BLOOD LUST

By Dama 9


Nota: Os personagens de Saint Seya não me pertencem, pertencem a Masami Kuramada e a Toei Animation. Personagens como Aidan, Eraen, Diana e Jéssica são criações únicas e exclusivas minhas para essa saga.


IMPORTANTE!

Dama 9 e amigos incentivam a criatividade e liberdade de expressão, mas não gostamos de COPY CATS. Então, participe dessa causa. Ao ver alguma história ou qualquer outra coisa feita por fã, utilizada de forma indevida sem os devidos créditos, Denuncie!

Boa Leitura!


Um obrigada especial a equipe da Discovery Channel que produziu maravilhosamente bem o documentário sobre vampiros lançado há pouco tempo, que foi uma das grandes fontes de estudo para que eu pudesse escrever Blood Lust, em especial esse capitulo.


Capitulo 17: O Livro dos Vampiros – Parte I.

.I.

Fortaleza de Arshet / 2 anos depois...

Sentou-se sobre a grama macia, enquanto observava os campos verdejantes abaixo da colina. Sentia como se um século houvesse se passado desde os seis meses que passara em Melyora e depois de uma curta temporada em Verona, até voltar para a casa.

Respirou fundo, fechando os olhos por alguns segundos, enquanto uma brisa suave esvoaçava os longos cabelos vermelhos. Ouviu um latido conhecido e virou-se para trás abrindo os olhos no momento que uma mancha branca chocou-se contra si.

-Hades; Jéssica falou caindo para o lado quando o cachorro branco pulou em cima de si.

Ouviu-o latir ainda mais alto em seu ouvido e lascar-lhe uma lambida do rosto de baixo a cima. Torceu o nariz, empurrando-o um pouco para o lado, enquanto tentava sentar-se ereta novamente.

-Desculpe, senhora; Marie falou aproximando-se correndo e ofegando. –Mas não conseguimos fazê-lo ficar preso no canil; a jovem empregada tentou se explicar.

-Não duvido; a amazona falou lançando um olhar de esguelha ao animal que acabara de deitar-se confortavelmente a seu lado, na típica posição de Esfinge e parecia alheio ao desespero da outra garota.

-Eu até tentei segurá-lo, mas ele derrubou todos que se colocaram em seu caminho e veio correndo até onde a senhora estava; Marie falou apoiando as mãos nos joelhos e respirando fundo.

-Tudo bem, Hades não nasceu pra ficar enjaulado; Jéssica respondeu acariciando os pelos quase prateados do cachorro, enquanto o mesmo virava-se de barriga para cima e agitava as patas no ar.

-Com licença; a jovem falou afastando-se em seguida.

-Que confusão você aprontou dessa vez, Hades? –Jéssica perguntou baixando os olhos para o cachorro.

Viu-o parar no mesmo segundo e fixar os expressivos orbes azuis em si. Suspirou cansada, desde que chegara a Arshet, recebera a visita freqüente do cachorro branco, alguns empregados da fortaleza tinham medo dele, dizendo que Hades deveria ser uma mistura de cachorro com lobo. Entretanto, aquele animalzinho desavergonhado não fazia mal a uma mosca.

Sempre se mostrara muito dócil e com o tempo, mandou construir um canil para ele na casa, mas ele insistia em sempre estar perto de si e nem mesmo a ameaça de prendê-lo numa corrente para se comportar, ele deixava de aprontar das suas para estar consigo.

-Acho que vou mandar você para passar uma temporada com o Aaron na Sibéria, quem sabe você não aprende a se comportar um pouquinho que seja; ela falou coçando atrás de suas orelhas.

Ouviu-o gemer e contorcer-se, até segurar sua mão com as duas patas. Deu um baixo suspiro, não tinha a menor moral com aquele cachorro. Ele sempre parecia lhe ignorar quando era conveniente, ou bancar o manhoso quando queria carinho; a amazona pensou balançando a cabeça levemente para os lados.

E ela, tinha o coração mole demais e não conseguia ficar brava com ele mais do que alguns poucos segundos.

-É, somos um caso perdido; Jéssica murmurou, deitando-se na grama e fechando os olhos.

Agora não tinha mais aquela preocupação vinte e quatro horas de proteger a armadura, com a ajuda de Avalon conseguira uma forma de conter toda a energia dela, impedindo que mais um vampiro corrompido aparecesse.

Entretanto, toda calmaria significa o prenuncio de uma tempestade. A armadura não residia mais em Arshet, ou melhor, parte dela não estava mais ali. O Lacre de Houren como explicara Avalon no começo do treinamento, não era apenas um encantamento básico de chave e cadeado para conter energia.

Era uma coletânea muito antiga de formulas alquímicas, capazes de usar os elementos da natureza somados a energia vital e criar uma terceira coisa de valor equivalente. Entretanto, nas mãos erradas, as formulas que seriam para ajudar, tornariam-se armas letais. As maldições, como conheciam.

Chegara a ver algumas das formulas proibidas, que apenas os membros mais antigos do conselho tinham conhecimento, mas optou por não aprender nenhuma. Fora veemente ao dizer a Avalon, que preferia manter-se na ignorância com relação aquilo. Tal conhecimento utilizado num momento errado, poderia causar uma catástrofe e também, não queria ficar se policiando o tempo todo, para que ninguém lesse seus pensamentos e descobrisse como usar as formulas.

Suspirou cansada, enquanto virava-se de lado e brincava distraidamente com os pelos de Hades, deixando os dedos entrelaçarem-se nos fios prateados, enquanto observava distraidamente o vento balançar a copa das árvores. Não, não queria mais preocupações...; ela pensou.

.II.

Escócia/ Ilha de Melyora / 2 anos atrás...

Observou-a longamente antes de aproximar-se. Já alguns dias vinham notando o quanto ela se tornara silenciosa e como esquivava-se da agitação da vila. Isso era preocupante, principalmente depois que haviam terminando o treinamento.

Sabia que uma hora ou outra ela decidiria partir. A permanência de Jéssica em Melyora era apenas em função da armadura. Entretanto, era difícil lembrar-se disso freqüentemente.

-Jéssica; Avalon chamou.

-Sim? –ela falou voltando-se para ele, enquanto acomodava-se melhor sentada sob o toco de uma árvore tombada na beira da praia.

-Gostaria de dar uma palavrinha com você; ele falou.

