4. "Lá, naquela vida, o que você tinha?"
Rony tentava não parecer muito chato, enquanto eles caminhavam por aquela floresta, mesmo resmungando do jeito que estava. Mas ele estava cansado, estava com fome e Rose era pesada. E ele se perguntava pra que sair tão cedo. O sol típico da Inglaterra, já brilhava no céu, e até que estava fazendo calor.
Ele, Harry, Jorge, Gui, Percy, Simas Finnigan e Dino Thomas estavam agora à caminho do tal acampamento de pais e filhos. E a longa caminhada se tornava ainda mais cansativa, quando se tinha como companhia aquele bando de crianças. Porque era realmente muito chato quando elas começavam a falar todas ao mesmo tempo ou quando começavam a reclamar da demora pra chegar no tal acampamento. Rony nem se queixava tanto de Rose. A verdade, é que a menina não o tinha incomodado muito, apesar dele se sentir cansado de tê-la carregado nos últimos vinte minutos. Mas o que ele poderia dizer das outras crianças? Elas eram realmente meio loucas, principalmente seus sobrinhos, que não eram poucos. Estava mesmo comprovado que os Weasley eram uma família bem fértil, Rony pensou.
_ Você quer parar de bufar?_ Harry caminhando ao seu lado, o repreendeu. Ele nem sequer percebeu que estava bufando.
_ Me desculpe se estou cansado_ Rony resmungou_ Meus pés estão acabados, definitivamente.
_ Deixa de ser chato, Rony_ Gui andando mais a frente ia dizendo_ As crianças estão muito felizes de estar aqui.
Rony fez uma careta para seu irmão. É, ele podia perceber que as crianças estavam felizes pela maneira como estavam gritando agora. E correndo. E fazendo coisas que crianças felizes e hiperativas faziam.
_ Cara, achei que você estivesse empolgado com o acampamento_ Simas disse. Um dos filhos de Simas, chamado Aaron, estava pendurado nas costas do pai, enquanto o outro, Brandon, ia mais à frente caminhando com Alex, James, Alvo, Louis_ filho de Gui e Fleur_ e Matthew, filho de Dino. E mais à frente ainda iam as meninas; Victorie e Dominique_ também filhas de Gui e Fleur_ e, Molly e Lucy, filhas de Percy.
_ É mesmo_ Harry emendou_ Ano passado você pareceu chateado por não ter vindo. Quer dizer, eu sei que Rose era muito pequena pra vir, mas você ficava rabugento toda vez que a gente falava do acampamento.
Rony ficou completamente surpreso ao saber que no ano anterior, seus amigos e irmãos vieram acampar com os filhos. Mais surpreso ainda, ele ficou de saber que havia ficado chateado por não ter vindo da outra vez.
_ E agora que você está aqui, está reclamando_ Dino comentou_ É melhor você aproveitar enquanto pode fazer esse tipo de coisa com a sua filha. Daqui a pouco não dá mais...
_ O que você quer dizer?_ Rony perguntou, franzindo a testa.
_ Bom, veja o caso do Lupin, não pôde vir, porque Teddy se acha velho demais pra fazer esse tipo de coisa_ foi Jorge quem respondeu_ O garoto só pensa em começar em Hogwarts no próximo mês.
Nesse momento, Rony se sentiu agradecido por saber quem era Teddy. Pelo menos, isso estava igual a sua verdadeira realidade; Lupin e Tonks tinham um filho chamado Teddy. Mas na outra vida dele, o garoto ainda era bem pequeno, mas nessa vida ele era grande o suficiente pra ter vergonha de andar com os pais. E para ir para Hogwarts.
_ É, o garoto só tem onze anos e já acha que está pagando mico_ Simas falou.
_ Precoce!_ Jorge concluiu e então olhou pra frente com uma expressão exasperada_ Ei, Alex, você pegou isso no chão? Não coloca isso na boca, garoto_ então correu em direção ao filho e arrancou da mão dele algo que Rony não conseguiu identificar.
