Capítulo – Enigmas 2
O goleiro ainda tentou defender a bola do meu pênalti, porém, ela seguiu a trajetória contrária de sua defesa e balançou a rede fortemente. Gritos, coros e fogos de artifício foram tudo que ouvi a seguir.
Rilley pulou em cima de mim e gritou eufórico:
—É nosso! O título é nosso!
Fumaça vermelha encheu o ar. Meu corpo foi erguido do chão e jogaram-me para cima, Rilley e outros jogadores. Sorri alto. A realização em ter feito a escolha correta foi inexplicável. As comemorações continuaram, olhei para Cygne sorridente e contive o desejo aterrador de lhe jogar um exibicionista beijo que seria capturado por todas as câmeras do mundo. Apenas dividi sorrisos gratos e extasiados entre ela e minha doce Isy, que estava alguns degraus abaixo.
Rilley me abraçou pelo ombro e sorria como criança enquanto caminhávamos para o pódio onde seria a premiação. Refleti sobre o que me aguardava depois do que fiz. A consequência da minha escolha seria a perda da oportunidade de vir para Espanha. Entretanto, ao contrário do que era lógico, eu não estava decepcionado. No íntimo sentia certo alívio.
Cygne sumiu de vistas ao tempo que Isy deixou a arquibancada acompanhada somente por Emmett. Suspirei, lembrando que segunda-feira minha rotina com Isy se repetiria. Eu estava feliz.
Subi o pódio, recebi a taça e seguidamente a ergui para meus colegas de time atrás de mim. Eles ovacionaram e ergueram os punhos no ar comemorando eufóricos. Pela primeira vez na vida eu sentia orgulho de algo que fiz.
Terminadas as comemorações em campo, me dirigi ao vestiário, tomei banho e subi com Rilley para a área de recepção, pronto para coletiva que daria à imprensa junto ao técnico do Liverpool, Marcus. Fiquei surpreso ao encontrar minha mãe e irmã entre as diversas famílias de jogadores do Liverpool. Rosalie não veio.
Abracei-as, elas me parabenizaram, a seguir Alice foi até Hale, que tinha acabado de subir do vestiário.
—Você vai dar entrevista agora, né?— Minha mãe perguntou e arrumou meu cabelo, tirando-o do olho.
—Sim. — Assenti.
Um arrepio estranho me atravessou. Aquela tensão de um macho reprodutor quando sabe que sua fêmea no cio está em volta. Olhei para os lados esperançoso em ver Cygne.
—Bom, eu não vou te atrapalhar. — Esme comentou ao notar minha inquietação.
Avistei minha garota de capuz, num canto isolado encostada à parede.
—Não, mãe. Você não está atrapalhando. —Tranquilizei-a, com olhar vigilante em Bella. — Que tal sairmos hoje à noite por Madrid para comemorar?— Propus grato por ela ter vindo.
Ela desviou o olhar, desconcertada.
—Er, o Coll está aqui. Ele me chamou para passear por Madrid... Eu aceitei. Imaginei que você iria se juntar a Rilley para comemorar. — Justificou hesitante.
—A noiva dele também vai?— Arqueei a sobrancelha curioso.
—Não sei. — Evadiu-se sem jeito.
Olhei Cygne e ponderei entre pleitear uma visitar a Isy no hotel onde o sheik estava hospedado com minha mãe, ou ficar com minha difícil e complicada garota que abalava o meu mundo.
Decidi pelo óbvio. Eu não ia trocar o certo pelo duvidoso.
—Então se divirta, mãe. Vou ali. — Despedi com um beijo e caminhei até Bella.
Ao prever minha aproximação, Bella desencostou da parede e completou o caminho. Fui pego de surpresa com sua atitude seguinte. Ao invés de parar passiva em minha frente, ela enlaçou meu pescoço e cobriu meus lábios afoitamente. Após o choque inicial, apertei sua cintura e correspondi ao beijo. Estremeci de felicidade ao sentir seu gosto quente e familiar, minhas células celebraram contentes o contato com seu corpo.
Antes que eu estivesse satisfeito, ela buscou ar e deitou o rosto em meu ombro.
—Parabéns!
—Obrigado. Como veio? — Questionei desentendido ao lembrar a nossa última conversa. — Por que veio?— Beijei seu cabelo e abracei-a forte, notando os olhos curiosos de familiares de jogadores sobre nós.
—Eu quis me despedir. — Explicou.
—Hmmm. — Assenti. Ela não podia saber que eu não iria mais para o Real. Não sabia que quebrei o acordo.
Ela pôs-se ao meu lado, pus meu braço sobre seu ombro e seguimos pelo corredor que nos levaria a sala de imprensa.
—Espero que essa despedida seja em minha cama. — Sugeri malicioso, segurei seu queixo e lhe dei selinhos. —Em vinte minutos termino as entrevistas e nós dois nos hospedamos em algum hotel. —Propus.
—Não, Edward. —Balançou a cabeça negando. — Eu não quero sair daqui com você. Com certeza a imprensa não vai te dar sossego. Fazemos assim, eu vou agora, pois já estou hospedada em um hotel e daqui a pouco te passo uma mensagem com o nome e endereço. Depois que você terminar, você vai para lá e aluga um quarto para você. Assim, nem os funcionários do hotel suspeitarão que estamos juntos.
—Bella, você acabou de me beijar em um local que tinha mais de sessenta pessoas. De que você tem medo?
—Não vou explicar de novo o porquê, Edward. — Ela soltou ar cansada. —Além disso, eu estou de capuz. Ninguém importante se fixou em meu rosto. —Argumentou séria.
Resolvi não pressionar e evitar uma nova discussão. Estava feliz demais para isso.
—Tudo bem. Então depois de me hospedar, saímos para jantar, então você vai comigo comemorar com a turma num bar. — Convidei e conferi as horas no relógio de braço. Dezoito horas.
Ela torceu os lábios reprovando.
—Como você é teimoso, Edward... Eu queria ir, mas a imprensa vai estar atrás de você. Eu não posso... —Lamentou sinceramente. — Vai você. — Parou em minha frente e segurou meu rosto em suas mãos. —Eu te espero. Não quero te roubar a comemoração. —Deu-me um selinho conciliador. — Você merece esse título, leãzinho. Estou muito orgulhosa de você. — Declarou, não esperou minha resposta e sumiu pelo corredor lateral. Sorri conformado. O importante era ela estar aqui.
As perguntas na entrevista giraram em torno da negociação com o Real. Eu me esquivei e neguei novamente. Na metade da entrevista fiquei intrigado quando olhei distraído para a saída e vi o sheik conversando com o técnico do Real. Entrecerrei os olhos, curioso. Pareciam camaradas. Após um tempo, apertaram as mãos e se despediram com abraços e sorrisos.
Depois da entrevista, fui abordado pelo técnico do Real, que deu tapinhas em minhas costas e anunciou tranquilo que me esperava para o treino em três semanas, tempo em que sucederia a lavratura do contrato. Abri a boca, confuso.
Como assim? Eu não traí meu time, ainda iria para o Real? Eu tinha muito que comemorar!
Encontrei Rilley no estacionamento e seguimos para uma casa de festa em Madrid. Incrível o que ele armava com apenas algumas ligações! Decididamente, o dinheiro compra tudo... A única coisa que não consegui comprar com o meu foi a garantia de ficar com a garota que eu quero...
Cumpri a parte social na festa até nove horas, local onde passei a maioria do tempo me esquivando do assédio das exóticas espanholas. Leãozinho toda hora apontava a porta de saída. Despedi da turma, pedi um taxi e segui para o Hotel que Cygne instruiu por mensagem. Nas TVs da recepção passavam entrevistas sobre o jogo, mas as recepcionistas foram discretas ao me atender. Pareceram não me reconhecer. Pedi um quarto no mesmo andar que Cygne e entrei no elevador com minha mochila nas costas. A bagagem completa ficou no hotel que o time estava hospedado e Rilley se encarregaria de levá-la para Liverpool. Bati na porta do quarto de Bella olhando para os lados para precaver-me de bisbilhotagem. Ela abriu sorridente.
