Capítulo - Presença
Quase onze horas da manhã, Edward acordou relaxado. Após um banho, desceu as escadas e se deparou com a casa de Rilley em verdadeiro caos, com alguns funcionários já tirando o excesso da bagunça. Imediatamente se direcionou à cozinha e começou a preparar seu lanche matinal.
—Bom dia, Edward.— Rilley apareceu na cozinha e o cumprimentou com indiferença. Seu semblante era exausto quando se sentou à mesinha redonda de lanche.
—Bom dia. — Cerrou os olhos estranhando o cumprimento educado do amigo, depois deu de ombros sem levar em conta sua educação incomum. Edward fazia uma vitamina de morangos, de costas para a mesa a qual Rilley sentou, e, enquanto o liquidificador batia os morangos, foi até o armário pegar o suplemento. Podia sentir os olhos do Rilley sobre ele. Seu silêncio era incômodo.
—Você faz o suficiente para mim, por favor.— Rilley pediu e se debruçou sobre a mesa.
Edward rolou os olhos zombando de sua gentileza e aumentou no recipiente as quantidades de morango e de suplemento.
—Vou pegar sua bike para dar uma volta mais tarde.— Edward avisou, tentando cortar o clima tenso.
Rilley deu de ombros. —Ela está no sótão. Fique à vontade.— Informou educadamente.
Edward terminou de bater o suplemento, distribuiu o conteúdo em dois copos e sentou-se à mesa, em frente a ele.
—Obrigado.— Rilley agradeceu sem ao menos erguer o olhar.
Edward cerrou os punhos e levantou da cadeira. —Qual é, Rilley! Eu posso agüentar qualquer tipo de indiferença ou mesmo suas indiretas, mas: por favor e obrigado, não!— Reclamou e foi sentar-se na banqueta de bar em frente ao balcão de mármore, deixando-o sozinho na mesa.
—Só estou sendo o que você é.— O amigo retrucou com um dar de ombros.
Edward suspirou, levou o conteúdo do seu copo à boca e fixou o olhar em Rilley um tempo. Sabia que tentar dialogar, ou mesmo questionar sua atitude, como já fez muitas vezes esses dias, não iria ajudar. E por um instante lembrou-se do que Isy disse: Você tem que ter atitude, não só palavras.
Em outro tempo, por muitas vezes, Rilley tentou ser próximo, e, em oposição, Edward nunca o permitiu entrar em sua vida. Talvez agora fosse uma boa hora para dividir algo e mostrar que não era tão insensível como Rilley imaginava que fosse.
Sentou-se novamente à mesa, olhou para Rilley e respirou fundo, preparando-se psicologicamente para o assunto que levantaria. De súbito falou: Hoje completa nove meses. — Sussurrou, sentindo o frio da nostalgia o percorrer. Não era preciso mais palavras para que Rilley entendesse ao que se referia. Em resposta, Rilley se sentou direito, aparentemente surpreso, e ficou lhe olhando um tempo, desarmado.
—Eu sinto muito.— Disse pesaroso. —Mais tarde vou ver sua mãe. Er... Não vou deixá-la sozinha.
Edward ergueu os ombros em um suspiro longo e enfadado. —Faz isso. Não sei se sou uma boa companhia hoje. Vou fazer algo diferente para matar o tempo e não ficar pensando nisso.— Disse pausadamente. —Vou sair com uma menina.— Expôs naturalmente.
Rilley franziu o cenho, desconfiado, e seguidamente apareceu um pequeno riso no canto do seu lábio.
—Tipo... Um encontro?
—Mais ou menos.— Disse indolente, tentando dissimular a importância do assunto.
—Com aquela menina de ontem?— Especulou.
—Sim.— Edward levantou e serviu mais um pouco de vitamina em seu copo. Rilley encostou-se à geladeira, em sua frente.
—Que rolo é esse com ela? —Questionou, e Edward percebeu rápido a concessão.
Não sabia ao certo o que era essa sua relação com Cygne, no entanto, ainda que não tivesse certeza do que queria com esse envolvimento complicado, sentia momentânea necessidade de comentar o assunto.
—Não é um encontro. —Expôs. — Ela é comprometida. Só vamos andar um pouco de bike, nada demais.
Rilley coçou o queixo, surpreso. —É inacreditável... Eu nunca vi você nesse tipo de passeio com meninas. Também nunca te vi com meninas se não fosse exclusivamente para sexo ou festas.
—Você também não.— Replicou, divertido.
—É, mas eu namorei sério uma vez. Você não.— Rilley sorriu satisfeito. — Bem, a tranca e a chave para a bike estão nela. Se cuida.
Edward subiu para o quarto, tomou banho e escolheu uma roupa no vasto armário que mantinha lá. Um casual jeans e camiseta. Entretanto, adicionou ao traje uma blusa de frio com capuz. Assim passaria despercebido de fãs e paparazzo.
Às três e meia saiu sorrateiramente da casa do Rilley, olhando sempre em volta para conferir se tinha paparazzi à espreita. Para sua sorte não tinha. Parou a bike perto do farol, trancou-a na corrente e caminhou até perto do mar, onde sentou e apreciou a imensidão do azul do mar. Fazia algum tempo que não ia ali. Costumava ir logo que mudou para Liverpool, acompanhado por seu pai. Naquela época ainda tinham tempo um para o outro, todavia nos tempos seguintes o general se envolveu acirradamente nas negociações de paz e em sua maioria de tempo ficava em Londres.
Respirou fundo, nostálgico com a lembrança. No mesmo momento balançou a cabeça e não se permitiu pensar. Ainda que a saudade o abatesse, não se permitiria sofrer. Como fuga, procurou em seu cérebro algo para pensar e direcionou seus pensamentos mais uma vez para a noite passada, para a garota que passou a noite com ele.
Após ler a mensagem e gravar o número dela no seu celular, deitou-se confortavelmente atrás dela e passeou os dedos devagar em sua cintura e costela, com o rosto mergulhado em seus cabelos. Ela resmungou preguiçosa algumas vezes, para minutos depois bocejar e sorrir.
—Eu estou tendo um pesadelo?— Ela murmurou manhosamente, com a cabeça enfiada no travesseiro. Ele rolou os olhos e apertou-a descaradamente no quadril dele.
—Está sim. Já que não é real, que tal fazermos com que este pesadelo vire o sonho que toda menina queria ter comigo?
Ela abriu os olhos e lhe olhou com censura, torcendo os lábios numa careta. —Ai, Cullen, como você é convencido. — Ele sorriu e a virou de frente para si, depois a moveu para cima do seu peito.
—Não sou convencido. Só aceitei a realidade.— Piscou e ela sorriu, acariciando o seu peito. —Gatinha, lamento dizer, mas acho que está na sua hora. A festa deve estar quase acabando.— Informou indisposto a mostrar que tinha lido sua mensagem. O modo mais sutil de fazê-la ir era lhe lembrar as horas, pensou.
Instantaneamente assustada, ela levantou a cabeça. —Quanto tempo eu dormi?— Ofegou, afastou-se do seu abraço e sentou.
—No máximo umas três horas.
Apressadamente, ela levantou, procurou sua blusa e vestiu. Ele continuou deitado, com as mãos atrás da nuca enquanto ela se aprontava. Com um olhar distraído e preocupado, ela ajoelhou na cama, se inclinou e lhe deu um beijo rápido no rosto.
—Até mais.— Despediu-se tensa.
—Até mais tarde.— Puxou-a pela mão, enfatizando o compromisso. Ela assentiu brevemente e deu uns passos com sua bota na mão rumo à porta. — Gatinha...— Ele chamou-a. Ela virou, distraída. —Caso você não queira passar de novo pela festa, tem uma saída exclusiva aqui no quarto. Você já sai na praia.— Informou apontando para a sacada.
Em silêncio, ela se aproximou da varanda e olhou para baixo, analisando a escada. —Ok. Vou descer por aqui.— Avisou, virou para ele, deu um tchau tímido, colocou os pés e mãos na escada e desceu.
De volta ao presente, sentiu uma mudança sutil no solo por trás dele, virou o rosto e se deparou com Cygne, vestida em uma calça jeans, blusa de capuz azul e óculos de sol com lente amarela.
—Oi.— Ela deu um pequeno sorriso, sentou-se ao seu lado na areia e abraçou as próprias pernas.
—Oi. Tudo bem?— Arqueou a sobrancelha. Ele sabia que não eram um casal, mesmo assim esperou por sua iniciativa em lhe dar um beijo. Como ela não o fez, ele não soube como agir. Não sabia se ela estava impondo espaço ou coisa parecida.
—Estou bem.— Ela pôs o queixo sobre o joelho e direcionou o olhar ao agitado mar.
—Quer ficar aqui ou quer passear pela cidade como combinamos?— Ele deu a opção.
Ela permaneceu calada um tempo, antes de responder inexpressiva. —Você quem sabe.
Ele olhou-a por alguns segundos sem entender sua atitude distante quando parecia bem pela manhã. Podia ser que o motivo fosse algum contratempo em sua casa, pensou.
—Aconteceu alguma coisa?
—Onde?— Questionou distraída.
—Na sua casa, com seus pais.
Ela respirou fundo e abaixou o olhar. —Não.
Disposto a não perder tempo e, quem sabe, mudar seu humor, resolveu seguir o que combinaram.
—Então vamos.— Levantou e sacudiu a calça para tirar a areia.
Caminharam até o farol, ele destrancou a bike e a empurrou até a praça, local em que alugariam uma bike para Cygne. Em completo silêncio, ela andou ao seu lado, com os braços cruzados em sua frente. O silêncio estava desconfortável, o que o levou a se perguntar qual o real motivo de ter saído com ela. Ele tinha outra idéia do que seria o passeio. Mentalmente tinha programado algo livre, divertido. Não parecia que o problema dela era com ele, estava claro, mesmo assim, ele se sentia mal em não ser íntimo o suficiente para perguntar.
Ele deixou-a ao lado de fora do bicicletário e entrou na loja. Minutos depois saiu frustrado.
—Não tem bikes para alugar.— Informou desanimado.
—Tudo bem.— Ela torceu o bico e levantou os ombros em um suspiro, apática.
O passeio estava fadado ao fracasso. A garota não dava a mínima para estar ali ou não, e aparentemente seu plano de andar de bike tinha ido por água abaixo. Ele irritou-se profundamente, porque não agüentava ser contrariado.
—Tudo bem o quê?— Exasperou. Se fosse para ter uma companhia robótica era melhor não ter, saco!
—Tudo bem, eu vou embora.— Ela só informou, ainda indiferente, lhe entregou a bike e caminhou indolente pela calçada.
Ele acompanhou-a.
—Droga, Cygne, pra que você veio!— Inquiriu, aborrecido, acompanhando seus passos.
—Por que eu disse que vinha.— Respondeu sem alterar o tom e sem olhar para ele.
—Só por isso você veio?
—Só.— Disse convicta.
Edward esfregou os cabelos impaciente, odiando o fato de nada ter saído como planejou. Pior ainda quando não era só questão externa como, no caso, a falta das bicicletas. Nunca conviveu tempo suficiente com mulheres para ter que lidar com o mau humor de uma, conseqüentemente não sabia como agir. Era frustrante o fato de a garota ser indiferente em sair ou não com ele.
Indignado, respirou fundo e parou de andar.
—Certeza?— Perguntou. Ela pôs as mãos no bolso da blusa e também parou, finalmente olhando em seu rosto. —Olha, Cygne, paciência tem limite.— Avisou, um pouco frenético. —É a primeira vez que seu faço isso: passear com uma menina. Eu ainda fico me questionando o porquê. Planejamos uma coisa e não deu certo, e eu sou o primeiro a ficar insatisfeito com isso, porém, você devia cooperar e sugerir algo para fazer, não jogar um balde de água fria.
—Mas o que poderíamos fazer?— Ela murmurou.
Ele apertou os dedos na fronte, fechou os olhos e procurou algo na mente que pudessem fazer sem que precisassem os dois de bike. Olhou para o banco e teve uma idéia, a seguir montou na bicicleta.
—Senta aqui.— Apontou, decidido, para o quadro da bike.
—O quê?— Ela franziu o cenho sem entender.