_ E por que o seu amiguinho não veio, hein, Rony?_ Harry perguntou com um leve tom de desprezo_ Ele não ia trazer o filho?
Rony franziu a testa. Amiguinho? De quem Harry estava falando com tanto rancor?
_ De quem você tá falando?
_ Não se faça de bobo. Você sabe muito bem que eu estou falando daquele encosto do Malfoy_ Harry respondeu, parecendo levemente irritado.
Rony arregalou os olhos para o amigo. Mas que palhaçada era essa? Desde quando ele era amigo de Draco Malfoy? Ele si viu bufando e quase xingando, mas achou que as crianças não precisavam desse tipo de demonstração. Mas qual era o problema dele nessa vida? Ele, aparentemente, tinha uma amante e agora ele acabava de descobrir que era amigo de Draco Malfoy. Seu eu nesse mundo realmente tinha sérios problemas.
_ É verdade, você não tinha dito que ele vinha?_ Percy perguntou.
_ Hum, não sei porque ele não veio_ Rony respondeu, se sentindo aborrecido. Que droga!
_ E espero que não apareça_ foi Simas quem falou.
Logo estavam conversando sobre outras coisas, enquanto Rony pensava. Se perguntou o que mais andou fazendo nessa vida, além de casar, ter filhos, uma amante e ser amigo de Draco Malfoy. Será que tinha mais alguma coisa estranha sobre ele que deveria descobrir? E como ele lidaria com tudo isso? Quanto tempo mais teria que conviver com todas essas situações desconhecidas?
Ele ficou tão absorto em seus próprios pensamentos, que nem sequer percebeu quando chegaram no tal acampamento. Era no meio de uma clareira na floresta e o lugar estava cheios de barracas. Haviam homens e crianças por toda a parte. Rony se sentiu idiota por imaginar que o acampamento seria uma coisa dele, seus irmãos e amigos. Colocou Rose no chão e suspirou. Logo a menina estava correndo de encontro as primas.
_ Quanta gente_ ele comentou.
_ Lupin disse que na primeira vez que ele veio com Teddy, quase não tinha ninguém_ Harry comentou_ Mas no ano passado já parecia um formigueiro, esse ano então...
_ Papai, onde vamos armar a barraca?_ Alvo que se aproximava, perguntou a Harry. O menino olhava meio assustado para a quantidade de pessoas no lugar.
_ Vamos só encontrar um lugar mais vazio_ Harry respondeu.
Então todos eles reuniram as crianças e caminharam pelo lugar, a procura de um espaço mais vazio.
_ Harry, isso aqui é o inferno, cara_ Rony disse.
_ Não é tão ruim_ Harry falou_ As crianças adoram, porque é uma oportunidade de encontrar outras crianças. Além do mais tem o lago, onde eles gostam de nadar... E é só uma tarde, Rony, não vai demorar muito a passar.
Pararam então perto de algumas árvores e decidiram montar a barraca ali. Alguns minutos depois, a barraca que Simas havia levado, estava pronta. Quando Rony entrou, ele se lembrou da barraca que haviam usado na Copa de Quadribol. Só que essa era duas vezes maior. Talvez, porque havia bem mais gente pra ocupá-la, mesmo que só por um tarde. Jogou sua mochila em um canto com as outras.
_ Nós já podemos ir nadar?_ Alex perguntou a Jorge.
_ Depois. Primeiro vamos fazer um lanche.
