Capítulo – Protetor

Edward ficou estático, apenas olhando para o intruso, que pareceu perceber sua hesitação e franziu o cenho, desentendido.

—Oi, Edward, o que faz aqui?— Ele entrou no elevador.

—Er...— Puta merda, o que iria falar agora? —Er, v-vim falar com o reitor. — Improvisou, mesmo saber ser inexplicável estar no décimo terceiro quando o andar do reitor era o décimo.

Tenso, passou a mão no cabelo e completou sua falsa história: Peguei o elevador pensando que estava descendo e não vi que estava subindo.— Apertou disfarçadamente o botão térreo, no entanto, como programado, o elevador foi até o décimo quarto. Rezou silenciosamente que James não resolvesse descer na cobertura. Todavia seu receio foi em vão. James nem pareceu notar que o elevador foi até lá. —E você? O que faz aqui?— Perguntou mais calmo, quando o elevador fechou e seguiu rumo ao térreo.

Fazia alguns dias que James não usava drogas, portanto sua aparência era de quem estava limpo.

—Uh, er... Na verdade nem sei se você vai entender, mas...— Ele titubeou, encostando-se a parede do elevador. —Eu vi a Rose subindo para aqui e vim atrás.— Confessou sem jeito.

—O quê?— Edward ofegou alarmado. —James, você não pode ficar seguindo a Rosalie por aí! Ela não é sua propriedade. Se você quer conversar com ela, converse em casa.— Repreendeu. Chegaram ao térreo e Edward teve que acompanhá-lo, chateado por já ter perdido mais de vinte minutos de tempo.

—Tudo bem, Edu, posso até esquecê-la, mas não vou deixar ela se envolver com qualquer um. Ela é família.

Droga, se ele descobrisse com quem ela se envolvia, piraria e isso poderia ficar muito perigoso.

—Você não tem direito de se intrometer na vida dela. Ela é adulta. Vocês eram namorados e acabou. Arrume outra.— Edward ressaltou impaciente, olhando vez ou outra para o elevador enquanto se afastavam.

—Você não sabe o que é amar para falar para alguém desistir. É muito fácil dizer. Queria saber como seria se você tivesse que desistir de alguém que ama.— Ele parou no corredor e o olhou atento. Era nítido que aos olhos dele, Edward tinha uma moela no lugar de coração.

Edward balançou a cabeça. —Você não a ama, James. Você se sente seu dono, só isso.

—Não fale do que você não conhece. Quando se ama alguém, é normal querer ser seu dono.— Ele rebateu.

Suas palavras remeteram Edward ao dia em que agindo como um homem das cavernas tomou Cygne dos braços do Hale e quis demarcar território nela...Aquilo não tinha nada de sentimentos. Era só possessividade... E era exatamente isso que James sentia por Rosalie.

Notando que a discussão não levaria a lugar nenhum, resolveu não dar seguimento ao assunto e arrumar um jeito de se desvencilhar dele.

—Vou passar no banheiro, James.— Inventou uma desculpa, parou de andar e abriu a porta ao seu lado. —E escute: deixe a Rosalie em paz.

Edward realmente se preocupava com o fato dele descobrir sobre a Rose, e fez uma nota mental de alertá-la sobre o fato. Disfarçadamente, acompanhou-o com o olhar até ele virar por um bloco. Quando James desapareceu, rapidamente voltou para o prédio da administração e entrou no elevador, esperando impacientemente que o elevador subisse. Avistou-a encostada à grade, olhando distraidamente para o horizonte. A paz que alargou em seu peito foi indescritível.

Observou-a um tempo sem que ela lhe visse, com ela completamente propensa e vulnerável a qualquer surpresa. Então se colocou a pensar no que tudo seria se alguém a encontrasse. Ele sabia o quão paranóico soava, todavia com ela não poderia descartar as possibilidades... Inevitavelmente, conscientizou que estar lá representava perigo para ela. Poderia ter sido o Mike e o Ben a ter vindo aqui. Poderia ter sido realmente James, que embora no momento não parecesse uma ameaça, uma oportunidade não iria lhe passar em branco. Ele odeia islãs... E será muito pior quando ele descobrir sobre o segurança e Rosalie.

Suspirou, deixando de lado os pensamentos pessimistas, e aproximou-se dela. —Desculpe pela demora.— Sussurrou e encostou-se ao seu lado. Ela ergueu o rosto e assentiu, balançando a cabeça. Seus olhos estavam acolhedores.

—O jantar é amanhã.— Informou, e ela, aparentemente surpresa, arregalou os olhos. —Não se preocupe. Alice certamente não estará em casa. Você não será hostilizada lá. —Tranquilizei-a.

Ela balançou a cabeça em afirmativa novamente. Minutos se passaram, e ela permaneceu quieta, todavia até o silêncio perto dela era acolhedor, o apaziguava.

—Aconteceu uma coisa agora a pouco que me deixou em parafuso.— Iniciou e ela lhe olhou em expectativa. —Acho que estou meio paranóico com tudo que envolve você.— Sorriu, sem jeito, respirou fundo, pôs a mão na grade e olhou para a cidade. —Encontrei o James agora a pouco. Quase entrei em pânico pensando que talvez ele tivesse te seguido e feito algo ruim com você.— Disse pausadamente e suspirou. —Acho que estamos nos arriscando.— Expôs seu receio.

Ela enfim pegou a caderneta em seu bolso e começou a escrever. —Sim. Estamos.

Edward inclinou-se um pouco, colocou o cotovelo na grade e olhou diretamente em seus olhos.

—Mas o que me surpreende foi o modo como me senti impotente.— Passou a mão no cabelo, agitado. —Eu não quero que nada aconteça a você por imprudência minha.— Disse sinceramente, se sentindo estranho com toda a facilidade que tinha de se expressar com ela. Sem intenção, estava expondo o seu sentimento protetor.

Podemos parar.— Ela escreveu e levantou os olhos, o estudando.

Edward olhou meio desgostoso para ela, talvez até um pouco chateado por sua companhia ser tão dispensável para ela. —Você quer parar?— Inquiriu, arqueando uma sobrancelha.

Deveria...

