Capítulo 04- Atitude
Edward saiu da sala de massagens atordoado e olhou para a pista, avistando pela primeira vez na noite Rilley, que dançava com duas garotas, próximo ao DJ. Pôs a mão no bolso, conferiu o seu presente, atravessou o ambiente e se aproximou dele.
—Oi, Rilley.— Sorriu, sem jeito, e estendeu a mão. —Feliz aniversário.
Rilley soltou as meninas e, aparentemente surpreso, o cumprimentou de volta, pegando cerimoniosamente em sua mão.
—Obrigado.— Seu ato formal lembrou Edward que ainda tinham reservas, pois em outros tempos sua atitude seria lhe dar uma chave no pescoço e, em seguida, o abraçar.
—Er... Eu trouxe um presente para você.— Pegou a caixinha no bolso, que Rosalie tinha entregado e colocou em sua mão. Rilley abriu devagar e olhou cautelosamente o que tinha dentro.
—Não foi você quem comprou.— Afirmou sem emoção, pegando seguidamente no conteúdo da caixinha, que só então Edward descobriu que era uma pulseira grossa de ouro. —Pelo menos que eu tenho alergia a ouro um amigo que passou as tarde e os fins de semana dos últimos dez anos comigo deveria saber.
—Você sabe que foi a Rosalie que comprou.— Edward fez careta, um pouco desgostoso —Eu não podia sair na esquina sem causar um tumultuo.— Falou baixo, olhando chateado para a caixinha que estava nas mãos de Rilley.
—Mas você pelo menos poderia ter escolhido algo, não ter deixado a Rosalie no escuro.
—Eu compro outro.— Ergueu a mão para que ele se devolvesse a caixinha.
—Porra, Cullen, não é o presente que estou questionando. É a sua impessoalidade.— Disse calmamente —Você é o único irmão que eu considero, mas você não dá a mínima para isso. Seria muito mais fácil você encomendar um cartão de presente do Visa, via internet. Pouparia muito mais trabalho.
—Você queria isso?— Perguntou desentendido. Ele queria mesmo saber. Com certeza seria muito mais fácil.
—Pro inferno, Edward! Você não entende nada!— Ele fez o gesto foda-se batendo as costas dos dedos abaixo do queixo e saiu, deixando-o sozinho. Desconcertado, Edward passou a mão no cabelo e olhou para os lados, pensando em talvez vazar de lá.
Foi inesperadamente que teve uma visão que não estava preparado. Passava uma música alta como no inferno da Shakira na pista de dança, e, dançando a menos de oito metros dele estava o Hale, novo amigo do Rilley, junto com o que parecia ser a SUA ruiva, em uma dança bem sensual.
Edward congelou onde estava, piscou para ver se era real, depois somente os observou, ainda desacreditado. Curioso, resolveu se aproximar e confirmar se era ela, pois as luzes e a fumaça confundiam a visão. No caminho até lá, passou no bar, com os olhos fixados em todo o tempo na pista, levou mais uma dose de uísque aos lábios, atribuindo a ele a sua alucinação, e, caminhou devagar, perscrutando.
Notou minutos depois que a distância tinha diminuído, quando já se encontrava a menos de um metro deles. Como se estivesse magnetizada, ela moveu o rosto e seus olhos encontraram os dele, arregalando-se repentinamente no que pareceu ser susto.
—Oi, Cygne.— Moveu os lábios sem sons, maliciosamente. Ela continuou dançando, girando e olhando em sua direção, agora com seu biquinho na boca.
Advinha quem reconheceu aquele corpinho das tortuosas sessões de auto-massagem? Ele, leãozinho, o próprio, que começou a se remexer furiosamente, chamando por ela. Edward cruzou os braços no peito e sorriu, mantendo seus olhos fixos nela por um tempo. Ao perceber que ela não iria responder nem parar de dançar, fez sinal com a mão para que ela desse um tempo porque ele queria falar com ela. Irônica, ela sorriu e continuou a dançar, como se não estivesse falado nada.
Ela rebolava, movimentando aquela cintura pequena e perfeita, e seu bumbum redondo e empinado, lhe fazendo ter uma súbita vontade de amarrá-la, para ela parar com aquilo, ou talvez mordê-la. Podia ser os dois.
Um intenso sentimento de posse foi se entranhando nele ao vê-la rindo com Hale, no momento em que ele segurava na cintura dela e a jogava para os lados, com os cabelos dela voando em várias direções, ao som daquela música latina e quente.
Em um átimo, Edward lembrou do ocorrido de minutos atrás, olhou para suas pernas e notou que ela estava de meia-calça. Em seguida, subiu o olhar para o short, analisou-o e conferiu que ele era folgado. Ao associar tudo, uma agitação inesperada fez com que cerrasse os olhos e fechasse os punhos. Naquele instante teve certeza de que era ela na sala de massagem tirando uma da sua cara, o que o deixou inexplicavelmente irritado com a brincadeira.
Reações nunca vividas antes por ele foram crescendo em suas veias, e então, ele era simplesmente o leão desafiado, disposto a mostrar que era o macho dominador da selva. Sem pensar, deu uns passos e puxou-a abruptamente pelo braço, separando-a de Hale. O cabeludinho lhe olhou desnorteado por segundos, e, em resposta, Edward lhe lançou um olhar mortífero, com um nítido aviso 'cai fora!'
Notando que era ele, Hale deu um passo atrás e se esquivou. Edward apertou firmemente a cintura dela e a arrastou para longe de olhares.
—Eu só quero falar com você um minuto.— Rosnou em seu ouvido.
—Me solta!— Ela grunhiu, tentando se soltar de seus braços como uma oncinha raivosa, enquanto ele a afastava do salão.
—Solta ela, cara.— O cabeludo os seguiu, olhando fixamente para ela.
—Eu vou soltar. Só temos uma coisa para resolver.
Ele queria arrastá-la pelos cabelos por mexer com ele e fugir. Queria castigá-la por ela lhe fazer pensar nela tantos dias. Queria beijá-la.
Irritado, arrastou-a rumo ao jardim lateral da casa, se xingando, puto por estar tão atraído por ela. O intrometido do Hale os seguiu por todo o trajeto. E os dois, Hale e Cygne, ficaram se olhando em todo o tempo, uma cena que deixou Edward mais alterado e aborrecido. Por um instante, sentiu vontade de esmagar o crânio dele, de chutá-lo de perto, mas ao mesmo tempo teve pena dele. Ele devia ser um simples mortal enfeitiçado por ela.
—O que está acontecendo aqui?— Era Rilley, que chegou bem na hora em que Edward cruzou a porta para o jardim segurando-a, forçada, pela cintura, com Hale no encalço.
—Eu só quero conversar com ela.— Edward continuou segurando-a, com ela se debatendo.
—Cullen, você bebeu? Solta a garota. É só uma garota.
Ela ainda tentava se soltar, empurrando sua mão.
—Quietinha.— Edward cerrou os olhos ameaçadoramente e apertou seu queixo, encarando-a com uma fúria que não conseguia entender. Ele estava puto por ela ter brincado. Era isso.
Ela ficou boquiaberta, olhando-o com aparente pânico.
—Ela não é só uma garota.— Disse e encostou-a possessivamente de frente a ele, apertando forte suas costas em um abraço, imobilizando-a, com ela vermelha de fazer forças para se desprender. —Ela é minha garota.— Esmagou seus lábios bruscamente com os seus e a prendeu contra a parede, segurando em sua nuca. Ela não cedeu, pelo contrário, fechou os lábios e ficou ganindo, dando murros em seu peito. Ele descontrolou mais. Sua rejeição só o deixou mais raivoso e muito excitado. Era ridículo o seu comportamento, ele sabia, principalmente por saber que fazia cena. No entanto, ele não podia parar. Iria demarcar território para que todos vissem.
—Ela é sua irmã?— Ouviu Rilley perguntar para o cara por trás deles, enquanto puxava o cabelo dela, angulando para que a beijasse. A essa altura ela já tinha parado de se debater, porém, não abriu a boca.
—N-Não. Er... conheci ela hoje.
—Então a deixe aí. Não é a primeira vez que eu os vejo juntos. Depois que ela ceder, ele cansa dela e a deixa em paz.
As palavras de Rilley soaram como ultraje. O modo como ele falou de alguma maneira incomodou Edward e fez com que diminuísse o aperto sobre a menina. Ela estava com os braços flácidos, cada um de um lado de seu corpo, em uma mostra de redenção. Ela tinha desistido.
Os segundos seguintes se passaram lentamente. Foi como se um filme de alguém, que não era ele, começasse a se repetir em sua cabeça mostrando tudo que tinha feito. Foi miseravelmente ridículo, impensado, banal, possessivo. Não parecia ter sido ele.