—Demorei?— Rodeei sua cintura, ela enlaçou meu pescoço e acariciou minha nuca. Os pelos da nuca eriçaram, meu corpo todo ficou tenso com a energia que nos atraía.
—Não.— Deu-me um selinho receptiva. —Deu tudo certo na entrevista? Você não vai mais vir para Espanha? —Questionou ansiosa.
—Vou vir sim. Mas só tive certeza depois da entrevista. — Expliquei, ocultando os extras. Empurrei-a de costas até deitarmos no sofá, um em frente ao outro. Baixei o olhar e avaliei-a abertamente. Ela usava um shortinho de malha com renda curto e regata branca. Deus abençoe os shortinhos! —Como você veio? —Perguntei. — Você disse que não podia sair do Reino Unido!— Ressaltei curioso enquanto acariciava seu rosto.
Ela torceu os lábios, incerta. —Hmmm, eu dei o meu jeito... Decidi tudo hoje... Não importa. — Escorregou no assunto. —Você vai ficar de vez aqui em Madrid para jogar?
—Por que você quer saber?— Brinquei e desviei meu nariz para seu pescoço, suprindo a saudade que senti durante a semana.
—Curiosidade.— Fingiu indiferença e deitou o pescoço, dando mais espaço.
—Não. Concederam três semanas para que eu encerrasse o semestre acadêmico. — Expliquei tentado a convidá-la a ficar comigo os dias que se seguiriam. Mas não. Não iria pressioná-la depois da conversa de quinta-feira. Reprimiria as cobranças antes que nos magoássemos novamente.
—A parte boa é que você vai comemorar seu aniversário em casa.— Celebrou carinhosa ao tempo que deslizava os dedos em meus cabelos. Fechei os olhos adorando seus mimos.
—Sim. — Concordei. Será que ela pensava em passar meu aniversário comigo? —Gatinha, tem toalha aqui para mim? Lá na festa tinha gente fumando perto, e a fumaça impregnou no meu cabelo. — Expliquei e puxei-a para levantar do sofá.
—Tem. — Ela pegou uma toalha e me entregou.
—Então me espere na cama. — Instruí com uma piscada cheia de promessas e segui para o banho.
Dez minutos depois, encontrei-a de calcinha e sutiã de renda branca sobre a cama, a cabeça apoiada no braço. A cena provocou a dolorosa sensação de dúvida. Doeu lembrar que era uma despedida. Deitei ao seu lado com a toalha em volta da cintura.
—Está bonita.— Passeei a mão pelas curvas do seu quadril com o pulso acelerado de antecipação.
—Obrigada.— Ela sorriu charmosa e estendeu a mão para acariciar meu abdômen.
Incapaz de resistir tomar e possuir, colei-a em mim e desci meus lábios sobre os seus, chupando seu lábio superior. A linguagem corporal era minha única forma de declarar que senti sua falta, de agradecê-la por ter vindo, de dizer que me senti infeliz longe dela.
O beijo tornou-se exigente, separei sua boca com a língua e explorei-a internamente. Fui acariciado por sua língua doce e receptiva. Leãozinho, carente como estava, arrastou a cabeça carinhosamente nela e disse olá, mostrando, ao ficar rígido, sua adoração.
Devagar, movi minha mão para o fecho de seu sutiã e o abri, dando um gemidinho quando seu bico túrgido roçou meu peito. Pousei a mão sobre um seio enchendo-a com o peso. Ela era minha dose de adrenalina, meu vício. Desci sua calcinha, apertei sua nádega encaixando-a ao meu corpo e não deixei nenhum espaço entre nós.
Desfiz da toalha, não enrolei muito e afundei entre suas pernas. Talvez uma overdose resolvesse. Conforme eu a explorava, desfiava o sentimento angustiante que aturdia meu coração. Não era só possessão e incapacidade de perder. Sentimentos medíocres não eram suficientes para nominar. Era uma mistura de alegria infantil, saudade antiga, falta do que ainda não existiu... Que sentimento era esse que me assustava e desafiava a não perdê-la?
O prazer lento e torturante e a série de repetições ávidas durante a noite não suavizou a fome que ruía em meu interior. Dormimos abraçados, amanhecemos unidos, mas ao amanhecer, meu peito voltou a doer ao presenciá-la de bruços, com os cabelos espalhados em seus ombros da forma que eu a queria em minha cama todas as manhãs. Acariciei suas costas em silêncio, beijando preguiçosamente seu ombro.
—Quantas horas?— Murmurou sonolenta.
—Hora de você acordar e alimentar o leão.— Sugeri matreiro.
—Meu avião sai às 14hs... — Ronronou e arqueou quando deslizei a boca em seu pescoço. —Eu preciso me programar... Fala quantas horas, leãozinho.
—Dez e quarenta. —Informei após conferir no relógio de braço. — Falando em leãozinho, ele está aqui abanando o rabinho para você.— Esfreguei-me brincalhão em sua coxa.
—Nossa, sorte você ter o campo de futebol para gastar suas energias.— Ela condenou teatralmente. —Descobri a razão de ter te flagrado sempre com duas mulheres na boate. —Brincou espontânea. — Uma mulher sozinha tem que tomar muita vitamina. Você dá canseira!
—Hmmm, tá pedindo arrego?— Esfreguei-me novamente e dei um tapinha em seu bumbum. Ela riu.
—Não. Tô pensando como vou superar a falta. — Lamentou ausentemente.
Respirei fundo, tomado de coragem.
—Venha comigo.— O convite saiu antes que eu refletisse. Ela enrijeceu.
—Não posso. —Torceu os lábios num lamento.
—Venha de vez em quando. — Insisti, ainda que tenha prometido não fazer. Levantei seu cabelo e deslizei persuasivamente a língua na orelha, ao tempo que desfazia do lençol que a protegia. —Sei que você não vai conseguir viver sem mim. — Gracejei com leõezinhos endiabrados e presunçosos dançando em meus olhos. Ela olhou-me intensamente, encantada.
—Eu nunca disse que conseguiria. —Declarou, e a conversa foi deixada de lado quando ela calou meu seguinte argumento com um beijo ávido.
Droga. Ela sabia como desviar um assunto.
Uma hora mais tarde, tomamos banho juntos, fizemos uma refeição no quarto e esperamos dar seu horário de vôo vendo TV com ela deitada em meu peito.
—Bella, hoje não precisa ser uma despedida, você sabe... Podemos adiar isso.— Voltei a argumentar, como se não tivesse sido interrompido horas antes.
—Não, Edward. Eu não aguento mais a incerteza, o medo. Não posso mais viver essa duplicidade de vida... Preciso te proteger. — Explicou tensa, eu acariciei o seu braço para tranquilizá-la.
—Tudo bem. Mas se algo mudar, eu estarei aqui para você. — Ofereci. Ela levantou o tronco e acariciou meu rosto, olhando-me como se eu fosse valioso.
—Sim. Eu sei. — Concordou e se encolheu em meus braços como se necessitasse de proteção. Abracei-a.
—Por que quis que eu usasse preservativo se corre o risco de você estar grávida? —Mudei o tema após um instante de silêncio. Quando ela impôs o uso as quatro vezes, um lado primitivo e possessivo meu não queria deixar de demarcá-la. Porém aceitei.
—Porque não corre mais o risco. Desceu regular no decorrer da semana.
—Hmmm.— Assenti com um íntimo e inexplicável pesar.
Mais tarde, eu quis acompanhá-la ao aeroporto. Pretendia adiantar meu voo e viajar com ela. No entanto, ela negou teimosamente, argumentando que não passaríamos despercebidos. De novo, eu preferi não contrariá-la. O certo era aceitar o fim.
No dia seguinte encontrei Isy. Nada mudou entre nós. A amizade fluía fácil. Ela revelou estar orgulhosa de mim. Sempre me colocava para cima, estimulava-me a olhar para frente e acreditar no futuro que me esperava. Ela me fazia enxergar tudo fácil. Sua presença embalsamava meu coração rejeitado. Por vezes eu me pegava pensando em abraçá-la e agradecê-la por ser minha amiga. Outras vezes me pegava pensando como ela estaria vestida, se suas pernas se bronzearam, que gosto teriam seus lábios. Logo me criticava pelos pensamentos vis. Sabia que se ficasse sozinho com ela não resistiria tocá-la, tamanha era minha carência e a tensão entre nós. Porém, ela evitava subir para o 14º comigo. Nunca mais, desde aquela sexta.