—Mas não quer.— Levantou a mão e tocou a dela. Desde que ontem não foi problema tocá-la, hoje não deveria ser também. Ela não se moveu, ficou somente olhando para mão dele sobre a sua. —Você me responde algo que quero muito saber de você?— Mudou de assunto. Ela moveu as mãos em um gesto de 'depende'. —Por que resolveu fazer Engenharia Nuclear?

Ela pareceu surpresa e tirou instantaneamente sua mão debaixo da dele. Segundos depois ela lhe olhou com determinação e abaixou o olhar, começando seguidamente a escrever.

Nada muito importante. Saiu de uma brincadeira com um amigo quando criança.— Deu de ombros.

Ele começou a rir. —Só por isso você fez E.N? Por causa de uma amizade?!— Estava tão chocado como surpreso. Por vários dias ficou preocupado com o porquê de ela ter escolhido esse curso, no fundo imaginando que ela fosse aprendiz de terrorista ou coisa assim, e saber agora que foi por causa de uma amizade o deixou perplexo.

—Diga-se, Isy, seu amigo sabe que você fez o curso combinado?— Perguntou ainda sorrindo.

Sim.

Conversaram mais algum tempo sobre coisas sem importância, e então mais um intervalo passou. Voltaram para a sala, ela primeiro, ele a observando logo atrás. Assim que a Mestra de Ética entrou, passou um trabalho extra para que fizessem em sala. Era uma explanação de idéias sobre o uso de armas atômicas. De novo, sua atenção foi para as necessidades de Isy. Se ela fosse fazer o trabalho, em nenhum momento ela poderia falar, afinal, ela não falava em público. Sem pensar duas vezes, escreveu seu nome e o de Isy e levou até mesa da Mestra, avisando que seriam uma dupla. Ao voltar para sua mesa, fez sinal com a cabeça para que ela viesse sentar com ele. Antes que ela hesitasse, cerrou os olhos e a desafiou a negar, encarando-a. Ela suspirou, pegou seus materiais com semblante rendido e caminhou até sua mesa.

Ela mal sentou e, rápido, escreveu em um papelzinho. —Você tem que parar de se expor!— Pareceu exasperada.

—O que você preferia que eu fizesse? Que deixasse você sem fazer ou deixasse você sentar com outros?— Edward sussurrou.

Queria que parasse de se preocupar comigo.— Jogou a anotação na mesa, rebelde.

Ele parou os olhos nela e seu olhar lhe trouxe novamente uma sensação de dé javú, evocando no mesmo instante a lembrança da Cygne. Às vezes elas eram tão parecidas na pertinácia!

—Desde que te conheci, nunca tive escolha, querida. Você preferia que eu tivesse deixado você nas mãos dos meninos aquele dia?— Espetou impaciente com sua postura esquiva.

Ela respirou fundo, em seguida escreveu. —Você não pode me salvar de tudo, principalmente de você. Só está sendo complacente porque não sabe quem sou.

Edward sorriu secamente, achando bizarra sua postura. —Boa hora para falar sobre você, dona segredo. Já abri minha vida para você, te dei amizade, mas você não dá nada em troca.— Ele se inclinou sobre a mesa e olhou intensamente em seus olhos, sentindo o clima hostil no ar.

Ela suspirou, fechou os olhos uns segundos, então voltou a escrever. —Qual a sua opinião sobre o uso de armas nucleares?— Após escrever virou o rosto, avisando com sua mudança brusca que o assunto não iria adiante.

Edward suspirou frustrado e abriu sua caderneta, começando após isso a escrever as idéias do trabalho. Passaram o restante da aula meio distantes, ligados somente pelo trabalho. Expressou suas idéias sobre o uso de armas nucleares em guerras e ela escreveu seu modo pessoal de ver. A opinião dela era que a energia Nuclear deveria ser usada somente como geração de energia para carros, hospitais e etc. Em vinte minutos terminaram e ficaram os instantes seguintes calados. Quando todos terminaram, um representante de cada grupo foi à frente da sala expor as idéias. Ele foi, e em todo o tempo ela lhe olhava com os olhos cerrados.

A aula terminou vinte minutos mais cedo, e como ele ainda estava meio irritado por sua esquivez, nem esperou a sala dispersar, saindo imediatamente. Ao passar pelo portão e avistar o carro do capataz estacionado atrás do seu, lembrou em um átimo que o segurança não saberia que tinham saído mais cedo, logo, ela ainda estaria esperando-o em sala...

Suspirou, se chutando por continuar preocupado, mesmo ela não dando a mínima para isso, e voltou rapidamente, atravessando o pátio em uma velocidade sem igual. Ao chegar perto da sala, resolveu diminuir o passo pensando em que desculpa eficaz inventar para ter voltado. No entanto, ouviu uma risada alta e parou do lado de fora, aguçando os ouvidos para decifrar a conversa que se passava.

—Hmmm, até que enfim sozinha.— Era a voz do Mike. —Eu não vou te machucar. Só quero saber o que o Cullen vê em você.

Meio enervado e ao mesmo tempo cauteloso, entrou em sala, notando lá Ben sentado em sua cadeira e Mike inclinado sobre a mesa dela, com as costas das mãos passando no seu rosto, por cima do nicab. —Você deve ser muito gostosa. Pelo menos sua barriga é uma delícia. Nunca esqueci do dia que a vi.— Disse lascivamente. Ela permaneceu quieta, olhando para baixo.

Edward percebeu a mão de Mike entrando por baixo do lenço, sob o queixo dela, e isso foi a gota d'água para lhe tirar da inércia. Caminhou rapidamente, e só se deu conta do que fazia quando seu braço se fechou no pescoço do Mike, dando uma gravata. —Tire a mão dela!— Rosnou furioso, apertando o golpe, depois deu um olhar mortífero para Ben em um aviso claro que ele não se metesse. Sentiu Mike perder as forças lentamente em seu braço, suas pernas ficando fracas no chão por causa do ar preso em sua garganta. —Se você ousar chegar perto dela mais uma vez, eu vou te quebrar todinho, e não me importo se o seu pai é importante ou não, sei que eu vou quebrar todos os ossos do seu corpo.— Afrouxou o braço ao perceber que ele já asfixiava. —Seu covarde filho da puta, fique longe dela!— Cuspiu e o soltou, olhando seguidamente para ela.