Respirou fundo, se censurando pelo que tinha feito, então, desgostoso, se afastou um pouco dela. Ela lhe encarou com aversão. Ele passou a mão no cabelo, arrependido, porém, não sabia o que fazer. Ele não era aquilo. Sempre foi gentil com as mulheres.
Buscou em sua mente uma maneira de consertar a merda que acabou de fazer, ainda se criticando pela asneira. Inseguro, abraçou-a forte, agora com carinho, sem receber o abraço de volta. Receoso, beijou seu rosto várias vezes, morrendo de medo de ela fugir depois de tudo que ele fez.
—Desculpa.— Murmurou ofegante, envergonhado, sentindo sua pulsação frenética na garganta, com os nervos abalados.
Ela estava quieta demais, o que dava uma sensação esquisita de vazio e ansiedade. Ele acariciou sua nuca, contrito por ter agido como um idiota, depois suspirou e beijou, pesaroso, sua bochecha.
—Acabou?— Ela perguntou com a voz baixa, indiferente.
—Desculpa, por favor.— Passou a mão no seu cabelo, bastante desconcertado e nervoso.
Ele não sabia o que falar, não sabia o que fazer. Não sabia nem mesmo porque tinha agido assim. Só sabia que estava arrependido. Ela lhe encarava com repulsa, se esquivando dos seus toques.
—Por que você sumiu esses últimos dias?— Cobrou. Queria desesperadamente quebrar gelo e iniciar uma conversa casual, mas, porra, ele tinha que ter começado cobrando! O que ela era sua para lhe cobrar?
Ela riu. —Por que eu disse que não estaria mais em supostos locais que vocês poderiam estar.— Recuperou o ar normal. Mordaz, como sempre. Ele podia se acalmar.
—Mas aqui é a casa do meu amigo.— Acariciou seu rosto. —Se você veio é porque desistiu de ficar longe e queria arriscar me ver.— Piscou, cínico, vendo que era o único jeito de tirar o clima tenso do ar.
—Você está louco, Cullen! Pode ter certeza que eu realmente quero distância de você.— Ela disse em um tom mais alto, insultante.
Ele soltou-a bruscamente, dando a seguir um passo atrás. —Porra, se você quer distância, pra que você foi me beijar daquele jeito naquela sala de massagem?
Ela retesou, encostando-se completamente na parede, com o olhar desnecessariamente assustado.
—Er, você está enganado...
—Estou?— Arqueou a sobrancelha, olhando minuciosamente seus lábios, no mesmo instante em que os tocava. —Eu conheceria o gosto de sua boca até no inferno. Aliás, deve ter sido de lá que você veio para me atormentar assim.
Ele definitivamente estava obcecado, estranhamente louco por ela. Era tudo muito novo, e ele nem mesmo sabia como lidar com aquilo. Ela fechou os olhos e encostou a cabeça na parede por um tempo, pensativa.
—O que você quer?— Ela respirou fundo e o encarou séria.
Ele colocou suas duas mãos na parede, acima dela e sussurrou. —Você.
Ela suspirou cansada, balançou a cabeça em negativa e riu sem humor. —Por que ?
Ele seria o mais sincero possível com ela. Ele lhe devia isso, mesmo que isso o expusesse e acabasse com seu ego.
—Porque estou com um probleminha de fixação e penso que o que desencadeou isso foi você ter se negado a mim. Além disso, creio que o fato de você ser tão misteriosa agravou a fixação, portanto, concluí que se souber mais sobre você, vai passar.— Deliberou pausado, escolhendo as palavras com cuidado. Notou que ela estava mais mansa, tirou a mão da parede e a colocou em sua nuca, acariciando.
—E se eu disser que você nunca vai saber sobre mim?— Ela ergueu o rosto e o encarou em desafio.
—Eu vou continuar tentando.— Lentamente, ele se inclinou, pegou seu queixo e deu selinhos em seus lábios.
Ela suspirou e fechou os olhos, rendida. —E se eu disser que gostaria que não tentasse descobrir?— Murmurou, domada, recebendo seus carinhos.
—Se você prometer não sumir, prometo não tentar.
Ao perceber que estavam quase resolvidos, ele abriu os lábios dela com sua língua, em movimentos lentos. Ficou surpreso com a afabilidade com a qual foi recebido por sua boca. Ela sugou sua língua docemente, quase amável, e aquilo o deixou confuso, pois esperava respostas coercivas.
Uma grande parte dele desejava que ela nunca parasse de lhe beijar daquele jeito, e ele entrou em briga interna.
Sua mão deslizou na nuca e cabelo dela, acariciando devagar. Sua língua acariciava lentamente seus lábios, em algo que não era sensual, era quase romantismo em um beijo. O beijo não era lúbrico, também não era um beijo casto. Era simplesmente uma carícia, que inexplicavelmente trabalhava também em partes não sexuais do seu corpo.
Sua pulsação acelerou-se gradativamente, afetando direto o seu peito, que a cada minuto inchava em uma sensação desconhecida de aprazer e ternura. Sua vontade era despertar a gata selvagem que ela era, indomada, no entanto, ao mesmo tempo, ele gostava da gatinha mimada que tinha em seus lábios, daquelas que adoram ser afagadas, daquelas que se jogam em seus braços e simplesmente se abandonam aos seus carinhos, com a presunção de saber que é a querida gatinha de estimação.
Ofegou, adorando os seus lábios, adorando o seu gosto. —Vamos para o bar, ou para a pista de dança?— Sussurrou em sua boca, deslizando sua mão na cintura pequena. Decididamente, hoje não iria fazer como na última noite na qual se beijaram até o último instante e ele não descobriu nada sobre ela. Ele iria fazer diferente. Também iria consertar a noite.
—Hmmm, eu não quero ficar me expondo por aí com você. Já basta aquele show lá dentro.— Ela murmurou, beijando serenamente o pescoço dele, enquanto deslizava a mão em seu rosto carinhosamente.
Ele segurou seu rosto em suas mãos, fazendo-a olhar para ele. —Cygne, não precisa de teatro. Você não precisa encenar nada para me conquistar. Eu sei que todas as mulheres gostam de um pouquinho de ibope.
Ela o encarou séria. —Sinceramente você devia procurar as suas todas, já que pensa isso de mim.— Ela o empurrou, o que só implantou dúvida nele se ela não dava a mínima para quem ele era.
—Desculpa. Esquece isso.— Puxou-a pela mão e a abraçou. Ela recostou a cabeça em seu peito e suspirou. Foi fácil e estranho sua redenção, ele pensou. —Então vamos para um lugar sossegado. Podemos ir para o meu quarto. Eu estou cansado, e você bem que podia fazer uma massagem daquela ficando de novo só de sutiã e short, ou menos que isso, se você quiser.— Mordiscou sua orelha.
—Aqui não é sua casa, é?— Ela levantou a sobrancelha em confusão, não dando a mínima para o que ele tinha insinuado.
Ele sorriu, abraçando-a forte. —Não. Mas a mãe dele me deu um quarto. Eu gosto de vir passar o fim de semana aqui. É sossegado. Além disso, meu quarto e o do Rilley tem saída exclusiva para a praia, o que facilita quando eu quero dar uma volta sozinho à noite.
—Hmmm, eu poderia subir, mas...— Ela segurou seu rosto, o olhando ternamente.
Era estranho o olhar dela, ele notou. Na verdade, ELA era estranha. Tudo nela era ambíguo. Ao mesmo tempo em que era inacessível e petulante, ela lhe afagava com meiguice, embora sempre mantendo as paredes. Ao mesmo tempo em que ele não a conhecia, sentia-se confortável com ela, como se estivéssemos juntos há muito tempo.
—Mas?— Beijou sua mandíbula, encorajando-a.
—Mas não vou fazer sexo com você.— Impôs.
—Hmmm, é você que está dizendo.— Brincou, fazendo uma careta cômica de decepção, no mesmo instante que dava beijinhos em seu pescoço, fazendo cócegas.
—É isso ou nada, Cullen.— Respondeu convicta, sem sorrir.
—Ok, por enquanto. Então vamos.— Ela não se moveu quando ele enlaçou as mãos em sua cintura e puxou-a.
—O quê?— Quis saber.
—Você vai, depois eu vou.— Ela só informou.
Ele sorriu secamente, balançando a cabeça em negativa.
—Nada disso. Você vai comigo, ao meu lado. Eu não vou te dar chance de fugir igual na última vez que ficamos juntos.— Impôs, ignorando a possessão e forçação de barra em seus atos.
—Eu não posso ir agora. Já disse que não quero me expor. Confie em mim. Eu vou. Eu também quero ir.— Disse e beijou seus lábios, persuasivamente. —Vá na frente, e eu te sigo.
Ele suspirou, ansioso, temendo que ela fugisse. Ele não queria dar a chance. Ele não podia passar o resto da noite sem ela.