No fim, embora a solidão e falta me corroessem, não liguei para Cygne, magoado pela rejeição e indiferença. Pensei que a promessa de vida nova e a expectativa de mudar aplacariam a saudade. Não aconteceu. Mas se era isso que ela queria, era assim que seria.
Duas semanas depois do jogo em Madrid eu não procurei James ainda. Nunca suas rebeldias duraram tanto. Ele estava há quase um mês fora de casa. Eu precisava ser homem o suficiente para assumir para ele minha amizade com Isy, a pessoa mais honesta e sensata que conheci. Mas estava tão envolvido com meus dilemas que fugia até mesmo de um telefonema, ainda que precisasse me despedir e avisar que mudaria para Madrid com minha mãe.
Por ser fim de semestre na Universidade, eu tinha alguns trabalhos para entregar. Porém, Isy adiantou-se e entregou todos. Fiz exames e estudei bastante, o que ocupou meu tempo e me desviou de pensar nela. Maldita Cygne.
Nos treinos do Liverpool, por ser meus últimos dias como titular, o técnico sempre me dispensava dos treinos táticos. Só Rilley parecia sentir minha saída depois de onze anos jogando juntos.
Terça-feira da minha última semana em Liverpool passei a aula trocando bilhetinhos com Isy. Era véspera de férias, não devíamos matérias, e eu só estava indo para vê-la.
—Eu devo ir vê-lo hoje ou amanhã. —Tranquilizei-a depois de ouvir sua repetida pressão para que eu fosse ver James. —Garanto que vou antes de ir para Espanha.
—Ele é seu irmão, Edward. Precisa de você. Nada pode ser mais importante que sua família.
Inclinei sobre a mesa e encarei-a.
—Ele é tão importante como você.— Sussurrei próximo, ela inspirou profundo, olhando concentrada para minha boca. A tensão cresceu entre nós, crepitando no ar. Uma energia elétrica inexplicável que deixava meu corpo em alerta. Talvez pela falta física de Cygne, ou por me sentir realmente atraído por Isy.
Ignorei o lugar, ergui a mão e inseri por baixo no nicab, sentindo a comichão percorrer meus dedos.
—Se alguém me fizer escolher, eu escolho você.— Declarei e engoli saliva, com o instinto mandando impulsos para beijá-la. Meu pulso acelerou. A reação química do meu corpo ao tato dessas duas mulheres me assustava.
Ela ofegou, desviou o olhar do meu e apontou para a sala. Ignorei a repreensão e continuei acariciá-la. Sua respiração era trêmula em minha mão.
—E você? Ficaria comigo, Isy? Iria comigo?— Perguntei em um impulso, no íntimo magoado com Cygne por ela não ter nos dado uma chance. Isy balançou a cabeça vagarosamente em negativa. Afastei-me frustrado e envergonhado por ter forçado a pergunta.
Passaram-se segundos desconfortáveis. Sentei direito na cadeira.
—Você não pode me querer. — Pareceu uma acusação.
—Por que não?
—Porque como você pode querer duas?... Ou você não a quer? Parece que não. Parou de falar sobre ela.
Suspirei desolado ao pensar nela.
—Sim, eu a quero. Eu a levaria comigo, se ela quisesse... —Lamentei e olhei Isy detidamente. — Para ser sincero, se pudesse escolher... — Suavizei a voz. —Levaria vocês duas. — Revelei acanhado. Ela me impulsionava a me abrir e ser sincero.
Ela abriu bem os olhos, com horror.
—As duas?
Assenti sentindo-me desprezível em admitir. Sabia ser utopia as duas proposições. Costumes e religião me impediriam relacionar com Isy. Guerra de vontades me separava de Cygne.
Ela me olhou surpresa.
—Você ficaria comigo sabendo o que enfrentaria?—Apontou para sua roupa.
—Sim. Sem dúvidas. Não me importo com a opinião dos outros.
De novo, ela respirou fundo, olhando-me intensamente, depois baixou o olhar e vi uma inesperada lágrima borrar sua maquiagem.
—Edward, eu não aguento mais isso... —Escreveu com os ombros caídos.
—O quê?— Inclinei-me preocupado. Eu não queria deixá-la triste.
—Eu não aguento esconder o que sinto. —Levou uma mão enluvada ao canto do olho, limpando.
—Então não esconda. — Encorajei-a, com a pulsação mais rápida enquanto colocava novamente os dedos por baixo do pano que custodiava seu rosto.
Ela parou a caneta no ar, hesitante. Subi com minha mão no seu rosto, tocando queixo, bochecha. Minhas mãos tremiam. Seus traços ocultos faziam-me pensar em Cygne... E doeu a comparação. Droga, eu queria outra mulher! Mas por que se a queria tanto, aceitava o consolo de Isy? Ouvi o barulho de um risco no papel e olhei para baixo.
—Eu amo você. Você é meu sol da meia noite. —Estava escrito.
Prendi o ar chocado com sua declaração inesperada. E obriguei-me a dizer algo.
—Você é muito querida. — Disse gentilmente, inclinei mais e beijei a região entre seus olhos. Meu corpo ficou tenso novamente, o lábio formigou. Leãozinho levantou as orelhinhas com um ponto de interrogação na testa franzida. Rolei os olhos para ele. Como ele dizia que estava confuso se foi ele que resolveu se acender alegremente para Isy na cobertura?
—Lyon, manda um oi ae para seus fãs! — Ouvi meu nome e virei o rosto. Mike ria e nos filmava com o celular. Antes que eu pudesse raciocinar, eu tinha levantado da cadeira e parei em sua frente com a mão fechada na gola de sua camisa.
—Cullen! — O Mestre permeou. —Na minha sala, não! —Chamou-me a razão. E outros celulares se ergueram. Afrouxei o aperto.
—Ele não o autorizei me filmar!— Disse entre dentes, olhando furioso para Mike. —Eu te espero lá fora. Vou transformar você e seu celular em pedacinhos. — Ameacei transtornado e voltei a sentar. Isy estava encolhida, a postura temerosa.
—Desculpe. — Ela mostrou o papel. Cerrei os punhos arrependido por ter feito ela se sentir culpada.
—Não foi sua culpa. — Resmunguei e cruzei os braços mal humorado.
O silêncio imperou enquanto sua declaração anterior voltou a ser desfiada em minha cabeça. Suspirei mais calmo, olhei-a quieta no canto, sorri meu melhor sorriso apologético, peguei sua mão por baixo da mesa e encarcerei-a dentro da minha. A preocupação principal com exposição não era vergonha de Isy, como podia ter parecido, mas sim conflitos precoces com o sheik. De imediato, estava ansioso por convidá-la ao 14º e terminar a conversa interrompida. Iria abraçá-la, encher seu rosto e boca de beijos e quem sabe encontraria um jeito de exorcizar de vez Cygne da minha vida.
—Você vai vir para aula o resto da semana?— Perguntei. Ela tinha tirado nota máxima em tudo e estava dispensada.
—Sim. Quero aproveitar seus últimos dias na cidade.— Respondeu simplesmente. —Rosalie te avisou que sábado ela vai comemorar o aniversário dela em minha casa?
—Sim. Ela está morando mais lá do que em nossa casa.— Gracejei com um rolar de olhos. —Ela convidou, mas estou em dúvida. É meu aniversário também e, se tudo der certo com James, pretendo juntar com ele e com meus colegas de time para comemorar. Afinal, além de meu aniversário, vai ser minha despedida. — Expliquei, ainda com sua mão dentro da minha. Uma parte traidora pensou que Cygne poderia aparecer para comemorarmos juntos. Reprimi-a.
Olhei distraidamente para a porta, e uma pessoa inesperada conversava baixinho com o Mestre, apontando em minha direção... Minha mãe.
