BLOOD LUST
By Dama 9
Nota: Os personagens de Saint Seya não me pertencem, pertencem a Masami Kuramada e a Toei Animation. Personagens como Aidan, Eraen, Diana e Jéssica são criações únicas e exclusivas minhas para essa saga.
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Importante!
Dama 9 e amigos incentivam a criatividade e liberdade de expressão, mas não gostamos de COPY CATS. Então, participe dessa causa. Ao ver alguma história ou qualquer outra coisa feita por fã, utilizada de forma indevida sem os devidos créditos, Denuncie!
Boa Leitura!
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Capitulo 19: Sempre Juntos!
.I.
Acenou levemente para um táxi, enquanto terminava de descer os degraus para a calçada. Viu um nada discreto carro vermelho parar e abriu a porta, entrando no veiculo em seguida.
-Para onde senhorita? –um senhor de idade indagou, erguendo parcialmente a aba da boina xadrez que usava para poder fitá-la.
-Bourbon Hills; ela falou.
Fechando a porta do carro vermelho, lançou um último olhar para trás. Suspirou pesadamente, enquanto acomodava-se no acento. Levara apenas um segundo talvez dois, para compreender a razão daquilo tudo. Na noite anterior havia ficado chocada ao reencontrar Kanon em Dublin, entretanto, no decorrer das horas começara a acreditar que aquilo não fora mera coincidência.
Foi quando lembrou-se das palavras de um velho conhecido, "Não existe destino, tão pouco coincidências, e sim, uma sucessão de decisões tomadas sozinhas ou em coletivo, que levam a um único resultado final. Como um labirinto de peças de dominó". E ele estava certo, absolutamente certo!
Aidan andava muito inquieto desde que dissera que viajaria para Dublin, para uma exposição no museu da cidade. Ele tentara lhe dissuadir da viagem incontáveis vezes, prometendo até mesmo arrumar-lhe uma exposição no Louvre se quisesse, contanto que não fosse para a Irlanda. Mas como já havia se comprometido com Alexia de ir não achou justo desistir na última hora, não depois de todo o trabalho que a empresaria tivera em organizar o evento.
Agora compreendia que, aparte aquela ladainha de destino, aquele reencontro deveria ter acontecido. Era uma parte de si que precisava enterrar, aquela Jéssica inquieta que ainda se perguntava se não contrariara toda uma história familiar, abandonando as caçadas e dando as costas ao santuário, por não querer treinar mais de um pupilo.
Reencontrar Kanon fora esclarecer de vez para seu subconsciente teimoso, que estava apenas usando a imagem do cavaleiro e de algumas outras coisas para simplesmente não admitir o que sentia pelo vampiro de cabelos negros.
Há muito tempo às coisas haviam mudado, não fora naquele baile no castelo de Aidan na Romênia, nem ao menos quando os caninos afiados cortaram-lhe a garganta e sentiu o pouco de vida que ainda lhe restava se esvair.
E sim, quando o vira desamparado e perdido em seus próprios pensamentos, naquela sala fria onde a armadura repousava que compreendeu que ele era um perigo, não para o mundo se possuísse a armadura. Mas para si mesma, que poderia perder muito de si se, se deixasse levar por aquele sentimento inquietante que passara a sentir por ele.
Nem mesmo o tempo que passara em Melyora, ou Verona foram o suficiente para afastá-lo de sua mente completamente, vez ou outra ele estava lá, lhe espreitando.
Ainda posso sentir seu olhar me seguindo, é como se a qualquer momento, quando fitar meu próprio reflexo no espelho, verei seus olhos nos meus.
Recostou-se no banco, enquanto o táxi ganhava as ruas, Kara definira bem aquela sensação. Durante todo o tempo que estivera em Arshet, lera os diários da caçadora e não havia um que ela não mencionasse o vampiro, ou o que sentia por ele.
As lembranças infantis foram as que mais lhe cativaram e em fugazes momentos via-se desejando conhecer o homem por trás do vampiro. Estava farta de lendas que contavam a visão impessoal das pessoas sobre determinados eventos. Queria sentir, tocar... Ver a história se tornar real diante de seus olhos, sem mais subterfúgios.
Foi quando o reencontrou meses atrás...
.II.
Jogou-se no sofá e fitou o tento com visível aborrecimento, não conseguira dormir bem à noite, pelo contrario, passara cada segundo das últimas oito horas esperando ouvir o som do elevador se mover e a porta em frente a seu apartamento se abrir.
Mas era irritantemente obvio concluir que isso não aconteceu. Ele não voltara pra casa. O pior de tudo era saber que ele poderia estar em qualquer lugar da cidade, ou fora dela, mas estaria com aquela mulher.
-Grrrrrrrrrrrr; Alexia rosnou, chutando as almofadas japonesas do sofá, enquanto tentava encontrar uma posição que pudesse ficar confortável.
Jamais iria admitir, nem mesmo para si mesma, que ainda tinha vontade de torcer o pescoço daquela italianinha atrevida, por ter passado a noite com o seu marina.
