Capítulo - Atitude

Sábado pela manhã, Edward deu uma entrevista à revista Word Soccer em sua casa, após isso se preparou para a viagem que faria a Manchester, vestiu o moletom vermelho do Liverpool e desceu. Esme tinha preparado um farto lanche. Edward sentou-se à mesa e, em silêncio tranquilo, começou a comer.

Repentinamente a porta se abriu.

—Oi, tia!— Rilley invadiu a saleta e imobilizou Esme em um abraço, no momento em que ela, distraída, conversava com a funcionária.

—Solta, Rilley! Estou ocupada!— Ela o empurrou, sorrindo, e ele começou a beijá-la frenético no cabelo, sem desprendê-la do abraço.

—Vamos, tia, aproveita e tira uma casquinha também.— Ele a ergueu do chão, de modo que seus pés não tocavam mais o solo.

—Pára de babar ela, seu atacador de mães!— Edward disse sorrindo, satisfeito em vê-lo alegrá-la.

—Só vou soltar porque você está aqui para esfriar o clima, mas só você que não percebe que nós somos apaixonados um pelo outro desde que eu tinha onze anos de idade.— Ele a soltou e piscou para ela. —Tia, já vou fazer 21. Se você quiser assumir o nosso caso, você não vai mais estar sendo uma pedófila.— Brincou, sentou-se ao lado de Edward na mesa e pegou um sanduíche de atum para comer.

—Cresce, Rilley.— Esme revirou os olhos e voltou para a mesa, colocando um pouco de suplemento para Rilley.

—Eu já cresci. Mas eu entendo que você fique com vergonha de seu filho ficar presenciando nosso romance. Depois te ligo.— Ele jogou um beijo no ar para ela, e ela sorriu.

Agitado, Rilley bebeu um pouco da vitamina e se virou para Edward. —Bro, se a gente continuar comendo o que sua mãe dá para gente, daqui uns dias estou que nem uma pulga prenha.— Ele sorriu, passando a mão em uma barriga imaginária.

—Acho que seu futuro está mais para uma lagartixa em pé.— Edward sorriu e sua mãe gargalhou. Era bom vê-la rindo assim. E sempre que Rilley estava em casa ela se soltava.

—Ah, e você? Não se cuida não para você ver. Agora que você foi considerado o jogador mais veado do mundo, você tem que se cuidar mais ainda.

—O mais bonito, Rilley.— Esme corrigiu.

—Dá na mesma. Todos os bonitões são veados.— Ele deu de ombros.

—É, mais eu pelo menos sou o lado ativo. Eu que como você, não o contrário.— Brincando, o empurrou da cadeira, o fazendoele cair no chão.

—MENINOS!— Esme deu voz de comando. —Mais respeito na mesa!

—Ok!— Fizeram continência para ela, sorrindo, e Rilley voltou a sentar ao seu lado.

—Véi, hoje vem uns olheiros do Diavolo assistir o jogo em Manchester. Eles têm duas vagas. Eu quero muito ser visto.— Rilley disse empolgado, preparando mais um sanduíche para comer.

—Ah, para ser visto o segredo é jogar sem stress, por diversão. Se tiver que ser, é.— Deu de ombros.

—Eu pensei que você já queria sair de Liverpool depois de tudo que aconteceu.— Ele falou a última parte mais baixo, preocupado com a mãe de Edward. —Você disse que agora tanto fazia morar aqui ou não, já que vocês nunca tinham aceitado outras propostas por causa do seu pai. Dessa vez poderíamos ir juntos para um time maior.

Edward torceu os lábios em careta indiferente. Não era seu interesse ir para o Milan.

—Porém, eu estou esperando a proposta dos Galácticos. —Edward disse. —Com certeza se o Real Madri me chamar, eu não vou hesitar. Vou no mesmo dia.

—Rá, tem certeza que você vai agüentar ir para o Real? Dizem que o David Beckham, sendo o melhor jogador do mundo na época, depois que saiu do Manchester, passou dias no banco do Real Madri, porque lá só tem cara bom. É um entrando na bunda do outro para ganhar espaço. Acho que você não agüentaria ficar no banco.

—Primeiro tenho que esperar a proposta chegar, depois vejo como fica.— Levantou da mesa e foi até sua mãe no jardim lateral, dando-lhe um beijo na testa, depois foi à sala pegar sua mochila. —Rilley, termina logo seu almoço que já são uma da tarde. Nós vamos no meu carro ou no seu?

Rilley apareceu na porta, tomando o restante da vitamina.

—Vamos no meu. Peça aos seus seguranças para levar o seu. Pelo menos a gente bate papo na ida.

—Ok.

Quando se está em campo, tudo acontece aceleradamente. Em milésimos de segundos se tem que visualizar todos os adversários, companheiros de time e armar a jogada, tendo que decidir, em tempo luz, qual o esquema a seguir. No momento em que pegou a bola no meio do campo, Lyon correu aceleradamente em direção a área do time adversário. Olhou para Rilley e, com o olhar, avisou que iria pelo meio.

Lyon e Rilley eram considerados os jogadores mais importantes da equipe, já que eram responsáveis pela criação de lances ofensivos. Jogavam juntos desde que Edward tinha treze e Rilley onze, logo se conheciam muito em campo. No geral, eram muito parecidos, com características gerais marcantes como: bom passe, habilidade com a bola, capacidade de driblar e, em muitos casos, um bom chute à distância.

Lyon correu um pouco, driblando dois adversários, visualizando mais uma vez Rilley, que se posicionava para receber, com Jeff do outro lado. Lyon era atacado de vários lados, com três adversários vindo em cima dele. Olhou logo atrás e viu dois volantes, tendo que decidir ali se recuaria a bola ou se tentaria driblar os adversários. Decidiu driblar, e conseguiu, avançando mais alguns passos na área adversária.

Viu que a defesa estava se fechando completamente pelo meio, logo teve que olhar em volta e decidir se cruzaria a bola para a direita, para que Rilley tentasse o gol, ou se avançaria sozinho em direção a área de ataque, tentando furar a defesa. Em sua visão periférica viu dois adversários se aproximando com sangue no olho para lhe tirar a bola. Driblou um e acelerou. Viu Rilley levantar a mão e gritar a poucos metros de distância, dizendo para soltar a bola que ele estava livre. Mesmo assim, Lyon continuou correndo frenético, com dois adversários no seu encalço. Já perto da grande área, parecia que tinha começado uma guerra em campo, todos iam em sua direção. Ofegando, dominou no pé e desviou.

—Passa essa porra, Lyon.— Era Jeff —Seu fominha, filho da puta. Solta esse caralho. Você vai perder a bola!

Rilley continuava pedindo o passe, gritando que estava em posição. Lyon calculou novamente a distância para o gol, tomando nota naquele instante de que o vento e a distância não o favoreceria, no entanto, não repassou a bola, esperando por uma oportunidade de infiltrar.

Passou por mais dois, dominou no pé e avançou, já ganhando um ângulo eficaz.

—Cruza essa bola, Lyon! Para de se exibir!— Rilley gritou, então, já dentro da grande área, Lyon examinou mais uma vez a sua volta, calculou a distância da baliza e chutou, vendo, em milésimos de segundos, a bola passar entre dois adversários, entre as pernas do goleiro e em seguida bater forte na rede.

Após isso, deu murros no ar e, frenético, correu em direção à arquibancada urrando, levantando a multidão.

Embora o jogo fosse em Manchester, o número de torcedores que os acompanhavam vindo de Liverpool era imenso. Até porque a distância de uma cidade até a outra era pouco menos de cinqüenta quilômetros, o que para um amante de futebol não fazia diferença. Ele ainda correu uns segundos, comemorando o gol, mas ao olhar para o campo, notou os seus companheiros de time parados. Nenhum tinha se reunido com ele para comemorar.

Ainda faltavam trinta minutos para acabar o segundo tempo, então, animado com os dois gols que já tinha feito, voltou para seu lugar no meio campo. Mal chegou a sua posição, a bola ainda estava na mão do goleiro adversário, e ele viu a plaquinha com o seu número levantar. Descrente, lançou um olhar contestador para o técnico, e ele, segurando o queixo, não mostrou nenhuma emoção, simplesmente ergueu a sobrancelha e fez um gesto com a cabeça para que ele desse o fora. Sem entender o porquê de estar saindo, mas acreditando que o técnico queria o poupar, saiu despreocupado, uma vez que o jogo estava praticamente ganho.

Já próximo às cadeiras dos reservas, tirou a camisa, jogando no ombro, e levou um susto com os gritos exagerados que ouviu partindo da arquibancada. Sorriu e acenou para as fãs, tendo naquele instante um vislumbre de um cabelo vermelho com capuz no meio da multidão. Parou onde estava e fixou os olhos naquela direção, tentando ver se era Cygne que ele via. Porém, não a viu mais, concluindo que era uma reação imaginária, já que não conseguiu tirar a garota da cabeça desde a madrugada.

A multidão estava muito agitada, e, à medida que ele se aproximou do banco, mais gritos se ouviu. Balançou a cabeça, embaraçado, e continuou sorrindo, ainda acenando. Pegou uma garrafa de água com o assistente, deu uma alongada no corpo e foi até o técnico perguntar por que ele o tirou de campo se não tinham outro jogo próximo e, além disso, se ele não estava cansado.

—Você quer mesmo saber, estrela?— Disse com sarcasmo, os braços cruzados no peito, olhando-o com insatisfação.

—É lógico.

—Não vou explicar. Você vai ficar os próximos três jogos no banco para refletir sobre o que é jogar em equipe.

Exasperado com a resposta, Edward abriu as mãos no ar.

—Mas eu não fiz as merdas dos gols?

O técnico sorriu sem humor. Enquanto isso o time continuou o jogo em campo, o seu time levando naquele instante um gol, diminuindo a vantagem da equipe que era de três a zero.

