BLOOD LUST

By Dama 9

Nota: Os personagens de Saint Seya não me pertencem, pertencem a Masami Kuramada e a Toei Animation. Personagens como Aidan, Eraen, Diana e Jéssica são criações únicas e exclusivas minhas para essa saga.

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Importante

Dama 9 e amigos incentivam a criatividade e liberdade de expressão, mas não gostamos de COPY CATS. Então, participe dessa causa. Ao ver alguma história ou qualquer outra coisa feita por fã, utilizada de forma indevida sem os devidos créditos, Denuncie!

Boa Leitura!

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Um obrigada especial a equipe da Discovery Channel que produziu maravilhosamente bem o documentário sobre vampiros lançado há pouco tempo, que foi uma das grandes fontes de estudo para que eu pudesse escrever Blood Lust, em especial esse capitulo.

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Capitulo 18: O Livro dos Vampiros – ParteII.

.I.

A noite caia e a única coisa que podia ser ouvida dentro do cômodo era o ressonar baixinho da amazona. A lua cheia erguia-se no céu enquanto numa fina camada de fumaça prateada adentrava pela soleira da porta.

As cortinas estavam fechadas, mas os orbes vermelhos permaneciam atentos, as pernas estavam cruzadas de maneira elegante e aristocrática, os braços pousados na poltrona de maneira displicente.

Oculto pelas sombras viu a nuvem prateada tomar a forma de um homem, cabelos curtos, arrepiados e ruivos, sua pele era tão branca quanto leite. Entretanto sabia bem o que ele pretendia.

Poucos passos e ele se aproximaria de maneira perigosa de Jéssica, o que era uma vantagem para ele, já que a amazona não iria acordar tão cedo. Não depois dos sonhos conturbados que tivera no começo da noite que esgotaram-lhe as forças.

-Esta procurando alguma coisa, senhor? –Aidan indagou fazendo o intruso assustar-se e voltar-se na sua direção com uma adaga nas mãos.

-Quem é você? –o estranho falou erguendo a adaga de maneira ameaçadora.

-A pergunta é: Quem é você? – Aidan falou levantando-se de maneira que ficasse frente a frente com o vampiro. –Ou pensou que se aproximaria dela, passando tão facilmente por mim? –ele completou com os orbes cintilando perigosamente.

-Você também é um dos nossos; o vampiro falou recuando e guardando a adaga.

-Depende do que você se considera. Porque até onde eu sei, vampiros são bem mais educados e pedem para entrar. Não vão invadindo as casas que não lhes pertencem; Aidan falou num tom frio.

Embora a famosa lenda de que os vampiros não podiam entrar sem serem convidados fosse apenas folclore, procuravam manter uma certa ética e educação entre os pares. Mesmo porque, não fazia mal a ninguém cultivar o mínimo de civilidade pelo menos.

-Os rumores sobre a caçadora chegarem a meu clã; ele falou recuando ainda mais. –Mas ela não é humana; ele completou aspirando o ar.

-Não, mas é minha. Por isso, se não quiser morrer, é melhor não se aproximar dela; Aidan avisou entreabrindo os lábios levemente de forma que os caninos brancos ficassem a mostra.

-Então você é...; o vampiro murmurou estremecendo.

-Aidan Ian Dracul; o jovem falou em tom frio. –Vossa Alteza para você; ele completou.

-Eu não... Não sabia que era sua; o vampiro falou afastando-se ainda mais da caçadora. –Sou Gerard, Vossa Alteza. Dos Blackswans da Romênia; ele falou curvando-se em uma reverencia.

-Já ouvi falar; Aidan falou. –E o que queria aqui, alem de feri-la é claro? -ele completou indicando a adaga.

-Ouvimos falar sobre a caçadora e o massacre no castelo de Vossa Alteza dois anos atrás; Gerard explicou. –Pensamos que ela tivesse vindo nos caçar depois de todo esse tempo, até onde sabemos, os vampiros vem evitando aproximarem-se dela porque ela não parecia mais uma humana comum, só não sabíamos que... Bem... Ela também não é mais humana; ele balbuciou.

-Agora já sabe, por isso, deixem-na em paz; Aidan respondeu.

-Não iremos incomodar a dama, meu lorde; Gerard adiantou-se. –Mas porque ela esta aqui, se me permite perguntar? –ele indagou.

-Só esta visitando as ruínas da cidade, nada demais; ele falou, não iria contar sobre o livro. Seria insano fazer isso.

-Então não vou mais incomodá-lo, meu lorde; o vampiro falou desaparecendo em meio a uma nevoa prateada.

Respirou fundo, tentando relaxar pouco a pouco. Maldição! Eles já sabiam que Jéssica estava ali, o pior, ou não, que ela não era uma humana comum. Aproximou-se da cama com passos sorrateiros e silenciosos. Por sorte ela estava tão cansada que caíra no sono rapidamente depois da última vez que acordara, ou teria ouvido a conversa e teria muitos problemas.

