Capítulo- Desconfortável
Sexta feira à tarde, o clima em sua casa estava completamente tenso. James saiu cedo, dizendo que iria para a casa de um colega seu e mais tarde iria para um hotel, já que ele não queria voltar para o jantar e nem poderia ir para festas sozinho por estar queimado. Já Alice, disse que iria sair com umas amigas. Rosalie, indiscreta, ironizou dizendo que não tinha nada de amiga e que Alice ia era namorar. Na ocasião, Edward fingiu não prestar atenção, uma vez que também tinha segredos que não estava disposto a compartilhar. Portanto, ele entendia Alice.
Esme estava desde cedo na cozinha comandando as cozinheiras para preparo de pratos locais e árabes, além de chocolates e batatas fritas, itens que há tempos ele não comia. Não foi para o treino, visto que o jantar seria seis horas, então não teria como treinar.
—Edward, sua mãe está te chamando para receber os convidados quando eles chegarem.— Rosalie avisou na porta do quarto dele, já pronta para descer.
—Ok. Estou descendo.— Passou em frente ao espelho e deu um jeito em seu cabelo.
Foi um absurdo que sua mãe tivesse lhe obrigado a vestir roupa formal dentro da sua própria casa. Escapou do smoking, no entanto, ela lhe proibiu de usar jeans e camiseta. Conseqüentemente estava de calça social preta, blusa preta com manga três quartos e um casaco de couro, ambos da Prada. Assim que terminasse o jantar iria dar um jeito de sair. Borrifou o Clive Christian, deu uns últimos ajustes no cabelo e olhou para Rose, que não tinha saído e o observava.
—Você é amigo dela, não é?— Ela arqueou a sobrancelha, com olhar inquiridor.
—Não.— Negou de impulso.
—Edward, você é um péssimo mentiroso.— Ela parou em sua frente, com olhar furioso. —Pasme você, mas o Emmett tem uma espécie de localizador, e cada passo dela, ele sabe onde ela está. Portanto, nessas duas semanas que você anda subindo com ela, ele sabe.
Edward sobressaltou com a informação e olhou em direção a ela. —Sabe?
—Sim. E enquanto você fica no 14º, nós ficaram no 13º. O Emmett tem uma sala lá, cedida pelo reitor.
Edward passou as mãos no cabelo, exasperado. —O que esse segurança tem para ter uma sala exclusiva?
—Ele é um segurança de alguém muito rica, talvez esse seja um bom motivo.— Ela deu de ombros indiferente e saiu seguidamente do seu quarto.
—Rosalie...— Chamou-a, e ela virou-se. —O James estava no 13º ontem... Acho que ele está te seguindo. Se cuida.
Ela colocou a mão na cintura, tomou uma lufada grande de ar e balançou a cabeça descrente. —Ok. Obrigada por avisar. Mas ele que não se meta com o Emmett.— Ela saiu, o deixando novamente preocupado.
Ansioso, passou mais uma vez em frente ao espelho e se pegou pensando se Isy apreciaria vê-lo vestido assim, uma vez que ela só o via na universidade, e lá ele sempre estava de roupas à vontade como jeans, camisetas e alpargatas. Como passava a maior parte do seu tempo de tênis ou chuteira, preferia ir para a universidade com anatômicas e confortáveis sandálias Adidas.
Saiu do quarto e caminhou até a sacada da frente, avistando de lá dois carros pretos e o Land Rover do segurança estacionando em frente a sua casa. Sem que decifrasse o motivo, viu que sua mão estava suando, direcionou as escadas e desceu.
—Deixa que eu atendo, mãe.— Avisou, já cruzando, apressado, a sala.
—Eu vou com você.— Esme disse.
Edward parou antes de alcançar a porta e esperou por ela. Ele mesmo não entendia sua ansiedade e tensão quando abriu a porta e esperaram que um funcionário os recebesse nos portões. Eles estacionaram um carro na garagem interna e um homem de terno desceu, indo a seguir abrir a porta traseira.
Instantaneamente seus olhos procuraram os de Isy ao vê-la descer e estender a mão para o homem alto e forte que esperava por ela. Edward concluiu que era o sheik, por seu porte e altivez. Ele era uma personalidade completamente diferente do que imaginava que seria. Pensou que desceria alguém com turbantes festivos do oriente médio, alguém barbudo e fechado, mas o que viu era um homem elegante, de terno. Um típico inglês quarentão, porém moreno por sol, com olhos azuis. Ele era um homem simpático, diria que imponente, até boa pinta. Ela o olhava e, se bem a conhecia, parecia sorrir, com confiança. Ver aquela cena o deixou desconfortável e desviou o olhar, não querendo ver um momento íntimo.
—Oi, Coll.— Sua mãe aproximou-se e lhe estendeu a mão.
Sorrindo, ele segurou-a e a beijou. —Como vai, Esme?— Respondeu cortesmente, em seguida pegou a delicada mão da Isy e lhe apresentou para sua mãe. —Esta é Isy Zaynah
Edward ouviu seu sobre nome e fez uma nota mental de pesquisar o significado depois.
—Prazer, Isy.— Sua mãe Respondeu —Você já conhece Edward, sim?— Seus olhos encontraram os dele e ela assentiu, balançando brevemente a cabeça.
—Boa noite, Isy.— Edward cumprimentou , pegou sua mão enluvada e a trouxe para seu lábio, dando-lhe um beijo.
—Filho, já conhece meu amigo?— Sua mão apontou para o sheik e Edward estendeu sua mão para o sheik.
—Como vai?
—Tudo bem, Edward?— Ele sorriu à vontade —Nem acredito que você arrumou espaço em sua agenda para nos encontrar. Não te vejo desde que você era criança!— O sheik gracejou.