—Sim. Mas isso é uma equipe. Se você quer jogar futebol pelos dez jogadores, vá brincar de vídeo game.

—Eu não vou ficar no banco.— Resmungou e deu as costas para ele.

Na verdade Edward queria dizer mil coisas. Dizer que se ele o colocasse no banco, o emprego dele poderia estar ameaçado. Dizer que quem mandava naquela porra era a torcida e se a torcida lhe quisesse, um merdinha de um técnico não iria impedir. Queria xingá-lo e mandar ele para a puta que pariu. No entanto, após um pesado suspiro, a única coisa que fez foi calar.

—Vai sim, Lyon, você não é melhor que ninguém aqui, seu moleque marrento. Para mim, você é só uma figurinha nessa jogada. Você está se achando demais porque a mídia fica em cima de você, mas aqui nesse campo quem manda sou, e enquanto eu estiver aqui você joga do meu jeito. E desça agora para o vestiário!— Ele disse cada palavra impassível, sem ao menos elevar o tom, com a frieza de um filho da puta britânico que ele era.

Lyon olhou para ele por segundos, a raiva queimando em seus poros, porém, resignado, suspirou frustrado e desceu as escadas rumo ao vestiário. Tirou o short e a chuteira apressado, junto com as meias, entrando rápido sob a ducha forte. Encostou, puto, a cabeça na parede e deixou a água relaxar os seus músculos. Ele ia morrer se tivesse que passar três jogos sentado.

Terminou o banho, se enxugou e vestiu o moletom da equipe, deitando em seguida indignado no banco do vestiário, esperando o tempo passar. Algum tempo depois percebeu barulho nas escadas, notando que o time descia. Sentou, esperando que alguém se aproximasse para conversar sobre o restante do jogo. Todavia, para sua surpresa, nenhum deles se aproximou dele, passando direto para as duchas.

Eles o trataram como se Lyon fosse invisível, ou como se estivesse doente, sem ao menos olhar em sua direção. Edward viu Rilley se aproximando, cabisbaixo, conversando com um novato de cabelo amarrado. Eles também passaram direto por ele, indo para a ducha sem olhar em sua direção. Olhou-os sem entender, admirado com o fato de Rilley não ter feito nenhuma brincadeira.

Já dentro do ônibus, Edward foi um dos primeiros a entrar, sentando em seu lugar habitual, na frente. Sempre Rilley sentava com Edward, mas excepcionalmente hoje, ele foi para o fundão, cantar e dançar com o time, pela vitória. Ainda desentendido dos seus atos, Lyon olhou para fora e a viagem se seguiu. Cansado, aproveitou para tirar um cochilo. Ele tinha ido dormir mais de quatro da manhã e ainda teve que acordar cedo para a entrevista, logo qualquer segundo de cochilo era bem vindo.

As memórias da noite com a garota começaram a se passar vividamente em sua cabeça, fazendo-o lembrar de cada detalhe, inclusive do seu cheiro. Ele teria ficado muito mais tempo com ela, se tivesse tido oportunidade. Até que tentou prendê-la mais, usando todo poder de persuasão que tinha, porém, inesperadamente ela sumiu, no instante em que foram ao toalete. Ainda procurou-a algum tempo, contudo, ao notar que estava tarde e que precisava dormir um pouco, desistiu e foi embora, só conseguindo dormir duas horas depois—, lógico que não antes de passar por duas sessões de auto-amor no chuveiro, pois leãozinho rosnava enfurecido toda vez que ele se olhava no espelho e via as marcas dos chupões em seu pescoço e ombro.

'Ah, gatinha, você ainda vai tomar leitinho na minha mão.' Pensou e sorriu, sentindo na mesma hora a lembrança dela fazer efeito em suas calças.

À noite, foi obrigado a ir a um jantar na casa de uma amiga da sua mãe, coisa que para ele era entediante. Contudo, como Esme tentava restaurar suas amizades, ele ficou feliz em lhe apoiar, por isso, não hesitou em ir. Durante o jantar, a filha da dona da casa não tirava os olhos dele, a ponto de o deixar constrangido diante dos pais dela. Comeu devagar, olhando vez ou outra para ela, então, discretamente, ela apontou com os olhos em direção a um corredor. Bom, como ele não tinha nada a perder e ainda estava na seca, não perdeu tempo, pediu licença para ir ao toalete e seguiu rumo ao local onde ela tinha apontado.

Ao fim do corredor tinha uma porta aberta, que dava para uma sacada na frente da casa. Enquanto ela não vinha, ele seguiu até o batente e ficou olhando para a rua. Lá, algo em frente a casa lhe chamou a atenção. Dentro de uma propriedade—que mais parecia uma fortaleza—, debruçada sobre um peitoril na sacada do segundo andar, estava uma muçulmana de nicab, olhando para a rua. Em outros tempos a cena não lhe chamaria à atenção, mas como em seus dias tudo tinha mudado, seus olhos se fixaram lá.

Ele estava a uma distância significante, e embora racionalmente achasse muita coincidência ser ela, não dava para reconhecê-la. Mesmo assim, a curiosidade picou seus sentidos, fazendo-o insistir em olhar. Ela continuou debruçada um tempo, com os braços no rosto, depois, inesperadamente, ela olhou em sua direção.

No mesmo instante a filha do dono da casa chegou à varanda, o jogou na parede e enfiou as mãos em seus cabelos, atacando o seu rosto com beijos. Sem prestar atenção no que a garota fazia, continuou olhando em direção a casa a frente, até que a muçulmana levantou do beiral, andou de costas para dentro do quarto, em seguida fechou a porta.

Ele suspirou em frustração por ela ter ido e afastou um pouco a menina que o beijava.

—Qual a sua idade, garota?— Perguntou desconfiado, segurando ela pelos ombros.

—Er...Quinze. Mas não sou virgem.— Disse enfiando a mão em sua blusa.

—Tchau.

Deixou a garota sozinha e entrou balançando a cabeça aborrecido por sua falta de percepção em não ter visto que ela era uma menor. Ele voltou para mesa, se sentindo deslocado. Mais tarde seguiram para casa ouvindo música clássica.

—Filho, seu agente ligou dizendo que você recebeu uma proposta do Milan.

Edward deu de ombros.

—Você quem sabe, mãe. É como o Rilley disse mais cedo. Não temos mais porque ficar aqui... Embora meu sonho ainda seja ir para o time dos galácticos.

—Tudo bem. Vou ligar para o Jacob então.

Chegando em casa, Edward seguiu rapidamente para seu quarto. Lá, tirou a camisa e foi para frente do espelho, avaliar a marca daquela boquinha em seu pescoço. Mal alisou a mancha, sentiu seu corpo reagir, reclamando ela. Todas as vezes que a lembrança vinha, o ser vivo entre as suas pernas rosnava, gritando por atenção, pulsante e desconfortável. Porra, que merda era aquela que ele sentia? Ele já estava nervoso com isso. Um dia todinho pensando em uma mulher era demais.

Resignado, viu que não iria conseguir ignorar aquilo, e, suspirando, abaixou as calças, lubrificou sua mão com creme, em seguida iniciou mais uma massagem. A quarta desde a madrugada. Era provável adquirir uma tendinite se toda aquela fissura não passasse. Algum tempo depois, ligou seu i-pod, deitou na cama e resolveu ouvir um pouco de música, relaxado e saciado.

—Oi, Edward, tenho uma coisa para te falar.— Rosalie invadiu o quarto sem pedir licença e sentou em sua cama. Um pouco preguiçoso, ele bocejou, deitou de costas e olhou para ela.

—Fala, Rosalie. Onde vocês estavam?

—Eu tinha saído para um barzinho com alguns colegas da Universidade, já Lice está saindo com um cara misterioso aí. Acho que ela não quer apresentá-lo porque ele é mais novo que ela.— Ela revirou os olhos.

—E o James?— Edward quis saber, estudando a reação dela.

Ela deu de ombros. —Deve ter ido cheirar por aí.— Disse com desgosto.

—Rose, não tem jeito mesmo para vocês?— Perguntou cautelosamente.

Ela balançou a cabeça em negativa. —Você sabe que não, Edward. Já estava desgastado antes com o ciúme doentio dele, mas depois que ele começou com essa obsessão ficou pior. Eu até poderia namorar um viciado, se percebesse que ele quer sair dessa e é uma pessoa legal. Mas o James se tornou alguém amargo, obsessivo por vingança. A vida dele gira em torno de descobrir o que aconteceu naquele dia, então não agüento mais. Não rola. Acabou o sentimento.— Disse, colocou umas almofadas sobre os pés dele e deitou neles. —Mas e você? Eu te vi atracado ontem com uma garota no Pub.— Ela fez biquinho, com expressão conspiradora. —Eu a conheço.

Edward sentou, interessado no que ela tinha acabado de falar. —Conhece?— Arqueou a sobrancelha.

—Conversei com ela um dia. Pouca coisa.— Deu de ombros.

Ele queria perguntar mais, porém, não queria alimentar mais o próprio interesse. Foi só um dia e pronto. Era isso que dizia para si. Se futuramente se encontrassem e ela lhe procurasse, até que poderia rolar de novo, pois ela era bem gostosinha, no entanto, se dependesse dele, ele não iria atrás dela nunca. Não faria o mínimo esforço.

Depois de decidir isso, relaxou novamente na cama e deitou sua cabeça nas almofadas.

—Era só uma garota. Eu não sei nem mesmo o nome dela.— Disse indiferente.

—Eu sei o nome dela.— A prima piscou e pegou na miniatura de chuteira na prateleira. Com súbito interesse, Edward esperou que ela continuasse sem que pedisse, tentando fingir desinteresse.

—Eu não costumo saber o nome das garotas que eu fico, Rosalie. Não importa. Na verdade, elas não precisam nem falar.— Trocou a música no seu i-pod e Rosalie olhou-o desconfiada.