Sentou-se na beira da cama, ouvindo-a suspirar e abraçar o travesseiro. Cuidadosamente, tocou-lhe a face com a ponta dos dedos, Jéssica remexeu-se inquieta, mas acalmou-se logo.

Os fios vermelhos caiam sobre o ombro alvo, parcialmente coberto pela camisa de seda branca. Uma imagem etérea e imperturbável. Era difícil de imaginar que aquela mulher de aparência tão calma e tranqüila, se tornasse uma gata selvagem quando irritada. E ele já vira muito bem seus rompantes de humor quando algo não saia como ela queria.

Suspirou pesadamente, naqueles dois anos conhecera muito da mulher que lhe enfeitiçara através de uma foto. Era difícil se afastar quando necessário e mais difícil ainda era ver alguns vermezinhos patéticos tentando se aproximar; ele pensou sentindo uma veinha pulsar na testas quando lembrou-se daquele co-piloto.

O pior é que àquele almofadinha não era o único, tão pouco o último. Ela dificilmente passaria despercebida em qualquer lugar que andasse. Não com aqueles cabelos vermelhos, ou aquele sorriso cheio de promessas.

A transformação apenas potencializara isso, tornando-a um imã que atraia a atenção de qualquer pessoa, de maneira tão natural quanto respirar. E ela ainda se perguntava porque o sempre dócil Hades desaparecia quando ela resolvia lhe dar um banho.

Provavelmente o subconsciente sádico dela deveria pressentir o quanto lhe deixava louco com aquilo. Por isso até tolerava a seção de tortura quando era Gaspar, mas ela de maneira alguma; ele pensou engolindo em seco.

Entretanto era melhor que ela pensasse que fosse por causa do cheiro do xampu que fugia e não por conta de seu auto-controle, que em nada ajudava; ele pensou balançando a cabeça levemente para os lados, em sinal de desalento.

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.:: O Livro dos Vampiros – Dos Livros a Hollywood ::.

Desde o grande sucesso de Dracula em 1897 o mercado dos vampiros expandiu-se loucamente, filmes de vários aspectos surgiram no mercado. Entretanto foi com Dracula de Bran Stoker – Love Never Died é que tudo aconteceu.

A melhor adaptação do clássico vampiresco foi em 1927, onde o Conde morto-vivo foi interpretado na Brodway pelo húngaro Bela Lugose. Na época ele memorizou foneticamente os diálogos, silaba por silaba, porém embora estivesse aprendendo inglês, não gostava da língua, daí sua dificuldade com a fala.

Entretanto, a lentidão com que as palavras eram pronunciadas, reinventou um gênero para toda uma geração. O publico estava acostumado com um Dracula plagiado e rebatizado pelos alemãs como Nosferatus, totalmente bizarro e animalesco. Alguém que causaria pesadelos no bicho-papão.

Mas Bela Lugose criou o Dracula refinado. O Conde. Um vampiro com um quesito a mais de sedução, as palavras embora sussurradas eram ditas de maneira pausada, com a intenção de que todos fossem capazes de assimilar o que ele dizia, assim o Dracula que influenciaria todas as gerações seguintes nasceu.

Durante as filmagens, duas versões do filme foram rodadas, uma em inglês e a outra em espanhol. O curioso dessa informação é que de manhã a equipe americana tinha Bela Lugose como o astro vampiro. À noite, os americanos davam lugar a equipe espanhola, já que na época, não existiam os recursos de legenda usados atualmente. Assim, para que um filme fosse exibido em mais de um país, com idiomas diferentes, era necessário gravar uma nova versão no país de origem, ou no mínimo, com atores regionais.

Naquela época os americanos eram contidos, tendo apenas o Dracula como foco. A equipe espanhola não se deteve em falsos pudores, assim deram a Dracula uma parceira mais caliente, encarnada na imagem da atriz Lupita Tovar e suas camisolas transparentes e decotadas.

Enquanto a atriz americana que interpretava de dia Mina Harker usava camisolas que cobriam-lhe dos pés a cabeça. A jovem espanhola não dava margens a imaginação. Até hoje muitos ainda concordam que Lugose deveria ter interpretado o Dracula nas duas versões. Mas de qualquer forma as mudanças culturais já estavam começando.

Os sensos de pudor estavam sendo forçados a sofrer uma revisão e o que antes era considerado alta pornografia, passou a ser chamado de "levemente sensual". Quando Bran Stoker publico "Dracula – Um Vampiro da Noite" os conceitos ainda eram muito rígidos, o que causou bastante tensão devido a cenas em que o vampiro aparecia mordendo alguma mulher.

Anos mais tarde, como o primeiro filme, cuja adaptação foi fiel e aprovada por Lady Florence Stoker. O conceito sensualidade vampiresca tomou apogeu. A mordida do vampiro não era apenas uma troca de fluidos vitais, tornou-se algo tão intimo quanto uma relação sexual.

