Capítulo Entrando em sua vida parte II
Algum tempo depois, recolhemos nossas roupas e subimos para o meu quarto. Ela colocou sua bolsa com roupas sobre uma mesinha, pegou uma toalha no armário e entrou para o banho.
—Foi bom para você?— Fiz a pergunta clichê quando entrei na ducha para acompanhá-la, ao tempo que limpava pequena quantidade de sangue no quadril.
—Sim. Sua experiência foi primordial.— Virou de costas para mim e enxaguou a espuma de seu corpo.
—Não sei se isso te deixa melhor, mas foi novo para mim também.— Expliquei. —Eu não sabia como ia ser. Eu nunca tinha feito assim antes.— Inclinei e beijei o seu pescoço preguiçosamente. —Foi o melhor da minha vida. O único feito com sentimentos.— Sussurrei, encostei-me em suas costas e apertei seu seio.
Ela sorriu meigamente e levantou a mão para acariciar minha nuca. —Eu não acreditei que esse dia iria chegar.— Sussurrou enigmaticamente, depois se virou e pôs os braços em volta do meu pescoço, carinhosamente. —Se o mundo acabasse hoje, eu morreria satisfeita.
—Hmmm, por quê?— Perguntei presunçoso.
—Por ter tido uma noite ótima.
—Então fala.— Sussurrei em sua boca.
—Falar o quê?— Ela passou os dedos carinhosamente em meu peito, sobre a minha tatuagem, a água nos molhando.
—Fala que é louca por mim. Que eu sou o homem mais gostoso que você conheceu. Que você agora é minha. Me pertence.
Ela sorriu e balançou a cabeça, fazendo um biquinho irônico. —Está explicado.— Encostou o indicador em meu queixo.
—Está explicado?— Arqueei uma sobrancelha interessado.
—Você não gosta de mim. Tudo se resume a seu ego enorme. Esse sentimento seu continua sendo crise de afirmação.— Ela soltou meu pescoço, respirou fundo, repentinamente frustrada, e caminhou em passos lentos até sua toalha. —Eu devia ter adivinhado... Em todo o tempo que... fazíamos a-am... Transávamos, você disse que eu era sua agora.— Murmurou baixo.
Distante emocionalmente, ela secou o seu corpo, e eu voltei a me ensaboar, esperando-a concluir.
— Você só decidiu me perseguir porque um dia passou por sua cabeça que seria difícil me ter, Edward, por eu sempre ter tentado te manter longe. Mas você não se conformou. Você sempre teve tudo que quis e, meu não, não era resposta para você. — Ela se enrolou na toalha, e eu encarei-a desacreditado. Era um absurdo que ela levantasse essa questão depois de tudo que falei. Obviamente não tinha a mínima fé em mim. Ela respirou fundo, olhou para o teto um tempo, depois me olhou com determinação. —O único motivo de ter se aproximado de mim foi imaginar que eu não te dava a mínima. Mas vou te decepcionar, Cullen! Saiba que eu sempre fui louca por você, embora ficar com você fosse a última coisa que eu queria quando te encontrei. Você foi minha paixão adolescente, Lyon. Pasme você, mas em cada porta do meu guarda roupa tinha um pôster seu. Qualquer reportagem sobre você, eu acessava em primeira mão.— Confessou mexendo freneticamente suas mãos. Eu quase sorri dela, mas estava pasmado. —Se saber que eu fui sua fã me põe no mesmo patamar que as outras, saiba que eu era.— Ela desviou o olhar do meu e, nervosamente, continuou. — Esta é a mulher misteriosa. E essa não é nem metade da verdade que você precisa saber... — Murmurou amarga.
Deixei o chuveiro, caminhei até ela e segurei determinado seus dois braços.
—Para de neura, Bella.— Interrompi, sacudindo-a. —Eu não quero saber.
—Não quer?— Arqueou a sobrancelha.
—Não. O que eu preciso saber, já sei.— Afrouxei a mão do braço e enlacei sua cintura.
—O quê?
—Sei, agora, que você é mais minha do que eu imaginava.— Sorri presunçoso e enfiei minha mão por dentro da toalha, preocupado com a conotação sexual que todos os meus comentários induziam, levando-a a crer sempre que eu só queria seu corpo. Mas eu era exatamente assim. Não conseguia desligar meus sentimentos do meu desejo. Agora que eu tinha livre acesso ao seu corpo, era muito mais intenso.
—Você acha que eu fico infeliz em ter sido sua paixão adolescente?— Inclinei-me e a mordi no ombro, com a mão passeando em seu seio. —Isso me deixa mais possessivo ainda.— Mordisquei do pescoço ao queixo e ela arqueou quando minha mão desceu e acariciou em volta de seu umbigo. —Eu fico feliz em ter sido seu objeto de desejo. Conta quantas vezes rolou na cama pensando em mim.— Gracejei e desci a mão pela sua região íntima, ouvindo satisfeito o seu gemido. Ela fechou os olhos, rendida, e o nariz sob meu queixo, descansando seus braços em volta do meu pescoço. —Não importo se você era ou é minha fã, isso melhora as coisas para mim. Vou ter uma namorada que curte tudo em mim.
—É isso mesmo que você quer...? Uma namorada?
—Sim.— Empurrei-a para o quarto, beijando seu pescoço, deixando rastros de água por onde passava. Parei quando sua perna encostou-se à cama, segurei sua cintura e a fiz se deitar, deitando depois sobre ela.
—Bella, você mia, mia, mas não consegue me largar.— Declarei presumido. Ela sorriu rendida. Beijei seus lábios reverentemente, me desfazendo da toalha que estava em volta dela. Passei a mão em sua cintura e senti leãozinho prestar continência. Levantei um pouco sua perna, ergui meu quadril e comecei a me arrastar nela, em um pedido mudo por aconchego.
Abandonei seus lábios e minha boca se arrastou magnetizada para seus seios, sugando ferozmente. Eu nunca me cansaria dela. Eu poderia passar horas, dias, ocupado em seu corpo, sugando suas mamas, que eu nunca seria satisfeito. —Você quer de novo?— Questionei. Seria por ela. Sempre por ela. Ela ofegou em resposta, e eu acariciei um pouco sua entrada, só arrastando a cabeça, ouvindo seu gemido baixinho e estremecimento de aceitação.
Cheio de excitação, notei que ela já estava molhada, não resisti e me empurrei no seu aperto, invadindo no mesmo ato sua boca com minha língua. Ela se abriu e me rodeou de calor, me sugando para o fundo, depois gemeu e se estremeceu quando sai fora dramaticamente e me empurrei novamente.
—Puta que pariu, será que vai ser sempre assim?— Grunhi, circulando, naquela posição que antes eu considerava desinteressante. Agora eu fazia questão de explorá-la, olhando no rosto da garota que eu demarcava, vendo cada expressão mudar no seu rosto quando me tinha dentro e fora dela.
Um sorriso presunçoso se desenhou em meu rosto ao vê-la de olhos fechados, ofegante, correspondendo com um retorcer cada penetrada, cada sugada em seu pescoço. Como era diferente! Não tinha a mínima possibilidade de eu simplesmente fodê-la. Eu queria mimá-la, satisfazê-la, dar o melhor de mim, beijando-a em cada canto gentilmente, acariciando-a sempre.
—Diz agora que sempre me quis.— Sussurrei em seu ouvido, enfiando minha língua brevemente no ouvido. Ela moveu embaixo de mim e arranhou minhas costas. Deus, ela era uma espécie de necessidade. Eu queria tomá-la com rapidez e fúria, mas também com lentidão e ternura, depois passar muito tempo apertado por seus músculos internos.
Gemi, controlei a respiração e ergui mais sua perna para encostar seu joelho no peito, tendo acesso total.
—Eu sempre quis você.— Ela declarou sorrindo e deu umas piscadinhas angelicais, o que me fez, instantaneamente, congelar meu olhar nela, com sensação de jàvú. Porém antes que raciocinasse sobre isso, seus gemidos ficaram mais intensos, sua mão mais agitada em minhas costas.
—Hmmm, eu quero você todos os dias, todas as horas.— Grunhi, mordendo seus ombros. —Estou viciado em você.— Sussurrei, e ela cravou os dedos em minha nádega, desafiando a lógica, puxando-me cada vez mais para mais dentro dela. Dirigi a boca aos seus seios e chupei famintamente, alternando os dois em minha boca.
Deus do céu, eu queria muito poder dormir todos os dias com suas mamas em minha boca. Isso foi muito pervertido. Ugh, tudo bem, dormir necessariamente não, mas ela bem que poderia me colocar para dormir todos os dias com minha boca em suas mamas. Droga. Que incoerente. Tô pensando coisa com coisa.
Ela se contorceu, gemeu e suas contrações internas me apertaram, o que tirou qualquer chance minha de resistir. Ofeguei, suado e senti o meu orgasmo se formando.
—Bella, eu...— Gememos juntos e colei nossas bocas quando tudo girou em minha volta, o tremor me percorrendo, o clímax explodindo. Enfiei-me uma última vez ao máximo, sem fôlego, estremecendo dentro dela e ejetei em seu âmago, demarcando-a.
Deixei meu corpo cair sobre o dela e descansei meu peso, sentindo um prazer absurdo, com uma sensação ambígua de angústia e satisfação no peito. Cada célula do meu corpo era grata por aquele momento. Leãozinho estava ajoelhado, com as mãos juntinhas, fazendo uma prece de agradecimento por ela ser tão quente.
Deitei ao seu lado, e ela virou de bruços, exausta. Apaixonado pela visão, deslizei meus dedos em sua lateral e beijei sua nuca, percebendo então que eu nunca iria me sentir satisfeito. Todavia, tinha que lhe dar tempo. Eu não iria me comportar como um adolescente descobrindo sexo, que na primeira oportunidade montava igual um roedor.
Acordei na madrugada de sábado com seu corpo de bruços sob metade do meu, os lençóis amassados na cama, seus cabelos longos e ruivos espalhados. Suspirei contente, acariciei possessivamente seu traseiro bonito e nos cobri com o cobertor, depois mergulhei novamente no sono tranquilo.
Despertei por volta de oito horas, lembrando que eu tinha pouco tempo para curti-la e ir para concentração. Preparei nosso lanche e comemos no quarto, ao tempo que assistíamos a TV cheios de carinhos. Dez da manhã me dirigi para o clube e a levei junto. Ela deitou os bancos do meu Bugatti dentro do privativo estacionamento do clube, e ficou lendo algo no celular enquanto eu me reunia com a equipe. Mais tarde, avistei-a na arquibancada reservada à família com seus óculos de sol e capuz na cabeça. Eu não pude acenar para ela ao fazer um gol. Ela me fez jurar mais cedo que a ignoraria. Isso me frustrou um pouco. Ela continuava sendo difícil de desvendar e, às vezes, inacessível nos sentimentos. Entretanto, eu iria domá-la. Ela iria confiar em mim.
Após a partida em que nosso time ganhou, saí do vestiário junto a Rilley para área comum para família. Ela me esperava encostada em uma parede. E ainda que não tivesse acontecido exatamente o que eu sonhava — aquela imagem estupidamente romântica dela vir correndo em câmera lenta em minha direção e pular em meu colo—, eu fiquei satisfeito que ela estivesse aqui.
Sorri de canto e caminhei em sua direção. Rilley tomou outro rumo, mas antes tirou um sarro me chamando de otário apaixonado. Ignorei-o.
Ela me recebeu com um olhar enternecido e envolveu os braços em meu pescoço.
—Olá.
—Quando é que você vai correr até mim, pular em meu colo e beijar minha boca quando eu sair de um jogo?— Ralhei brincalhão e ergui-a um pouco do chão num abraço.
—Um dia... Quem sabe. Se depois de me conhecer inteiramente você quiser que eu faça isso, eu irei fazer.— Prometeu sombriamente.
Inclinei e lhe dei um selinho, satisfeito com a sensação de ter alguém.