—Não.— Inclinou-se, apoiou um joelho no piso e desceu o zíper de uma bota dela. Em seguida, tirou-a do seu pé e colocou-a ao seu lado. Ela lhe olhou com indagação. Ele explicou: Eu não acho que possa confiar em você. Vá buscá-la no último quarto à direita, no segundo andar.— Ela suspirou, resignada. Ele sorriu e pressionou os lábios em sua coxa. —Você bem que podia andar sem meia-calça. Eu adoraria poder deslizar meus lábios da sua cintura para baixo.— Abraçou, sorrindo, o quadril dela e subiu com beijos estalados por cima do short até sua barriga.
—Edward...
—Hmmm, me chamou pelo nome?— Mordeu, brincando, a lateral de sua cintura, não importando com sua repreensão. Não era a primeira vez na noite que ele fazia isso: beijar seu corpo, logo, ela não podia lhe proibir. Ela retesou, se afastando um pouco. Ele apertou sua coxa, por dentro do short. —Você disse não ao sexo...— Colocou as mãos em sua cintura, ergueu a blusa um pouco e passeou a língua em sua barriga. Ela estremeceu, e ele sorriu. —... Mas isso não quer dizer que eu não possa desfrutar do não sexo.— Sorriu e se levantou. —Te espero lá em cima. Vou passar no bar e pegar uns drinks para nós.— Piscou e saiu, dando antes um beijo rápido em sua boca.
Surpreso por ter usado incomuns meios ardilosos, desde cenas em público, a obrigá-la a subir, passou no bar, sorrindo por tê-la persuadido, pegou umas azeitonas e cerejas, pôs em uma caixinha com mini sanduíches e direcionou a sala principal.
Atravessou dois ambientes segurando a bota, a caixinha e uma garrafa de Martini de chocolate. Se alguém reparasse, seria hilário o fato dele andar com uma bota feminina na mão. Contudo, ele não dava a mínima para o que pensassem. Ela hoje era sua.
Quando ia começar a subir as escadas, encontrou Rilley e avisou que já ia subir. Conjuntamente, aproveitou a ocasião e pediu que ele avisasse às meninas Cullen que não o esperassem para ir embora. Rilley lhe olhou questionador uns segundos, e só então Edward se lembrou das reservas entre os dois. E disposto a não abdicar da amizade, piscou e perguntou: aqui é minha casa ou não? Rilley assentiu surpreso. Edward sorriu e subiu. Cuidaria do amigo depois.
Entrou no quarto, abriu as janelas e ficou ouvindo o barulho do mar batendo nas pedras. Em seguida, se afastou e deixou a brisa invadir o ambiente, balançando serenamente as cortinas. Suspirou, tirou o sapato e deitou relaxado na cama, enquanto abria a camisa. Minutos depois, levantou, pegou uns mini sanduíches e comeu, esperando o tempo passar. Meia hora se passou e ela não tinha subido ainda, logo, ansioso, foi até a porta e abriu, já pensando em descer para procurá-la se ela não aparecesse em um minuto.
Ao abrir a porta, deparou-se com ela descalça, tranquilamente debruçada sobre o peitoral da sacada, com os braços apoiando a cabeça e olhos fechados, inspirando longamente. Cruzou os braços no peito e observou-a por alguns segundos, notando-a contente. Inexplicavelmente, ficou inquieto pela distância, resolveu se aproximar, inclinou-se e abraçou-a por trás, enlaçando sua cintura.
—Pelo jeito você adora o cheiro do mar.— Afastou seu cabelo e beijou o seu pescoço.
Ela sorriu e deitou o pescoço para que ele a beijasse mais.
—Não adoro tanto quanto ao seu beijo.— Ela disse simplesmente. Ele sentiu um frisson de satisfação encher o peito. Algo que o fez respirar fundo e beijá-la mais, subindo sua boca até a orelha.
—Você pode ter quantos quiser. Sou seu a noite toda.— Puxou-a na cintura e, lentamente, empurrou-a até o quarto, trancando a porta atrás dele. —Por que está descalça?— Apontou para os seus pés.
—Você pensou mesmo que depois de ver você passear e subir com minha bota na mão eu iria simplesmente desfilar por aí com uma bota no pé e uma mensagem na testa dizendo: sou eu quem vai ficar com ele. Eu sou a cinderela?— Gracejou, sentada na beira da cama de pernas cruzadas, com diversão.
—Não. Realmente não pensei.— Empurrou-a na cama e caiu por cima dela, com cada perna de um lado do seu corpo. Sorriu e enlaçou as mãos nas dela, na altura da sua cabeça. —Sabia que eu nunca trouxe uma menina aqui? Aliás, nem aqui, nem na minha casa.
—Mentira.
—Verdade. Não tenho porque mentir.
—E o que te fez quebrar as regras?
—Não sei ainda, mas acho que não quero que você fique com a imagem de que eu sou um estúpido. Quero conversar um pouco.— Beijou seus lábios, enquanto levantava a barra de sua blusa, lentamente. —De preferência com os dois bem à vontade.
—Vou acreditar.— Ela segurou sua mão, mas continuou correspondendo o beijo.
Ele deu um último beijo e saiu de cima dela, indo preparar um drink.
—Eu não quero.— Ela somente informou.
—Por que não?
—Porque não confio em você quando se trata de querer algo.— Disse calmamente —Quem me garante que você não vai colocar um êxtase para eu tomar?
Ele parou em frente ao frigobar chocado com a sua insinuação, depois olhou com os olhos cerrados para ela.
—Você acha mesmo que se quisesse só sexo eu teria esse trabalho todo?— Encheu o copo, olhando inquisitoriamente para ela. Ela arregalou os olhos e mordeu os lábios, fitando seguidamente o chão.
—Hmmm, acho que não.— Murmurou, embaraçada.
—Então quem tem que pedir desculpas agora?— Arqueou uma sobrancelha e caminhou de volta, sentando na beira da cama.
Ela deu umas piscadinhas angelicais, com um biquinho enfeitando o rosto. —Desculpe.— Murmurou manhosa, ajoelhou ao lado dele e deitou a cabeça aduladora em seu ombro. Ele revirou os olhos para seu teatro de arrependimento. Ela era engraçada. Ele sorriu, enlaçou sua cintura e a puxou para sentar em seu colo.
—Desculpada. Estamos evoluindo.— Disse e ofereceu o copo a ela. Hesitando, ela levou o Martini aos lábios, olhando atentamente em seus olhos. Ela deu pequenos goles, dividindo com Edward, então o copo esvaziou-se. —Vem. Você está me devendo uma massagem.— Ele esticou o braço para colocar o copo no chão, deitou e trouxe-a para ficar ao seu lado.
—Estou?
—Está. Se bem que no lugar que você está devendo uma massagem, esta pode ser substituída por sua boca.
—Cullen!— Ela repreendeu, e ele sorriu. —Só beijos. Só isso você vai ter.— Ela frisou.
—Eu sou homem.— Ajustou as almofadas atrás dele na cabeceira, puxou-a e a sentou em seu colo, de frente. —Não vou cansar de tentar.— E a trouxe para os seus lábios, atacando-os avidamente, no mesmo instante que sua mão entrava em sua blusa. Ela segurou uns instantes sua mão, mas depois de uns segundos —tempo em que sua língua dançou deliciosamente com a dele—, ela a soltou, o que o autorizava a continuar.
Ele desabotoou lentamente sua blusa, sem soltar seus lábios, que se abandonaram e o sugaram ansiosamente. Ele terminou o último botão e deslizou a blusa no braço, descendo logo após a boca para seus ombros. Ouviu seus suspiros e ela estremeceu, o que só o animou a continuar. Era sinal de que ela estava cedendo, então mordeu seus ombros, devagar, sensualmente.
Acariciou cautelosamente suas costas, deslizando os dedos, conhecendo a textura. Ela começou a lhe mordiscar também no ombro, e ambos deslizavam a boca um no outro, em um prazer suave e prolongado, enquanto suas mãos deslizavam com vida própria. Tranqüilo, deslizou a mão em seu colo, vão do seio, devagar. Ela suspirou, e ele chegou à abertura frontal do seu sutiã, lentamente abrindo. Ela retesou, ligeiramente assustada, e colocou as mãos em seus seios, tentando fechar novamente.
—Deixa... Por favor.— Ele sussurrou —Prometo não tocá-los. Só quero vê-los.— Já estava se chutando por ter se precipitado e ter prometido isso. É lógico que se ela desse o mínimo vacilo ele iria pegar sim. Não era enrustido!
Voltou a boca para os lábios dela, e ela soltou a mão dos seios, deixando que o sutiã caísse, no mesmo instante que respirava nervosa na boca dele.