Enquanto todos conversavam e comiam os sanduíches que haviam trazido de casa na pequena cozinha da barraca, Rony pensava na Nova Zelândia. Sentia saudades do seu apartamento, de ver as montanhas pelas paredes de vidro da sala e do quarto. Sentia saudades dos amigos do time de quadribol, das festas de David. Mas o que mais sentia falta era de Meg. De conversar com ela, e até das pequenas discussões que tinham. Se perguntou o que a Meg dessa realidade estaria fazendo agora. Será que era casada, que tinha filhos? E então, ele sorriu com a possibilidade de Meg ter uma família. Seria algo bom pra ela, ele pensou. Porque assim, agora que ele não estava lá, ela não estaria sozinha. Na sua outra vida, a jovem tinha perdido os pais num acidente de carro quando tinha quatorze anos, então foi viver com a avó. Então aos dezoito, sua avó também morrera, e até conhecer Rony, ela esteve só. Talvez, por isso, tivessem se tornado tão amigos, porque ambos estavam sozinhos. Bem, Rony ainda tinha família, mas na outra realidade, eles não eram próximos. Então, do fundo coração, ele esperava que Meg tivesse alguém, que estivesse feliz.
_ O que está fazendo aqui?_ Rony se sobressaltou quando uma voz se sobressaiu no meio da conversa. Ele olhou pra Jorge, que havia levantado da cadeira e encarava o outro lado. Todos olhavam pra lá também e Rony seguiu o olhar deles.
Fred estava parado na entrada da barraca com uma mochila nas costas, parecendo um pouco desconfortável.
_ Bom, eu não estava muito a fim de passar o domingo sozinho, então resolvi...
_ É um acampamento de pais e filhos, Fred_ Jorge o cortou_ Até onde eu sei, você não tem filhos.
_ Pelo menos, não que eu saiba_ Fred disse em tom de riso.
_ Então, o que está fazendo aqui?_ Jorge repetiu.
_ Eu falei com o Sean, o cara que organiza o acampamento. Ele disse que não tinha problema nenhum eu aparecer...
_ Mas isso tá virando bagunça_ Jorge se exasperou_ Que eu saiba o acampamento é de pais e filho, não de pais e filhos e o cara que não tem filhos.
_ Você pode ir embora se está tão incomodado_ Fred provocou_ Eu não vou me importar_ ele então sentou numa das poltronas que havia na barraca.
_ Vocês não vão brigar aqui, né?_ Gui ia dizendo_ Se ignorem se isso os faz se sentirem melhor, mas não briguem, pelo menos, não na frente das crianças.
_ Eu não estou brigando com ninguém_ Fred disse inocentemente.
Jorge encarou seu gêmeo por um momento, então parecendo disposto a não se aborrecer, se voltou para seu filho.
_ Vamos nos trocar, Alex. Você ainda quer nadar, não é?_ o menino assentiu alegremente e saiu com o pai para o outro lado da barraca.
_ Você só veio pra provocar, não é?_ Gui ia dizendo a Fred, que deu de ombros e não se incomodou em responder. Rony sentiu uma repentina raiva de seu irmão. Como se já não bastasse ter feito o que fez a Angelina, ele ainda se sentia no direito de encher a paciência de Jorge. "Que idiota!".
_ Papai, eu já peguei o meu maiô_ Rose parada em frente a Rony, disse. A menina estendeu pra ele um pequeno maiô rosa com babados.
_ Hum, ótimo. Por que você não vai se trocar?
_ Eu não sei colocar sozinha_ ela disse ainda estendendo o maiô pra ele.
_ Eu..._ Rony perdeu a fala. Isso era ser pai, né? Ter que vestir seus filhos, enquanto eles não conseguiam fazer isso sozinhos.
_ Algum problema aí?_ Harry, que estava encostado na pia da pequena cozinha, perguntou.
_ Não, não... É só que..._ se atrapalhou. Então tirou o maiô da mão de Rose, e o colocou sobre a mesa. Começou a tentar tirar a roupa da menina de uma maneira atrapalhada. Logo ela estava com a cabeça e um dos braços presos na camisa.
_ Papai!_ ela choramingou.
_ O que você está fazendo, seu idiota?_ Harry resmungou se aproximando_ Você vai sufocar sua filha.
_ Só estou tentando trocar ela_ Rony se defendeu.
_ Qual é o seu problema? Parece que nunca fez isso na vida_ Harry continuou_ Vem aqui, Rose. O tio Harry vai trocar você.