Foi em 1936 que os vampiros deixaram de ser apenas um fetiche feminino, onde as mulheres fantasiavam com um Conde sedutor, vestindo terno e capa vermelha. Nesse ano surgiu A Filha de Dracula. Tão sanguinária quanto o Dracula de Lugose.

Depois a Vampiromania ganhou ainda mais força. Muitos e muitos filmes surgiram e até os dias de hoje, o mundo já conta com mais de 500 títulos apenas cinematográficos que adaptaram a lenda. E a tendência é só aumentar...

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.II.

Uma semana já havia se passado desde que chegaram a Valaquia, tudo estaria calmo e tranqüilo se não fosse as visitas constantes de Gerard durante a noite. Aquilo estava lhe aborrecendo e só se acalmaria quando pegassem o avião e voltassem para Arshet.

Sabia que outros vampiros estavam por perto e que lhes observavam, mas não iriam se aproximar, não quando Gerard havia lhes avisado quem acompanhava a caçadora.

Embora Bermesk fosse o rei, outros Lordes ainda tinham alguma influência entre os seus e no seu caso não era diferente. Mesmo que não tivesse nenhuma influencia política, o nome Dracul ainda trazia a tona um legado de reis e príncipes, e com ele, todo respeito que lhe era conferido.

-O que ela tanto escreve? –Gerard perguntou mantendo-se oculto pela sombra da cortina, enquanto através da janela, observava a jovem de melenas vermelhas sentada numa das mesas que ficavam na frente da pousada 'Dracul'.

-Não sei; Aidan limitou-se a responder, embora os penetrantes olhos azuis não se afastassem dela um segundo sequer.

-Você deveria saber, é o mestre dela; o romeno resmungou.

-Ela não possui senhores; ele falou suspirando pesadamente enquanto a via fazer uma pausa no que escrevia e com um gesto delicado afastar alguns fios que caiam sobre seus olhos e prendê-los atrás da orelha.

-Você é louco; Gerard reclamou. –Mas tem bom gosto; ele completou observando a jovem acomodar-se melhor na cadeira, cruzando as pernas de forma que a saia que usava subisse um pouco e o inicio da bota de cano alto aparecesse.

-Não se atreva a se aproximar dela; o vampiro avisou com os orbes azuis tornando-se vermelhos e ameaçadores.

-Eu realmente não te entendo; Gerard falou recuando por precaução. –Você a transforma, mas se mantém longe o tempo todo. O que esta querendo com isso Aidan? –ele perguntou.

-Não posso me aproximar sem que ela me odeie; ele falou pensativo.

-Uma caçadora com sangue imortal correndo nas veias, solta por ai. Se um dia alguém me contasse que viveria pra ver isso, eu chamaria de louco; o romeno brincou, embora o sorriso não chegasse a seus olhos.

Ambos sabiam do risco que a nação dos vampiros corria se Jéssica decidisse voltar a caçar, mas era estranho, desde que a armadura fora lacrada ela não saíra uma única vez para isso. Mas era impossível saber se isso queria dizer algo bom ou não.

-Ela pode começar a nos caçar a qualquer momento; Gerard falou chamando-lhe a atenção.

-Não, ela não pretende fazer isso; Aidan respondeu.

-E o que ela quer aqui, alem de ficar tomando café quase o dia todo e escrevendo? –Gerard perguntou apontando para fora.

-Nada, absolutamente nada; o príncipe vampiro respondeu num murmúrio.

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Apoiou o caderno sobre a mesa enquanto continuava a escrever. Em breve o livro dos vampiros estaria pronto e poderia deixar a Romênia. Alias, deixar a ela e tudo que ela representava pra trás.

Suspirou pesadamente enquanto deixava a caneta de lado e acomodava-se melhor na cadeira. A pequena vila próxima aos Carpatos estava tranqüila, diferente do dia que chegara e pegara um casamento-velório acontecendo.

A poucos metros de onde estava, podia ver o casarão onde Vlad Dracul II nascera em era uma estalagem e pelo que ouvira ainda poderia ser demolida para virar um novo restaurante.

-Escuse mademosele, aqui esta seu café; um garçom simpático falou se aproximando com uma bandeja nas mãos.

-Não tem problema; Jéssica respondeu afastando o caderno para que ele pudesse colocar a xícara a sua frente.

-E como vai o livro? - ele perguntou casualmente.

-Não é bem um livro, mas vai indo. Falta pouco para finalizá-lo; ela explicou.

-Todo ano, alunos de arqueologia e história vem fazer seus trabalhos de conclusão de curso aqui. O assunto predileto deles é o Dracula;

-Não os culpo, é mesmo uma história fascinante, quando vista pelo ângulo certo; Jéssica confessou.