As mãos de Edward formigavam, seduzidas com vontade própria para tocá-los, como ímãs atraídas, conscientes que estavam soltos. Com as mãos em sua cintura, abriu os olhos e a afastou um pouco de seus lábios para vê-la. Ela estava exatamente como a tinha imaginado dias atrás: sentada em cima dele com a boca vermelha, o cabelo solto espalhado em seus ombros e costas, sua respiração irregular, e os seios, lindinhos, apontados em direção a sua boca.
—Deixe, por favor.— Beijou seu queixo e desceu os lábios para sua garganta, paralelamente subindo seus polegares e acariciou a parte inferior dos seus seios. Era completamente novo o fato de ter alguma parte do corpo de uma menina restrita. Ele nunca tinha experimentado algo assim, e o fato de ser proibido lhe deixava com muito mais vontade de tocar.
Ela ofegou e afastou um pouco para frente, com as mãos deslizando em seus cabelos, então seu bico se arrastou convidativamente nele. Ele grunhiu, lambeu seu pescoço e apertou suas costas, fazendo-a dar uma pequena movida em cima da sua ereção.
Sem ouvir sua resposta negativa ou positiva, deslizou lentamente a mão rumo aos seus seios. Ele já sentia o gosto dela em sua boca. Se ela nunca tinha sentido uma boca, ela iria morrer quando ele mostrasse o que sabia fazer.
—Pensei que um Cullen cumpria com suas palavras.— Sussurrou quando ele os tomou nas mãos. Era a primeira vez que ele os acariciava desobstruído do sutiã. Eles tinham um tamanho perfeito. —Você prometeu que não ia tocar...— Ela ofegou e ele gemeu, empurrando sua excitação nela. —Mas acho que você não consegue cumprir com o que promete.— Ele apertou mais seus seios nas mãos, enquanto lambia seu pescoço, adorando a sensação de fazer tudo lento. Pra piorar a situação, ela também começou a deslizar a língua em seu pescoço. Ela era louca para lhe provocar daquele jeito? Não tinha a mínima chance de não tê-la em sua boca. —Não é a primeira vez que promete algo e não cumpre.— Sussurrou quase sem sons, mordiscando seu pescoço. Ele sinceramente queria perguntar qual era a dela. Qual a menina que em sã consciência subiria para o quarto de um homem, deixaria ele tirar a sua blusa, depois ficaria sem sutiã, para não deixar o cara fazer nada? Ela só podia estar brincando com a sua cara. —Mas se você não consegue cumprir com o que promete...— Ela devia ler mentes, será que ela ia ceder?
Inesperadamente, ela fechou o sutiã na frente e se afastou um pouco, saindo de cima dele, o que o deixou sem ação. Resoluta, ela levantou da cama, olhou para o lado e pegou a blusa que estava na cabeceira. —Eu sei no que isso vai dar... — Disse reflexiva. —Você pode ter quem quiser. Desça e escolha no dedo uma, duas, quantas mulheres você quiser trazer para esse quarto... Eu simplesmente não posso ir adiante, por mim.— Disse distante, em uma estabilidade que sinceramente o chocou. Ela era louca! Que porra de jogo era esse agora?
Tranqüila, ela vestiu a blusa e começou a abotoar lentamente os botões, olhando serenamente seu rosto. Disposto a não deixá-la escapar, como ela pretendia, segurou firmemente seu pulso e impediu-a de continuar a fechar. Estava claro que ao mesmo tempo em que ela queria se deixar levar pela atração, ela travava uma briga consigo mesma. Seu corpo a denunciava que ela queria, porém a todo instante ela parecia estar indecisa do que fazer.
—Esquece... Você ainda está me devendo uma massagem.— Insistiu. Posso, por favor, não pensar agora no porquê de insistir? Repetiu para si. Ele não queria pensar. Não ia simplesmente deixar ela sumir de novo. Nem pensar.
Ao notar a dúvida nela, tomou vantagem, fingiu que não tinha acontecido nada, levantou e tirou sua calça, ficando só de boxer.
—Você deve estar brincando.— Ela olhou descrente para dele, passeando, sem disfarçar, os olhos apreciativamente por suas pernas. Leãozinho, muito aparecido, adorou a idéia de ter a atenção dos seus olhos e quase pôs a cabecinha para fora para dizer olá.
Seria uma tortura sentir essa mulher passando a mão nele e não poder fazer nada. Principalmente com o grau de excitação que já tinha atingido.
—Nesse jogo dois jogam. Vamos ver quanto tempo você vai resistir ao gostosão aqui. Eu digo que pouco tempo.— Piscou presumido.
—Eu digo que me conheço o bastante para saber o que quero.— Ela desafiou.
Ele deitou de costas e olhou com interesse para ela. —E o que você quer?— Arqueou uma sobrancelha, presunçoso.
—Eu já disse várias vezes... Que desista dessa fixação.— Disse naturalmente, sem mudar a expressão ávida.
Abruptamente, ele jogou-a na cama e se posicionou em cima dela, beijando em seguida o seu pescoço.
—Mentira, garota. Sua boca fala coisas que você não pensa. Você mente e quer acreditar na sua mentira.— Sem aviso, desceu a mão e abriu o botão de seu short. Ela arregalou os olhos, empurrando os seus ombros. —Se você não estivesse louquinha por mim, não teria ido lá embaixo me beijar.— Desceu o seu short, ainda imobilizando-a com o corpo em cima do seu. Ela não ofereceu resistência, mas lhe olhava tão dura que o queimava. —Shhh, calma.— Segurou seu rosto em na mão e a beijou-a várias vezes, tentando domá-la. —Eu não vou tirar a meia-calça. Só quero sentir mais sua forma em mim, tudo bem?— Folgou um pouco o aperto. —Não vou fazer nada que você não queira.— Mordiscou lentamente seus lábios, sentindo-a tensa, retesada. —Eu já disse, só vou fazer o que você queira.— Mordiscou sua orelha e desfez de sua blusa novamente.
—Eu não quero isso.
—Como não quer? Alow, você está no meu quarto com a porta trancada. Você me beija como uma louca. Como não quer?
—Você força e distorce tudo.
—Eu não forço com ninguém, pelo contrário.— Apoiou-se no joelho, uma em cada lado dela, inclinado sobre ela, com seu cotovelo apoiado ao lado da cabeça dela. Ela lhe encarava.
—Então por que isso? Você deve estar com crise auto-afirmação para ficar insistindo assim. Eu já te falei: desça e fique com a menina que você quiser. É sério. É melhor para nós que não nos envolvamos mais. Se você quiser que eu fique perto de você, que eu te faça companhia, que converse com você hoje, ou mesmo que te beije, eu faço isso. Mas é melhor para mim não ir além.— Disse com pesar.
Sem mais palavras, Edward jogou seu corpo ao lado dela e ficou analisando-a, ainda atraído. Ela se virou de lado e, carinhosamente, começou a passar a mão em seu rosto. —Fica longe de mim, Cullen. É só uma atração. Isso passa. Você não sabe o quanto não é bom para você ficar perto de mim.
Com seu ego massacrado, enlaçou sua cintura e colou-a nele. —Eu nunca vou saber se você não falar.— Retrucou admirado consigo por se permitir insistir. Pior ainda não tendo a menor chance de sexo com ela. Leãozinho fez um bico emburrado com a dedução.
—Eu não faço bem para você, pode ter certeza... Quando digo que é para você ficar longe de mim, é por você também, não só por mim. Só que não vou inventar um porquê. Não quero mais tentar mentir.
—Não quer mais?
—Sim... Eu confesso: fui eu mesma que te beijou lá embaixo. Eu sinceramente não imaginei que você fosse perceber. Desculpe por ter negado. Eu prometo não mentir mais, porém, você não pode perguntar sobre o que não posso falar.
—Bom, eu quero saber sobre você, isso não vou negar, porém quando você não se sentir a vontade para responder, eu vou entender.— Edward apreciou a evolução da sinceridade na conversa. —Eu não entendo uma coisa em suas atitudes... Aqui você está se regulando, mas por que você tomou a iniciativa de me massagear lá embaixo?— Inquiriu, com a sobrancelha arqueada.
Ela ficou embaraçada, mordendo os lábios em aparente nervoso. —A verdade ou a desculpa?
—A verdade.
Ela lhe olhou intensamente. —Lá, eu não resisti. O fato de você não saber que era eu me deixou mais livre.— Admitiu.
—Por quê?— Quis saber. Ele queria saber tudo sobre suas malditas atitudes complexas.
Ela suspirou, refletindo, enquanto deslizava os dedos em seu abdômen.
—Por quê...?— Respirou fundo, como se buscasse respostas. —Eu já disse, porque eu não resisti.— Murmurou baixinho. —Eu quis várias vezes que você ficasse longe de mim... Eu tentei de várias formas, fosse ficando longe de você, te ignorando, mantendo distância... Mas você insiste em ficar perto de mim, insiste em falar comigo... Eu acho que resolvi parar de tentar resistir.— Disse suspirando, enquanto olhava para algum ponto invisível no ar. —Eu juro que tentei ficar longe.