Uhn! Parou bruscamente quando notou o pensamento que surgira de repente em sua mente, mas de maneira perturbadora.
Droga! Não tinha nada a ver com a vida pessoal de seus colegas de trabalho, pelo contrario, todos eram livres para viverem como lhe bem entendesse, contanto que não abusassem da sorte, mas jamais ultrapassara aquela linha. Chefe/subordinado como agora.
Entretanto, ele nunca fora um mero funcionário da New Land, tão pouco apenas um colega de trabalho, ou o amigo para os dias de chuva.
-Pelas barbas de Netuno! –ela exasperou levantando-se.
Iria surtar se continuasse ali achando que ele iria chegar a qualquer momento, com a camisa sempre imaculadamente branca, agora marcada por batom vermelho e o cheiro de perfume feminino impregnando-lhe a pele.
Trincou os dentes, tentando banir essa imagem da mente antes que cometesse alguma imprudência. Entretanto mal deu alguns passos em direção a cozinha atrás de uma xícara de café quando ouviu a campainha tocar.
Franziu o cenho, estranho, não havia ouvido o barulho do elevador; ela pensou mudando a direção e indo até a porta. Mal havia a aberto quando uma massa cor de rosa passou por si.
-Espero não tê-la acordado tão cedo; Yo falou, atravessando o vestíbulo.
-Não, eu... Estava indo fazer o café; ela completou confusa. Entretanto foi incapaz de impedir que seus orbes correrem pelo cavaleiro, notando os cabelos úmidos e o cheiro de loção pós-barba embriagar-lhe os sentidos.
Aquele homem deveria ser proibido de ser tão cheiroso assim; ela pensou engolindo em seco, tentando lembrar-se do quão furiosa estava pouco antes dele chegar.
-Aconteceu alguma coisa? –Alexia perguntou em seu melhor tom frio.
-Bem, eu... Pensei se talvez, você não gostaria de tomar café comigo? –ele indagou hesitante.
Arqueou a sobrancelha instintivamente, tentando assimilar o que acabara de ouvir, o que ele estava pretendendo?
-Agradeço a gentileza, mas não posso. Eu ia apenas fazer um pouco de café antes de começar a trabalhar; Alexia mentiu, encostando a porta e seguindo para a cozinha, tendo a nítida certeza de que ele estava trás de si, acompanhando-lhe os passos.
-Mas você não costuma trabalhar em sábado; Yo comentou confuso, enquanto encostava-se no batente da porta e observava-a andar pela cozinha impecavelmente organizada, arrumando o que precisava para começar a fazer o café.
-É um caso especial; ela respondeu mantendo-se de costas para ele.
-Uhn! E no que eu posso te ajudar? –ele indagou puxando uma cadeira e sentando-se, enquanto observava-a ficar ainda mais inquieta.
-Não precisa, você deve ter coisas mais importantes para fazer do que perder o sábado trabalhando. Não se preocupe, eu dou conta do projeto; Alexia falou relanceando um olhar para ele, mas rapidamente desviou.
-Podemos fazer assim, eu te ajudo. Você termina mais cedo o projeto e depois almoça comigo, o que acha? –ele indagou, ignorando a desculpa dela para dispensá-lo dali.
Respirou fundo tentando não se deixar levar pelo pânico, na noite anterior achou que sair com Diana seria uma boa forma de exorcizar Alexia de seus pensamentos de uma vez por todas, mas as Deusas do Destino decidiram intervir de maneira bastante sádica em seus planos; ele lembrou-se.
Entretanto, depois de passar mais da metade da madrugada, tentando impedir que Diana se atracasse com um exaltado vampiro que surgira no meio da sala de visitas e que por muito pouco, não quis lhe mandar para o reino de Hades; Yo pensou, engolindo em seco. Era como se seus olhos houvessem sido abertos para a besteira que iria cometer.
-Yo, eu realmente agradeço, mas...; Alexia falou voltando-se para ele, enquanto encostava-se na beirada da pia. –Não quero incomodá-lo; ela falou respirando fundo.
-Já disse, não me importo... A menos é claro que você não queria sair, se quiser, podemos comer por aqui? –ele sugeriu casualmente.
Providencia divina ou não, raciocinando com maior clareza agora, compreendia que usar uma mulher para esquecer outra, era muito baixo. Alem do mais, havia tomado uma decisão, se por uma vez que fosse, apenas uma Alexia não demonstrasse que poderia haver algo entre eles, alem da típica relação chefe/subordinado. Se afastaria.
Arrumaria trabalho em outra empresa, mudaria de país, faria qualquer coisa, mas ficaria bem longe dela e de preferência em algum lugar que não existisse a possibilidade de encontrar Alister, porque ainda tinha vontade de torcer o pescoço daquela sardinha por toda a dor que causara a Alexia, enquanto não se decidia se ia atrás de Euren ou desistia de vez.
Agora já tomara sua decisão e não iria voltar atrás. Nem que ela arrumasse infinitas desculpas para lhe expulsar dali.