Franziu o cenho levemente, tinha a leve impressão de estar sendo observada, mas por quem e onde? –ela pensou lançando um olhar de soslaio para os lados.

-E seu livro, é sobre Dracula também? –Rick perguntou curioso.

-Não exatamente; a amazona respondeu. –Apesar de gostar da obra de Bran Stoker. Eu estou estudando a parte histórica e a presença dos vampiros nas culturas. Desde Dracula, aos vampiros que o antecederam como Lilith e o pecado original, ou Kali a deusa indiana da morte entre outros; ela explicou.

-Interessante; o jovem murmurou. –Bem vou voltar ao trabalho, mas se precisar de algo basta chamar; ele falou indicando um grupo que se aproximava e ocupava uma mesa próxima a sua.

-Obrigada; Jéssica respondeu antes de levar a xícara os lábios novamente.

Descruzou as pernas e remexeu-se um pouco inquieta na cadeira antes de sentir algo pesar sobre sua coxa, franziu o cenho e abaixou a cabeça. Conteve a tempo o grito de susto que ficou preso em sua garganta quando deparou-se com um par de orbes azuis sobre si.

Sentiu os músculos do corpo se retesarem e os pelinhos da nuca eriçaram, mas relaxou em seguia, assim que seu subconsciente registrou a informação de que era apenas Hades.

-Você quase me matou de susto; a amazona falou carinhosamente, passando a mão na cabeça do cãozinho, recebendo um leve grunhiu como resposta.

Observou os dedos entrelaçarem-se no pelo quase prateado e a forma como os olhos azuis pareciam mais vivos e intensos. Perturbadoramente familiares.

-Parece que seu amigo voltou do passeio; Rick falou voltando à mesa com uma cesta de biscoitos.

-Ele sempre vai dar uma voltinha no fim da tarde –ela comentou ouvindo o cachorro rosnar para o garçom, como se quisesse afastá-lo. -Calma; a amazona sussurrou coçando atrás de suas orelhas, fazendo-o soltar um pequeno gemido.

Piscou confusa, quando viu-o aproximar-se ainda mais de si, se forma que impedisse que Rick chegasse perto mesmo que quisesse arriscar levar uma mordida. Mas o olhar que ele lhe lançou tinha um "Q" a mais, tanto de petulância quanto de vitória.

Impossível! Tudo bem que às vezes Hades era um pouco arrogante quando estava entediado, mas isso deveria ser sua imaginação; ela pensou.

-Com licença; Rick falou afastando-se rapidamente.

-Estranho; Jéssica murmurou confusa, quando viu-o sumir.

Ouviu o cachorro latir e virou-se a tempo de vê-lo afastar-se um pouco e deitar-se aos pés da cadeira, sob as quatro patas de forma que pudesse observá-la e impedi-la de sair dali.

Franziu o cenho, forma estranha de sentar, mesmo para um cachorro. Experimentou levantar-se, mas viu as orelhas ficarem imediatamente em pé. Como se ele estivesse preparado para qualquer momento seu.

Balançou a cabeça levemente para os lados, sabia que cães poderiam ser mais inteligentes que uma boa parte de humanos, principalmente aqueles do sexo masculino, mas estava ficando paranóica ao achar que aquele cachorro estava lhe vigiando.

-Que absurdo; Jéssica murmurou antes de voltar a escrever. -Eu ainda não me esqueci que você precisa tomar banho; ela falou lembrando-se que no dia seguinte ao chegar, Hades conseguira sumir com a bolsa que estavam os produtos de limpeza dele. No outro dia fora ele a sumir e só apareceu quando estava cansada demais para levantar-se da cama, que simplesmente deixou para o dia seguinte.

Fora uma guerra para conseguir dar banho nele e tinha a leve impressão de que quase uma semana depois, a guerra iria ter de começar de novo, se quisesse arrumar as coisas e partir; ela pensou, balançando a cabeça levemente para os lados.

.IV.

Dublin / Época atual...

Deixou a bandeja de café no criado-mudo ao lado da cama, enquanto se levantava. Provavelmente não deveria nem ser sete horas da manhã ali. Alongou os braços para cima, sentindo o vestido amarrotado limitar seus movimentos.

Passou a mão pelos cabelos, deveria estar parecendo com a irmã da Marg Simpson naquele momento; Jéssica pensou segurando a barra do vestido enquanto saia a procura de um banheiro.

Kanon havia avisado que iria descer pegar alguma coisa no carro, mas lhe dera liberdade para sair explorando o local na sua ausência. Suspirou pesadamente, fora uma noite bem longa aquela. Jamais pensou que fosse reencontrar o cavaleiro, ainda em Dublin, tantos anos depois.

Mas a vida continua, há muito tempo sabia que aquilo que acontecera entre eles ficara na Romênia e jamais poderiam continuar de onde pararam, como ela mesma dissera a Saga antes de deixar o santuário.