—Senta aqui.— Passou a mão no cano. Em resposta, ela balançou a cabeça com descrença. Sem perda de tempo, ele puxou-a pela blusa de frio e a fez sentar, movimento que quase os derrubou. Logo após, apoiou o pés firmemente no chão, levou a mão até sua nuca e trouxe o ouvido dela até sua boca. —Você tem sorte que eu estou te colocando para sentar no cano.— Mordiscou sua orelha, quebrando o gelo. —Mais tarde você vai sentar em mim. — Brincou disposto a provocá-la.
Ela sorriu um pouco. —Vai esperando, Cullen.
Ok, sua garota estava de volta. Sorriu e pedalou pela ciclovia. Ele nunca tinha carregado alguém no quadro de alguma bicicleta. Era meio desconfortável, admitia, mas ainda assim gostou da sensação. O sol estava tímido no céu, outros casais passavam por eles, e ele gostava da experiência e sensação de normalidade. Talvez arrumar uma namorada não fosse uma idéia fora de cogitação como sempre pensou.
Nem passava pela sua cabeça que pessoas normais faziam esse tipo de coisa nos fins de semana quando ele estava trancado em um quarto vendo jogos. A imagem de namorados que tinha era somente da Rose e do James, que viviam brigando. Dizia para si que não queria se enrolar com ninguém para não perder a liberdade, no entanto, a sensação de liberdade ao passear com ela era enorme.
A brisa batia brandamente em seu rosto, junto com alguns fios soltos de cabelos dela. O perfume suave invadia seu sistema quando ele inclinava o nariz ao seu pescoço, e, francamente, ele gostava. Muito mais por saber que depois dessa experiência não haveria cobranças entre eles.
—Deu tudo certo quando você voltou para sua casa?— Ele introduziu um assunto logo que chegaram à Cavern Beatles, o pub onde se localizava o museu dos Beatles.
—Sim.— Ela não mostrou intenção em estender o assunto e desceu. Ele encontrou o local para prender a bike, inclinou e trancou a roda. Cygne ficou próxima, se alongando.
—Tudo bem aí? Vai uma massagem?— Deu um tapinha brincalhão em seu bumbum.
Ela torceu os lábios contrariada. —Ai, Cullen.
—Ele tinha que servir para alguma coisa, né, já que não serve para eu morder.— Sorriu e levantou, indo em seguida para entrada do bar.
Ele se perguntou se deveria dar ou não a mão para ela, como outros casais presentes. Decidiu ser melhor não quando a viu colocar as mãos no bolso, provavelmente sem dar a mínima para o tipo de questionamento que ele se debatia. Talvez para ela isso fosse íntimo e ela não quisesse esse tipo de envolvimento. Bem, ele também não queria.
Dentro do pub, ela andou ao seu lado em todo o tempo com a cabeça baixa, sempre se esquivando. Ele ajustou o capuz, também tentando passar despercebido e não foram para o local comum. Pegou somente algumas latinhas de suco na máquina e seguiram para o subsolo, parte reservada ao museu.
—Aqui você pode tirar os óculos.— Falou e tirou os óculos. Ela tirou os dela, mas permaneceu de cabeça baixa. —Relaxa. Eu tenho mais motivos que você para ficar tenso e não estou. Vem. Vou ser o guia turístico.— Avisou e apontou para um pequeno palco. —Esse aqui foi o local em que os Beatles foram descobertos.— Subiu no palco e lá tinha alguns instrumentos antigos expostos. Sentou e colocou o violão em suas pernas.
—Você ainda toca?— Ela perguntou animada. Ele ficou surpreso com a naturalidade com que ela perguntou isso, mas concluiu que provavelmente ela tivesse lido a informação em alguma revista.
—Sim. Mas faz tempo que não pratico. Estou meio sem tempo.— Fez algumas notas, ela puxou uma cadeira e se sentou em sua frente.
Ela tinha melhorado o humor, ele notou, mas seus olhos ainda tinham um brilho triste.
—Canta alguma coisa.— Ela pediu.
—Hmmm, não sei...— Fez charme, sorrindo torto, olhou para ela, e ela lhe olhava em expectativa. —Ok, vou encarnar John Lennon agora.— Bagunçou um pouco seu cabelo e puxou para frente. Ela sorriu com olhar doce. Ele queria que ela voltasse a sorrir como na noite anterior. Fez uma introdução e iniciou. —Hey, Jude, não fique assim, sabe a vida ainda é bela. Esqueça tudo que aconteceu, amanhã será um novo dia...— Cantou sussurrado, sorrindo. Ela sorriu um tempo, mas minutos depois, surpreendentemente, ela abaixou o olhar, desviando dos seus olhos. Ele continuou: —...Muita coisa vai fazer você mudar, não tem mais razão de ser essa tristeza.— Franziu o cenho quando percebeu que tinha um brilho em sua bochecha. Parou de tocar, estendeu a mão e levantou o seu queixo, fazendo-a olhar para ele.
—O que foi agora?
—Continua.— Ela pediu, forçando um sorriso triste. —Por favor... Minha mãe cantava essa música para mim.
Ele ficou meio desconcertado ao vê-la chorar, coisa que não era acostumado, nem imaginou um dia presenciar. Ela percebeu a sua hesitação e respirou fundo, em seguida limpou os olhos, sorriu maior, mostrando que estava bem, e fez sinal com a mão para que ele continuasse.
Ele continuou: —Se alguém te faz sofrer pra quê lembrar, mas vale tentar viver de esperança.— Sorriu para ela, sentindo a música, fechou os olhos e aumentou um tom. —Hey Jude, olha pra mim, veja o dia como está lindo... se o mundo agora te faz sofrer, tudo vai passar você vai ver. Na, na, na, na...
Quando abriu os olhos, viu em seu rosto pela primeira vez no dia um sorriso verdadeiro. Ao fim, ele ficou até satisfeito com a sua perfomance. Era bom saber que a tinha feito sorrir genuinamente. Ela levantou de sua cadeira, se inclinou e beijou seu rosto. —Obrigada por isso.
Satisfeito por ela estar melhor, enfiou os dedos em sua nuca e impedi-a de se afastar.
—Mais tarde você agradece do jeito que eu quero.— Deu uma piscada descarada. —Você também vai cantar no microfone.— Sussurrou, deu um selinho em sua boca e a soltou. Ela balançou a cabeça com horror fingido, torceu os lábios em um riso e caminhou até o local onde ficavam os quadros antigos dos Beatles, fotos de celebridades, discos de ouro e troféus. Ele colocou o violão no pedestal e caminhou até ela. —Você gosta desse estilo de música?— Perguntou e parou ao seu lado.
—Sim. Minha mãe ouvia muito. Ela me ensinou a gostar.
Ele notou um pouco de nostalgia em sua voz ao referir-se à mãe. —Ouvia?— Repetiu curioso.
—Sim.— Respondeu entretida, enquanto olhava alguns encartes de discos antigos. Minutos depois ela se direcionou a uma vitrola musical.
—Ela não ouve mais?
—Não.— Ela programou a máquina e a música Hey Jude começou a tocar novamente.
—Ela não gosta mais de ouvir?— Insistiu, um pouco confuso.
Ela lhe olhou séria, em seguida suspirou. —Ela não pode mais.— Disse e se virou de costas.
Pelo modo como ela respondeu, ele imaginou ser um assunto delicado.
—Ela está doente? — cruzou os braços e encostou-se ao lado dela.
—Não, Cullen... Está morta.— Disse amarga e levantou os olhos, olhando-o sombriamente. —Hoje faz nove meses.— Adicionou.
A coincidência causou comoção nele, ao ponto de não saber mais o que comentar. Ela abaixou o olhar e a música se seguiu.
—Eu sinto muito.— Ele lamentou, optando por não dar ênfase ao assunto.
Morte era um tema que particularmente não gostava de deliberar. Talvez em outro momento desfiassem o fato, obviamente não agora. Disposto a confortá-la, deu um passo em direção a ela e a abraçou, apertando-a ao seu peito. —Você e seus irmãos devem sentir muita falta. Não imagino minha casa sem o equilíbrio que minha mãe trás.
—Não tenho irmãos.— Sussurrou introspectiva.
Sem planejar, ele tinha descoberto mais sobre ela, algo que aparentemente ela nem tinha intenção de falar. Instantaneamente lembrou do que tinham conversado à noite, e o fato de descobrir agora que ela não tinha mãe o deixou confuso.
—Eu não entendo, ontem você disse que seus pais tinham planos para você.— Comentou reflexivo. Ela se afastou do seu abraço e se direcionou ao estoque de discos, olhando fixamente a prateleira. Ele deu uns passos até ela e colocou as mãos em sua cintura, pousando o nariz em seu pescoço.
—Eu não te disse nada disso.— Ela negou. —Você supôs.
—Sim. Mas você não contradisse.
—Vamos a outro lugar?— Evadiu-se do assunto, afastou-se sutilmente e pôs as mãos nos bolsos da blusa.
—Os outros pontos turísticos da cidade estão fechados por ser domingo.— Ele explicou desgostoso e caminhou ao lado dela enquanto subiam as escadas.
—Tudo bem. Então podemos ir embora.— Ela deu de ombros, distante novamente.
Ele olhou no relógio e ainda eram cinco e quinze. Deveria deixá-la ir, pensou. Decididamente sair não tinha sido uma boa idéia. Ao alcançar o térreo, ela se virou para ele, já com o celular na mão e apertou algum número. Ele teve a impressão de que ela iria se despedir.
—Então, foi legal o passeio...
—Dá um tempo, Cygne.— Interrompeu e enlaçou, forçadamente, sua cintura quando já estavam na calçada em frente ao pub. —Por que está tão esquiva hoje?— Murmurou brandamente e levou os dedos a sua nuca.
—Porque sou assim.— Sussurrou triste, com os olhos desviados dos seus. No mesmo instante, ele levantou seu rosto e a fez olhar para ele, ainda esperando uma resposta plausível. Ela levantou a mão e acariciou pesarosamente seu rosto com as pontas dos dedos. —Sabe, Cullen, é exatamente em um dia como hoje que lembro porque tenho que ficar longe de você.
Ele deu uma olhada em volta desentendido e viu outros casais andando nas ruas, de mãos dadas.
—Pelo fato de ser domingo, e domingo ser um dia de pessoas comprometidas estarem com seus pares?— Supôs.
—Não. Não é isso.
Ele tinha a impressão de ter um corpo sem vida nos braços, faltava pouco para desistir de tentar.
—Cygne, é o seguinte, tem como, por favor, você parar de estragar o meu dia? Se você tem motivos de não estar legal, saiba que eu também tenho. No entanto, não estou transformando minhas frustrações em indiferença com você.— Segurou seu rosto nas mãos. —Hoje, coincidentemente, faz nove meses que perdi seu pai, e estou aqui exatamente tentando não pensar nisso, tentando não voltar para casa e ver minha mãe sofrendo, meu irmão apontando mais um culpado. Resolvi sair porque estava cansado de me trancar em meu mundo. E a única pessoa que achei seguro fazer isso sem risco de envolvimento foi com você. Todavia você está me fazendo arrepender seriamente disso.
Ela lhe olhou por minutos, pensativa, então inclinou o rosto e o pousou sob o seu queixo.
—Desculpe. Eu juro que não queria isso. Eu queria que tudo fosse diferente.— Murmurou melancólica.
Ele se debatia com o porquê de não acabar logo com isso, em por que não a deixava ir de uma vez. Seu limite de paciência já tinha se ultrapassado e muito. Pensou que teria um domingo longe de problemas e o que teve foi uma tarde estressante, cheia de altos e baixos. Não pensou que seria tão complicado.
—Olha só, Cygne, eu sei que você também gosta de ficar comigo, porém, eu não vou insistir mais. Você pode me mandar sair do seu pé, me chamar de metido, pode rir de mim, mas ser essa mosca morta não. Eu não agüento isso. Decida agora: se você quiser continuar o passeio, você tem que estar comigo, tem que esquecer o mundo lá fora. Mas se quiser voltar para o seu mundo, tudo bem.
Ela abaixou o olhar e passou algum tempo calada. Insistente, ele suspirou, apertou os dedos em sua nuca, e sem aviso, segurou firmemente sua cintura e cobriu sua boca com a dele, persuadindo-a com a ponta da língua. Inicialmente ela retesou surpresa, segundos depois abriu rendida os lábios e levou a língua para a boca, correspondendo afavelmente ao beijo.