Edward cerrou os olhos confuso com o que ela dizia. —Eu não entendo... Eu só insisti em falar com você hoje, só depois que percebi que você estava brincando comigo, não antes disso.
Ela piscou e entrou na defensiva. —Er, eu estou me referindo justamente a hoje.— Titubeou.
—Sim, mas a pergunta era: por que você tomou iniciativa, e você respondeu com o que aconteceu depois, não com o que aconteceu antes. Que eu me lembre, eu só insisti em conversar com você depois da massagem, não antes.
Ela ficou suspensa por segundos, sem respostas.
—Você está sendo evasiva. Há uma contradição nas suas atitudes e eu quero entender o porquê. Responda, por favor, por que você lá embaixo tocou em mim daquele jeito e aqui fica regulando? Por que eu não posso te tocar como quero?
—Eu toquei você lá como qualquer garota normal faria. Somente aproveitei a oportunidade. Lógico que só depois que cedi minha pulseira.— Ela deu de ombros, e pela primeira vez na noite ele se sentiu convencido. Não por saber que ela pagou para tocar nele, isso não era tão bom, mas por saber que ela, menina que dias atrás mostrou não dar a mínima para ele, revelava que barganhou para lhe tocar.
—Você cedeu uma pulseira para me massagear?— Sorriu, distraído e convencido.
—Sim.
—Eu deixo você me massagear de graça.— Pegou a mão dela e passou nele, movendo ela em todo o abdômen
—Eu sei que deixa. Você deixa qualquer uma.— Criticou. —Lá embaixo, você nem sabia quem te massageava e beijou mesmo assim.— Disse com acusação.
Ele até podia revelar que em todo momento torceu e imaginou ser ela, porém, isso iria deixá-la convencida demais, o que era complicado para a sua ligação sem vínculos.
—Você está me ofendendo. Até parece que eu sou galinha assim.— Brincou.
—E não é?
—Não. Eu só deixo elas serem felizes. Se elas querem me usar, eu deixo. Tadinho de mim, sou o usado.— Sorriu cínico. —Mas tem certeza que você foi lá só para tocar meu corpinho?— Ela poderia querer lhe ver, por exemplo, assim como ele queria vê-la.
Ela demorou um tempo calada —Que outro porque existiria? Eu, como qualquer garota, acho seu corpo atrativo e fiz aquilo por pensar que você não saberia que era eu. Nada mais que isso. Sou normal.
—Hmmm.— Ele pensou um pouco —Essa desculpa eu aceito, mas você não respondeu porque fica cheia de não me toque aqui.
Ela ficou calada, olhando intensamente seus olhos, depois suspirou e acariciou, pesarosamente, seu rosto, o que despertou sua atenção.
—Porque ainda não decidi o que fazer com você...— Admitiu —Porque já é um erro te beijar, pior ainda é me envolver... Me deixar levar por você é fácil, Cullen.
Satisfeito por sua resposta, ponderou por uns segundos uma réplica.
—É só corpo, química. Não tem porque ter tanto grilo. Você tem uma atração por mim, e é recíproca. É só curtir o momento. Não tem o que temer, nem porque lutar contra. Mas...— Levantou e colocou mais uma dose de Martini para ela, enquanto deliberava seu comportamento —Todo esse receio de envolvimento me leva a afirmar uma tese que levantei sobre esse mistério que envolve você: Você é casada.— Não era uma pergunta. Entregou o Martini para ela, sentou, e ela tomou lentamente, sem dizer nada, mostrando com seu silêncio que não iria responder.
Ele resolveu tentar por outro lado: —Hmmm, você mentiu quanto a sua...inexperiência?— Arqueou uma sobrancelha, estudando o seu rosto.
—Não.— Respondeu rapidamente.
—Conclusão: você não é casada.— Sorriu, se inclinou e beijou a ponta do nariz dela. Ele queria deixá-la à vontade de novo. —Mas você é comprometida.— Supôs, e ela olhou para baixo, acariciando o seu peito com os dedos. Um frio desconhecido percorreu o estômago dele, mas ele continuou numa voz leve e zombeteira: Você gosta... dele?— Segurou seu rosto na mão, fazendo-a olhar para ele. Ela suspirou e o encarou. Uma parte dele torcia para que ela dissesse que não.
—Ele é bom.— Foi o que ela respondeu.
—E de mim, você gosta?— Ele queria distraí-la. Isso sinceramente não importava.Não mesmo.
Ela riu ironicamente. —Você é insistente e persuasivo.
Ele sorriu alto. —Ah, é só isso que eu sou?— Fingiu chateação, com os braços cruzados no peito.
—Sim. Além de metido e presunçoso.
—Poxa, eu não sou legal, não? Não beijo bem?
Ela sorriu e enfiou a mão em seu cabelo. —Às vezes você é legal. Muito raramente.— Sorriu espontânea.
—Hmmm, você está ferindo meus sentimentos.— Brincou e colocou a perna dela sobre as suas.
—Estou brincando.— Ela riu, acariciando seu rosto. —Você é mais legal do que eu pensei que fosse. Não parece, mas tem atitudes generosas.
—Hmmm, acho que você está falando do Edward errado. Não é esse aí o Edward que as pessoas conhecem. Eu também acho que esse aí nem existe.
—Você é fácil de ler, Edward. Só precisa se conhecer mais.
Ela falava como se realmente o conhecesse. O que era hilário.
—Ele...— Edward coçou a garganta para falar o nome. —... Seu namorado sabe que você vem para essas festas sozinha?
—Não.— Ela murmurou, um pouco sem jeito, e deitou na cama, após ter terminado sua bebida.
—Sua mãe sabe que você sai? Seus pais?
—Ninguém sabe. Só um amigo.—Nossa, estou chocado. Por que isso acontece em um mundo tão moderno?
Ela fez careta. —Eu tenho planos a seguir...— Disse com os olhos distantes.
Ele deitou de costas, colocou as mãos atrás de sua nuca e fitou o teto. —Eu sei o que é as pessoas quererem decidir o nosso futuro.— Murmurou. —Pode ter certeza que sei, e acho errado. Você podia mudar isso. Tomar suas próprias decisões.
Ela sorriu amarga. —Seria bom se fosse fácil assim... Mas eu não te disse nada disso.
—É só pensar um pouco. Juntando tudo que você disse, eu deduzi. Pelo jeito você namora alguém que te impede de sair, também parece que você não gosta dele, afinal, se gostasse, não estaria aqui comigo. Mas o que me deixa confuso é que outro dia você disse que tinha mais de vinte anos, portanto é maior, então não vejo porque as pessoas te regulam assim, o que me leva a crer que sua família é muito controladora. Sem falar em outra coisa estranha...Você é virgem...eu nunca tinha conhecido ninguém normal que o fosse com mais de vinte.— Fez careta, deitou de lado ao seu lado e começou a acariciar sua cintura.
—Foi por escolha.— Ela riu, seus dedos em deslize pelos cabelos dele. —Eu estudava demais, não dava tempo nem de pensar em namorar ou ficar... Mas você fala disso como se fosse uma coisa repulsiva.
—Não. Não é repulsivo.— Colocou a mão em suas costas, apertando mais ela nele, depois sorriu. —Aliás, não seria se não fosse isso que estivesse me impedindo de fazer certas coisas deliciosas além de conversar.— Insinuou, mordiscando sua orelha.
—Edward, eu já falei uma vez...
Ele colocou o dedo em sua boca, impedindo ela de prosseguir ao sentir que ela ia lhe dar um fora outra vez, no mínimo dizer para ele descer e traçar qualquer uma lá em baixo.
—Eu quero você.— Sussurrou e beijou estalado seus lábios
Ela sorriu. —Por hoje você pode ter. — Concedeu.
—Tudo bem. Acho que esse é o tipo de relacionamento que é melhor para mim. Você não pode se enrolar e nem eu quero.
—Feito.
Ela suspirou e sorriu fracamente, mas seu sorriso não alcançou seus olhos. Ele guardou isso para pensar depois.
—Então está explicado o fato de você não querer ser vista comigo. Não era um teatro.— Refletiu, analisando detalhadamente todas as suas atitudes.
—Você pensou muito pouco de mim.— Ela brincou estar ofendida, agora passando os dedos lentamente na tatuagem em seu peito.
—Onde você mora?— Ele queria saber mais.
Ela se encostou mais nele e beijou seu queixo várias vezes
—Você não tem outra coisa para fazer não? Podia voltar a me beijar, por exemplo.— Ela mordeu os lábios, com um risinho desavergonhado.