-Tudo bem; a amazona murmurou. –Esta acontecendo alguma coisa? –ela indagou.

-Eu sinceramente gostaria que você me dissesse; Avalon falou, enquanto vencia a distancia que os separava e sentou-se ao lado dela.

-Como? –Jéssica perguntou voltando-se para ele.

-Nos últimos dias você tem andado inquieta, distante; ele respondeu, enquanto passava a mão distraidamente pelos cabelos vermelhos como fogo. – Espero que ninguém da vila tenha lhe aborrecido;

-Não, não; a jovem apressou-se em responder. –É só que... Não sei; ela murmurou dando um pesado suspiro. –Nos últimos meses aprendi muitas coisas aqui, principalmente a me tornar uma pessoa mais tolerante e deixar as coisas acontecerem em seu próprio tempo. Entretanto, sinto que tem alguma coisa faltando. Algo que ficou pela metade e que eu preciso resolver; ela falou cansada.

-Todos, vez ou outra se sentem inquietos, como se algo faltasse. Mesmo aqui, onde tudo é tranqüilo. As pessoas vivem na mesma rotina de sempre, os pescadores acordam pela manhã e saem de barco. As senhoras cuidam de suas famílias e os jovens vão a cidade estudar. Todos tentam manter vivas as tradições, embora saibam que alguma coisa vai se perder no caminho. Desejavam fazer sempre mais uns pelos outros, mas sempre falta algo;

-Talvez seja apenas o péssimo habito do ser humano de nunca se contentar com o que já tem e querer sempre mais; ela falou levemente irônica.

-Ambição desmedida deturpa a alma e confunde os objetivos, mas é necessário saber dosar, para ter a força de que é preciso para seguir em frente e lutar; Avalon falou.

-Como tantos alquimistas vieram se reunir aqui? –Jéssica perguntou, lembrando-se de que todas as noites eles se reuniam num galpão de madeira no centro da vila, onde os moradores contavam histórias e todos falavam de suas experiências com alquimia, como algo tão natural quanto respirar.

Para uma pessoa comum, saber que poderia manipular os elementos da natureza a seu bel prazer, poderia ser um perigo. Já aquelas pessoas agiam de maneira tão simples, que era chocante.

-É um conhecimento passado de pai pra filho, de avô pra neto e de filho pra filho; Avalon respondeu. –São tradições que precedem nossos mais antigos ancestrais. É algo que esta dentro de nós, mesmo que tendemos lutar contra;

-Você já tentou? –Jéssica indagou curiosa.

-O que? –ele perguntou voltando-se para ela.

-Lutar contra esse paradigma; ela explicou.

-...; Avalon assentiu. –Mas com o tempo aprendi que pra tudo existe um por que, mesmo que no presente momento nós não saibamos as respostas. Veja essas pessoas; ele falou indicando duas senhoras que corriam apressadas para a beira da praia, levando cestas com o almoço que entregariam a seus maridos pescadores. –Desde que cheguei aqui, não tem um dia que elas atrasam o horário ou simplesmente se esquecem do que estão fazendo. Elas poderiam estar em qualquer lugar, mas escolheram ficar aqui;

-Tudo é uma questão de escolha; Jéssica comentou. –Mas quando se tem o peso da família por trás, as coisas se tornam mais perigosas;

-Não quando você aceita seu destino; Avalon respondeu de maneira enigmática.

-Digamos que eu seja um pouco cética nesse parâmetro; ela falou com um fino sorriso nos lábios. –Acredito que existem coisas que devem acontecer no tempo certo, mas não gosto de atribuir isso ao destino. Ele é abstrato demais para ter tanta importância;

-Interessante esse ponto de vista; ele comentou distraído. Realmente, muito interessante.

.III.

Ouviu-a dar um baixo suspiro, enquanto a brisa suave do fim de tarde jogava os longos fios vermelhos sobre a face alva. Com cuidado para não acordá-la, afastou alguns fios. Os orbes azuis observaram-na com a atenção de um artista diante de sua musa.

Era como se o tempo não existisse ali e nada mais importasse. Balançou a cabeça levemente para os lados, quando deixara a Romênia, no meio daquele pandemônio, jamais pensou que iria reencontrá-la mais rápido do que havia previsto.

Saber da traição de Sthephen lhe deixara enfurecido, nem mesmo a traição de Sire, ou melhor Éris, lhe deixara tão furioso quanto à de Sthephen. É lógico que havia imaginado que outros vampiros tentariam tomar a armadura para si, quando a possibilidade de ter morrido, surgisse.

Entretanto, Sthephen fora o único bastardo atrevido que fora até Melyora tentar roubá-la. Um fino sorriso formou-se em seus lábios, os boatos da morte do vampiro chegaram até si em Carfax e naquele momento soube que se não fosse atrás de Jéssica, ela poderia acabar se colocando em perigo.

Sabia do perigo que corria ao aproximar-se dela novamente, como caçadora ela podia sentir a presença de um vampiro no raio de dois quilômetros, mas e quanto a ele? Também sentiria sua presença, mesmo que a ocultasse? Não sabia, mas decidira correr o risco.

Com isso descobrira que ela não podia sentir sua presença se não quisesse. Mas em alguns momentos, usando aquele ridículo disfarce canino, tinha a impressão de que ela sabia quem era.

Agora sua maior preocupação não era a armadura e sim a nova empreitada que a amazona decidira iniciar. Passou a mão nervosamente pelos cabelos, ela era teimosa demais para admitir os riscos que estava correndo.

Jéssica pretendia ir a Valaquia, não como caçadora, mas como historiadora. Já havia visto os rascunhos que ela fizera sobre o projeto que chamava de 'O Livro dos Vampiros'. Era uma coletânea de informações referente aos vampiros que ainda tinham influência sobre o mundo moderno.

Parecia algo trivial, mas conhecia um bom numero de pessoas que não iria aprovar a idéia, principalmente os vampiros mais antigos que viviam nas Terras Altas da Islândia e da Escócia.

-"Não sei como vou fazer, mas preciso impedi-la de se meter em problemas"; ele pensou, acariciando-lhe a face suavemente, vendo-a remexer-se um pouco.

Ouviu ao longe passos de alguém se aproximando rapidamente, mas quando Marie terminou de subir a colina preocupada, tendo a impressão de que havia visto alguém ao lado da senhora da fortaleza, encontrou apenas Hades esparramado sobre a grama, aconchegado as costas da dona, dormindo tranqüilamente.