Ela tinha os olhos assustados em sua direção. —Tudo bem, Isy?— Perguntou. Ela assentiu balançando a cabeça. Edward olhou para o lado e Mike o olhava ameaçadoramente enquanto esfregava o pescoço. —Experimente, seu idiota.— Ficou na defensiva ao perceber que ele queria se atacar de surpresa. —É melhor você apanhar agora do que se arriscar a encostar o dedo nela depois.— Ergueu seus dois punhos fechados na altura do seu rosto, chamando-o para cair para dentro. Ben observava tudo tranqüilo.

—Qual o problema, Lyon?— Era uma voz grossa, que soou com imponência ao entrar na sala. Edward olhou para a porta e o segurança entrou com a mão direita enfiada na jaqueta.

—Está resolvido.— Edward tranqüilizou sem querer que a situação piorasse, até porque Isy pareceu alarmar-se após ter visto seu segurança entrar. O segurança aproximou-se do Mike, que deu uns passos atrás, encostando-se à parede.

—Você não sabe com quem está mexendo, sua bichinha.— Disse e colocou o cabo de sua arma Glock à vista. Os olhos de Mike saltaram. —Se chegar perto dela mais uma vez encomende seu caixão.— Rosnou, pegou Mike pelo colarinho e o ergueu. —Agora fora daqui!— Ele o soltou bruscamente, Mike se equilibrou e saiu, sendo seguido por um Ben completamente calado e observador.

Ao ficarem só os três na sala, Edward se inclinou na mesa da Isy, sem se importar com a presença do segurança, e lutou contra o desejo de colocar sua mão sob o lenço e fazer um inventário. —Tem certeza que está bem?— Pôs uma mão sobre a dela e com a outra levantou o seu queixo, fazendo-a olhar para ele. Ela assentiu, balançando a cabeça. —Foi falha minha. Desculpe.— Sussurrou. Ela cerrou os olhos e sacudiu a cabeça em negativa. Ela queria se mostrar forte e não precisar dele. Mas era assim que ele se sentia agora, impelido a resguardá-la.

Por toda a vida, ele sempre manteve distância das pessoas. Na ocasião, ele acreditava piamente ser auto-suficiente, no entanto, por ironia do destino se aproximou dela, permitindo após isso que ela entrasse sutilmente em sua vida. Hoje sabia que o fato de ser sensível a ela, e ela precisar dele o fazia encontrar sentido em tudo. Ele se sentia útil e encontrou seu lugar.

—Pare de ser teimosa e só aceite, ok?— Sorriu. —Agora se levante e vamos.— Ainda segurando sua mão, ajudou-a a levantar da cadeira, sorrindo.

Distraído, olhou para seu segurança e ele os olhava atentamente, com os braços cruzados no peito.

—Até amanhã, Isy.— Soltou sua mão e saiu, deixando ela e o segurança na sala.

—Cullen...— Ao som da voz virou o rosto, quando já alcançava a porta. —Valeu, cara. Tô te devendo uma.— Era a primeira vez o segurança falava diretamente com Edward de um jeito amistoso.

—Não é por você.— Olhou para Isy ao seu lado. —Até mais.

O treino daquela tarde estava cansativo, uma vez que chovia muito e o técnico resolveu lhes matar na maldita academia. Rilley tagarelava ao seu lado com Hale, o cabeludo novato.

—...É, mas seu pai com certeza deve ter dado força lá também.— Rilley discutia enquanto exercitava os braços.

—É lógico que não. Ele nem dava a mínima para mim. Nem sabia que eu existia!— Hale se defendeu, ofegante, por estar levantando peso.

—Duvido! Essa é a maior vantagem de ter um pai influente: conseguir tudo.

Tentando não prestar atenção no assunto, porém sendo vencido pela altura que Rilley tagarelava, Lyon trabalhava os músculos da coxa. Parou quando Rilley abruptamente encerrou o assunto e lhe cutucou, apontando para a saída da academia. Edward virou o rosto e acompanhou seu olhar, parando exatamente na porta. Lá, tranquilamente, estava parada, vestindo blusa com capuz e óculos de lente rosa, a Cygne. Quando seus olhos fixaram nela, involuntariamente sorriu, sem conseguir esconder a surpresa e satisfação em vê-la.

Presunçosa, ela mordeu os lábios, sorrindo também, e imediatamente deu as costas e saiu.

—Tchau.— Edward sussurrou para Rilley, aproveitou a distração do grupo técnico e saiu discretamente da sala, indo atrás dela. Seguiu pelo corredor, e ela andava devagar, com as mãos nos bolsos.

Vê-la foi como ter uma injeção de adrenalina. Ele se sentia bem. Sentia-se feliz. Andou mais rápido e a alcançou antes de ela começar a descer as escadas.

—O que pretende? Fugir de mim?— Abraçou-a por trás, dando um beijo em seu pescoço.

Ela lhe soltou, ficou de frente para ele e lhe olhou minuciosamente da cabeça aos pés.

—Não. Estou te levando para o vestiário.— Disse e parou os olhos em seu abdômen, que brilhava por causa do suor.

Ele arqueou a sobrancelha.

—Já avaliou?— Enlaçou sua cintura, rindo. —Está faltando ou sobrando desde que me viu a última vez?Ela sorriu e deslizou os dedos em seu peitoral, descendo devagar até a barriga, e beijou nesse tempo seu queixo. —Está perfeito, leãozinho. Senti sua falta.— Sussurrou docemente.

—De qual leãozinho sentiu falta?— Insinuou sugestivamente, incerto se ela saberia sobre o apelido.

Ela sorriu. —De você todo, seu bobo.— Se ela não sabia, imaginou, o que deixou ele bem feliz por ter sido lembrado. Ela enlaçou seu pescoço, como uma gatinha manhosa roçando no dono, e acariciou seu cabelo. Edward apertou sua cintura, já animado, e a empurrou para dentro do vestiário, encostando-a no armário.

—Por que você sumiu?— Inclinou e beijou seu pescoço, apertando-a na porta. Ele não conseguia nominar todas as sensações que sentia. Alívio, saudade, felicidade.

