Blood Lust
By Dama 9
Nota: Os personagens de Saint Seya não me pertencem, apenas Jéssica e Aidan são criações únicas e exclusivas minhas para essa saga.
Este é um trabalho de fã para fã, sem fins lucrativos.
Boa Leitura!
Capitulo 15: Um novo rumo.
.I.
Encolheu-se entre as cobertas, sentindo as lágrimas molharem o travesseiro. Não sabia quanto tempo havia se passado desde que o cavaleiro se fora, mas não queria pensar na falta que sentia dele, das conversas que tinham e até dos momentos loucos da troca de personalidade.
Teria de se acostumar com a idéia de que aquela fora apenas mais uma missão, nada de envolvimento emocional muito menos, deixar-se levar por sentimentos que nublariam sua clareza de raciocínio e a precisão com que deveria tomar decisões.
Entretanto, era difícil convencer-se disso depois de tudo, muitas coisas que tinha por única verdade, haviam mudado naquelas quatro semanas, desde o roubo da armadura. Até mesmo seus conceitos sobre Aidan não eram mais os mesmos.
Quando voltasse a Arshet, iria procurar pelos relatórios da fortaleza, sabia que haviam livros assim em algum lugar, que contavam a história de Arshet desde a época que Gabriel e Kara haviam se mudado para a fortaleza. Quem sabe isso iria ajudar a entender melhor as coisas; ela concluiu.
Ouviu um som baixo de uma porta se abrir, franziu o cenho. Essa era mais uma das coisas que haviam mudado, seus sentidos estavam mais apurados. Passos leves e calculados chegaram até si. Sentiu o momento que alguém sentou-se na beira da cama e preparou-se instintivamente para um ataque quando reconheceu o cosmo.
-Vim ver como você estava; Kanon falou, sentando-se na beira da cama, afastando levemente a massa de cabelos vermelhos que cobria parcialmente a face da jovem. –Espero não ter te acordado;
-Não; ela murmurou, hesitando em virar-se.
Sabia que não era Saga, mas mesmo assim era difícil encará-lo e lembrar-se que por uma negligencia sua, colocara a missão em risco. Se ao menos houvesse sentido a presença de Éris mais rápido e tivesse se prevenido com relação aquela fedelha amante de Aidan, não teria sido pega de surpresa, tão pouco, ferida daquela forma.
-Você passou muito tempo dormindo, como se sente? – ele perguntou casualmente.
Embora no começo houvesse dito a Ares que não iria se preocupar com nada que acontecesse a jovem, apenas com o irmão. As coisas eram diferentes agora, mesmo que não fosse admitir isso com tanta facilidade.
-Bem, um pouco cansada ainda; Jéssica murmurou, por fim sentando-se na cama.
-Todos ficaram preocupados com você, principalmente quando a encontramos e Aidan havia sumido; ele comentou e antes que ela pudesse protestar, enlaçou-a pela cintura, aconchegando-a entre seus braços de maneira protetora.
-Eu deveria ter ficado mais alerta; ela falou apoiando a cabeça sobre o ombro dele.
-Você não teria como saber que Éris estava por trás disso tudo; ele falou serio. –Mesmo porque, foi incompetência do santuário não ter se prevenido contra outras divindades e apenas pensar em Posseidon e Hades. Pelo menos agora esses idiotas abaixam a crista e param de depender apenas dos outros para tomarem uma atitude; ele completou.
Voltou-se para o cavaleiro com um olhar confuso, a maneira como ele falava não condizia com a imagem despreocupada que normalmente demonstrava. Ainda havia aquela história de troca de lugares. Entretanto, de nada adiantaria fazer uma cena sobre isso agora. Deixaria para ter essa conversa com Eraen depois, já que ela era mestra dos cavaleiros e saberia como resolver tudo de maneira indolor. Diferente dela que não estava com cabeça para esse tipo de preocupação agora.
-Você parece preocupada; Kanon comentou, afagando-lhe as melenas vermelhas distraidamente.
-Só estava pensando; ela murmurou, aconchegando-se mais entre os braços do cavaleiro, sentindo a essência inebriante de água do mar chegar até si, embriagando-lhe os sentidos.
Estar mais sensível não era algo tão ruim, quando podia usufruir de pequenas coisas como aquelas.