Rony observou o amigo pegar na mesa o maiô da menina e sumir com ela nos fundos da barraca, onde as outras meninas estavam se trocando. Alguns minutos depois, eles voltaram. Rose já trajando seu maiô rosa com babadinhos dos lados. Rony notou que o cabelo dela, antes solto, estava agora preso num rabo de cavalo no alto da cabeça. Ela correu até as primas, que já estavam com suas roupas de banho também.
_ Aqui_ Harry estendeu pra ele uma pequena muda de roupa dobrada.
_ O que é isso?
_ Um presente_ respondeu sarcástico_ O que você acha que é? São as roupas da Rose, é pra você guardá-las.
_ Ah!_ Rony então as pegou e foi até onde sua mochila estava jogada. Enfiou as roupas lá de qualquer jeito. Quando ele voltou, Harry o olhava daquele jeito estranho, como no almoço do dia anterior.
_ O que está havendo com você?
_ Como assim?
_ Desaprendeu a ser pai, é?
_ Só acho que já está na hora dela começar a se vestir sozinha_ tentou disfarçar.
_ Rony, ela só tem quatro anos. Nem mesmo o James que tem seis, se veste totalmente sozinho. Quer dizer, se nós não vigiarmos, ele coloca a roupa do avesso. Caso você não tenha percebido, eles são pequenos, ainda precisam de nós pra quase tudo.
_ Eu sei.
_ Não parece_ Harry reclamou, depois de um leve suspiro, acrescentou:_ É melhor nos trocarmos também.
_ Ok_ Foi só o que Rony respondeu. O que mais ele poderia dizer?
Enquanto observava as crianças brincando e se divertindo no lago, Rony não conseguia deixar de se sentir deslocado. Quer dizer, naquele momento, Harry parecia mais pai de Rose do que ele. Sua filha, sobrinhos e os filhos de seus amigos riam e gritavam felizes. A maioria dos pais estava na água com seus filhos, e Rony estava no grupo menor, aquele de pais que observavam tudo da beirada. Ele sabia que, na verdade, não fazia parte daquilo. Era uma visão bonita, e ele destoava dela. Simplesmente, porque não era pra ele estar lá.
_ Sua alegria está me contagiando, Rony_ uma voz em tom sarcástico disse ao lado dele. Mas Rony não se deu ao trabalho de se virar pra Fred, que havia acabado de sentar ao seu lado na beira do lago.
_ O que você está fazendo aqui mesmo?
_ Ah, você também_ Fred reclamou e depois riu.
_ É sério, Fred.
_ Só me divertindo. O que há de errado nisso?
_ Por que você se diverte chateando o Jorge?
_ O que te faz pensar que eu estou aqui pra aborrecê-lo? O meu mundo não gira ao redor dele.
_ Na minha opinião você só quer chamar a atenção dele.
_ Guarde a sua opinião pra você, Roniquinho. Se eu a quisesse, eu pediria_ Fred disse irritado. Depois os dois ficaram em silêncio por alguns minutos. Os gritos e as risadas das crianças cada vez mais audíveis.
_ Eu sei o que houve_ Rony disse de repente. Não sabia se deveria falar com Fred sobre aquilo, mas sentiu necessidade.
_ Não entendi.
_ Estou falando de você e Angelina. Sei porque vocês terminaram.
Fred se voltou pra Rony com uma expressão de surpresa. Rony não precisou de muito esforço pra saber no que o irmão estava pensando.
_ Como... Como você...?
_ Angelina me contou_ Rony respondeu calmamente.
_ Ela... ela te contou?_ Fred ainda parecia completamente surpreso.
_ Sim. Como pôde fazer isso, Fred? Que baixaria, cara.
_ Eu..._ Fred respirou fundo_ Eu sei que foi um erro, eu me arrependo.
_ Foi uma burrice.
_ Você acha mesmo?_ quando Fred perguntou isso, Rony pôde sentir um leve tom de ironia.