—Eu não pude aparecer. Estava meio presa.— Sorriu. Ele abraçou-a mais forte, quase quebrando seus ossos e deslizou a mão em suas costas, acariciando até as formas arredondadas de seu bumbum. Sua mão já se sentia tão dona dela que acariciava com possessão, suprindo a saudade. Depois de um tempo simplesmente abraçando-a, ergueu seu rosto e deu selinhos em seus lábios.

—O que queria aqui no vestiário?— Perguntou.

—Hmmm, pensei que talvez você quisesse se vestir antes de sairmos. É que talvez eu não vá poder sair esse fim de semana, e como queria muito te ver, resolvi vir.

Ela lhe deixou sem ação ao admitir isso. Algo nele inflou de satisfação. O fato dela ter vindo até ele, ter tomado iniciativa de procurá-lo pela primeira vez, deixou-o satisfeito. Se ela sentiu sua falta era sinal óbvio de que ele não estava sozinho nessa.

—Só hoje sentiu falta dos meus beijos?— Dramatizou fingindo ressentimento.

—Não. Hoje senti mais. Na verdade hoje queria te abraçar muito, por isso não resisti.

—O que aconteceu hoje que te fez sentir mais falta?— Pressionou com um sorriso presunçoso.

—Talvez você tenha feito boas ações e sua luz brilhou fazendo-me sentir falta de você.— Ela sorriu e mordeu os lábios.

—Às vezes você fala umas coisas muito sem noção.— Brincou e a ergueu no colo, com uma mão nas costas e outra atrás da perna, e seguiu para o local onde ficavam as duchas. —Tudo bem se tomar um banho antes de sairmos?— Propôs, pondo-a em pé.

—Sem problema.

—Você quer entrar comido no banho?— Deu a opção, enquanto tirava seu tênis. —Uh, quer dizer... Eu não faria nada que você não quisesse.— Sorriu cinicamente, dando uma piscadela.

Ela lhe forçou a virar e o empurrou devagar rumo ao chuveiro.

—Eu te conheço, Cullen.— Ela sorriu. —Você é mestre em prometer. Não quero nada.

—Rá, você diz que não quer só da boca pra fora.— Ironizou e tirou a meia, deixando-a pelo caminho, ainda com a mão dela em suas costas, o empurrando.

Já dentro do Box, virou-se de frente a ela e começou a tirar o short. Viu, presumido, ela arregalar os olhos, e ele sorriu descarado ao notar ela lhe avaliando abertamente enquanto ele descia o short. Endureceu involuntariamente. ─ Leãozinho exibiu-se igual um halterofilista em competição.

Após a avaliação, ela manteve o semblante composto, com um sorriso irônico na boca.

—Pode tocar. É de verdade.— Ele provocou e andou de costas até estar próximo à ducha. Ela não retrucou, apenas o acompanhou com o olhar em todo o tempo. —Tire a roupa e vem.— Ele pediu matreiramente e deu mais uma piscada marota, abrindo seguidamente o registro.

—Não.— Ela sussurrou, risonha.

—Tudo bem, então já que vai ficar aí, pegue uma chave no meu short, vai ao armário dez e pegue sabonete e toalha, por favor.— Pediu e entrou embaixo da ducha, deixando que a água caísse sobre ele. Segundos depois, ela voltou segurando sua toalha, aproximou-se do Box, entregou o sabonete e encostou-se de lado no portal.

—Obrigado.— Agradeceu e derramou o sabonete líquido na mão.

—De nada. Deseja mais alguma coisa?

Ele sorriu, esfregou uma mão na outra para espalhar o sabonete e deslizou a mão pelo pescoço.

—Sim, desejo. Uma massagem cairia bem.— Olhou sugestivamente para baixo.

Ela levantou os ombros em um suspiro cansado. —Deus do céu, você é a perversão em pessoa!— Resmungou, revirando os olhos.

—Nada disso. Você que entende tudo errado.— Defendeu-se se fingindo de ofendido. —Eu apontei foi para o meu pé.— Simulou inocência —Eu adoro massagens nos pés... Você que está doida por uma pegada e fica entendendo tudo distorcido.— Balançou a cabeça em negativa censurando-a falsamente. Ela sorriu desacreditada da sua dissimulação.

Ainda sorrindo, ela levantou o indicador e o chamou. Sem entender o que ela queria, mas muito interessado, ele deixou a ducha e foi até ela. Ela ergueu a mão, tocou seu rosto e ficou na ponta dos pés, olhando diretamente para seus lábios. Ele se inclinou, sem tocá-la, pois estava molhado, e fez o que ela pediu com o gesto, a beijou. O beijo foi doce, suave, de lábios, mas não deixou de distribuir euforia.

Leãozinho arregalou os olhos desacreditado que ela tivesse coragem de cutucá-lo com vara curta lhe beijando assim, em estado completamente nu. Todavia Edward ignorou ao máximo as suas tentativas de chamar a atenção e curtiu as mínimas sensações que o beijo distribuía. Após um tempo, ela sorriu um pouco e se afastou, sem dar a mínima atenção para o pobre que praticamente cambalhotava, avisando que estava ali... Puxa! O que custava dar um carinho e amansar o bichinho?

—Eu senti realmente sua falta, Cullen.— Ela sussurrou carinhosamente, com a mão acariciando a nuca molhada. —Sinto falta até desse convencimento, dessa sua certeza que é o último biscoito do pacote.

Ele ergueu a mão e fez uma carícia em seu queixo. —Eu sou.— Afirmou e puxou sua mão, forçando-a para que entrasse. —Vem, gatinha, seria tanta adrenalina te pegar molhadinha aqui no vestiário do clube.

—Eu já estou molhada.— Ela disse e sorriu.

Por um instante, torceu mentalmente que sua palavra tivesse outra conotação, porém, segundos depois ela apontou para sua roupa e mostrou que ele tinha se encostado nela ─ por esse motivo ela estava molhada. Argh!