—Eu já conheço você. Você é minha namorada.— Ressaltei incisivamente. Ela sorriu, balançando a cabeça em negativa.
—Não temos amarras, leãozinho. Não é porque eu passei a noite com você que você tem que me chamar de namorada. —Esclareceu tranquila.
Abri a boca indeciso se começava uma discussão ou se deixava sua falta de confiança passar batida. Decidi esquecer, por hora, e cingi o braço fortemente em sua cintura.
—Vamos jantar fora?— Convidei-a, desviando da tirada, e caminhamos abraçados para o estacionamento.
—Hoje não. Você chama muita atenção da imprensa. — Ela contrapôs desanimada, eu concordei.
Encontrei Alice e Hale abraçados encostados a um Audi.
—Oi, Edward. Não tem mais casa não? —Alice brincou.
—Não enche, Alice. Estou a menos de um quilômetro de casa.— Respondi sorrindo e saudei Hale com um jóia. Hale respondeu com um monótono mover de cabeça. Com olhar curioso, Alice olhou de cima abaixo minha garota, em seguida deu um sorriso amigável. —Olá, Bella.
—Oi.— Bella respondeu baixinho e se encolheu sob o abrigo do meu abraço.
—Minha mãe está morrendo de ciúmes de você ficar dormindo na casa do Rilley, Edward.— Alice comentou.
Notei que Bella estava estranhamente cautelosa perto de Alice e abracei-a pelos ombros em minha frente, escondendo seu rosto em meu peito.
—Em breve minha mãe não vai ter mais essa preocupação.— Disse conspirador e apertei mais Cygne ao meu corpo.
Pedi pizza e comemos na sala com Rilley. Ele foi receptivo com minha garota, mesmo conhecendo a situação. Ela ria gostosamente de suas brincadeiras. Em todo tempo ele contou histórias de quando éramos adolescentes.
—Bella, imagine um garoto feio quando adolescente? —Pausou dramaticamente. — Eu. Eu era completamente desproporcional. Mas era incrível como sempre choviam meninas em cima de mim. Adivinha por quê?
—Por quê?
—Porque eu era o agente do leão.— Ele apontou, sorrindo, para mim, que comia quieto, observando-a.
—Como assim agente do leão?— Ela perguntou inocentemente, olhando com a testa franzida para Rilley.
—Agente porque eu que promovia os encontros dele.— Rolou os olhos como se fosse o óbvio.—Seu Edward é tão acostumado a ter tudo pronto que até garotas eu que arrumava para ele.
Eu me intrometi na conversa, sorrindo. —Ah, pra que eu teria o trabalho de ir à caça?— Dei de ombros com pouco caso e bati com o punho em seu ombro.
—Isso é sério?— Bella parou a pizza Marguerita na metade do caminho, incrédula.
Eu sorri com falsa culpa. —Sim. A única garota que está me fazendo desdobrar é você.— Apertei sua bochecha. Ela sorriu sem jeito por causa do olhar curioso de Rilley.
—Por que Edward tem um quarto aqui, Rilley? —Ela questionou.
—Hmmm, você nem imagina...— Rilley insinuou. Eu o encarei alarmado.
Bella percebeu meu olhar, me olhou em desafio e dirigiu sua atenção para Rilley.
—Fala, Rilley. —Pressionou.
—Porque era aqui que os encontros aconteciam, já que meus pais viajam muito.— Delatou com um sorriso zombeteiro. Bella baixou o olhar com indisfarçável desconcerto. Eu percebi o motivo e me adiantei.
—Não complica a minha vida, Rilley. Eu nunca levei mulher nenhuma para o meu quarto.— Ressaltei para mostrar que eu não tinha mentido sobre isso.
—Sim, elas ficavam no meu e na cobertura que é maior.
—Elas?— Bella abriu a boca chocada.
—Sim. Várias. Às vezes três para cada. Isso resultava em muitas orgias e promiscuidades. Coisas de homens e jogadores de futebol. — Ele gargalhou divertidamente. — Eu nunca vi Edward com só uma mulher!
Bella me olhou perplexa.
Eu já me arrependia de ter deixado Rilley começar com nossas histórias e levantei a mão para acariciar o rosto dela, dizendo com o olhar que isso era passado, que agora eu só queria ela. Rilley percebeu o clima e levantou do sofá.
—Você transformou o leão em gatinho, Bella.— Zombou, sorrindo. Ela bebeu um pouco de suco com os olhos desviados de mim. —Desde que ele te conheceu, eu não o vi mais com mulher nenhuma.
—Você só fala isso porque é amigo dele.— Bella brincou.
—Sim. Ele é meu amigo. E por isso que eu fico feliz em vê-lo olhando com essa cara de otário para uma menina.— Sorriu e deixou a sala, indo para uma festa que combinou com o time de última hora. Liguei a TV em silêncio, recolhemos o resto da pizza e arrumamos as almofadas para deitarmos no sofá.
—Como ele é legal.— Ela comentou enquanto acariciava meu braço que a rodeava.
—Ele gostou de você.
—Pelo jeito, ele gostaria de qualquer garota sua. Ele considera mesmo é você, Edward.
—É, eu sei disso.— Afastei seu cabelo ruivo e mordisquei suavemente sua orelha. —Só em pensar que eu não valorizava a amizade dele. —Comentei reflexivo.
—Que bom que você se esforçou para mostrar que se importa com ele. Tem horas que eu fico muito orgulhosa de você.
—Hmmm, como você sabe disso? Eu comentei isso com você?— Passeei os dedos em sua cintura, a boca descendo por sua mandíbula.
Ela arqueou um pouco o corpo.
—O Jazz me contou sobre vocês em campo. Eu sei da história toda.— Explicou com os olhos concentrados na TV.
—O Jazz?— Afastei um pouco para olhá-la. Não sabia a quem ela se referia.
—O Hale. Acho que é assim que você o conhece.— Esclareceu.
—Ah... Ele não gosta muito de mim.— Voltei a mordiscar sua orelha, meus dedos delinearam o umbigo.
—Ele é meio pé atrás com você. Por causa lá do time de vocês. Ele acha que você não veste a camisa do time e não está nem aí para ninguém ao seu redor.— Contorceu-se quando arranhei sua barriga, no baixo ventre.
—Nossa, ele acha isso de mim?
—Sim, além de ter te achado muito moleque quando você me puxou dos braços dele e me beijou daquele jeito na frente dele.
—Ah, eu lá ia saber que ele era seu amigo! A única coisa que pensei é que ninguém caçava no meu território— Sorri e deslizei o polegar na parte inferior do altivo seio.
—Sempre possessivo.— Ela murmurou baixinho.
—Sempre.— Afundei a língua em seu ouvido e pus minha mão em concha sobre seu seio, ao tempo que pressionei minha ereção ao lado do seu quadril. —Por que você ficou toda tensa perto da Alice mais cedo?
—Porque ela não gosta de mim.— Explicou absorta, com a cabeça jogada para trás.
—De onde você tirou essa ideia?— Afastei-me novamente sem entender sua resposta. —Semana passada ela te tratou daquele jeito porque ela não tinha te reconhecido, mas com certeza ela não tem nada contra você.— Expliquei e voltei às carícias preguiçosas.
—Pode ser.
—Quer subir? —Convidei-a.
—Uhum.
Eu até tentei dar a ela uma noite só com carícias despretensiosas. Queria lhe dar um tempo, talvez assim ela acreditasse que não seríamos só sexo. Porém, quando ela deitou toda perfumada, charmosa e vestindo um casto pijama curto branco, não resisti e caí em cima dela. Não demorou para que nossas roupas sumissem. Passei a noite enjaulado entre suas coxas.
Acordei no domingo por volta de dez da manhã e passei ao meu lado, procurando-a. A cama estava vazia. Abri os olhos, tentando me acostumar com a claridade de deparei-me com as portas da varanda abertas, as cortinas bege balançando. Olhei em volta e suas roupas não estavam mais no quarto. Obviamente ela se foi.
Subitamente encolerizado, localizei meu celular em cima da mesa e disquei o seu número. Chamou várias vezes e caiu na caixa. Essa mulher iria me enlouquecer! Disquei de novo e andei ansioso pelo quarto, com uma sensação de perda, como se algo estivesse sido arrancado abruptamente de mim.
—Porra, Bella, que brincadeira é essa?— Amaldiçoei e caminhei em direção a sacada, completamente nu.
Respirei fundo para controlar a irritação, fechei as portas e voltei para cama. Desolado, aspirei seu perfume no travesseiro e me chutei mentalmente por me sentir arriado, obcecado por essa garota escorregadia e ingrata. Ouvi um som de mensagem de texto no celular e estendi a mão para pegá-lo na mesinha.
'Bom dia, leãozinho. Desculpe ter saído assim... Mas recebi uma mensagem avisando que ele estava chegando, por isso saí sem me despedir. Foi ótimo o fim de semana. Lembre-se: não temos amarras. Eu não sou sua responsabilidade. Não posso ser. Eu posso ainda tentar sair e ficar com você, mas eu não posso te dar mais que isso.'
Fechei a tela e pisquei longamente. Merda, tinha que acontecer alguma coisa para estragar o fim de semana! Por que esse cara tinha que aparecer justo agora?! Pior, por que ela tinha sido tão seca? Custava ter mandado um beijo? Reli a mensagem e atentei-me para as últimas linhas. Fechei as mãos em punho irado ao decifrar o que ela quis dizer. Eu queria saber o que tinha que fazer e falar para que ela acreditasse em mim. Estava claro que ela pensava que eu falava sobre assumi-la só para traçá-la com comodidade. Será que ela não sabia o quão fácil era adquirir mulheres para sexo fácil?
Frustrado, comecei a digitar uma mensagem em resposta.'Assim que você puder, me ligue. Preciso falar com você.' Digitei e enviei. Ela não tinha sido romântica. Eu também não seria.
Ela não entrou mais em contato no domingo, o que me fez ficar extremamente ansioso, e ao mesmo tempo, aumentou minha frustração. Eu até pensei em conversar com Rilley e perguntar se ele sabia onde Hale morava, fato que me levaria diretamente a ela, entretanto, isso só mostraria o quão desesperado eu estava por ela... E eu não estava tão desesperado assim. Não mesmo.
Segunda-feira, eu ainda olhava insistentemente para o celular, esperando, a todo o momento, que ela ligasse e dissesse quando iria aparecer. A sensação de falta era sufocante. Às vezes amaldiçoava o momento que a conheci. No mesmo instante, lembrava que passei a existir, sentir e ser de meses para cá... Depois de fatos novos em minha vida... Um deles, era ela.
Cheguei ao estacionamento da escola com meus irmãos e estacionei, distraído, notando, só depois, que o Land Rover de Emmett estava parado ao lado da nossa vaga.
—Porra, esse folgado comprou a nossa vaga!— James praguejou e abriu encolerizado. Alarmei-me e desci atrás.—Ow, seu otário, você não notou que essas vagas têm donos, não?!— Ele empurrou Emmett pelo peitoral.
—Para, James!— Rosalie se colocou entre os dois, fazendo James voltar. Emmett ficou na defensiva, encarando James.
A porta do passageiro do Land Rover repentinamente se abriu, e Isy desceu, com olhar ansioso em direção aos dois. James aproveitou da ocasião e enlaçou a mão na cintura da Rose.
—Não se preocupe comigo, priminha, ele é grande, mas não é dois.— Ele se inclinou e pôs o nariz no pescoço de Rosalie.
Emmett deu um passo ameaçador à frente, puxou Rose de seus braços e apertou-a ao lado de seu corpo. Gelei, preocupado. James pôs a mão na cintura e olhou para os dois confuso.
—O que é isso, Rosalie?— Rosnou.
—É isso mesmo que você está vendo! Nós estamos juntos. Se ele estaciona na minha vaga é porque EU permiti.— Desafiou, batendo a mão no tronco.