_ É claro que sim.
_ Então por que você está fazendo a mesma coisa?
_ O quê?_ Rony olhou pra Fred, ele sentiu seu rosto quente.
Fred então desviou o olhar. Ele o fixou no lago, nas crianças.
_ Na semana passada na festa de aniversário da Gina, eu vi vocês_ Fred disse_ Você e Grace.
Rony sentiu seu corpo enrijecer. Ao mesmo tempo em que ele sentiu uma repentina revolta só de lembrar que estava tendo um caso com Grace, ele queria saber. Queria que Fred fosse claro, que dissesse o que viu. Por pior que fosse.
_ Você nos viu?_ ele tentou soar assustado, mas era mais pra disfarçar a ansiedade.
_ É... Eu tava procurando um lugar pra ficar a sós com a Genevieve, aquela amiga da Fleur, e saí procurando pela mansão_ Fred contou. Rony nem sequer sentiu curiosidade em saber na mansão de quem tinha sido o aniversário de sua irmã_ Aí num corredor do segundo andar, eu vi vocês. Vocês estavam se beijando.
Houve um momento no qual nenhum dos dois disse nada. Fred continuava olhando para as crianças no lago. Agora Rony também.
Quando Grace disse "você não pareceu se preocupar com isso semana passada", era a isso que ela se referia. Semana passada, no aniversário da Gina. Então se antes ele tinha alguma dúvida, agora não tinha mais. Ele estava mesmo tendo um caso com Grace Collins. Sentiu um nó na garganta se formando. Por que ele estava fazendo isso? Nessa vida, pelo que ele entendeu, ele realmente parecia feliz com Hermione e seus filhos. Angelina havia dito que ele e Hermione sempre pareceram muito apaixonados. Então, se seu eu nessa realidade era tão feliz e apaixonado por sua esposa, por que raios estava tendo um caso com outra?
Simplesmente não fazia sentido.
_ Vocês não me viram, claro, isso você sabe, senão não pareceria tão surpreso_ Fred continuou como se eles não tivessem ficado em silêncio por um longo tempo_ Mas, sabe, na hora achei até que tivesse bebido demais e que estivesse vendo coisas. Quer dizer, foi difícil de acreditar. Não era algo que eu esperava.
_ Eu sei_ Rony disse baixinho.
_ E acho que é uma besteira. Pra que arriscar um relacionamento tão legal por uma aventura? Você realmente está mostrando que é o menos inteligente dos Weasley. O que, na verdade, não é surpresa.
Houve mais uma pausa. A risada das crianças nas brincadeiras com seus pais, era a única coisa que se ouvia. Rony observou Rose rindo, enquanto estava pendurada nas costas de Harry. Ele não entendeu o motivo, mas sentiu momentaneamente vontade de estar lá com ela.
_ Faz muito tempo que isso tá rolando? Você e Grace?_ Fred perguntou.
"Eu não sei". Rony quase disse. Ele não fazia idéia se era uma caso antigo ou algo recente. E, honestamente, não tinha importância. Era irrelevante, porque de uma forma ou de outra, seu eu nessa vida, estava traindo Hermione. E traição era sempre traição. Então ele apenas deu de ombros para a pergunta do irmão.
_ A Angelina me odeia, não é?_ Fred perguntou, surpreendendo Rony.
_ Não diria que é ódio_ Rony falou, lembrando da conversa com Angelina, de como ela parecia ferida em ter que relembrar tudo que havia acontecido_ Acho que é mais mágoa.
_ Eu... Eu tentei consertar as coisas. Tentei ao menos o perdão dela, mas ela nunca quis me ouvir.
_ Deve ser difícil pra ela.
_ Eu ainda a amo, Rony_ Fred falou repentinamente.
Rony se voltou, surpreso, para o irmão. Olhando para Fred, Rony pôde perceber o quanto aquela revelação custava ao rapaz. Ele tinha uma expressão triste, pouco comum a ele, assim como a Jorge também.