A reação já familiar a ela rapidamente o invadiu, pulsação, eletricidade e conseqüentemente excitação, com um leão incorporando faminto entre suas pernas. Uma das suas mãos escorregou em seu pescoço, mantendo-a domada, enquanto a outra apertava firmemente sua cintura, aproximando mais ao seu corpo. Os lábios dela eram doces, macios, e moviam-se lentamente nos seus, com intimidade. A sensação de aprazer inchou em seu peito, fazendo sua pulsação correr, enchendo-o de satisfação.
Ele precisava tirar a sensação de distância que pairava sobre eles, e o modo eficaz era com seus lábios colados. Com a língua explorando avidamente cada centímetro da boca úmida, passeou os dedos em seus cabelos macios, brandamente, sem descolar os lábios.
Ela arfou, buscando ar e se afastou um pouco, recebendo beijos no canto de seus lábios.
Satisfeito com suas respostas, abraçou-a ao seu peito. —Melhor, gatinha?— Sorriu presunçoso ao vê-la sorrindo, de olhos fechados. Ela respirou fundo e assentiu. Ele pegou seu rosto entre as mãos e distribuiu beijos em sua bochecha. —Seu erro foi confessar que adora meus beijos. Agora sei como te persuadir.— Beijou-a mais uma vez, calmamente. —Agora tem como, por favor, você voltar a ser a menina que sorriu para mim hoje pela madrugada?
—Sim.— Assentiu sorridente.
—Vamos.— Pegou a mão dela e a puxou em direção ao lugar onde a bike estava trancada. Enquanto caminhava, teve a impressão que ela quis desprender-se de sua mão. Entretanto a segurou firme, questionando-se por que não tinha pegado em sua mão há mais tempo. Tolice sua ter se prendido a esse detalhe, quando o que era pegar na mão quando tinha livre acesso aos seus lábios?
—Mas você não disse que os pontos turísticos estariam fechados?— Ela perguntou confusa. Ele destrancou a bike e sentou, com seus pés apoiados no chão.
—Sim, mas vamos entrar mesmo assim.— Pegou em sua cintura e a aproximou mais dele. Ela enlaçou preguiçosamente os braços em seu pescoço.—Senta aqui.— Sussurrou em seu ouvido, mordiscando sua orelha.
—É muito duro.— Ela murmurou e ofereceu o pescoço, sorrindo de canto.
Ele observou-a desconfiado se o comentário tinha segundas intenções ou se foi inocente. Ela não mudou a expressão, parecendo alheia aos seus pensamentos pervertidos.
Ele resolveu brincar. —Prometo ir devagarzinho. Vou ser gentil.— Passou sinuosamente a ponta da língua por seu pescoço.
—Incomoda mesmo assim.
Ugh, a essa altura já tinha ficado duro novamente, leãozinho estava em posição de alerta. É lógico que ela estava sendo insinuante. Ela podia ser inexperiente, mas não inocente.
—Vai valer à pena. Depois melhora.— Sorriu em sua orelha, mordendo o lóbulo.
Ela virou o rosto, beijou seus lábios levemente, em seguida se afastou. —Tudo bem. Então eu sento.— Piscou e sentou de lado no quadro. Ele sorriu e, sem perda de tempo, pedalou pela ciclovia, vez ou outra se inclinando e beijando-a no pescoço.
—Edward, por que você nunca teve uma namorada?— Ela perguntou sem rodeios.
—Por que nunca quis. O exemplo de casal próximo que tive não foi muito bom, então resolvi ser livre, curtir a vida. —Atravessaram o parque Walton Hall, porém estava cheio. Não era o que ele queria.
—Mas você nunca amou?
—Não só amei como amo.— Disse sério. —Amo minha mãe, meu carro e futebol.
—Seu bobo.— Sorriram cheios de intimidade. —Você sabe o que eu quis dizer. Você já amou uma mulher?
—Sim. Todas. Sem exceção. Meu coração é imenso.— Inclinou o rosto e deu um beijo em sua bochecha.
Ela olhou para ele e fez uma careta de reprovação. Ele sorriu mais. —Tá, você quer saber se já fui apaixonado por alguém?— Ela ficou calada. Ele virou na esquina que daria para o museu. —Não. Nunca me apaixonei. —Esclareceu. Ela encerrou as perguntas.
—Olha, Cygne, se alguém conseguir tirar fotos nossas e isso for parar nos tablóides, pelo amor de Deus, assuma que era um seqüestro!— Sorriu e inclinou novamente para beijar seu pescoço, adorando aquela sensação de livre acesso.
Ela sorriu ética. —Rá! E eu que estaria te seqüestrando?
—Isso mesmo. Vou dizer que estava drogado e que você que me obrigou a te levar aqui. Nunca ninguém acreditaria que o Lyon iria andar de bike com uma mina desse jeito em pleno domingo à tarde.— Sorriu e só então notou que não era o único nas ruas com uma garota sentada no quadro.
—Pensei que você hoje seria o Edward Cullen, não o Lyon.— Ela ralhou, fingindo severidade.
—Eu sou somente Edward, e você agora vai ser minha namorada francesa.— Informou logo que chegaram ao museu. Ela lhe olhou desentendida. Ele decidiu que explicaria depois.
Após prender a bike, ele colocou a mão no bolso e tirou a carteira. Colocou a mão livre na cintura dela e caminhou até a janela. Tinham dois seguranças dentro de uma janelinha. Ela lhe olhava ainda sem entender o que ele faria, até que pararam em frente à janela e Edward falou com o segurança.
—Boa tarde. Eu estou com um probleminha, o senhor podia me ajudar?— Pegou um bolo de notas de cem na carteira e colocou visivelmente em sua mão. —Meu nome é Edward, e minha namorada veio da França conhecer a cidade, porém todos os locais que ela desejava conhecer estão fechados.
O segurança olhou sutilmente para o dinheiro, então torceu os lábios com uma careta de desagrado. Edward se questionou se ele não gostou da quantia. Inesperadamente o segurança arregalou os olhos.
—Edward...? Você quer dizer: Lyon!— Ofegou, em seguida deu um sorriso largo de reconhecimento. Edward sorriu sem jeito. Seu disfarce caiu.
—Sim. Sou .— Já era fim de tarde, então não fazia mais sentido permanecer de óculos. Tirou-os.
—Eu não sabia que estava namorando... Minha filha não disse nada sobre isso.— Ele olhou atentamente para Cygne, que abaixou o olhar. —Vamos, entre.— Animado, ele apertou um botão e a porta se abriu. —Minha filha não vai acreditar que você esteve aqui. Você pode tirar uma foto comigo?
Aproximou-se e entregou um celular para o outro segurança, encostando-se logo após entre Edward e Cygne. Ela disfarçadamente se afastou. O segurança não percebeu sua atitude, mas Edward sim.
—Podem ficar à vontade. Meu turno só termina às oito.— Avisou e sorriu maliciosamente.
Disposto a não perder tempo, Edward pegou na mão da Cygne e caminharam pelo salão rumo às exposições maiores.
—Por que me trouxe aqui?— Ela perguntou e olhou em volta para a grande quantidade de armas de guerra expostas.
—Por quê?— Buscou a resposta no seu subconsciente. —Por que hoje você dividiu comigo algo que sua mãe gostava, agora vou dividir algo do meu pai com você.— Apontou para umas metralhadoras nas paredes. —Meu pai adorava museus bélicos. Qualquer cidade que visitávamos ele ia primeiro nesses tipos de museus.— Disse pausadamente, e essa era a primeira vez que não se sentia doer com a lembrança. Repentinamente, ela mudou o semblante e abaixou o olhar. —Hei, o que foi?— Pegou em sua cintura e encostou-a nele, segurando o seu queixo.
Ela levantou os braços e os enlaçou seu pescoço. —Eu sinto muito por ele.— Disse com pesar. —Me fala sobre ele.— Pediu gentilmente.
Ele suspirou e beijou seu rosto. —Hum, o que posso dizer... Bom, ele tinha uma verdadeira paixão por armas de fogo.— Pegou sua mão e caminharam rumo a umas metralhadoras soltas. —Ele era severo, exigente, mas era bom.
Ela lhe olhava atentamente, enquanto ouvia. Ele pegou uma submetralhadora exposta e colocou na mão dela.
—Pra que você me deu isso?— Arqueou a sobrancelha.
—Vou te dar uma aula sobre armas.— Disse e encostou-se ao seu lado. —Isto é uma submetralhadora. Aponte para algum lugar para visualizar como os soldados se sentiam com ela.— Pediu, com uma mão enlaçou sua cintura e com a outra a ajudou a segurar, fazendo-a ajustar a arma ao seu antebraço. —Por que não tira isso?— Tocou em seus óculos —Você não precisa ficar com esse óculos e esse capuz aqui.— Inclinou e afastou seu capuz na orelha, beijando depois o seu lóbulo.
Ela sorriu. —Quem garante que essas câmeras não estão ligadas?— Apontou para uma câmera.
—Acho que não estão. Hoje não está aberto ao público.— Disse enquanto deslizava a língua atrás de sua orelha. Ela suspirou e deitou a cabeça receptiva.
—Você vai falar sobre a arma ou vai esfregá-la em mim?— Murmurou brincalhona.
Por um instante, pensou que ela se referisse ao fato de estar duro, encostado nas suas costas, mas então percebeu que a submetralhadora estava encostada ao seu abdômen, apoiada por sua mão. Suspirou frustrado por ela não lhe notar e ergueu a arma novamente.
—Ok, essa é a Sten, foi a arma usada na Segunda Guerra Mundial pelos britânicos. Uma arma barata na época, mas de muita serventia. Seu alcance é de 46 metros, ela pesa 3 kg e carrega 32 munições. — Colocou sua mão sobre a dela. —Dá para imaginar o que ela tinha de contra?— Inclinou, deitou sua cabeça em seu ombro e levou a boca à parte descoberta do seu pescoço, na frente.
—Não.—Os soldados tinham que chegar perto demais para atingir o alvo.— Mordeu o seu pescoço. —Imagine o que é essa distância de alcance em uma guerra. É muito perto. Perto demais...— Mordeu de novo e tirou a arma de sua mão, colocando-a na mesa, sem tirar os lábios de seu pescoço. —Eles corriam o risco de ser atingido. Ah não ser que se pegassem o inimigo despercebido.— Explicou, ela sorriu baixinho, absorta, e ele continuou mordiscando até sua orelha.
Droga, ele iria passar a tarde todinha duro mesmo? Leãozinho não deu sossego hoje. Bastava encostar um pouquinho nela, ele já queria atacar.
—E as armas maiores e mais potentes, você entende delas?— Murmurou e virou o rosto, procurando seus lábios, beijando-o suavemente. Ela falou mesmo aquilo? Tipo, ela falou mesmo sobre armas maiores e potentes?
Afastou do beijo e resolveu ir rumo aos canhões. Iria continuar o turismo para se distrair um pouquinho. Quem sabe assim ele acalmava. —Vem aqui.— Puxou-a pela mão, empolgado, para frente de um canhão antigo. —Vou te dar uma aula de como se faz uma explosão.
—Quem não sabe como fazer isso?— Ela brincou, sorrindo. Ele se inclinou, e ela lhe deu um selinho. —É só encostar pólvora no fogo.— Disse sedutoramente em seus lábios.
—Só isso, né?— Ironizou e abriu seus lábios no queixo dela, mordiscando. —Eu fazendo Engenharia Nuclear para fazer explosões, e você, leiga, deu uma solução rápida!— Gracejou e apertou-a pela cintura. —Tão fácil, né, fogo e pólvora, como eu e você.
—Quem é o fogo?— Ela perguntou sugestivamente.
—Eu sou a pólvora.— Adiantou —Você não pode encostar-se a mim que fico explosivo.
Ela sorriu e o encarou, atraindo-o para seus olhos como se o sugasse. Ele segurou sua nuca, não resistiu e a beijou novamente. Ela soltou do beijo sorridente e se afastou, indo seguidamente para frente de um tanque de guerra antigo. —Pode entrar lá dentro?— Perguntou com a animação de criança fascinada com um brinquedo.