-Posso até cozinhar aquele macarrão com molho branco e camarão gratinado na champanhe que você tanto gosta; ele falou num tom ameno, enquanto levantava-se e aproximava-se de maneira que pudesse apoiar as mãos na beirada da pia, uma de cada lado dela. Impedindo-a de recuar para qualquer lugar que fosse.
-Ahn! Bem...; Alexia balbuciou.
-E pra sobremesa, mouse de chocolate com bastante chantily e cereja; Yo completou tão perto dela, que a jovem sentia a cabeça dando voltas.
-Bem, eu... Acho que você me convenceu; ela murmurou, totalmente desnorteada com aquela reviravolta.
Pensou que ele estava apenas propondo ajuda por educação, por isso tentou acabar com o suplicio de maneira cortes, mas ele insistia. O que dera nele para mudar assim? Alias, Yo sempre fora o mais reservado dos marinas.
Bem, nem tão reservado, porque ele sempre fora naturalmente simpático e espontâneo. Diferente de Bian que tinha um temperamento um pouco indiferente ou Krisna que era totalmente perfeccionista, a ponto de fazer inveja a Jack Estripador. Ou até mesmo Kanon que decidira bancar o homem serio e responsável atualmente.
Mas Yo sempre fora diferente; Alexia pensou. Porque simplesmente não repara nisso antes? –ela se perguntou. Nunca quisera ter uma relação impessoal com nenhum dos marinas, sempre os tivera como amigos. Entretanto, doera ouvir da boca dele na noite anterior que era 'apenas a chefe', como ele dissera a Diana.
-Você não parece ter dormindo bem essa noite; ele comentou, deixando a ponta dos dedos tocarem-lhe a face, pouco acima das maçãs rosadas do rosto.
-Uhn?
-Seus olhos parecem cansados; o cavaleiro comentou. –Porque não deixa para amanhã o projeto e tira o dia pra descansar? –ele sugeriu preocupado.
-Não é nada, eu só vou adiantar as coisas para segunda e amanhã tiro o dia pra não fazer nada e descansar; Alexia falou tentando passar por ele e ir ver o café, mas não conseguiu.
-Ta certo, mas de qualquer forma vou lhe ajudar; ele completou veemente, afastando-se para deixá-la terminar o café.
Deu-lhe as costas, enquanto retirava a chaleira de água quente do fogão, tentando esconder o leve sorriso que formara-se em seus lábios. Seria um dia interessante! Muito interessante!
.III.
Entrou no apartamento quase na pontinha dos pés, mas imediatamente arqueou a sobrancelha ao ver uma serie de vasos caídos no chão quebrados, uma mesinha da ante-sala caia no tapete e as cadeiras estofadas em frangalhos.
-Céus! Passou um furacão por aqui? –Jéssica falou abismada. Nem mesmo os titãs de Chronos poderiam fazer um estrago tão grande quanto aquele. Ela pensou olhando desolada para o papel de parede trabalhando com arabescos em tons de ocre totalmente rasgados.
Aquele era o cumulo da agressão à arte; ela pensou serrando os orbes perigosamente.
-Finalmente você chegou; Diana exasperou aparecendo na sua frente com uma escova de cabelos pesada nas mãos e uma bandeja de prata na outra.
-Onde você estava? –Aidan perguntou aparecendo em seguida segurando o atiçador em forma de garfo da lareira.
Recuou um passo instintivamente, ambos estavam com as roupas amarrotadas e trocavam olhares hostis. Bem, pelo menos parte daquele estrago parecia ser justificado pela presença dos dois ali, mas ainda sim, não era o suficiente; ela concluiu confusa quanto ao motivo daquilo tudo.
-Ahn! Primeiro, o que aconteceu aqui? –ela indagou apontando para as coisas quebradas.
-Não mude de assunto, onde você estava? –o vampiro insistiu exasperado.
-Ontem no museu reencontrei Kanon e nós fomos para um lugar com menos barulho para conversar; Jéssica respondeu vendo-o na mesma hora passar do vermelho ao branco pálido.
-VOCÊ PASSOU A NOITE COM ELE!!! – Aidan gritou.
-Não grite com ela; Diana falou voltando-se para ele com um olhar ameaçador.
-E você! Suma da minha frente, já me causou problemas demais; ele falou com um olhar furioso para amazona.
-Mas que droga, o que aconteceu aqui? –Jéssica perguntou vendo que Diana empunhava a bandeja como um escudo e Aidan parecia bastante propenso em usar o atiçador como uma espécie de espada para atacar a amiga.
-Esse idiota me aparece de madrugada e surta; Diana reclamou na defensiva. –Eu estava aqui! No maior clima com um gato lindo, cheiroso e gostoso e esse estrupício acabou com tudo; ela gritou lançando a escova na direção do vampiro que esquivou-se em tempo, mas o único vaso ainda intacto na sala destruída recebeu o impacto da escopa e partiu-se em infinitos fragmentos.