Balançou a cabeça levemente para os lados, se fosse algo realmente perigoso, o animal já estaria alerta. Então, não deveria se preocupar; ela concluiu.

.IV.

Enquanto ouvia as turbinas do avião começarem a esquentar, cruzou as pernas de forma que pudesse apoiar um caderno sobre o joelho, a Mont Blanc vermelha entre seus dedos bateu levemente sobre as folhas brancas, enquanto distraída, rabiscava cubos e estrelas no canto das pàginas.

Não sabia mais o quanto de uma vida normal poderia ter, o fato de sentir seu coração bater ou a luz do sol não lhe ferir, não queria dizer muito. Desde aquele dia em que a vila fora atacada por Stephen, nenhum outro vampiro cruzara seu caminho.

Era como se as coisas houvessem se acalmado deste e do outro lado das linhas inimigas. Éris também desaparecera do mapa e o pouco contato que mantinha com Ares no santuário, lhe deixava a parte da precaução que eles estavam tomando para qualquer aparição da divindade em algum canto do mundo, ou de algum adepto seu.

O que levava-lhe a decisão que tomara de ignorar as outras formulas do lacre de Houren, aquelas que por prudência decidira não explorar, mesmo porque, ainda existia aquela Jéssica vestida de diabinha que surgia a seu lado numa nuvem de fumaça vermelha como parte de sua mente, vez ou outra, tentando-lhe a cometer pequenos absurdos, que se deixasse se levar, talvez não tivesse volta.

A mesma Jéssica diabinha que aparecia em sua mente com um tridente para lhe espetar, cada vez que sentia o cheiro de sangue em algum lugar, ou quando a noite caia e seus demônios interiores tomavam vida entre as sombras na parede.

Entretanto, ainda bem que tinha aquela outra Jéssica para conter-lhe os sentidos, aquela vestida de branco, com asas e aureola de anjo sentada numa nuvem tocando harpa que espantava a outra e lhe mantinha o juízo intacto.

Suspirou pesadamente, quando dizia a Giovanni que eles possuíam o signo mais complicado do zodíaco, o canceriano ria, dizendo apenas que não havia conseguido domar o próprio gênio. Talvez ele tivesse razão, mas parte de si, não saberia dizer se o anjo ou a diabinha, não queriam que esse gênio fosse domado e preferiam as coisas como estavam no momento.

-Deseja algo, senhora? –uma comissária indagou, parecendo meio relutante em se aproximar.

Passou a mão nervosamente pelos cabelos, não fora nada fácil fretar aquele jatinho para a viagem que iria fazer. Se fosse num vôo comercial não poderia levar Hades consigo e a simples menção de deixar o cachorro em casa, foi o suficiente para que ele entrasse em depressão.

Balançou a cabeça levemente para os lados lembrando-se do apuro que passara quando Hades simplesmente se recusara a comer ou até mesmo passear pelos campos de Arshet, enquanto não decidiu que fretaria um jatinho para poder levá-lo junto.

-Não, obrigada; Jéssica respondeu sorrindo para comissária que afastou-se rapidamente. Ouviu Hades rosnar baixinho e voltou-se para ele com os orbes serrados. –Se você nos fizer ser expulsos do avião, eu te mando pra Sibéria; ela avisou.

Hades ganiu, encolhendo-se na típica posição de Esfinge aos pés da poltrona dela e fitou-a com aqueles grandes olhos azuis, capazes de comover até o mais frio dos ice bargs.

-E não me olhe assim, não quero nem ver como vai ser quando tiver de procurar por uma pousada; ela completou, acomodando-se melhor no acento.

Respirou fundo, enquanto voltava seus olhos para a página antes branca, agora totalmente preenchida por estrelinhas e cubos. Aquele era um habito antigo que não conseguia perder. Ficar rabiscando o que tivesse na frente, quando pensava ou estava distraída com algo.

Uma vez ouvira dizer que existia uma parte da Ciência Forense que explicava os significados daqueles rabiscos que outros tantos faziam nesses momentos de distração. Entretanto, no momento não estava em busca de respostas para as pequenas trivialidades de seu subconsciente.

-Senhorita Belmonte, já vamos decolar; o co-piloto avisou cumprimentando-a.

-Obrigada Henrique; Jéssica falou sorrindo, mas no mesmo segundo ouviu Hades rosnar para o rapaz de melenas negras.

-Ahn! Tem certeza que ele não precisa de algum tranqüilizante para viajar? –Henrique perguntou vendo Hades erguer as orelhas defensivamente e os orbes antes azuis, começarem a enegrecer pouco a pouco.

-Não se preocupe; ela falou entre dentes, puxando o cachorro para a poltrona reclina a seu lado, de forma que pudesse amarrá-lo ao cinto de segurança, a única forma de mantê-lo quieto durante o vôo. –Ele já vai se acalmar;

-Eu espero; Henrique falou engolindo em seco antes de se afastar.

-Acho que uma temporada na Ilha da Rainha da Morte vai ser melhor; a amazona falou num sussurro para o cachorro, enquanto prendia os cintos.

.::O Livro dos Vampiros – A Trindade::.

As mais famosas lendas sobre vampiros sempre citam Dracula como o primeiro de todos os seres da noite. Aquele que virara as costas para Deuses e deixara de acreditar na bondade humana.

Entretanto, ele é apenas um entre tantos outros. Quando a Terra ainda era jovem, difícil saber uma data exata, três seres começaram a caminhar sob a Terra quando o sol se escondia e o dia dava lugar a noite e as estrelas.

Kyran, Harynan e Bermesk criaram o primeiro conselho vampiro que um dia já se ouviu falar. O mundo vivia em equilíbrio mesmo no meio de seu próprio caos.

Entretanto, para alguns, quanto mais poder se tem, maior é à vontade de se possuir mais. Assim foi com Kyran e Harynan. Ambos os vampiros não admitiam que os humanos ainda fossem a raça predominante sob a Terra, por isso passaram a matar e transformar sem dó e o número de vampiros aumentou drasticamente.

Caçadores vinham de todos os lados tentando conter a praga. Até que Bermesk colocou um fim nisso. O vampiro mais velho eliminou os dois, tendo essa a única forma de impedir um mal maior de acontecer.