Acariciou-lhe a face com uma suavidade desconcertante, enquanto a ponta de seus dedos descia pelo queixo da jovem, fazendo-a erguer a face em sua direção. Roçou-lhe os lábios levemente, não encontrando resistência, sentindo-a aos poucos relaxar entre seus braços.
O beijo que aconteceu foi inevitável e algo que ambos desejavam, já havia algum tempo. Deixou os dedos entrelaçarem-se entre os fios vermelhos, puxando-a para mais perto de si. Seus lábios se encontraram ansiosos e acolhedores.
Enlaçou-o pelo pescoço, sentindo o corpo estremecer em antecipação. Alheios ao resto do mundo, mal notaram uma sombra projetar-se pela fresta da porta e desaparecer com a mesma rapidez com que havia surgido.
Deixou os lábios correrem pela face da jovem, descendo pela curva do pescoço, causando-lhe um intenso arrepio.
Sentiu a mente nublar-se completamente e ouvia apenas o som das respirações descompassadas e o coração batendo acelerado. Abriu os olhos e viu o momento que o cavaleiro respirou fundo e uma veia sobressaiu-se em sua garganta.
Os orbes castanhos tornaram-se gradativamente vermelhos e os caninos tornaram-se mais salientes. Casualmente, os dedos delicados envolveram uma mecha de fios Royal, puxando-o mais para si. Ouviu um fraco gemido escapar dos lábios dele e seus olhos tornaram-se completamente vermelhos.
Deixou os lábios correm pelo pescoço dele, enquanto as mãos delicadas corriam pelas costas do geminiano, arranhando-lhe a pele mesmo por sobre o tecido da camisa.
-Jéssica; Kanon falou num sussurro enrouquecido.
-Xiiiiiiiii; ela sussurrou, deixou os caninos roçarem a pele quente do cavaleiro arranhando-lhe levemente e teria os cravado ali se não houvesse recobrado a consciência do que fazia.
Com as mãos espalmadas, afastou o cavaleiro de perto de si, sentindo a respiração totalmente descontrolada.
-O que foi? –ele perguntou preocupado, ao senti-la tensa.
-Acho que não estou tão bem quando pensava; ela murmurou, desviando o olhar, enquanto passava a mão nervosamente pelos cabelos, sentindo a cabeça latejar.
Por Zeus, o que pretendia fazer? –ela se perguntou assustada. Era obvio que pretendia mordê-lo, mas definitivamente isso não era um bom sinal, não quando perdia completamente a cabeça apenas por ouvir o som de um coração batendo ou ao sentir cheiro de sangue.
-Você esta um pouco pálida; Kanon comentou confuso com a mudança repentina. –É melhor você dormir um pouco, ainda esta se recuperando; ele murmurou.
-...; Jéssica assentiu, mas retraiu-se quando o cavaleiro pousou um rápido beijo em seus lábios antes de levantar-se.
-Durma bem;
-Obrigada; ela murmurou, ouvindo o som da porta se fechar.
Encolheu as pernas e apoiou o braço sobre elas para descansar a cabeça. Agora não entendia mais nada. Que impulso fora aquele? –ela se perguntou preocupada. Por muito pouco não deixara o instinto dominar seus pensamentos.
-Pode sair Eraen, sei que você esta aqui; a amazona murmurou, vendo a imagem da valkiria projetar-se entre as sombras.
-Acabei de chegar; ela falou como quem não quer nada.
-Não, já tem algum tempo que você estava aqui nos observando, espero que tenha apreciado o show; Jéssica falou sarcástica. –Ou preferia que eu o houvesse mordido de uma vez?
-Como você-...; Eraen falou surpresa, mas parou ao concluir o que acontecera. –Você esta mais sensível para as coisas, deveria ter imaginado que não conseguiria esconder meu cosmo de você;
-Realmente; ela concordou.
-Tive a impressão de que você queria falar comigo, por isso vim, só não esperava encontrar Saga por aqui; a valkiria falou casualmente.
-Kanon; Jéssica a corrigiu.
-Como? –Eraen indagou evidentemente desconcertada.
-Aquele era o Kanon, não o Saga; a amazona falou estreitando os orbes de maneira perigosa em sua direção. –E devo supor que você, como mestra de ambos, já sabia disso, não?