-Como eu ia saber que era você que estava aqui se agarrando com aquele cara?
-Nós não estávamos nos agarrando... Ainda. Mas por culpa sua, isso não aconteceu; Diana falou irritada e igualmente indignada.
-Ahn! Acho que estou começando a entender; Jéssica murmurou pensativa.
-Isso é culpa sua! - os dois falaram voltando-se para ela acusadoramente.
-Eu se fosse vocês tomava uma garrafa de uísque e ia dormir. Vocês estão estressados demais; ela completou seguindo em direção ao quarto, ignorando-os.
Enquanto aqueles dois estivessem daquele jeito, só iriam perder tempo discutindo por coisas bobas ou pior, falando alguma coisa da qual se arrependessem depois; ela concluiu.
-Nós ainda não terminamos! Jéssica, volte aqui! - Aidan falou indo atrás.
-Aidan, eu realmente não quero discutir com você agora, então é melhor procurar outra pessoa com quem gritar; ela falou antes de entrar no quarto e teria batido a porta na cara dele se o vampiro não houvesse sido mais rápido e a segurado.
-Por que você voltou afinal? –ele indagou abaixando o tom de voz.
-O que? –Jéssica perguntou confusa.
-Você o reencontrou, não? Suponho que tenha decidido ficar com ele; o vampiro falou num tom ferido e acuado.
-Você não esta pensando que...; a jovem parou gesticulando nervosamente. –Acho que sou eu que vou precisar daquele uísque; ela resmungou indo pegar uma muda de roupas na mala sobre a penteadeira, tentando ordenar os pensamentos.
Não era possível que aquele maluco estivesse fazendo todo aquele alarde, por causa disso; ela pensou antes de voltar-se para ele, vendo-o ainda parado na porta. Respirou fundo, enquanto tirava o colar que usava e deixava-o sobre a penteadeira. Pelo visto, não iria poder protelar aquele assunto por mais um tempo. É, as Deusas do Destino eram sádicas demais para o seu gosto, poderiam ter pelo menos lhe dado um pouco de tempo para assimilar tudo que havia acontecido nas últimas horas; ela pensou.
-Kanon foi apenas parte de um momento na minha vida Aidan. Nossos caminhos apenas se cruzaram por conta de uma pequena ironia; Jéssica falou lembrando-se do surto de Saga quando Shion decidira que um cavaleiro deveria lhe acompanhar na missão a Romênia. –Anos atrás quando me despedi dele no Santuário, virei à página. Nunca foi minha intenção encontrá-lo novamente, tão pouco, continuar de onde paramos; ela falou fazendo o sinal de aspas com os dedos.
-Mas...;
-Hoje sou uma pessoa diferente daquela que voltou da Romênia anos atrás e diferente também daquela que foi até a Romênia; ela falou desviando o olhar. –Construí um novo caminho pra mim sem correntes que me prendem ao passado nem arrependimentos. Ao contrario de Kanon que ainda é atormentado por alguns demônios e esta aprendendo a buscar a si mesmo;
-Eu pensei que...;
-Eu sei; a jovem o cortou, sentando-se na beira da cama e dando um tapinha na colcha, para que ele se sentasse a seu lado. –Nossa vida é cheia de escolhas e tais escolhas influenciam todos ao nosso redor. Às vezes fazemos coisas sem pensar no que isso acarretara mais para frente; ela comentou pensativa. –Mas foi bom conversar com Kanon, eu havia me esquecido de algumas coisas importantes ao longo do caminho e ele me ajudou a lembrar;
-Não duvido; Aidan resmungou desviando o olhar.
-Agora é sua vez; ela falou chamando-lhe a atenção.
-O que? –ele indagou casualmente.
-De me explicar o porquê desse fuzuê todo; a jovem falou impaciente.
-Você esta com o cabelo liso; Aidan reclamou, apontando para as madeixas vermelhas dela, levemente armadas agora diferente da noite anterior que possuíam um liso perfeito.
Arqueou a sobrancelha, o que seu cabelo tinha a ver com tudo aquilo? A menos que... Não era possível.
-Diana encaracolou os cabelos ontem; Jéssica falou pausadamente, vendo-o ficar ainda mais carrancudo. –Ela disse que estava aqui com Yo quando você chegou de madrugada; ela continuou vendo-o levantar-se bruscamente e encaminhar-se até a janela.
-Você queria que eu pensasse o que? –Aidan vociferou. –Me manda para aquele fim de mundo atrás daquela porcaria e quando volto, o que eu encontro? Aquela...; disse exasperado apontando em direção a porta como se Diana estivesse do outro lado. –Se agarrando com aquele cara;
-E você pensou que fosse eu; Jéssica concluiu. Balançou a cabeça levemente para os lados, aquilo era bizarro demais. –Um pequeno adendo para o ser interlúdio; ela falou calmamente, embora por dentro estivesse a ponto de cuspir fogo. –Não o mandei para aquele fim de mundo. Eu disse que iria a Grécia procurar uma coisa que Laura me pediu; ela falou referindo-se a amiga alquimista. -Mas você disse que poderia fazer isso, enquanto eu cuidava da exposição; ela o corrigiu.