—Agora.— Antes que terminasse a palavra, rolou para cima dela, segurou-a pela nuca e atacou seus lábios sem piedade, com a mão em sua coxa, acariciando por cima da porra da meia-calça. Era bom sentir suas formas, ela lhe deixava maluco em todos os sentidos possíveis.
Buscou a língua dela e a sugou lentamente, acariciando-a nos dentes, então um gemido baixo saiu dos lábios de Cygne, o matando tortuosamente de desejo.
Esse negócio de começar e parar, começar e parar o deixou doloridamente duro como pedra, leãozinho urgia impaciente. Ele tinha que lutar com todo seu autocontrole para não rasgar sua meia e forçá-la. Podia até imaginar sua carne apertada lhe recebendo, abrindo-se para o abrigar, o apertando como um punho fechado.
Gemeu, e sem hesitar, se friccionou nela, aliviando um pouco o incômodo, sentindo-a contorcer sutilmente embaixo dele. —Gosta disso?— Ofegou, louco, imediatamente levando sua mão para os seios, por dentro do sutiã, apertando o mamilo. Ela gemeu e arqueou, obviamente gostando da pegada.
Ela era doce, com gosto do errado. Sua língua era quente em sua boca, ela era quente. Ele podia imaginar como ela devia ser por dentro da calcinha, completamente molhada e zerada. Ugh, só de pensar isso sentiu os prenúncios lubrificarem, deixando-o doido para lambê-la, experimentá-la com a língua.
Ainda beijando-a desesperado, levantou uma perna dela para seu quadril e se esfregou deliberadamente, sabendo que se não fizesse algo por si, era bem capaz de leãozinho romper as relações pela falta de cooperação. Ela deu outro gemidinho em sua boca, o que mostrou que ela gostou da fricção.
—Cygne...— Concentrou e friccionou bem devagar, enquanto mordiscava seus lábios. —Ajuda, vai. Pega em mim.
—Não.— Ela arregalou os olhos, apavorada, mas ele continuou beijando-a, ofegando em sua boca.
—Hey, calma.— Pegou as duas mãos dela, prendeu ao lado de sua cabeça e beijou sua mandíbula, com sua ereção tão exposta que quase saia fora da boxer. —Só um carinho, vai.— Murmurou e voltou para seus lábios. Ela ficou tensa, respondendo autómata aos seus beijos.
Ao perceber a sua indecisão, num movimento discreto do seu corpo encolheu as pernas, apoiando em seus joelhos, depois pegou uma mão dela, que já estava na sua, e a desceu, ainda inclinado sobre ela. Ela estava nervosa, meio trêmula, e ele continuou beijando lentamente seus lábios.
Ele respirava ofegante, em expectativa, morrendo de medo dela escorregar. Segurou sua mão, moveu um pouco a boxer e envolveu sua mão no eixo, cautelosamente. Engoliu em seco e estremeceu com a sensação diferente que ela trazia de eletricidade ao rodeá-lo. Sentiu-a respirando mais nervosa no toque receoso.
—Por favor.— Ele implorou, passando a pontinha da língua em seus lábios. Estava tão bom sua delicada mão lhe enrolando, com os dedos hesitantemente lhe acariciando. Ele não soltou a mão da dela. Pelo pouco que a conhecia, ele tinha quase certeza que a qualquer momento ela pararia a carícia. Ela parecia apreensiva, só acariciando com o polegar, distribuindo os fluídos.
—Eu não sei o que fazer.— Confessou, envergonhada, com a ponta parada em sua mão.
Ele não ligaria se ela substituísse sua mão pela boca. Receberia de bom grado. —Põe na boca e chupa, igual pirulito.— Sugeriu em um impulso, e ela parou.
—Cullen, eu nunca vou fazer isso.— Ofegou, completamente armada.
—Por quê?— Perguntou frustrado, ainda pulsante em sua mão.
—Porque... — Parou. —Eu não quero por minha boca aí, onde muitas...— Ela soltou-o. Iria escapar. —É sério, você pode ter quem quis...— De ímpeto, derrubou-a novamente e calou sua boca com um beijo. Ela só sabia dizer isso? Que saco! Queria saber quando ela ia virar esse disco.
Não ia deixar ela ficar com esse joguinho de sou difícil . Sem pensar muito, se desfez sutilmente da sua boxer e rolou em cima dela, com cada perna apoiada de um lado. Ele era homem, não era? Homem não perde uma oportunidade, sim? Nem deixa uma menina ficar brincando. Ela tinha que parar de brincar, tinha que parar com esse jogo de não quero.
Enquanto ele a beijava, abriu rápido o seu sutiã, não se importando se ela iria brigar ou não, e passou a mão seguramente em seu seio. Ela grunhiu e mordeu levemente seus lábios, estremecendo. Era lógico que ela estava gostando. Não adiantava ela fingir que não queria e seu corpo a denunciar tanto. Ela levantou os braços e correu os dedos em seus cabelos. Era lógico que ela estava pedindo por mais. Ele pegou sua mão, determinado, e a desceu, enrolando-a novamente no seu mastro.
Saco, porra, se ela não ia lhe dar, pelo menos lhe satisfazer ela iria. Fez os movimentos para frente e trás na mão dela, no mesmo instante que apertava seus seios. Fechou os olhos e encostou a testa na dela, apoiado no cotovelo, puxando o ar nos dentes com cada movida, ansioso por ocupar sua boca em seu seio.
—Deixe, por favor. Você vai gostar.— Suplicou, mas não esperou ela raciocinar em cima do que ele tinha pedido. Antes que ela negasse, mordiscou seu queixo, pescoço, até que chegou ao seu seio e lambeu o bico bem devagar.
Ela ofegou e ele gemeu, ainda com a mão dela embaixo da dele em uma massagem lenta, vendo seu prazer crescer lentamente. Ele sentiu segurança e sugou mais forte seu bico, apertando o outro seio com a mão livre. Os arquejos dela ficaram mais altos, sua respiração cortada. Aquilo mexeu com o autocontrole dele, fazendo-o arfar de desejo em vê-la vulnerável sob ele.
—Continua, vai.— Sibilou e fechou os olhos, então livrou a mão dela da sua e deixou que ela continuasse. Voltou para os seus lábios, deixando que suas duas mãos acariciassem seus seios, apertando o bico nos polegares e indicadores.
Ela não tinha a mínima noção do que era uma batida, mas ele adorou. Ele mordeu seus lábios, ofegando, tentando não deixar a fricção o desorientar, já que estava latejando. Jogou a cabeça para trás e respirou fundo, buscando o controle. Ele estava enrolando ao máximo para terminar, visto que adorava tudo, embora tivesse que contar com seu preparo físico para continuar naquela posição. Ele nunca tinha feito algo parecido com aquilo. Ele se sentia um puta de um pervertido aproveitando de uma garota que era um fascinante e frustrante bichinho do mato. Queria saber em que mundo que ela estava perdida que não tinha a mínima noção do que era uma tocada. Mesmo assim, era bom. Sua mão era melhor do que qualquer lugar que ele já tivesse entrado. —Ah, isso...— Sibilou, ansioso e desceu a boca para sua orelha, mordiscando lascivamente o lóbulo. —Deixa eu fazer alguma coisa por você também...— Sussurrou, deslizando a língua em seu ouvido. Desceu as mãos para sua cintura e mostrou intenção de descer a meia.
No mesmo instante, ela retesou, parando o movimento da mão. Não, não, não, ela não ia escorregar. Não tinha a mínima chance. Em um átimo, ele desceu novamente os lábios rumo aos seus seios e deslizou a língua freneticamente no bico, ouvindo, satisfeito, os seus longos ofegos, pôs a coxa entre as pernas dela e passou a friccioná-la sutilmente. Ela se debateu, apertando mais a mão em seu comprimento, o fez estremecer e perder o ar com a excitação violenta.
Ele grunhiu e chupou forte, prendendo os seios nos dentes, apertando os dois ao encontro de sua boca, no mesmo instante que movia o quadril para ajudá-la no seu trabalho.
Ele sentia sua consciência se perder lentamente só com aquela tocada, imagine se algum dia entrasse fundo nela. Ugh, pensar isso fez subir para borda, logo, urgindo nas últimas, voltou para os seus lábios, enfiou sua língua em sua boca e ela chupou com vontade. —Uh, isso... mais...— Estremeceu, fechou os punhos e prendeu seus lábios nos dentes. O orgasmo subiu sem chance de controle, dando tempo somente de colocar a mão por cima da dela e controlar a direção do fluxo.
Ele gemeu, sentindo tudo rodar, seu corpo tremeu e o arrepio levantou até seu último fio de cabelo, em um prazer que era melhor do que muito sexo que já tinha feito.
Não deixou de notar o olhar dela fascinado no jato derramando, ávido e curioso. Ainda em êxtase, ele queria cair em cima dela, porém fazer aquilo iria lhe deixar muito pegajoso, logo, se jogou ao seu lado, deitou com a perna sobre ela e apoiou o braço em seu colo, preguiçoso.