Frustrado, deu as costas para ela e entrou novamente sob a ducha que descia forte. Ela cruzou os braços no peito e fingiu assoviar, olhando dissimulada para o teto. Ele tentou não se importar com ela lá e aos poucos a água o deixou mais relaxado. Olhou-a de esguelha depois de um tempo, e ela tinha voltado a olhar para ele, sorrindo em todo o tempo, lutando para esconder que estava acanhada. Ele relaxou e somente sorriu de sua expressão, tentando ignorar o leão aparecido que tinha entre as coxas. Passou sabonete em seu cabelo, fechou os olhos e deixou a água escorrer. De novo, espalhou o sabonete nas mãos, passou no peitoral, axilas, braços e virou de frente para ela novamente.

—Você podia vir me ensaboar e se esfregar em mim.— Sugeriu, olhando fixamente em seus olhos, lutando heroicamente para não ser tão hormonal e acabar obrigado a tocar uma na frente dela. Ela sorriu e o ignorou duro.

Querendo mudar o foco, ele começou a brincar, exibindo seus músculos. —Olha o que você está perdendo.— Travou propositalmente o abdômen, fazendo pose, depois ergueu o braço e exibiu o bíceps. Divertida, ela começou a gargalhar, rindo da sua performance.

—Cullen, você faz jus ao cromossomo Y que carrega. É exibido e presunçoso.— Ela ria muito, mas em nenhum momento tirou os olhos do seu rosto.

—Diz que não gosta do que vê?— Provocou, correndo a mão por todo o cabelo molhado, encarando-a convencido.

Ela balançou a cabeça. —Puxa vida, Cullen, você é o cúmulo da presunção!— Ela sorriu, em seguida deu uma varrida minuciosa com o olhar pelo seu corpo —Sim, eu gosto do que vejo. Qualquer menina gosta.— Ela deu de ombros e virou o rosto, tentando disfarçar seu embaraço.

Ele fechou o chuveiro, aproximou dela, pegou a toalha que estava em sua mão e secou-se, enrolando depois em sua cintura.

—Não interessa se qualquer menina gosta. No momento, eu quero que VOCÊ goste.— Sussurrou e se encostou a ela na parede.

Subitamente ofegante, ela olhou apetecida para a sua boca.

—Pois, no momento, eu gosto, e muito.— Ela murmurou e o abraçou, enfiando os dedos em seu cabelo.

Presunçoso com a resposta, ele se inclinou e encostou seus lábios em sua boca, abrindo-a com sua língua. Ela correspondeu sem receios, sugando avidamente sua língua, com uma mão em seu cabelo e outra em seu peito. Apertou-a mais na parede, sentindo a eletricidade familiar com o contato percorrer o seu corpo. Adentrou com sua mão sob a blusa, deslizando-a em sua barriga macia, fazendo-a estremecer com sua mão fria, e seguiu para suas costas.

Ele mordiscou sua língua peritamente, e ela resfolegou apertando mais seus dedos em sua nuca. Ele gemeu quando se estreitou mais ao seu corpo e deslizou uma mão para seu cabelo dentro do capuz, trazendo mechas com o doce e viciante cheiro de frutas ao seu nariz. Inspirou profundo e empurrou o quadril nela, ouvindo excitado um baixo gemido de prazer. Apertou sua coxa e a meneou um pouco, friccionando ela nele. Ele continuava um viciado nela. A cada segundo tinha mais certeza disso e não via como fugir.

—Também senti sua falta, gatinha.— Ofegou, deixando seus lábios e seguiu para seu pescoço, louco com o amasso. Ficaram um tempo abraçados enquanto ele se acalmava, então minutos depois ele seguiu rumo ao seu armário, de mãos dadas com ela, e vestiu um moletom de passeio.

Ainda que se sentisse irresponsável com o treino, não hesitou ao terminar de se vestir e fugir com ela.

—Aonde pretende ir?— Perguntou quando já estavam no seu carro. —Ah, por favor, aqui dentro tire esse óculos e esse capuz.— Gentilmente, desceu seu capuz e espalhou seus cabelos pelos ombros.

—Tudo bem.— Ela tirou os óculos. —Podíamos ir para perto do farol. Lá fica mais fácil para meu amigo me pegar.— Ela sugeriu.

Deixaram o clube e seguiram rumo à praia. Chegaram ao farol por volta de oito horas, e, devido ao frio, ele ligou o aquecedor em uma temperatura confortável e ficaram dentro do carro. Ele sabia que não era uma boa ideia estar tão exposto em seu carro, afinal, ele era conhecido pelos paparazzi. Pensando assim, decidiu fugir de prováveis transtornos, principalmente por causa dela, e estacionou em uma parte escura em frente ao mar.

—Por que você disse que estava meio presa no fim de semana?— Perguntou curioso.

Ela não respondeu e, com o olhar distante, suspirou. Edward deu-lhe um tempo enquanto ajustava seu banco, depois sentou de lado, frente para ela, colocando seguidamente uma música do Paramore no toca cd. A seguir puxou sua mão, a fez sentar-se em seu colo de lado e beijou seu rosto.

Ela sorriu triste e, meigamente, pegou seu rosto em suas mãos. —Temos pouco tempo, então melhor não me perguntar coisas que não terá respostas exatas.— Disse, repentinamente, apertou o botão do seu banco, ele deitou mais, e ela deitou por cima dele, ajustando em seguida suas pernas cada uma para um lado do seu quadril. Edward ficou surpreso, pois não era normal esse comportamento nela, mesmo assim, gostou da imposição.

—Sabe, Cullen, você não imagina como senti falta de... Estar com você assim.— Ela sorriu e enfiou a mão por dentro da sua camiseta. —Às vezes tenho uma comichão de vontade de tocar em você.— Acariciou com a ponta dos dedos da barriga até o peitoral, seguidamente se inclinou, levando os lábios até o seu pescoço. Ela lhe beijou um tempo no pescoço, então ele segurou sua nuca e mostrou intenção de trazê-la para seus lábios. Porém, ela não foi. —Shiu... Quietinho...— Sussurrou, beijando suavemente seu pescoço. —Como tenho pouco tempo, eu vou aproveitar de você e fazer o que tive vontade essas duas semanas.— Disse ainda acariciado seu abdômen.