James encarou Emmett com os punhos fechados ao lado do corpo.
—Seu terrorista filho da puta!— Avançou em sua direção, não se importando com Rose entre eles e projetou uma direita ao encontro de Emmett. Em milésimos de segundos, Emmett desviou do golpe, torceu o braço de James com técnica, sem a mínima ameaça para Rosalie, e o imobilizou, fazendo-o se ajoelhar com o braço torcido nas costas.
—Edward, faz alguma coisa!— Alice gritou atrás de mim.
Em choque letárgico, olhei para Isy, e ela me olhava com os olhos arregalados. E mesmo com o redemoinho acontecendo em volta de nós, fiquei preso ao seu olhar. Só me libertei do estranho magnetismo quando a vi caminhar em direção a Emmett, apoiar a mão em seu ombro e sussurrar algo em seu ouvido, depois apontar para trás de nós. Acompanhei seu olhar e vi dois carros pretos parados a certa distância.
Devagar, Emmett afrouxou o aperto.
—Se toca, cara. Ela não quer mais você.— Disse entre dentes e soltou-o por completo. James levantou com semblante de dor, esfregando os dois antebraços, encarou ameaçadoramente Isy e entrou nos portões da universidade.
Suspirei e encarei Rosalie quando James sumiu de vista.
—Se prepare para as consequências.— Avisei e fui ao meu carro pegar meus materiais sobre o painel.
—O que é isso que está acontecendo, Rosalie?— Alice, que assistiu a tudo, perguntou confusa. —Está andando com essa corja de apátridas agora?!— Acusou com repulsa. Rose baixou o olhar, e, antes que Alice a machucasse mais com seu preconceito, puxei Alice pelo braço e a afastei de lá.
—Você não tem o direito de falar nada, Alice. Rosalie é dona do próprio nariz.— Repreendi e fiz questão de levá-la até o seu bloco, de modo que ela não importunasse Rosalie.
Ao chegar em sala, percebi da porta que Isy não estava sentada na cadeira ao meu lado. Com olhos em fenda, caminhei direto para sua mesa no meio da sala e me agachei-me em sua frente.
—Por que isso agora? Não combinamos que você iria sentar-se lá?— Perguntei baixo.
Ela começou a rabiscar apressada, parecendo nervosa. Eu não quero te prejudicar. Não quero prejudicar mais sua família... Por favor.
Ela não levantou o olhar. Eu notei alguns olhares em nossa direção e resolvi adiar a discussão.
—No intervalo você sobe.— Exigi. —Lá em cima falamos.
Ela fechou os olhos, rendida, respirou fundo e assentiu, balançando a cabeça.
Tudo bem, mas você me segue à distância. Seu irmão não precisa descobrir mais nada hoje.
Assenti, desgostoso, fui para meu lugar no canto da sala e liguei o computador, ainda a observando. Os ombros dela subiam e desciam numa respiração nervosa. Eu também estava tenso e ansioso por subir e ficar a só com ela. As palavras ofensivas de Alice mexeram comigo. Era lamentável que minha irmã tivesse esse pensamento tão medíocre. Vergonhoso até. Todavia, mais vergonhoso ainda era eu não ter coragem de admitir para Alice meus laços com Isy.
Meus olhos não desviavam de seus ombros, tempo em que imaginava, com pesar, como seria se tudo fosse diferente, se não houvesse preconceitos. Um mundo com paz, amizade. Podia até parecer utópico, mas depois de conhecê-la, pensava nisso constantemente... Sonhava que ela pudesse andar em paz pela Universidade, que ela pudesse decidir para quem mostrar o rosto e fosse respeitada por sua decisão.
Suspirei e, involuntariamente, meus pensamentos voaram para minha garota. Queria que ela notasse o quanto mudei nos últimos tempos. Não sou mais o cara que ela conheceu, mulherengo e superior. Droga, ela nem ao menos ligou. Frustrado pela série de contrariedades, lutei contra meu humor, deixei o orgulho de lado e digitei uma mensagem. 'Saudade, gatinha. Não paro de pensar nos seus gemidos, em você ronronando em meu ouvido, rebolando em mim.'Li e balancei a cabeça criticamente para minha própria perversão. Como eu queria mostrar para garota que ela não era só sexo, se minha mensagem só falou disso?
Arrependido, apaguei e escrevi outra. 'Oi, gatinha. Espero que esteja pensando em mim como eu estou pensando em você. Saudades. Quero você.'
Reli com o cenho franzido, achando meloso e arromanticado demais. Porém, era isso que eu era agora: um idiota implorando por atenção. A conclusão me arrancou um sorriso. Enviei, a seguir fiz as anotações que o Mestre projetou na lousa.
No minuto seguinte, um som de sirene me chamou a atenção, e todas as cabeças viraram para trás. O celular de Isy tocava escandalosamente.
—Alguma emergência, Srta. Zaynah?— O Mestre perguntou divertido logo que Isy localizou agitadamente seu celular.
Isy balançou a cabeça em negativa, em seguida olhou para mim. Sorri brincalhão e fiz sinal para que ela colocasse o celular no silencioso.
No intervalo, escoltei-a a distância até o elevador, como ela exigiu. Passei na lanchonete e peguei, como em todos os dias, meu sanduíche e suco. De volta à cobertura, encontrei-a debruçada sobre o braço na grade de proteção.
—Não se preocupe com o que aconteceu hoje, Isy. —Adiantei-me. Ela virou ansiosa em minha direção. — Tudo vai se resolver. —Tranquilizei-a.
Ela retirou a caderneta do bolso e começou a escrever. As coisas podem ser piores do que você pensa.
—Não seja pessimista assim.— Dei a última mordida em meu sanduíche.
Ela deixou os ombros caírem. Ah, sabe quando tudo vem dando errado em sua vida? Uma coisa desencadeando outra...Escreveu e suspirou.
Balancei a cabeça sem compreender. Ela voltou a escrever. Desculpe. Hoje não sou uma boa companhia.
Aproximei-me dela e pus a mão sobre o seu ombro. —Esquece isso. Meu irmão uma hora ou outra ia ficar sabendo. Fique bem. Eu pensei que você que me daria um conselho, já que o irmão é meu e a família é minha.
— Seria muito fácil aconselhar se não tivesse diretamente envolvida.
—Mas você não está envolvida.
—Talvez sim, talvez não... Se eu nunca tivesse vindo para Liverpool, Emmett não teria conhecido Rosalie, e isso não estaria acontecendo... Existem tantos 'se' ligados a mim...— Escreveu e me olhou um tempo, detidamente. Instantes depois voltou a escrever. — Contudo, se eu nunca tivesse vindo para Liverpool, não teria conhecido o Edward que você é.
Ela suspirou e, inesperadamente, aproximou-se de mim, pousando a cabeça sob meu queixo. Grato por sua declaração tão transparente e honesta, sorri acolhedor e movi a mão para o alto de sua coluna. O seu familiar perfume exótico entrou em minhas narinas e ocupou meus sentidos. Respirei fundo e desci um pouco o nariz, concentrando, inconsciente, na área do seu pescoço. Minha mão apertou suas costas, trazendo-a mais para mim. Inspirei longamente e movi o nariz por cima do pano numa busca cega e instintiva pelo seu cheiro na abertura do pescoço. Ela ofegou nervosa, e só então eu registrei o que fazia. Droga! O que foi isso? Assustado com a tensão inconveniente, afastei-a sutilmente e recorri a algum subterfúgio.
—Assistiu meu jogo, sábado?
Ela balançou a cabeça assentindo e deu um passo de segurança atrás. Suspirei, buscando minimizar a importância do ocorrido, mas estava confuso com minha reação deslocada.
—Recebi uma proposta do Real Madrid. — Voltei a dizer com um sorriso nervoso. — Semana que vem vou receber um agente deles para conversar. Provavelmente eu mude para Espanha.
Ela abriu bem os olhos, em seguida escreveu. E sua vida aqui?
—Ah, não sou ligado em muita coisa aqui. Não tenho vínculos. O curso, eu transfiro; os amigos, eu os visito depois.
Sua família vai?
—É provável. Mas eu não sei de nada ainda. Tenho que esperar a proposta dos diretores.— Dei de ombros. Depois que respondi, ela concentrou seu olhar no chão. —Algum problema?
Vou sentir sua falta.A caneta moveu-se devagar no papel, parecendo relutante.
Fui pego de surpresa por sua declaração. Até então não tinha pensado em como permanecer seu amigo se eu deixasse Liverpool, uma vez que nossa amizade não era explícita. Não poderia ir à casa dela nunca. Um inexplicável pesar me invadiu. Amaldiçoei novamente as regras e preconceitos, puxei-a amistosamente ao encontro do meu peito e a abracei.
— Se eu for mesmo, eu também vou sentir sua falta. Eu adoro ficar perto de você. Você me ensina a valorizar a vida, a ser feliz com tudo o que tenho.
...
Na terça, Isy voltou a sentar comigo e adiantou alguns trabalhos meus. Ela me intrigava com sua inteligência anormal. Não demonstrava a mínima dificuldade nos cálculos mais cabulosos. E resolvia tudo muito rápido, como se fosse um passatempo. A princípio, eu fiquei intimidado e não gostei de receber ajuda. No entanto, no decorrer da semana perdi a resistência. Por ser temporada de futebol, havia muita pressão nos treinos, principalmente por ser capitão do time.
Como a febre dos paparazzo estava menor, dispensei o serviço de meus seguranças particulares durante o dia. Eles me escoltavam somente para voltar dos treinos à noite, com muita discrição, embora Liverpool, no geral, fosse uma cidade calma. O único motivo de não dispensar por completo seus serviços era aqueles dois carros negros que às vezes aparecia na redondeza.
Até quinta-feira, Cygne não ligou nem respondeu a última mensagem e, como eu estava bem ocupado em minha rotina, preferi esperar o fim de semana para resolver nosso problema. Ainda assim, insistente como sou agora, principalmente por saber sobre sua adoração por mim quando adolescente, mandei uma mensagem todos os dias. E não foi mais mensagem arromanticada. Ela tinha que acostumar comigo exatamente como sou. Terça, mandei, sorrindo, a seguinte mensagem: 'Está pensando em mim? Sábado vou te mandar pôsteres exclusivos do leãzinho vestindo boxes Calvin Klein para você colocar em todas as portas do seu guarda-roupa e beijar a semana toda, pensando em mim.' – Gargalhei das minhas próprias palavras e enviei. Quarta-feira, enviei uma com conotação sexual. 'Você está me induzindo a planejar coisas horripilantes com você. Vou te descascar, bater no liquidificador e comer você todinha. Se prepare.' Quinta-feira, eu estava morrendo de saudade, por isso, resolvi ser um pouco romântico. 'Eu poderia dormir com você todos os dias que eu não me cansaria. Sinto falta do seu corpo embaixo do meu.' Foi romântica sim. Eu juro que foi. Sinto falta dela dormindo de bruços, com seus cabelos espalhados. É isso.
O decorrer de dias seria um tempo propicio a pensar no que fazer, como e onde seria o melhor lugar para montar um AP. Porém, meu tempo estava escasso, o horário que eu tinha mais tempo de pensar era quando chegava do treino onze horas da noite, já exausto. Essa era justamente a hora que eu mandava alguma mensagem, olhava algumas vezes para o celular, resmungava com desgosto pela falta de resposta e, instantaneamente, caía em sono. Por isso não tinha tempo de decidir por um ap. Eu até poderia pedir Rose para procurar um por mim, porém, não queria conversar sobre minha problemática relação.
Para completar minha semana frustrante, a preocupação com James ocupou minha mente. Desde segunda James dormia fora, provavelmente na casa de seus amigos viciados em coca. Há algum tempo ele estava limpo, mas depois do ocorrido segunda, só o encontrei na Universidade. Sempre agitado e com os olhos vermelhos.