Afastei Isy inconsciente.
Será que Esme veio por conta de minha ameaça ao Mike? A Diretoria foi tão rápida assim? Droga, preocupação desnecessária. A ameaça não seria cumprida.
O mestre pediu que eu saísse e levasse meus materiais. Obedeci revoltado com o ridículo de me tratarem como criança. Olhei Isy da porta, depois Mike e seu risinho irônico. Mostrei o dedo do meio para ele e saí, encontrando minha mãe encostada à parede.
—Eu não fiz nada, mãe. — Comecei a me justificar, mas parei ao ver lágrimas rolando por baixo do óculos de sol. —O que foi?
—James.— Sussurrou entre choro.
—O que aconteceu?— Abri a boca em choque, esperando o pior.
Ela limpou as lágrimas com um lenço e rodeou minha cintura enquanto caminhávamos para o portão, meu braço sobre seu ombro.
—Ele sofreu um acidente por volta de cinco da manhã. — Explicou desolada. —Um dos amigos dele morreu. Ele está em coma com fraturas expostas e risco de morte.
Engoli em seco ao registrar a gravidade, uma dor atravessou meu estômago e instalou-se em meu peito. Deus, risco de morte quando estávamos há mais de um mês sem se falar! Apressei nossos passos e deixei o estacionamento cantando pneu. Dentro do hospital, deixei que minha mãe resolvesse questões burocráticas na recepção e subi para o andar indicado.
Uma enfermeira me conduziu até o quarto. Assustei-me ao me deparar com um paciente enfaixado da cabeça aos pés, só olhos e boca expostos, tubos em todo corpo. Encostei-me ao lado da cama e, com o peito em frangalhos, lamentei sua situação com o corpo encurvado na cabeceira. Chorei por não tê-lo ouvido pedir socorro, por ter ignorado seu sofrimento e ter negligenciado a nossa ligação fraternal, quando um ano atrás, antes do general morrer, éramos unidos e tínhamos vida equilibrada.
Assustei-me ao ouvir um som de engasgo nele, seu corpo se debateu na cama. Apertei o botão de alarme e, segundos depois, a equipe médica entrou em ação com o desfibrilador. Era uma parada cardíaca. Chorei nos braços de minha mãe angustiado e culpado. Ele lutava entre a vida e a morte.
Mais tarde, um médico explicou o quadro. Disse que as respostas poderiam ser diversificadas por causa do excesso de drogas, remédios e álcool em seu organismo. Suspeitava-se que o acidente foi ocasionado por uma overdose sofrida ao volante com sucessiva parada cardíaca. O resultado foi perda de direção e onze capotamentos em alta velocidade.
Um pouco relutante em deixar o hospital, fomos aconselhados a ir para casa. Nossa presença era desnecessária e só nos desgastaria, disse o médico. Minha mãe insistia em sua culpa nos cuidados com o filho adotivo. Tentei consolá-la, mas não me sentia diferente.
Entrei em casa arrasado, cruzei com Alice na sala ao lado de Hale e ignorei-o. Não tinha humor para enfrentar sua hostilidade. Alice acercou-se de mim atrás de notícias. Expliquei desconsolado o ocorrido e escalei-a a cuidar de minha mãe. Com um peso nos ombros e angústia no peito, subi para meu quarto e tranquei a porta. Queria ficar só. Em movimentos mecânicos, deixei as luzes apagadas e segui para o banho. Mais uma vez as lágrimas de medo me atormentaram.
Tomei meu tempo sob a ducha para desabar. Não saber se meu irmão sobreviveria para que eu pedisse perdão pela distância e indiferença era o que mais doía. Enrolei uma toalha na cintura, acendi a luz do quarto e um arrepio cruzou minha nuca ao perceber um vulto parado nas sombras perto das cortinas. Dei um passo atrás assustado.
—Que porra é essa!— Praguejei alarmado. Os cabelos ruivos cheios e pele clara deixaram meu corpo em alerta. Cygne. Desviei o olhar ressentido, incapaz de manter o olhar. Que direito ela tinha aqui depois do chá de sumiço de duas semanas? Ingrata!
—Você está bem?— Ela deu um passo à frente hesitante. Eu ergui a mão refreando-a.
—Não. Não estou.— Resmunguei de olhos baixos. Ela aproximou-se persistente e rodeou meu pescoço.
—Ele vai ficar bem. — Esfregou minha nuca, consolando-me.
—Como você soube?— Acusei, sem abraçá-la de volta. A lágrima insistia. Eu olhei para cima impedindo-a de rolar, rejeitando compartilhar minha vulnerabilidade.
—O Jazz.
—Ah.— Suspirei e limpei o canto dos olhos.
Ela plantou beijos lentos no meu queixo, bochecha. Fechei os olhos, ela ficou na ponta dos pés e beijou minha pálpebra. A resistência emocional aos poucos caía. Seus carinhos me abrandavam e amorteciam minha dor. Suspirei trêmulo e encarei-a interrogativo. Por um infindável momento nos olhamos. Hesitantes. Cheio de dúvidas. Um anseio estranho apertou minha garganta, deixando-me muito consciente dela e da atração entre nós.
Ela plantou beijos lentos em meu ombro. O que parecia ser intenção de me confortar, mudou igual o clima entre nós. Ela deslizou a mão em meu abdômen, estremeci tenso e meu sangue se concentrou na área inferior. Leãozinho se assanhou e queria adulá-la ronronando mimosamente igual um gato mulherengo. Traidor. A menina deu um perdido em nós agora ela estava aqui abanando o rabinho! Comigo não!
Afastei-a pelos ombros e dei as costas.
—Bella, não. Não vai rolar. Eu tô em outra. — Repeli-a pela primeira vez, mas fiquei incomodado.
—Tudo bem.— Assentiu e baixou o olhar, a seguir caminhou para porta.
—Tudo bem o quê? Você só veio aqui só pra isso? Sexo como prêmio de consolo? Não se preocupa nem o mínimo com meus sentimentos?— Acusei irritado sua atitude miserável e egoísta.
Seus olhos brilharam de umidade.
—Você acha que eu não me preocupo com você, Edward?— Questionou com voz instável. —Tudo que eu queria era estar ao seu lado desde que eu soube.— Lágrimas inexplicáveis minaram em seus olhos. — Tive que enfrentar o Jazz para ele me trazer aqui. — Ressaltou nervosa. —Como você acha que eu me sinto? Eu sinto tanto, Edward. Sinto muito. Se eu pudesse mudar tudo... —Soluçou ausente. — Eu não queria que vocês passassem por isso. Eu queria o melhor para você. — Abraçou-se trêmula. O arrependimento pelo modo como a acusei foi instantâneo. É óbvio que ela se importava. Ela sabia da história do James desde que fiquei com ela a primeira vez na casa de festas.
Pus a mão em seu braço conciliador, encostei-me a suas costas e beijei seu ombro.
—Tudo bem. Eu acredito em você.
Ela limpou os olhos, suspirou e virou-se de frente. Avaliei sua roupa surpreso. Pijama longo e pantufa de leão.
—Você adora pisar num leão, não é?— Forcei um sorriso no rosto para quebrar o gelo e beijei sua testa feliz por tê-la aqui.
Ela sorriu relutante.
—Eu trouxe exclusivamente para distrair você.
—Vai dormir comigo?— Questionei confuso com seu pijama.
—Não. Fingi que ia dormir e fugi de pijama pela janela.— Gracejou divertida.
—Sério?
Ela riu e novamente pôs a mão em volta do meu pescoço.
—Não, Edward. Dormir, exatamente, não.— Ela beijou meu pescoço de um jeito doce e carinhoso. —Eu vim cuidar de você e te colocar para dormir.
—E isso seria como?— Perguntei malicioso. Fazia parte da minha natureza ser assim. Não podia abafar a concupiscência carnal. Não com o traidor desesperado por ela que eu tinha entre as pernas.
—Como você preferir. Posso acariciar seu cabelo até você dormir, ler uma estória, cantar uma música. — Enumerou brincalhona.
Enlacei sua cintura e a colei em mim.