-...; Eraen assentiu, não havia por que mentir agora. –Como você descobriu?
-Eles conseguiram me confundir no começo, mas Saga e Kanon são como água e vinho. Ambos têm suas qualidades, mas são completamente diferentes um do outro; Jéssica falou recostando-se na guarda da cama. –Alem do mais, o cosmo de irmãos pode ser parecido, mas não igual e tive tempo de sobra para notar a diferença entre os dois, para perceber isso; ela explicou.
-Imaginei que você não demoraria a saber; Eraen comentou. –Mas Saga não sabia que Kanon estaria lá; ela explicou.
-Como? –Jéssica indagou.
-Kanon ficou preocupado com Saga saindo em missão, sem estar pronto e decidiu ir atrás para garantir que ele iria ficar bem. Embora Saga seja o guardião de Gêmeos, Kanon teve o mesmo treinamento e está apto a usar qualquer técnica que for necessária; Eraen explicou. –Até a pouco tempo eu também não sabia que ele tinha feito isso;
-Entendo; ela murmurou pensativa.
-Mas vim aqui saber que decisão você tomou com relação à armadura? – Eraen perguntou mudando de assunto.
-Vou até Melyora, existe alguém lá que pode me ajudar a resolver isso; Jéssica falou.
-É o melhor a fazer; ela comentou.
-Depois vou passar um tempo em Verona, parece que Diana vai ficar um tempo lá para preparar melhor a sobrinha para treinar, antes de voltar à Grécia e Giovanni tem algumas coisas a resolver na Coliseu. Então vou ter bastante tempo para colocar minha vida em ordem; a jovem falou.
-Giovanni me contou que havia combinado com você de ir a Verona.
-Contou, é? –Jéssica falou em tom de provocação, com um sorriso bem típico de seu signo.
-Não gosto dessa cara; a valkiria falou, franzindo o cenho.
-Qual? –ela indagou casualmente.
-Essa que esta fazendo, cheia de segundas e terceiras intenções; Eraen falou.
-Imagina, só estava pensando que assim... O Don é um homem muito bonito, não é mais casado, já tem filho criado, o que nos leva ao ponto de que não teria nenhuma criança a tira-colo para atrapalhar e parece bastante interessando em você; ela completou com um sorriso insinuante.
-Você não sabe do que esta falando. Eu e Giovanni somos apenas bons amigos; Eraen falou aborrecida.
-Uhn! Amigos! Sei... Mas não é o que o Ares pensa; ela alfinetou.
-O que o Ares pensa ou deixa de pensar não é problema meu; ela falou enfezada.
-Verdade! E também se vocês não têm nada a ver um com o outro, não tem porque você ficar irritada com aquele monte de amazonas que freqüenta a arena com bastante freqüência para vê-lo treinar e que tem por habito comê-lo com os olhos, não é mesmo? –Jéssica alfinetou.
-Como é que é? –ela exasperou levantando-se da poltrona que se sentara, com um olhar ameaçador.
-Eraen! Eraen! Você gosta dele; a amazona falou balançando a cabeça levemente para os lados. –É só esse seu orgulho patético que atrapalha;
-Nós não temos nada, Jéssica; Eraen falou em tom frio.
-Papai costumava dizer, que pior cego é aquele que não quer ver; ela murmurou pensativa. –E ele dificilmente estava errado;
-Sente muito falta dele? –a valkiria indagou acalmando-se.
-Ás vezes eu tento não pensar nisso, mas sim... Não tem como não sentir; Jéssica falou. –Por isso, não espere ser tarde de mais para fazer o que realmente vale a pena... Qualquer um pode ver o quanto Ares gosta de você, mesmo ele sendo na maioria das vezes um idiota arrogante; ela falou.
-Quando pretende partir? –Eraen perguntou mudando de assunto.
-Daqui dois dias, é tempo suficiente para que eu me recupere e resolva as últimas coisas com Gio; ela respondeu.
-...; a valkiria assentiu, antes de se despedir e deixar o quarto.
.II.
Desceu as escadas calmamente, enquanto ouvia o cavaleiro de Sagitário tentar mais uma vez dissuadi-la de partir. O prazo que dera a Eraen já havia espirado e tinha de seguir em frente. Segurou com força a alça da urna as suas costas, para que ela não caísse.