_ Mas eu sei que ela já não sente o mesmo por mim_ emendou_ Acho que ela é feliz com Jorge e isso é que importa pra mim.
_ Isso é uma surpresa pra mim. Você realmente ama alguém, meu Deus_ Rony brincou tentando descontrair o irmão. Era estranho ver Fred tão sério. E, Rony descobriu que não gostava disso.
Fred deu um pequeno sorriso, depois voltou a seriedade incomum pra ele.
_ Você acha que um dia ela vai me perdoar?
_ Eu não sei_ Rony respondeu com sinceridade_ Acho que vocês deviam conversar.
_ Não sei como me reaproximar.
_ Apenas procure ela, Fred. E Jorge também. Afinal, vocês também precisam fazer as pazes.
_ Ele também me odeia.
_ Não, não odeia_ Rony disse com convicção_ Vocês só estão afastados, porque você parou de falar com ele, depois que ele e Angelina decidiram ficar juntos, lembra?_ Fred o olhou espantado.
_ Ela também te contou isso?_ perguntou.
_ Pois é.
_ Ainda não entendo por que Angelina te contou tudo isso_ Fred comentou pensativo_ Quer dizer, é você. Rony Weasley. Além de Harry e Hermione quem em sã consciência fica se confidenciando com você?
_ Bom, você_ Rony disse com simplicidade_ Você acabou de fazer isso.
_ É, eu também posso ser estranho às vezes_ Fred falou e dois riram.
Então Fred levantou e tirou a blusa, ficou apenas de calção. Dando um sorriso pra Rony, ele se jogou na água e foi até onde Harry estava com seus filhos e Rose.
Rony então se levantou, gritou para Harry que ia voltar para o acampamento e segundos depois estava caminhando entre as árvores. Seu pensamento indo de Hermione para Grace, depois para Fred, e de volta para Hermione. Ela não merecia o que seu eu nessa vida estava fazendo. Rony tinha de consertar isso.
_ Mas que droga eu estou fazendo?_ resmungou para si mesmo.
_ É uma boa pergunta_ Rony se virou imediatamente ao ouvir aquela voz.
Lá, encostado displicentemente a uma árvore, estava Dumbledore, suas mãos cruzadas na frente do corpo, encarando Rony.
_ Achei que não fosse aparecer mais_ Rony tentou não soar tão irritado, mas falhou terrivelmente.
_ Bem, estou aqui_ Dumbledore disse, sorrindo_ Presumo, que esteja muito confuso e chateado, claro.
_ Confuso e chateado é pouco. Isso não define nada. Eu nem sei mais o que estou sentindo, é muita coisa ao mesmo tempo_ Rony confessou.
_ É completamente aceitável_ o ex-diretor concordou.
_ Eu quero voltar_ Rony disse esperançosamente_ Quero voltar pra minha vida antiga.
_ Ainda não está na hora, Sr Weasley.
_ Então quando vai ser a hora?
_ Quando entender e aceitar o que tem aqui.
_ Entender o que, professor? Que sou casado, que tenho filhos e uma amante?_ Rony passou a mão pelos cabelos_ Eu já entendi tudo isso.
Dumbledore nada disse, apenas o continuou encarando com a mesma serenidade.
_ Aliás, por que eu tenho uma amante? Você me disse antes que estava me mostrando essa vida, porque é importante que eu saiba o que perdi. Você falou como se a minha vida aqui fosse maravilhosa. Mas o que pode ter de maravilhoso em ter uma amante? É a coisa mais... É errado.
_ Sim, é_ Dumbledore concordou, então ele se afastou da árvore, mas apenas um pouco.
_ Então?
_ Eu nunca disse que a sua vida seria perfeita se tivesse escolhido ficar ao invés de ir embora. Todas as pessoas cometem erros, Rony. Você tem cometido muitos erros na sua outra realidade. Assim como tem cometido erros nessa vida também. Afinal, você é humano. É da natureza humana errar. Mas ainda assim, essa vida seria a certa pra você.