—Eu achei estranha uma coisa... James tem algum interesse nela. No fim da madrugada eu o vi, já alto, apertando o braço dela com um jeito de ameaça ou talvez de cobrança.— Rosalie mexia despreocupadamente no cadarço da mini-chuteira, enrolando os fios nos dedos. Inevitavelmente ele ficou furioso com sua informação, mas fez de tudo para não alterar a máscara indiferente em seu semblante.

—Fala o nome dela.— Pediu. Ela riu alto, levantando em seguida da sua cama.

—Pensei que você não estava interessado.

—E não estou.

—Eu também achei ela bonita, Edward. E desde a primeira vez que a vi, sabia que ela era o tipo perfeito. Você lembra, né?

—Não. Não lembro.— Mentiu, descaradamente. Ela riu mais e se dirigiu a porta.

—Quando você quiser saber o nome dela, qual a marca das sandálias que ela costuma usar e quais as marcas das roupas dela, é só perguntar que eu falo.— Ela deu uma piscada e saiu, fechando a porta atrás de si. Edward suspirou frustrado e se jogou na cama, se xingando porque com sua arrogância não adquiriu nenhuma informação.

O domingo todo Rosalie passou com um sorriso no rosto, olhando-o como se estivesse se divertindo com algo. Mais tarde, ela foi ao seu quarto e escreveu um B maiúsculo em um papel, deixando em cima da cama, depois saiu, sorrindo. Edward pegou o papel, amassou e jogou fora, ligando em seguida a TV em um jogo.

Quando acabou o jogo, suspirou, sentindo falta de algo. E não era uma sensação que conhecia. Ele nunca tinha passado por uma sensação estranha assim, mas era como se de repente um buraco estivesse sido feito em seu peito. Olhou para a prateleira, visualizando todas as miniaturas, então seus olhos caíram sobre um leãozinho de pelúcia, o rei leão, algo que seu pai lhe entregou na última vez que veio em casa, um dia antes de ir para aquela reunião.

A filha de uma colega minha mandou para você. A mãe dela fez questão que eu te entregasse.

Ele colocou o presente na prateleira e na ocasião resolveu deixá-lo lá, anotando mentalmente no dia seguinte se desfazer. No dia seguinte seu pai morreu, e como a última lembrança que tinha com ele era do General Anthony deixando o presente em seu quarto, Edward nunca mandou o leãozinho para doação, coisa que fazia com todos os presentes.

De repente, ele se sentiu doer, o vazio aumentando em seu peito, junto com uma estranha sensação de solidão. Logo, objetivando se distrair, mudou de canal, atentou a outro jogo e assim, expurgou a sensação de perda que às vezes queria invadir ao evocar lembranças do seu pai. Ele não se permitiria quebrar. Ainda tentando se entreter, olhou para uma revista ao lado da sua cama, que tinha comprado na sexta, e fixou os olhos no artigo na capa. Devido aos últimos assaltos ocorridos em Londres por homens vestidos com burcas e nicab, tramita no parlamento lei que proíbe o uso das roupas muçulmanas em lugares públicos. E lá estava ele se lembrando da muçulmana novamente. Ainda se perguntava o que tinha acontecido que em qualquer distração duas pessoas povoavam seus pensamentos. Uma que o deixava muito protetor, e outra que o deixava com todas as células do corpo revoltadas.

Segunda-feira vestiu uma bermuda cargo, uma sandália extremamente confortável da Adidas, patrocinadora oficial do time, e uma camiseta vermelha. Passou em frente ao espelho, balançando os cabelos castanho-claros algumas vezes, pegou seus materiais e desceu.

Ao estacionar na universidade, a primeira coisa que notou foi o Land Rover do terr...melhor, dos muçulmanos estacionado ao lado da sua vaga. Era segunda, um dia em que os Cullens iam no mesmo carro, então a vaga ao lado sempre sobrava. Até que se o carro não fosse tão largo, Edward não se importaria pela invasão, no entanto, com o Land Rover lá, os Cullens teriam que descer sem espaço para abrir a porta.

Tentando não se deixar importunar, mesmo assim, já indignado, Edward ajustou seu Ray Ban no rosto e abriu cautelosamente a porta, agradecendo mentalmente o fato de James não ter ido, pois esse seria um gritante motivo para ele iniciar uma confusão. Desceu e foi para frente do carro esperar as meninas descerem, antes de ativar o alarme.

—Tomara que você fique no banco os próximos seis meses. —Uma voz rude foi ouvida. — Quem sabe assim você aprenda a passar a bola.

Edward virou o rosto para o lado e deparou-se com o terr...muçulmano com os braços cruzados no peito, em atitude de provocação. Foi até um choque vê-lo, não pelo seu olhar ofensivo, mas pelo modo com ele vestia. Ele usava roupas normais, não a roupa dos MIB. Era bermuda, camiseta regata e tênis. Edward encarou-o por uns segundos, planejando alguma resposta bem mordaz, mas foi interrompido por Rosalie, que se colocou entre os dois.

—Apresenta seu amigo, Edward.— Ela disse com olhar intimidador, e o homem à frente desconcertou-se, descruzando na hora as mãos do peito. —Rosalie.— Ela estendeu a mão para ele. Ele a olhou da cabeça aos pés e estendeu hesitantemente a mão.

—Emmett. — Disse de um jeito desconfortável.

—Vocês são muçulmanos?— Ela perguntou despreocupada e Edward arregalou os olhos para Rosalie, admirado por ela ser tão direta.

—Não!— Balançou a cabeça, meio confuso. Mas seguidamente ele olhou para trás, no instante em que a porta se abriu e a muçulmana desceu. —Quer dizer...— Passou a mão no cabelo, nervoso. —Eu não.— Fez uma careta.

Essa era mais uma informação para Edward adicionar aos conhecimentos. O segurança não era muçulmano, assim como o sheik não era. Porém, o segurança andava com um arsenal no carro, o que era muito intrigante, pois em um país como a Inglaterra, só quem andava com muitas armas assim ou era um chefe do tráfico ou policial. E o que ele seria?

Não tardou para ver o bico indignado de Alice, odiando a situação, então ela andou rápido para o portão, sem esperar por eles, que ainda estavam parados no meio do estacionamento. Os olhos de Edward tinham involuntariamente congelado em direção a porta, logo, não conseguiu mais notar o que acontecia próximo, ou o que Rosalie, com toda sua desenvoltura, falava com o segurança da muçulmana. Seus olhos estavam fixados nas pernas da muçulmana que ao começar a descer do Land Rover, ficaram expostas com o vestido levantado. Foram, quem sabe, milésimos de segundos, porém, no instante em que a viu, registrou todos os detalhes. Ela tinha a pele branca como se nunca tivesse visto sol, o que era uma contradição, pois os países muçulmanos geralmente havia muito calor.

Sentiu-se errado em estar olhando-a de um modo tão avaliativo, porém, não conseguiu desviar os olhos. Ela colocou a outra perna para fora, e o vestido subiu até os joelhos no momento em que ela escorregava do banco.

Às vezes achava tão estranho o tanto de maquiagem escura que ela colocava em volta dos olhos, mesmo assim, de alguma maneira era... Exótica. Ela tinha beleza nos olhos. A cor era bonita. Da cor de chocolate ao leite. Estranhamente, ele sentiu vontade de lhe dar bom dia, de perguntar como foi o fim de semana, ou perguntar se era ela na varanda daquela casa. Porém, ao olhar em volta viu dois pares de olhos em sua direção, o segurança e Rosalie, portanto, não querendo expô-la, virou o rosto, sem cumprimentá-la, e caminhou em direção ao portão, deixando Rosalie para trás.

Com muito custo, passou pelo corredor, tendo que enfrentar uma segunda-feira pós-jogo. Ainda que tivesse sido somente o primeiro jogo do campeonato inglês, qualquer jogo entre Manchester e Liverpool era um clássico, e como seu time tinha ganhado com dois gols seus, isso fazia de Lyon o herói do momento.

Entrou em sala, e minutos depois ela entrou, com seu segurança a observando da porta com olhar ofensivo para a turma. Era um claro aviso de que ela era segurada dentro da universidade agora. Edward gostou da idéia. Quem sabe assim perderia o seu lado protetor que involuntariamente tinha desenvolvido. Ela sentou, ele olhou-a por minutos, esperando que ela olhasse em sua direção para cumprimentá-lo, todavia ela não o olhou, o que o fez se sentir um pouco frustrado, talvez. Era estranho seu tratamento, pois na última sexta passaram a aula todinha se olhando.

Talvez ela tivesse resolvido manter distância- Pensou dando de ombros.

Ele sabia que estava ficando meio incompreensível e até bipolar, pois minutos antes estava grato por não ter mais que se preocupar com ela e assim sua vida voltar ao normal, porém, involuntariamente, ele sentia vontade de ter a atenção dela, de conversar, de perguntar algo... Não era algo que conseguia dominar, ou mesmo pensar o que significava, mesmo assim, era o que sentia.

Esperou impaciente até o horário do intervalo, porque assim, quando a turma saísse para o refeitório e ele ficasse sozinho com ela, ele poderia pelo menos cumprimentá-la. Para a sua surpresa, no intervalo, quando voltou da lanchonete com seu suco e sanduíche, encontrou o segurança dela sentado sobre a mesa dela, comendo algo que provavelmente eles tinham trazido. O dele era parecido com um Beirute, o que fez Edward olhar para seu próprio sanduíche com certo desprazer. Já ela comia cookies, colocando discretamente pela abertura do nicab na altura do pescoço. Será que aquilo tinha todos os nutrientes que ela precisava?

Os dois riam, com sons, quando Edward chegou, mas quando ela lhe viu, parou de rir. No mesmo instante o segurança olhou sério em sua direção. —Algum problema com ele?— Perguntou em tom ameaçador, fazendo questão de ser ouvido.