Ninguém ousou contestar a decisão que Bermesk tomou, sendo assim, ele tornou-se o rei absoluto entre os vampiros. Aqueles que saíssem da linha e de alguma forma comprometessem o equilíbrio geral, eram eliminados.

Entretanto, Bermesk não podia permitir que os Anjos da Noite saíssem pelas ruas, ou que surgissem em qualquer lugar. O equilíbrio é mantido mesmo em meio ao Caos e são raras as ocasiões que o Rei precisa intervir.

Dizem que Bermesk ergueu seu reino sob as montanhas geladas da Islândia, onde um dia os antigos Dragões viviam. Outras, que seu território abrange todas as Terras Altas da Escócia. Entretanto, ninguém ao certo conseguiu chegar lá e descobrir a verdade. Bem, pelo menos ninguém que voltou com vida de lá.

Ao longo dos séculos, Bermesk escolheu outros dois vampiros seculares para comporem a Trindade. A única que definiria o destino de vida e morte de cada ser noturno, caso uma das leis fosse rompida. Agora o quanto disse é verdade e o quanto é especulação, nós não temos como saber.

Mas já nos basta compreender que lendas, nem sempre são apenas lendas...

J. Belmonte.

.V.

Descobrir a essência da história sempre lhe fascinou, a história de qualquer coisa que lhe interessasse, mesmo que o assunto em questão tivesse um caráter mais pessoal, como era dessa vez.

Hades dormia profundamente a seu lado, enquanto escrevia de maneira desenfreada no caderno, não se enganara ao indagar se estava caçando vampiros, bem... Não iria exterminá-los dessa vez. Seria hipocrisia agir assim agora, mas estava disposta a não julgar o todo, por apenas alguns poucos.

Quanto começara suas pesquisas sobre as lendas que envolviam aparições de vampiros ao longo da história, ficou surpresa ao ver que o movimento vampiro havia ganhado força pelo mundo em 1897, dez anos após a última batalha entre Aidan e Gabriel.

Esse ano foi marcado também, pelo lançamento do livro de Bran Stoker, que mesmo em dias atuais, é considerado o mais vendido no mundo todo, depois da bíblia cristã. Dracula - O Vampiro da Noite. Uma versão romanceada sobre a lenda do vampiro, mas ela bem sabia que o romance ai era bem pouco, a história do Rei Empalador que servira de inspiração para Stoker era bem mais sórdida e sangrenta como o autor irlandês quis pintar.

Um fino sorriso formou-se em seus lábios, não podia culpá-lo por isso, até mesmo ela já havia lido incontáveis vezes o livro e cada uma das vezes, conseguia vislumbrar melhor os caminhos percorridos por John Harker para encontrar o Conde Vampiro e também a forma pouco sutil, como o vampiro tentara seduzir a pobre e inocente Mina Harker.

Uma vez dissera a Saga que, o que tornava os vampiros tão perigosos não eram suas presas, ou garras afiadas, mas o magnetismo e a sedução premente que emanavam quando escolhiam suas vitimas.

Era impossível resistir...

Entretanto, ter acesso a essa pequena curiosidade sobre o celebre livro de Bran Stoker foi apenas o primeiro gatilho, começou a pesquisar mais sobre o assunto e descobriu muitas outras coisas interessantes que fariam parte do seu capitulo nas memórias de Arshet.

Há pouco tempo descobrira em Londres alguns pubs especializados em musica gótica, onde seus freqüentadores gostavam de pensar que eram vampiros. Sim, apenas pensavam, porque se realmente fossem, ela saberia e estaria lá.

A presença deles ativava em si uma espécie de radar, muitas vezes sentia-se um cão perdigueiro ao pensar nessa habilidade. Podia sentir o cheiro e a presença, mesmo estando numa longa distancia sabia onde eles estavam e o que estavam fazendo, o que era ainda mais bizarro.

Outra curiosidade que descobrira sobre o livro, é que Stoker inicialmente decidira chamar o conde de Vampir, uma pequena alusão irônica a vida pós-morte do conde, mas que sabiamente mudou para Dracul em seguida, ou como conhecemos hoje. Dracula.

O escritor muniu-se de muitas lendas antigas e relatos sobre os vampiros para escrever o livro, que na época causou um grande frisson na sociedade, principalmente porque as leis de Darwin estavam sendo questionadas.

Enquanto Darwin pregava a lei da evolução sem retrocesso. Bran Stoker mostrava ao mundo um conde morto-vivo capaz de transformar-se com facilidade em morcego e em seguida em lobo.

Alem é claro de mostrar as pessoas um mundo desregrado e sensual, sem pudores ou regras. Algo que não estavam acostumados a ver na vida corriqueira. Bem, pelo menos não de maneira tão aberta e espontânea; ela pensou, enquanto sentia o avião aos poucos pousar no aeroporto.

Teria de alugar um carro agora, já que andar de ônibus até a vila dos Carpatos estava fora de cogitação, bem, não com Hades rosnando para qualquer homem que se aproximava de si num raio de dez metros; ela pensou suspirando cansada.

-O que há com esse cachorro? –ela se perguntou balançando a cabeça levemente para os lados.

Despediu-se da equipe que pareceu bastante aliviada quando desembarcou. Puxou a coleira de Hades, fazendo-o acompanhar seu ritmo. Sentiu-o puxar a guia como se quisesse que ela reduzisse o passo, mas não lhe deu tanta atenção. Ele merecia ser um pouco ignorado depois do que aprontara consigo.

Durante o vôo que era para ser tranqüilo, ele quase mordera a perna do co-piloto, quando o mesmo ameaçara sentar-se na poltrona em frente a sua para conversar. É, estava começando a acreditar que o nome possuía alguma influencia ali. Quem sabe se houvesse dado outro nome.

-Acho que eu devia ter te chamado de Fofo, talvez isso ajudasse; Jéssica resmungou, puxando-o para uma saída alternativa, evitando o movimento do salão de desembarque.

.:: Livro dos Vampiros – Ao Longo dos Tempos::.

Muitas civilizações já trataram sobre esse assunto, falando de seres que caminham sob a terra sugando o sangue e a vida das pessoas. Em Roma e na Grécia antiga esses seres surgiram sob o aspecto de monstros terríveis que matam crianças ou sob a imagem de lindas mulheres, sedutoras e perigosas, capazes de levar uma pessoa a loucura, em seguida a morte.