-Como se eu fosse deixar você ir até lá, sabendo que aquele outro idiota estava por perto; ele resmungou injuriado.
-O que disse?
-Disse que você tinha coisas demais para se preocupar. Concordo, foi decisão minha ir até lá; ele falou optando por uma mudança de tática. –Mas não pensei que...;
-É melhor esfriarmos a cabeça antes que falemos alguma besteira que não tenha volta; Jéssica falou pensativa. –Alem do mais eu preciso de um banho; ela murmurou encaminhando-se para o banheiro anexo a suíte.
Observou-a se afastar, enquanto serrava os punhos tentando conter a vontade de voltar a discutir. Alias, essa era uma pratica que haviam adotado nos últimos meses quando queriam extravasar as energias acumuladas.
Mesmo que o motivo fosse o mais absurdo de todos, bastava apenas acender o pavio para que começassem a brigar e horas depois já estivesse tudo bem novamente. Mas dessa vez as coisas não eram simples assim, quando colocasse as mãos naquele cavaleiro, ele iria saber que os infernos de Hades eram o paraíso perto do que tinha em mente. Como ele ousava chegar perto de sua mulher?
-AIDAN! –Jéssica gritou do banheiro.
-O que foi? –ele perguntou aproximando-se da porta, preocupado.
-Vá tomar um banho frio, consigo sentir seus pensamentos daqui, se você fizer algo insano te transformo numa quimera; ela completou antes de ligar o chuveiro.
Balançou a cabeça levemente para os lados, porque tudo na relação deles tinha que ter aquele "Q" bizarro, digno dos filmes de Fredie Kruguer. Quando a mordera anos atrás, jamais pensou que ela fosse conseguir manter parte de sua humanidade se não ingerisse sangue humano, como os vampiros convencionais.
Também jamais pensou que ela fosse resistir a seus comandos como vampiro mestre. Entretanto, suas mentes eram conectadas por uma eterna porta aberta, por isso ela sempre conseguia "sentir" as vibrações emanadas por seus pensamentos, sejam bons ou ruins, como agora. Como isso era possível? –ele se questionou.
-Entre pro clube; teve a impressão de ouvir a voz da amazona ecoar em sua mente.
Balançou a cabeça levemente para os lados, pelo menos não era o único confuso ali, isso já ajudava; ele concluiu enquanto saia do quarto e voltava à sala principal. Era melhor dar uma arrumada naquelas coisas antes que ela saísse.
.IV.
Recostou-se confortavelmente na cadeira estofada de couro, enquanto cruzava as pernas de maneira elegante, girou delicadamente o copo em suas mãos, ouvindo o gelo tilintar, antes que pudesse erguer os orbes na direção de seus três acompanhantes.
-Que fique bem claro a todos aqui presentes, que dessa vez eu não tive nada a ver com o que aconteceu; Emmus falou, vendo seu conselheiro arquear a sobrancelha de maneira cômica.
-Isso é para convencer-nos, ou a si mesmo, chefe? –Rosewood perguntou, afastando o cigarro dos lábios, enquanto soltava a fumaça levemente no ar.
-Dev tem razão; Blackshadows falou caminhando distraidamente pelo imponente escritório. –Você não nos convence com isso chefe; ele completou rindo.
-Você esta vendo a que ponto chegamos? –Emmus falou voltando-se para Ariel, que esforçava-se para não rir.
-Você não pode culpá-los; a jovem falou observando o conselheiro apagar o cigarro depois de receber um olhar envenenado de Olhos Vermelhos. –Mesmo porque, todos nós sabemos que você detesta o conceito "Destino"; ela falou em tom de provocação.
-Entretanto, tesoro mio... Não gosto de levar crédito pelos outros; ele falou lançando-lhe um olhar enviesado.
-Se não foi você que armou essa exposição para que os dois se reencontrassem, quem foi? –Blackshadows indagou, com o olhar arguto de advogado.
-Cheque as evidencias e interrogue as testemunhas...; Devlin Rosewood brincou. –Mas a questão é, qual o motivo? –ele completou voltando-se para Ariel com um olhar indagador.
-Porque vocês simplesmente não aceitam que as coisas podem acontecer sem um motivo? –ela indagou inocentemente.
-Impossível! –os três falaram ao mesmo tempo.
-Desculpe, mas isso é inconcebível; Blackshadows adiantou-se, enquanto distraidamente passava as mãos pelos cabelos ruivos levemente arrepiados, que mal tocavam-lhe os ombros.
-Alem do mais, nós sabemos que você não aposta se não for nos cavalos vencedores; Emmus ressaltou.
-Tudo bem! Tudo bem! Eu admito, armei esse encontro; ela falou dando de ombros. –Deu certo, não foi?