Com os olhos arregalados, ela balançou a cabeça em negativa. Edward ignorou-os e caminhou para sua mesa, relaxando na cadeira enquanto comia. O segurança leu algo que ela escreveu e arregalou os olhos, humorado.

—Nunca, nunquinha!— Ele sorriu espantado. —Você nunca fala em sala de aula?— O segurança questionou, e Edward virou o rosto para eles, atento. Ela olhou em sua direção, com gestos notoriamente nervosos, então moveu a cabeça em negativa, respondendo à pergunta. Espera aí, mas por que ele não sabia disso? Ela não deveria conversar com nenhum homem estranho, não é isso que prega a religião dela?

—Nossa, como você agüenta?— Ele balançou a cabeça, com os olhos arregalados. Depois de lanchar, ele pegou um livro e começou a ler, tranquilamente. Ela mantinha o rosto direcionado para frente em todo o tempo.

Mais tarde, no treino, que estava acirrado por causa do início do campeonato, Edward percebeu tratamento indiferente de todos com relação a ele.

—Qual o seu problema comigo, Rilley?— Perguntou quando tomavam uma ducha após o treino.

—Nenhum.— Respondeu apático, virando-se a seguir de costas.

—Ih, briga de marido e mulher é?— Jeff ironizou, abrindo o chuveiro ao seu lado. Edward ainda olhou para Rilley um tempo, mas depois deu de ombros e fechou o chuveiro. Com certeza sua birra passaria depois.

Os dias seguintes, em sala de aula, Edward não conseguiu mais suprir suas curiosidades sobre a muçulmana. Como esperado, com a chegada do seu segurança na universidade sua vida voltou ao normal, como antes, porém, ele não estava satisfeito, e talvez estivesse até um pouco entediado.

Em campo, recebia frieza da maioria do time, principalmente do Rilley, algo que nunca tinha experimentado antes. Ainda se lembrava da última vez que tentou falar com ele, na quarta à tarde, perguntando novamente qual era o problema dele. O que ele respondeu o deixou sem ação. E você se importa com alguém, Lyon? Você só se importa com o seu próprio umbigo. Isso não era verdade. Ultimamente ele estava se importando com outra pessoa. Ainda que ela não precisasse mais dos seus cuidados, ele continuava se importando com ela.

No jogo de quarta à noite contra o Chelsea, no estádio sede do Liverpool, como prometido, Lyon foi obrigado a ficar no banco, quase tendo uma convulsão por isso. A torcida gritou seu nome durante o jogo todo, e ao fim do jogo, quando a imprensa procurou Lyon para uma declaração após a surra que o time levou, ele passou por eles se esquivando, deixando que o treinador explicasse. Aquela era deliberadamente uma semana de cão. Ele estava literalmente puto com o mundo.

Quinta-feira era a aula de Física Nuclear. Quando o professor chegou em sala informando que iriam continuar as duplas para o trabalho com as pedras de urânio, ele sentiu uma sensação boa, algo que a semana toda não sentiu. Era quase um alívio saber que estaria perto de alguém, sentimento este que o surpreendeu. Talvez a explicação fosse o fato de estar um pouco emo, precisando de alguém neutro para conversar sobre os últimos acontecimentos. Esse devia ser o motivo, embora essa não parecesse uma explicação suficiente.

Rápido, jogou os questionamentos do porquê para o lado e foi em direção ao armário. Pegou seu aparelho, duas luvas, duas máscaras e caminhou de volta, rumo a sua mesa, fazendo antes sinal para ela, apontando com os olhos para sua mesa. O que aconteceu a seguir o deixou confuso, pois ela, ao invés de levantar e ir, suspirou e virou o rosto. Ele sentou e esperou que ela lhe olhasse para que fizesse sinal de novo. Mas ela permaneceu olhando para frente, com suspiros longos e aparentemente apreensivos. Cada gesto capturado por ele.

Ao notar sua relutância em vir, ele tomou uma atitude. —Isy... — Foi a primeira vez que a chamou pelo nome. Foi esquisito. Não só ela, como vários rostos viraram em sua direção.

Inevitavelmente ficou tenso com a atenção, pôs sua capa de indiferente e tentou falar o mais frio possível. —Temos que dividir o aparelho.— Completou.

Ela ainda hesitou, olhando diretamente em seus olhos, depois olhou para os seus materiais uns segundos, indecisa. Em seguida ela respirou fundo, pegou os materiais e se levantou. Antes que ela sentasse ao lado dele, seu perfume já tinha o alcançado. Ele inspirou longamente.

—Eu iria pedir ao Mestre que pegasse o aparelho na outra turma para mim, mas, de qualquer maneira...Obrigada.—Ela escreveu quando ele instalava o aparelho.

Edward mostrou as luvas para ela, e ela ficou olhando para as mesmas, depois escreveu novamente.

—Eu trouxe luvas e máscaras de casa.

—Sério? Só quem saiu no lucro é a universidade.— Sorriu, olhando para ela. Ela segurou o olhar em sua boca uns segundos, o que o fez sentir-se meio desconfortável, depois ela olhou diretamente em seus olhos, com intensidade. Sem conseguir se desprender, ele encarou-a, estudando seus olhos, os traços, a cor, e sentiu eletricidade em sua volta. Depois do que pareceu longos minutos, ela soltou o ar bruscamente, respirando fundo e desviou o olhar. Ele balançou a cabeça, não entendendo o que foi aquilo, e procurou em sua mente algum assunto que pudesse introduzir, vendo se assim os livrava da situação desconfortável.

—Tenho uma notícia para você.— Colocou sua máscara descartável. —Minha mãe vai dar um jantar em minha casa e seu noivo irá te levar.

—Quê?— Ela ofegou num impulso, colocando assustada a mão na boca, por cima do nicab, com os olhos arregalados. Ele fingiu não tê-la ouvido, para não deixá-la se sentindo culpada, e continuou ajustando o aparelho.

Eu não sabia.— Ela escreveu.

—Eu imaginei que não.

Ela se inclinou e pegou a pedra de urânio enriquecido que o mestre distribuiu, do tamanho de um grão de arroz, e começou a fazer a análise. Hoje ele estava disposto a arriscar. Não terminaria o dia sem descobrir algo mais sobre ela.

—Você gosta dele? O sheik? — Questionou.

Ela balançou a cabeça em negativa, com os olhos espremidos, sinal de riso. —Eumal o vejo.

—Então não gosta.— Ela não disse nada.

Ele continuou. —Sábado eu vi uma muçulmana numa varanda. Era você?

Ela anotou algo em sua caderneta, demorando um tempo bem lento para fazer isso, então balançou a cabeça em afirmativa.

—Você gosta de morar lá?— Perguntou, relaxando na cadeira, com os dedos entrelaçados atrás da sua nuca.

Ela deu de ombros, num gesto de pouco caso.

—Você tem família?— As perguntas fluíam. Era difícil se conter. O que custava ela falar?

Ela demorou o olhar na pedra no aparelho, dando suspiros curtos, tensos. Ele percebeu ter empurrado demais e cessou as perguntas. Algum tempo depois ela escreveu na caderneta.

Duas coisas, Cullen: eu gosto de conversar com você, porém não gosto de mentir. Por isso, não faça perguntas que eu não possa responder. Mas fazendo uma concessão: Não tenho pais. Como foi o seu fim de semana?

Ela gosta de mim? Por que saber disso lhe trouxe satisfação? Talvez por saber que agora podia continuar perguntando. Essa parecia ser a resposta. Por algum motivo, estar perto dela lhe deixava bem. Era como se os dias anteriores aborrecidos nem tivessem existido. Se comparasse a vida dela à sua, seus problemas não eram nada. Afinal, ela era perseguida e ele herói, ela era órfã e ele ainda tinha mãe, ela ia se casar com alguém que notoriamente não gostava, e ele podia ter a mulher que quisesse.

Definitivamente, ele gostava de conversar com ela.

—Meu fim de semana foi bom e ruim.— Resolveu se abrir.

Ela tirou os olhos do aparelho e olhou para ele com interesse.

Por que foi ruim?—Escreveu na caderneta.

Ele sorriu, lembrando do maior motivo de ter sido bom...

—Primeiro você deveria querer saber o que foi bom, não?— Brincou.

Não. É melhor termos o que é ruim primeiro. A sensação do que é bom sempre supera à do que é ruim. Nos faz esquecer.

Edward ficou satisfeito com as palavras dela, foram sábias. Mostravam que ela não era somente um corpo coberto e proibido.

Ele se inclinou, apoiando o braço sobre a mesa e segurou o queixo na palma da mão, olhando para ela.

—Eu nunca admitiria isso para ninguém, mas tem uma coisa que está me grilando... — Começou. Ela fazia cálculos em sua caderneta, mas levantou os olhos em sua direção e mostrou estar atenta. Edward continuou: —Fui colocado no banco, o que me mata de frustração... Porém, o que está me atingindo é o modo frio como todo o time está me tratando. Acho que não sou acostumado com isso. Eles me tratam agora como se eu estivesse com algum tipo de doença transmissível.— Sorriu sem humor, passando a mão no cabelo. —Se chego perto de um aparelho de musculação, eles saem, se pego na bola durante o treino, eles recuam, me deixando praticamente jogar sozinho nos treinos. É estranho ser tratado assim.— Respirou fundo, sentindo alívio em se expor. —Mas o que está me deixando pior é uma situação chata com meu colega de time.

E ele é importante para você?— Escreveu e voltou para os seus cálculos, usando a calculadora científica.

Ele respirou fundo. —Ah, ele é uma das únicas pessoas que eu tinha contato no time. A única pessoa que ainda bato papo que não seja um dos meus irmãos. O único cara que vai a minha casa, que eu vou à dele. Ele é bem próximo... ou era.— Admitiu chateado.

Ela ficou com os olhos baixos, parados no ar, sem escrever, sem calcular. Ele ficou esperando ela escrever algo.