Bom, ele não era bobo, portanto, aproveitou... Se ela queria lhe usar, ele não iria impedir. Não mesmo. Animadinho, fechou os olhos e virou o pescoço, dando espaço para seus beijos e mordidinhas. Sua carícia era tão cheia de significados ambíguos... Era estimulante e doce, cálida e arrepiante, fazia cócegas e ao mesmo tempo lhe colocava duro. Estremeceu um pouco quando sua língua subiu do pescoço à orelha. Sentiu a familiar eletricidade vibrar em sua nuca e descer pela sua coluna, deixando-se eufórico, feliz e, ao mesmo tempo, louco de desejo. Ele queria verbalizar o que sentia. Cygne descobria partes erógenas que ele nunca valorizou antes. Ele poderia chegar ao êxtase só de tê-la em cima dele, o beijando daquele jeito, com ele a mercê do seu desejo.

Apertou as duas mãos em seu quadril e meneou-a nele, dando um gemido abafado ao sentir seu calor. Já cheio de luxúria, entrou com a mão em sua blusa e levou-a ao seu seio, morrendo de saudade das formas. No mesmo instante ela direcionou a boca para os seus lábios e, famintamente, invadiu sua boca. Apertou-a mais ao seu quadril, suprimindo a falta que ela fez, torcendo mentalmente que ela nunca desaparecesse. Ela gemeu em sua boca quando ele prendeu o bico em seus dedos e mordeu sua língua.

Edward se sentia um puto de um pervertido interessado em seu corpo, quando seu beijo expressava carinho, entrega. Só que ele não sabia como lidar com isso, não sabia fazer assim, nem levar adiante a relação quando era algo distinto a mera necessidade sexual, uma fixação patética e irremediá , arranhou com uma mão livre suas costas, cintura, desceu para as coxas, depois seguiu para seu quadril, apertando-a novamente.

Ofegante, ele imaginava como ela devia estar molhada com o amasso e então se lembrou do seu último encontro no tanque de guerra, no qual ficou lhe devendo um orgasmo.

Sua língua brincava em seus lábios, acariciando, experimentando cada côncavo.

—Queria ter mais tempo com você.— Ele lamentou, desviou sua boca de seus lábios e desceu para seu pescoço, não parando nunca de brincar com os seus seios. Ugh, era tão divertido e excitante acariciá-los!

Respirando difícil, ela deitou a cabeça em seu ombro. —Temos no máximo uma hora.— Ofegou e voltou a beijar preguiçosamente sua orelha.

—Tempo suficiente para concluir algo que comecei.— Desceu com uma mão em sua barriga e entrou em sua calça de moletom. Inesperadamente, ela interrompeu o trajeto e segurou sua mão, antes que ela entrasse em sua calcinha.

—Hoje não.— Sussurrou, ainda segurando sua mão.

Ele continuou beijando seu pescoço, sem entender seus motivos quando já a tinha tocado intimamente antes. —Por quê, Cygne? Seu corpo vai sentir falta depois!— Se o corpo dela fosse como o seu, ele iria reclamar a falta de alívio por dias.

—Ele não pode sentir falta de algo que não conhece.— Murmurou e sua decisão foi tornando cada vez mais estável. —Além disso, estou nos dias... —Interrompeu sugestivamente, embaraçada.

Edward não deu atenção ao fato dela estar de bandeira vermelha e ficou surpreso com o fato de ela dizer que não conhecia. Sim, ele imaginava que nenhum homem tivesse lhe proporcionado isso, pois ela tinha dito, todavia nunca tinha descartado a hipótese dela mesma se tocar, afinal, meninos fazem isso desde cedo. Por que motivo ela não faria?

—Você nunca se tocou assim?— Perguntou sem esconder sua descrença.

—Não.— Ela respirou fundo, sentou ereta em seu colo e começou a arrumar o cabelo. Ele olhou seu rosto e sorriu, notando pela primeira vez que não conhecia porra nenhuma sobre meninas mais recatadas. Estava tão acostumado com a lascívia, o sexo sem compromisso, muita promiscuidade que pensava que toda menina estava interessada nisso, em satisfação física. Mas ela não, ela só queria lhe beijar. Ela era um frustrante e fascinante enigma, muito difícil de decifrar. E a cada minuto ele tinha mais certeza do quanto a queria. Quanto mais ela o intrigava, mais ficava louco para se acabar dentro dela.

Edward forçou seu tronco a inclinar e a fez deitar sobre ele. Tinham pouco tempo, portanto o correto era curti-la mais um pouco e, se possível, descobrir mais alguma coisa sobre ela.

—Qual a sua idade?— Perguntou deslizando os dedos em suas costas.

—Vinte e dois.— Respondeu rápido.

—Quando faz aniversário?

—Ai, Cullen, pra que você quer saber?— Ela sentou de novo e encostou as costas no volante. Sua blusa se ergueu um pouco com a posição, lhe fazendo salivar com a vista.

Ele apertou o botão para o banco voltar, ajustou meio deitado, depois levou os dedos para frente e ficou acariciando sua barriga exposta, louco para substituir sua mão por sua boca.

—Não sei. Curiosidade. De repente você faça aniversário perto de mim. O meu é em dois meses.— Tentou ser indiferente, mas no momento o que mais queria era descobrir sobre a menina que tirava seu sossego.

—Tudo bem. Meu aniversário é em setembro.

—Início, meio ou fim?

Ela lhe olhou serenamente e debruçou-se sobre o seu ombro.

—Pra que quer saber?— Sussurrou, beijando seu pescoço. —Até lá você não se lembrará nem do meu nome.

—De repente eu mande um cartão.— Brincou.

—Ah, e você manda cartão de aniversário para todas as meninas que passam pela sua mão?— Satirizou. —Haja cartões!

Edward afastou-a brevemente, um pouco chateado com toda essa ironia dela com relação a ele e outras garotas.

—Olha, Cygne, talvez o que eu vá falar não te interesse, e sei também que não estamos envolvidos em um tipo de relacionamento com cobranças e explicações, todavia quero que você saiba que desde que fiquei com você a primeira vez, não fiquei com outras garotas.— Explicou.