A passagem já fora marcada no aeroporto e voaria para a Escócia primeiro, de lá, iria para Verona, onde Diana e Giovanni estariam lhe esperando.
-Tem certeza que não pode ficar mais um pouco? –Aioros indagou. –Alem do mais, queria que você me mostrasse de novo àquela técnica com os morcegos; ele falou.
-Quem sabe na próxima vez; Jéssica respondeu sorrindo. –Porque agora tenho de ir mesmo, essa armadura não pode ficar desprotegida, principalmente porque não sabemos mais nada sobre Éris; ela explicou.
-Quando pretende voltar ao santuário novamente? –ele quis saber.
-Não sei; a amazona respondeu e por um breve instante teve vontade de dizer 'nunca', mas não o fez. A verdade era que não tinha mais pretensões de voltar ao santuário, a menos que tivesse um pupilo a apresentar e isso não iria acontecer tão cedo.
-Bem, de qualquer forma, só gostaria de agradecê-la pelo que fez aquele dia; Aioros comentou, chamando-lhe a atenção.
-Uhn? –ela murmurou.
-Sobre a armadura, embora eu não saiba se Aiolia irá querer se tornar um cavaleiro, agradeço por ter me deixado responsável pela armadura de Leão; o cavaleiro falou. –Imagino que não deve ter sido fácil ver outra pessoa, com pouca capacidade, reivindicá-la;
-Não, não foi... Por isso não tive um pingo de dó daquele verme; Jéssica falou em tom frio. –Alias, não costumo ter muita piedade dos que acham que o mundo tem de curvar-se perante si, sem que façam o mínimo esforço para evoluir;
-Entendo; Aioros falou parando nos degraus da casa de Virgem. –Infelizmente minha parada é aqui, mas lhe desejo boa viagem;
-Obrigada; Jéssica respondeu sorrindo. –Cuide-se!
-Você também; ele falou acenando, quando ela se afastou e começou a descer os degraus do próximo templo.
Deu um pesado suspiro, não gostava de mentir, mas não queria ser inconveniente e descer com a amazona até Gêmeos. Era melhor que ela e Saga se entendessem de uma vez antes que ela fosse.
Nos últimos dois dias, o cavaleiro ficara trancado em casa, sem colocar o nariz para fora. Nem mesmo ele sabia o porquê disso, embora tivesse a suspeita de que tinha algo a ver com ela.
Balançou a cabeça levemente para os lados, enquanto voltava a subir os degraus para seu próprio templo. Gostaria que aqueles dois houvessem se conhecido numa época mais tranqüila e livre de tantas tensões como agora. Onde ambos fossem duas pessoas normais que se conheceram ao acaso, ou devido a uma pequena travessura do destino.
Entretanto, a verdade era outra e bem diferente. Ambos tinham uma missão a cumprir, mesmo que muitas vezes tivessem de esquecer de si próprios para tanto. Era algo injusto se fosse analisar friamente, mas como diria Darwin, aquela era a seleção natural das coisas.
-o-o-o-o-o-o-
Passou templo por templo, encontrando a maioria de suas casas vazias. Hesitou por alguns segundos ao parar em Leão, mas seguiu em frente, o templo estava vazio e não havia porque ficar ali remoendo um passado que não voltaria.
Em Câncer Giovanni arrumava as malas, o avião do italiano partiria pelo menos duas horas depois que o seu, por isso não o deixou se apressar em arrumar as coisas apenas para lhe acompanhar ao aeroporto.
Despediu-se dele e desceu para a próxima casa, essa já foi um pouco mais complicado atravessar, sentiu uma atmosfera de tensão no ar enquanto caminhava. Porém quando pressentiu que se aproximava da saída, viu as luzes do corredor de apagarem e sombras esbranquiçadas passarem pelas paredes.
-Saga, eu preciso passar; ela falou com ar cansado, ao sentir o cosmo do cavaleiro se manifestar criando um labirinto, se começasse correr buscando pela saída, apenas iria se cansar.
-Foi assim que nos conhecemos; a voz do cavaleiro soou vinda de todos os lados.
Respirou fundo tentando conter a torrente de emoções que lhe envolviam, agora não era o momento para despedidas dramáticas; ela pensou engolindo em seco.
-Foi e espero não ter de lembrá-lo que você levou a pior; ela provocou.