Agora dera um novo rumo a sua vida, que não lhe permitia ter muitas duvidas, mas mesmo assim por um segundo nas portas da sacada do museu, temeu o momento que o reencontraria. Frente a frente!

Balançou a cabeça levemente para os lados, era melhor encontrar logo o banheiro e depois voltar para o hotel, há essas horas Diana já teria colocado a Scotland Yard atrás de si.

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Ouviu o bip do alarme e automaticamente as portas foram trancadas. Colocou a carteira no bolso traseiro da calça quando virou-se a tempo de ver um corolla prateado entrar na garagem. Franziu o cenho, quem será que estava chegando?

-Bom dia amigo; ouviu uma voz conhecida dirigir-se a si.

Voltou-se na direção do carro vendo o vidro escuro baixar, revelando o marina de cabelos rosados.

-Bom dia; Kanon respondeu um pouco confuso de ver Yo tão cedo ali.

-Não é muito cedo para você estar por aqui? –o marina indagou, também intrigado com a presença do outro.

-Vim pegar a carteira; Kanon falou, brincando distraidamente com as chaves na mão. –E você? Foi fazer caminhada no parque? –ele perguntou, lembrando-se do habito do marina.

-Ahn! Não... Estou chegado agora mesmo; Yo respondeu um pouco hesitante.

-Agora? –o marina falou surpreso, deu uma espiada discreta no carro vendo-o sozinha, mas de onde ele teria vindo?

-Sabe se Alexia já foi fazer caminhada? –ele perguntou casualmente.

-Não encontrei ninguém pelo caminho; Kanon respondeu intrigado.

-Certo, até mais então; Yo falou fechando o vidro e seguindo em frente, para sua vaga do outro lado do estacionamento.

-Estranho! – o geminiano murmurou. Balançou a cabeça levemente para os lados, era melhor esquecer aquilo, não era da sua conta; ele concluiu dando de ombros enquanto seguia para o elevador.

.V.

Itália / Verona / PalazzoDi Rossini 3 meses antes...

Apoiou os braços na beirada da piscina, enquanto ouvia as duas amigas que estavam deitadas nas espreguiçadeiras discutindo sobre as últimas coisas interessantes que andaram acontecendo. O dia estava agradavelmente quente, mesmo para o verão.

-Não é mesmo JB? –Juliana perguntou chamando-lhe a atenção.

Arrumou os óculos na pontinha do nariz enquanto voltava-se para a outra ruiva.

-O que?

-Os gregos são bem mais interessantes que os italianos; ela falou.

-Bem...;

-Isso é infame; Diana ralhou, cortando-a, antes que pudesse formular uma resposta diplomática para aquilo. –Você não tem como comparar, italianos são italianos e gregos são gregos. Cada um na sua;

-Não é não, conheço um grego bem mais interessante que muitos italianos por ai; a ruiva falou em tom de provocação.

-Acho que é relativo; Jéssy respondeu pensativa. –A nacionalidade não faz o homem, se bem que... É um tempero a mais; ela completou com um sorriso nada inocente nos lábios.

-Mas convenhamos, os gregos tem um "Q" a mais; Juliana falou gesticulando casualmente.

-Depende do grego; Diana a corrigiu.

-Bem, se for um daqueles amigos gregos do Giovanni, você concordaria comigo; ela ressaltou.

-Como? –as duas amazonas indagaram ao mesmo tempo.

-Cadmo Odisseus Elytis; a italiana falou pausadamente. –Um belo espécime, eu diria;

-Ahn! Nesse caso tenho de concordar; Jéssica falou, apoiando a cabeça sobre os braços cruzados, enquanto batia os pés distraidamente na água. –Mas ele não faz meu tipo;

-Faz tempo que não ouço falar nada do Cadmo; Diana comentou pensativa. –Ouvi dizer que ele assumiu a empresa da família e só;

-Se você não tivesse ficado tanto tempo na Sicília treinando sua pupila, poderia ter tido mais acesso a informação; Juliana comentou. –Mês passado quando estivemos no Japão, encontramos Cadmo;

-Serio? –Diana indagou curiosa.

-Ele estava de matar, diga-se de passagem; a jovem comentou, levando um copo de suco aos lábios. –Mas não tive muito tempo de falar com ele, Giovanni não me deu muita chance;

-Também pudera; Diana respondeu rindo. –Até onde sei, meu irmão é o típico homem italiano. Só falta a clave primata na mão; ela completou.

-Realmente, o Dom é bastante possessivo; Jéssy comentou. –Lembra aquela vez que você resolveu sair com o novo gerente de publicidade da Coliseu? –ela falou voltando-se para a amiga.

-E não? Gio ficou possesso comigo por mais de um mês; Diana resmungou indignada.

-Também, isso vai contra a política da empresa; Juliana falou dando razão ao italiano.

