilo para ocupar seu lugar.

Não ainda...

Entretanto, sabia de uma forma eficaz que protegeria o legado e a armadura. Dali a três dias deixaria o santuário, mas não iria diretamente para Verona, como havia dito a Giovanni. Iria até Melyora, uma pequena ilha na costa escocesa, conhecida por abrigar antigos mestres druidas, cujos segredos sobre magias e alquimia, eram guardados a sete chaves, menos para ela que já sabia quem procurar lá.

Uma leve batida na porta chamou-lhe a atenção, com um breve 'entre', esperou-a abrir-se. Viu o geminiano entrar meio hesitante e engoliu em seco, fazia três dias que não via Saga, alem é claro, do tempo que estivera inconsciente. Mas era estranho isso acontecer agora; ela concluiu.

-Oi; ele falou aproximando-se da lateral da cama e sentando-se numa poltrona próxima a janela.

-Oi; a amazona respondeu.

-Vim ver como você está; Saga falou observando-a atentamente.

-Melhor, por mim eu já teria levantado, mas Eraen ameaçou me amarrar se eu saísse daqui; Jéssica comentou, com um fino sorriso nos lábios. –E você?

-Levando; ele limitou-se a responder. –Estive falando com mestre Shion e ele já mandou alguns agentes do santuário investigarem o paradeiro de Éris e o que podemos fazer para retardar todo mal que ela vem causando;

-Ah seu eu pusesse minhas mãos nela; ela resmungou retraindo a ponta dos dedos e ele pode notar com perfeição a forma como as unhas finas e vermelhas haviam se alongado por breves segundos. –Jamais vou deixar aquela víbora colocar as mãos na armadura, tão pouco continuar com aquele plano insano;

-Ainda é cedo para se tomar alguma atitude; Saga falou preocupado com o que ela poderia fazer.

-Não, basta só eu sair dessa cama, vou dar um jeito nessa história; Jéssica falou veemente.

-Você ainda não esta bem o suficiente para sair por ai se arriscando; ele falou aborrecido.

-Posso muito bem me virar sozinha; ela rebateu.

-Ah sim, como fez quando estávamos na Trânsilvania? –o geminiano falou, parando no momento que proferiu essas palavras. –Eu... Não era isso que eu ia dizer; ele murmurou vendo-a desviar o olhar. –Não foi sua culpa e-...;

-Sei que fui negligente por não pensar em todas as possibilidades, inclusive que Éris estava por trás disso, mas não vou cometer o mesmo erro uma segunda vez. Já tenho meus planos traçados e vou resolver essa situação, sozinha; ela completou com um olhar ferido.

-Você não pode se arriscar assim Jéssica; ele tentou dissuadi-la.

-Se você veio apenas para ver como estou... Bem, já viu. Não vou detê-lo mais aqui; a amazona falou evitando fitá-lo.

-Jéssica; Saga falou levantando-se e ameaçando se aproximar, mas a jovem deixou bem claro que não queria mais sua presença ali.

O cavaleiro assentiu, conformado. Não havia muito o que fazer se ela havia se retraído e deixado bem claro que não o queria ali. Sem outra alternativa deixou o quarto, lançando um último olhar a jovem antes de fechar a porta.

Continua...


Domo pessoal

Antes de ir, eu gostaria de esclarecer umas coisinhas aqui sobre Blood Lust. A alguns anos atrás, depois da minha louca paixão pelo Alucard de Hellsing, surgiu a idéia de criar uma fic sobre vampiros.

Assim nasceu 14ªOrdem – The Thruth Beginning. Aonde eu conto a história de Victoria Belmonte e Gabriel Belmonte, dois irlandeses que estão diretamente ligados à coroa britânica. Caçadores sanguinários e alquimistas habilidosos.

Com a febre de Hellsing, veio à idéia de juntar vampiros e Saint Seya, assim nasceu Blood Lust. Sei que tem muita gente achando que a Jéssica é meu alter-ego como a Aishi, mas não... Nós só temos em comum mesmo o signo e o nome, bem... Algumas coisinhas aqui e ali, mas só.

A Jéssica como eu disse para uma amiga esses dias é uma mistura de Jéssica Habbit e Dark Angel. A idéia de desenvolver esse personagem é mostrar que ela não é apenas neta de um Van Helsing e aquela ruivinha insossa dos filmes com o Christopher Lee.

Em 1987 Bran Stoker lançou o livro "Um Vampiro da Noite" contando a história de um conte bastante sedutor e de modos refinados, que volta a Londres como dono de uma propriedade em Carfax. O escritor irlandês ainda começou a escrever uma continuação, chamada de Crônicas, mas ele nunca chegou a terminar e algum tempo após morrer, sua esposa conseguiu copilar algumas copias e publica-las, mesmo inacabadas.

Depois de fazer algumas pesquisas, aqui e ali, descobri também que existiu um professor Van Helsing na historia da Romênia, que relatou durante anos histórias sobre vampiros e que serviu de inspiração para o sádico personagem interpretado por Antony Hopkins em "Dracula" com Keanu Reeves e Gary Oldman.

Enfim, muitas foram às fontes que me inspiraram a escrever Blood Lust, ma estou me distanciando do propósito dessa nota (não mais tão pequena rsrsr).

Eu particularmente acharia muito estranho escrever sobre mim como um personagem e acho que se tivesse de me comparar a alguém, acho que seria a Victória de Hellsing, mas o porquê, isso já é tema pra outra historia.

Ademais, gostaria de agradecer de coração a todos que vem acompanhando a história e só tenho que acrescentar que a história não chegou ao fim, tem muitas surpresas pela frente.

Um forte abraço

Dama 9