—Valeu.— Ofegou e beijou seu rosto, de olhos fechados, esperando a sensação de torpor passar.
Minutos depois, sentiu um movimento embaixo do seu braço. Abriu os olhos e ela tinha fechado o sutiã. Ai, ai, pra que isso?
Ela arqueou uma sobrancelha, depois olhou questionadora para a própria barriga.
—Eu te demarquei.— Ele explicou com um sorriso —Sou o predador demarcando sua presa, ou melhor...— Sentou na beira da cama, se divertindo com sua cara. —Sou o leão demarcando sua leoa.— Beijou a costa da mão dela e piscou, cinicamente. —Quietinha aí que eu vou limpar.— Desceu da cama e foi ao toalete, pegando lá atoalhados descartáveis. Em seguida, sentou e começou a limpá-la, olhando atenciosamente para seu rosto. Ela lhe olhava com a pupila dilatada, passeando os olhos com minúcia por todo o seu corpo nu.
—O que foi?—Ele arqueou a sobrancelha, confuso.
—Você até que é bonito.— Disse simplesmente.
Ele sorriu, ainda limpando sua barriga. —Entendi o que você quis dizer. Vou traduzir: você é muito lindo, muito gostoso. Não sei como eu ainda te resisto.— Sorriu e se inclinou para beijá-la. —Você também é linda, gostosa. Não sei como te resisto.— Apertou sua bochecha.
Ela não sorriu. Ele teve até uma impressão de que ela tinha ficado repentinamente sem humor. Ela continuou olhando atenciosamente seu rosto, enquanto ele passava loção de limpeza em sua barriga.
—Posso descer agora?
—Não. Por que deveria?
—Você conseguiu o que queria, agora pode me dispensar.— Ela deu de ombros, normal.
—Você está enganada. Eu não consegui o que queria. No fundo eu queria ver você ofegante, descontrolada, estremecendo de satisfação, não frustrada como está agora.— Fez uma careta, vestindo sua boxer. —Acabei tendo que agir como um filho da puta egoísta.— Inclinou e beijou seu queixo. —Mas eu fico te devendo.— Piscou e sorriu.
—Você não está devendo nada, Cullen.— Ela corrigiu.
Ele balançou a cabeça incrédulo, dizendo para si que se ficasse perto dela muito tempo iria enlouquecer com suas mudanças repentinas de comportamento, com as tiradas que ela dava e com ela tentando se manter à distância o tempo todo.
Suspirou, buscando paciência. —Me ponha para dormir e você ficará livre...Por hora.— Impôs teimoso, pegou a mão dela e levou até sua boca para um beijo. —Por hora, porque amanhã você irá sair comigo.
—O quê?— Ela arregalou os olhos com descrença.
—Sim, senhora.— Puxou sua mão, fazendo com que ela se levantasse e fossem juntos para o toalete lavar as mãos. —Amanhã sairemos à tarde.
Ela arregalou os olhos e abriu a boca, cética. —Eu começo a achar que você está com problemas sérios de raciocínio. Eu já te expliquei que não posso. Já falei várias vezes que não dá.
Ele abraçou-a por trás, olhando-a pelo espelho. Seu rosto estava tenso.
—Relaxe, baby. Dê um jeito de sair sem que ninguém saiba.— Acariciou suas costas , fazendo-a estremecer. Sua reação era uma mostra nítida de que ela não estava satisfeita. Porém, ele não sabia como podia satisfazê-la se ela era toda arisca e não o deixava tocá-la lá.
—Edward, não acho uma boa idéia. A gente não pode ficar fazendo isso. Eu não posso marcar dia seguinte com você. Qual parte do não dá você não entendeu? Não sou alguém que valha a pena você arriscar sua vida.— Tinha um vinco de preocupação em sua testa.
Ele sorriu alto, ergueu-a no colo e a levou de volta para a cama. —Por que estando com você eu arriscaria minha vida?
Ela levou a mão à boca. —Eu não quis dizer isso. Er... Eu quis dizer que não sou alguém que valha a pena você ficar perdendo sua vida, seu tempo. Eu não posso... Não vou te dar o que as outras podem.
—Ai, pára, Cygne. Você perturba com esse assunto.— Se jogou por cima dela e a beijou brincalhão várias vezes na testa. —Sabia que eu adorei a massagem?— Abriu lentamente as pernas dela com a sua. —Você bem que podia me deixar devolver.
—Cala a boca, Cullen.— Ela fechou as pernas e ele sorriu alto.
Persistente, ele mordiscou sua orelha. —Ia te deixar tão relaxada... Diz se não foi bom minha boca deliciosa nos seus seios.
Ela lhe olhava atenta, repuxando o lábio em uma careta, fingindo censura. Ele sorria, se divertindo, no mesmo instante que beijava sua bochecha.
—Vou te mostrar como seria.— Encostou a boca em seus lábios e deslizou a língua devagar no lábio superior. Ela ficou de olhos abertos, lhe olhando.
—Você só pensa nisso?— Ofegou e mordeu a ponta da sua língua, rindo contra vontade.
Ele sorriu e inverteu suas posições, colocando-a por cima.
—Nem sempre. Mas perto de garotas como você não tem como pensar em outra coisa. Você grita sexo bom.
—Ai ai, nada a ver seu comentário.— Ela sorriu, deitou a cabeça em seu peito, e ele acariciou seu cabelo, levando uma mecha até seu rosto. Ela tinha um cheiro bom, e ele agora era viciado até nisso. Ele sabia que aquilo estava ficando íntimo demais, pois o certo depois de um orgasmo era cada um ir para o seu lado. Mas não, estavam deitados, conversando, rindo, e dando carinho um ao outro, o que era, no mínimo, estranho.
Tudo bem que não tinham feito sexo propriamente dito, mesmo assim, se comparado aos seus outros pós-sexo, esse estava diferente. Todavia, ele pouco se importava. Adorou tê-la como uma gata preguiçosa espalhada em cima dele, com seus cabelos esvoaçados para todos os lados.
—Eu não sei da onde você tirou essa sua idéia.— Ela murmurou meigamente, enquanto acariciava seu peitoral com a unha. —Eu me acho normal. Sempre fui uma menina normal.
—Você não se vê direito.
—Não. Eu sei que sou bonita, não disse o contrário.
—E o presunçoso sou eu.— Interrompeu, sorrindo.
—Não. Sou modesta.— Ela sorriu, e ele gostava dela assim, sorrindo. —Mas é que minha beleza é normal. Nada exótica. Eu não tenho as pernas longas como às dessas modelos que costumam vir às festas. Eu sou uma bonita comum.— Explicou e ele adorou aquela faceta presumida dela. —Mas eu não acho que seja sexy. Queria realmente saber porque você acha isso de mim: que eu grito sexo bom. Aff.
—Às vezes o conceito de beleza do senso comum não é a mesma de todos os homens. Eu acho você linda de um jeito apelativo. Seu cabelo é meio selvagem; o modo como você se veste é discreto, mas está dizendo assim: sou quente. Também gosto do fato de você usar pouca maquiagem, fica tudo mais singular, mais cru. Acho que gosto de tudo em você.— Que porra era essa que disse? Perguntou-se atordoado. Não era exatamente isso que queria dizer. Ele queria só confirmar que tudo nela lhe chamava para sexo, não que gostava de tudo dela. Argh, conversar o deixou confuso. Era melhor mudar esse quadro logo, antes que a menina achasse que ele estava caído por ela. Coisa que ele não estava. Não mesmo. —Bom, eu até me preocupei antes com o tamanho dos seus seios, mas até disso eu gostei. Eles cabem direitinho na minha mão e na minha boca... Hmmm, e que biquinho delicioso.— Gracejou, apertando suas costas.
Ela sorriu. —Você nunca fala sério?— Levantou um pouco o corpo, sorrindo. Sua expressão era divertida, o olhar completamente cálido.
—O quê? Eu avisei que tudo que homem pensa gira em torno disso.— Sorriu. —Aliás, voltando para as suas roupas, eu não ligaria se você usasse sempre saias sem meia-calça. Tudo facilitaria o meu objetivo.
—Eu não vou levar isso a sério. Você é muito bobo.— Ela fez careta, ainda sorrindo e ficaram em silêncio cúmplice um tempo.
—Edward, eu tenho que ir.— Disse, levantou devagar e procurou o short dela no chão, começando em seguida a vesti-lo. Ele levantou e sentou na beira da cama, vendo-a se arrumar.
—Você vai me encontrar pela tarde?— Quis saber.