—Pode.— Respondeu e subiu pela lateral. Estendeu a mão para ela, e ela subiu logo atrás dele. Pulou dentro e a ajudou a descer, segurando sua cintura. Quando ela entrou, seguiu encantada para o visor de alvo e brincou de girá-lo. Ele cruzou os braços no peito e ficou olhando-a. Após um tempo, ela andou até a frente e sentou-se no banco do piloto.
—Interessante mulher gostar desse tipo de coisa.— Comentou sorrindo, caminhou até ela e sentou-se ao seu lado.
—Talvez tenhamos muitas coisas em comum.— Ela sugeriu. Ele permaneceu olhando-a, enquanto ela, entretida, analisava detalhes do painel.
—Você já tinha ido a um museu assim antes?— Pegou sua mão e trouxe-a para sentar de lado em seu colo.
—Já. Em um. Mas não tinha entrado em tanques de guerra.— Ela enfiou os dedos em seus cabelos ternamente. —Edward... Eu adorei ter vindo aqui. Adorei ter saído com você. Obrigada.
—Não há de quê. Foi bom para mim também. Eu me senti normal.— Abaixou o capuz dela e espalhou seus cabelos, deixando-os cair sobre os ombros.
—Você é legal, Cullen. Eu tinha uma imagem diferente de você.— Sorriu meio encabulada.
Ele enfiou os dedos em seus cabelos e enrolou-os em seus dedos. —Eu sei que sou, mas não se apaixone por mim.— Brincou presunçoso.
—Nunca. Pode ter certeza que não.— Riu irônica. —Você não faz o meu tipo.— Fez um biquinho, brincalhona.
Sorrindo, ele colocou seu rosto entre as mãos e ficou olhando-a impotentemente fascinado. Ela seduzia-o com o olhar, chamando-o. Cada cantinho do seu rosto era convidativo. Linda de uma maneira única.
—Vai beijar ou vai ficar só olhando?— Ela mordeu os lábios, dissimulando um sorriso cínico. Sem perda de tempo, trouxe-a para seus lábios e invadiu sua boca com a língua. Ela recebeu afavelmente, acariciando-a com a sua. Ele ajustou-a sentada de frente sem soltar seus lábios. Instintivamente suas mãos entraram em sua blusa, deslizando os dedos nas costas, e, para sua surpresa, ela estava sem sutiã.
Estremeceu e direcionou lentamente a mão para seu abdômen, testando sua receptividade à caricia. Ela ofegou e ergueu o tronco, o autorizando a tocá-la. O beijo ficou mais faminto quando suas mãos deliberadamente trilharam o caminho do seio. Ela deu um gemido sôfrego ao tê-los friccionados nos seus dedos, o que soou como música para o leão entre suas pernas.
Ele soltou-se de seus lábios e desceu com a boca para sua garganta.
—Isso aqui significa que tenho livre acesso a esta parte do seu corpo?— Pôs a mão em concha no seu seio, deliciando-se com a sensação de familiaridade, depois desceu o zíper de sua blusa de frio e a deslizou pelos seus ombros, olhando em todo o tempo para ela. —Sabe que estou me questionando em como aprecio mais a sua companhia... Se é você me regulando como ontem ou se é brincando com fogo como está agora.
Ela sorriu maligna e mordiscou sua mandíbula, devagar. —Eu já tenho certeza que gosto de você de qualquer jeito...— Sorriu e voltou aos seus lábios, passeando os dedos em seus cabelos.
Algo que ela disse chamou sua atenção. Gosta dele de qualquer jeito? Era a segunda ou terceira vez que ela deixava escapar que gostava dele.
Enquanto a boca feminina dominava o beijo, ele se debatia sobre ser certo ou errado estar se envolvendo assim, ao ponto de gostar de estar um com o outro. Sim, porque ele não podia negar que também gostava... Gostava, e muito, de sua companhia.
Sem querer desfiar o assunto, jogou os pensamentos para trás, não resistiu e resolveu se deixar aproveitar o momento. Ela devia gostar de estar com ele assim como ele gostava de estar com ela —momentaneamente —, essa parecia ser a resposta.
Excitado, levantou a barra de sua blusa de lã e passou por sua cabeça, deixando-a somente de calça jeans. Ela lhe olhou quente, arfante, seu peito subindo e descendo várias vezes. Ele passou as costas das mãos em seu seio, e, aos seus olhos, eles eram cheios, redondos e carentes de sua boca. Como ele definitivamente era uma pessoa caridosa, se inclinou, levando sua boca e mãos até eles, e ela gemeu um som torturante de desejo.
—Você sabe que sempre vou querer mais, sim?— Seus lábios insistiram, com beijos lentos e delicados, provocando-a.
Em resposta, ela jogou a cabeça para trás, com os olhos fechados de prazer. Ele sugou forte, e ela ofegou, no mesmo instante que ele a friccionou nele, movendo-a. Ela despertava uma resposta esmagadora em seu corpo, de modo que o fazia latejar. Céus, ele gostava demais daquilo! Mais do que era permitido. Ele poderia passar horas sugando os seus seios, ou talvez dias que nunca seria suficiente. E o conhecimento de que ela também gostava, com suas respostas ansiosas, era entusiasmante. Seus seios eram perfeitos em sua boca, ela era deliciosa, o gosto era do mais puro deleite e os sons que ela fazia eram viciantes, uma perdição.
Ela não retesou um segundo, sinal que estava bem com tudo. Ele não conseguia mais suportar nenhuma barreira. Logo, determinado, abriu o zíper da calça dela, e, sem esperar sua aprovação ou não, entrou com os dedos em sua calcinha, encontrando sua região íntima.
—Não...— Ela ofegou e estremeceu, lamuriando baixinho quando a mão grande encontrou a umidade de sua carne. O vértice suave e macio encheu os sentidos de Edward, nublando a sua mente. —Não, por favor... — Ela tragou ar, arfando muito, tentando esquivar dos dedos que a exploravam. Entretanto, a pequena mão estava dentro da blusa dele, apalpando seu abdômen. A boca macia estava em vários lugares, ora no pescoço dele, ora na orelha... Essa contradição dizia que sua negativa era um blefe.
A inexperiência o fez massagear devagar e saborear os sons de redenção vindo dela. Céus, ele nunca tinha feito aquilo. É lógico que teve milhares de mulheres, mas não daquele jeito. Quase sempre tudo era muito básico. Em pouco tempo já estava dentro delas. Nunca teve que se preocupar com caminhos aleatórios de satisfação para elas, pois nunca houve restrição quanto aos seus corpos. Era tão novo estar cautelosamente dedilhando, explorando seus segredos. Ele se sentia um adolescente inseguro fazendo descobertas, com medo de a qualquer momento ela desistir.
—Ugh, como está molhada... — Resfolegou e moveu os dedos na proeminência tensa, ficando frustrado a cada segundo com a posição extremamente desconfortável, ainda assim, introduziu um dedo nela, testando sua reação.
—Ah... não...— Ela choramingou.
—Calma, gatinha.— Sussurrou com o controle a um fio, mas manteve toda atenção no seu trabalho.
Ele estava resolvido em derrubar seus muros e fazê-la aceitar facilmente que era isso que seu corpo e mente queriam, embora sua boca negasse. Queria ir devagar, mas perdia o combate aos poucos. Esta era uma nova espécie de tormento, estar com o dedo dentro dela quando Ele queria estar lá.
—Por que você não veio de saia como eu pedi? Murmurou, movendo sua língua freneticamente no bico preso nos dentes, cada mão trabalhando em uma parte do seu corpo, uma em seu centro e a outra apertando o seio livre, enquanto a excitação intensa o deixava sem fôlego. Ele devia estar louco em maltratar leãozinho desse jeito, ele estava extremamente irritado, se revirando, sem espaço, ansioso por se afundar nela.
Ela puxou seus cabelos, apertando sua cabeça em seu seio.
—Como... iria... andar... de... bicicleta... de... saia?— Ela resfolegou e sorriu cheia de desejo, ao tempo que passeava a língua na orelha dele. Ele gemeu, compreendendo. Sim, ela estava dizendo que teria vindo de saia para facilitar, caso não fossem andar de bicicleta.
Não tinha como conter a sensação de domínio que nascia nele. Ele estava absolutamente satisfeito em conquistá-la, em derrubar gradativamente suas barreiras. Começou a mover os dedos mais rápido — com determinação e certas manobras acrobáticas —, cuidadosamente para dentro e fora dela, desejando vê-la cair e se entregar em orgasmo sobre ele, provavelmente seu primeiro, o que o deixaria putamente presumido.
Ela começou a se mover sutilmente, quase que imperceptível sobre sua mão, sinuosamente, deixando-o completamente sem pensamentos, e sons guturais saíam da garganta dele ao sentir as contrações da carne molhada e quente. A sensação era fora do comum. Ele fechava os olhos e tudo que sentia era cores e correntes elétricas o puxando, atraindo-o.
Já em transe, quase em descontrole, olhou em volta calculando todos os ângulos para jogá-la no chão e, frustrado, notou que era apertado demais, o chão era áspero e cheio de ranhuras. A essa altura já estremecia de excitação, e quando o seu quadril começou instintivamente a mover-se contra ela, ela gemia de prazer em sua mão e arqueava contra ele.
Seu insistente membro pulsava tão duro que a sua necessidade de liberação tornou-se agonia.
Ele continuou a trilha de beijos e mordidelas no seio, parando vez ou outra para pressionar os dentes na carne sensível, ainda esperando o seu orgasmo que até então não tinha acontecido. Por algum motivo ela ainda estava presa, mas Deus sabe que ele não podia simplesmente parar. Ele queria mais, e já abria seu zíper para se liberar.
Em segundos iria colocá-la de quatro no banco e substituir seu dedo dentro dela.
—LYON...— O som do seu nome junto com a batida fora do tanque, de alguma forma penetrou a névoa de desejo do seu cérebro. Ela se assustou, indo rapidamente para o banco ao lado. —São sete e quarenta e cinco. Daqui a pouco troco o turno e você precisa ir.— Era a voz do segurança.
—Ok. Obrigado.— Agradeceu, olhando para ela, que se cobria como um filhote de gato assustado. Ainda ofegante, sorriu, estendeu a mão, e ela veio, sentando-se novamente em seu colo.
Lentamente, ele pegou a blusa dela e vestiu-a, dando antes umas últimas mordiscadas em seus seios. Sorriram cúmplice. E logo que a blusa esteve no lugar, ela apertou sua cabeça carinhosamente junto ao colo.
—Vamos para a casa do Rilley? — Edward convidou-a. — Você entra pela entrada exclusiva do meu quarto.— Abraçou-a na cintura.
Ela ficou calada enquanto ele vestia nela a blusa de frio solicitamente.
—Melhor não.— Negou com uma torcida de lábio.
—Ok. Levanta um pouquinho... Não dá para sair daqui assim.— Apontou com o olhar para sua calça. Ele iria sair daquele tanque com uma denúncia óbvia de frustração sexual: ofegante, duro, com lábios inchados, cabelo bagunçado e olhar vidrado de leão em caça expressando luxúria... Estava definitivamente ferrado com essa garota. Ela mordeu os lábios sorrindo e se levantou devagar, dando espaço para o leãozinho embirrar igual um filhote, urrando um lamento de desagrado.
Lá fora, Edward agradeceu ao segurança e viu que de novo ela se escondia sob o capuz, desconfiada, olhando para todos os lados. Ele desprendeu a bike e sentou com os pés apoiados o chão, seguidamente puxou-a e parou-a ao seu lado. —Senta devagar para não machucar... Continua duro.— Sussurrou em seu ouvido antes dela sentar.
Ela sorriu e enlaçou seu pescoço. —Você é sempre assim?— Perguntou com uma pontada diabólica no olhar.
—Como?— Sorriu cinicamente, fingindo não entender.
—Brincalhão.
Ele apertou mais sua cintura. —Sabe que não!— Refletiu e levantou seu queixo. —Geralmente não brinco com a comida. —Disse insinuantemente. — Nem costumo conversar com as garotas que fico. Mas você me deixa à vontade. Além disso, com você não tenho nada mais para fazer além de falar.— Sorriu.