_ Mas na minha outra vida eu nunca tive amante. Como posso ser uma pessoa melhor aqui, do que na vida que eu tinha?
_ Na sua outra vida você nunca esteve comprometido com ninguém seriamente. Mas cometeu erros tão graves quanto esse. Não consegue ver a diferença? Aqui, você tem uma família, uma esposa maravilhosa, crianças lindas. Seus pais se orgulham de você. Seus irmãos e amigos o amam e não guardam nenhum rancor. Lá, naquela vida, o que você tinha?
Dinheiro e fama. Foi isso que ele pensou em dizer, mas sabia que não era a resposta que Dumbledore queria. Ah, ele também tinha Meg. Isso ele podia falar.
_ Como é a vida da Meg?_ ele questionou, evitando ter que responder a pergunta de Dumbledore_ Ela é feliz?
_ Sim. A senhorita Parker é muito feliz_ o ex-diretor respondeu calmamente. Rony o encarou esperando que ele continuasse_ Ela tem um noivo. Um bom homem que a ama verdadeiramente.
_ Isso é bom._ "Pelo menos, uma coisa boa". Rony pensou.
_ O senhor lembra de um rapaz chamado Stevie Slater?
Rony franziu a testa. Como se ele pudesse esquecer. Stevie Slater era uma rapaz que havia tido um rápido romance com Meg. Rony lembrava que durou pouco, mas que foi o suficiente pra deixar sua amiga de coração partido quando o rapaz terminou tudo. O cara era muito ciumento. Ele teve vontade de sorrir, ao lembrar do soco que dera em Stevie. Se tivesse oportunidade, faria de novo. O cara havia chamado Meg de burra, por se sujeitar a ser amiga de Rony. Fora exatamente essas as palavras que ele usara. Mas Rony não entendia o que Stevie tinha a ver com qualquer coisa.
_ Lembro_ respondeu finalmente.
_ Lembra do motivo que o fez terminar com a senhorita Parker?
_ Ciúmes. Ele tinha ciúmes de mim_ Rony só conseguia achar Stevie mais ridículo ainda_ Achava que Meg e eu tínhamos alguma coisa.
_ Por que ele achava isso? Você sabe?
_ Porque ele é um idiota.
_ Ele achava que a senhorita Parker passava tempo demais com você. O que é verdade.
_ Isso não tem nada demais.
_ Você a monopolizava_ Dumbledore disse, e estava sério agora_ Desde que Meg Parker entrou em sua vida, ela nunca mais teve vida própria.
_ O que o senhor quer dizer?_ Rony perguntou um pouco assustado.
_ Quantas vezes em dois anos você procurou por Meg Parker? Quantas vezes solicitou a presença dela nos momentos mais banais?
Rony engoliu em seco. Que ele se lembrava, desde que tinha se tornado amido de Meg, não passou um dia sem procurá-la. Fosse pra fazer a comida pra ele e ajudá-lo a organizar suas coisas, fosse apenas porque queria conversar e acabava obrigando-a a lhe fazer companhia. Agora parando pra pensar, Rony se dava conta de que ela realmente passava mais tempo com ele sendo uma espécie de sombra, do que com qualquer outra pessoa que ela conhecia. Ela estava sempre na casa dele, ao lado dele, fazendo as coisas pra ele, ouvindo-o fielmente sem nunca reclamar. Não reclamar seriamente, pelo menos.
_ Muitas vezes, não?_ Dumbledore continuou_ Com certeza, mais vezes do que era realmente necessário. Ainda acha que Stevie Slater é um idiota? Acha que ele reclamava sem motivo por sua namorada estar constantemente ao lado de alguém que não sabia dividi-la?
_ Por que está me dizendo isso, professor?_ ele perguntou infeliz.
_ Porque Stevie Slater é o noivo da senhorita Parker nessa vida. Isso, porque você não está lá pra ocupar todo o tempo dela com coisas sem importância, como receber um coruja sua ou limpar suas coisas.
