Disclaimer: Harry Potter e todos os seus personagens pertencem à Jo e à WB. Se a mim pertencessem não teríamos um milhão de cenas inéditas do filme por dia... fala sério! . Daqui a pouco não precisaremos ir ao cinema!

~o~

26 de julho

- Cuidado com essas caixas, Roniquinho! Afinal, não queremos que você estrague o nosso presente para os noivos.

- Calem a boca!

- Ele está nervosinho, George!

- Como nunca vi antes, Fred!

- Qual o problema, Roniquinho? Sentindo falta de alguém?

- Você é tão previsível, irmãozinho!

- Vão se foder, vocês dois!

- Tsc, tsc, tsc! Olha a língua, Roniquinho. A mamãe não vai gostar nada de saber que você anda com a boca tão suja.

- Além do mais, você sabe que a gente só fala a verdade. Nem que seja só pra você!

- Por que vocês não vão procurar o que fazer? Afinal, eu não posso derrubar essas malditas caixas, mas com os dois me atormentando, nós vamos explodir aqui a qualquer momento. – Ron tinha as orelhas vermelhas e o olhar de fúria.

- Deixem seu irmão em paz, rapazes! – Arthur entrou no galpão e esperou Fred e George saírem.

- Protegido do papai!

- Desse jeito não dá, Roniquinho!

- Não se preocupe, a gente pega no seu pé em outro horário.

- Mas não deixe essas caixas caírem. – Fred e George disseram em uníssono enquanto saíam, rindo do irmão.

- Obrigado, pai! Eles estavam a ponto de me enlouquecer aqui.

- Eu sei do que eles são capazes. Duas peças raras, esses dois. – Arthur ficou observando Ron arrumar as caixas num canto antes de falar.

- O que está acontecendo entre você e a Hermione? – Ron congelou. Ele e Hermione não tinham muito tempo para conversar, já que a Sra. Weasley os mantinha o mais longe possível um do outro durante o dia, provavelmente porque ela suspeitava que algo estava acontecendo ou pudesse acontecer. Sempre que estavam juntos, Ron e Hermione faziam questão de conversar aos sussurros.

- Por que a pergunta? – A voz surpreendentemente calma não convenceu o Sr. Weasley.

- Sua mãe acha que vocês estão planejando alguma coisa e que colocarão em prática assim que o Harry chegar.

- Bom, considerando que não tivemos muito tempo pra conversar, fico imaginando de onde a mamãe tirou toda essa história.

- Ron...

- Pai, não vamos a lugar algum. Não sabemos o que esperar depois do casamento, mas com certeza a gente não estaria tão tranquilo se estivéssemos planejando alguma coisa. A minha única preocupação no momento é não ter a mamãe no meu pé o dia inteiro. Não aguento mais ter que ouvir o falatório dela sobre esse casamento.

- Respeite a ansiedade da sua mãe, rapaz! Você sabe que não estamos vivendo o melhor dos momentos, então ter algo pra pensar além de comensais e segurança é um alívio.

- Só se for pra vocês, eu estou a ponto de enlouquecer. O senhor sabia que eu já limpei e degnomizei a cerca três vezes essa semana? Três vezes e ainda não é quarta-feira! – Arthur riu da indignação do filho. Ele tinha de concordar que Molly estava sendo um pouquinho exagerada.

- Você tem que tentar entender a sua mãe, Ron. Ela tem certeza de que você não vai voltar pra escola. Nem o Harry e nem a Hermione. Não é preciso que vocês digam alguma coisa; ela tem observado como você e a Hermione têm agido, e eu tenho que concordar que vocês estão muito estranhos.

- Paranóia! A gente só tá tentando fazer o tempo passar até amanhã. Desde o dia que disseram que a gente ia ajudar a trazer o Harry, estamos ansiosos demais. Pode ficar tranquilo que não tem nada de errado acontecendo.

Arthur olhou pela janela embaçada de poeira. Os raios de sol da tarde iluminavam precariamente o galpão. Pela primeira vez o lugar estava organizado, já que várias caixas dos gêmeos e dos pais de Fleur estavam sendo guardadas ali. Os dias de calma em que ele passava horas montando e desmontando objetos trouxas pareciam tão distantes agora. Sua família estava em risco, o mundo estava em risco. Porém, a única coisa que ele conseguia pensar no momento era em como Ron e Hermione não sabiam mentir muito bem.

- A gente precisa fazer com que eles acreditem que nada está acontecendo, Ron.

- O problema é avisar isso pra mamãe, Hermione. Você sabe como ela é!

- Sim, eu sei. Acho que vai ser mais difícil que nunca a gente conseguir repassar o que eu te falei ontem.

- Então é bom começar agora.

Eles cresceram, Arthur pensou, e assumiram responsabilidades que não são deles. Tenho certeza que esses dois vão aonde o Harry decidir ir. E isso vai me criar muitos problemas.

- Pai, o senhor está me ouvindo? – Arthur acordou de seus devaneios. Ron o observava, preocupado.

- Desculpe, estava aqui pensando na vida.