—Poderia me colocar para dormir igual um filhote? Mamando?— Insinuei manhoso e passei a palma da minha mão em seu seio, por cima da blusa.
Ela sorriu e, olhando em meus olhos, ergueu a barra da blusa e passou por sua cabeça.
—Acho que está na hora de um leãozinho dormir. —Gracejou charmosa.
Com o coração acelerado, esqueci o mundo, esqueci a depressão, ergui-a no colo, desci a boca em seu seio e caminhei para cama. Fizemos amor calmo, lento e, inevitavelmente, doce, muito doce. Essa mulher me roubava os pensamentos. Roubou meu coração. Reduzia tudo a pó... Inclusive Isy.
Pela manhã, Cygne ressonava tranquilamente na cama com seu bem usado corpo descoberto. Deslizei os dedos em seus braços preocupado com sua estadia na minha casa. Não era comum uma fuga sua em plena quarta.
—Bella, acho que você tem que ir.— Alertei, afastei seu cabelo ruivo e lhe beijei na nuca.
—Não vou. Estou dispensada.— Resmungou sonolenta.
Sorri de sua resposta sem nexo, vesti uma bermuda e fui à varanda do quarto. Conferi que o Audi do Hale estava estacionado na garagem. Obviamente ele também dormiu. Aliviado por ela não estar em problemas, tomei banho e escrevi um bilhete. Sem profanar seu merecido sono, deixei o bilhete na cabeceira e voltei ao hospital com minha mãe.
A frente do hospital estava lotada de fotógrafos. A ligação de James ao meu nome certamente vazou para os tablóides sensacionalistas. Coloquei a jaqueta na cabeça para me esconder e consegui passar pela recepção. No quarto, sentei ao lado da cama e passei o dia recordando nossa infância. Foi James a me proteger de meninos mais velhos. Ele me ajudou em reforços escolares para me proteger das cobranças do meu pai que repugnava meu futebol. James era um grande irmão.
Três da tarde, deixei minha mãe me convencer a visitar a lanchonete do hospital, sentei para comer um sanduíche, aproveitei e liguei em casa.
—Alô.
—Bella?— Aumentei o tom surpreso. —O que faz aí?
—O Jazz pediu que eu fizesse companhia a sua irmã. Ele tinha que ir para o treino e pediu que eu cuidasse dela. Ela está mal.
—Ah, obrigado.— Agradeci surpreso que ela não tivesse ido embora. Eu não a entendia. Por que ela apareceu se no final ela dizia adeus sempre?
—Não há de quê.
Nos segundos seguintes, coração e razão entraram em conflito. Queria reprimir meu orgulho e pedi-la para ficar e me esperar. Droga, foi só ela aparecer, todo o sentimento sufocante voltou à superfície. Novamente eu queria ter esperança em nós.
—Bella... Você vai me deixar de novo?— Pressionei inseguro.
Ela pausou um tempo calada.
—Eu não vim para sempre, leãozinho... Só precisava saber que você estava bem... —Enfatizou carinhosa.
—Tudo bem. Não quero estragar o que foi bom cobrando. — Cortei antes que eu começasse a implorar e sofrer em antecedência. —Antes de você ir, me ligue.
—Ok. Obrigada pela mensagem. Eu também adorei a noite com você.
Sorri encabulado. Devia ser um idiota para ter agradecido tão efusivamente pela noitada.
'Obrigado por ter abrandado o leão. Adorei a noite. E.C.'
—Tem uma calcinha sua dentro da primeira gaveta para caso queira tomar banho. —Avisei prestativo. —Se você fosse minha, nunca mais precisaria usar uma.— Adicionei zombeteiro.
—Vou me lembrar disso.
De volta ao quarto, notei os médicos conversarem disfarçadamente entre si. Pareciam céticos. Tentei distrair minha mãe no restante do dia, à noite cheguei cansado e triste em casa pela falta de evoluções de James. Ao notar que o carro do Hale não estava na porta, subi as escadas frustrado. Cygne devia ter ido.
Para minha surpresa, ela lia um livro de Física e fazia cálculos deitada sobre minha cama. Acenei controlando a euforia, tirei a roupa e peguei uma toalha no armário.
—Faça uma pose na minha cama que depois que eu lavar esse odor de hospital você me recebe como deve. — Exigi com uma piscada. Ela sorriu charmosa, eu entrei para o banho e notei uma escova de dente rosa ao lado da minha. Sorri aprovando a sugestão íntima, abri a ducha e me banhei de esperança.
Limpo e cheiroso, engatinhei na cama e descansei a cabeça em sua barriga.
—Você tomou banho aqui?— Ergui sua camiseta e dei uma fungada na pele com cheiro do meu sabonete.
—Sim. Alice queria me emprestar uma roupa até que o Jazz chegasse, mas eu preferi vestir uma sua. — Apontou para si.
Sorri deliciado ao registrar o que ela vestia. Uma boxer branca e camiseta velha do Liverpool. Leãzinho encheu o peito possessivo com a ideia da familiarização. Ela ficou sexy com minha boxer.
—Eu já sou narcisista o suficiente, você ainda fica usando coisas minhas! —Gracejei, mordiscando a pele em volta do umbigo. — Adorei você vestida de Lyon. —Aplaudi. — Você e Alice estão tão amigas assim para ela te oferecer roupa?
—Alice não é má pessoa.— Acariciou minha nuca. —É só uma mimadinha como você era.
—Hmmm.— Gemi manhoso com seus dedos deslizando em meus cabelos. —Eu queria ser mimado por você. Vou precisar de alguém para me cuidar na Espanha.— Insinuei matreiro.
—E sua mãe?— Ignorou a cobrança descarada.
—Devo morar sozinho até meu irmão sair do hospital. — Dispus sugestivamente. Ela calou-se. Eu mudei o tema. — Sabe, estou preocupado por minha prima não ter aparecido... Parece que não se importa... Ela era namorada do James antes. — Comentei comovido com a intimidade da conversa em minha cama.
—Rose se importa, só está cautelosa por causa do novo namorado. —Justificou-se como se fosse íntima de Rosalie.
Franzi o cenho.
—Como você sabe que ela tem um novo namorado?
Ela parou os movimentos, tensa.
—Ah, er, deduzi. —Gaguejou. —Uma mulher bonita como ela certamente tem namorado. —Adicionou rapidamente.
A conversa sobre James e Rosalie rendeu. Contei a ela sobre o namoro tumultuado deles, sobre nossa infância e adolescência. Foi um prelúdio despretensioso para as horas de sexo que se seguiram. Ela dormiu exausta, sacudida e bem comida. Aproveitei sua ausência mental e acessei meu e-mail para ler mensagens recentes. Tinha uma mensagem de Isy com palavras de conforto, enfatizando que o ocorrido contribuiria para unir mais a família e, quem sabe, para que James valorizasse a vida.
Vacilei na dúvida de dizer a ela ou não que minha garota estava aqui, que compunha exauridamente minha cama. Mas não. Não podia fazer confidências amorosas depois de tê-la ouvido que me amava.
Bella não foi embora no dia seguinte. E evitei perguntar por que ou quando ela iria. Pensei em convidá-la para um programa informal de pizza ou cinema para convencê-la de que poderíamos ter uma vida de namorados normais. Porém, era tão cômodo mantê-la cativa só para mim, presa à minha cama. Quando chegava do hospital no início da noite ela sempre estava lá, ao meu dispor. Fazia-me tão bem. Não cobrei ou pedi nada mais. Condicionei-me a ter o que ela me dava, desde que ela ficasse ao meu lado naqueles longos e infelizes dias.
Eu não fui à Universidade no decorrer da semana. Também não fui mais treinar no Liverpool. Como na próxima semana começaria no Real Madrid, não queria perder os últimos dias com minha família.
Sexta à noite, cheguei do hospital cansado e frustrado com a falta de respostas de James. Foi um alívio instantâneo encontrá-la e saber que ela não se foi, ainda. Após o meu banho, deitei de bruços na cama ao seu lado.