Lentamente, ela se desprendeu do seu abraço. —Okay. Já que tenho que sentar, vou fazer isso rápido.— Sentou no quadro e deitou o pescoço quando ele inclinou o rosto e a beijou.
—Caçadora!— Sussurrou, plantando beijos em seu rosto, depois pedalou. —Você tem noção do que você faz comigo?
—Não. O quê?— Sorriu, com falsa inocência.
—Eu vou me acabar que nem um adolescente pensando em você sentando em mim. É essa sua intenção? Me torturar?
Ela gargalhou, e ele pedalou firme, rindo com ela, notando pelo horário que as ruas estavam quase vazias, somente as lanchonetes e restaurantes tinham movimento.
—Eu não tinha intenção de nada, Cullen. Se não soubesse que você só pensa nisso, eu nem saberia de que você está falando.
—E você? Não pensa nisso, não?
—Talvez...— Deu de ombros. —Mas penso muito mais em problemas, erros.— O humor fugiu do seu rosto.
Chegando à rua beira mar, Edward tratou logo de mudar de assunto antes que ela tivesse crise de consciência.
—Eu estou com um pouco de fome, mas não acho uma boa lancharmos em uma lanchonete comum.— Disse e parou a bike. —Se passarmos no Mac Donald você entra e faz o pedido?— Deu a opção. Para ele, seria muito mais discreto ela, com seus óculos amarelos, entrar lá. Certamente chamaria menos atenção que ele.
—Tudo bem.
Ele esperou-a fora da lanchonete, de uma distância segura, com o capuz tampando seu rosto. Ela não demorou. Sentaram no piso do farol, comeram e ela encostou ombro a ombro nele, ainda tomando o suco.
Ele sabia que ela teria que ir, porém, o fato de imaginar que não iria vê-la no decorrer dos dias deixou-o ansioso. —Cygne, ainda quero te ver de novo... Você me dá o seu telefone?— Pediu hesitante. Isso também era novo para ele: pedir o número de alguém. Não queria revelar que já o tinha, preocupado com o fato de ter forçado a barra.
Ela sorriu e lhe olhou divertida . —Sem vínculos, esqueceu?
—Um telefone não cria vínculos. Sentimentos criam vínculos.— Fingiu pouco caso.
Ela pôs o celular na mão e olhou para ele uns segundos, em seguida torceu o biquinho e balançou a cabeça em negativa.
—Eu não posso, Cullen.— Murmurou baixinho, com a cabeça baixa.
—Então pega o meu.— Propôs, abaixou o capuz dela e espalhou seus cabelos.
Ela olhou com pesar para sua boca, respirou fundo e lhe deu um selinho.
—Você não registrou bem o fato de eu não poder marcar dia seguinte com você?
Bem, provavelmente ela previsse que depois de hoje iriam acabar. Ele também pensou... Ou pelo menos pensou que a fixação iria diminuir. Mas não, pelo contrário, ele sentia uma inexplicável angústia com a dúvida de quando a veria novamente. Se possível, ele a queria mais hoje. Ele a queria amanhã também. E isso o confundia.
—De repente você precise falar comigo.— Tentou ser indiferente, mas a agonia transpôs suas palavras. Inclinou e lhe deu um selinho. —Você ontem disse que adorava meus beijos, portanto pode ser que você queira ligar para o disk-beijo em um momento de carência.— Sugeriu zombeteiramente.
Ela acariciou seu rosto com um sorriso presunçoso nos lábios. —Cullen, você disse para eu não me apaixonar por você, mas é você que não deve se apaixonar por mim. — Ela encostou o dedo em seu lábio com um risinho, depois beijou o seu pescoço, sugando devagar.
Ele colocou seu braço de apoio sob o pescoço dela e a derrubou ao seu lado no piso.
—Não se iluda, gatinha. É só química...— Apertou-a a ele, mostrando sua eterna excitação quando estava perto dela. —Meu corpo é vulnerável a você, mas meu coração não é alvo fácil.
—Guarde-o assim.— Ela deslizou a língua devagar no seu lábio. —Não se apaixone por pessoas erradas.— Sugou seu lábio enquanto falava.
Ele afastou um pouco da carícia e estudou o seu rosto. —Você se apaixonou alguma vez pela pessoa errada?— Quis saber. Seu olhar a denunciava.
—Errada não. Talvez uma paixão adolescente impossível.
—Por que era impossível?— Carinhosamente, deslizou o polegar em sua bochecha.
—Por que ele nunca olharia para mim quando podíamos ter algo.— Disse com olhar distante. —Então quando tudo ficou impossível para nós, ele me enxergou, porém, foi tarde demais. Não tinha a mínima chance de ficarmos juntos.
—Você ainda gosta dele?
—Gostar não é o mesmo que querer. Eu cresci. Não sou mais uma adolescente.— Explicou, com os dedos deslizando no cabelo dele.
—Ele é um idiota por nunca ter te enxergado.— Inclinou e mordeu, brincando, o pescoço dela.
—Talvez... Mas ele não tinha culpa... Eu era só mais uma no mundo apaixonada por ele.
—Hmmm, pelo modo como você fala ele era cheio de garotas.— Censurou.
Ela sorriu, deu um beijo rápido em seu rosto e sentou. —Sim, ele é. Mas, como disse, eu cresci. A ilusão morreu.— Disse convicta, pegou o seu celular no bolso e apertou uma tecla, a seguir ficou em pé. —Eu já tenho que ir, está tarde.— Informou parecendo contrariada.
Ele levantou e trouxe-a para perto dele de novo, como o viciado que era, enlaçando seguidamente sua cintura.
—Vai para onde?
—Vou caminhando, meu amigo já está vindo.— Deu um beijo rápido em seu rosto.
—Você não vai pegar meu telefone?— Questionou desacreditado que ela fosse durona assim.
—Tsc tsc tsc.— Balançou a cabeça e deu dois passos para trás, se afastando. —Sem vínculos.— Lembrou-o.
Inexplicavelmente, ele sentiu um aperto, calafrio subindo na espinha. O mar estava agitado atrás deles, batendo revoltadamente nas pedras. A brisa estava fria, logo olhou para o lado e atribuiu a sensação de gelo nas entranhas à brisa do mar. Mesmo assim, a sensação era internamente cortante...
Sem querer deixá-la ir, diminuiu a distância e pousou suas duas mãos na cintura dela de novo. —Eu ainda quero te ver, já disse.— Exigiu em um impulso e inclinou seu nariz para o seu pescoço, sentindo seu perfume aconchegante. Ela ergueu os braços e o abraçou tranquilamente.
—A gente se vê por aí, Cullen.
Ai, caramba, que merda era aquela que sentia? Uma espécie de sensação de perda, até carência de que ela o deixasse entrar em sua vida.
—Quando a gente vai se ver?— Insistiu, sem conseguir evitar cobrar.
—Quando menos você esperar.— Ela ergueu o rosto e beijou levemente seus lábios. —Enquanto isso se divirta. Quem sabe, quando nos virmos novamente, a sua fixação tenha passado.— Ironizou, e novamente o frio percorreu o corpo dele, agora tocando os ossos. A sensação de despedida deixava o ar em volta extremamente desolador.
Olhou-a, e, como por necessidade, abraçou-a forte um tempo, quase quebrando a vértebra. Em seguida, segurou sua nuca e lentamente encostou os lábios em sua boca, dando-lhe um beijo gentil.
Novamente a sensação de eletricidade e euforia acelerou sua pulsação.
Deus, ele tinha que se afastar daquilo, tinha que parar.
Em oposição à negligência que saía de sua boca, ela se abandonou como um náufrago, sugando avidamente seus lábios. Ficou surpreso com a intensidade de tudo, com o modo como ela lhe abraçou, pois era quase um beijo desesperado. Era diferente de todos que já tinha dado. Esse, de alguma maneira, deixava-o com o algo sufocado na garganta.
Não é novidade que sua mão por vontade própria entrou em sua blusa e se alojou em seus seios como se elas fossem donas, né? Pois foi isso que aconteceu. Ele não poderia voltar atrás. Estava virando um obcecado, demarcando as partes do seu corpo como sua. Assim, apertou sua forma em seus dedos, satisfeito com o livre acesso. Ele sentia que cada célula do seu corpo magnetizava-se a ela. E tentando desafiar a lei de Newton, de que dois corpos não ocupam o mesmo lugar no espaço, ele a apertou mais.
Após um tempo, ofegaram e ele deitou o rosto em seu ombro, beijando o seu pescoço ao mesmo tempo em que ela respirava dificilmente em seu ombro.
—E você? Não sente nada recíproco à minha fixação?— Provocou, presumido.
—Sim... Como qualquer garota sentiria.— Disse simplesmente. Às vezes ele admirava sua facilidade de se expressar. Ela não se importava em expor o que sentia. —Mas é como você disse anteriormente... Eu não devo me iludir, como qualquer garota do seu mundo não deve. Só estou esperando a sua fixação passar.— Disse seguramente e se afastou. —Enquanto isso, estou curtindo... Eu não tinha outra coisa para fazer mesmo.— Ela deu de ombros. —Agora, Cullen, já vou mesmo. Até mais.— Ela sorriu, deu um último selinho em seus lábios, se soltou dos seus braços e se afastou, andando a passos rápidos em direção a uma rua.
Ele ficou parado como estava, observando-a se afastar, entre meados, refletindo no que ela tinha falado. Por um instante, ele quis ir atrás objetivando descobrir algo sobre ela para que, no que dependesse dele, aquela não fosse uma despedida de verdade. Afinal, se ela decidisse, poderia simplesmente sumir, como tinha feito nas últimas três semanas. Todavia, imediatamente frustrado, lembrou que não deveria ir atrás. Se ela prometeu que não sumiria se não tentasse descobrir sobre ela, restava-lhe acreditar.
Depois de passar na casa de Rilley para pegar seu carro, Edward seguiu para casa. Logo que entrou na sala, viu Rilley deitado displicentemente com a cabeça na perna da sua mãe, ambos no sofá.
—Oi, mãe.— Edward aproximou e beijou seu rosto.
—Oi, bebê. Como foi o dia?
—Foi bom. E você, cara, quando vai perceber que não faz o tipo da minha mãe?— Brincou com Rilley e arrastou-o traquinamente para fora do sofá pela perna.
—Ai, seu viadinho! Você que pensa que eu não faço o tipo dela!— Ele revidou e se levantou do chão.
—Sim, você faz o tipo que ela troca as fraldas.— Ironizou e direcionou às escadas. Rilley apertou a os ombros de Esme num abraço e deu vários beijos em seu cabelo.
—Para, Rilley!— Ela tentou se soltar.
—Não fique com vergonha por ele ter chegado, tia. Ele sabia que eu vinha.— Sorriu zombeteiro, depois deitou novamente na perna dela, forçando. Ela rolou os olhos, fazendo careta. Edward sorriu e terminou de subir, deixando-os lá.
Bem, não era novidade para Edward que não conseguiria dormir antes de umas sessões de massagens. Contudo, dessa vez não foi como nas semanas anteriores. Não foi um ato frenético, onde a imaginava com as mãozinhas na parede, completamente rendida; uma leoazinha domada. Não. Ele não imaginou só seu corpo. Ao fechar os olhos, sua memória projetou nitidamente seus lábios, seus sons reais, o calor de sua pele, o gosto de sua boca.
E novamente ele se debateu sobre todas essas sensações... A única desculpa que tinha era a tal fixação sexual... Embora a alegação atenuante não estivesse mais lhe convencendo inteiramente — não quando sentia uma inexplicável pontada no peito ao pensar que talvez não a visse tão cedo.
Segunda-feira, foi como se tivesse dias que não ia para universidade. O fim de semana parecia ter durado semanas. Ao entrar em sala, a primeira pessoa que seus olhos encontraram foi Isy. Ela fixou o olhar nos dele, encarando-o. Ele sustentou, mesmo que se sentisse um pouco errado. Bem, talvez fosse um olhar de amizade, carinho... Talvez.
Sorriu discretamente para ela e sentou em sua cadeira. De alguma maneira ele se sentia ansioso por falar com ela que seu fim de semana tinha sido melhor, que tinha dado certo com Rilley. Entretanto, o intervalo chegou e, como esperado, seu segurança entrou em sala.
Cadê a Rose uma hora dessas que não aparecia?