Edward sorriu receptivo, notou o segurança próximo e estendeu a mão para cumprimentá-lo. No mesmo instante se perguntou: por que com mais dois carros de seguranças lá fora, só este entraria para jantar? Ele tinha que ser mais que um segurança.
—Vamos entrar.— Sua mãe chamou.
—Boa noite!— Rosalie apareceu no Hall de entrada e cumprimentou calorosamente as visitas, parando depois em frente à Isy. —Oi, menina, pensei que você viria sem esse lenço no rosto.— Ela deu um abraço forte em Isy, que nem mesmo levantou o braço para devolver, aparentemente assustada pelo calor no cumprimento. —Oi, sheik.— Ele estendeu a mão para cumprimentá-la, mas ela levantou os braços e lhe abraçou. Edward sorriu, e sua mãe coçou a garganta envergonhada. —Sou a Rosalie, mas pode me chamar de Rose.
—Prazer, Rose. —O sheik cumprimentou.
Ela virou-se em direção ao segurança.— Oi, Emmett.— Disse melodiosamente e dependurou-se em seu pescoço, dando lhe um beijo no pescoço. Ele ficou tenso, olhando em todo tempo para os quatro pares de olhos encima deles.
Edward rolou os olhos internamente, admirado com o fato de Rosalie não esconder de ninguém seu fascínio pelo segurança.
Agindo com discrição diante do ocorrido, Esme estendeu a mão para o sheik e se adiantou, adentrando ao corredor que levaria à sala de jantar. Edward para trás e Rosalie já estava com o braço no braço do segurança preparando-se para seguir o caminho que sua mãe fez rumo à sala de jantar. Restou-lhe ser cavalheiro. —Isy...— Ofereceu o seu braço para ela e sorriu, pedindo que ela pousasse o braço no seu. Ela estendeu a mão e ele a alojou em seu braço, caminhando seguidamente atrás de Rosalie.
Já sentados à mesa, ela se posicionou à sua direita e o sheik à direita dela, com Esme ao seu lado. À sua esquerda estava Rosalie e à esquerda dela estava Emmett.
O jantar começou a ser servido e nesse tempo Esme conversava calorosamente com o sheik. Quando Edward viu o tipo que prato que teriam, se inclinou até Isy preocupado em como ela comeria e sussurrou —Com esse lenço vai ser difícil lhe olhou um tempo, só então ele viu que ela não tinha como responder. Para sua sorte, ele tinha uma caneta fácil em seu bolso, então a colocou em sua mão e lhe ofereceu sua mão para ela escrever. Ela a pegou por baixo da mesa e escreveu disfarçadamente enquanto todos se ocupavam em suas conversas. —Já jantei.— Foi o que ela escreveu.
—Não vai comer nada?— Sussurrou novamente.
Ela olhou para mesa e lá tinha algumas batatas fritas, então ela estendeu a mão, pegou um guardanapo, escolheu algumas fritas, levantou um pouco o lenço com uma mão e com a outra levou a fritas até a boca.
Edward sorriu de sua espontaneidade e, despreocupado, começou a fazer o seu prato com cremes.
—Como está o futebol, Edward?— O sheik se virou em sua direção e iniciou um assunto, surpreendendo-o.
—Er, está bom. A equipe está trabalhando duro para a Champion da UEFA.— Respondeu e emergiu alguns camarões fritos no creme de queijo, levando-os logo após a sua boca.
—E você está conseguindo levar numa boa os estudos e o futebol?— Perguntou interessado, comendo também alguns camarões.
—Sim. Dá pra levar. Tenho pouco tempo, mas estou conseguindo.
—Eu tenho um filho que estuda e faz futebol também.— O Sheik continuou, e , distraidamente, Edward se inclinou para falar próximo a Isy.
—Experimenta esses camarões. Estão sequinhos.— Disse, enrolou um em um guardanapo e lhe entregou. Primeiro ela lhe olhou um tempo, então levantou brevemente o lenço e levou o camarão até a boca.
—Bom?— Sorriu para ela, e ela assentiu, cerrando os olhos em um sorriso escondido.
Aquele foi um daqueles momentos que ele daria tudo para ver o seu sorriso. Queria que ela fosse livre para não precisar ficar com o rosto coberto. Ela era sua amiga, não era? Ela não devia precisar ficar com o rosto coberto perto dele.
Ele voltou a comer, ainda sorrindo para ela, e notou alguns olhos em sua direção. —Então...— Coçou a garganta, um pouco desconcertado, tentando lembrar o assunto que estavam falando antes de se distrair. —Er, seu filho estuda e faz futebol?— Corrigiu a gafe, voltando ao assunto anterior.
—Sim. Ele faz os dois nos mesmos locais que você.— Respondeu, imergiu uma torrada no creme e a levou até a boca.
—Qual o nome dele?— Se obrigou a mostrar interesse, enquanto isso colocava mais uma porção de camarão em seu prato.
—Jasper.
—Hmmm, não conheço.
—Pode ser que não. Ele é novato no time dos contratados.
—Ah, eu não conheço todos os integrantes do time. Principalmente os novinhos.— Pegou mais um camarão e entregou furtivamente a Isy. Ela negou com o dedo, mesmo assim ele sorriu e a fez pegar. —Coma. Aquilo que você come no lanche não deve ter nutriente nenhum.— Falou baixo para que somente ela ouvisse.
—Eu não sabia que tinha um filho, Coll.— Sua mãe falou com o sheik, que olhou de volta para ela.
—Nem eu , Esme.— Ele sorriu divertido. —O Jasper apareceu em minha vida tem cinco meses. Foi quando a mãe dele me ligou pedindo uma força para ele aqui no clube do Liverpool. Ela queria que eu desse um jeito dele entrar em um clube e estudar, já que ele estava dando trabalho para ela.
—Ah, crianças são assim mesmo. Qual a idade dele?— Esme perguntou.