Ela parou de costas e respirou fundo, enquanto passava as mãos freneticamente no cabelo, organizando-o. Depois colocou a mão no bolso e pegou algo que parecia um celular, igual o da muçulmana, porém de cor diferente. Ela o examinou um tempo, então suspirou e o guardou de volta. Edward imaginou que ela não fosse responder mais, porém, depois de um tempo, ela virou em sua direção, respirou fundo e o olhou com determinação.
—Onde?
Ele pensou por um instante. Se dependesse exclusivamente dele, ele iria para algum quarto de motel e tentaria sua resistência até que ela cedesse. Quem sabe assim, ele perderia essa fissura nela. No entanto, se propusesse isso, era certeza que ela iria escorregar, logo, resignado, ele deveria lhe dar a opção de escolher onde ela queria ir.
—Você escolhe. Só não pode ser lugares muito públicos, por mim e por você.
Ela sorriu e mordeu os lábios com alguma idéia iluminando seus olhos.
—Hmmm. Eu não conheço a cidade. Você poderia mostrá-la para mim.— Deu a opção, um pouco receosa.
Ele puxou-a pela mão e sentou-a em seu colo.
—Mas eu acabei de te falar que não podemos ir a lugares públicos.— Acariciou seu rosto com as costas das mãos.
—O Lyon não pode, mas outro garoto pode.— Ela ergueu uma sobrancelha, deixando para ele completar mentalmente o que ela queria instilar. Ele ponderou se conseguiria desfilar por aí sem que descobrissem quem era, tomando nota que o único jeito era não saindo em seus carros, nem em sua moto.
Uma idéia surgiu, algo que há muito tempo ele já queria fazer.
—Você tem bicicleta?— Perguntou entusiasmado.
—Não...— Respondeu com desânimo. —Também não imagino como sairia de casa com uma.
—E seu amigo?
—Acho que não tem.
—Tudo bem, alugamos uma para você na praça.
—Hmmm, pode ser.
—Amanhã nos encontramos quatro horas no farol. Lá é um lugar neutro e é perto daqui. Dá para eu ir com a bicicleta do Rilley.— Ela assentiu, deu um selinho nele e fez menção de se levantar do seu colo para sair. Ele a segurou, impedindo. —Promete que vai?— Pediu matreiro. Ele se sentia um pouco ansioso em imaginar que ela pudesse lhe dar um bolo.
Ela sorriu. —Ao contrário de um certo Cullen que não cumpre a palavra, eu cumpro a minha. Eu vou estar lá.— Disse mordazmente, reclamando por ele ter pego em seus seios, quando prometeu não fazer.
Ele abraçou-a forte pela cintura e a fez deitar por cima dele de novo, com sua mão em concha por cima do seu sutiã. —Espere eu dormir, gatinha. Deixa leãozinho grudar nas suas mamas até dormir.— Pediu matreiramente, dando uma piscada.
Ela rolou os olhos e fez tsc tsc, com descrença. —Nossa, como você é descarado, Cullen!
—Eu sou homem.— sorriu, abraçando ela forte. Ela sorriu junto e deitou de lado na cama, colocando uma perna e metade do corpo sobre ele.
—Durma rápido porque já são duas da manhã.— Ela acariciou seu cabelo, carinhosamente, penetrando os dedos por toda extensão, enquanto olhava em seu rosto.
Ele ligou o som no controle e ficou olhando para ela, sentindo uma sensação estranha. Ela bocejou ainda deslizando os dedos em seu cabelo e ele acariciou sua sobrancelha com o dedo, fazendo-a fechar os olhos para receber a carícia. Ela realmente era uma gata mimada. Na verdade, uma gata ambígua, quase inexplicável. Inicialmente era arisca, selvagem, depois baixava a guarda e se entregava.
Ele queria simplesmente fechar os olhos e se entregar à calma de ter ela ali em sua cama, acariciando seu cabelo. Suspirou, e, de novo, algo nele gritou alerta, dizendo que aquilo estava intrínseco demais, acolhedor demais. Instantaneamente preocupado, começou a argumentar com o seu cérebro que era só um momento, que não tinha nada de errado nisso. Ela era só uma menina diferente, um pouco misteriosa, um pouco estranha, um pouco a garota errada, um pouco restrita, mas como ultimamente ele estava gostando muito de coisas proibidas, queria embarcar nessa aventura. Nada mais que isso. Ele não tinha com o que se preocupar.
Tentando cortar o clima romântico que pairava no ar, resolveu brincar de novo. —Se tivesse algo para distrair, com certeza dormiria mais rápido. Poderia mamar em você, igual criança.
—Grrrr. Não enche, Cullen.— Ela deu um tapa devagar em seu braço, repreendendo suas brincadeiras. Em resposta, ele sorriu alto e a apertou no abraço, com o corpo já relaxando.
—Mas poderia ser ao contrário, você poderia...— Interrompeu sugestivamente, já de olhos fechados, a cabeça relaxada no travesseiro.
—Cullen.— Sua censura saiu manhosa, e ele sorriu de novo. A respiração dela estava regular, lenta, e a pequena mão agora acariciava seu peito abrindo e fechando, em movimentos cada vez mais lentos.
—Oncinha... Vai de minissaia amanhã... Eu podia fazer tanta coisa gostosa com você.— Sussurrou, com os dedos deslizando em sua nuca.
—Edward.— Ela queria brigar, mas sua voz já era um murmúrio.
Ele ficou olhando para o teto, ouvindo a música e pensando no que ela tinha falado mais cedo sobre sua vida. No fundo, ele sentia que era uma fria andar com ela. O que acontecia entre eles era precipitação e teima do seu lado.
Fechou os olhos e cobriu o rosto com o braço, ainda divagando sobre ela. Era errado se envolver com alguém comprometida e de uma família tradicional, dessas que não deixam a filha nem sair de casa. Mas ele gostou do erro. Iria tirar a sensação de monotonia do seu mundo. Aliás, para um garoto completamente metódico e preso à rotina, seu mundo ultimamente teve muitas mudanças.
Ele abriu os olhos depois de um tempo, olhou para ela e ela estava de olhos fechados.
—Cygne...— Chamou-a, notando que ela estava perdendo os sentidos. Talvez não fosse uma boa idéia ela dormir com ele.
—É bela.— Sussurrou, lânguida.
—Hum?
—Bela.— Soprou.
Ele riu sem sons. Depois ele que era o presunçoso! A menina ficou com ele duas vezes e já queria adotar apelidos carinhosos. Tudo bem que ela era linda, mas adotar apelidos carinhosos já era muito romanticozinho pro seu gosto. Ele preferia chamá-la de gatinha, tigresa, leoa, oncinha. Já que ele era seu leão, ele precisava de uma felina.
Ainda rindo dela, suspirou e estendeu a mão para apagar a luz. Ele a abraçou e fechou seu corpo sobre o dela, decidindo que não tinha nada demais em ela dormir um pouco com ele. Antes da festa lá embaixo terminar, ela acordaria.
Ele ficou quieto por um momento, inspirando o seu cheiro, ainda se debatendo por que gostava tanto daquilo. Todavia, sem querer pensar mais, relaxou, aconchegou sua cabeça no travesseiro e fechou os olhos, se entregando em seguida ao sono.
Horas mais tarde, acordou com algo vibrando embaixo dele. Ele estava completamente abraçado a ela de lado, com a cabeça apoiada em seus seios, o cabelo dela caindo em seu rosto, ela com uma perna enroscada nele, o braço dele enrolando possessivamente sua cintura. Nossa, aquilo estava intimo demais. Mesmo assim não se afastou.
O celular dela vibrou embaixo do braço dele, então, ainda de olhos fechados, moveu a mão, pegou-o e se questionou se a acordaria ou não para atender. Abriu os olhos e uma mensagem piscava na tela. O celular era de ultima geração, ele nunca tinha visto nada igual. Era uma espécie de MP15. Ele afastou um pouco, bocejou e olhou-a minuciosamente. Mesmo com pouca claridade no quarto, ela estava linda, em abandono, como se pertencesse à cama, com seus cabelos esvoaçados, ainda dormindo profundamente.
Ele sorriu consigo mesmo e desistiu de acordá-la, não querendo profanar algo tão angelical. Então, sabendo que estava errado, porém, muito curioso, abriu a mensagem e leu, devagar.
Desculpe atrapalhar o selvagerismo, Bellinha, mas sujou. Não sei quem o chamou, mas o baba-ovo tá na área. Temos que ir. Se ele descobrir você aqui, meu pai me mata. Vou ficar mais uns quinze minutos aqui com ela, depois vou vazar. Saia pela pego no local combinado.
J.H.
Edward não tinha entendido muita coisa, mas pôde notar que ela já tinha que ir. Esse devia ser o amigo que dava cobertura para que ela saísse. Antes de acordá-la, Edward resolveu primeiro fazer algo por si: pegar o número do telefone dela sem que ela soubesse, assim, em uma emergência, ele poderia ligar.