Foi como se ela tivesse ouvido seus pensamentos, pois, instantes depois que Edward voltou da lanchonete, Rosalie chegou em sua sala, trazendo um sanduíche natural e suco em sua mão.
—Oie! Vim lanchar com vocês.— Ela cumprimentou, olhou de canto para o segurança e sorriu para ele. Ele sorriu sem jeito e respondeu ao cumprimento educadamente. Edward imaginou que estava rolando um clima... Ou talvez estivesse vendo demais.
—Como foi o fim de semana, leãozinho?— Rosalie perguntou com um riso travesso. —Eu vi uma garota sem nome subir as escadas do Rilley sábado. Já descobriu o nome dela?— Ela sorriu conspiradora, paralelamente encarando o segurança, sentada sobre a mesa de Edward.
Edward torceu os lábios em uma careta diante de sua indiscrição e tentou ser o mais indiferente possível. —Eu já disse que o nome não importa.— Respondeu e mastigou o sanduíche.
—Para um cara que gosta de variações, você já está repetindo a marmita há dias demais. Penso que o nome importa sim.— Rebateu teimosamente.
Edward não gostou de ouvi-la falar assim de Cygne, mas o que o fez sentir-se mais desconfortável foi o fato dela falar daquele jeito perto da Isy. Ficou meio constrangido por Rosalie vender aquela imagem dele.
—Ela não é uma marmita, Rosalie.— Resmungou contrariado.
Ela levantou seu queixo e estudou seu rosto. —Eu sei que não é. Só estava esperando você admitir.— Piscou e sorriu. —Emmett, você pode vir aqui comigo?— Perguntou ao segurança.
O homem arregalou os olhos surpreso, praticamente engasgando com o suco que tomava.
—Não posso.— Disse e apontou com o olhar para Isy. Ela em todo o tempo olhava para frente, imperturbável.
Edward estudou a situação e viu uma brecha. Não era mais segredo que ele tinha contato com Isy, pois semana passada foi à mesa dela mesmo com a presença do segurança lá. Portanto, não precisava dissimular.
—Eu não vou sair da sala. Se você quiser ir, Isy estará segura.— Sugeriu ainda tomando despreocupado seu suco.
Emmett olhou indagativo para Isy. Ela olhou sutilmente em direção a Edward, e ele sorriu de canto, não dando a mínima se tinha platéia ou não. Sucessivamente, ela assentiu para Emmett, movendo a cabeça. Com um sorriso triunfante no rosto, Rosalie apertou a bochecha de Edward e saiu, acompanhada por um intimidado segurança. Logo que pisaram fora da sala, como se fosse conspiração do destino, Ben apareceu com seu lanche na mão e sentou em sua cadeira.
O intervalo passou e Edward não pôde conversar com ela.
Terça-feira, para surpresa de Edward, o segurança não ficou com Isy no intervalo. Ele somente apareceu na sala, falou algo com ela e minutos depois saiu misteriosamente. Todavia, assim que Edward voltou do refeitório, Ben já estava na sala.
E novamente não conversaram.
Nesse meio tempo, o olhar dela era distante, acompanhado por suspiros longos. Ele queria muito saber o que se passava com ela que a deixava ansiosa. Após lanchar, ele sentou de lado e enquanto lia, dava olhares furtivos vez ou outra para ela, esperando que em algum momento ela desse um sinal caso se sentisse à vontade de conversar perto do Ben. No entanto, ela não o fez. Em nenhum momento sequer lhe olhou de volta. Talvez não quisesse se expor, já que nunca tomava iniciativa.
Na noite de quarta-feira ele tinha um jogo contra o Chelsea, na casa do adversário. No último jogo contra eles, Edward não jogou, foi exatamente naquelas semanas em que teve que ficar no banco. A partida estava equilibrada, no entanto, ambos os times tinham feito um gol e como no jogo passado o Liverpool tinha perdido em casa, o empate favorecia ao time do Chelsea.
No fim do primeiro tempo, o time saiu de campo cabisbaixo para o vestiário.
—Vocês vão ficar abrindo as pernas para esses filhos da puta que nem umas bonecas?— O técnico rosnou baixo, mas sisudo, andando de um lado ao outro com as mãos nas costas.
—Lyon, vê se aprende a tocar a bola porque quero jogo com você, com Rilley e com Jeff. Você consegue fazer isso! —Provocou. — Será que você não aprende mesmo a jogar em equipe!
Edward passou os dedos no cabelo, cabisbaixo, olhou para Rilley e o amigo cruzou os braços, com uma careta de ceticismo no rosto.
—Por que não deixa o Hale jogar também?— Rilley propôs. —O senhor sabe que o Lyon não vai mudar.— Disse sem olhar na direção de Edward.
—Mas o Lyon tem arrancada. Ele busca e leva.— O técnico defendeu apontando em direção a Lyon como se ele não estivesse ali.
—Sim, mas o Hale também corre bem e tem gana.— Rilley contrapôs, dando a Edward exatamente o que recebia. Amigos só fora do campo. Dentro de campo era cada um defendendo o seu. —Nada pessoal, Lyon, mas isso é uma equipe. —Rilley desculpou-se.
—Mas o Hale não tem experiência para jogar em uma semi-final.— Jeff, capitão do time, interferiu.
Edward foi levado a pensar no que ele representava para a equipe: primordial para a pontuação, pois o único gol, o do empate, tinha sido seu, todavia, ele era substituível.
O tempo do intervalo estava passando e a equipe ainda estava desentrosada. Decidido, Edward resolveu interpor algo: Podemos jogar com quatro atacantes.— Sugeriu. —O Hale pode jogar.
O técnico atentou-se, mas bateu uma mão na outra, num gesto de 'lavando as mãos.'
—Eu quero que vocês resolvam.— Marcus disse e cruzou as mãos no peito. —Não adianta eu escalar seja quem for se vocês não se entenderem em campo.— Encostou-se a uma pilaste.
—Pois é, a questão não é o número de atacantes, Lyon. O problema é que a bola não chega ao nosso pé!— Rilley exasperou, jogando a mão no ar.
Edward suspirou, levantou do banco do vestiário e olhou para o Hale. Ele estava ansioso para entrar em campo, isso era nítido, pois ele além de novato era reserva, no entanto, para que ele entrasse, algum centro avante deveria sair. Todos olharam Lyon em expectativa quando ele caminhou e se posicionou em frente ao grupo. —Se o Hale entrar pela meia-esquerda, eu faço o jogo com ele.— Propôs. —Será como se tivéssemos quatro atacantes.— Disse se animando e foi para perto de Rilley, que estava quieto.
Ninguém se moveu, ou se animou. Todos o olhavam desinteressado.
—Ok, gente...— Andou em frente a eles segurando o queixo. —Antes de entrarmos, tenho algo para dizer. Sei que não tenho jogado em equipe ao longo dos tempos, e tenho grande culpa em estarmos na berlinda.— Passou os dedos nervosamente no cabelo, ainda andando em frente a eles. —Não adianta eu dar o sangue sem o apoio de vocês.— Aproximou novamente do Rilley e pôs o braço sobre seus ombros. —Se meu irmão acredita que o Hale pode fazer melhor que eu, tudo bem. Eu saio, se for para o bem da equipe. Mas se vocês me derem um crédito, podem saber que eu vou dar o melhor de mim, vou tirar sangue do olho para buscar essa bola e mandar para frente. Se o novinho estiver em campo, melhor ainda, pois nós temos que lutar contra o tempo e buscar esse gol... Mas para isso, precisamos estar entrosados, unidos. Vocês precisam acreditar.— Apelou com veemência, a mão fechada em punho no ar. —Vamos enfiar a bola naquela rede! —Aumentou o tom.
Repentinamente sentiu uma chave em seu pescoço. —Era esse Lyon que eu sabia que estava escondido ae.— Rilley disse, ainda lhe segurando. —Galera, vamos virar esse jogo!— Rilley deu murros na própria palma. —Vamos detonar com esses filhos da puta pra buscar este gol.
Ouviu-se batidas nos bancos, palmas e a empolgação pungiu nos olhos dos integrantes.
Depois da substituição de um meia-lateral esquerda com cinco minutos de jogo por Hale, Lyon voltava com a bola dominada, atravessou o meio de campo e notou Rilley lhe acompanhando a alguns passos, porém, o amigo não verbalizou o pedido de passe. Lyon sabia que se quisesse, poderia driblar os caras até o meio da área adversária, no entanto, lembrou que a confiança da equipe dependia do tanto que a bola girasse. Olhou para Hale, e ele corria ao seu lado esquerdo, lhe cobrindo.
—Hale!— Gritou o nome dele e passou a bola, correndo seguidamente rumo à grande área. Tinha três caras lhe marcando, e dois correndo para cima do Hale.
—Cullen.— Ele gritou seu nome e mostrou intenção de jogar.
Em milésimos de segundos vários pensamentos passaram como um borrão na mente do artilheiro. Primeiro, o fato de Hale ter lhe chamado de Cullen, o que não era normal em time; segundo, que ele, Lyon, tinha três lhe marcando, logo iriam perder a bola se Hale cruzasse; e o terceiro pensamento foi conclusivo. Hale teria que cruzar a bola para o Rilley, na lateral direita.
—Cruza para o Rilley!— Gritou, já indo para perto do Rilley lhe dar cobertura. Hale cruzou, Rilley dominou, chegou à pequena área, com dois adversários no encalço, os driblou e chutou. O gol foi certeiro. Depois disso fizeram mais dois gols com entrosamento e confiança, o que garantiu a vaga para a final do Champion da UEFA.
Após o jogo, tiveram duas horas e meia de viagem de volta para casa. Devido a partida, a unidade na equipe estava tão grande que seguiram comemorando de Londres a Liverpool. Em todo o tempo Edward percebeu Hale reservado, fato que Edward pensou ser motivado pelo ocorrido na festa do Rilley. Disposto a não deixar rixa no ar, aproximou-se dele e comentou o jogo, mostrando que não havia diferenças entre eles.
Tudo naquele dia tinha sido uma experiência positiva. Ele aprendia a resolver seus próprios problemas.
Quinta feira, cansado de não conseguir um tempo com Isy, resolveu tomar uma atitude. Era aula no laboratório, e esta, acontecia no prédio da administração. Logo que entrou em sala, escreveu um bilhete, passou por trás dela, que estava em pé inclinada sobre um aparelho, colocou o bilhete sutilmente em sua mão e saiu de sala, indo direto para a cobertura.
Lá, sentou em umas tábuas e esperou-a. Se ela aparecesse, estaria cabulando aula, e por um longo momento ele pensou que ela não fosse. Todavia, meia hora depois ela chegou. Após acenar um cumprimento com o olhar, a primeira atitude que ela teve foi encostar-se a grade de proteção, olhar para o horizonte e inspirar profundamente. Ele instantaneamente teve um déjà vu.
Encostou-se ao seu lado, dando-lhe algum espaço e observou-a satisfeito, enquanto o vento úmido soprava brandamente em seu rosto.
—Nossa, como foi difícil falar com você esta semana.— Iniciou um assunto. —Tanta coisa passou. Como foi o seu fim de semana?— Perguntou animado.
—Foi bom.— Ela ficou ereta e escreveu na caderneta que trouxe. —E o seu?
—Também foi. Sabe aquele probleminha com o meu amigo?
Ela moveu a cabeça assentindo.
—Acho que aos poucos estou resolvendo.
—Que bom. Parece que as coisas estão voltando ao lugar para você.
—Acho que sim.— Sorriu e ficou olhando seus olhos. Seu jeito de olhar era muito familiar agora. Terno e sincero.
Ela voltou a escrever. —Sabe aquilo que você escreveu semana passada sobre sua prima? Também penso como você. Acho que ele também está interessado nela. Suponho que eles saíram no fim de semana e que estão ficando junto nos intervalos da universidade.
—Sério?— Sorriu, ela também sorriu mudamente. —O que ele é seu exatamente?
Ela virou o rosto, surpresa. —Ele é funcionário do Sheik.— Escreveu de modo tenso.
—Por que ele anda armado?
—Pelo óbvio. Ele é segurança.
—Pra quê, se a única ameaça que podia ter contra você é a hostilidade dos acadêmicos da universidade?