Rony sentiu um buraco no estômago. Se ele não tivesse ido pra Nova Zelândia, Meg teria uma vida além dele. Na sua outra realidade, ele estava atrasando a vida dela e saber disso, o machucava.
_ Eu sinto muito_ Rony disse por fim, porque não sabia mais o que dizer. E ele realmente sentia muito. Ele havia pensando nisso há poucas horas atrás, em como gostaria que a Meg dessa realidade tivesse alguém. Mas agora, se dando conta de que isso não foi possível na outra vida por causa dele, Rony sentia uma culpa terrível.
_ Não precisa sentir. Não aqui. Nessa vida, ela é muito feliz_ disse Dumbledore, já com o ar sereno outra vez_ Apenas viva o que tem aqui. Aproveite o que conquistou nessa vida. E pense nos erros aqui cometidos também.
Rony sabia que quando Dumbledore falou dos erros aqui cometidos, ele se referia a Grace Collins. Ele abaixou a cabeça por um tempo e ficou em silêncio, quando a levantou Dumbledore não estava mais lá. Ele agora estava sozinho, parado no meio das árvores se sentindo triste e frio.
Ele não podia pensar em como aproveitar aquilo. Ele não conseguia ver aquela vida como a paisagem que Dumbledore tentava pintar pra ele, apesar de tudo. Era confuso e inquietante.
Pensou mais um pouco em Meg. Noiva de Stevie Slater. O cara não era tão ruim, Rony pensou. Pelo menos, enquanto estava com Meg, parecia gostar bastante dela. Rony sempre o achou um bobo por ter ciúmes daquela maneira. Ele sempre achou que o motivo de Meg e Stevie não terem dado certo juntos, era porque Stevie era um idiota, quando na verdade o grande problema havia sido ele. Ele e seu egoísmo ridículo. Ele que se metia entre Meg e as coisas que ela queria. A verdade, era que Rony nunca parou pra pensar no que deixava sua amiga feliz. Rony achava que por ela ter perdido a família, a amizade dele era a maior felicidade dela, como se o mundo dela girasse ao seu redor. Mas Meg era uma pessoa como outra qualquer, que necessitava de coisas básicas como amor, calor humano, respeito. Ele a considerava sua melhor amiga, mas nunca havia lhe dado nada disso, e nunca deixou que ninguém lhe desse também.
Egoísta era a palavra que seu pai havia lhe chamado algumas vezes durante a briga que tiveram na sua outra realidade. Também era a palavra que lera algumas vezes nas cartas que Harry e seus irmãos lhe mandaram durante um tempo. E egoísta, Rony pensou, era a palavra que o definia melhor do que qualquer outra palavra já o havia definido antes. Agora, ele sabia disso.
N/A: Aí está o quarto capítulo. Desculpem a demora.
N/A 2: Bom, o que estão achando? Eu estou adorando escrever um pouquinho de Fred/Angelina/Jorge. Sempre quis escrever uma fic sobre eles e acho que a participação deles na fic tá legal. Quanto ao Roniquinho, pobre dele, não? Quanta confusão pra uma pessoa só. Vamos ver se ele aprende alguma coisa. Hehe!!!
N/A 3: Ron and Mione 4ever!, que bom que você está lendo e gostando dessa fic também. Eu também adoro a família que Rony e Hermione construíram. Assim, como adoro os filhotes de Harry e Gina. Tá sendo muito bom colocar as crianças na fic. Obrigada pela review. Não sou uma fanática por Harry, eu só tenho mais uma fic, além dessa e o enredo é bem simples, na verdade. Espero que se você ler mesmo, goste também. Obrigada pela review.^^
E, claro, não podia esquecer de desejar um Feliz Ano Novo pra todos. Que o ano que vem seja repleto de alegrias e realizações. Então aproveitem da melhor maneira possível. *__*
Até o próximo capítulo. Bjks!!!
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