-Ah! Isso é ridículo; a amazona falou enfezada;

-Meninas, por favor; Jéssica as cortou, assim que notou a exaltação das duas.

Ainda se lembrava de como Diana ficara furiosa quando Giovanni a proibira de sair com o gerente, sendo que eles iam apenas tomar um café nas dependências da empresa. Nem era em algum lugar privativo.

A amazona não perdoara aquela e sempre fazia questão de provocar o irmão quanto a sua relação indefinida com Juliana. No último mês os dois quase haviam se engalfinhado por conta dessas provocações.

Suspirou cansada, anos atrás quando voltara da Romênia, o que mais queria era paz e tranqüilidade, mas não conseguiu ficar muito tempo longe da agitação. Por isso, contratara um administrador para Arshet, com todo o capital que tinha da herança familiar por parte da mãe, o resto dos investimentos estavam aplicados na Coliseu, onde o tio tomava conta de tudo.

Resolvido o problema, mudara-se com Hades para Londres. Naquela época já havia decidido parar com as caçadas, mas o curioso foi que desde aquele tempo, não encontrava mais vampiros em seu caminho. Nem quando de maneira discreta saia por Londres dar uma olhada nos velhos pubs da cidade.

Tudo parecia limpo... Estranhamente vazio.

Para ocupar o tempo, começara a estudar artes e a pintar. O tempo passava com a tranqüilidade que queria. Até o dia que o mundo pareceu querer acabar.

Londres fora tomada pelo caos, erinias surgiram de todas as partes na cidade causando a maior das calamidades. Teria entrando em pânico se não houvesse encontrado com alguns conhecidos no meio daquele inferno todo.

Entre eles estava Aaron, o antigo companheiro havia chegado a cidade com a namorada, uma lourinha carismática que mais tarde se revelou ninguém menos do que a Deusa da Guerra Nórdica, chefe de um exercito de valkirias. Freya.

Muitas pessoas saíram feridas, entre eles sua mais recente amiga. Ariel De Siren. Um dia enquanto visitava a biblioteca britânica conhecera a garota, depois disso, descobriram que também possuíam um passado em comum.

Desse dia em diante começaram a trabalhar juntas para desvendar um mistério quase esquecido pelo tempo, mas que fora bruscamente interrompido por conta daquela guerra insana.

A batalha fora ferrenha, até mesmo espectros de Hades vieram a Terra tentando aprisionar as erinias que causavam tanto caos e foi nesse meio que pela primeira vez usou uma das mais poderosas formulas do Lacres de Houren.

Ainda não conseguia se lembrar ao certo como sobrevivera depois de perder tanta energia ao fechar o portal que ligava os mundos, mas em meio aquela confusão só teve cabeça para pensar em Hades que havia desaparecido no meio do corre, corre.

Quando se recuperou buscou o animal por toda à parte, mas ninguém havia o visto e com o tempo, teve de se conformar com a idéia de que ele não iria voltar. Suspirou pesadamente balançando a cabeça levemente para os lados.

Aquele não era um bom momento para lembrar-se de tudo que passara, mas as lembranças insistiam em voltar.

Depois que todo o caos chegara ao fim, decidira se mudar para Verona, foi quando reencontrou Diana e alguns anos depois ambas decidiram treinar seus sucessores. Após seis anos voltou ao santuário apenas para apresentar Jisty como a nova amazona de vampiro, porém o que ninguém sabia, nem mesmo a pupila, era que, o que ela usava como armadura era apenas um terço dela.

-Com licença, senhoritas; um senhor de idade falou aproximando-se.

-Algum problema, Enzo? –Diana perguntou, voltando-se para o secretario do irmão.

-Uma ligação na linha restrita; ele falou indicando o telefone sem fio nas mãos.

-Para quem? –Juliana perguntou curiosa.

-Para a senhorita Belmonte; Enzo falou voltando-se para a amazona.

-A pessoa se identificou por quem? –Jéssica perguntou pegando o telefone.

-Considini; Enzo respondeu diante do olhar espantado das duas.

-Com licença, meninas; Jéssica falou antes de se afastar-se um pouco da borda da piscina. –Alô!

-Um passarinho me contou que você finalmente decidiu tirar férias; uma voz feminina soou do outro lado.

-Convenhamos que eu estava merecendo; ela falou sorrindo.

-Ai! Me sinto uma chata por ligar agora com uma proposta para você; Ariel falou suspirando de maneira dramática.

-Você sabe que me divirto carregando pedras, então me conta, o que tem em mente? –a amazona indagou.

-Já ouviu falar sobre o museu de Dublin? –a jovem perguntou.

-Já, até onde sei, ele passou por muitas reformas no último ano; Jéssica respondeu.

-Isso e vai abrir as portas novamente daqui a três meses; Ariel explicou. –Então, eu pensei que, talvez fosse interessante para você usar o salão de exposição para mostrar alguns de seus quadros;

-É serio? –ela falou surpresa.