Ela suspirou e balançou a cabeça em negativa, num gesto de frustração. —Eu queria que fosse.
Ele pensou por um tempo em sua resposta. Podia ser que as ameaças não fossem só a hostilidade das pessoas, afinal, ela era noiva de um homem muito rico, portanto isso devia ser preocupante para ele. Incorria sobre ela risco de seqüestros, por exemplo. Um caso a considerar.
—Fale de você, o que fez no fim de semana?— Queria manter a conversa. Se possível, descobrir mais sobre ela.
—Fiz o que pessoas normais fazem.— Escreveu e ergueu os ombros minimizando a importância.
—Pessoas normais saem pela cidade. Você sai aqui em Liverpool com seu noivo?— Ele imaginava que não.
—Não. Eu não costumo sair com ele por aqui, até porque, ele viaja muito, inclusive estava viajando esse fim de semana. E você, saiu?— Olhou atenciosamente em seu rosto.
Ele pensou por um instante. —Sim. Fiz uma coisa que há tempos não fazia. Sai pela cidade.— Sorriu com a lembrança.
Ela lhe olhou um tempo, sucessivamente escreveu: — Sozinho?
—Não. Com uma garota.— Respondeu e olhou para ela. Ela segurou o olhar nele de um jeito estranho, intenso. No mesmo instante algo palpitou no peito dele. Suspirou, sentindo um pouco a lembrança da Cygne, sem perceber, fez a comparação com o tipo de olhar. A Cygne lhe olhava daquele jeito a todo instante, como se o atraísse. Inevitavelmente, com Isy era igual. O olhar dela lhe puxava, e ele não conseguia desviar os olhos.
Não deveria encará-la como mulher, no entanto, sentia-se magnetizado. Ela tinha que parar de lhe olhar daquele jeito, como se quisesse ler sua alma. Ela não podia confundir as coisas. Não...
Droga, o que acontecia com ele?
Depois de um tempo o encarando, ela desviou o olhar e escreveu: Era alguém importante a garota que você saiu?
Ele sobressaltou com o rumo que tinha tomado a conversa. O alvo de descobertas deveria ser ela, não ele.
—Não.— Negou. —Era só uma garota.— Deu de ombros, disposto a convencer a si mesmo que a menina que invadia seus pensamentos todas as noites, todos os instantes, não era importante.
Ela lhe olhou algum tempo, para então abaixar a cabeça e escrever novamente: O que é realmente importante para você?
E lá estava ele passando pelo interrogatório. —Nunca pensei sobre isso.— Disse sincero. Por alguns segundos, buscou algo em sua mente que achasse importante, todavia, não achou. Tudo que tinha estava em um patamar igual. —E você? O que é realmente importante para você?
Ela suspirou e começou a escrever. —Antes eu não sabia o que era importante... Agora sei. A vida, em primeiro lugar. Às vezes não a valorizamos como deveríamos, quando não vivemos intensamente.
Ela escreveu e parou um tempo, aparentemente pensando.
—O que mais?— Instigou-a a continuar.
—A liberdade.— Escreveu e parou a caneta no ar. —Você não sabe o quanto é bom ser livre até que cortem suas asas.
Ele olhou em seus olhos e ela fitava o vazio.
—Você sente falta de liberdade?— Ele perguntou, chegando finalmente ao ponto que sempre quis chegar.
—Só senti depois que a perdi.— Ela escreveu automaticamente, a letra saiu até meio torta, como se ela não prestasse atenção.
—Você era livre?— Talvez ela se referisse a quando não era noiva, ele pensou confuso.
—Sim. Mas eu não vivia... É incrível como só valorizamos algo quando perdemos.
—Você está falando da liberdade? — Reformulou a pergunta, desentendido.
Ela parecia ter ficado triste com o assunto, ainda com o olhar distante. Ele quase tocou nela para lhe passar algum conforto.
—Também, mas principalmente de pessoas próximas. Família... Como é sua família?— Escreveu e levantou o rosto em expectativa.
Ele passou a mão no cabelo, titubeante. —Bom, minha família não é um bom espelho de perfeição, mas nós somos satisfeitos com nossa vida. Minha mãe é muito dócil e gentil. Ela sofre um pouco com a morte do meu pai, mas aos poucos está se recuperando. Meu irmão mais velho, filho adotivo do meu pai, é completamente volátil e explosivo, sempre movido pelas circunstancias externas. Ele namorava minha prima Rosalie, mas após a morte do meu pai, afundou-se nas drogas e assim a perdeu, ficando mais agressivo ainda. Esse fim de semana ele viajou para Holanda, interessado em descobrir algo sobre a morte do meu pai. Ele é muito vingativo, e com as buscas por culpados, ele vai consumindo todo o bom senso que tem. Já minha irmã Alice, é tão altiva que não olha para o chão. Ela é boa, mas é movida a status. A única mais normal em sua casa é a Rosalie, filha órfã da irmã da minha mãe.— Relatou pausadamente, bem em conversar sobre isso. —Seus pais morreram faz tempo?— Queria manter o assunto.
—Não muito, mas, desculpe... Podemos mudar de assunto?
O assunto morte também não era o seu forte também, Edward percebeu. Conversaram mais algum tempo sobre coisas simples como: o curso; Ben os observando durante as aulas; sobre Rosalie e o possível fato dela e o segurança manterem-se escondidos — o que era bom, pois Edward não queria que James iniciasse uma desavença com o segurança por se achar dono da Rosalie―, e assim, perderam aquela aula de quinta toda.
Sexta feira, ela não apareceu na universidade, e ele sentiu sua falta. Sua vida deixou de ser entediante quando ela apareceu. Com a sua falta, tudo na universidade voltava ao normal. Sexta à noite, ele foi para a casa de festas, como costumava fazer, porém, com um diferencial muito agravante, tendo em vista que agora sua principal atividade lá era olhar em várias direções, vendo se Cygne apareceria.
—Leãozinho, está esperando alguém?— Rosalie perguntou sorrindo, logo que se aproximou do bar onde ele estava sentado com o Jeff.
—Não.— Levou uma garrafa com água aos lábios. —O que te faz pensar isso?
—O fato de você estar aí, olhando para todos os lados há mais de uma hora.— Ela lhe olhava um pouco cínica, com o olhar acusador. Será que estava tão exposto assim?
—Não. Só estava ainda escolhendo a presa.— Levantou e pôs o braço em seus ombros. —Falando nisso, estou aqui perdendo tempo. Dá uma dica, qual daquelas garotas eu pego hoje?— Apontou com os dedos para a pista, onde tinha algumas meninas dançando.
Ela olhou minuciosamente para a pista e beliscou suas costas, com uma careta de desagrado no rosto. —Quando você vai admitir para a garota que está interessado nela?— Inquiriu.
Edward sorriu, fingindo desentendimento. —Qual garota? Eu estou interessado em todas!— Sorriu descaradamente.
—Edward Cullen, eu não sou boba. Você não precisa esconder de mim que está interessado em alguém. Diga, quando você vai dizer para ela?
Edward revirou os olhos, debochando de sua abelhudice. —Pra ela quem, Rosalie? Eu não estou interessado em ninguém!— Sorriu alto, já na pista de dança, estudando as Maria chuteirasque tinham à disposição.
—Edward Cullen.— Ela segurou o seu rosto, séria. —Eu vi o que você fez sábado quando ela estava dançando com um cara. Se aquela cena de ciúme não for interesse, eu não quero ver quando você estiver interessado nela.
—Não foi ciúme!— Rebateu, e ela colocou o dedo na boca dele, furiosa, o impedindo de falar.
—Você pode enganar você mesmo, Alice, sua mãe, mas eu não. Além disso, não sei se você sabe, mas um certo vídeo de um certo Lyon com uma certa ruiva encapuzada vasou na net, mostrando cenas carinhosas do jogador Lyon com sua misteriosa namorada em um museu.— Informou em tom petulante e, merda, que boato era esse que ele não estava sabendo? Com certeza aquele segurança tieteiro fez o favor de divulgar... Ou sua filha. Sorte os caras do time ainda estar meio reservados com ele, se não, isso ia ser motivo de zoação até o fim dos seus dias.
Ao perceber que não tinha como negar, sem saída, deu um suspiro derrotado. Ela acariciou seu rosto, mais complacente. —Eu já sei que dia foi e adorei saber disso, leãozinho. Eu adoro isso. Sempre quis que você conhecesse alguém legal e desde o dia que vi aquela menina achei que ela era legal para você. Quando você vai falar para ela?
—Eu não tenho nada para falar para ela. Ela é só uma garota. A gente tem uma química e pronto.— Resmungou contrariado.
—Química já é cinqüenta por cento de um relacionamento.— Ela enrijeceu a testa como se fizesse um cálculo difícil —Ela é legal?— Perguntou, com a sobrancelha arqueada.
—Sim.— Admitiu.
—Hmmm. Oitenta por cento.— Disse sugestivamente.
—Ela é comprometida, Rosalie.— Tratou logo de matar suas esperanças. —Além disso, quem disse que estou atrás de um relacionamento quando tenho esse tanto de mulheres à disposição?— Apontou para a pista.
Ela lhe olhou com desaprovação. —Comprometida é o de menos. Pessoas terminam e começam todos os dias.— Deu de ombros. —Mas, se você acha que ela não vale à pena, deixa para lá.— Ela afastou, deixando-o sozinho na pista.
Ele sentiu-se deslocado. Talvez tivesse desaprendido de como chegar numa garota. Bom, não precisava se preocupar, quando menos esperasse, elas viriam. Foi o que aconteceu. Dançou um pouco, até que sentiu alguém o abraçar por trás e passar a mão em seu peito. Virou, e a garota que o abraçava era uma loura que tinha conhecido dois meses atrás, justamente no dia em que viu Cygne pela primeira vez.
—Sozinho, Lyon?
—Não mais.— Enlaçou sua cintura.
Animada, ela cingiu seus braços em seu pescoço e falou próxima ao seu rosto. —Bom que hoje não vou precisar te dividir com ninguém.— Aproximou a boca do seu queixo e, instintivamente, ele se esquivou, sentindo repulsa. Ela lhe olhou sem entender, e ele a virou de costas, dançando, no mesmo instante que enfiou sua mão na blusa dela, tocando sua barriga.
Esperou por alguma descarga elétrica, a mínima química que fosse no contato com a sua pele, mas nada aconteceu. Ela empinou a bunda, esfregando nele, mas a reação reflexa que teve foi se afastar, rompendo o contato. O senhor leãozinho, seu companheiro, estava exigente agora. Ele simplesmente cruzou os braços e riu dele, não dando a mínima para aquela garota. Pior que Edward o entendia. Puta merda, como também queria que fosse ela! Estavam os dois, ele e leãozinho, numa fria agora.
—Até mais.— Sem explicação, deixou a garota na pista e foi para o bar. Ao notar que Cygne não iria aparecer, vazou, com a desculpa mental de que tinha jogo no sábado e que teria que descansar. Fazia cinco dias que não a via, sentia-se em crise de abstinência por causa da sua droga favorita. Não era para isso estar acontecendo. Pior que isso, não era para sentir este sentimento deslocado que nunca sentiu antes por mulher nenhuma... Saudade.
Ele tinha o seu telefone, é claro, poderia muito bem ligar para ela. Todavia, não iria fazer isso. Preferia jogar sua frustração para trás a ter que admitir que continuava estranhamente obcecado por ela. Ele não iria jogar seu orgulho no lixo. Se ela não veio, foi porque não queria lhe ver.
Segunda feira, Isy também não foi para a universidade, só terça que ela apareceu. Antes de tocar o sinal de intervalo, ele passou por ela, fez sinal com a mão para que ela subisse para a cobertura e saiu da sala. Minutos depois, ela saiu. Ficou observando-a de longe até que ela chegasse ao elevador do prédio da administração, ficando sossegado logo que a porta fechou. O tal sentimento protetor incorporou nele de novo, não podia evitar. Se ela liberou o segurança confiando nele, ele tinha que cumprir o seu papel.
Antes de subir, passou no refeitório, comprou seu lanche e subiu comendo no elevador rumo ao décimo quarto. Quando chegou lá, ela estava inclinada com o queixo na grade, de olhos fechados. Por um tempo ela não percebeu que tinha chegado, e ele ficou observando-a. Após um tempo ela abriu os olhos e olhou para o lado, pegando-o distraído.