—Dezoito. É um pirralho.— O sheik sorriu, depois se serviu de carne seca.
—Pior que você nem pode dar muita atenção para ele, né, por causa dos negócios.
—É. O fato de viajar muito toma bastante tempo.— Concordou.
—O senhor tem negócios em Haia?— Edward perguntou em um impulso, e só depois de ter proferido pensou no que tinha acabado de interpelar. Os olhos de Isy saltaram de surpresa. Percebeu que ela tinha prendido o ar nos pulmões pelo modo como seu ombro estava ereto.
O sheik o fitou curiosamente antes de responder. —Não. Eu não tinha negócio em Haia.— O humor fugiu do seu rosto —Mas, por que a pergunta?— Ele franziu o cenho com interesse, depois trocou olhares com o segurança, para então olhar inquisitoriamente para Isy. Com aquela pergunta impensada e estúpida, involuntariamente, Edward expôs o grau de sua amizade com Isy, o que era precipitado.
—Eu que falei, senhor Collin, sobre sua viagem a passeio para Holanda.— Todos os rostos se viraram para a voz que respondeu, e Edward ficou surpreso ao associar a resposta ao dono da voz. —Falei também que aproveitamos e passamos por Haia.— Era o segurança. Por segundos desconfortáveis houve silêncio, até que finalmente Rosalie quebrou.
—Então você conheceu a minha mãe, tio Coll?— Rosalie perguntou para o sheik, que suspirou e relaxou.
—Sim. Nós tivemos um... Pequeno flerte.— Ele sorriu de canto e olhou conspirador para Esme.
Edward ouviu um suspiro aliviado de Isy e guardou isso para pensar mais tarde: no motivo de ter tido tanta tensão entre eles ao se pronunciar Haia.
Brincalhona, sua mãe bateu no braço do sheik e sorriu. —Que pequeno flerte, o quê, Coll? Pequeno flerte é um diminutivo do que vocês tiveram.— Ela ofegou, divertida. —Vocês dois eram grudados um no outro, viviam juntos como unha e carne.— Ela sorria muito.
—Você sabe muito bem que eu amava outra pessoa, Esme.— Eles se olharam uns segundos como se estivessem revivenciando algum segredo. —Eu só fiquei com ela para me consolar. Foi mais por amizade.
Edward olhou para Isy, e ela rolou os olhos. Ele mesmo não se sentia muito confortável com a conversa na mesa. Parecia ser íntima demais, pois o sheik e Esme se olhavam de um jeito estranho. Depois de uns segundos sua mãe desviou o olhar e sorriu sem jeito.
—Experimentem este pavê. Eu mesma fiz.— Ela colocou uma quantidade grande no prato do sheik, olhando diretamente em seus olhos. Eles ainda sorriam um para o outro quando ele levou uma colher aos lábios.
—Não consigo entender como você ainda mantém este corpo.— Ele acusou-a divertidamente.
—Essa é a vantagem de ser nutricionista. Como bem sem exagero.— Ela sorriu e se virou para Isy —Sua noiva tem que idade?— Ela finalmente deu atenção para outra pessoa na mesa que não fosse o sheik.
Isy vestia hoje roupas quase normais, embora um pouco folgadas. Ela não estava de Nicab. Vestia uma calça saruel preta, uma blusa preta de manga longa e um lenço vermelho envolvendo rosto e cabelo. Sua maquiagem estava muito forte, os olhos bastante puxados por um lápis escuro e sombreados de preto.
—Vinte e dois.— O sheik respondeu. —Edward também, não é?— O sheik olhou de canto para Edward.
Edward assentiu.
—Eu também, tio.— Rosalie se intrometeu. —Minha tia contou para o senhor que eu e Edward somos praticamente gêmeos?
—Não, ela não disse... Você não é filha da Elizabeth?— O sheik perguntou meio confuso.
—Sim, mas eu e Edward nascemos no mesmo dia e fomos criados pela mesma mãe, então somos quase gêmeos.— Rosalie disse contente e apertou a bochecha de Edward. —Nossas mães marcaram a cesárea para o mesmo dia.— Ela lhe olhava sorrindo. —Mas minha mãe morreu de anafilaxia, o senhor deve saber, por isso minha tia Esme que me criou.
—E sobrou para mim.— Edward arreliou brincalhão —Com isso fui obrigado a ter que dividir a minha mãe, a minha vida e a minha privacidade.— Ele riu quando Rosalie jogou um beijo para ele. Todos sorriram na mesa.
—Vocês nunca tiveram que me dividir. Meu coração é dos dois.— Esme fez charme bem-humorada.
—E o pai dela?— O sheik perguntou interessado.
Os dois se encararam um tempo, então ela desviou o olhar. —Sem chance, Collin.
—Você sabe que sim.— Ele sussurrou, olhou de novo para Rosalie e voltou a olhar intensamente Esme.
Tentando não dar assunto para o que os dois conversavam, Edward pegou uma barrinha de chocolate suíço na mesa e colocou disfarçadamente na mão de Isy sobre o seu colo. Ela levou um susto quando ele tocou sua mão, mas agradeceu depois que viu o que ele tinha lhe dado. Ele inclinou e aproximou dela para falar em seu ouvido. —Está gostando do jantar?— Perguntou e ela assentiu. —Você é sempre calada assim?— Brincou, levando uma barrinha de chocolate aos seus lábios. Ela rolou os olhos, divertida. Sem pensar no que fazia, ele pousou sua mão na coxa dela. Ela assustou, então ele sorriu e se inclinou novamente. —Caso você queira fofocar é só escrever em minha mão.— Sorriu e ela assentiu, os olhos brilhando de diversão.
—Edward era o filho predileto do general, não era, Esme?— O sheik perguntou para sua mãe. Ao ouvir o som do seu nome Edward desviou o sorriso de Isy e atentou novamente os ouvidos para a conversa.