-Sim, estive falando com Alexia Colfer e ela concorda comigo, o pessoal vai gostar de ver um estilo diferente naquelas salas alem do bom e velho renascentista; Ariel comentou.

-Eu já fiz outras exposições antes, mas nenhuma em museus, nem sei como organizar isso; Jéssica falou ansiosa.

-Não se preocupe, Alexia falou que se você topar, ela organiza tudo pra você. Coletiva de impressa, entrevistas. Até mesmo a guarda pessoal para transportar as telas; a jovem explicou. –Porque nós bem sabemos do ciúme que você tem dessas telas; ela completou num resmungou.

-Não é ciúme, é só que... Bem, eu me apego muito a elas e acho difícil vendê-las como se fosse um objeto de decoração qualquer; Jéssica respondeu sorrindo.

-Eu já ouvi isso antes; Ariel falou casualmente. –Mas então, aceita ou não?

Respirou fundo, ponderando. Ir a Dublin seria interessante. Já havia feito outras exposições em Verona e Londres, mas aquela seria a primeira grande exposição em Dublin. Bem, se Alexia iria dar um jeito em tudo, não havia porque dizer não; ela concluiu.

-Eu topo; Jéssica respondeu.

-Ótimo, em uma semana você vai receber os papeis que precisava ler e os documentos do seguro para os quadros; Ariel explicou. –Ai nós vamos nos falando até o dia;

-Certo;

-Até mais;

-Obrigada; ela respondeu quando ouviu a outra desligar.

-Então, o que era? –Diana perguntou curiosa.

-Um convite para expor em Dublin, com o patrocínio de Alexia Colfer e New Land; ela respondeu.

-Incrível; a amiga respondeu empolgada. –Quando fazemos as malas?

-Ainda tem tempo; Jéssica respondeu sorrindo. –Agora se vocês não se importam, vou sair um pouco desse sol; ela falou erguendo os orbes para cima. –Esta começando a esquentar de mais;

-Ah! Você diz isso só porque esta acostumada com aquele clima enjoado de Londres; Juliana respondeu. –Lá pode fazer sol ou chuva que o céu é cinza do mesmo jeito; ela completou torcendo o nariz.

-Gosto não se discute; Jéssica falou se despedindo e afastando-se.

Era melhor ir descansar um pouco, sabia que quando a noite caísse Diana não iria lhe dar sossego. Alias, desde que haviam entregado suas pupilas ao santuário e retornado a Verona, a amazona não lhe dava um momento de folga. Sempre estavam fazendo alguma coisa, seja um passeio, ou cinema, mas dificilmente ficavam de papo para o ar, sem fazer absolutamente nada.

-Deseja alguma coisa, senhora? –Rosana a governanta perguntou assim que a encontrou subindo as escadas.

-Não, obrigada; a amazona respondeu despedindo-se.

E Diana reclamava que Giovanni era possessivo só com ela, mas durante o tempo que estava vivendo em Verona, descobrira alguém mais possessivo do que Hades. Giovanni só faltava rosnar quando algum homem aparecia com algum convite, seja para Diana ou ela.

Depois que ele lhe tomara sob suas asas, precisara desenvolver alguns métodos para espaçar da marcação serrada do italiano, se não, ele acabaria colocando um chip de monitoramento via satélite, para ter garantir que as pessoas que andavam consigo eram boas companhias ou algum serial killer em potencial.

Balançou a cabeça levemente para os lados enquanto seguia em direção a seu quarto.

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Passou levemente a ponta dos dedos sob a superfície de mogno escuro da cômoda, enquanto andava de maneira distraída pelo quarto. Sentia o cheiro dela por toda parte, impregnado nas paredes, nas cortinas e nos moveis.

Fazia tanto tempo que não a via, ou sentia o cheiro de seu perfume. Entretanto, agora via que jamais a esquecera. Passara quase oito anos junto da amazona, até que teve de admitir que estava sendo egoísta ao impedi-la de viver.

Embora ainda jovem, ela não era como as outras garotas que ao cair da noite buscavam festas cada vez mais badaladas, ou encontros furtivos. Pelo contrario, sempre buscava algum motivo para se refugiar nos livros ou em qualquer outra coisa que mantivesse-lhe a calma. Entretanto, os poucos passeios que ela fazia eram limitados por sua presença.

Era obrigado a admitir que às vezes tirava proveito disso, como nas visitas que faziam a Londres, passeando pelos parques e sempre algum homem tentava se aproximar querendo envolvê-la na típica teia de flertes descompromissados, entre outras coisas, rosnava e acabava os afugentando.

Dificilmente algum homem arriscava-se a se aproximar muito quando estava ao lado da amazona e durante oito anos viveram bem assim, até que começou a notar os olhares perdidos e por vezes melancólicos dela.