—Eu te levaria pra balada, gatinha, mas estou tão derrubado. — Resmunguei e fechei os olhos. Ela sentou em minhas costas de camiseta e calcinha e iniciou uma massagem no meu ombro. Suspirei ao tê-la destensionando meus músculos. Gemi de dor e prazer. Ela inclinou-se e beijou minha nuca ainda trabalhando eficazmente. Um arrepio atravessou minha coluna. A química entre nós era tão devastadora que nem a overdose dela deixou-me dissensibilizado.
—Eu prefiro ficar aqui. — Sussurrou mordiscando minha orelha. —Não existe outro lugar que eu gostaria de estar.
Inverti minha posição e a mantive sentada sobre meu quadril enquanto examinava seus olhos azuis.
—Tem certeza? Existem tantos lugares que eu queria te levar... Queria subir num avião e sumir com você. — Lamentei chateado. —Porém essa nossa situação me deixa impotente. Tô sem rumo com o que está acontecendo entre nós. — Reclamei e soou, de novo, como cobrança.
Ela evadiu-se do modo que sempre fazia. Inclinou-se e colou os lábios nos meus. Todavia, não foi um beijo só para me calar. Tinha certo desespero no modo como ela abriu minha boca e sugou minha língua. A urgência assaltou meus sentidos. Sempre seria um novo dia. Sempre eu entraria em fogo por ela. Desfiz da camiseta dela e rolamos na cama.
—Me ensina.— Ela sussurrou baixinho e arqueou o corpo quando abandonei sua boca e desci pelo pescoço, mordendo. Desci a mão e ocupei-a com carícias provocantes por cima da calcinha.
—Ensinar o quê?— Migrei a boca para seu seio, mordisquei, lambi, com atenção dividida aos dois.
—Eu não sei como ser boa o bastante.— Murmurou insegura e estremeceu quando afastei a calcinha, deslizei os dedos entre as dobras e os movi devagar, espalhando a umidade.
—Não sabe?— Parei confuso, com seu mamilo preso nos dentes. Deslizei distraidamente a língua na ponta, advertindo o fato de ela ser sempre ser passiva nos atos sexuais. Só na nossa primeira vez que ela se soltou mais, por ter bebido. Desde então, ela nunca mostrou o que queria. Sempre faz o que eu conduzo. —Você quer saber como ser boa para mim?— Perguntei incrédulo e desci a boca para sua barriga, ao tempo que eliminava sua calcinha do caminho. Ela assentiu.
Sorri pervertido, deitei-a de bruços e segui beijando suas costas.
—Vou te mostrar agora. —Prometi organizando mentalmente promiscuidades e delícias para sub metê-la.
—Só não esqueça de por isso.— Ronronou e me entregou, como em todas as noites, um pacote de preservativo de uva. Abri o pacote, uniformizei leãozinho pra caçada e me coloquei por cima dela.
Afastei suas pernas com a minha e rodeei sua orelha com minha língua, adorando aquela posição de cópula animal que a fazia tão vulnerável e submissa. Acariciei seu bumbum, escorreguei com os dedos entre elas e esfreguei-a de baixo a cima. Ela enrijeceu alerta, mas permaneceu dócil. Continuei bolinando-a e explorando. Ela se empinou receptiva. Coloquei leãozinho em sua entrada e insinuei a cabecinha. Ele reclamou chateado por estar encapuzado, por outro lado amou a idéia de traçá-la de quatro.
—Um macho só se sente satisfeito se sua fêmea tem prazer. — Elucidei didaticamente, segurei seu quadril e entrei devagar, vigiando meu comprimento para dosar a entrada. Ela ofegou e estremeceu, apertando-me. —Não. Não quero só ofegos. Quero gemidos. Quero que grite, uh, gostoso. Isso. Mais, mais.— Sugeri descarado e empurrei mais um pouco. Ela me tragou para dentro ansiosa. Circulei, medindo-a e vendo a ponta desaparecer. —Diga assim: Leãozinho, seu gostoso.— Estimulei. Ela empurrou impaciente para trás. Ofeguei e enfiei tudo, uma comichão de prazer rodeando minha pélvis. Inclinei e pus a boca em seu ombro. —Fala, gatinha, como você gosta? Devagar ou rápido?— Rebolei devagar atrás dela e desci uma mão para manipulá-la.
—Assim es-tá b-bom.— Balbuciou incoerente.
—Está só bom? —Fingi ofensa. — Tsc tsc tsc... Sinal que eu preciso melhorar.— Puxei seu quadril para trás e enfiei num impulso. Ela grunhiu e apertou as mãos no travesseiro. —Hmmm, já sei que você gosta de selvageria, gata.— Zombei presunçoso, arrumei uma posição contorcionista e segurei seu seio para chupá-lo. Ela choramingou, porque não saí dela nem parei de estimulá-la com a mão no clitóris.
—Gosta assim?— Abandonei seu seio e mordisquei suas costas, alucinado com seus tremores internos.
—U-hum.
—Então se solta.— Fiquei ereto sobre meu joelho, ainda manipulando-a. Ela gemeu e circulou sutilmente em minha frente, apertando e soltando, pressionando e torcendo minha dura longitude.
Fechei os olhos e respirei fundo, controlando respiração e tempo.
—Você ainda quer saber?— Tomei o controle novamente, bombeando e dedilhando-a. Ela segurou o ar e arqueou o tronco, começando a tremer. Puxei seu cabelo e inseri minha língua em sua orelha. —Empina mais.— Ela obedeceu, grunhi, mordi seu ombro e me projetei pra frente e pra trás.
A prévia de seu clímax veio com a força de uma tempestade. Ela sacudiu-se descontrolada, enforcando leãozinho indefeso. Antes que ela concluísse, saí de dentro dela e deitei ao seu lado, com a respiração ofegante.
Ela olhou-me confusa, acusadora e frustrada, deitou de lado na cama e cobriu-se até os seios, com olhos assustados. Minha gatinha arisca estava pronta para correr.
—O que foi, gatinha?— Estendi a mão e desfiz o lençol em seus seios, a seguir os cobri com minha boca.
—Você parou... — Acusou insegura.
—Sim. Você não fez nada que instruí. — Enfatizei e passei os braços em volta de sua cintura, mamando possessivo seus seios.
Leãozinho me olhou inquiridor, perguntando qual era a minha que eu tinha acabado com a festa dele. Eu já disse que ele não entende nada?
—Se você ainda quiser que eu continue, vai ter que mostrar o que você gosta.— Condicionei, com leãozinho em posição de seta apontando seu alvo.
—Você quer saber como eu gosto?— Gemeu indecisa, apertando minha cabeça aos seus seios.
—Sim. Mas é você que vai tomar todas as iniciativas e mostrar o que gosta.
—O que tem a ver eu mostrar o que gosto com ser boa pra você?
—Faça que você saberá.
Ela demorou incerta. Eu esfreguei o nariz entre seus seios. Ela olhou-me resoluta e me empurrou, fazendo-me deitar de costas. Entrecerrei os olhos e a observei, prevendo que ela iria tomar iniciativa e cavalgar em mim. Entretanto, as coisas foram além das minhas expectativas.
—Você quer que eu mostre o que eu gosto... — Refletiu, ajoelhou-se na cama, segurou na cabeceira e assustou-me quando apoiou cada joelho de um lado do meu pescoço. Arregalei os olhos e subi animado as mãos para cintura.
—Foi demais?— Perguntou insegura.
—Não.— Puxei-a mais para frente e ergui um pouco a cabeça, passando devagar a língua em toda a extensão de seu sexo. —Foi demais a sua atitude! — Aplaudi empolgado.
Impulsionei-a a descer mais e encaixei-a por completo em minha boca. Beijei-a devagar a virilha depilada, convidando-a a relaxar. Iniciei o trabalho árduo com minha língua, ela gemeu a cada estímulo. Subi uma mão para apertar os seus seios e alternei lambidas e mordidelas nas dobras protetoras.
Desde a última festa na casa do Rilley eu não fazia oral nela. Dois meses. Na ocasião, ela não consentiu totalmente. Saber que ela se cedia agora ao ponto de tomar iniciativa foi excitante.