—Sim.— Esme respondeu. —Eu rezei dia após dia que a gravidez fosse de um menino. Quando Alice nasceu, percebi que Anthony não ficou muito empolgado. E por sorte eu tive meu bebê caçula.
—Ai, mãe, não me chame assim aqui.— Edward balançou a cabeça envergonhado e olhou para o segurança, que sorria zombeteiro. Na verdade todos sorriam na mesa do seu estado embaraçado de caçula mimado.
—Sorte sua seu pai não ter te inserido no meio militar, Edward.— O sheik comentou, interrompendo o momento diversão.
—Na verdade ele tentou.— Edward disse. —Hoje seu faço E.N. por causa dele. Seu sonho era que eu fizesse algo pela pátria, ou mesmo fosse para a Inteligência Britânica.— Sorriu e notou no instante seguinte o segurança remexendo em sua cadeira. Continuou: Talvez eles aceitem um jogador de futebol marrento com notas medíocres por lá.— Ironizou.
—Você é bom jogador. Não tem porque ir para o SIS.— O segurança entrou no assunto. —Talvez você perdesse sua liberdade e sua vida própria se fosse para lá.— Ele completou.
Edward derramou um pouco de licor no seu pavê e trouxe um pedaço até seus lábios. —Eu não consigo se imaginar trabalhando na Scotland Yard, de qualquer forma. Isso era coisa do seu pai. Até que ele já estava conseguindo infiltrar o James lá, e tinha muita certeza que conseguiria me levar.— Sorriu com a lembrança, sentindo que o clima na mesa tinha mudado com a menção do seu pai.
—Já que todos terminaram vamos tomar um vinho na sala.— Esme sugeriu e levantou-se, sendo seguida por um sheik muito atencioso que lhe ofereceu o braço. Se Edward não soubesse por Isy que o sheik era seu noivo, ele nunca imaginaria isso pelo seu comportamento.
—Vamos.— Edward ofereceu amistosamente o braço para Isy, e ela o segurou. —Esse modelo de lenço ficou perfeito em você.— Elogiou e sorriu. Rosalie e o segurança os seguiram logo após, sentando-se em um sofá duplo. Edward foi até o bar, encheu sua taça com Martini de chocolate e sentou ao lado de Isy no sofá.
—Vocês são amigos, Edward?— O sheik perguntou, olhando atentamente para Edward e Isy.
O caçula foi tomado de surpresa pela sua pergunta, e, sem saber o que responder, virou o rosto, parando involuntariamente em Rosalie, que o olhava como se esperasse sua resposta. Ele respirou fundo, fugindo do seu olhar e olhou para Isy, quase pedindo socorro, totalmente incerto do que responder.
—Colegas de classe.— Murmurou por fim e no mesmo instante sentiu frustração por sua fraqueza. Isy nem mesmo se moveu. Ela estava imperturbável, sentada ereta, como se não interessasse pelo assunto abordado.
Satisfeito com a resposta, o sheik se virou para Esme. —Assim que Isy entrou na universidade, quase que eu liguei para você, Esme, pedindo que seus filhos dessem atenção a ela até que a... Transferência do Emmett saísse, já que meu filho Jasper estuda lá e tem reservas em andar com ela.— Ele levou o copo de uísque aos lábios. Como se Isy fosse sua propriedade, ele pegou na mão dela, puxou-a até ele. —Essa garota aqui tem sido uma guerreira para enfrentar tudo que a vida armou contra ela.— Disse beijando sua mão.
Edward ficou meio desconfortável em vê-la recebendo mimos, não preparado para a demonstração de carinho. Notou que o sheik a olhava com adoração e cautela. Edward queria conseguir definir o que sentiu, mas o único sentimento que conseguiu decifrar foi... Desconforto?
O sheik pôs a mão dentro da dela e cruzou os dedos, movimento que remeteu Edward à lembrança dos dois na cobertura dias atrás.
—Como assim, Coll?— Sua mãe interrompeu o momento carinho. —O que a menina tem enfrentado?
—Perseguição, insegurança, ameaças.— Ele ergueu a mão, levou-a para baixo do lenço de Isy e começou a acariciá-la no rosto. —Eles não sabem quanta beleza há nela.— Disse mergulhado de... Compaixão? Carinho? Amor?
Edward soltou o ar, só então notando que o estava prendendo. O sheik a amava, isso era nítido. Por um instante Edward achou um absurdo que ele a amasse, pois ele podia ser seu pai.
—Você a ama, Coll?— Esme pareceu ler seus pensamentos para ter feito tão indiscretamente essa pergunta.
O sheik continuou acariciando por baixo do lenço, então olhou para Esme. —Existe várias maneiras de amar, Esme.— Disse de uma maneira enigmática, encarando-a enquanto deslizava os malditos dedos no rosto de Isy.
Edward buscou em todo o tempo a atenção dos olhos de Isy, enquanto sorvia, meio entretido, o seu Martini. Percebeu um par de olhos lhe queimando e quando olhou para o lado, Rosalie lhe perscrutava minuciosamente, com os olhos cerrados. Inesperadamente ela levantou e disse: Que tal irmos para a cobertura ver a noite, Isy?— Rosalie aproximou-se dela e pegou sua mão. Isy olhou-a desconfiada, pois era a primeira vez que Rose oferecia alguma amizade a ela. Mas não mostrou nenhuma resistência. Rosalie continuou. —Vamos. Acho que sua tia gostaria de colocar as novas em dia com o tio Collin.— Elas seguiram de mãos dadas rumo às escadas. —Edward, mostre suas medalhas para o Emmett que eu vou para a cobertura com Isy.
—Tudo bem.— Edward concordou desconfiado ao notar que ela devia estar armando alguma. —Vamos, Emmett?— Chamou-o e levantou.