Ela não caçava mais, porém sentia a fênix reprimida que habitava em seu coração rebelar-se contra aquela passividade. O temperamento indomável não queria ser colocado de lado e necessitava voltar a ativa.

Foi quando percebeu que, ou lhe contava a verdade sobre quem era e corria o risco de tê-la lhe odiando para sempre, ou fugia e tentava matar aquele sentimento, mas pelo menos, a deixaria livre para viver a própria vida, sem prender-se ao 'amigo'.

Suspirou pesadamente, obviamente escolhera a saída mais covarde, no meio daquele pandemônio em Londres, apenas esperou o momento certo, quando teve certeza que ela estava bem, partiu para Carfax. Mesmo sabendo que deveria se afastar de vez, não conseguiu ficar tão longe, por isso a propriedade em Londres, fora bastante conveniente naquele momento.

Acompanhou seus passos a distancia, tentando lhe dar espaço para tomar as próprias decisões, até que decidiu aceitar o convite, ou melhor convocação de Bermesk para ir a Islândia.

Agora quase doze anos haviam se passado desde aquela noite em Londres, mas seus sentimentos não haviam mudado, o que era ainda mais difícil de aceitar, principalmente sendo quem era.

Na noite em que vira Gabriel e Kara anunciando o noivado, decidira enterrar todos os seus sentimentos, jamais pensou que poderia amar outra mulher novamente, mas mais uma vez estivera errado. E aquela jovem dama de cabelos cor de fogo lhe cativara no primeiro instante. Fazendo com que se sentisse realmente vivo depois de tantos séculos.

-Será que ela vai querer me matar? - Aidan murmurou pensativo, enquanto observava curiosamente um cão branco de pelúcia sobre a cama.

Ouviu passos no corredor e afastou-se da porta, sabia que ela estava sentindo sua presença. Poucos segundos depois a porta abriu-se bruscamente e os orbes antes castanhos cintilaram vermelhos na escuridão do cômodo junto com um brilho prateado que vinha de sua mão.

-É melhor sair de onde estiver; Jéssica falou em tom frio, fechando a porta, deixando a escuridão envolvê-los, porém seus olhos logo se acostumaram com a falta de luz e correu-os pelo cômodo, buscando a origem daquela energia que sentia.

-Venho em paz; Aidan falou surgindo na frente dele, fazendo-a recuar instintivamente.

-Você!

-Pode tentar me matar depois, mas primeiro temos de conversar; o vampiro falou taxativo, segurando-lhe o pulso impedindo-a de avançar sobre si com o espeto que tinha nas mãos, provavelmente ela esteve usando-o nos cabelos mais cedo.

-A armadura não esta aqui; Jéssica exasperou.

-Eu sei;

-O que quer aqui Aidan? –ela indagou.

-Você; o vampiro respondeu num sussurro, fazendo-a estancar surpresa. –Mas há algo que preciso lhe contar primeiro;

Voltou-se para o vampiro, sentindo uma estranha inquietação lhe dominar. Ao mesmo tempo que uma parte de si queria enfrentá-lo, outra gritava para que lhe desse as costas e saísse correndo.

-Por favor; Aidan pediu num sussurro, aproximando-se mais de forma que pudesse tocar-lhe a face delicadamente com a ponta dos dedos.

Teria recuado mais um passo se não houvesse sentindo um dos braços do vampiro contornar-lhe a cintura, puxando-a para frente, até que a ponta de seu nariz quase tocou-lhe o queixo.

-O que você tem a dizer? –a amazona perguntou chocada com a forma como sua voz soou rouca e quase inaudível, quando o toque de seus dedos desceu a base da garganta e a respiração quente dele acariciou-lhe a pele sensível atrás da orelha.

-Eu juro que as minhas intenções eram as melhores; Aidan falou num sussurro que deixou-a entorpecida. –Mas há algo que há muito tempo eu quero fazer...; ele sussurrou deixando os lábios deslizarem pela faze da jovem, enquanto os braços contornavam-lhe o corpo esguio, fazendo-a amoldar-se ao seu.

-O que-...;

Todas as indagações morreram no momento que seus lábios se encontraram. Ondas furiosas de calor envolviam-lhe o corpo, fazendo-lhe estremecer. Sentia-se como se houvesse sido tragada para o meio do olho de um furacão.

Os braços estreitaram-se em torno dela, como se temessem fraquejar por alguns instantes, mas o suficiente para ela desaparecesse. Os deuses eram testemunhas de que tinha ido ali com a intenção de conversar com ela, apenas isso. Jamais planejara sentir toda aquela ânsia de tocá-la, sentir seu gosto, agarrando-se a todos os segundos como um naufrago a última bóia.

O tempo pareceu parar e nada mais importava. Entretanto, as Deusas do Destino às vezes tem um jeito sádico de agir.

-JÉSSY, DIANA FALOU Q-...;

Continua...