A mitologia grega faz varias menções a uma espécie de vampiro chamada Lamia, uma jovem mulher mortal que um dia encantou o senhor dos Deuses e despertou a ira de Era. Lamia era a rainha do que hoje comecemos como a Líbia.

Lamia teve um filho com Zeus, mas Era tomou-lhe a criança. Desesperada com a perda, Lamia abandonou a corte e passou a perambular pelas florestas atacando crianças indefesas.

Os gregos também fazem varias menções a um vampiro da espécie Vlaicolakas que respeitava um horário, durante a semana toda ele vagava pela terra e só podia ter seu merecido descanso, não com o nascer do dia em uma cripta, mas apenas aos sábados.

Na lenda judaica, o vampiro toma uma forma um pouco mais intensa, como a lendária Lilith, a primeira esposa de Adão, banida do paraíso por Deuses, quando não aceitou se subjugar aos caprichos de seu consorte.

Dizem a lenda, que Lilith desencadeou a primeira guerra dos sexos sob a terra, num dia em que fazia amor com Adão, ele lhe disse que ficaria por cima, entretanto ela argumentou dizendo que ambos eram iguais e que um não tinha o direito de ficar mais alto que o outro.

Para Adão é claro, isso representava um motim e com isso começou a parte machista da história, onde dizem que Lilith foi banida do paraíso e assim surgiu Eva, a mulher submissa, mas o que muitos escondem sobre a lenda é que revoltada Lilith decidiu deixar o paraíso e ainda fez questão de eliminar cada descendente de Adão que caminhasse sob a terra. Assim com a história manchada por ódio e sangue, ela ganhou o titulo de Vampira.

Entretanto, a imagem de Lilith era muito mais forte do que a era paternalista e não conseguir ser totalmente apagada das histórias, mesmo em tempos atuais ela ainda ressurge como a mulher de temperamento forte, que sabe o que quer e jamais se subjuga.

J. Belmonte.

.VI.

Valaquia / Tigorviste (capital)...

Reduziu a velocidade assim que notou uma procissão logo à frente. A estrada estava um pouco acidentada e repleta de cabras passeando por todos os lados. Ouviu Hades rosnar quando algumas aproximaram-se do carro, mas continuou avançando devagarzinho.

Uma melodia estranha chegou até si, parecia mais um lamento. Franziu o cenho vendo por cima de varias cabeças, algumas cruzes de madeira. Todas as pessoas usavam preto. Provavelmente deveria ser um funeral; Jéssica pensou, parando em um acostamento enquanto descia do carro.

Ouviu Hades latir, mas fez um sinal para que ele ficasse quieto, enquanto fechava a porta. Não tinha a intenção de se aproximar, apenas observar.

Viu a procissão descer a rua, virando na esquina que estava. Logo à frente, o grupo principal puxava um carro com um caixão. Será? –ela pensou olhando curiosamente.

Sim, eles puxavam um caixão, cuja tampa estava aberta e dentro, jazia uma jovem vestida de noiva morta.

-É uma tradição nos montes Carpatos; ouviu alguém falar a seu lado.

Virou-se, vendo uma moça vestindo roupas simples aproximar-se timidamente.

-Oi; Jéssica falou sorrindo de maneira afetuosa.

-Você é nova aqui, não? –ela indagou.

-...; assentiu, vendo-a apontar logo em seguida para o cortejo.

-Nossa tradição diz que quando uma jovem na idade de se casar morre sem ter um marido. Ela deve se casar primeiro, depois ser enterrada; A menina explicou.

-Serio? –a amazona perguntou surpresa.

-Nossos ancestrais diziam que traumas ou sofrimentos passados ao longo da vida, poderiam transformar uma pessoa em vampiro; ela falou quase num sussurro. –Então, para evitar isso, tentamos fazer as vontades do falecido, para que ele passe para o outro mundo sem deixar ressentimentos;

-Entendi;

-Eu tinha um tio vampiro; a menina confessou num sussurro confidencial. –Mas ai lhe cortaram a cabeça e ele foi para o outro mundo de uma vez; ela completou gesticulando casualmente.

-Como é? –Jéssica perguntou um pouco horrorizada com o que ela dissera, sem saber se levava a serio ou encarava aquilo como brincadeira.

-Isso mesmo, outro habito de nosso povo. Se identificamos um vampiro entre nós, quando ele é enterrado, vamos ao cemitério e lhe cortamos a cabeça. Normalmente eles preferem apenas transpassá-lo com a estaca, mas em alguns casos é melhor garantir que ele vai partir de vez desse mundo; ela completou

-É, uma cultura fascinante essa; a amazona murmurou, cruzando os braços na frente do corpo e recostando-se na lateral do carro. Uma vez ouvira algo sobre isso, mas jamais pensou que fosse realmente verdade e que tal pratica ainda fosse corriqueira nos dias de hoje.

-E nós também não damos o nome de alguém que morreu, para um recém nascido. Isso faria com que a sina se repetisse; a menina explicou.

-Como assim? –Jéssica indagou, memorizando as informações.

-Se alguém morreu ainda muito jovem, dar seu nome a um recém nascido é o mesmo que condena-lo a sina do primeiro. Ele passara a vida toda sendo lembrado de que poderá morrer jovem. Entre outras coisas; ela acrescentou.

-É lógico se formos analisar. De uma forma bizarra, mas lógico; Jéssica murmurou pensativa.

-Você vai ficar muito tempo por aqui? –a menina perguntou.

-Alguns dias; Jéssica respondeu voltando-se para ela.

-Já têm pousada reservada?

-Ainda não, como acabei de chegar parei para ver o cortejo; Jéssica explicou. –Mas você conhece alguma que eu possa alugar um quarto que ele possa ficar comigo? –ela indagou apontando para um Hades impaciente latindo no banco de trás do carro.

-A pousada Dracul, se pagar bem... Eles aceitam qualquer hospede lá, mesmo quadrúpedes; ela completou sorrindo.

-Obrigado; a amazona respondeu antes de desencostar-se do carro e abrir a porta. Despediu-se com um aceno e entrou. –Calma garoto, já vamos chegar e você vai poder descansar e de preferência se livrar desse mau humor;

Se alguém lhe dissesse mais uma vez que os animais eram a feição do dono, iria certamente cometer um crime; Jéssica pensou, lembrando-se das piadinhas infames de Giovanni sobre Hades ser tão temperamental e possessivo quanto ela.