- Sei... – o rapaz o olhou desconfiado, mas não disse mais nada. – Olha só essa pilha, o senhor acha que está segura?

- Totalmente! Excelente trabalho, filho. Acho que, por precaução, podemos colocar um feitiço para proteger as caixas caso elas caiam.

- Fique à vontade. Essa arrumação me deixou cansado. Vou tomar um banho, daqui a pouco é hora do jantar mesmo.

- Sim, pode ir. E diga pra sua mãe que eu já volto.

Ron saiu do galpão, feliz por não precisar continuar a respirar aquela poeira toda. Ele só não percebeu o olhar triste que seu pai lhe deu. Triste, preocupado e resignado. E o pior: absolutamente ciente.

oOo

Horas depois

- Oi!

- Oi! – Hermione respondeu sem se preocupar em olhar para Ron.

- Estava te procurando.

- Que bom que me encontrou, então. – Ela respondeu secamente, eRon achou estranho o tom ríspido e preferiu não insistir.

- Hmm... se eu estiver te atrapalhando, posso voltar depois.

- Não! Desculpe a grosseria. Só queria um pouco de privacidade, mesmo que isso não seja possível.

- Dificilmente você conseguiria, mas eu posso voltar depois.

- Não, não vai, fica aqui comigo, por favor! – Ela segurou o braço dele, e Ron percebeu que Hermione estava tremendo.

- O que foi? – o olhar de Hermione era suplicante.

- O que será que eles estão fazendo agora, Ron? Será que estão felizes? Será que estão seguros e bem? Eu não consigo parar de pensar neles. Já se passaram duas semanas e parece muito mais que isso. Será que eu fiz a escolha certa?

- É óbvio que você fez a escolha certa, não duvide disso. Não sei o que a gente faria se você não tivesse modificado a memória deles. Onde você ia conseguir escondê-los? Pior, eu não sei se você ia conseguir convencê-los de que o mais seguro era eles se esconderem. Hermione, foi o melhor!

- Eu queria acreditar nisso.

- Então acredite, você não precisa sofrer tanto assim. Seus pais estão bem, confie na sua escolha, porque é ela que tá garantindo a segurança deles. Além do mais, eu tenho certeza de que você vai conseguir reverter o feitiço.

- Se eu sobreviver, você quer dizer...

- Não começa, tá?

Hermione e Ron ficaram sentados na varanda olhando o bosque assumir o tom dourado dos raios do sol que aquecia todo vale ao redor de Ottery St. Catchpole. O horizonte brilhando sorridente, a cidade distante e intocável. Em outros dias, a visão seria irresistivelmente relaxante. Contudo, havia uma guerra iminente.

Emoções conflitantes estavam suspensas entre os dois. Ron queria poder ajudar Hermione, tirar dela o sentimento de impotência que a perseguia. Mesmo que ele dissesse mil vezes que a melhor escolha foi mudar a memória do Sr. e da Sra. Granger, Hermione não parecia se convencer disso. A angústia pela incerteza de um futuro que ninguém sabia se chegaria estava estampada no olhar sempre tão seguro e determinado. Ele queria acreditar que no fim estariam todos vivos, pelo menos, e dar a ela a certeza de que um dia teria a oportunidade de rever seus pais.

Hermione, por sua vez, não conseguia mais conviver com a tristeza e a agonia da dúvida. Mesmo tendo planejado metodicamente toda modificação da memória de seus pais, ela não conseguia deixar de imaginar que aquela havia sido a escolha errada. Dois dias depois, começou a contemplar erros no plano, brechas que poderiam colocá-los em risco e a certeza da incapacidade de protegê-los. E ainda havia os momentos em que ela tinha certeza de que não conseguiria reverter o feitiço, caso tivesse chance de reencontrar os pais.

Abaixou a cabeça e apertou os olhos com força. Não queria e não podia chorar. Havia dias que não dormia direito, pensando, e o cansaço físico por causa dos preparativos do casamento não ajudava em nada.

Ainda havia um casamento pela frente.

Ela respirou fundo e apoiou-se em uma das colunas da varanda. Perdida em pensamentos confusos e angustiantes, Hermione não conseguia dar a atenção que gostaria ao assunto horcruxes. Não se lembrava muito bem do que lera nos livros que convocou da sala de Dumbledore. Mas só de lembrar o conteúdo de cada um deles, um arrepio percorria-lhe o corpo. Aquela missão, infelizmente, seria mais árdua do que haviam imaginado e as dificuldades se multiplicavam a cada dia, mesmo que ainda não tivessem nenhuma noção de por onde começar a busca pelos pedaços da alma de Voldemort.

- Eu queria que você não ficasse assim tão triste. – A voz grave e firme, trouxe Hermione de volta à varanda. Ron continuava a seu lado e agora olhava para as mãos trêmulas. E ela nem notou que elas tremiam.

- É mais fácil querer do que poder, Ron.