O segurança lhe olhou receoso, mas Edward sentiu que ele o acompanhava quando subiu os degraus. O quarto de Edward era o primeiro, ele abriu a porta, entrou e Emmett veio logo atrás. Edward sentou na cama e apontou uma cadeira de canto para que ele sentasse.
—Você sabe que não veio aqui por causa das minhas medalhas, não é?— Iniciou, completamente sem jeito em estar sendo forçado a manter contato com ele. Emmett balançou a cabeça assentindo. Minutos desconfortáveis de silêncio se passaram, e, entediado, Edward ligou a TV de LCD 52". Depois de um tempo, lembrou do que conversou com Rose mais cedo e pensou que talvez fosse uma boa hora para aproveitar a ocasião. —Rosalie disse que você sabe que eu subo com Isy para a cobertura.— Iniciou, um pouco incerto se deveria ter tocado ou não nesse assunto.
Emmett ajustou-se na cadeira meio tenso. —Ela disse?
—Sim. Er...Como você notou, somos primos gêmeos.— Brincou, tentando tirar o clima tenso. —Não conseguimos esconder nada um do outro por aqui.
Emmett relaxou um pouco e fixou o olhar nele. —Eu não estou cumprindo meu papel deixando-a com você. Ela é minha responsabilidade.— Justificou-se, meio embaraçado.
—Não me custa nada ficar com ela. Ela é, como você já deve ter notado, minha amiga.— Inclinou, apoiando os cotovelos em seu joelho.
—Tudo bem. Eu já percebi.— Ele deu um meio sorriso. —Ela contou essa semana sobre o primeiro episódio com as duas bichinhas da sala de vocês no banheiro. Eu te agradeço por aquilo. Você fez um trabalho que era meu.
—Não há de quê.— Deu de ombros. —E você e a Rosalie? O que tá rolando?— Quis soar amigável, pois o papo fluía bem.
—Ah, er.— Gaguejou, sem jeito, passando a mão no cabelo. —Tipo estamos juntos.— Disse sem certeza.
—Namorando?— Edward pressionou, bancando o irmão.
—Acho que é isso.
Edward levantou e parou em frente a ele. —Olha, Emmett, Rosalie é praticamente minha irmã, e eu quero o melhor para ela. Se ela quer você, tudo bem. Só que temos um problema por aqui. Meu irmão de criação James é meio possessivo com relação a ela, não sei se ela te falou...— Observou-o, e ele parecia por fora do assunto. Continuou: Eles terminaram tem mais de seis meses e desde então a sua vida ficou turbulenta, pois ele sempre está metido em briga com pessoas que se aproximam dela, ou mesmo que olham para ela. Até que ele melhorou de uns tempos para cá, mas ele passou os três primeiros meses de término sendo expulso de tudo que era lugar que íamos por causa dela. Se vocês querem viver essa curtição em paz, é bom que continuem escondidos. E se tudo ficar sério e vocês resolverem trazer esse relacionamento a público, é bom que você esteja preparado para as conseqüências.— Disse pausadamente, e Emmett o olhava com atenção.
—O quê que é, primo, está querendo amedrontar o seu ursão?— Rosalie entrou repentinamente e sentou-se em seu colo, dando após isso um beijo longo nos seus lábios. Edward desviou o olhar e encontrou os olhos de Isy, que estava parada na porta.
Despreocupado, foi até ela, pegou sua mão e puxou-a para sua cama. —Bem vinda ao seu quarto, Isy.— Sentaram na cama, pegou uma caderneta em uma mesinha e entregou em sua mão.
—Até que enfim podemos conversar.— Brincou. —Qual o veredicto sobre o jantar?
Ela abriu a caderneta e começou a escrever.
—Não sei. Acho que tem alguns segredos pairando no ar.
—Hmmm, não percebi nada. O maior segredo lá estava em torno de você.— Sorriu, incomodado por Rosalie estar agarrada ao Emmett na cadeira atrás deles.
—Você é meio lentinho. Só enxerga o que você quer ver. Risos
—Você que é concentrada demais!— Sorriu e ela lhe olhava acolhedora.
Sem aviso, ela levantou e foi até as prateleiras dele, pegando lá em alguns troféus. Levantou o indicador e o chamou, trazendo um vislumbre do olhar e do gesto da Cygne no dia anterior, quando ela lhe chamou para lhe beijar, no Box. Ele balançou a cabeça expulsando o efeito que a lembrança fez e continuou olhando para Isy que, interessada, apontou com a mão para que ele explicasse um troféu específico. O troféu apontado já estava meio desgastado por causa do tempo.
Ele levantou e parou ao lado dela. —Esse foi meu primeiro troféu. Ganhei no clube Lyon quando tinha dez anos.
Ela continuou olhando com interesse o troféu, em seguida escreveu: Por que você jogou no Lyon?
Ele virou o rosto e, desapercebidamente, parou o olhar em Rosalie que estava tão atracada ao Emmett que não conseguia definir quem era quem.
—Rosalie, vai lá para o seu quarto.— Disse embaraçado, preocupado que eles estivessem desrespeitando a sensibilidade de Isy. Ao ver que Rosalie nem mesmo se moveu, desviou o olhar deles e voltou a falar com Isy. —Vou contar do começo. Eu morava em Londres e minha avó em Lyon, na França. Como eu queria muito jogar, minha mãe contra a vontade do seu pai me levou para Lyon, e foi lá que fiz meu primeiro teste. Fiquei lá por um ano então meu pai, a fim de nos trazer de volta, conseguiu um teste aqui em Liverpool. Por isso nos mudamos para cá.
Ela pegou novamente a caderneta e escreveu. —Por que seu apelido como jogador é o nome do seu primeiro clube?