Talvez fosse isso, suas neuras estavam afetando-o, era a única resposta; ela concluiu, seguindo a direção que a garota indicara.

.:: O Livro dos Vampiros – O Ritual do Lobo::.

Mesmo hoje em dia, os habitantes dos montes Carpatos, ainda acreditam que os espíritos de seus ancestrais podiam tomar a forma de um lobo, um urso ou um javali para poderem caminhar pela terra.

Eles acreditavam que essa pessoa numa batalha protegeria a todos. Mas para que isso acontecesse o guerreiro era enviado a floresta para viver como um lobo.

Ele aprendia a deixar o seu odor em todos os lugares, ou se misturar com o solo para esconder o odor, assim mataria com mais eficácia. O guerreiro que vivia nas profundezas da floresta precisava não apenas aprender a viver, mas também sobreviver a todas as adversidades pelo que passava.

Ele estava completamente sozinho, tendo de confiar em seus instintos mais primitivos para sobreviver e suportar os dias de prova que viriam, até que o treinamento chegasse ao fim.

Os vampiros não são diferentes, são caçadores natos, são capazes de farejar o ar com maior precisão do que um sabujo. Ocultam seu cheiro e somente o revelam se for necessário.

Seus pés mal tocam o chão, são silenciosos, precisos e letais...

J. Belmonte

.VII.

Parou em frente à pousada e abriu a porta, não levou nem um segundo para Hades sair correndo do carro em direção a uma moitinha na lateral do prédio antigo. Suspirou aliviada, só esperava que ele ficasse mais tranqüilo depois de ir se aliviar. Quem sabe ele estivesse agitado daquele jeito por conta disso.

Fechou a porta do carro, pegando a bolsa antes de entrar. A pousada Dracul era a mais conhecida dos turistas em toda Valaquia. Diziam que Vald o Empalador havia nascido ali. Embora os habitantes locais não dessem tanto valor assim a bens matérias referentes ao antigo rei da Valaquia, reverenciavam a influência que ele tinha mesmo em dias atuais.

Embora uma Era de modernidade estivesse se erguendo no mundo todo, alguns países ainda mantinham-se leais a sua cultura e tradição. Assim era na Valaquia. Para o resto do mundo, Vlad Temples Dracul não passava de um psicopata, louco por sangue e excêntrico. Resumindo, tudo que era ruim encarnado em uma pessoa.

Entretanto, dizer isso a um valaquiano, era pedir para arrumar briga, pois ali Vald era um herói nacional. Ele conquistou o povo pelo medo, não pelo respeito. Mas mesmo atualmente, seu nome era uma referencia quando citavam as estratégias e os preceitos de uma guerra.

-Bom dia; uma senhora de idade falou, apoiando-se num balcão de madeira, vendo-a entrar.

-Bom dia; Jéssica respondeu cordialmente. –Me disseram que há quartos para alugar nessa pousada;

-Isso mesmo, quanto tempo pretende ficar? –a senhora indagou curiosa.

-Alguns dias, talvez duas semanas; a amazona explicou.

-Acaso é arqueóloga? –ela indagou.

-Não, digamos que sou historiadora por tempo indeterminado; Jéssica falou sorrindo, mas parou quando ouviu o latido de Hades e não demorou até o cachorro entrar correndo e colocar-se a seu lado, lançando um olhar desconfiado a senhora.

-Muitos historiadores vem aqui durante o ano atrás da história de Dracula; a senhora falou fitando-os curiosamente.

-Não duvido que seja um assunto fascinante, mas eu gostaria de saber se há algum problema de Hades ficar comigo? –ela indagou apontando para o cachorro que andava inquieto pelo cômodo, cheirando tudo quanto é canto.

-Ele late durante a noite? - a senhora perguntou com ar serio.

-Não, se ele estiver comigo não fará barulho algum; Jéssica respondeu.

-Então vou arrumar o quarto da torre para você, tem mais espaço que os outros quartos; ela explicou.

-Obrigado; a amazona respondeu enquanto tirava os documentos da bolsa para fazer o check-in.

-Seu amigo parece inquieto; a senhora comentou, enquanto preenchia uma ficha com os dados da jovem.

-Ele não esta acostumado com viagens longas; Jéssica respondeu. –Mas daqui a pouco ele já encontra um canto para dormir e fica mais tranqüilo;

-As pessoas aqui costumam gostar muito de cães com pelos brancos; ela comentou casualmente. –Nos lembram de nossos ancestrais;

-Como?

-Nós acreditamos que nossos ancestrais quando morrem, seus espíritos tomam a forma de um lobo e volta a Terra para cuidar de nós; a senhora explicou. –E seu cachorro tem olhos muito bonitos, como os de um lobo, alem de parecer bastante preocupado com você; ela completou indicando a forma como Hades havia sentando-se na soleira da porta e mantinha-se atento, com os olhos sobre a dona, mas com as orelhas em pé, como se esperasse por algo que viesse de fora.

-Entendo, mas Hades é apenas um cachorro comum. Meio neurótico às vezes, mas comum; ela completou sorrindo quando pegou os documentos de volta. –Obrigada;

-Venha comigo, vou mostrar o quarto de vocês; a senhora falou apontando para uma escadaria em espiral, de cedro. –Nós fornecemos o café da manhã todos os dias, das sete às nove horas. Almoços e jantares é por sua conta. Ai na frente tem um restaurante e há três quarteirões daqui tem uma taverna que também oferece refeições diárias; ela explicou.

-...; Jéssica assentiu, enquanto seguia a senhora, tendo Hades praticamente colado em seus calcanhares. Respirou fundo, ele já fora ao banheiro, porque ainda parecia inquieto? –ela se perguntou, para em seguida balançar a cabeça levemente para os lados. Deveria estar ficando neurótica, é, talvez fosse isso; ela concluiu.

.:: O Livro dos Vampiros – Ordem do Dragão ::.

Em 1431 Vlad Dracul recebeu das mãos do Imperador Romano a Ordem do Dragão, um medalhão que representava a mais antiga ordem existem na Terra, ou como atualmente chamamos, as fraternidades ou sociedades secretas.

Entretanto Vald não ficou tempo suficiente no trono para aproveitar esse legado, traído por conselheiros e membros da corte, foi entregue em sacrifício e durante quase uma geração o trono da Valaquia pertenceu a estrangeiros.