Converse com ele, descubra o que aconteceu. Vou te falar um ditado popular que para muitos se tornou blasé, mas é algo que devemos refletir sempre: Não deixe para fazer amanhã o que você pode fazer hoje. Principalmente conversar com alguém que representa algo para você.

Ele suspirou, refletindo em suas palavras. Talvez precisasse disso mesmo. Sábado, quando percebeu que Rilley estava o isolando, sua primeira reação foi dar de ombros, pois não dava a mínima. Porém, no decorrer da semana, ao perceber que o amigo não ia voltar a brincar ou falar com ele, ele começou a sentir falta, pior ainda quando o restante do time começou a esfriar.

E o que aconteceu de bom?— Ela escreveu, fechou sua caderneta e parou o olhar nele, com interesse.

Ele sorriu e encostou a cabeça na parede, olhando para ela. Naquele instante repassou na memória as coisas boas que aconteceram no fim de semana: os seus gols, a proposta que recebeu, então inevitavelmente acabou lembrando da garota. No momento que pensou nela, um frio percorreu sua espinha, suspirou e passou a mão no cabelo, sentindo algo queimar na boca do estômago.

Respirou fundo e fechou os olhos, lembrando de seus beijos no pescoço. E com a súbita lembrança, algo inesperado aconteceu com o seu organismo, teve que engolir em seco, no mesmo instante em que se sentia ofegante. Lembrou de cada sensação de ter seu corpo colado ao dela, a boca macia demarcando seu pescoço, a mão acariciando seu peito.

Não soube quanto tempo passou com os olhos fechados, nem queria pensar com que cara estava, sabia que quando se situou estava escandalosamente duro, e ao abrir os olhos e ver Isy, ela estava o encarando intensamente. Ele ficou muito desconcertado, além de incomodado, mesmo assim, ao perceber que ela não desviou os olhos, segurou o olhar, ainda sentindo seu corpo em turbulência.

Os segundos à frente foram seguidos de confusão. O olhar dela no seu o queimou e mexeu com ele mais que o normal. Ele sentiu algo inexplicável com relação a ela, e isso o chocou. Ficou internamente apavorado com a intensidade do seu olhar. Aquilo não era para acontecer. Não com ela. Isy ficou tensa quase que imediatamente, sua respiração meio pesada, mas não quebrou a conexão. Ele não entendeu o que acontecia, só considerou que crescia eletricidade entre eles.

Ela ofegou, finalmente virando o rosto e quebrando o contato. Ele respirou fundo, meio aliviado, meio atordoado, e só então notou que sua pulsação estava acelerada. Ele sinceramente não entendeu aquela porra, mesmo assim, procurou cortar o clima e inventar um assunto, antes de desfiar o ocorrido.

—O que aconteceu de bom foi que recebi uma proposta para mudar de time. Porém não vou. Estou esperando outra proposta.

Ela escreveu novamente, então guardou a sua caneta na bolsinha. Ela já ia voltar ao seu lugar, ele percebeu. O trabalho fora concluído.

Tudo que acontece de bom em sua vida está relacionado ao seu futebol?

Ele sorriu de sua pergunta. Até dias atrás era. Desde que seu pai morreu ele tentou aproveitar ao máximo o que o futebol podia lhe proporcionar, como: dinheiro, fama, mulheres. Portanto, realmente tudo de bom em seu mundo estava ligado ao futebol... Até recentemente.

—A maioria das coisas sim.

Assim que ele respondeu, sem um aceno ou um tchau, ela fez menção de se levantar. Agindo impulsivamente, ele segurou o seu braço. Não queria que ela fosse ainda. Em resposta, os olhos dela se estreitaram, ela deu um olhar duro e desceu o olhar para o braço dele. Por um instante ele teve um déjà vu com aquele olhar gelado. No mesmo segundo soltou-a, desconcertado com sua atitude impensada. —Desculpe.— Sussurrou. Ela balançou a cabeça assentindo. —Mas fique mais um pouco.— Ele pediu.

Ela colocou suavemente sua caderneta sobre a mesa e apontou para o relógio no pulso dele, mostrando que estava perto do intervalo e que seu segurança chegaria em breve. Após isso ela se levantou e foi sentar em sua cadeira.

Ele olhou para mesa ao lado e notou que suas anotações ficaram, então levantou a caderneta no ar chamando a atenção dela, em resposta ela fez um gesto que ele ficasse. Desentendido do porquê, ergueu uma sobrancelha indagativo. Todas as anotações e cálculos dela sobre a pedra estavam naquela caderneta, logo ela devia precisar. Ela fez um gesto com a mão para que ele copiasse.

Ficou surpreso com a oferta, se debatendo se aceitaria ou não. Ele não costumava obter favor de ninguém, era uma regra sua, porém, naquele instante não via porque negar, afinal, eram colegas, não eram? Além disso, o trabalho era para ser em dupla, não era? Lógico que isso era muito cômodo, pensou, pois ela tinha feito sozinha, porém, ele arrumou todas as desculpas mentais para não negar, sabendo que copiando ganharia tempo para adiantar trabalhos pendentes, diminuindo assim a sua vida enrolada pela falta de tempo. Copiou tudo. Minutos depois viu o seu guarda costas entrando em sua sala, no momento em que a turma deixava a sala para o intervalo.

Mais tarde, no treino, tentou conversar com Rilley, mas ele estava distante demais, falando só o trivial, sempre acompanhado com o jogador novo.

—Ele enjoou de dar para você ou você enjoou de comer ele?— Jeff deu um tapa em suas costas, irônico. Jeff sabia muito bem que Rilley estava assim por causa do jogo de sábado. Até ele em campo xingou Lyon. Mas Jeff era o tipo do cara que o que acontecia em campo, acontecia em campo. Ele não era de misturar, como o restante do time.

Uma semana se passou, e se antes, quando sua vida era esquematizada, Edward achava ela perfeita, agora tinha a impressão que estava tudo fora do lugar. No fim de semana passado foi para a rave, mas Cygne não apareceu. Já com o time, tudo na mesma. Ainda que os torcedores hostilizassem e vaiassem o treinador por manter Lyon no banco, Marcus não cedeu. Em sala, Edward não conseguiu mais conversar com Isy. Nada de novo acontecia a ela, uma vez que ela estava sempre sendo seguida por seu segurança. Já não acontecia quando ela era protegida por mim. Pensou.

Por vezes, ele se pegava sentindo um pouco a falta de duas semanas atrás, época em que estava protetor com ela. Era como se antes ele estivesse fazendo o certo, como se aquilo fizesse parte da sua rotina. Agora, com o segurança no encalço dela, sentia-se um pouco... Inútil. Argh, sei lá porque penso isso.

Alguém entenderia se dissesse que por algum motivo estava se sentindo vazio?

Estava.

Sexta, ele foi sozinho para a casa de festas, e, para sua dura realidade, Cygne não apareceu novamente, como na sexta passada. Lógico que em todo o tempo ele relutava, furiosamente, dizendo para si que não a estava procurando. Ele até que se animou e dançou com algumas meninas! Mas nada era igual. Ele não tinha desempenho nenhum na hora de entrar em ação. Ele podia até sentir algum desejo, se fechasse os olhos e se deixasse levar. Porém, quando seu cérebro lançava a comparação do cheiro, do beijo, da voz de Cygne, automaticamente seu apetite falhava, assim, frustrado, foi rápido para casa, agora realmente preocupado consigo.

Ele se questionava: estou realmente perdendo o prazer em curtir esperando por uma garota que nem conheço, nem sei quem é? Uma garota que não significa nada para mim? Uma garota que foi enfática em dizer que queria distância de mim? Isso está fora dos limites. Já são duas semanas sem vê-la. Essa fixação é inaceitável.

O terceiro e último jogo no banco finalmente aconteceu no sábado. E terça-feira seguinte ele descobriu o nome do novo amigo do Rilley. Era Hale o nome dele. Logo lembrou que ele era o cara sobre quem um dia Rilley comentou, e que agora fazia parte dos contratados do Liverpool. Ele não aparentava ter mais de dezoito anos, mas em campo tinha bastante garra. Ele corria bem, com alguma inexperiência e afobação, é claro, mas no geral, tinha futuro.

Quarta-feira, Edward entrou em sala e, sem vontade de se deter ou mesmo se questionar, obedeceu sua vontade e direcionou o olhar a Isy abertamente até chegar em seu lugar. Ela encarou-o, sem desviar um milímetro. Ele sentia uma comichão com relação a ela, já tinha percebido isso, e cada dia isso crescia mais. Não era atração, longe disso, era necessidade de vê-la. Ela continuava sendo um enigma para ele, e ele decididamente gostava de enigmas. Alguma coisa nela era muito familiar, aconchegante, e ele queria muito descobrir o quê. Ele sabia que não podia ter fascínio por ela, pois era muito perigoso, mas não conseguia parar.

Quinta-feira já estava puto de não poder falar com ela. Ele queria conversar com alguém. Começou a pensar que talvez precisasse de uma terapia, não necessariamente de conversar com ela. Mas talvez ela lhe desse uma luz. Ele tinha voltado a participar dos jogos, jogaram na quarta contra o New Castle, porém, perderam, pois a equipe estava muito desentrosada. Quando Lyon pegava na bola, ninguém do seu time se aproximava, nem para dar cobertura, nem para receber algum passe. Fora que foi muito raro os passes chegarem aos seus pés, como se o time estivesse combinado. Isso estava mexendo com Edward, o deixando mal. O sentimento de rejeição era o pior sentimento que alguém podia ter, principalmente que nesse quesito, nem James, sua mãe ou Alice poderiam interferir para mudar. Sua família não podia falar simplesmente assim: joguem a bola para o leãozinho. Brinquem com ele também,como acontecia muitas vezes quando ele era pequeno. Edward tinha até receio de conversar isso com alguém da sua família. Por Deus, agora ele era um homem feito. Não podia deixar os outros resolverem seus problemas.