—Hmmm.— Sorriu antes mesmo de se remeter à lembrança. —Eu escolhi o apelido, mas a escolha teve um motivo.— A porta se fechou bruscamente, sinal que Emmett e Rose tinham deixado o quarto. Edward olhou para a porta e suspirou aliviado, depois continuou: Eu tive uma amiguinha que me chamava de leãozinho por causa do meu cabelo alaranjado e bagunçado. Eu adorava o apelido e quis que me chamassem assim. Quando vim jogar no Liverpool, eu poderia escolher um apelido, assim, escolhi Lyon. Alguns deles me chamam de Lion. Pra mim tanto faz.— Explicou e grunhiu, imitando de brincadeira um leão.
Inesperadamente, ela levantou a mãos enluvada e apertou o seu queixo, brincalhona. Ele parou de sorrir, assustado que ela tivesse lhe tocado deliberadamente e fixou os olhos no seu lenço. Ele queria muito tocar seu rosto também, saber qual a textura. Hesitando, ergueu a mão, testando a receptividade, e, lentamente, tocou-a na clavícula, olhando diretamente em seus olhos. Como ela não se afastou, moveu os dedos devagar no pescoço, até que sutilmente pousou a mão abaixo do seu lenço, tocando em seguida a pele de seu queixo, receosamente. Uma descarga elétrica picou sua pele, fazendo o formigamento crescer na ponta dos seus dedos. Ela retesou ao seu toque e prendeu o ar nos pulmões, notoriamente nervosa. Nos segundos seguintes sua mão moveu-se cautelosamente em seu rosto acariciando a pele lisa da bochecha. Ele aproximou-se mais dela e encostou o rosto coberto sob o seu queixo, inspirando longamente o perfume exótico, com cheiro de madeira e absinto, que exalava dela. Sentia-se nas nuvens.
Depois de um tempo, ela ergueu o rosto e o olhou nos olhos intensamente, como se buscasse respostas para a sua atitude. Ele suspirou, ainda sentindo a eletricidade na ponta dos dedos e voltou a acariciar seu queixo. —Deixe-se ver seu rosto?— Sussurrou. Ela ofegou meio entrecortado e segurou o olhar em pratos nele.
Ele buscou em sua mente o motivo de querer ver seu rosto, e a resposta mais convincente foi o fato de ter visto seu noivo dizer que ela era linda. Talvez isso tivesse despertado mais seu interesse.
—É só curiosidade, Isy. Eu queria saber como é o seu rosto. O rosto da sua amiga.— Ela abaixou o olhar um pouco apreensiva e balançou a cabeça brevemente em negativa, pesarosa.
Edward percebeu a situação, caiu na real e se adiantou. —Tudo bem. Não se preocupe. Se algum dia você quiser mostrar, você mostra. Se não quiser, vai continuar sendo minha amiga.
Ela assentiu, soltou-se devagar e voltou a olhar suas prateleiras.
—Escolha algo meu para levar de lembrança. —Edward sugeriu. — Como você me deu um presente, devo lhe dar outro.— Apontou para seus souvenires nas prateleiras.
Distraída, ela começou a examinar suas miniaturas de chuteiras, armas, carros, então ela apontou interessada para o Simbah que ele tinha na prateleira. Ele notou seu olhar atencioso nele, o único bicho de pelúcia ali ─ algo incomum em um quarto de homem ─, e o pegou.
—Este é o único presente enviado por fãs que eu guardo. —Ele adiantou-se. —Foi por causa dele que tive o último contato com seu pai, por isso ele fica aqui.— Explicou, colocou-o na mão dela e se virou para o som, colocando seguidamente uma música. Ela continuou com o leãozinho na mão, olhando atentamente para ele.
—Er... Esse não posso te dar. Ele é importante para mim. — Avisou ao notar seu interesse. Ela ainda o olhou uns segundos, depois o guardou. Em seguida ela pegou uma mini chuteira dourada da Adidas, deixando nítido que era com aquela que iria ficar de presente. —Tudo bem.— Disse. —Senta aqui.— Apontou para a cama. Ela sentou e colocou a mão na perna. Ele aproximou a mão da dela, pegou-a e a pôs encaixada na sua palma sobre a perna dela. —Sabe, Isy, um dia você disse que o sheik era bom para você, e hoje vi o tanto que ele se importa. Eu pensei que ele fosse um velho barbudo, careca e barrigudo.— Sorriu descontraído —Levei um susto com o que vi. Você gosta dele?
Ela não fez menção de responder e abaixou o olhar, fitando no mesmo instante as suas mãos entrelaçadas. Instantes depois fez o desenho de uma interrogação no ar, com o dedo.
—Amizade.— Edward respondeu. —Você é minha amiga. Tenho carinho por você.— Disse e apertou a mão dela dentro da sua.
Ela deu umas piscadinhas angelicais e seus olhos diminuíram, sinal que estava sorrindo. Toda vez que ela fazia isso o lembrava a alguém, porém, a lembrança nunca era completa. Ele sorriu, soltou sua mão, colocou umas almofadas na cabeceira, se encostou e apontou o seu lado para ela encostar. Ela hesitou um pouco, ele sorriu e bateu de novo na almofada. Vencida, ela se encostou rígida ao seu lado.
—Conversei com Emmett sobre esse rolo deles.— Edward iniciou um assunto, pegou a mão dela e começou a brincar com sua luva, esticando suas pontas. —Espero sinceramente que o James não descubra.— Ela somente o observava passiva enquanto ele fazia menção de tirar sua luva. Quando ele resolveu tirar, ela fechou a mão, impedindo que ele tirasse. —Eu queria saber por que me sinto tão à vontade com você. É como se te conhecesse há anos, o que é meio insano, pois nos conhecemos há menos de três meses.— Sorriu. —E sabe o que é pior? Eu fico praticamente falando sozinho quando estou com você. —Censurou-se.