Rodeei seu clitóris e persuadi-o a sair. Ela se esticou. Lambi de um lado ao outro, chupei o broto, ela moveu-se inquieta. Pus dois dedos dentro dela e estimulei-a, casando movimentos de língua e dedos. Em poucos segundos ela gemia impaciente, prendi seu quadril e pressionei a língua mais selvagem. Ela estremeceu, enrijeceu os músculos e gritou um som sufocado, de garganta contraída. Seu corpo corcoveou e sacudiu-se em espasmos. Fascinado, desci a mão e me manipulei.
Seu orgasmo estendeu-se, e continuei estimulando-a, extorquindo tudo dela. Outro orgasmo estourou, ela lamentou e foi o meu fim. Arranquei a camisinha, deitei-a ainda sofrendo espasmos de costas na cama e entrei de uma vez só nela, abafando nossos gemidos com meus lábios colados aos seus.
—Oh, não sabe que delícia é estar dentro de você quando você está gozando. —Celebrei extasiado. Beijamo-nos ávidos, empurrei cegamente e abracei-a forte, esperando que com o abraço pudéssemos fundir as nossas vidas. —Eu ainda te quero tanto. — Declarei efusivo e balancei acelerado, sugando agora o seu pescoço, gemendo tortuosamente de prazer, paixão. Éramos perfeitos juntos. Corpos proporcionais. Estar dentro dela desobstruído de camisinha era deliciosamente íntimo, quente, aconchegante. Não poderia profanar aquilo chamando de transa. Não quando ela era a mulher eu sonhava, tinha o corpo que eu adorava.
—Beije-me... Gosto que termine beijando minha boca.— Ela pediu lânguida, puxando meu quadril para estar mais dentro. —Eu consigo ouvir o som de prazer que vem de dentro de você.
Pus a língua em seu boca, fechei os olhos e deixei-me ir, movendo juntos nossos quadris, sentindo meu orgasmo próximo. Não podia ir mais longe. Ela deu um arquejo longo em minha boca, congelou por segundos e estremeceu-se como uma cobra, convulsionando internamente. Foi aí que sucumbi. Apertei forte sua cintura e rosnei em sua boca, deixando o jato quente fluir de meu corpo em espasmos e preenchê-la até escorrer.
Caí em cima dela sem forças. Ela me abraçou e acariciou minha nuca, consolando-me. O tempo parou. Um torpor delicioso ocupou meu cérebro. Minutos depois, rolei na cama e a trouxe para debruçar-se em meu peito.
—Bella, eu...— Reprimi as palavras antes que elas fossem proferidas. O que eu iria dizer? Que ela estava gravada em meu sangue? Que ela era meu mundo? Calei-me. Não podia deixar-me levar pela idiota carência afetiva. O orgulho me impedia de insistir. Eu era só uma diversão temporária para ela e um ato de caridade por meu irmão estar em coma. Ela não me queria da mesma maneira que eu a queria. Não tinha nada a ver eu começar com baboseiras românticas. —Er, eu adorei.— Na verdade, eu adoro é você. Adicionei mentalmente.
—Eu também. — Ela murmurou e se espreguiçou, de olhos fechados.
Um silêncio confortável e langoroso nos envolveu. Só minutos mais tarde a consciência do que fiz me atingiu. Eu a enganei ao entrar sem preservativo. Como ela é inexperiente, nem deve ter percebido a diferença. Minha intenção não era trair sua confiança, era somente saudade do tato de seu interior. Por outro lado, depois de feito, a esperança de que ela gerasse algo nosso cresceu no meu coração. Errado ou não, quem sabe assim eu a amarrasse a mim pra sempre.
—Você não me falou como ser boa para você.— Ela lembrou.
—Eu mostrei.
—Como?— Olhou-me curiosa.
—O seu prazer é meu.— Beijei sua testa. —Não é só satisfação física que conta. Infla meu ego masculino ser bom pra você. —Expliquei aberto. —Se você for uma mulher disposta e quente me manterá enjaulado alegremente entre suas pernas. — Prometi solene. Ela moveu-se sobre meu corpo e abraçou-me, de olhos fechados, um sorriso na boca.
—Feliz aniversário, leãozinho.— Disse após um tempo, com olhar doce.
—Não é hoje. — Neguei com os dedos enrolados no seu cabelo.
—Olhe no relógio.
Ergui o braço para conferir. 00h05min. Ela estava certa. Eu tinha agora vinte e três anos.
—Obrigado pelo pacote de presente. Essa semana de mimos foi mais do que eu poderia pedir. —Agradeci carinhosamente.
Ela ergueu o tronco e olhou-me detidamente.
—Eu queria poder te dar mais, principalmente felicidade. Mas só posso dar meu amor.— Segurou meu queixo com olhar intenso.—Eu te amo, leãozinho. Sempre vou amar.— Declarou fervorosa.
Arregalei os olhos, surpreso. Meu coração bombeou desaforadamente, com algo morno e doce formigando alegria. Trouxe-a para mais perto e abracei-a forte.
Como por encanto, a lembrança da declaração de Isy rastejou em meu cérebro. A culpa me corroeu, porque depois de ouvir Isy dizer que me amava e lhe dar esperança, passei uma semana com outra mulher em minha cama, tomando-a insaciavelmente, um leão faminto sobre carne fresca.
—Er...— Comecei incerto do que falar.
Ela leu minha hesitação e colocou o indicador em minha boca, calando-me.
—Shiu. Você não precisa falar nada de volta. Eu só queria que você soubesse.
Tomei fôlego e a deitei sobre o meu braço, de lado, de modo que nossos rostos ficassem a centímetros. Eu precisava ser persistente.
—Se me ama, então não me deixe.— Chantageei, esmagando meu orgulho.
Ela sorriu triste e acariciou meu peito.
—Isso não é algo que eu possa decidir. Eu preciso ir. — Suspirou ausente.
—E quem pode decidir?— Pressionei curioso com seus enigmas.
—O futuro.
Torci os lábios desgostoso e olhei-a reprovador.
—O futuro é questão de escolhas e alvo, Bella. Você pode decidir seu futuro!— Confrontei-a enérgico, rezando minar seu pessimismo.
Ela desviou os olhos dos meus e baixou o olhar.
—É fácil falar quando você nunca teve que escolher. —Acusou consternada.
Fixei o olhar nela e deliberei silenciosamente a acusação. Quem eu escolheria se tivesse que escolher? Isy ou Cygne? Isy desperta meus instintos protetores, faz-me querer cuidá-la. Já Cygne me faz sentir vivo, com instinto de predador aguçado, desperta meu lado carnal. Todavia eu me sinto inseguro e ameaçado ao seu lado. Ela é astuta e desafiadora. Sempre afetando minha autoconfiança inabalável. Isy confia em mim, acredita que eu posso ser melhor. Com ela não teria a dúvida de acordar e não encontrá-la na cama, ou de em um segundo ela me dizer que me ama e meio segundo depois dizer que precisa ir embora. Cygne é assim...
A despeito disso, Cygne é a mulher que atingiu meu coração como um raio, mantém-me aceso... É a garota que me fez descobrir a paixão, o ciúme, a dor. Ela faz meu sangue ferver e meu lado promíscuo avultar.
—Eu preciso fazer escolhas, sim.— Defendi.
—Que escolhas? Você pode ter tudo que quer! —Olhou-me insolente.
—Nem tudo. —Ponderei.
—As coisas sempre vêm para você naturalmente, Edward. Que escolhas você tem que fazer?
—Se você me desse uma chance, eu escolheria você... — Salientei persuasivo.
A tensão cresceu no olhou para o teto indecisa.
—Edward, não me dê expectativa... Você não pode querer esta vida. — Sussurrou distante.
Notei sua inconstância e continuei tentando minar seus muros, sentindo uma ponta de esperança.
—Se você estiver em dúvida sobre viver comigo, podemos continuar como estávamos até você ter segurança... Eu posso continuar vindo te ver todos os domingos e segunda. Eu posso vir até mesmo sábado à noite depois dos jogos. Eu viria no primeiro vôo, desesperado, te ver. É só você dizer que vai permitir.— Insisti com a pulsação correndo acelerada.