Só tinha uma pessoa neutra que ultimamente ele tinha coragem de conversar, pois ela aparentemente não o ridicularizava, ou expunha opiniões sobre a sua fraca atitude em lidar com seus próprios problemas. Ele tinha que arrumar algo que entretece o capanga dela, algo que o afastasse da sala durante o intervalo e que lhe desse algum espaço de pelo menos falar, principalmente porque ver seu capataz olhando para ela com zelo, vê-la rindo com ele, o fez descobrir que queria fazê-la rir também, queria ficar perto dela, já que fazia alguns dias que nem mesmo conversavam.

Pensando assim, naquela quinta-feira, durante a aula de Física Nuclear passou uma mensagem para Rosalie. No intervalo ela estava em sua classe.

—Nossa, eu estou me sentindo tão sozinho esses dias. — Ele lamentou manhoso. —Alice deixou de vir fazer a guarda durante os intervalos.— Brincou. Rosalie usava uma bermudinha jeans rasgada e sandália de saltos imensos. Imediatamente os olhos do segurança da Isy caíram sobre as pernas de Rosalie, sem disfarçar. Edward sorriu ao notar. Realmente sua prima era uma loura gostosona, concordou em silêncio divertido. Ela sentou-se sobre a mesa de Edward e cruzou as pernas, olhando com interesse para o segurança, que parecia engasgado com o que comia.

—O que queria, primo, para ter me chamado aqui?

—Estava carente. Tem problema ter te chamado?— Debruçou matreiramente sobre a perna dela, recebendo dedos carinhosos no cabelo.

—Hum, por que não ligou para o disk Maria chuteiras que tem em sua agenda? O que aconteceu com a Heidi?

Edward deu de ombros, fazendo careta, ainda com a cabeça em sua perna. —Ela me procurou algumas vezes, mas mostrei desinteresse.

—Estou te achando tão estranho ultimamente... Sem comer porcaria na rua...

—Agora deu para vigiar a minha vida, é?

—Como se naquela família tivéssemos alguma outra diversão a não ser observar você.— Ela riu, e ele revirou os olhos. —Se bem que eu estou apostando que tem algum motivo para você estar mais introspectivo ultimamente.— Refletiu apertando o indicador na testa. Em sua casa, Rosalie era a única que não o via somente como um caçula superprotegido e sem problemas. Ela notava todas as suas atitudes e julgava conhecer suas necessidades e passos.

—Por que a ratinha não está vindo mais aqui ultimamente?— Mudou de assunto. Não queria deixá-la divagando sobre ele. —Quase todos os intervalos ela vinha?— Queria mesmo saber. Alice estava muito distante.

—Ah, você não sabe? Agora ela arrumou um garoto do primeiro semestre e vive escondida com ele atrás dos muros.

—Quê?— Ofegou, assustado. Alice ficando com meninos do primeiro ano? Ele só podia ter ouvido errado.

Rosalie sorriu conspiradora. —Isso mesmo. Ela está ficando com um menino seis anos mais novo que ela. Por isso ela não tem descido para o intervalo. Ela fica com ele escondida por aí. Mas não diz que fui eu quem te contei.

Ele sorriu, notando ao virar o rosto que os olhos de Isy e do segurança estavam direcionados a eles, com interesse.

—Oi, Emmett.— Rosalie sorriu para o capataz. —Se não te cumprimentar você não cumprimenta.— Cobrou. Edward sentou direito na cadeira e levou seu suco até os lábios.

—Oi.— Ele Respondeu meio desconcertado, colocando a latinha da coca que tomava ao seu lado na mesa. Ele não parecia um estudante qualquer, a não ser que estivesse fazendo mestrado, como James. Eles se encararam um tempo, Rosalie sempre com um risinho no rosto, desviou o olhar dele e voltou os olhos para Edward.

—O Rilley mandou um convite lá para casa da festa de aniversário na casa dele sábado. Você vai?— A prima perguntou. Ele se questionou se falava ou não que estava com problemas com Rilley. Tinha quase certeza que o amigo o tinha convidado só por formalidade. Apesar de que, fazia quase dez anos que não passavam seus aniversários separados, logo podia ser que Rilley realmente quisesse que ele fosse.

—Eu não sei. Essas festas costumam ter muitos paparazzi do lado de fora, e eu não estou a fim de me expor.— Essa era a melhor desculpa.

—Hmmm.— Ela levantou seu queixo. —Tem alguma coisa errada com você... Você está mesmo precisando de uma garota legal, primo. Não é bom se fechar em seu mundo cada dia mais.

—Sai fora, Rosalie. Eu me basto.

Sorriram. Esse era um ditado comum entre eles. —Eu me amo demais para me dividir com outra pessoa.

—Ok, narcisista. Continue se escondendo.— Ela se inclinou e beijou sua bochecha. —Agora já vou. Foi bom bater papo com você aqui, já que você quase não tem tempo em casa. Até.— Ela deu uma piscada e desceu da mesa.

O momento a seguir foi tão rápido que ele não se deu nem conta do que tinha acontecido.

—Ai, eu pé!— Ela estava sentada no chão, resmungando de dor. Edward levantou rápido e se colocou ajoelhado ao lado dela.

—O que foi isso, Rosalie?

—Meu salto entortou. Acho que torceu.— Continuou resmungando, e ele pegou no pé dela para analisar.

—Posso verificar?— Uma voz grossa foi ouvida, vindo de uma figura loura em pé.

—Pode, Emmett.— Ela disse manhosamente e piscou novamente para Edward. Ele demorou um tempo para se situar, ficando abobalhado quando percebeu que era uma cena. Descrente, se afastou e balançou a cabeça, sentando em seguida em sua cadeira.

O segurança se inclinou. —Posso tirar sua sandália?— Ele perguntou, pegando no tornozelo dela. Ela deu gemido falso, que fez Edward rolar os olhos internamente para sua cara de pau e dissimulação.

—Pode.— Choramingou em falsidade.

Edward riu mentalmente, satisfeito com o ocorrido. Viu que as coisas tinham se saído melhor do que se tivesse planejado. Olhou para Isy e ela olhava com desdobrado interesso para os dois no chão, então ele piscou para nova amiga muçulmana. Ela arregalou os olhos e ele prendeu o sorriso. Ela balançou a cabeça em negativa divertida.

—Você quer ir para a enfermaria? — O segurança perguntou.

—Sim.

—Eu te levo, Rosalie. — Edward se ofereceu, provocando-a.

—Pode deixar que eu a levo. — O grandalhão pegou-a no colo, ergueu-a e saiu da sala, deixando Edward e Isy sozinhos.

Sem perda de tempo, Edward foi para perto da mesa dela e ficou em pé, em uma distância segura. Caso alguém chegasse, ou mesmo se o segurança dela voltasse, não os veria conversando.

—Como você está? Não pudemos mais conversar ultimamente.— Sorriu para ela.

Estou bem. E você? Resolveu o seu problema com seu amigo?— Escreveu em um papel e virou ele de lado, para que Edward lesse.

Ficou satisfeito por ela ter se lembrado desse assunto. Porém estava frustrado por não ter conseguido nenhuma evolução. Até porque, ele era orgulhoso demais para insistir, muito mais por achar criancice de Rilley ter se afastado como foi, só porque Lyon não repassou a bola para ele.

—Ah, não tive muita evolução.— Resmungou e sentou sobre a mesa do Ben, ao lado dela. —Tentei algumas vezes, mas deixei de lado. Vou deixar rolar.

Hum, a questão é saber se ele faz falta para você ou não.— Escreveu e ele olhou-a pensativo.

—Eu sinto falta da companhia, mas não gosto muito de insistir. Nunca fui acostumado com esse negócio de ir atrás dos outros. Nunca tive que fazer isso com mulher, muito menos com homem.— Deu de ombros.

O primeiro passo para consertar as coisas é reconhecendo se você tem culpa ou não.

—Ah, não sei exatamente o que ele espera de mim. Ele espera ser meu amigo ao ponto de até em campo eu dividir tudo com ele. Além disso, ele é mais dado a parte emotiva de uma amizade que eu. Ele se dá muito desde que eu tinha treze anos, quando ele entrou no clube. Ele é daqueles amigos que liga sempre, que se preocupa, que vai na sua casa, que se dá bem com a nossa família. Ele queria que eu o considerasse como sua família, irmão ou coisa assim. Eu o considero, mas sou meio desligado.

Mas você está sentindo falta só da companhia ou da amizade?

—Hmmm, não sei... Acho que estou em crise existencial. Ultimamente sinto falta de muita coisa.

Ela o olhou atenciosamente.

Tente mudar. Às vezes para conquistarmos algo, precisamos ter atitudes, não só palavras. Quem sabe para voltar a ter a amizade normal com ele, você tenha que demonstrar com gestos que ele é importante para você, ou que você não é o egoísta que ultimamente ele te julga ser.

Ele atentou para a última coisa que ela disse e ergueu uma sobrancelha. —Quem te disse que ele me acha um egoísta?

Ela arregalou os olhos, em sinal de confusão. Ele a conhecia tão bem que sua linguagem corporal era explícita. Até seu modo de arquear as costas ele já conhecia o que significava. Ela estava nervosa.

No mesmo instante, olhos deles foram atraídos para frente ao ver Ben entrar em sala, surpreendendo-o sentado à vontade em cima de sua mesa. Embaraçado, Edward olhou para ele, que o olhava com curiosidade, e tratou logo de encontrar um assunto com ela.

—Isy, você fez o relatório de Mecânica Quântica?— Desceu da mesa de Ben, dando espaço para que ele sentasse e ficou em frente à mesa da Isy, notando que ela olhava para baixo. Talvez ela quisesse mostrar indiferença com ele perto do Ben, Edward pensou, principalmente por ele ter tentado justificar o fato de estar perto dela.