- Eu sei que é, mas eu faria qualquer coisa que você me pedisse, desde que eu não precisasse ver esse olhar triste todo dia. – De onde viera a coragem para dizer aquilo, Ron sinceramente não sabia, esperava apenas que ela não o rejeitasse quando ele mais queria ajudar. – E claro, desde que não tenha a ver com aranhas. – Ela riu.

- Às vezes você é incrivelmente imprevisível. – Ela olhou para ele e segurou a mão que estava sobre a coxa. – Obrigada por tudo, Ron. Eu não sei o que seria de mim se você não estivesse comigo todos esses dias. Está bem difícil aceitar que talvez eu não veja mais os meus pais, mas...

- Não ouse repetir isso de novo! – Não era raiva na voz dele, nem reprovação. Hermione notou que o único sentimento que havia ali era... medo? Por quê? Eles não estavam em guerra? Pensar em morte era algo absolutamente normal.

- Por que não? Você tem alguma garantia de que a gente vai sair vivo dessa guerra?

- Hermione, se tem uma coisa de que eu tenho certeza absoluta, é que você, eu e o Harry vamos sair vivos. Não seremos iguais, óbvio, tudo vai mudar, mas eu não quero pensar que um de nós pode... – ele não conseguiu completar a frase. - Então não ouse repetir isso perto de mim de novo.

Ron levantou-se e seguiu para o meio do jardim onde a tenda para o casamento já estava armada. Uma fúria sem medidas o consumia intensamente. A mera sugestão de que Harry ou Hermione pudessem morrer o deixava enlouquecido. Ele sabia que a vida não seria a mesma se um dos dois ou se os dois faltassem. Claro que ele desconfiava de que não faria tanta falta assim, às vezes ele tinha certeza, afinal o mundo estava repleto de Weasleys. Mas a verdade é que ter de imaginar uma vida sem Harry e Hermione o apavorava e enfurecia ao mesmo tempo. Ele jamais permitiria que isso acontecesse, nem que para isso ele tivesse de morrer.

- Eu sei que você não vai deixar de pensar essas besteiras. Sei que você não vai conseguir parar de pensar nisso, mas tenta não ser tão dura com você mesma, Hermione. Eu confio em você e sei que a sua escolha vai garantir que os seus pais estejam bem quando a gente acabar com essa guerra.

- Talvez eu me convença disso algum dia, mas por enquanto eu ainda não sei se é o melhor.

- É bom que você saiba, então, que a única certeza que eu tenho é que seus pais vão voltar pra casa porque você vai à Austrália buscá-los. E eu vou com você. – As palavras ditas com extrema firmeza e confiança não surpreenderam a garota, mas revelaram um lado que ele pouco mostrava e pelo qual ela tinha verdadeira fascinação.

- Não sabia que você era tão confiante assim.

- Eu posso ser sempre que alguém precisa.

- Deveria se lembrar disso quando olhasse para o espelho. Um Ron confiante é muito mais convincente do que eu poderia imaginar.

- O que quer dizer?

- Quero dizer que vou tentar não pensar tanto em falhas e que vou focar meus pensamentos no que a gente precisa fazer. O Harry vai precisar de nós e eu não posso deixar que as dúvidas me atrapalhem, não é?

- Isso mesmo, Hermione. Essa é a bruxa que eu conheço! – Ele sorriu, satisfeito com a mudança de pensamento dela.

- Obrigada por tudo mesmo, Ron. Não sei o que seria de mim sem você.

- Você ia conseguir se virar bem, tenho certeza disso. Talvez ficasse perdida um pouco, mas logo se encontraria. – Ele sorriu, aquele sorriso de canto que fazia a garota perder o fôlego.

- Desde quando você é tão convencido? – Hermione desviou o olhar para ele não ver o quanto aquele sorriso a afetava.

- Desde o dia em que nasci, só não costumo demonstrar com tanta frequência.

- Pois deveria, é um lado fascinante. – Ela o envolveu pela cintura. Ron sentiu seu corpo inteiro ficar tenso e teve de se esforçar ao máximo para que Hermione não percebesse como ela o afetava com um gesto tão simples.

- Vem comigo, vamos dar uma volta. Não quero pensar em coisas tristes.

- Como queira, senhorita. - ele fez uma reverência exagerada, ofereceu o braço para Hermione e os saíram em direção ao lago.

~o~

Ron e Hermione passaram uma hora inteira caminhando ao redor do lago. O fim de tarde ensolarado amenizou as tristezas e apagou as incertezas da mente dos dois, mesmo que tenha sido apenas naquela hora. E por alguns momentos eles não pensaram em guerra, comensais da morte ou horcruxes. Momentos que eles juravam, intimamente, que guardariam dentro de si, mais como uma promessa de dias melhores, uma espécie de tesouro que eles deveriam esconder, proteger e voltar para buscar assim que a guerra chegasse ao fim.

~o~

Oh yeah! Capítulo 2 no ar!

Espero que tenham gostado.

Daqui a pouco vamos para Grimmauld Place e depois as coisas começam a ficar um pouco mais dark.

Vamos ver no que vai dar.

Obrigada por terem lido e salvem um mico leão dourado... comentem! \o