Em 1456 Vald Dracula, seu filho mais velho subiu ao trono. E sua primeira ordem como novo rei foi convidar aristocratas e membros da corte valaquiana para um jantar. Entretanto, pouco antes do fim, mandou que seus soldados selassem o salão e que empalassem cada um dos aristocratas e servos que os acompanhavam.

Foi realmente um banquete de sangue. Sua fama espalhou-se pelo mundo e Dracula, tornou-se sinônimo de medo.

Vald Dracula, no dialeto regional Dracula significa filho daquele que recebeu a Ordem do Dragão.

Toda a Trânsilvania, como os demais países europeus, possuí uma herança mística, que nem mesmo com o passar dos séculos, ela se perdeu. Dizem lendas antigas que o medalhão que Dracula recebeu de seu pai, pouco antes de morrer não continha apenas à marca da Ordem do Dragão, como também possuía seus poderes, que iam alem do entendimento humano.

Em 1476 Vald Dracula morreu de maneira tão brutal quanto viveu, as histórias sobre suas façanhas ganharam o mundo. Dracula foi enterrado no Mosteiro de Snorgoth, aos pés de um altar.

Dizem as histórias locais que isso foi feito, para que cada um que ali chegasse para rezar, dispensasse um pouco de atenção ao morto e assim, pudesse com suas orações ajudá-lo a pagar seus últimos pecados terrenos.

Séculos mais tarde historiadores americanos, arqueólogos e tantos outros desembarcaram na Trânsilvania em busca do verdadeiro castelo de Dracula, aquele que hoje conhecemos como Fortaleza de Porone a dois dias de caminhada de Tigorviste.

A história é repleta de outros tantos chamados de vampiros ao longo dos séculos. Entretanto Dracula é aquele que causou o maior frisson em toda uma geração ao ser retratado por Bran Stoker numa época oprimida e Darwinista.

J. Belmonte.

.IX.

Uma garoa fina caia do lado de fora, as janelas estavam fechadas, mas ouvia o som do vento chacoalhando o vidro. Suspirou cansada, enquanto terminava de arrumar as roupas em um armário e as coisas de Hades em um canto próximo a janela, ao lado da poltrona em que ele estava confortavelmente dormindo.

-Cachorro folgado; ela murmurou lembrando-se que ele se acomodara ali desde que entraram e não saíra mais.

Respirou fundo, enquanto pegava algumas peças de roupa e se encaminhava para o banheiro anexo ao cômodo. Durante a breve estada da senhora ali lhe mostrando as dependências, ficara sabendo que existiam planos de vender a pousada e transformá-la futuramente em um restaurante.

Balançou a cabeça levemente para os lados, era uma pena, aquilo fazia parte da cultura local, mas pelo que entendera, as pessoas não tinham nenhum apreço especial pelo prédio. O que era estranho, já que o herói nacional era o patriarca do prédio.

Entretanto a senhora explicara que em Borgo já existia uma pousada chamada Castelo do Dracula que era mais requisitada pelos turistas e com relação à viabilidade, a pousada não preenchia mais esse requisito.

Encostou a porta, enquanto arrumava suas coisas próximas a banheira vitoriana que estava quase cheia. Deixaria para dar um banho em Hades no dia seguinte, era melhor deixa-lo quieto enquanto ele dormia; ela pensou entrando na banheira.

Recostou-se na pedra fria da banheira e fechou os olhos, sentindo pouco a pouco os músculos do corpo relaxarem. Não havia notado o quão cansada estava até parar ali.

-o-o-o-o-o-o-

Alongou os braços para cima, sentindo a coluna estalar. Andou calmamente pelo cômodo, deixando seus orbes correrem por todo o canto, garantindo que estavam apenas os dois ali.

Voltou-se para a porta do banheiro, vendo-a levemente entreaberta. Serrou os punhos fortemente, contendo o impulso de ir até lá. Não fora nada fácil aproximar-se dela, para correr o risco de perder tudo agora.

Deveria estar ficando doido; ele pensou aproximando-se da janela, enquanto arrumava as roupas amarrotadas. Não, já ficara totalmente enlouquecido quando a vira dois anos atrás, que o que vinha passando atualmente parecia trivial.

Encostou a testa no vidro frio da janela, séculos atrás quando conhecera Kara, a amara com a intensidade que uma criança aprendia a amar. Com inocência e carinhos. Entretanto tais sentimentos foram deturpados, não por Sire, mas por sua própria fraqueza.

Passara séculos odiando e amaldiçoando todos os membros do Clã Van Helsing, por conta da maldição que abraçava a cada nova geração, um membro de sua família, como aconteceu com seu pai, avô e todos os outros que carregaram o nome Dracul, desde que Ilona conseguira fugir da Valaquia com a filha, quando Vlad Dracul perdeu a guerra para os Turcos Islâmicos que invadiram o país em meados de 1476.

A segunda esposa do Rei deveria ter morrido como assim a história conta. Entretanto nem mesmo ela sabia que todos aqueles que carregassem nas veias o sangue Dracul teriam seus destinos traçados de maneira tão sádica.

Agora era o último Dracul sob a terra, por causada da transformação que viera antes que pudesse conceber um filho. Era diferente de todos os outros vampiros que conhecia, nem mesmo Bermesk com as habilidades milenares que possuía, não conseguia sair a luz do dia. Pelo contrario, quanto mais os anos passavam o velho rei procurava mais a escuridão, vendo no seio da Terra, ou na mais profunda caverna das Terras Altas seu lar.

Transformara Jéssica num momento de pânico, não quisera perdê-la. Entretanto, jamais esteve preparado para o que aconteceu. As mudanças foram bastante evidentes nela ao longo daqueles dois anos. Seus sentidos estavam mais aguçados, até mesmo a vibração de sua energia era diferente.

Mas ela ainda se recusava a sorver uma gota de sangue que fosse, humano ou animal, não importava. Ela possuía um controle assustador quando via-se diante de situações inusitadas que para muitos, seriam atraentes e tentadoras.

Ela também adquirira sua habilidade de andar a luz do dia sem ter problemas com o sol e como ele mesmo, evitava lugares muito quentes, não pelo folclore de que vampiros viravam pó ao serem expostos a fogo e calor, mas apenas porque não gostava mesmo.