Ele ficou puto consigo por toda essa situação. Sinceramente não achava necessário esconder sua aproximação, porém também não sabia como ela se sentia ao ser exposta. —Você empresta?— Pôs as duas mãos em sua mesa e se inclinou sobre ela, jogando para os ares a cautela. Ele só queria estar ali, mostrando que eram próximos. Devagar, ela levantou o olhar, fixando os olhos nos seus. Ele assustou com a intensidade do olhar e se questionou mentalmente se deveria se sentir desconfortável ou não. Afinal, estava próximo a ela menos de dois palmos, encarando-a. Porém não ficou. Pelo contrário, sentia-se hipnotizado.

Ele jurou para si que não estava flertando-a, ou algo do tipo. Era só interesse pelo diferente. Os olhos dela eram marrons, ele já tinha visto, mas agora via algumas rajadas ao fundo de azul, as quais não tinha visto antes. Bizarro. Eram bonitos. Uma cor bem singular. Daquela distância, o perfume dela exalava suave, espalhando no ar. Ele gostava. Em qualquer lugar saberia distinguir... Porém seu aroma lembrava algo... Cheiro de mulher exótica e proibida... Droga, ele não queria pensar nela como mulher. Aliás, ele não devia.

Ela ofegou, soltando o ar de uma vez, em seguida Ben arrastou sua cadeira.

—Eu tenho pronto.— O intrometido do Ben quebrou a conexão.

Ela abaixou a cabeça e apontou para um papel em sua pasta de impressões. Edward ponderou por um momento se pegava ou não e logo decidiu que sim. Assim ele teria algum motivo para falar com ela futuramente.

Pegou o relatório dela, depois pegou o que Ben ofereceu, então se direcionou à sua mesa. Notou Ben o estudando, enquanto lia o relatório dela, minutos depois o segurança entrou de volta à sala, com Rosalie apoiada em seu ombro, mancando de um pé.

—Torceu mesmo, Rosalie?— Edward segurou o sorriso quando encontrou os seus olhos.

—Não. Foi só um mau jeito. O segurança a deixou sentada sobre a mesa de Edward.

—Hmmm. Não quis ir para sua sala?— O primo provocou, ainda prendendo o riso.

—Não. Estão todos no intervalo e eu não queria ficar lá sozinha.— Rosalie apertou sua bochecha, e o segurança da Isy se sentou em cima da mesa dela novamente, de frente para Rosalie.

—Você mora aqui há muito tempo, Emmett?— Rosalie forçou uma conversa.

Emmett não devia estar esperando pela sessão inquirição da prima de Edward, pois arqueou a sobrancelha surpreso. Ela continuou: Melhor, você mudou para Liverpool tem muito tempo? Seu sotaque diz que você não é liverpooliano.

O segurança olhou um tempo para Isy, e até Edward relaxou na cadeira interessado em ouvir a resposta.

—Er, tem de uns sete ou oito meses.

—Hmmm, você sai muito?— Ela olhou por baixo dos cílios para ele, com um risinho de canto em seu rosto, fazendo covinhas. Só faltava essa agora, ter que presenciar a prima flertando com um cara em sua frente. Edward rolou os olhos incrédulo. Isy virou os olhos em sua direção e Edward sorriu de canto para ela, disfarçando do segurança. Então, tentando deixar Rosalie à vontade para conversar com o segurança, abaixou o olhar, aproveitou e leu o relatório. Ele realmente não tinha feito ainda, e tê-lo em mãos iria ajudar a clarear as idéias do que deveria ser feito.

Algum tempo depois, o intervalo acabou.

—Até mais, Emmett. Eu já vou.— Disse e olhou para Edward, levantando seu queixo para olhá-la. —Edward você me leva para minha sala?

—Pode deixar que eu te levo.— O segurança se ofereceu. —Eu já tenho que voltar para o meu prédio mesmo.

—Tem certeza que não vai incomodar?— Ela perguntou manhosa, e Edward teve que prender a mão para não dar uma palmada nela pela sua dissimulação nada sutil.

—Sem problema.— Ele aproximou-se de sua mesa, ela pôs a mão em seu ombro e saíram. Não sem antes ela dar uma piscada desavergonhada para o primo. Edward segurou para não gargalhar.

Sexta feira, Rosalie foi novamente no intervalo para sua sala, mantendo diálogo em todo o tempo com o segurança. Durante o tempo em que ela conversava e ria abertamente com ele, Edward aproveitou e fez o relatório, remindo o tempo livre do dia, já que tinha pouco.

Ao terminar, pegou o relatório da Isy, organizou e colocou um bilhete dentro. Acho que ela está interessada nele. Será que rola?Tenha um ótimo fim de semana e... tome um sol. Riu disso, tendo certeza que a brincadeira soaria com dupla interpretação. Na verdade, brincou porque sabia que de nicab era meio difícil ela tomar sol, mas, além disso, brincou porque viu suas pernas brancas dias atrás.

Levantou, foi até a mesa dela e colocou seu relatório sobre a mesa.

—Obrigado.— Sorriu para ela, evitando olhar diretamente para o seu segurança. —Foi uma ajuda e tanto.— Tentou ser amistoso. Ela balançou a cabeça brevemente em resposta ao seu agradecimento, então ele voltou para o seu lugar.

À tarde, no treino, aquele era o dia de se aquecerem até o mais alto grau em treinamentos físicos, depois cair na piscina de gelo. No geral, tinha sido uma semana cansativa, pois treinaram muito e tiveram um jogo fora, porém, ele tinha certeza que o que o desgastava mais era a hostilidade do time. Ao entrar na piscina, Rilley entrou logo atrás, conversando animadamente com o cabeludo novato. O Hale. Edward sentou em seu local habitual, Rilley também.

—Não, Hale, o jogo é cinco horas, então até as oito chegamos à festa.— Rilley falou, enquanto se inclinava para imergir o corpo na água.

—Ah, então pode ser que eu vá.— O novato respondeu.

Edward encostou a cabeça na borda e fechou os olhos, já sentindo o gelo trabalhando em seus músculos.

—Você vai, Cullen?— Edward abriu os olhos ao som do seu nome, e era Rilley quem perguntava, indiferente. —Eu mandei um convite para sua casa.

—Acho que não. Vai ficar muito em cima para chegar do jogo e sair.

—Hmmm, eu já contava com isso.— Murmurou secamente.

—Por quê já contava com isso?— Olhou para o garoto Hale ao seu lado e ele o olhava com tamanho interesse.

—Não vou repetir. Mas já expliquei vinte dias atrás o que seu penso. Não indo, você só comprova o que você é.— Suas palavras não soaram nada amigáveis. Sem querer argumentar e sem interesse em prolongar, Edward fechou os olhos e deitou a cabeça novamente, esperando o tempo passar.

À noite, como todas as sextas, ele foi para o mesmo bat lugar, no mesmo bat horário, obedecendo sua bat rotina, diferente só porque agora ficava praticamente sozinho. Porra, ele queria voltar a ser o Edward normal, sem interesse específico por ninguém, aquele que usava e descartava. Vez ou outra, quando começava a se acertar com alguma menina, se pegava olhando para a pista e imaginava Cygne dançando, ele chegando por trás, beijando-a. Isso o deixava extremamente aflito. Não era nada romântico ou algo do tipo, é claro. Talvez uma fixação sexual. Desejo. Somente isso.

Por volta de duas da manhã, resolveu ir embora. Não foi divertido, além disso, sábado tinha jogo. Portanto, pegou o seu carro, chamou James, que surpreendentemente estava limpo há alguns dias, e voltou para casa, deixando as meninas lá.

O jogo de sábado foi um amistoso contra o clube Lyon, francês. Um jogo que ganharam fácil e em casa. O único fato diferente foi que em pleno aniversário do Rilley o treinador Marcus o deixou no banco e colocou o novo colega dele, Hale, para jogar, na posição de atacante de Rilley. Edward estranhou a atitude do treinador, mas o rapaz jogava bem, logo, não prejudicou a equipe. Mais tarde descobriu que foi Rilley quem pediu para ficar de fora, cedendo voluntariamente seu lugar para Hale.

Era quase oito horas quando , cansado, estava deitado em sua cama, esperando o tempo passar, então Rosalie entrou em seu quarto, arrumada.

—Você não vai ao aniversário do Rilley?— Ela parou em frente ao espelho de Edward, pegando um frasco e tirando a tampa.

—Não. Vou aproveitar o sábado e sair com alguém.— Mentiu.

—Ai, ai, como se esse alguém não fosse qualquer uma. Além disso, até parece que você pode ir para um lugar normal por aqui. Melhor você dizer que vai ligar para o disk Maria chuteira e vai levar algumas para o motel.

Edward sorriu sem humor, um pouco frustrado e pensativo.

—Hmmm. Sabe o que eu acho, sinceramente?— Ela olhou-o atenciosa, passando o fixador em spray dele no cabelo com cachos. —Acho que você não deveria perder a festa de vinte e um de seu amigo. É falta de consideração.

—Mas ele está todo estranho comigo.— Confessou.

—E daí? Se você não for, qualquer dia quando vocês forem mais velhos e estiverem bem, você vai lamentar profundamente.

No mesmo instante, ele se lembrou do que Isy tinha dito quanto ao fato de atitudes falarem mais do que qualquer conversa ou argumento. Imediatamente, sem pensar muito, levantou e foi ao armário procurar uma roupa. Rosalie sorriu. —Alice já escolheu a roupa que você vai usar. Está no canto direito da segunda porta.— Informou, dando mais uma olhada no espelho.

—Está gata, prima. Agora desocupa que eu tenho uma festa para ir.— Animou um pouco. —Você comprou algum presente?

—Sim. Um CD do Iron Maiden.

—Hmmm.— Correu a mão nos cabelos. —Você iria ao Shopping antes para mim? Comprar algum presente para ele... Não dá para andar livremente por aí sem tumultuo.— Comentou insatisfeito —É capaz de eu entrar no shopping e não sair mais de lá hoje.— Fez careta. Ela sorriu, compreendendo.