—Oi.— Ele disse.
Ela andou até ele, parou em sua frente e respondeu ao seu cumprimento dando algumas piscadinhas com os olhos. Aquele gesto pareceu familiar, mas ele somente sorriu, achando bonitinho.
—Por que não veio sexta e ontem?— Ele perguntou enquanto se encostava à grade para olhar a cidade no horizonte.
—Estava viajando.— Ela escreveu, encostada ao seu lado.
—Para onde?
—Países baixos. Haia.
—Interessante... A passeio?
—Eu queria que fosse.
—Seu noivo tem negócios lá?
Ela balançou a cabeça em negativa, em seguida escreveu. —Leia sobre Haia. Assim você vai saber o tipo de negócio que se pode ter lá.
—Tudo bem. Você parece que gosta de me colocar para estudar sobre você.— Sorriu e inalou profundo, disfarçadamente, sentindo a fragrância familiar do seu perfume que o vento trazia direto para o rosto dele. —Seria mais fácil responder minhas curiosidades a ficar me fazendo montar um quebra cabeça.— Comentou sorrindo.
—Como foi o fim de semana?— Ela escreveu, mudando bruscamente de assunto.
Ele pensou no frustrante fim de semana, em que só sentiu vazio e solidão. Mas o mais incrível de tudo foi lembrar que até ontem, segunda, ele ainda estava se sentindo privado de algo, e hoje, dia em que ela apareceu, ele se sentiu melhor. Parecia que a falta da Cygne diminuía quando ele tinha com quem conversar.
—O fim de semana não foi muito legal.— Disse suspirando. —Mas hoje melhorou.— Queria ser sincero. Ela estava se arriscando mantendo amizade com ele, e ele não podia fazer diferente. —Você lembra que na semana passada eu disse que sai com uma menina, mas na ocasião disse que ela não era importante?
Ela assentiu balançando a cabeça. Ele respirou fundo, antes de continuar. —Penso que talvez sinta a falta dela.— Admitiu hesitantemente.
—Sente falta como?— Ela escreveu e lhe olhou intensamente
—Não sei. Ela é legal, não me pressiona... Igual você. Só que ela me diz não, quando sei que quer dizer sim. Já você diz sim, quando sei que quer dizer não.
Ela encarou-o de novo. Todas as vezes que ela fazia isso ele se sentia culpado, mesmo que gostasse. Ele insistiu no erro, encarando-a, então suspirou e desviou os olhos, fitando seguidamente a cidade que se movimentava lá embaixo.
—Como assim?— Ela escreveu.
—Bom, eu sei que você não tinha intenção de ser minha amiga, de conversar comigo ou coisa assim, no entanto, você conversa. Por isso que digo que você diz sim quando queria ou deveria dizer não.
Ela suspirou e escreveu. —Eusempre deveria dizer não. Sempre... Assim seria mais seguro.
Ele olhou-a comovido e murmurou. —Do que você tem medo?
—Da minha presença acarretar em um mal involuntário a você.— Ela escreveu e lhe olhou com pesar.
Sem saber como ela recepcionaria o seu gesto, estendeu a mão, hesitando, e cobri a sua mão enluvada com a dele, grato por sua companhia. Por um segundo, ela ficou congelada, olhando para as suas mãos com uma emoção que ele não soube definir. Em seguida ela virou a palma e encaixou seus dedos nos dele, palma com palma, olhando intensamente seu rosto.
Ele torceu mentalmente que ela não distorcesse tudo. Ambos não podiam ter visões erradas do que aquilo significava. Ele gostava de sua amizade porque ela era neutra, dócil e simples. Ela, em resposta, era nítido que tinha alguma consideração, ou gratidão por ele. Não podia ser algo mais... Da sua parte não era.
Com um brilho contente no olhar, ela soltou repentinamente sua mão e abriu sua bolsinha de dedo, a mesma que um dia ele fez aquela estúpida embaixadinha na qual quebrou seu celular. De dentro da bolsinha ela tirou uma miniatura de uma metralhadora e colocou em sua mão. Ele ficou confuso por um tempo, olhando sem entender para a miniatura. Ela percebeu e começou a escrever. —Trouxe de Haia para você. Aperte o gatilho.— Seus olhos se estreitaram, sinal que ela estava sorrindo.
Ele continuou confuso com o souvenir dentro de sua mão, mesmo porque, ele não sabia de onde ela tinha tirado a idéia de que ele gostava de armas. Cauteloso, apertou o gatilho e saiu uma bandeirinha escrita 'Paz.' Enrugou a testa e olhou para ela. —O que quer dizer?
Ela escreveu: Paz. Não é o que devemos procurar?
—Sim. Mas por que você me deu essa miniatura de metralhadora? Eu já te disse que gostava de armas?Ela arregalou um pouco os olhos e olhou para a miniatura em sua mão.
—Imaginei que pessoas que fazem Engenharia Nuclear gostam de armas. Tudo está ligado: explosão, gás, química.— Ela escreveu devagar, sem olhar em sua direção.
—Você gosta de armas?
Ela assentiu, balançando a cabeça em afirmativa.
—Conhece sobre elas?
Ela assentiu de novo, em seguida escreveu:Não sei se nessa universidade você teve essa matéria, mas teve uma matéria que era somente sobre armas operadas com tomada de gases.
—Ah, eu tive essa matéria no primeiro semestre.— Lembrou, e ela relaxou os ombros.
Passaram aquele intervalo conversando sobre armas. Ela sabia muito sobre a parte técnica, velocidades, cadências explosivas. De novo, ele levantou hipóteses mentais de quais objetivos tinham alguém tão inteligente em fazer Engenharia Nuclear.
Ela continuava sendo um mistério.
Mais tarde, logo que chegou em casa do treino, acessou a internet e começou a investigar sobre Haia. Assim que a página abriu, James entrou em seu quarto.
—O que está pesquisando?— Perguntou quando sentava em sua cama.
—Sobre Haia.— Respondeu desinteressado.
—Eu estive lá naqueles dias que estava viajando.
—É mesmo!— Automaticamente lembrou. —O que você foi fazer lá?
Deixou o computador de lado e se virou na cadeira, ficando frente ao irmão.
—Você não ouve nada do que eu digo, não é, Edu.— Resmungou amargo. —Começaram as diligências para esclarecimento do atentado que meu pai morreu. As testemunhas começaram a ser ouvidas na Corte Penal Internacional de Haia.
Edward ficou meio confuso com a informação. Não pelo fato do James ter ido para lá, mas sim com o fato do sheik ter ido. Será que ele estava respondendo a algum crime internacional? Ou, será que ele era testemunha?
—Você sabe se nesse fim de semana foram ouvidos acusados ou testemunhas?— Perguntou distraído.
James o olhou atento. —Por que quer saber? Você nem me perguntou como foi semana passada.— Comentou desconfiado.
Edward não podia deixar o James descobrir a razão do seu interesse. Ele era um dos que nunca aprovariam nem mesmo a mais sutil amizade que pudesse ter com Isy.
—Curiosidade. Só isso.— Deu as costas para ele, ficando novamente de frente para o PC.
—Tudo bem, então para matar sua curiosidade, no fim de semana que eu fui só tinha testemunhas, mas nesse agora foi a vez das testemunhas e alguns acusados.
Edward ficou pensando em quais as possibilidades do sheik ter algum envolvimento com o atentado. Ele não podia ter interesse em matar os cabeças de um Acordo Internacional de paz entre muçulmanos e judeus. Não tinha motivos. Por ser um londrino, cristão e herdeiro de um muçulmano, o que ele mais devia almejar era a paz entre esses povos. Edward continuou estudando Haia e não chegou à conclusão nenhuma.
Nos dias seguintes Edward e Isy continuaram subindo nos intervalos. Ela sempre saía à frente, passando antes no toalete feminino, e ele ficava de longe a observando até que ela alcançasse o elevador. A rotina se repetiu. O 14º era seu cantinho particular. Aliás, era o lugar em que ele se sentia ele mesmo.
Ela em todo o tempo dava alguma opinião sobre o quanto ele deveria usar sua liberdade e fazer sua vida melhor, sobre o quanto deveria se importar mais com as pessoas ao seu redor, fosse com seu time, com sua família.
Algumas vezes ele ainda a pegava o encarando avidamente, porém, lutava heroicamente para mudar a situação. É lógico que tinha mil pensamentos sobre ela, alguns pouco louváveis, afinal, ele era homem. Sem querer, ele se pegou pensando em como ela seria por baixo das roupas. Depois se convencia que qualquer mulher completamente coberta despertaria interesse.
Enfrentava a segunda semana sem ver Cygne, e sempre à noite, a falta batia em seu corpo e, inexplicavelmente, em seu peito. Ele podia ver sua boca, seu sorriso, sentir seu cheiro... Com a necessidade sexual, as coisas pioraram um pouco quando chegava do treino. Sempre após suas sessões de auto-satisfação, que já era rotina, ele passava vários minutos olhando para número dela gravado em seu celular, deliberando se ligaria ou não. O orgulho sempre vencia.
No entanto, de uma coisa já tinha certeza... Não era só fixação e saudade que sentia por ela... Era algo além.
Quinta feira pela manhã estavam reunidos para o lanche matinal quando sua mãe iniciou um assunto polêmico.
—Edward, sexta à noite o Coll vem jantar aqui com a noiva dele. Esteja em casa, já que você a conhece.— Ela disse, enquanto preparava seu sanduíche.
Alice arregalou os olhos, desviou a atenção da revista que lia e o olhou inquiridora. Covarde, como era, teve que se defender da censura de Alice.
—Eu não a conheço, mãe. Ela só estuda na mesma sala que eu.— Informou indiferente, no mesmo instante que tomava seu suplemento. Notou de esguelha Rosalie olhar séria em sua direção, o que o deixou subitamente decepcionado consigo. Era incrível como Rosalie sempre sabia tudo! Mentalmente, se xingou por ser tão fraco e não ter coragem de admitir para ninguém a sua amizade com Isy.
Esme continuou: De qualquer maneira quero você em casa. Você tem mais diplomacia com visitas.— Disse e olhou acusadora para Alice e James, que estavam com o olhar indignado. —Você também, Rosalie. Fique em casa.— Avisou despreocupadamente.
—Ok, tia.
No primeiro instante, a frustração o alcançou por imaginar que talvez perderia a chance de encontrar Cygne na casa de festas na sexta, caso ela fosse. Porém, no mesmo instante essa frustração foi obliterada pela sensação de ter Isy em sua casa. Assim, se conformou, dizendo para si que talvez mais tarde, depois que eles se fossem, ele sairia.
Logo que chegou à sala de aula, a ansiedade em falar com Isy sobre o jantar lhe corroeu, visto que provavelmente ela não soubesse ainda. No intervalo, saiu de sala, escoltou-a secretamente, em seguida passou na lanchonete. Antes de subir, teve que dar um sutil fora, pela milésima vez, em Heidi, que insistia em tentar ficar com ele, quando estava na cara que não ia rolar mais.
Livre dela, entrou no elevador, já terminando de comer seu sanduíche, apertou o décimo quarto e esperou o elevador chegar ao destino. Enquanto isso, tomava seu suco. Ele tinha demorado uns dez minutos a mais se livrando da Heidi, por isso, Isy devia pensar que talvez não fosse mais.
Por ser um elevador privativo do reitor, ele nunca era muito chamado, portanto não costumava parar pelo caminho. Mas, surpreendentemente, um chamado no décimo terceiro o fez parar. Edward deparou-se com alguém que nunca imaginou estar ali.
Droga, que desculpa iria inventar por estar lá, pensou atordoado. Afinal, ninguém podia saber que ele ia para a cobertura. Provavelmente o intruso iria querer acompanhá-lo, e isso lhe faria descobrir Isy.
Após pensar nisso, outro questionamento o atravessou: o que ele fazia aqui? Será que seguiu a Isy? Poderia saber que ela estava lá? Poderia ter ido lá?
A cada segundo Edward ficava mais paranóico. Poderia ele ter feito algum mal a ela? Poderia ele ter descontado todo o ódio que tinha de muçulmanos nela?
Sim, poderia.