Ele não sabia exatamente porque teve vontade de falar isso, mas o que antes soava como brincadeira da parte dela, agora o afetava. Ele não queria mais que ela lhe visse como esse cafajeste que ela pintava.

—Eu nunca te pedi isso, Cullen. Eu não me importo com o que você faz. Você é solteiro, bonito, famoso, livre. Nada te impede de ficar com outras garotas.

Edward segurou-a pelo ombro e afastou-a, fazendo-a olhar para ele. —É, realmente nada impediria, a não ser uma garota que, sorrateiramente, invadiu a minha vida e me faz pensar em seus beijos todas as horas.— Disse incisivamente.

Ela suspirou e depois de um tempo se pronunciou: Vou fingir que acredito...— Disse e abaixou o olhar —Mas, se for verdade, er...saiba que é recíproco.— Respirou fundo, de olhos fechados e pousou a cabeça em seu ombro, com um pouco de tristeza na confissão.

—Melhor eu ir.— Cygne informou após um tempo de silêncio. —Amanhã acordo cedo e à noite tenho compromisso.

—Então é por isso que não vou poder te ver amanhã?

—Sim. Mas talvez ainda vá, se conseguir sair cedo do compromisso.

—Hmmm. —Ele acariciou sua cintura e suas costelas, por dentro da blusa, com seus cabelos espalhados em seu nariz. —Temos logo que resolver essa situação de falta e saudade.— Propôs insinuantemente e provocou, sorrindo, mais uma friccionada dela nele, mostrando com o ato qual situação teriam que resolver.

—Podemos esquecer meu amigo vindo me buscar e fugir juntos para resolver seu problema.— Ela sugeriu com neutralidade, e como ele não disse nada e ficou nitidamente tenso com o apontamento, ela se afastou um pouco, olhando minuciosamente para ele. —É brincadeira, Cullen.

Ele tentou disfarçar, mas mesmo sendo brincadeira, se abalou um pouco, pois, era claro que se estivessem apaixonados, coisa que não estavam, essa seria a opção mais provável a seguir, caso quiséssemos ficar juntos.

—Desencana, Cullen. Como você disse antes, é química. Não é um problema. Depois passa. Enquanto isso, vamos curtir.— Brincou, e ele bem que queria que o problema ainda fosse somente química, sexo. No entanto, não era mais isso, pra começar. Ela deitou novamente a cabeça em seu ombro. —Por hoje, eu quero só ficar assim com você, sentindo sua pulsação, ouvindo sua respiração.— Cygne disse e beijou devagar o seu pescoço, com muito carinho.

Pensativo, fechou os olhos e deitou a cabeça no banco, deixando que ela lhe beijasse.

—Sabe, Cullen, mesmo que eu não demonstre e mesmo que às vezes seja ingrata, eu gosto de você em minha vida.— Ela disse lhe cobrindo de beijos doces. —Mesmo sendo errado, quando estou com você tudo se torna mais fácil.— Surpreso com sua repentina transparência, ele somente a ouvia e acariciava sua nuca. —A nossa sorte é saber que seu coração não é alvo fácil, assim, não preciso me preocupar em fazer você sofrer quando tiver que ir de verdade.— Enfatizou agora beijando preguiçosamente seu queixo.

Edward respirou fundo e desfiou suas palavras. Ela tinha acabado de repetir exatamente o que ele tinha lhe dito na última vez que tinham se visto: que seu coração não era alvo fácil.

—E você tem planos de sumir de vez?

—Sim... Em breve, sim... Quando tudo estiver descomplicado. — Disse misteriosamente.

—Ai, Cygne, fala claro. Que complicação seria essa?— Reclamou, acariciando seu cabelo. Ela não respondeu. —Bom, diante das suas dicas obscuras, pelo menos ficou claro que pretende deixar Liverpool.— Inferiu. Foi acometido por uma dor sufocante ao pensar na despedida. Era impossível que fosse sentir angústia todas as vezes que imaginasse que ela podia não voltar alguma hora. Ela não era nada sua, porra. Era só uma garota que o beijava deliciosamente, que tinha um gosto viciante, que tinha um corpo maravilhoso e que lhe trazia sensação de completude... Só isso.

Isso não era muito, era?

Abraçou-a mais forte e passaram os minutos seguintes assim, abraçados. Nada sexual.

—Cygne, eu quero ouvir de você, embora seja muito fácil descobrir por conta própria. Como você entra no clube e na casa de festas? Outra coisa, quem te convidou para a festa do Rilley?— Pôs seu rosto em suas mãos, esperando que pelo menos essas perguntas ela respondesse.

Ela respirou fundo e o olhou séria.—Que eu saiba tínhamos um acordo...— Lembrou e se afastou ligeiramente. —Se você tem intenção de passar mais um tempo comigo, não pergunte, Cullen, e não tente descobrir.— Alertou pesarosa.

—Tudo bem.— Concordou ao senti-la tensa, depois descruzou os seus braços e a abraçou novamente. —Você é chapa quente. Qualquer coisa toma ar.— Sorriu, tentando apaziguá-la.

—Não sou.— Ela suspirou, enlaçou os dedos nos seus cabelos, depois tocou levemente seus lábios com os seus. —Eu só queria que durasse mais...— Lamentou. —Nunca foi minha intenção te enganar, ou coisa do tipo. Eu só queria que pudesse ser assim... Só eu e você.— Ela segurou seu rosto em suas mãos e permaneceu dando selinhos, depois sua língua acariciou seus lábios docemente, um beijo cheio de palavras. Edward correspondeu ao beijo, e uma sincronia de sucções e carícias leves se fez.

—Então se você quer assim, vai ser assim, gatinha... Só eu e você quando estivermos juntos.— Sussurrou, apertou-a forte e aprofundou o beijo, buscando sofregamente seus lábios. Cedo demais, ela começou a retroceder, dando selinhos ainda com os olhos fechados, o acariciando com gestos repletos de paradoxos. Eram enigmas que ele não desvendou nem a metade, mas que agora nem mesmo tinha vontade de tentar, com receio do que pudesse descobrir.