—Pode deixar que eu vou.— Ela bagunçou seu cabelo e saiu.

Ele passou se perfume exclusivo, pois com certeza teriam muitas garotas lá, vestiu a calça preta com lycra que Alice tinha escolhido, uma camisa preta, justa, de manga três quartos, e calçou um sapatênis, colocando um sobre tudo de couro por cima. Passou em frente ao espelho, deslizou os dedos em seu cabelo, ajustando, então desceu.

As festas na casa de Rilley eram super badaladas, com vários ambientes. Ele era filho único e, visando deixá-lo à vontade, sempre que ele promovia alguma festa em sua casa, seus pais viajavam. Em um ambiente tinha um DJ e pista imensa; em outro era o bar, com garotas de shortinho dançando e servindo drinks; outro era um ambiente escuro cheio de camas redondas isoladas por box de vidro, por volta de quatro, cada cama com três meninas de máscaras usando shorts sexys, esperando alguém deitar para elas fazerem massagem.

Edward deu uma volta por toda a casa, acompanhado por Jeff, cumprimentei alguns colegas do time, então, depois de beber uma dose de Johnnie Walker, uísque da família de Rilley, resolveu ir para a sala de massagem. Tinha dois caras esperando vez quando entrou. Não demorou dez minutos uma das camas desocupou e, coincidentemente, chamaram seu nome na frente dos outros.

Acostumado a esse tipo de tratamento, não hesitou e foi.

—Sem camisa, gatão.— Uma delas avisou, espalhando na mão algo que parecia ser um óleo. Ele sorriu, em antecipação. —Seus olhos serão vedados. Sem um sentido tudo fica mais gostoso.— Informou sensualmente, próxima ao seu ouvido. —Seria melhor que tirasse o sapato também.— Ela avisou, e ele tirou o sapato, recebendo em seguida uma veda nos olhos.

Deitou no meio da cama, de bruços, com os olhos vedados, e relaxou. Sentiu um peso em suas costas e alguém sentou em cima dele, com as mãos massageando os músculos do seu ombro. Gemeu baixinho, sentindo um pouquinho de dor com a massagem. Realmente precisava de uma. Outro par de mãos começou a trabalhar em seu pescoço, nuca e cabeça, lhe fazendo fechar os olhos e ter pequenos arrepios com a sensação. Os dois pares de mãos alternaram massagens e apertos pelos músculos das costas, ombros, pescoço, destensionando firmemente.

—De costas.— Alguém sussurrou em seu ouvido, e de súbito, sentiu uma eletricidade deliciosa o percorrer, arrepiando aquele lado todo.

Obedecendo ao comando, deitou de costas, esperando o que elas fariam agora. Sentiu mudança na cama, percebeu que das duas, ficou somente uma, ajoelhada acima da cabeça dele, acariciando seu cabelo. Era bom, mas era estranho ficar de peito aberto e de olhos vedados. Uma certa fobia o invadiu, então levantou a mão intencionado a tirar a veda dos olhos. Repentinamente, uma mão segurou a sua, a mesma que acariciava seu cabelo, e o impediu de tirar. A seguir beijos molhados começaram a ser distribuídos em sua testa. Edward levou um susto, sem saber se aquilo fazia parte da massagem, entretanto, gostou. A garota que o beijava estava inclinada, e seu cabelo caía como seda no peito e pescoço dele. Ele respirou fundo, inspirando o seu cheiro, com seu corpo todo despertando. Sentia um perfume completamente exótico e conhecido, e na hora descobriu o que seu cérebro fazia. Seu subconsciente gostou do fato de estar de olhos fechados e mandava a memória olfativa da Cygne, fazendo com que seu corpo despertasse. Edward sabia que tudo era só uma ilusão, porém aceitou dar asas ao imaginário.

A mão feminina foi delicadamente para o peito dele, e os beijos ficaram cada vez mais próximos da boca. Edward percebeu que seu cérebro estava tão obstinado a se iludir que o fez sentir novamente a sensação que há dias não sentia, sua pele formigando, raios de eletricidade sendo distribuídos em cada canto beijado do seu rosto.

Ofegou e procurou seu rosto, acariciando, sentindo a pele dela sob os dedos, com a sensibilidade aguçada. Deitou sua cabeça para trás e gemeu quando a mão foi para o seu abdômen, passando a unha abaixo do seu umbigo, distribuindo correntes onde passava, fazendo sua barriga tremer.

Estava ficando muito sexual aquela massagem, e ele já estava completamente duro. Virou o rosto e encostou seus lábios nos da garota, sentindo-os quente, macios. Ela sugou o ar nos dentes, desviou os lábios e voltou para sua bochecha, com beijos lânguidos e lambidos. Incomodado, encolheu as pernas e enfiou a mão dentro da calça, arrumando o ser vivo para um ângulo menos desconfortável. Ela desceu o rosto beijando e ele gemeu quando ela abriu a boca em seu queixo, roçando os dentes. Ele estava louco para tirar a máscara e descobrir quem era a pessoa que o despertava daquele jeito.

—Quanto você ganha para ficar essas horas aqui nessa cama?— Quis saber. Ela não respondeu, continuando com beijos provocativos em seu queixo. —Eu pago dez vezes mais para você subir para o quarto comigo agora.— Ele ergueu o rosto, sentindo o cheiro do vão entre os seios dela, no mesmo instante em que lambeu. Ela desceu mais a boca, lambendo o seu peito, uma lambida lasciva. Ele gemeu, torcendo que se ela descesse mais um pouco, de preferência que sua boquinha deliciosa chegasse ao seu centro. Ugh, seria uma boa hora para experimentar aquela exposição, no mínimo, muito extasiante obter prazer com suas sombras sendo projetadas para quem estivesse sentado fora.

Enquanto ela descia a boca em seu abdômen, lambendo onde passava, ele começou a mordiscar sua barriga, enlaçando sua cintura, passando a mão em sua bunda por dentro do short. Ele não era colado, como o de algumas meninas que estavam fora, era de pano, e ela estava de meia-calça. Ela desceu mais, delineando seu umbigo, fazendo-se estremecer de ansiedade quando ela passou a língua perto, muito perto do leãozinho, que enjaulado, observava e rosnava.

Edward tremeu o quadril, desejando ardentemente sua boca, no mesmo instante que abriu o botão do short, descendo seguidamente o zíper, movimento que era acompanhado por sua língua no baixo ventre.

Era uma adrenalina imensa, seguida de muita euforia estar tão publicamente praticando aquela quase orgia, muito mais com a perda de um sentido ao ter seus olhos vedados. Ele se sentia um leão em caça, com os sentidos aguçados, sentindo o cheiro dela em sua garganta. Ela não recuou quando ele afastou a meia e começou a beijar a pélvis. Pelo contrário, ela tremeu. Ele se satisfez em ter descoberto um meio de voltar a sentir prazer. Para isso, era só não olhar a garota que lhe proporcionava, assim, todas imaginaria ser ela. Já que estava mesmo louco, o certo era aceitar e tentar viver com isso do melhor meio possível.

A essa altura já tremia de excitação, os beijos dela estavam queimando onde passava, ele já estava quase fora do controle, pensando em descer seu zíper ali mesmo e se expor para ela massagear, beijar, chupar. Ugh. A mão que estava em na cintura pequena desceu e procurou os seios, encontrando o que pensava ser um biquíni inicialmente, mas que era um sutiã de renda, com algumas pedrinhas. Era muito bom para ser verdade. Seu corpo fervia, ele queria sair imediatamente dali, ou caso não atrapalhasse o trabalho dela, poderia ser ali mesmo. Ele só não agüentaria muito para explodir suas tensões.

Cedo demais, ela começou a fazer o caminho de volta, ainda distribuindo beijos onde sua boca passava, abdômen, peito, queixo, para então inesperadamente beijar seus lábios, com um beijo lúbrico, molhado, lambendo sua boca. Ele já agradecia mentalmente Rilley por ter contratado aquele serviço. Estava grato ao amigo por ter se redescoberto, ter voltado a ser o Edward normal, que amava as mulheres, todas, mesmo as que não conhecia. Que sentia prazer até com uma desconhecida, adorando aquele beijo, aqueles lábios, aquele gosto. Ele nunca tinha experimentado um beijo em posições contrárias, mas era tão sexy, tão gostoso. Gemeu, ambos sugando sensualmente os lábios inferiores um do outro.

—Acabou o tempo.— Ouviu soar uma voz por trás deles, a massagista deu uma última mordida em seu lábio e em um segundo deixou a cama.

De súbito, Edward arrancou a veda de seus olhos e olhou para trás, procurando ver quem lhe fazia massagem. Mas quem encontrou foi duas garotas, de shorts colados e de biquíni, lhe olhando com curiosidade. Tentando tirar a dúvida, olhou para as pernas delas e nenhuma delas estava de meia-calça. Logo, sem entender o que tinha acontecido, mas muito perplexo com tudo, balançou a cabeça e respirou fundo, questionando seriamente a sua sanidade. A questão era a seguinte: ou ela estava lá e brincou com ele, ou ele estava inconscientemente tão obcecado por ela que seu cérebro começava a projetar imagens dela — o que era a colocação mais plausível naquele momento.

Frustrado, sentou direito e calçou seu sapato, avistando sua camisa logo à frente.

—Qual de vocês duas estava fazendo a massagem?

Uma delas sorriu, arqueando a sobrancelha, e se aproximou.

—Eu.

Ele olhou seu rosto, estudando-a. Bonita, mas comum. Nada de cabelo vermelho, nada de olhos azuis, nada de biquinho irônico... Foi broxante.

—Obrigado.— Pegou três notas de cem na carteira e colocou em sua mão. Ela recolheu e deu as costas.

Boas vindas aos novos leitores!

A estória está sendo repostada em 3ª pessoa.

Bjks e obrigada por ler