Sexta-feira, logo que eu estacionei na Universidade, recebi uma mensagem de texto da Cygne, fato que até me pegou de surpresa. Com o fôlego preso e pulsação agitada, abri a mensagem e li.
'Eu conto os minutos e as horas todos os dias para te ver. Sinto sua falta desde sempre. Desculpe não te responder antes, é porque a semana toda eu fico decidindo o que vou fazer com você. Só quando chega sexta que eu percebo que não vou conseguir ficar um fim de semana sem você. Te ligo mais tarde. Tenha um bom dia... Ah, não vou poder dormir com você, se é de dormir que você sente falta. Risos.'
Suspirei e sorri sozinho, igual um leão de circo que ganha do dono um carinho na cabeça por ter pulado os bambolês. Argh, que paixonite doentia! Mas não tinha nada que eu pudesse fazer contra. Ela me tinha em suas mãos.
Olhei, ainda sorrindo, para o lado, e Alice me olhava como se eu fosse um demente.
—Que sorriso bobo é esse, Edward?— Perguntou com um meio sorriso.
—Com certeza a mensagem era da namorada dele.— Rosalie arreliou e abriu a porta do carro para descer.
—Eu não falei com você, amante de terrorista.— Alice cortou Rose com mordacidade. As duas não se falavam desde segunda. Todavia, eu sabia que sua real implicância com Rosalie era por Isy, não por Emmett.
—Alice, você já foi à casa do Hale?— Desviei o assunto, tentando arrancar alguma informação.
—Não. Ele não gosta do pai, nunca fala dele, então não faz a mínima questão que eu vá conhecer sua casa.— Abriu a porta e também desceu, amarga.
Passei a aula distraído, ansioso desde que a mensagem de Cygne chegou. Eu não via a hora de receber seu telefonema e combinar onde nos veríamos. Mas, como em todos os dias, quando Isy estava comigo, a manhã passou tão rápido que eu mal pude notar. No intervalo acompanhei-a a passos distantes até ela chegar seguramente ao elevador. Quando a porta se fechou, segui para lanchonete e, antes de completar o percurso, o reitor me abordou.
—Cullen, eu preciso falar com você.— Ele parou em minha frente.
—Espere só eu comprar meu lanche e eu volto.— Pedi, comprei meu habitual lanche e voltei curioso com o que o reitor queria falar. —Pode falar.— Sentei com ele em uma mesinha no pátio e comecei a lanchar, tranquilo.
—Pelo jeito você ouviu meu pedido e agora senta com a muçulmana.— Ele iniciou sem jeito.
—Sim. O noivo dela é amigo da minha mãe. Não vejo porque não ser próximo a ela.— Respondi indiferente.
—Eu fico satisfeito que você tenha se aproximado. Como você sabe, eu não sou tão preconceituoso como o restante da universidade, embora eu só tenha facilmente aceitado-a porque ela chegou com Ordem Judicial.— Ele confessou, com meio sorriso.
Atentei-me para a última frase. —Ordem Judicial?— Franzi o cenho ao perguntar.
—Sim, er...— Ele balbuciou, notando meu interesse. —É notório que ela não é uma estudante comum, Edward. Ela chegou no meio do semestre.— Tergiversou.
Embora intrigado, eu não estava disposto a perder tempo do meu intervalo, pus minha capa de o mais indiferente possível e encarei o reitor.
—Senhor Reitor, qual o seu real objetivo em ter me chamado aqui?
Ele mexeu nervosamente as mãos, com os dedos estalando um no outro. —Tudo bem... O assunto é outro. Só tomarei cinco minutos.— Ele pediu. —Edward, eu tenho muita consideração pela memória do seu pai, por isso aguentei várias situações complicadas com seu irmão desde que aconteceu o atentado.— Ele explicou, ansioso. Esperei ele completar. —Por isso até hoje não o expulsei das dependências acadêmicas, mas essa semana tudo ficou mais inviável, pois ele está agressivo com os mestres, fazendo algazarra, consumindo substâncias entorpecentes nas intermediações e isso extrapolou o limite de indulgência.
Suspirei nervoso com a situação. Até esse instante eu não queria ver a proporção que tinha tomado, mas ouvir os fatos expostos pelo reitor trouxe-me a tona a realidade. —O que o senhor espera que eu faça?
—Não sei. Você é sua família. Sei que você é homem feito e vai aconselhar da melhor forma o seu irmão. Ele está prestes a concluir o Mestrado, mas se ele não proceder com discrição e polidez em minha Universidade, a carta de indicação à Inteligência Britânica que eu prometi ao seu pai não será possível. Sei que esta responsabilidade não está sobre você, mas na atual situação, você é a pessoa mais sensata da sua casa.
—Ok, senhor. Eu vou conversar com ele.— Apertei sua mão num cumprimento, saí de lá e perdi completamente o apetite. Tomei somente o suco, pensativo. Olhei no relógio do meu braço e respirei fundo, impaciente com o trajeto do térreo até o décimo quarto andar. Só Isy poderia dizer algo reconfortante. Ela me ajudaria a pensar, embora eu tivesse perdido mais de vinte minutos e restasse pouco tempo para terminar o intervalo.
Ao chegar ao décimo quarto, notei que a porta que dava para a cobertura estava aberta, o que me deixou com uma alarmante suspeita, pois ela sempre fechava a porta. Aproximei-me devagar da porta, xingando-me internamente de paranóico, e assustei-me quando ouvi grunhidos junto a barulho de pés se debatendo. O que vi em seguida me deixou gelado, em mudo estupor, como se assistisse à cena de outra realidade.
Isy estava deitada no chão, com a saia do nicab enrolada na cintura, e em cima dela, tinha uma figura enfurecida, com uma faca na mão, rosnando xingamentos com as calças abertas. Foi ingenuidade não imaginar que a descoberta sobre o relacionamento de Rosalie não ocasionaria nisso, em uma perseguição pessoal sobre o objeto de custódia de seu desafeto.
Meus pés colaram no chão, incapacitando-me de mover.
—Vadiazinha! Ele não te protegeu aqui, estando ocupado entre as coxas da minha... Grrrr.— Ele grunhiu com ódio, e ela se debateu. Ele passou uma mão lascivamente nas pernas dela, com a faca encostada na altura do pescoço, na separação do nicab. —Quero ver como ele vai se explicar para o poderoso sheik... 'Ah, eu estava comendo a lourona no 13º e deixei a garota no 14º.'— Ele riu com amargura.
Uma dor lacerante cortou meu peito ao vê-la humilhada daquele jeito, com suas pernas expostas. Pernas que eu, por respeito, evitei fixar meu olhar.
—Quero só ver o que vai ser do segurança depois que o sheik descobrir. Quem sabe, ele enfie uma bomba no rabo do segurança.— Ele rosnou mais uma vez e meu coração saltou, com pânico e medo.
—James... Solte-a.— Disse irado quando ouvi barulho de roupa sendo rasgada. Os olhos dela encontraram os meus e novamente vi aquele olhar do dia em que Mike e Ben a atacaram, um olhar de pânico, ao mesmo tempo de confiança. Notei então tudo que eu vinha sentindo por ela ao longo dos dias. Ocupou sutilmente meu tedioso mundo e isso fez dela muito mais que especial. Descobri porque sentia temor por ela. Ela atraía o perigo. Sem querer ela o fazia.
James me olhou com confusos olhos vermelhos, então olhou de volta para ela. —Me deixa, Edward. Ninguém vai se importar com o que eu fizer aqui, não vou seu punido.— Disse imaginando que minha preocupação fosse com sua incolumidade.
Sem pensar muito, calculei o ângulo e, num só golpe, cheguei por trás dele e dei-lhe um mata-leão, decisão que tomei calculadamente por ele estar com a faca na garganta dela. O golpe o afastou dela, eu apertei até que ele perdeu as forças das mãos e soltou devagar a faca que segurava. O aperto diminuiu assim que a faca caiu, porém, quando Isy sentou-se atordoada, James conseguiu ganhar forças e seu pé direito foi em direção ao tronco dela, jogando-a na grade, movimento que fez que ela batesse a cabeça.
Corri aflito em direção a ela, sentei no chão, ergui sua cabeça, deitei-a em meu peito sobre meu colo e dei alguns tapinhas em seu rosto, por cima do tecido.
—Isy...— Dei mais uns tapinhas. Ela estava vertiginosa. —Está tudo bem?— Ela finalmente abriu os olhos desfocados. —Tudo bem?— Perguntei, e, sem pensar no que fazia, abracei-a mais forte. —Eu estou aqui, você vai ficar bem.— Ela tremia, a respiração ofegante pelo nervosismo. Compadecido, encostei minha boca na região descoberta de seus olhos e salpiquei beijos castos, tentando passar conforto. —Eu não acredito que ele fez isso com você.— Lamentei. —Ele é um bastardo, filho da puta. Doente com suas próprias frustrações.— Ela levantou um braço e, seguidamente, enlaçou meu pescoço, pousando o seu rosto sob o meu queixo, agora soltando soluços. —Ei, está tudo bem.— Algo dolorido atravessou o meu estômago ao ver que ela chorava. —Shhh, você está comigo agora. Não vai mais acontecer.— Balancei-a para frente e para trás. Uma listra de sangue em sua perna ganhou minha atenção. Observei alarmado. —Eu vou ficar com você.
Tive medo do que ele poderia ter feito e peguei na barra da saia para cobrir suas pernas encolhidas, tentando deixá-la confortável. Antes, olhei para o rastro de sangue na parte frontal de sua coxa e toquei com o dedo o local, conferindo o grau de profundidade. Senti uma súbita descarga de energia ao tocá-la. Surpreso e confuso, afastei a mão e respirei aliviado ao perceber que era um corte superficial ocasionado por algum deslize da faca — não pelo que eu tinha pensado que era. Estupro.
Como que por necessidade, minhas mãos crisparam para voltar a tocar sua pele, testar aquela eletricidade que senti. Cauteloso, ajeitei-a no colo e voltei a tocar sua perna com as pontas dos dedos, confortando-a, ao tempo que sentia a corrente energizada subir até os ossos. Ela diminuiu os soluços, e meus dedos passearam tranquilos atrás dos joelhos, minha boca descansada entre os seus olhos, murmurando palavras de conforto.
Aos poucos, fui confundido por uma névoa densa de irrealidade. Deixei de ser o protetor, deixei de ser o amigo, fechei os olhos e minhas mãos subiram por conta própria em sua coxa, quadril, até que chegou à cintura, por dentro do vestido.
Ela usava um vestido soltinho por baixo do nicab. Senti a mudança na atmosfera, ignorei e explorei gentilmente suas costas, minha mão ávida apertando-a, massageando-a, descobrindo-a. Ela se encolheu mais no meu colo e começou a ofegar. Senti a inconveniente excitação inchar e abri os olhos assombrado, xingando-me por confundir tudo.
Só então descobri o imenso distúrbio que envolvia minha mente.
Querido Deus, eu a acho atraente! Registrei atordoado.
Não era somente amizade, curiosidade, compaixão... Em todo o tempo ela me atraia... Mas como? O motivo para que eu sempre sentisse necessidade de conversar com ela, para passar horas olhando para ela durante as aulas, para querer saber de sua vida, para estudar o seu povo; o motivo de encará-la, observar os seus atos e suspiros; o motivo de ter tido sentimentos estranhos quando ela era terna com o noivo não era só amizade...
Céus, eu tinha que parar, mas minha mão não obedecia ao comando repressor do meu cérebro. Ainda queria conhecer a textura, a temperatura. Uma parte do meu cérebro que eu disciplinava rigidamente sempre quis descobrir como era sua pele por baixo da roupa, como eram suas formas.
Em oposição ao que era certo que fizesse, ela ficou calma, deixando-se explorar. Havia aceitação quando meus dedos acariciaram cautelosamente a costela, de trás a frente, e o polegar acariciou o seio por cima do sutiã, numa exploração que era há muito sexual, não amistosa.