-O tiro poderia ter saído pela culatra; Dev falou, para no segundo seguinte encolher-se diante do olhar envenenado de Ariel. –Quero dizer e se ela no fim decidisse ficar com o outro?
-Não; Ariel falou confiante. –Quando planejei a exposição com Alexia, sabia que Aidan iria aparecer para impedi-la de ir a Dublin de qualquer jeito. A intenção não era que Jéssica encontrasse Kanon em Dublin, mas que Aidan saísse das sombras e tentasse impedi-la. Depois o que aconteceu foi só um show à parte; ela completou.
-Me lembre de morrer de bem com você; Emmus falou sorrindo. –Mas tem lógica, esses dois já estão a muitos anos protelando esse encontro. Já estava na hora de colocar as cartas na mesa;
-Certo! Agora eu acredito que não foi você chefe; Dev falou rindo. –Mas vocês têm que admitir que essa armação não foi nada sutil;
-Situações dramáticas requerem, atitudes drásticas; Ariel falou com simplicidade. –Mas agora, eu só quero ver aonde esses dois vão com essa fase de negação? - ela murmurou pensativa.
-Pare de pensar; Emmus falou levando o copo de uísque escocês aos lábios.
-Uhn?
-Você esta tramando interferir novamente; ele falou em tom serio. –O que era preciso fazer já foi feito, os dois seguem sozinhos a partir de agora;
-Mas...;
-Chefa, você bem que poderia usar esse seu dom de cupido e me arrumar uma namorada decente, não? –Blackshadows brincou. –Que eu particularmente já estou cansado de ver as melhores mulheres se entendendo com outros caras, enquanto pra mim só sobram as fúteis e interesseiras; ele gracejou.
-Meu querido Blackshadows, se eu pudesse prever o futuro, diria que você ainda vai encontrar uma mulher que vai mudar o rumo de sua vida. Quem sabe em algum corredor antigo de Drean Village, perdida entre as galerias, distraída com algo ou esperando um cavaleiro de armadura aparecer para resgatá-la; ela falou de maneira enigmática. –Mas não se engane, nem toda as mulheres que aparentam ser frágeis, o são, normalmente essa é apenas uma capa para ocultar a valkiria indomável por trás da docilidade; a jovem completou com os orbes violetas adquirindo um tom avermelhado, mas tal ato aconteceu tão rápido que nenhum dos dois se apercebeu disso, apenas Emmus arqueou a sobrancelha levemente compreendendo o que havia acontecido.
-Uhn? –ele murmurou confuso.
-Mas, como Abas vive dizendo, o que esta escrito, esta escrito; Ariel ressaltou, vendo Emmus arquear ainda mais a sobrancelha. –Mas isso não quer dizer que é o destino; ela ressaltou sorrindo docemente.
.V.
Itália / Villa Rossini / Três meses atrás...
-Tire essas patas imundas de cima dela agora; Giovanni berrou escancarando completamente a porta do quarto.
-Gio; Jéssica falou assustada, estranhando o próprio tom enrouquecido de sua voz.
-Seu tarado pervertido, quem você pensa que é? –o italiano vociferou voltando-se para o vampiro.
-Oras! Seu...; Aidan rosnou indignado.
-Parem com isso; a amazona falou colocando-se entre os dois.
-Jéssica, saia da frente; Giovanni mandou, mas ficou ainda mais irritado quando viu o vampiro descaradamente enlaçou-a pela cintura.
-Chegou muito tarde velhote; o vampiro provocou, estreitando os braços em torno da amazona de maneira possessiva.
Danem-se as boas intenções, não iria permitir que aquele velhote aparecesse reivindicando algum direito sobre a amazona, não quando tinha praticamente a mesma intenção. Embora pretendesse expor isso de maneira diferente a ela, uma mais saudável e menos suicida, é claro.
-EU DISSE... PAREM! –Jéssica berrou empurrando um para cada lado. –Você; ela falou apontando o dedo para o nariz do vampiro. –Quieto até segunda ordem; ela mandou antes de voltar-se para o italiano. –Gio, o que aconteceu?
-...; entreabriu os lábios pronto para ralhar novamente, mas diante do olhar nada amigável da sobrinha mudou de idéia.
-Então? –ela perguntou impaciente. Ainda tentando se recuperar do choque de deparar-se com Aidan ali, depois de tantos anos.
-Diana disse que vocês vão partir para Dublin; ele falou aborrecido.
Suspirou pesadamente, ainda havia três meses pela frente, porque ele tinha que fazer tanta tempestade por nada agora se iria repetir a mesma cena dali a três meses de novo? –ela se perguntou.
Desde que se conhecia por gente, Giovanni tinha o habito de querer toda sua prole em baixo de suas asas e não duvidava que ele já estivesse preparando a munição pra ir guerrear contra Diana, como sempre acontecia, quando um dos irmãos se sentia contrariado.
Nesse caso, não tivera nem tempo de imaginar que ele pudesse ter alguma objeção quanto à viagem. Entretanto no decorrer daqueles últimos dias havia se esquecido do quanto os homens italianos eram possessivos; ela pensou balançando a cabeça levemente para os lados.