Ela esticou a mão, pegou a caderneta em cima da cama e começou a escrever. —Eu gosto de te ouvir falar. Você é engraçado.
—Ah, sou? É só por isso que você me agüenta? —Fingiu mágoa.
—Não. Também porque você é bonito.—Ela escreveu e balançou os ombros em uma risada muda.
Ele sorriu. —Você é a segunda menina esses dias que fala coisas desse tipo para mim.— Continuou sorrindo, depois virou o pulso e olhou seu relógio no braço, lembrando que talvez a Cygne pudesse fugir e ir para o pub.
—Você tem compromisso?— Ela escreveu ao notar que ele tinha olhado as horas.
—Não...Er...Sabe a menina que te falei?— Ela assentiu. —Pode ser que eu a encontre hoje. Ela não pode sair sempre. Eu tenho que contar com a sorte para vê-la.
—Já sabe o que sente por ela?
—Mais ou menos. Gosto da presença dela.— Edward disse e virou o rosto para olhá-la, vendo se estava tudo bem em conversar esse tipo de assunto de novo com ela. Ela era sua amiga, não era? Amigos ouviam confidências, não ouviam? —Temos uma química inexplicável.— Completou.
—Só química?
—Acho que sim. Eu sinto falta dela, é lógico, mas nossa ligação é mais carnal... Eu acho.— Murmurou e ficou pensativo, insistindo em convencer ele mesmo disso.
Ele bocejou e fechou os olhos, sentindo os acordes da música penetrar seus sentidos e deixar tudo sereno à sua volta. Ele não tinha percebido, mas o cansaço da semana o invadia, deixando seu corpo lânguido sobre a cama.
Depois de uns segundos ela apertou sua mão e mostrou que tinha escrito algo.
—E se ela apaixonou por você?
—Não. Ela não se apaixonaria.— Suspirou, meio desiludido. —Ela tem namorado. Ficamos combinados que não seria um romance. Acho que ela só quer se aventurar antes de mudar de vida. Enquanto isso, vou curtindo.— Inalou profundo e exalou lentamente, sentindo o baque que suas próprias palavras causaram.
—Mas ela significa algo para você?
—Ah, é complicado te responder isso. Ela é inacessível. Eu não consigo alcançá-la. Ela não deixa eu me aproximar o suficiente. Não a conheço em nada. Pasme, mas eu tenho mais ligação com você do que com ela que é a garota que eu fico. Eu não quero me apegar. Ela está sempre dizendo adeus com seus gestos, sempre escorregando, sempre se escondendo, sempre na defensiva. Ela pode simplesmente sumir a qualquer momento.
—Você quer mais que isso?
Ele suspirou irresoluto e deitou de lado, com a cabeça apoiada em seu braço.
—Não tenho certeza... Talvez o que me deixe tão ligado nela seja o mistério, o enigma, entende? Penso que a sensação de errado e perigo talvez aumente a adrenalina.
—Você acha que ela se sente da mesma forma que você?—Ela escrevia rápido, interessada.
—Não sei. Talvez sim. Acho que eu faço parte da emoção da aventura dela.
—Quer mesmo vê-la? Ficar nessas condições?
Ele olhou em seus olhos, e ela lhe olhava intensamente.
—Quero. Não sei quando vou vê-la, mas enquanto ela não aparece, estou bem acompanhado.— Disse amistoso. Sem querer pensar o que significava aquela sensação de paz que sentia, mas completamente contente em tê-la em sua cama, pegou sua mão e trouxe-a até sua boca, dando-lhe um não era um tapa vazio, pelo contrário, ambas tinham efeitos diferentes. Uma o apaziguava, outra o acendia. —Estou adorando ter você em minha casa. Nunca trouxe nenhuma menina ao meu quarto que não fosse minhas irmãs.
Gentilmente, ela soltou-se de sua mão, pegou a caderneta e escreveu.
—Você deve falar isso para todas as meninas que traz aqui.— Espetou.
—Lógico que não.— Defendeu ofendido. —De onde você tirou essa ideia?— Sorriu e, brincando, pegou a caderneta de sua mão, esticou o braço e colocou a caderneta embaixo da cama. —Quero saber quando você vai conversar comigo sem cadernetas. Acho que já somos amigos suficientes para isso.— Gracejou.
Ela começou a movimentar a mão no ar, mostrando com gestos que queria falar algo. Ele continuou brincando. —Eu fico pensando... Você leva esse negócio de não falar tão a sério que nem cogitou a ideia de gritar nas duas vezes que o Mike aproximou-se de você? Você prefere passar por apuros a desobedecer a sua religião?— Arqueou a sobrancelha, sorrindo.
Ela não respondeu e permaneceu quieta, olhando para ele. Uma súbita curiosidade o invadiu. —O sheik vê regularmente o seu rosto?— Perguntou de impulso. Ela assentiu movendo a cabeça.
Ele suspirou com a resposta e sentiu uma sensação estranha ao se lembrar dele alisando o seu rosto. Repentinamente se sentiu frustrado e parou de sorrir. —Emmett te vê sem o lenço?— Quis saber. Ela assentiu de novo. Ele aproximou-se mais dela e, cautelosamente, introduziu sua mão novamente por baixo do seu lenço, tocando seu rosto. —Deixe-me ver.— Pediu de novo, gostando da sensação titilando a ponta dos seus dedos com o toque.
Ela não retesou, ficou somente o olhando com seus bem abertos olhos castanhos, aguardando suas ações.
Ele passou um tempinho movendo o polegar em sua bochecha, no queixo, paralelamente levantando questionamentos quanto a sua curiosidade. O que importava o seu rosto? Bonita ou feia, ela continuaria sendo ela, não é? O que era o rosto desconhecido dela perto dos milhares que ele já viu e não conhecia o que tinha por dentro. Já ela, sem ver seu rosto, ele conseguia enxergá-la. Conseguia ver que ela era alguém compassiva, doce, cheia de força, gentil, amiga. Ele não devia invadir o seu espaço e forçá-la a mostrar o seu rosto, ou mesmo forçá-la a falar com ele. Não quando isso que os tornava ainda mais próximos. Com ela ele se sentia ele, revelava quem era.