Minha mão pousou em concha no seu seio, fechei os olhos e por uns segundos o seio de Cygne ocupou meus sentidos.
Agora não. Não queria pensar nela.
Droga. Tudo aqui estava errado. As coisas não deviam ter sido confundidas. Ela era a única pessoa neutra em meu mundo, a pessoa que me dava atenção sem exigir nada em troca. Nem sexo, dinheiro, fama. Nenhum interesse diverso. Ainda assim a tentação de continuar explorando-a era mais forte que minha nobreza. Com extrema cautela para não estourar a bolha, deitei-a sobre o oco do meu braço, mudei meu corpo e direcionei meu nariz para a separação do nicab no seu pescoço, sentindo lá o doce e familiar perfume exótico. Encontrei a pele do seu pescoço e passei vagarosamente a língua para sentir seu gosto, com um braço apoiando sua cabeça e a mão livre ainda acariciando hesitantemente o bico do seio, com o obstáculo da renda.
O tempo pareceu parar quando peregrinei lenta e eroticamente beijos em seu pescoço, garganta, por baixo do nicab, prometendo desfazer dele e testando sua aceitação. Iria subir os lábios para a boca, saber que gosto tinha, saber se tinha gosto do proibido como sempre imaginei. Iria saber se seus lábios eram macios, se eram doces. Iria conhecê-la. Sim, porque o que tinha de errado em ver o seu rosto quando tocava o seu corpo?
Eu estava no inferno, então devia me queimar.
Novamente, uma centelha invadiu a névoa de irrealidade e trouxe a lembrança da Cygne. Entrei em conflito interno, e todas as sensações ficaram embaralhadas. Meu corpo era devastado pela proximidade de Isy, minha respiração entrecortada de desejo. Entretanto, culpa crescia em mim, embora eu lutasse em calá-la.
Pus a mão por baixo da entrada no pescoço e desfiz dois botões, olhando atenciosamente os olhos dela que estavam arregalados de expectativa. De novo, a imagem da minha garota de olhos azuis pairou diante de meus olhos, como se fosse para lembrar que agora eu tinha uma... Namorada?
Com uma batalha cansativa entre cérebro e corpo, busquei nos olhos marrons de Isy consentimento. Todavia, ao reprimir meu egoísmo e analisar detalhadamente a situação, o embate circunstancial da realidade me sacudiu, no instante em que vi a mancha negra borrada em volta dos seus olhos, marcas do choro. Eu devia estar louco para aproveitar de sua vulnerabilidade. Se eu fizesse o que meu corpo queria, continuasse a exploração e a tomasse ali, acabaria com o futuro da menina. Eu tinha acabado de livrá-la das mãos do meu irmão e fazia pior. Abusava de sua confiança em mim.
—Desculpe por isso, Isy. Eu er... —Voltei a mim.
Ela interrompeu o que eu ia falar colocando o indicador em meus lábios, dizendo sem palavras que não me censurava. Eu beijei a ponta dos seus dedos enluvados. Ela acariciou meus lábios com olhos ávidos... Eu conhecia aquele tipo de olhar.
Querido Deus, ela também queria aquilo.
Quem iria protegê-la de mim agora?
Errado como eu era, passei mais uma vez a mão de sua cintura ao seu quadril, ajustei-a a mim, de lado no chão, e perdi a resistência por completo. Por que não? Eu não tinha porque parar de acariciá-la. Eu não queria parar.
—Eu sei que é errado pra porra... Mas.— Sussurrei e voltei novamente minha boca para a divisa do nicab, depositando beijos calmos. —Eu sempre quis.— Confessei. Ela aceitou passiva, encostou o nariz em meu pescoço e deu uma longa inalada. Eu não sabia o que aquilo desencadearia, mas não era uma situação que eu pudesse controlar. Não tinha a mínima chance de parar. Seu corpo macio estava minimamente encostado a mim, minha ereção aconchegada no triângulo entre suas coxas. Meus beijos em seu pescoço converteram-se em beijos cálidos e molhados, subindo devagar pela garganta, deixando a antecipação se espalhar. Ela se retorcia como uma gata a cada mordiscada. —Eu queria tanto saber que gosto você tinha.— Revelei e estremeci, com todas as sensações intensificadas.
A estranha familiaridade de seu gosto e formas era hipnótica e confusa. O meu indicador particular sobre o medidor de erro foi oscilando, avisando perigo. Toda aquela aura de magnetismo me atordoava e, de novo, outra imagem pungiu insistente em meu cérebro, projetando sensorialmente o gosto de Cygne, seu corpo.
Como se acordasse de um sonho, parei os movimentos da mão que tinha voltado ao seu seio e balancei a cabeça, questionando seriamente minhas faculdades mentais. Sim, porque eu podia até ter descoberto que sentia além de amizade, atração por Isy, mas obviamente era a saudade de Cygne que me deixava louco. Só tinha essa explicação para minha confusão com gostos e formas.
Soltei-a delicadamente, evitando expor rejeição para não ofendê-la e abaixei sua saia devagar, sem tirar os olhos dos seus. Lentamente, sentei, trouxe-a para o meu peito e a abracei forte, ainda respirando ofegante, satisfeito por ter conseguido me dominar. Um pouco envergonhado, mas ao mesmo tempo enternecido, beijei a região entre seus olhos novamente.
—Er, eu não sei o que falar...— Mantive-a um tempo apoiada em meu peito. —Mas, er, eu não tive a intenção, er, de te desrespeitar.— Sussurrei, nervoso, com a mão por baixo do nicab, acariciando o seu rosto. —Você é muito importante pra mim. É adorável. — Declarei intenso. O mesmo indicativo revelador dos sentimentos que descobri por Cygne semanas atrás atravessou como um raio meu peito, fazendo um nó em minhas vísceras.
Isy provoca em mim as mesmas respostas que a outra, descobri.
A cada segundo eu ficava mais crítico com meus sentimentos confusos e doentis. Não tinha duas semanas que resolvi assumir meus sentimentos por minha garota, agora descobria sentimentos parecidos por Isy! E era um sentimento tão cru que quase a ataquei no chão de uma cobertura, sem importar-me com as consequências.
Eu estou louco!
Será que uma pessoa pode estar tão envolvido emocionalmente por duas mulheres?
Pelo jeito eu posso, merda!
Uma pessoa pode estar obcecado por duas mulheres comprometidas, que não querem ou não podem ser suas?
Parece que o otário aqui pode.
Ela continuou quieta em meus braços, como se nada tivesse acontecido, sem exigir explicação. Eu não sabia como seria o futuro de nossa amizade. Não sabia como me comportaria sabendo que agora a desejava de outro jeito, sendo ela minha confidente.
Ainda preso aos meus questionamentos, senti a bolha explodir quando o som de sapato arrastou logo atrás de nós. Virei devagar o rosto e arregalei os olhos ao deparar-me com o espectador. Eu tinha esquecido completamente onde estava e lugar, e agi estupidamente naquele ritual de descobertas sensitivas.
Como se estivesse congelado lá, esculpido, como uma figura inanimada, estava James, pétreo.
O ar ficou rarefeito. Permanecemos os três congelados, esperando um pela ação do outro. Preparei-me para sua fúria, mantendo Isy bem próxima a mim. Ela afastou-se de um empurrão e apoiou-se na grade, apreensiva.
—Ei, está tudo bem. Não precisa ficar assim.— Levantei, aproximei-me e a abracei, escondendo-a em meus braços. —Ele não vai fazer mais nada.— Tranquilizei-a e olhei-o de esguelha, ameaçador. Eu já tinha escolhido que lado ficar. James ainda nos olhou um tempo, atordoado, em seguida girou sobre seus pés, deu as costas e saiu, batendo forte a porta atrás de si.
Ainda com os processos mecânicos lentos, olhei para ela e suspirei. Ela soltou-se completamente de mim, virou-se de costas e baixou o olhar para um pedaço de sua roupa rasgada e a poeira do chão que impregnou em seu nicab negro.
—Você quer ir embora?— Inclinei e examinei o pano rasgado em sua lateral direita, abaixo da cintura. —Eu te levo em sua casa, se você quiser.— Propus, e ela balançou a cabeça em negativa. Voltei a repassar no cérebro todo ocorrido entre nós dois e fiquei perplexo com nossa reação. —Dê-me o telefone do Emmett que eu falo com ele.— Propus ao perceber que ela precisava de espaço. Ela balançou a cabeça assentindo, pegou seu telefone no bolso, discou e me entregou.
Emmett atendeu surpreso por ser eu ao telefone. Menos de um minuto depois, Emmett chegou ofegante, de mãos dadas com Rosalie.
—O que aconteceu?— Ele questionou e estudou atenciosamente os olhos borrados de Isy.
Rosalie parou em frente à Isy e olhou-a da cabeça aos pés. Seu olhar ficou concentrado nos sapatos como se resolvesse um difícil problema de Matemática. Voltou o olhar lentamente aos olhos de Isy parecendo enxergá-la a primeira vez, e a cada segundo sua boca abriu mais. Ato continuo encarou questionadora e acusadora Emmett. Não compreendi sua atitude bizarra, desci os ombros num suspiro e fitei minha prima.
—Foi James.
Rosalie fechou os olhos uns segundos, como para esquecer, depois jogou as mãos no ar, exasperada.
—Não acredito que ele fez isso!— Caminhou até Isy e a abraçou acolhedora. Isy ficou rígida, Rosalie insistiu no forçado abraço.
—Ele não a machucou...— Adiantei ao ver Rosalie examinando o nicab rasgado. —Eu cheguei em tempo.
—O que aconteceu, Edward?— Emmett voltou a perguntar, olhando Isy desconfiado.
Esfreguei nervosamente a fronte, com os olhos também direcionados a Isy.
—Demorei a subir porque o reitor me parou para conversar quando fui à lanchonete.— Expliquei desgostoso. Isy percebeu meu óbvio tom culpado, ergueu o rosto obstinada e caminhou em direção a porta. Não a agradava ser o foco da discussão. Antes que ela chegasse a porta, alcancei-a e parei em sua frente. —Deixe-me ir a sua casa? Preciso falar com você.— Pedi, inserindo de um jeito possessivo a mão por baixo do nicab. Eu não queria que as coisas ficassem estranhas. Era necessário esclarecer a confusão que viramos.
Com o olhar desviado do meu, ela balançou a cabeça negando. Baixei a mão e dei um passo atrás, magoado.
—Ok. Então me dê ao menos seu número de telefone para conversarmos por mensagens.— Insisti, sentindo um pesar estranho ao pensar que teria que esperar até segunda para vê-la. Ela ficou um tempo quieta, pensativa, então pegou minha mão, buscou uma caneta no bolso e escreveu. imsc .uk. Me add e conversamos pela internet.
—Tudo bem.— Virei minha mão dentro da dela, encaixei nossos dedos e pensei em me inclinar e pousar o nariz em seu pescoço para sentir novamente seu perfume. Porém, sua postura tensa e desconfortável me refreou. —A gente se fala.— Foi o que disse, contendo a vontade de abraçá-la, confortá-la e dizer que tudo ficaria bem; ignorando totalmente o olhar perplexo de Emmett e Rosalie próximos. —Pode deixar que eu pego seus materiais em sala e entrego para Rosalie.— Avisei. Ela assentiu, entramos em silêncio no hall do 14º, seguidos por Emmett e Rosalie, e chamamos o elevador.
Voltei para sala e, até tinha intenção de assistir aula após o intervalo, porém a intensa atividade em minha mente não me permitiu ficar na entediante aula. Peguei os materiais de Isy, deixei a sala e segui de carro rumo à praia. Não queria voltar para casa ainda. Estacionei o carro embaixo de uma árvore, deitei o banco de couro e liguei o som. A rua da orla, mesmo em início de tarde, estava movimentada. Um local indicado para relaxar e pensar, embora não completamente neutro, pois mar fazia-me pensar em Cygne. Olhei suspirando para as palmeiras, vi casais de namorados embaixo delas e desejei, por um instante, ser uma pessoa normal, que pudesse descer do carro, sentar em um quiosque qualquer com minha garota e simplesmente curtir.