-Realmente, por isso nada mais do que justo, eu ter minha revanche agora; ele falou casualmente, surgindo a dois metros a frente dela.
-Você não pode estar falando sério; a amazona falou incrédula.
-Estou e é melhor você se colocar em guarda, pois não vou ter dó de atacá-la; ele avisou.
-Você é louco; Jéssica falou balançando a cabeça levemente para os lados.
-Não, quero apenas uma desforra; ele falou e antes que ela pudesse reagir o cavaleiro avançou.
Ele realmente não estava brincando, esquivou-se do golpe do cavaleiro, mas teve de se apoiar em um dos pilares do templo quando as paredes mudaram de cor novamente, deixando-lhe atordoada.
-Espera me vencer assim, Saga? –ela alfinetou.
-Quem sabe? –ele rebateu elevando seu cosmo ainda mais.
Pelo visto não teria outro jeito; a amazona pensou respirando fundo. Os orbes antes castanhos tornaram-se vermelhos, acendendo-se como chamas incandescentes na escuridão do salão.
Não demorou muito para que o cavaleiro ouvisse o som de asas batendo. Embora não fosse capaz de enxergar no escuro, guiava-se pelo cosmo da amazona, mas do nada, sentiu-o espalhar-se por toda a parte como o som das asas que tornou-se mais alto.
Alerta, esperou pelo primeiro ataque e quando ele veio, os dois cosmos poderosos chocaram-se causando uma grande explosão que iluminou todo o templo. Viu abismado a quantidade de morcegos que estavam presos ao teto do salão, tal momento deu a brecha necessária a jovem para atacar novamente.
Esquivou-se com agilidade e contra atacou. Era como se lutasse com um fantasma, algo intangível que não pudesse tocar.
-Hora de acabar com isso; ele falou elevando seu cosmo ainda mais. –Explosão Galáctica!
-Maldição do Senhor da Noite;
Os cosmos chocaram-se com tudo, fazendo as paredes do templo tremerem. Aos poucos a luz foi voltando e os morcegos aos poucos foram desaparecendo. Em um canto do salão o geminiano respirava com dificuldade, tentando acalmar-se depois do que acontecera.
-Você luta bem para um iniciante; Jéssica provocou, chamando-lhe a atenção.
Voltou-se para a amazona e viu-a sentada na urna, fitando-o displicente, mas o curioso foi vê-la com a armadura de vampiro. Foi quando reparou que nunca havia a visto assim antes.
O metal negro da armadura parecia cintilar em contraste com os cabelos vermelhos, os orbes castanhos pareciam ainda mais intensos e avermelhados agora. Provavelmente ela não conseguiria suportar o golpe se não houvesse vestido a armadura.
-Mais alguns anos de aperfeiçoamento e você estará no ponto; ela completou levantando-se.
-Quem sabe? –ele falou dando de ombros.
-Eu; Jéssica respondeu retirando a armadura e guardando-a na urna novamente. –Enquanto você não perder a fé em si mesmo, poderá cometer muitos milagres. Mas acima de tudo, não esqueça quem você é, Saga; ela completou fitando-o intensamente.
-...; o cavaleiro assentiu, inquieto com o olhar perscrutador que recebera.
O mesmo olhar que ela lhe lançara quando estavam na carruagem e sentira na pele, pela primeira vez quais eram os poderes que a amazona de vampiro possuía. Era como se ela fosse capaz de ler sua alma e isso era inquietante.
-Podemos dizer que foi um empate então; Jéssica falou, enquanto seguia para a saída, sendo acompanhada por ele.
-Talvez? Quem sabe daqui alguns anos não nos encontramos novamente e as coisas possam ser diferentes; ele falou casualmente, embora não fosse apenas daquele duelo que ele se referia.
-Não sei, tudo tem seu tempo, amanhã já será diferente de hoje e hoje é diferente de ontem. Impossível prever o que irá acontecer daqui dois anos ou dez; Jéssica falou pensativa. –Mas se um dia precisar de ajuda, já sabe que pode me procurar; ela falou estendendo-lhe a mão.
-Digo o mesmo; o cavaleiro falou, tentando esconder o ar desapontado, quando a puxou para seus braços, abraçando-lhe apertado.