Resolvido, tirou a mão do seu rosto, esticou o braço e pegou sua caderneta embaixo da cama, seguidamente entregou em sua mão. Aparentemente ela percebeu a mudança ocorrida nele e ficou quieta um tempo. Minutos depois ela direcionou o olhar para a caneta e começou a escrever.
—Você ainda vai sair?
Relaxado, encostou um pé no outro e tirou os sapatos, deixando-os cair no chão. Depois desabotoou dois botões da sua camisa e enrolou as mangas. —Eu não vou mais.— Deitou novamente de lado.
Ela abaixou o olhar e escreveu na caderneta que estava entre o dois
—E se sua garota for?
Ele arqueou a sobrancelha confuso com o modo como ela se referiu a Cygne.
—Eu já usei esse termo minha garota com você?—Questionou desconfiado. Argh, ele devia estar tão possessivo com a Cygne que se referia a ela por aí sempre assim.
—Acho que sim.— Escreveu e deu de ombros.
—Eu duvido que ela vá, mas de qualquer maneira eu não vou. Não vai ser sempre que eu vou te receber aqui, então vou ficar.— Disse convicto.
—Vai preferir ficar comigo?—Ela cerrou os olhos, o estudando.
Ele não tinha entendido muito bem o objetivo de sua pergunta, todavia era lógico que preferia ficar com ela. Entre o certo e o duvidoso, era melhor ficar. Afinal, sua amizade supria a falta da Cygne ─ momentaneamente, mas supria.
—Prefiro. Ela não confirmou se ia.
Ela lhe olhou um tempo, depois seus olhos encolheram, sinal que ela sorriu. Parte dele não entendeu o motivo dela ter ficado contente, mas outra parte, uma que ele decididamente ignorava, levantou a hipótese de ela estar se comparando como mulher à Cygne e ter gostado de ter sido a escolhida. Suposição que o deixou um pouco... Presunçoso?
—O que será que está acontecendo lá embaixo?—Escreveu.
—Minha mãe deve estar colocando a conversa em dia com o sheik.— Edward sentou e procurou sua chinela no chão. —Vou lá embaixo ver como estão as coisas. Fique à vontade.— Levantou e ela continuou encostada à almofada, olhando atenciosamente em sua direção. —Pode trocar o cd, se você quiser.— Apontou para a pilha de CDs, depois caminhou em direção a porta.
Do alto da escada, antes de começar a descer, viu sua mãe e o sheik, ambos conversando muito próximos. Parou onde estava, em alerta, olhando criticamente para eles. Eles estavam íntimos demais. Ficou meio perplexo quando o sheik tocou o rosto de sua mãe e aproximou o rosto dela, falando próximo a ela. Eles conversavam muito baixo, não dava para ouvir o que falavam, então Edward ficou parado, assistindo a linguagem corporal dos dois.
Não estava preparado para o que viu. Inesperadamente, o sheik pegou o queixo da sua mãe, levantou e a beijou. De início, ela retrocedeu, com a mão contendo-o. Edward até pensou em descer, mas segundos depois ela começou a corresponder, então a mão que o estava contendo, alojou-se em seu cabelo, moldando-o à sua boca.
Foi uma sensação completamente esquisita e chocante ver sua mãe beijando outro homem, principalmente ele, noivo da Isy. Virou o rosto desacreditado, não disposto a presenciar aquilo. Céus, o que acontecia com sua mãe? Ela era uma viúva! Ela amava o seu pai, não amava?
Balançou a cabeça com descrença e se escondeu atrás de uma parede, ainda olhando para eles. Ela olhou para os lados e não pareceu estar arrependida, só, talvez... Preocupada?
Sorrindo, o sheik pegou a mão dela, disse algo e a levou até a boca. Edward estava desacreditado, agoniado, chocado. Como não tinha percebido esse olhar dele em cima dela? Puta merda, esse homem era completamente sem escrúpulos! Estava casando com uma menina e dava em cima da sua mãe descaradamente! Qual era a dele?
Edward sentiu uma mão tocando sutilmente em sua cintura e olhou para trás. Isy estava parada ao seu lado e olhava para baixo.
—O que será que está acontecendo com eles?— Edward sussurrou preocupado se Isy tinha presenciado ou não.
Ela pegou a caneta, segurou sua mão e escreveu nela. —São amigos.—Deu de ombros.
—Ele a beijou.— Acusou, desacreditado que ela estivesse tão serena.
—Ele tem carinho por ela. Está preocupado.—Escreveu de novo, completamente estável.
—Você não liga? Ele é seu noivo!— Disse perplexo com sua sujeição a isso.
—Não. Eu também me preocupo com ela. Quero que ela fique bem.
Edward olhou de novo para baixo e sua mãe sorria com o sheik, a mão apoiada em seu braço. Parecia ser carinho, cumplicidade, amizade... Argh, amigos se beijam daquele jeito?
Não sei, não... Pensou desconfiado. O sheik parecia mais um conquistador barato, um mulherengo ou coisa assim. Ele não era islã, mas devia ser desses que acreditam que homens podem ter sete mulheres. Ele não respeitou nem mesmo a presença da noiva aqui ao cortejar descaradamente Esme!
—Vem para o quarto.— Ele não queria mais que Isy presenciasse aquilo. Ainda que ela fosse obrigada a viver aquele tipo de vida subjugada pela sua condição e religião, ele não queria vê-la sofrer. —Vou tocar piano para você.— Disse, pegou sua mão e voltaram para o seu quarto.