-Só daqui três meses, então, temos ainda doze semanas pela frente. Guarde a munição até lá; ela avisou.
-Mas...;
-Agora se nos der licença, tenho que falar com ele; Jéssica completou apontando Aidan que lançou um sorriso debochado ao italiano.
-Não vou deixar você sozinha com esse-...;
-Vampiro; Aidan falou sorrindo forçosamente de forma que os caninos salientes se sobressaíssem em seus lábios.
-Jéssica; Giovanni falou em tom de ordem.
-Vai ficar tudo bem Gio, vou só conversar com Aidan; a amazona falou tentando manter a calma, embora ainda sentisse os lábios quentes e dormentes depois do beijo, enquanto seu coração parecia bater na garganta. –Confie em mim;
-Eu confio em você; o canceriano falou pausadamente. –É nele quem eu não confio;
Observou-o pacientemente, demonstrando uma calma que não sentia. Contrariado, Giovanni deixou o cômodo, embora houvesse feito questão de deixar a porta do quarto bem aberta.
Não duvidava que ele estivesse em qualquer outro cômodo da casa com a orelha colada nas paredes para garantir que ouviria qualquer coisa que soasse anormal e tivesse tempo de interromper. Mesmo se bancasse o inconveniente; ela pensou não podendo deixar de sentir uma pontinha de frustração, embora não tivesse tempo de analisar aquilo no momento.
-Vou trocar de roupa, já volto; ela falou antes de afastar-se do vampiro e ir em direção ao banheiro.
Era só o que lhe faltava, aqueles dois bancando os "machos alfa", numa típica e infame guerra de testosterona. Puff! Onde esse mundo ia parar? –ela pensou indignada, batendo a porta do banheiro com força.
.VI.
Saiu do banheiro, ainda sentindo os músculos do corpo tensos. Sentou-se na beira da cama e desenrolou a toalha dos cabelos, apesar de tudo não ouvira o barulho de nada quebrando, tão pouco de gritos. Provavelmente Aidan e Diana já haviam se acalmado. Pelo menos, esperava que sim; ela pensou suspirando cansada.
Passou a mão pelos cabelos, soltando alguns fios antes de começar a escová-los. Deveria ter ouvido a Nona Rossini quando a senhora idosa lhe dissera "Jamais lute contra sua natureza" , provavelmente ela estava se referindo também ao fato de que detestava os cabelos enrolados daquele jeito e os preferia normalmente lisos.
Mas independente do que a Nona pensava, dessa vez ela tinha razão, essa de mudar os cabelos justamente naquela noite causara uma grande confusão; ela pensou rindo, imaginando a cena perfeitamente em sua mente, do momento que Diana foi pega numa situação complicada.
-Isso não tem graça; Aidan resmungou surgindo sentado atrás de si na cama.
-Talvez não; Jéssica murmurou, tentando esconder o sorrido, quando sentiu-o puxar a escova de suas mãos e começar a passá-la por seus cabelos.
Por mais interessante que fosse imaginar Diana no meio daquela saia justa, sabia que não havia motivos para riso. Conseguia sentir a inquietação de Aidan e o quanto doera chegar a Dublin e pensar ser ela com Yo e não Diana.
Um dia ainda descobriria qual deles era o mais masoquista; ela pensou dando um suspiro relaxado ao sentir os dedos finos do vampiro deslizarem suavemente por seus cabelos junto da escova.
Três meses atrás, achava que era ele. Principalmente quando ele aparecera em sua vida, depois de tantos anos e lhe contara a verdade. Seu primeiro impulso foi querer abrir um buraco no chão e se jogar lá dentro, o segundo, foi arrumar alguma coisa bem pesada e acertar na cabeça daquele atrevido petulante; a amazona pensou lembrando-se do momento que ele lhe contara sobre Hades e na mesma hora lembrara-se das vezes que substituirá Gaspar quando tinha de dar banho do cachorro.
Não duvidava que aquele cretino houvesse se divertido com aquilo, pelo menos sabia que isso havia acontecido no momento que ele lhe contara sobre a Romênia e os vampiros que haviam se afastado.
Entretanto o que mais lhe pegou de surpresa, foi o vampiro avisar que não iria se afastar dessa vez. Levou algum tempo para compreender o que ele quisera dizer com isso, ou melhor, não tanto tempo assim, já que ainda naquela noite num evento de gala que aconteceu na Villa Rossini, o vampiro houvesse passado o tempo todo a seu lado, o que causara muitos problemas com Giovanni.
Os dois pareciam ter se detestado logo de cara e Diana ainda colocara lenha na fogueira provocando o irmão. Teria sido divertido observar tudo aquilo se não soubesse os motivos de Aidan para estar ali, por isso achara que ele era o masoquista.
Antes de deixar Arshet, encontrara sem querer no deposito do castelo, as antigas telas que foram tiradas da parede pelo pai e substituídas por novas. Nelas, havia toda geração de Van Helsing que podia se lembrar, inclusive um quadro de Kara e Gabriel.