Entretanto, não podia agir como uma pessoa normal. Tudo começou aos dezessete anos, quando fui convocado para Copa do Mundo e fiz gols pela Inglaterra. Desde aí, comecei a receber propostas milionárias para sair do clube Liverpool. Não deixei o clube, é óbvio. Em compensação não pude mais sair às ruas sem a adoração compulsiva das fãs adolescentes, que me consideravam sex symbol. Piorou quando aos dezoito anos fui eleito por revistas teens do país o jogador mais bonito da Europa, o sucesso espalhou-se na rede, e o resultado repetiu-se por anos consecutivos em outras revistas, não como o mais bonito da Europa, mas do mundo. Mera idiotice. A partir daí, tornei-me garoto propaganda exclusivo da Calvin Klein, perfumes Clive Christian e Bugatti.
Por muito tempo, amei o sucesso. Não me deixei deslumbrar, é claro, por causa da disciplina do meu pai. E também nunca senti falta de liberdade, pois a fama facilitava tudo em minha vida. Mulheres, carros, viagens. A despeito disso, não sabia que não vivia minha vida. Podia ter tudo e todos, porém só hoje descobri que, na verdade, não tenho nada.
Sim, não tenho nada porque, de repente, tudo que eu quero tem seu dono.
Cygne continua sendo um tiro no escuro, fecha as mínimas brechas para que eu não entre em sua vida. Ela disse sábado que minha paixão chama luxúria. E, bem, pode ser isso mesmo. Tê-la é uma necessidade básica, paixão carnal. Mas também há ternura. Já Isy, é um enigma. Uma ligação distinta. Indefinível. Mais para algo espiritual. Ao pensar nela sinto frustração, angústia, compaixão, adicionados agora de atração. Em contrapartida, Cygne, ainda é a mulher que faz minha garganta sufocar, o sangue ferver, algo em meu estômago apertar em nós; e a vontade de tê-la em meus braços é maior que qualquer dúvida.
Saudoso, respirei fundo e disquei o número da pessoa que era, pelo menos por enquanto, a opção sensata... Ela não envolvia religião, exposição negativa diante da imprensa. Além disso, ela não envolvia conflito com o sheik. Exigiria apenas comprometimento, algo que agora, mais do que nunca, depois dessa descoberta agonizante sobre outra paixão, eu me apressaria em ter.
O telefone da Cygne chamou várias vezes sem resposta. Desisti e resolvi esperá-la ligar, já que ela disse mais cedo que iria ligar. Todavia, até o fim do treino à noite o telefone estava mudo. À noite, fui para o mesmo local de todas as sextas e sentei entediado na banqueta do bar enquanto tomava um suco, olhando em todo o tempo o celular.
—Você está esperando Bella?— Rosalie perguntou com um sorriso de quem sabia tudo ao encostar-se ao meu lado.
—Não.— Torci os lábios negando o óbvio. Era como se estivesse escrito em neon na minha testa. Rilley perguntou, Alice perguntou e agora Rosalie. Rosalie revirou os olhos para minha negação, apoiou suas duas mãos no meu ombro direito e descansou o queixo.
Rosalie podia me deixar em paz, pensei contrariado. Não queria estar com alguém que sabia sobre Isy e Cygne, principalmente depois de ela ter presenciado mais cedo nossa afinidade.
—Não acredito que ela venha.— Rosalie comentou com ar superior. —Eu também não confiaria em você.— Disse naturalmente. Olhei-a por cima do ombro desgostoso.
—Você não sabe de nada, Rosalie.— Atirei secamente. —Essa semana eu agi como um idiota e até propus montar um apartamento para ela. Mas você acha que ela é o tipo que quer alguma coisa? Pelo jeito, de mim ela só quer diversão. Aliás, merda, eu nem sei o que ela quer. Brincar comigo, só tem essa explicação.
—Eu não acho que ela queira brincar com você. Acho que ela gosta demais e tem medo dessa relação e o que ela pode ocasionar.
Como Cygne podia ter medo da nossa relação, se eu era sua melhor opção? Antes eu a esse velho, pai do Hale. Pelo menos ela gosta de mim. De qualquer maneira, eu tinha as mãos atadas. Nosso relacionamento dependia dela. Inferno. De repente, minha vida que antes era fácil, calculada e rotineira transformou-se em completo caos. Vivia relacionamentos que não sabia como lidar.
Frustrado, completamente confuso e com um enorme vazio, deixei a boate e me dirigi para casa, antes que resolvesse pedir uma bebida como lenitivo para solidão. Como sábado teria jogo, eu precisava me resguardar e dormir. Subia as escadas de casa evitando fazer barulho quando o som de uma conversa ao telefone chamou minha atenção. Tentei ao máximo ser discreto, mas o nome Coll me fez parar e atentar os ouvidos.
—Qual o homem que não iria querer alguém jovem como ela, Coll?— Era claro de quem eles falavam. Isy. Obviamente sobre o casamento. Fechei as mãos em punho inconscientemente. —... Não, Coll, pare de brincar... Sei, sou o amor de sua vida, mas você não consegue ficar longe de seu harém.— Gracejou risonha. Abri a boca perplexo. Que cara mais canalha!—Não... Não podemos. Não é certo... Vou pensar. Até amanhã eu te dou a resposta. Quantos dias?... Eu quero sim, conhecer essas suas benditas terras no Oriente Médio... Ok, mas se eu for, vou levar Rosalie... Não, Carlisle, Rose não é sua filha... E daí que ela tem os seus olhos? Olhos azuis é o que não falta no Reino Unido... Suas contas estão erradas. Arranque um cabelo dela e faça o teste... Tá, amanhã te ligo...Um beijo em você também.
Ela se despediu suspirando, e eu congelei boquiaberto, desfiando mentalmente a conversa... Minha mãe estava indecisa em viajar com o noivo da Isy? E que conversa foi aquela no fim, dele supor que Rosalie era sua filha?
Balancei a cabeça incrédulo, principalmente com o modo jovial como ela o tratou. Não era com a mesma tensão séria que tratava o meu pai. Ela ria como eu nunca vi antes.
Cansado, atordoado, e, principalmente, desiludido, terminei o caminho do quarto e tomei um banho demorado. Antes de deitar, ainda secando meu cabelo com a toalha, ouvi o som de alerta de mensagem de texto no celular. Joguei a toalha no chão e, estupidamente esperançoso, abri e li a mensagem. 'Mil desculpas, leãozinho. Não pude ligar e não consegui ir. Lamento. Eu não queria te fazer esperar. Espero que tenha se divertido.'
Rá, divertido porra nenhuma! Como a garota me condiciona a comer só o que ela dá - isso na palma de sua mão -, agora diz que era para eu ter me divertido? Ela só pode estar brincando!
Sentei na cama e digitei uma rápida resposta. 'Sim. Eu me diverti muito sentado no bar. Estou com calo no traseiro de te esperar. ' Sorri, facilmente amansado, deitei na cama e cobri com o lençol, certo de que a conversa tinha encerrado. Todavia, repentinamente o telefone alertou nova mensagem.
Surpreso que ela tivesse estendido a conversa, abri e li. 'Eu queria muito ter ido te ver, juro. Não sei se sou capaz de passar mais um dia longe de você. Só não fui porque não foi possível. Saudades. '
Abri a boca chocado com o teor romântico da mensagem e reli para confirmar. Não foi direta e concisa, mas terna e receptiva. Sorri idiotamente para tela e suspirei, sentindo a maldita saudade alargar no peito.
'E quando você vai me compensar? Hoje, por exemplo, vou ter que me virar com a mão.' Escrevi e enviei novamente, esperando um tempo inexplicavelmente longo pela resposta.
'Se tudo der certo, eu durmo com você amanhã e passo o domingo com você... Estou torcendo aqui.'
Contaminado por sua resposta animada, ponderei sonhadoramente opções de programas para o fim-de-semana.
'Então podemos pegar um avião depois do jogo amanhã e passar a noite e o domingo em uma ilha na Grécia. O que você acha? Lá não teríamos que usar disfarce. Seríamos só nós dois. Estou precisando muito de um final de semana como uma pessoa comum. Queria ir à praia com você... Queria agir como um casal normal, te traçar na areia, sem precisar ficar preso em um quarto ou escondido por capuz, boné e óculos de sol. Te quero.'
Era exatamente isso que eu precisava: um fim de semana para mim em anos. Aguardando a resposta, estendi o braço e apaguei a luz no abajur, esperançoso. Minutos depois a mensagem chegou. 'Ah, é uma pena, mas não posso sair do Reino Unido. Já que quer sair de Liverpool, podemos ir a Escócia conhecer as terras dos pais do Rilley. Adoro uvas... Adoraria conhecer o campo de cevada... Não importa onde fiquemos, o que eu quero é ficar perto de você... Também te quero.' Li e, de novo, sorri idiotamente para a tela, pego de surpresa com a proposta e, principalmente, com sua facilidade de se declarar por mensagem.
Há anos Rilley me convidava para ir de novo aos campos. E seria um ótimo programa para sair da rotina. Portanto, deliciado com a promessa do fim-de-semana, digitei a resposta. 'Combinado. Venha o mais rápido que puder. Traga muitas saias. De preferência soltas e curtas. Seu leãozinho te espera de braços abertos.' Enviei sorrindo da conotação sexual deliberada. Segundos depois, a resposta chegou.
'Vão invadir meu quarto por pensar que eu tô sofrendo uma convulsão. Rsrsrs. Estou rindo tolamente aqui para o visor. Adoro você por isso: por me fazer rir e esquecer o mundo. Um beijo e boa noite.'
'Você também me faz rir como um idiota. Milhares de beijos em você toda. Sonhe com o que vou fazer com você.' Enviei sorridente, abracei o travesseiro e caí num sono profundo.
08h da manhã, eu dei uma entrevista à revista Word Soccer em minha casa sobre a negociação com o Real Madrid que vazou para imprensa, e fui questionado sobre a ética de ser negociado pelo time que iria enfrentar na final do campeonato europeu em uma semana. Eu fui reticente. Nem confirmei nem neguei a especulação. Após a entrevista, acessei meu e-mail no notebook e escrevia as primeiras linhas de uma mensagem de bom fim de semana para Isy quando minha mãe entrou no meu quarto.
—Filho, er, você vai passar o fim de semana aqui ou na casa do Rilley? —Questionou desconfiada.
—Tô pensando em ir às terras dele na Escócia. Por quê?— Respondi distraído com o e-mail.
—Hmmm, eu estou pensando em viajar com Carlisle. Faz tempo que ele insiste que eu vá conhecer as jazidas que ele recebeu de herança...— Informou hesitante e sentou em minha cama solteirão. O que ela queria? Consentimento? Eu não iria me intrometer, embora eu não me conformasse com a situação.
—A noiva dele vai?— Tentei soar indiferente, mas tinha curiosidade se o sheik humilharia Isy desse jeito, cortejando outra em sua frente.
—Acho que não.— Moveu as mãos, nervosamente. —Eu imagino que ele não volte antes de terça e viajar faria ela perder aula.— Deu uma desculpa.
Desviei a atenção da tela e observei minha mãe. Quão bonita ela era para sua idade! Seria interessante se ela conseguisse fisgar o sheik, e ele deixasse Isy livre para mim... Pensei distraído. Deus do céu, de onde veio esse pensamento absurdo?! Balancei a cabeça atordoado e voltei o olhar para ela.
—Er...— Passei a mão no cabelo, incerto. —Ele é seu amigo não é? Não vejo nada demais em viajar com um amigo. A senhora precisa se divertir um pouco, sair da rotina. De repente, seja bom conhecer as Arábias.— Sorri encorajador, admirado com o quão sincero soou.