Já se passaram mil possibilidades por sua cabeça sobre ela, onde calculava quem ela poderia ser, ou que tipo de família teria, até mesmo quem seria seu namorado. Mas ele nunca chegava a ponto algum. No fundo, ele temia o que podia acontecer se descobrisse, por isso preferia não desencadear a descoberta. Lógico que em algumas horas, como agora, hora em que ela tinha que ir embora e ele iria deixá-la, ficava completamente ansioso. Ele não sabia o que ela sentia por ele. Sabia era que ela gostava, assumidamente, de ficar com ele, que tinha muito carinho, chegando a ser estranho o modo como ela lhe olhava, como se estivesse... uh, apaix...não, isso não, − fascinada por ele. Se bem que fascinada não parecia ser o nome certo. De qualquer maneira, sem que ele tivesse planejado, era recíproco.

Ok, ela ser hmmm, fascinadapor ele não era totalmente estranho, afinal, maioria das meninas eram. Porém ele não esperava que essa... Uh, fascinação dela por ele lhe agradasse tanto. Na verdade agradar era um eufemismo do que sentia quando ela lhe olhava. Ele adorava o modo como ela lhe beijava, distribuindo faíscas no seu corpo, o modo como ela lhe abraçava manhosa... Admitia sem sombra de dúvida, ele também estava, er, fascinado por ela, o que era meio precipitado, pois, tava na cara que não rolava lance futuro ali... Entretanto, é assim que ele se sentia.

Rendido, passou o dorso das suas mãos em seu rosto e finalizou o beijo. —Você já vai, né?— Murmurou, com a testa encostada na sua.

—Sim.

—Vai tentar sair esse fim de semana? Eu quero passear de novo.— Pediu manhoso.

—Hmmm, só se eu não tiver que sentar naquele negócio duro.— Sorriu. —Você vai ter que arrumar uma bicicleta para mim.

Brincalhão, levantou o seu cabelo e capturou o lóbulo de sua orelha. —Quer moleza? Senta no pudim.— Sussurrou divertidamente, mordiscando sua orelha, e ela gargalhou, com a cabeça para trás.

—Ai, Cullen, você é muito bobo.— Empurrou o seu tronco no banco enquanto sorria.

—Não, gatinha, é sério, não tem moleza, não. Você vai sentada na mesma bicicleta que eu e ponto. Quero você pertinho de mim.— Puxou-a e mordeu seu queixo.

—Isso se conseguir sair. Talvez não seja tão fácil sair de dia como foi aquele dia.— Informou indiferente.

—Então como eu vou saber se você vai?

—Hmmm, nem imagino.— Deu de ombros. —Mas se conseguir sair, dou um jeito.

Edward torceu os lábios em uma careta quando notou que aparentemente ela não ia mostrar uma solução segura. —Pegue meu telefone.— Pediu.

—Não. Eu não quero.— Ela negou desaprovadora. —Combinamos no início de não nos comprometermos com dias seguintes, então o que estamos fazendo já está demais. Não era para você estar me esperando e nem para eu estar dizendo que venho.— Frisou indo em seguida sentar-se no banco do passageiro, depois ela apertou a tecla send do celular. Ele teve vontade de rir com o fato de ela tentar negar o seu número de celular quando ele já sabia. Mesmo assim, preferiu não se entregar.

—Quando combinamos isso você ainda não sentia minha falta, nem estava louquinha por mim...— Enfatizou com um sorriso convencido, inclinou no banco e pegou em seu rosto.

—Eu sentir falta de você não significa nada, Cullen.— Disse secamente e balançou a cabeça, fazendo um biquinho. —O que importa eu sentir?— Murmurou, olhou para o seu rosto e, além de orgulho, tinha pesar. Era nítido que ela não imaginava ser um sentimento mútuo.

Edward queria dizer que também sentia falta dela sempre, que se sentia sufocado em imaginar, de novo, que iriam depender de alguma sorte para que ela saísse de casa. Todavia, ainda não se sentia bem com a aceitação desse fato. Tudo era novo e ele sinceramente não sabia como agir. Não quando era impossível que esse relacionamento desse certo.

—Cygne, falando sério, vou te falar isso não é porque você está de rolo comigo, mas você vai agüentar viver assim a vida toda? Se eu fosse você buscava a minha liberdade... Você quer essa vida para você?— Acariciou sua bochecha enquanto falava.

Ela respirou longamente e olhou triste para fora do carro. —É a vida que tenho. É o que posso ter.

—Não, não é. As pessoas têm direito de ser livres. Tudo bem que em algumas famílias se regule ou proíba meninas de quinze e dezesseis anos de idade, mas você tem vinte e dois. Isso chega a ser um absurdo!

—Você fala assim, mas você mesmo não é livre.

—Não sou por escolha minha, eu escolhi!

Cygne aproximou o indicador da sua boca e o impediu de continuar a falar. —Shhh, chega de conversar. A única coisa que você quer de mim é curtir um momento, não é? Então você vai. Vamos ver em quanto tempo você cansa disso.— Ela sentenciou e lhe deu um selinho. —Tomara que até lá eu consiga resolver minha vida.— Resmungou com uma careta, depois abriu a porta do carro, deixando o vento esfriar um pouco a temperatura no carro. —Mas quanto ao fim de semana, se tudo der certo, eu vou te ver... Sábado tem jogo, não tem?— Ela arqueou a sobrancelha.

—U-hum.— Assentiu e enfiou seus dedos em seu cabelo, trazendo-a para seus lábios de novo, sem a mínima intenção de deixá-la ir.

—Ai, leãozinho.— Ela murmurou e acariciou os pelos crescidos de seu queixo, depois o beijou no queixo. —Eu tento ser objetiva na hora da despedida, mas você não deixa...— Reclamou manhosa. —Eu preciso ir.— Disse, respirou fundo, deu-lhe um último selinho e desceu rapidamente do carro, fugida, batendo a porta atrás de si.

Edward observou-a estático até que ela virou a esquina. De novo, ele se sentia impotente por não poder ir atrás, por não poder deixá-la em algum lugar, por deixá-la na rua como uma menina qualquer... Quando ela não era uma qualquer para ele. Não mais. Novamente, como da última vez que se viram, a sensação de vazio e frio foi se alargando como fumaça em seus sentidos, o que o fez se perguntar até quando negaria seus sentimentos.