Dizer que ficou chocada ao ver o retrato de Kara, era pouco. Ficou assombrada isso sim, elas eram praticamente gêmeas, se um dia houvessem ficado lado a lado, qualquer um poderia constatar que a única diferença, era a cor dos olhos. Os de Kara eram verdes.
Somando isso, mais tudo que descobrira através dos diários dela que encontrara em Arshet, concluiu que o único motivo que lhe ligava a Aidan, não era o fato do vampiro ter lhe mordido no passado e sim, as lembranças que ela evocava de um passado que não voltaria.
-O que foi? –ele perguntou, sentindo os pensamentos dela tornarem-se carregados.
-Nada; ela respondeu num sussurro.
Por mais que não quisesse admitir, gostava da presença constante do vampiro, Aidan sempre fora uma caixinha de surpresas e sentia falta dele, quando ele sumia sem dizer aonde ia.
Entretanto, constantemente precisava se lembrar de que ele não estava ali por si, mesmo que seu lado egoísta quisesse pensar que sim, era por Kara e nada mais; ela concluiu suspirando cansada.
-Desculpe; ele sussurrou, deixando a escova de lado e fazendo-a recostar-se contra seu peito.
-Uhn? –Jéssica murmurou confusa.
-Por ter gritado àquela hora; o vampiro completou enlaçando-a pela cintura. –Eu... Bem, fiquei preocupado quando Diana disse que você não tinha voltado e que não sabia onde você estava;
-...; a jovem assentiu silenciosamente, enquanto aconchegava-se entre os braços dele.
Talvez fosse ela a masoquista; Jéssica concluiu. Essa era a única coisa que explicava o fato de ainda estar ali com ele, mesmo sabendo que ia se machucar no fim.
-Jamais faria algo pra te magoar; ele sussurrou, acariciando-lhe os cabelos.
-Aidan; ela começou, achando melhor tentar explicar agora que ele estava mais calmo. –Nós apenas conversamos, não aconteceu mais nada; ela falou sentindo-o ficar tenso.
-...; Aidan limitou-se apenas a assentir e permanecer em silêncio.
-Mas eu precisava saber; ela sussurrou, dando um suspiro pesado.
-O que? –ele perguntou hesitante.
-O quanto eu havia perdido de mim mesma nesses últimos anos; a jovem respondeu aconchegando-se entre os braços dele. –Desde pequena tive de conviver com o legado da família, ser caçadora ou não, não era uma escolha. Era algo que tinha que acontecer, mas depois de voltar da Romênia, as coisas mudaram; ela falou em tom aflito.
-Xiiiii, calma mon age; o vampiro sussurrou, afagando-lhe os cabelos.
-Eu os sentia por perto, mas não sabia mais o que fazer; a jovem falou.
Fechou os orbes, sentindo a mente ser tragada pelas lembranças. Anos atrás, após a partida de Hades, ou melhor, de Aidan. Encontrara um vampiro frente a frente em Roma.
Era noite, mas as ruas ainda estavam movimentadas. Naquele dia estava bem no centro da praça de São Pedro, vendo algumas pessoas distraidamente alimentarem os pombos, quando sentiu uma presença intensa por perto, ergueu os orbes para cima e deparou-se com um par de olhos vermelhos lhe fitando.
Já vira pessoas com olhos assim antes, Emmus era um deles, mas nem mesmo os olhos do cavaleiro tinham aquele poder de lhe paralisar. Simplesmente ficou sem saber o que fazer, há anos não encontrava um vampiro sequer e até aquele momento não havia percebido que também não os procurara. Não os caçara!
Não existia mais a responsabilidade de proteger a armadura, mas mesmo assim ainda era uma caçadora. Só que, não via sentido em fazer isso.
Aquele vampiro não se aproximou, apenas ficou ali, observando-lhe como se estivessem sozinhos e alheios ao resto do mundo. Tinha a impressão de que ele vasculhava sua mente, mas não fez esforço algum para impedi-lo. Depois de alguns segundos que pareceram intermináveis, ele foi embora, misturando-se entre a multidão.
Durante muito tempo se perguntou por que não sentia aquela gana por lutar que suas predecessoras descreveram em suas memórias. Porque desde que vira Aidan pela primeira vez em suas visões, seu conceito sobre os vampiros haviam mudado?
Não era humana!
Não era caçadora!
Não era vampira tão pouco amazona...
Nada mais fazia sentido, lembrava-se de sua arrogância e prepotência quando chegara ao santuário para comunicar Shion do roubo da armadura. Aquela Jéssica teria acabado com aquele vampiro sem arrependimentos ou hesitações, sem questionar nada, mas essa de agora não.
Por isso precisava saber o que havia se perdido durante os anos e quais caminhos deveria seguir dali em diante.
-Não importa quais caminhos você decida seguir, vou estar sempre com você; ele sussurrou, abraçando-a fortemente.
Continua...