Ela sorriu de volta assentindo, levantou e caminhou até o meu armário. —A Calvin Klein enviou ontem umas roupas novas para você. Se você quiser sair hoje à noite, Alice fez algumas combinações.— Ela abriu as portas do armário e apontou para uma série de roupas.
—Tudo bem... Mãe, eu pedi uns pôsteres da última coleção, eles vieram junto com as roupas?— Perguntei lembrando do que prometi à Cygne.
—Sim. Eles estão aqui.— Ela apontou para cima da minha mesa.
—Que horas você viaja, mãe?— Folheei os pôsteres sorrindo do que faria com as fotos
—Não sei, mas é hoje à tarde. Quando você chegar do jogo em Londres não estarei mais aqui.
Deixei os pôsteres na mesa e caminhei até ela.
—Então se divirta. Boa viagem e não se preocupe com a gente.— Dei um beijo em sua testa. —Amanhã eu também vou fazer algo diferente. Chega de rotina por aqui.— Brinquei, assustado com o quão à vontade estava agora com sua viagem. Será que meu subconsciente torcia que ela tirasse o sheik da concorrência? Meu Deus, por que eu torcia por isso quando iria passar o fim de semana com minha garota?
—Vai com Rilley?— Ela afastou-se e fez mimos acariciando meu cabelo.
—Sim, mas, em especial, vou levar uma gatinha.— Pisquei matreiro.
Ela sorriu e olhou-me interessada. —Hmmm, eu sabia que tinha algo por trás desses seus fins de semana no Rilley! Afinal, há um ano você não dormia mais fora assim.
—Eu não podia deixar você só. —Justifiquei. — Nesse último ano precisamos muito um do outro.— Ressaltei, referindo-me a morte do meu pai.
—Está certo...— Concordou. —Não fale para o Rilley sobre a viagem. Ele tem mais ciúme de mim que meus próprios filhos.— Ela sorriu. —Também não vou falar para Alice. Direi que vou viajar com Rosalie e pronto.
—Eu te entendo, mas Alice tem que parar com seus pré-conceitos.
—Ela aprenderá em breve.— Disse sorridente. —Quanto a você, quero conhecer essa garota.
—Pode deixar. Uma hora você a conhecerá.— Sorri e a abracei.
O jogo daquela tarde foi um amistoso contra o Fulhan, de Londres. Deu empate e voltamos quietos, no ônibus do clube. Avisei Rilley sobre a visita às terras altas no dia seguinte e marquei de pegá-lo em casa seis da manhã. Logo que entramos na cidade Liverpool, disquei o número de Cygne e caiu na caixa. Na segunda vez que tentei ela atendeu.
—Oi.— Ela atendeu melodiosamente. Apoiei a cabeça no encosto.
—Oi, Bella. Enfim, atendeu meu telefonema. —Ralhei. — Será que eu só mereço atenção nos fins de semana?— Cobrei manhoso, ela sorriu.
—Como se você tivesse tempo na semana para mim.— Objetou bem-humorada.
—Ok, se saiu bem, gatinha. Vai dormir comigo hoje?— Questionei direto.
—Estou a caminho.
—Sério?— Sentei direito no banco, o tom de voz alguns decibéis mais alto.
—Sim. Eu não combinei de ir te ver?— Sorriu afetada.
—Então aonde vamos nos encontrar, porque estou cheg...
—Eu estou indo te encontrar, leãozinho.— Cortou, divertida com minha ansiedade. —Fugi.
—Me fala onde você está que eu te pego quando sair do clube.— Insisti inseguro.
—Confie em mim. Eu vou te ver. Um beijo.— Desligou antes que eu argumentasse mais uma vez.
O ônibus da equipe virou a esquina do clube pouco mais de oito horas, portanto, se ela aparecesse mesmo, poderíamos fazer algum programa de casal e ainda dormir cedo, de modo que não atrapalhasse o nosso passeio no domingo.
—Sua mulher te pôs coleira.— Rilley brincou e bateu em minhas costas quando descíamos do ônibus.
—Da onde você tirou essa ideia?— Neguei solenemente.
—É só pensar: se ela não vai, você sai cedo das festas. E agora eu vi você insistir com ela para ir vê-la e, pelo jeito, ela que dá as cartas.— Ele pulou em minhas costas e me deu uma chave de pescoço. — Ei, gatinho domesticado, o que você fez com o corpo do meu irmão leão? Sai dele, seu invasor !— Ele bagunçou meu cabelo, sorrimos e caminhamos para o estacionamento, onde nos deparamos com Cygne encostada displicentemente ao meu carro.
—Reação número um: Sorriso idiota no rosto.— Rilley brincou, e os olhos dela encontraram os meus. Eu sorri hipnotizado.
—Domesticado! Isso que você é.— Rilley zombou, eu ignorei-o e fiz sinal com o indicador para Cygne, chamando-a. Ela veio, devagar, sorrindo. — E agora que se dane o mundo para você.— Ele arreliou.
Bella subiu em meu colo, enlaçou as pernas em minha cintura e colou nossas bocas. Eu teria mandado Rilley cuidar da própria vida, mas estava envolvido demais, feliz demais, eufórico demais para dar qualquer ideia a ele. Realmente o mundo poderia se acabar. Ela finalmente fez o que eu sempre quis: recepcionar-me calorosamente após um jogo. O beijo, que era para ser somente um cumprimento, esquentou, apertei-a e a encostei em meu carro, deslizando a língua em sua boca.
—Senti sua falta, Edward.— Ela ofegou e desviou o rosto, respirando com dificuldade. Acariciei sua perna exposta pelo short.
—Também senti a sua.— Direcionei os lábios para seu pescoço, sugando devagar, deixando leãozinho cumprimentá-la calorosamente quando me movi entre suas pernas.
A imagem gráfica e sensorial dos meus lábios no pescoço de Isy foi evocada e pisquei para expulsá-la. Não! Perturbado, parei meus beijos em seu pescoço, desci-a do meu colo e balancei a cabeça, tentando expulsar a confusão.
Ela levantou a mão e acariciou o meu cabelo. —Algum problema, leãozinho?
—Não, er... Quero sair hoje à noite. Tem algum lugar que queira ir?— Sugeri buscando uma fuga e peguei sua mão para levá-la até a porta do passageiro. Ela entrou, pus sua bolsa de viagem no banco de trás, entrei e dei partida.
—Não sei. Você conhece a cidade. Decida você.— Deu-me a opção enquanto acenava para Rilley, que já saía em seu carro.
—Podemos ir a um rodízio de massas em uma tradicional casa italiana. Se você quiser, ligo lá e reservo um andar só para nós.— Propus e peguei em sua mão, colocando-a em minha perna.
—Tudo bem. Acho que ninguém por aqui quer mais discrição do que você. Nossa noite não terminaria bem se na hora que estivéssemos jantando, enchesse de fãs em nossa mesa querendo tirar fotos.— Comentou sorrindo, depois se colocou entre os dois bancos, com o braço sobre meus ombros.
Enfiei as mãos em seus longos cabelos ruivos e trouxe seu belo rosto para meus lábios. —Eu vou adorar sair com você.— Eu disse e beijei sua bochecha. —Estou adorando você assim, se comportando como minha garota.— Voltei minha atenção para estrada.
Ela encostou a boca em meu queixo e plantou beijos até meu pescoço. —Eu que vou adorar ter uma noite normal com você. Precisamos ter uma conversa séria.
—Hmmm, espero que seja a resposta sobre morar comigo.
Ela riu. —Veremos isso mais tarde.
Ao chegarmos em minha casa, deixei-a no meu quarto se vestindo e desci para preparar um suco de maçãs. Subi com a bandeja e parei na porta, observando-a fascinado. Ela estava em frente ao espelho do closet usando um vestido justo preto de amarrar no pescoço, abaixo do joelho.
—Você podia ir com uma saia mais curtinha.— Provoquei e ofereci o suco.
—Eu prefiro me vestir assim quando for só para você.— Ela sorriu charmosa e deu algumas piscadinhas pelo espelho, enquanto passava uma maquiagem azul clara acima dos olhos.
Foi automático. Lembrei-me de Isy, dos seus gestos e preocupei-me. Todas às vezes que eu olhava Cygne, imaginava como seria se fosse Isy em meu quarto de novo. Divagava na hipótese de que se fosse hoje aquele jantar em que fiquei trancado com Isy em meu quarto, se eu iria somente conversar e tocar seu rosto... Puta merda, esses pensamentos não eram certos. Não com Cygne aqui. Eu tinha que me controlar perto da minha garota!
Cygne tinha algo que me trazia a lembrança de Isy, e eu não podia parar de comparar. Altura, gestos. E parava aí. Suas personalidades eram divergentes. Uma chapa quente, direta e pavio curto, a outra tranquila, discreta e compassiva.
Ainda pensando nas diferenças, encostei-me às suas costas e beijei o seu pescoço, olhando-a pelo espelho. —Tão bonita.— Bajulei-a e beijei seu ombro. —Eu tenho um presentinho para você.
—Hmmm, o quê?— Olhou-me por sobre os ombros, curiosa.
Afastei-me dramaticamente e tirei a roupa devagar, sorrindo cínico. Depois de me livrar da calça e ficar só de boxer branca, peguei os pôsteres em cima da mesa e entreguei na mão dela. Ela abriu desconfiada, torceu levemente os lábios em um sorriso de descrença e, depois de folhear, balançou a cabeça com um biquinho irônico.
—Eu nem acredito!— Ela sorriu e espalhou-os na mesa.
Cruzei os braços, enchi o peito e fiz pose. — Vem. O modelo real está aqui para você praticar o que instruí aí.
Ela continuou sorrindo, a mão na boca para abafar o som.
—Edward, você é muito cara de pau!— Passou para o próximo pôster.
—Cara de pau por quê?— Simulei inocência. —Foi você quem disse que tinha pôsteres meus nas portas do seu quarto. A diferença é que agora eles estão assinados por mim, e eu te dei a dica de onde é para você beijar todos os dias, já que toda fã fica beijando a foto dos seus ídolos.— Brinquei cinicamente, e ela balançou a cabeça em negativa, censurando divertida.
—Deus, eu disse que fazia isso quando era mais nova. Eu não faço mais!— Ela revirou os olhos.
—Mentira.— Abracei-a forçada, dando algumas mordiscadas em seu pescoço. —Fala que é doida por mim até hoje, que vai encher seu quarto com minhas fotos, que vai beijar os locais que eu te indiquei todos os dias, porque em breve...— Mordisquei sua orelha, e vi seus pelos dos braços arrepiarem. —Em breve você vai beijar é a mim todos os dias.
Ela ergueu um braço e enlaçou rendida meu pescoço. Meus lábios foram para seu queixo.
—Você jura que eu vou te dar esses tipos de beijos.— Provocou sardônica.
Afastei-a um pouco sem entender seu tom. —E não vai não?— Arqueei uma sobrancelha. Ela balançou a cabeça negando. —Pois saiba que ele quer muito ganhar seus beijos. —Olhei para baixo para enfatizar. — Ele está completamente apaixonado por você.— Declarei solene, apertei sua cintura e leãozinho concordou roçando aduladoramente nela.
Ela gargalhou divertida, soltou-se dos meus braços e inclinou-se perto da mesa de novo.
—Então no sábado você quer que eu beije aqui.— Apontou para o sétimo pôster, o qual eu estava de boxer branca em uma pose meio de lado. Ato seguido ela se inclinou e beijou o pôster no local onde a setinha que eu tinha desenhado apontava.
Surpreso com sua brincadeira, encostei-me as suas costas e a apertei, esfregando leãozinho animado em seu bumbum.
—Não me provoque, Bella. Se não eu faço você beijar o modelo.
Ela sorriu de novo, fechou os pôsteres e se afastou.
—Vai ficar tarde para comer. Melhor você se aprontar logo.— Sugeriu maliciosamente e andou de costas, mordendo os lábios.