Jéssica ainda mantinha a rotina de treinamentos de antes, embora desconfiasse que ela vinha aprimorando outras habilidades. Desde que começara a acompanhá-la depois que ela deixara Melyora, ela evitava contanto com o santuário. Por um momento viveu na expectativa de que a qualquer momento um daqueles dois idiotas apareceria para vê-la, mas foi com surpresa que isso nunca aconteceu.

Era isso que lhe motivava a permanecer ali, quem sabe um dia ela pudesse lhe perdoar pelo que acontecera e lhe desse uma chance; ele pensou suspirando pesadamente.

Não seria fácil esperar, mas valia a pena; ele pensou ouvindo o som da água mover-se e os passos dela sob o piso, quando a porta abriu-se, arrastando uma lufada de vento para dentro do cômodo, ela entrou amarrando o cinto do hobby em torno da cintura.

-Resolveu acordar finalmente, Vossa Alteza; a amazona brincou afagando as orelhas de Hades, quando o mesmo enroscou-se em suas pernas, ganindo. –Xiiiiiiii, não faça com que sejamos expulsos daqui; ela falou sentando-se na beira da cama, enquanto ele sentava-se em posição de esfinge sobre um tapete e lhe observava. –Amanhã vou dar banho em você; ela avisou, enquanto tirava a toalha que prendia os cabelos para penteá-los.

Hades ganiu e correu esconder-se atrás da poltrona. Arqueou a sobrancelha, isso sempre acontecia quando resolvia dar banho nele. Normalmente pedia a Gaspar, seu prestativo mordomo para fazer isso, mas normalmente ele é que precisava de um banho depois que Hades terminava seu showzinho. Mas o cachorro parecia mais agoniado quando era ela. Nunca entendia o porque disso, sempre procurou tomar cuidado para não machucá-lo, mas ele insistia em fugir de si.

-Não se preocupe, trouxe tudo com o que você está acostumado e não vou ter que usar nenhum xampu meu para deixar você cheiroso; ela respondeu como se isso pudesse aliviar a agonia dele.

A primeira vez que Gaspar dera banho em Hades, ainda não tinha nada na fortaleza para um cachorro, mesmo porque não houve outros animais de estimação lá por quase uma geração inteira. Então, como Hades já estava todo molhado, dera a Gaspar um de seus xampus, mas esse fora seu pior erro.

Ele ficou uma semana rosnando para si e esfregando-se em todos os tapetes da casa, até eliminar o cheiro. Foi quando conseguiu com um veterinário local um xampu inodoro, que não causaria alergia nele. Mas desde este dia Hades não gostava nem um pouco quando decidia lhe dar banho. Balançou a cabeça levemente para os lados.

-É, talvez Diana esteja certa, em vez de ficar te mimando eu deveria arrumar um namorado; ela murmurou tão distraída que não notou a forma como os orbes antes azuis tornaram-se vermelhos e os caninos brancos serraram-se perigosamente.

Continua...

Domo pessoal

Blood Lust já esta chegando ao fim, sei que venho dizendo isso nos últimos cinco capítulos, mas agora é pra valer, mais dois capítulos e "The End". Entretanto, as surpresas não acabam aqui, Jéssica e Aidan ainda vão aparecer no decorrer da saga, principalmente nas fics mais recentes como Senhor dos Dragões e O Enigma da Sirene.

Uma coisa que queria comentar com vocês é sobre as lendas dos Vampiros, desde quando eu era criança pequena sempre amei essas histórias, acho que um pouco foi de eu mesma e outro pouco foi de ouvir tanto minhas irmãs contarem sobre os filmes que elas assistiam com o Christopher Lee entre outros.

Neste capitulo eu tentei colocar um pouco da história para vocês, mas temo que esse seja menos do que um quarto do total. O assunto é longe e cheio de ramificações e que se eu fosse falar sobre todas elas faria um monologo, não uma fic.

Mas uma curiosidade que me deixou super feliz, pelo menos para aqueles que podem aproveitar é saber que nos Estados Unidos e em muitas faculdades da Europa, a matéria Vampiro é fixa na grade curricular. Até hoje, estudantes e pós-graduados, fazem trabalhos e teses em cima do tema, sem contar que por obrigação na grade escolar eles tem uma aula sobre historias e lendas vampiricas.

É nessas horas que eu queria mudar de país, ou pelo menos gostaria que as crianças da nova geração fossem incentivadas a conhecer mais das histórias e lendas que regem o mundo. antes de falarmos em guerra e morte, porque simplesmente não falamos das pessoas que mudaram o mundo porque não tiveram medo de tentar, em vez de trata-las como um mero acidente do destino.

Enfim, como disse, eu posso ficar um ano aqui falando sem parar. Mas antes de me despedir. Gostaria de agradecer a todos que vem acompanhando Blood Lust e as demais fics que escrevo. Agradeço também de coração os reviews maravilhoso.

Aqui me despeço com um forte abraço...

Dama 9

O

OO

O

N/a: Ilona foi a segunda esposa de Vlad Temples Dracula. A história conta que quando os turcos invadiram a valaquia ela estava na vila próxima a Fortaleza Porone, foi lá que ela recebeu a noticia de que Vlad havia morrido. Desesperada, ela acabou se matando, trespassando o corpo com uma espada.

A criança recém nascida que ela dera a luz poucos dias antes, foi resgatada por um criado, que chegara tarde demais para impedir a morte de Ilona e lhe contar que Vlad ainda estava vivo.

Os turcos fecharam o cerco e Vlad fugir para as montanhas Carpatos. No meio do caminho, ele derrubou a criança que lhe fora entregue pelo criado e não voltou atrás para buscá-la, diz-se que a criança morreu. Entretanto a lenda possui tantas ramificações que é difícil confiar nessa versão de olhos fechados. Mesmo porque, nesta mais próxima da realidade fala que a criança era uma menina. Em outras, diz-se que é um menino.

Em Blood Lust, optei por reescrever esse trecho da história. Pulando a parte em que a criança supostamente fora resgatada e tirada da Romênia, por ser uma menininha, ela não foi afetada pela primeira geração amaldiçoada por Ares. Apenas os homens sofreriam os efeitos, o que aconteceu quando ela teve o primeiro filho e na seqüência todos os que vieram depois, até chegar a geração que Aidan pertencem, em meados de 1888.

A primeira esposa de Vlad Dracula também se suicidou, porém diferente de Ilona, ela se jogou da torre mais alta da Fortaleza, indo cair encosta escarpada.