-Você é um bom amigo Saga, não perca a fé, pode parecer piegas, mas o destino da Terra agora esta em suas mãos e de tantos outros por aqui, não deixe que as adversidades mudem o caminho que você tem de seguir; ela falou antes de se afastar. –Se cuida!
-Você também; ele falou vendo-a acenar e descer o próximo lance de escadas rumo a Touro.
Passou a mão nervosamente pelos cabelos, tentando conter o impulso de ir atrás e impedi-la de partir. Sabia que de nada adiantaria, apenas precisava repetir isso mais um pouco a si mesmo, até se convencer.
-Vai deixá-la ir assim, sem mais nem menos? –ele indagou friamente.
-Você mesmo ouviu o que ela disse; a voz do irmão soou atrás de si.
-Sim ouvi mesmo, mas também sei o que eu vi duas noites atrás no último templo; Saga falou sentindo o irmão ficar tenso.
-Saga!
-Se deixá-la partir assim, você vai ser um grande idiota; o geminiano falou virando-se e encaminhando-se para dentro do templo novamente. –E não vai ser o irmão que eu pensava que fosse; ele completou desaparecendo entre os corredores.
-Como? –ele indagou, mas Saga já não estava mais por perto.
Voltou-se para as escadas e ponderou sobre o que ouvira. Saga tinha razão, não podia deixar as coisas assim, mesmo que corresse um grande risco com isso; ele concluiu ao descer correndo as escadas.
.III.
-Primeira chamada para o vôo 562 com escala em Edimburgo; uma voz eletrônica anunciou pelos alto-falantes da sala de embarque.
Era esse o avião que iria pegar, dali a três horas iria estar desembarcando na capital escocesa e de lá, seguiria para Melyora. Só esperava que Ryana ainda estivesse lá; ela pensou.
A armadura já fora devidamente despachada por um dos agentes do santuário, envolvido com a alfândega, como não trouxera muitas coisas na viajem, manteve a mochila que trazia consigo, assim não demoraria para desembarcar quando chegasse.
Levantou-se da cadeira que estava sentada e encaminhou-se junto de outras tantas pessoas para a saída de embarque, onde seguiriam para o avião.
-Jéssica!
Deteve-se a poucos passos da comissária de bordo que pegava as passagens, virou-se hesitante para trás quando viu o geminiano se aproximar. Recuou um passo apenas por instinto quando ele parou a sua frente.
Entreabriu os lábios para falar, mas as palavras simplesmente morreram quando os lábios do cavaleiro tomaram os seus num beijo intenso. Ao longe teve a impressão de ouvir o barulho da mochila cair no chão quando a soltou para enlaçá-lo pelo pescoço, mas não se importou. Tão pouco pensou na quantidade de pessoas que passavam por ali e olhavam a cena com no mínimo um pouco de curiosidade.
Abraçou-a fortemente antes de se afastarem, notou a face da jovem adquirir um rubor tão intenso quanto à cor de seus cabelos. Um fino sorriso formou-se em seus lábios vendo-a corar ainda mais.
-Boa viagem; ele sussurrou.
-Obrigada; Jéssica falou afastando-se completamente, lembrando-se do que quase acontecera duas noites atrás, era melhor ficar longe, não costumava pensar com clareza com ele assim tão perto.
-Última chamada para o vôo 562 com escala em Edimburgo; uma voz eletrônica anunciou novamente.
-Preciso ir; ela falou hesitante.
-...; Kanon assentiu recuando um passo e pegando a mochila que ela deixara no chão. –Aqui; ele falou estendendo-lhe a alça.
-Obrigada;
-Até algum dia; Kanon falou casualmente.
-Adeus Kanon! –Jéssica sussurrou afastando-se e seguindo até a comissária de bordo que lhe esperava.
Voltou-se rapidamente para a amazona, tivera a impressão de ouvi-la dizer seu nome e não o de Saga como na maioria das vezes. Balançou a cabeça freneticamente para os lados, deveria ser só impressão a sua. Ela não tinha como saber que eram dois e não apenas um. Do contrario, já teria lhes esfolado o couro se soubesse; ele concluiu antes de voltar para o vilarejo.
Quem sabe um dia seus caminhos voltassem a se cruzar, mas como ela mesma havia dito a Saga, as coisas poderiam ser diferentes ou não. Quem poderia saber? –ele concluiu dando de ombros.
Continua...