Ela negou balançando a cabeça.
—Não é justo com você.
—Não é justo deixar o que há entre nós morrer!— Retruquei obstinado.
Novamente ela pousou o indicador em meus lábios.
—Ei, vamos terminar a noite bem. Eu só quero ficar assim... — Ela moveu em cima de mim e plantou beijos suaves entre meus olhos. —Quero gravar este momento. Daqui para frente tudo será um tiro no escuro... Eu não sei o que será. —Tentou me abrandar.
Não havia nada que eu pudesse fazer ou falar para mudar sua decisão. Só restava viver os últimos instantes antes do adeus definitivo.
Acordei pela manhã com uma sensação de perda. Passei a mão ao meu lado e encontrei-o vazio. Não foi surpresa, embora decepcionante. Abri os olhos, pus as mãos atrás da nuca e suspirei. O vazio e a falta eram inexplicáveis.
—Merda, Bella, por que você sempre me deixa? — Reclamei mal humorado por ela ter ido sem se despedir.
—Eu ainda estou aqui. — Acenou do canto do quarto. Eu suspirei aliviado. Ela sorriu e apontou para uma mesa de canto com lanche e bolo. —Desta vez esperei você acordar... Parabéns. — Ajoelhou na cama com o bolo e sorriu desajeitada ao flagrar meu estado duro e nu.
Sorri de seu rosto.
—Providenciei a velinha pra você apagar. — Zombei e apontei para baixo.
Ela sorriu maliciosa, pôs o bolo na mesinha de canto, inclinou-se e beijou minha barriga. Traguei o ar e arregalei os olhos em antecipação. Leãozinho esperou atento, de dedinhos cruzados para que ela descesse a boca e lhe desse parabéns pessoalmente. Isso não aconteceu. Ela somente o acariciou e escondeu a cara dele com o lençol. Depois me ofereceu o bolo e me beijou.
Ele ficou enciumado.
No mais, foi a melhor manhã de aniversário da minha vida. Possuí-a mais uma vez, me fartando de seu corpo, assim a levaria para Espanha ao menos na lembrança.
—Quando você comprou o bolo?— Perguntei horas mais tarde, quando tomávamos banho. Eu esfregava suas costas naquele agradável clichê de namorados íntimos com anos de convivência.
—Alice fez o pedido por telefone. —Explicou preguiçosa.
—Que bom a amizade de vocês. — Espalhei sabonete líquido na esponja e desci para curvas cheias da nádega, apalpando. —Você podia ir comigo para o hospital agora e mais tarde eu te levo... — Parei a sentença. Era errado pensar em levá-la ao lugar que eu tinha compromisso à noite... Nenhuma delas merecia.
—Não. — Ela interrompeu antes que eu terminasse a proposição. —Deve estar chovendo paparazzo no hospital. Além disso, o Jazz deve estar vindo me buscar. Tenho compromissos à tarde.
—Ok. — Assenti relutante e a abracei. Eram nossos últimos instantes juntos.
—Então vou te ligar de vez em quando, posso? —Propus fingindo tranquilidade. Eu odiava a maldita sensação de despedida.
Ela não respondeu. A água escorria em nossas costas, e ela olhava a frente com olhar vazio. Seu telefone tocou no quarto, ela se enrolou rápido na toalha e saiu do banho.
—Oi... Já estou descendo... Dois minutos.— Desligou e apareceu na porta. —Edward, vou descer.
Não!
—Me espere.— Pedi e desliguei a ducha.
Ela se arrumava apressada quando saí, usava roupas que o Hale trouxe três dias atrás. Sequei-me rapidamente, vesti uma calça de moletom, passei perfume, vesti uma camiseta branca e pus um boné. Quando terminei, ela me olhava encostada à mesinha de computador. Aproximei-me e beijei sua bochecha. —Pode deixar, eu não vou cobrar por você me olhar.— Gracejei brincalhão.
Ela sorriu e pendurou-se em meu pescoço, os braços rodeando-me.
—Eu adoro você. Você sabe disso, né?
—Não quero ser adorado por você. Adorar, você adora um ídolo, um amigo. Que eu saiba, você me ama loucamente, arrasta um caminhão por mim.— Salientei zombeteiro.
Ela riu alto.
—Eu realmente adoro você, leãozinho. Você me faz rir quando não tenho motivos. Ainda que hoje acabe tudo entre nós, eu amei cada minuto que você me deu.
Rolei os olhos e a apertei sua cintura, fazendo-a se inclinar para trás enquanto eu beijava seu pescoço.
—Só vai acabar mesmo se você quiser. —Sentenciei. Ela ignorou a pressão e puxou minha mão para descermos. Encontramos Hale no térreo conversando com Alice.
—E ae, Hale?— Cumprimentei-o com o polegar, sentei no sofá e puxei Bella pela mão para sentar em meu colo.
—Na boa. E você? — Ele perguntou neutro.
—Estaria se você não estivesse levando minha garota.— Brinquei. Ele não deu idéia e se direcionou a porta.
—Já vou.— Bella avisou, meu rosto entre suas mãos.
—É adeus mesmo? —Forcei uma última vez.
Ela levantou e me conduziu à garagem.
—A gente se encontra. — Ergueu-se nos pés, deu-me um selinho, em seguida entrou no carro do Hale.
Depois que eles saíram do estacionamento interno, entrei no meu carro e saí para o hospital. Eu tinha os pensamentos longes. Dirigia distraído. Só quando o semáforo fechou duas ruas antes do hospital, notei o carro de Hale parado três carros à frente.
A curiosidade foi maior que minha decisão de dar espaço a ela e segui-os discretamente. Subimos por uma rua estreita, com um muro branco alto ocupando mais de um quarteirão. Olhei atentamente para algumas casas antes do fim da rua e lembrei-me já ter ido ali. Em um jantar meses atrás.
Hale seguiu até o fim da rua, onde o muro branco terminava. Eu parei o carro numa distância segura. O portão se abriu, dois seguranças falaram com Hale, e ele entrou. Parei confuso. Aquela casa eu conhecia... Aquela casa era a casa que Isy estava debruçada sobre a janela no dia que a filha menor dos amigos da minha mãe me atacou na sacada.
Será que Hale conhecia o sheik? Será que Isy conhecia Bella? Questionei-me atordoado. Mas é lógico que não se conhecem. Se Isy a conhecesse, certamente ela teria dito. Por outro lado, eu nunca disse o nome de Cygne para Isy. Como ela poderia saber?
Balancei a cabeça cético com quão pequeno era o mundo. Dirigi até o fim da rua, parando sob a sombra de uma árvore quase em frente ao portão. O portão se abriu mais uma vez e dois carros pretos entraram na propriedade. Aproveitei o tempo que o portão ficou aberto e olhei curioso dentro dos portões. Os jardins variados chamaram minha atenção, além de uma muçulmana vestida com nicab em uma sacada, no mesmo instante que Bella subia com um pano na cabeça umas escadas do jardim.
Ofeguei chocado com a coincidência das duas se conhecerem. Tudo me levava a crer que a moça na sacada era Isy.
Minha vontade era descer do carro e confrontar Bella, exigir explicação. Porém, seria invadir seu espaço. Prometi não fazer. Depois eu ligaria e perguntaria. Ou talvez mandasse um e-mail para Isy pedindo esclarecimentos. O que eu não podia fazer era deixar de tentar desvendar esses enigmas, precisava saber que coincidência era essa que envolvia a nós três.
Bom dia, leitores,
bom, eu sei que a estória está pronta. Mas vcs não sabem o quanto é difícil diminuir uma estória, cortar partes, rever. Essa estória tinha 550 pg inicialmente. Agora tem 430. Minha intenção é chegar a 350. Mas não irá afetar na qualidade. Pelo contrário, feliz o autor que consegue contar uma estória sem enrolar muito. E é isso que estou fazendo nessa nova postagem.
Por isso, entendam minha demora.
Para os apressados, entrem em contato comigo no contos da Bia Braz no Face
Obrigada por ler. Obrigada pelos reviews.