Entrecerrei os olhos, dei um passo a frente, peguei o seu pulso e a encostei ao armário. —Você quis dizer o que eu entendi? Se foi, eu estou sempre pronto para você, Bella.
Encostei meus lábios nos seus e os abri com minha língua. Ela ainda riu um pouco, esquivando, divertida, das minhas dez mãos que tentavam subir entre suas pernas. Ela fechava a perna e ondulava tentando escapar. Então ela ofegou quando uma mão apalpou sua nádega e a outra subiu por dentro do vestido até a costela, rodeando-a como um polvo possessivamente, deixando-a cativa. A brincadeira acabou. A boca deliciosa sugou minha língua com impaciência, e eu a apertei contra o armário, arrastando meu animadinho em sua pélvis.
Gemi quando, inesperadamente, ela desceu a mão e acariciou leãozinho por cima da boxer, que rosnou, amando a atenção. Estava feliz por sua atitude. Sexualmente nos tornamos íntimos há uma semana e qualquer evolução dela em me provocar era excitante.
Pus a mão em concha em seu seio solto e, sem que eu pudesse controlar, a sensação de tocar Isy voltou a ser projetada no fundo da minha mente. Afastei-a ofegante e a abracei confuso.
Saia da minha cabeça!
Ela me olhou desentendida, ofegante, querendo mais, e eu respirei fundo, ganhando domínio. Leãozinho relutava rígido, implorando por mais carinho no pescocinho. Droga! Tínhamos que jantar primeiro, dei-me uma desculpa mental. Nós não éramos só sexo, repeti.
—Algum problema?— Ela deslizou, maquiavélica, a mão por dentro do cós da boxer, parando-a abaixo do umbigo, e acariciou os pêlos com os dedos.
Suspirei, segurei seu queixo e me afastei ligeiramente.
—Não.— Grunhi, controlando a respiração. — Temos reserva. Já está tarde. —Dei-lhe um último selinho e segui fugido para o banho. Da porta, olhei para trás e ela me olhava com olhos atentos. Suspirei, me chutando por não ter continuado quando ela queria e eu queria, e fechei a porta.
Tirei a boxer e leãozinho pulou para fora, indignado, reclamando por eu tê-lo interrompido. Disposto a acalmá-lo, entrei embaixo da ducha, respirei fundo e o cobri com minha mão, lhe dando alguma atenção. Fechei os olhos e uma confusão de sentidos repassou em minha mente. O calor de Cygne. O perfume de Isy. Gemidos de Cygne. Seios de Isy... Ou seria o seio de Cygne? Maldição! Que loucura! Minha mão acelerou. Isso era errado. Como eu pude deixar minha garota frustrada no quarto e me auto-satisfazer egoistamente?
Não pude me conter. Um gemido baixo escapou de minha garganta, e eu movi meu quadril ao encontro da minha mão... Explodiu prazer e recriminação junto ao orgasmo. Não trouxe alívio, só culpa.
Terminei o banho, enxuguei-me e olhei criticamente para imagem no espelho. O que acontecia comigo, afinal? Nunca senti culpa antes. Podia ficar com duas, três meninas, que nunca me preocupei em respeitá-las. Agora me sentia um merda por ter feito isso sozinho, quando Cygne estava no quarto. Justo a garota que eu propus ficar sério e assumi-la como namorada.
Balancei a cabeça chateado e abri a porta. Cygne estava sentada na beira cama e olhou-me estranhamente. Parecia magoada com algo. Saí desconcertado, abri o armário, vesti uma boxer preta e peguei uma roupa qualquer escolhida por Alice. Em todo tempo eu sentia os olhos de Cygne sobre mim.
Depois de vestir uma camiseta vermelha e calça jeans, sentei no puff para calçar o sapato.
—Algum problema?— Ela perguntou hesitante.
—Não. Por quê?— Forcei um sorriso.
—Nada.— Ela levantou, passou em frente ao espelho, arrumou uns fios de cabelo, depois caminhou rumo à porta. —Te espero lá embaixo.— Informou e desceu, deixando-me só com a culpa.
Depois de pronto, surpreendi Alice conversando com Bella no piso inferior.
—Eu não sabia que você vinha dormir aqui. Se eu soubesse tinha pedido para o Jazz trazer você cedo e teríamos ido ao shopping para umas comprinhas. Assim, nos conheceríamos.— Alice forçou.
—Eu não podia vir à tarde.— Murmurou hesitante, sem olhar no rosto de Alice.
—Venha outro dia para conversarmos.— Alice estendeu o braço e, indiscretamente, pôs a mão na etiqueta do vestido de Bella, na parte lateral da roupa. —Você tem muito bom gosto. Tenho certeza que seremos muito amigas.
Abri a boca admirado com a superficialidade de Alice, terminei de descer as escadas e pus o braço sobre o ombro de Cygne protetoramente.
—Não liga para ela, Bella. Ela é sempre interesseira assim.— Arreliei desgostoso.
Alice sorriu e deu passos subindo as escadas. —Interesseira não. Eu escolho bem minhas companhias.— Ironizou. —Falando em escolher companhias, tem um recado da traidora na secretária dizendo que só volta de viagem quarta e que é para você levar um trabalho dela para Universidade. Ela podia sumir para sempre com o terrorista dela.— Provocou. Se ela soubesse que Rosalie estava com Emmett agora iria surtar.
Desci a mão para cintura de Bella chateado por tê-la perdido quando estava no banho e, tentando resgatar a unidade, dei um beijo calmo em sua boca, quase ao ponto de confessar a minha falha, tamanha era a culpa que sentia. Acariciei sua bochecha sentindo-a meio distante, depois saímos de carro seguidos por meus seguranças.
O local reservado no segundo andar da casa italiana nos proporcionou privacidade. Os funcionários foram discretos, mas Bella estava esquiva, com o olhar baixo. Comi devagar, observando-a em todo tempo. Ela, além de distraída, falava somente por monossílabas. Vez ou outra eu me perguntei o que poderia ter acontecido que mudou radicalmente seu comportamento. Será que ela ouviu? Pensei culpado. Deus ajudasse que não!
—Você disse que tinha algo importante para me falar. —Eu tentei, torcendo que ela voltasse a estar tão animada como no começo da noite. Ela parecia desiludida, decepcionada.
—Esquece. Era bobeira. —Sorriu triste.
—Fala, Bella. —Insisti quase em pânico por senti-la escorregar e fechar dentro de si.
—Outro dia. —Concedeu e olhou-me ternamente.
—Já quer ir?— Estendi a mão sobre a mesa e coloquei a sua dentro da minha.
—Podemos.
Pedi a conta, paguei e seguimos de mãos dadas para a saída. Ao pisarmos na porta lateral que dava para o estacionamento, um homem com uma câmera parou em nossa frente e levantou uma máquina. Bella ergueu os braços e tampou o rosto enquanto flashes eram disparados. Preocupado, abracei-a, tampando o seu rosto com meu casaco e, finalmente, meus seguranças apareceram e nos escoltaram rumo ao carro. O pneu do carro derrapou na pista ao virarmos a esquina, olhei para ela após uns minutos, e ela olhava para fora da janela, distante. Estendi a mão e acariciei seu rosto.
—Em breve você não terá mais que se esconder.— Comentei carinhosamente.
—Eu queria que fosse verdade.— Murmurou, desatenta.
—Se não fosse por causa de você, eu deixaria que nos fotografassem o quanto quisessem.— Sorri, e ela não sorriu de volta, somente observou-me.
—Você sabe muito bem que não quer isso.— Ela afirmou seca.
Eu não entendi a acusação em seu tom. —Por que fala isso?
—Porque você é simplesmente você, e nada muda isso.— Sentenciou, pegou seu celular na bolsa de mão e, sem que eu entendesse o objetivo, discou um número. —Jazz... Tudo bem. Você pode vir me buscar?— Sussurrou. Entrecerrei os olhos, apertei o volante e olhei descrente para ela, incrédulo. Ela continuou. —Não. Está tudo bem, mas eu estou a fim de ir embora.
Encolerizado, freei bruscamente, parei no acostamento e peguei rudemente o celular de sua mão. Como ela promete o fim de semana comigo e depois, sem motivos óbvios, liga para Hale dizendo estar a fim de ir embora? Eu devo ter cara de otário!
—Hale, é o Lyon, tudo bem?— Cumprimentei-o, com os olhos fulminando-a.
—Diz você.
Suspirei, controlei minha voz e continuei. —Está tudo bem aqui, e você não precisa vir buscar Bella.— Disse incisivamente, encarando-a. —Ela vai dormir comigo.
Houve uma pausa e uns suspiros do outro lado.
—Ok. Quando você arrumar uma substituta é só descartar que eu a busco.— Provocou.
—Eu não vou descartá-la.— Disse entre dentes, puto com o modo como ele falou. —Ela vai ficar comigo e, em breve, seus serviços de chofer serão dispensados. —Prometi hostil.
Ele gargalhou alto. —Pare de ser criança, Cullen. Você é o único que não se deu conta que ela é só um brinquedinho. Ou você acha que alguém aqui é trouxa para acreditar nas suas intenções de bom moço?— Escarneceu irônico. —Fala ae, depois que comeu perdeu a graça, não perdeu? Por isso, ela quer vir embora.— Provocou, e meu sangue ferveu.
—Porra, seu moleque, não fale de uma coisa que você não sabe!— Gritei e dei um murro no volante. —Você não me conhece para falar o que quer de mim!
—Não. Não conheço. Mas o que me alivia é que Bella conhece. De tudo, pelo menos ela não se ilude com você.— Ele soltou. Travei a mandíbula atingido por sua provocação. Eu sabia que ela não confiava plenamente. Pior, sabia que, no momento, ela tinha razão em não confiar. Ele continuou. —Peça para ela me ligar amanhã, porque de tudo, nós somos a família que ela tem e estamos sempre esperando por ela.— Avisou e desligou.
No limite da irritação, apoiei minha cabeça contra o encosto do banco e fechei os olhos, ainda parado na beira da estrada, o carro dos seguranças parado atrás.
—Edward, eu... —Ela começou tensa.
—Por favor, Bella. Me dá um tempo.— Respirei fundo, controlando o meu humor, depois apertei o botão de partida e segui para casa. Estacionei, agitado, desci do carro, mas antes que eu chegasse em sua porta para abrir, ela tinha descido.
Em silêncio pesado, tirei seu sobre tudo no hall de entrada, puxei-a pela mão e subimos para o quarto. Desfiz da minha roupa, ficando somente de boxer, escovei os dentes e deitei, esperando lá que ela se aprontasse para dormir. Ela apareceu de pijama e sentou na beira da cama, tímida. Ainda em silêncio, puxei-a pela mão e a deitei sobre o meu peito.
—Boa noite.— Sussurrou baixinho, insegura.
—Boa noite, nada...— Rolei na cama e me coloquei sobre ela, olhando-a com os olhos em fenda. —Não gostei do que você fez.— Bronqueei sério.
—Desculpe, leãozinho. —Pediu doce.
Eu segurei o olhar, estudando-a; sorri de canto, facilmente abrandado, e beijei a ponta do seu nariz.
—Só não vou colocar para fora a minha raiva porque está tarde e amanhã temos que acordar cedo.— Ameacei e direcionei o nariz ao seu pescoço. Hmmm, cheiro bom. Tão diferente do perfume amadeirado da... Pare já!
—Amanhã você desconta sua raiva em mim. Eu aguentarei o castigo.— Sussurrou acariciando meu cabelo. E a desavença foi esquecida. Ela me abraçou de volta, se enroscando entre minhas pernas. Encaixei a palma da minha mão na sua, fiquei olhando para as duas unidas, até que dormi.
Olá, meninas!
Acredito que eu deva postar daqui para frente sempre em 1ª pessoa por falta de tempo.
Muito obrigada por ler.
Bjks
