8. " Por favor, não me esqueça"

Dois meses. Dois meses de uma felicidade que Rony nem sabia que existia. Ele não se lembrava de ter tido nada parecido antes. Pensar que ele se achava feliz em sua outra vida, até soava ridículo. Aquilo não era felicidade comparado ao que ele tinha agora; Hermione, Rose e Hugo. E sua família e amigos. E, graças a Deus, sem Grace Collins.

É claro que ele sentia falta de algumas coisas da sua outra realidade. Sentia saudades terríveis de Meg e David. Volta e meia, Rony se pegava pensando em seus amigos da Nova Zelândia e se sentia um pouco deprimido, mas era completamente suportável, e havia se acostumado. Ele sempre sentiria saudades, mas ele tinha sua família agora. E era o que ele mais prezava.

_ Ah, está tudo tão lindo!_ Rony ouviu Hermione dizer a seu lado. Ele sorriu e concordou com a cabeça.

Eles estavam lado a lado no quintal de sua casa, parados próximos à enorme mesa, com bolo e doces, posta perto da cerca de madeira. O quintal estava cheio. Seus pais, irmãos com suas esposas e Gina e Harry, Lupin e Tonks e até Malfoy com seu filho_ que estava estranhamente enturmado com James e Alvo, para desgosto de Harry_ estavam lá. Seus amigos de Hogwarts e seus filhos também. E agora Rose, seus sobrinhos e os filhos de seus amigos corriam pelo lugar gritando e brincando. Era o aniversário de um ano de Hugo.

Observou seu filho nos braços de Gina, enquanto o fotógrafo contratado especialmente para a festa, tirava fotos dos dois. Rony estava tão feliz. Na semana anterior, Hugo dera seus primeiros passos e no começo dessa semana, disse sua primeira palavra; papai. É claro que o menino não dissera papai com exatidão, afinal era apenas um bebê, mas foi com clareza o suficiente para que Rony e Hermione pudessem entender. Se Malfoy o tivesse visto no instante em que aquilo aconteceu, provavelmente teria zombado dele, porque Rony quase chorou.

_ Lembra do primeiro aniversário da Rose?_ Hermione perguntou emocionada_ Parece que foi ontem. Agora é o Hugo. Nem acredito que meu bebêzinho, que até ontem estava na minha barriga, já está fazendo um ano...

Rony concordou. Ele se sentiu mal por um instante. Gostaria de ter visto Rose andar e falar pela primeira vez, e de ter estado presente nas gestações dela e de Hugo. Mas, o pensamento de que tinha uma vida inteira pela frente, para ver suas crianças maravilhosas crescerem, o reconfortou.

_ Pois é. Mas eles ainda estão no começo de suas vidas, Hermione. Temos muito pra acompanhar ainda_ ele comentou, satisfeito.

_ Sim, eu sei. Mas eles estão crescendo tão rápido. O tempo parece que voa...

Disso, Rony não podia discordar. Ele já estava naquela vida há dois meses, e ele mal se deu conta do tempo passando. Devia ser, porque estava tudo tão bom.

_ Da próxima vez, Rony, vá você mesmo pegar seu suco_ Harry resmungou, se aproximando. Ele tinha Lily nos braços e um copo de suco de abóbora na outra mão, que entregou a Rony assim que estava perto o suficiente. Usava um chapéu de cone, desses de festas infantis, na cabeça. Rony riu e tomou um gole do suco_ A decoração está bem bonita.

_ Obrigada, Harry!_ Hermione falou_ Mas o mérito, como sempre, é quase todo da Gina. Ela realmente entende de decoração de festas.

_ Nem me fale. Tem que ver o que ela está planejando para o aniversário da Lily...

_ Dá pra imaginar_ Rony falou_ Foi um trabalho pra gente convencer ela de que uma festa simples no quintal de casa era o suficiente. Ela queria que comemorássemos o aniversário do Hugo num Parque de Diversões.

Os três riram, e olharam para onde o fotógrafo ainda tirava fotos de Gina e Hugo. Agora outras crianças, inclusive Rose, estavam aglomeradas ao redor deles, posando para as fotos também.

_ Amor, temos que tirar fotos com as crianças também_ Hermione comentou de repente.

_ Mais?_ Rony perguntou, espantado e sem querem derramou um pouco de suco na camisa que usava. Mas pra quê mais fotos? Eles haviam feito praticamente um book de tantas fotos que tiraram com Rose e Hugo, no começo da festa.

_ Sim, quanto mais, melhor. Eu quero ter quantas recordações puder.

_ Ok. Hum... Vou entrar e trocar essa blusa.

_ Eu posso tirar a mancha com um feitiço_ Hermione disse e então ficou pensativa_ Hum, mas minha varinha está dentro de casa.

_ A minha também.

_ Está com sua varinha aí, Harry?_ Hermione perguntou.

_ Tá na mochila, na sala de vocês.

_ Nós já fomos mais precavidos, hein. Se algum comensal da morte aparecesse aqui, estaríamos todos mortos_ Rony comentou, achando graça

_ Não diga besteiras, Rony_ Hermione disse, mas esboçava um meio sorriso.

_ Certo, vou trocar a blusa. Já volto.

_ Nós vamos cantar os parabéns daqui a pouco, temos que tirar mais algumas fotos antes, não demore.

Rony ouviu Hermione dizer, quando já entrava pela porta dos fundos que dava na cozinha. Ah, ele não perderia isso por nada no mundo. O momento que seu filho fosse "soprar" as velinhas era único. Rony nunca se imaginou se empolgando com algo assim, mas lá estava ele, ansioso para ter Hugo nos braços, enquanto os presentes cantavam parabéns. E daqui há alguns anos botar seu filho no colo, e mostrar pra ele as fotos de seu primeiro aniversário.

*******************

Enquanto procurava no guarda-roupa por uma camisa limpa, Rony ouviu pela porta entreaberta do quarto, vozes no corredor. Instantaneamente, ele parou o que estava fazendo.

_ Podíamos perfeitamente conversar na sala ou até mesmo lá fora_ uma voz feminina conhecida, resmungou.

_ Lá fora não dava, seu marido não ia gostar_ outra voz conhecida. Era um dos gêmeos.

Rony não precisou pensar muito para saber que aqueles dois no corredor, eram Fred e Angelina. Ele soltou um bufo de impaciência, quando se deu conta de que enquanto eles estivessem ali, ele não poderia sair do quarto, sem parecer que estava ouvindo a conversa.

_ O que você quer, Fred?

_ Eu? Foi você que me mandou uma coruja ontem dizendo que queria conversar.

_ Sim, mas não queria fazer isso aqui. Estamos no meio da festa do nosso sobrinho...

_ Honestamente, eu não acho que tenha necessidade de esperar mais. Vamos falar de uma vez.

_ Eu não tenho certeza do que dizer.

"Ah, você sabe o que dizer, Angelina". Rony disse em pensamento. "O assunto não resolvido, lembra? Sei que você pode fazer isso". Ele sentiu quase obrigação de apoiá-la, depois de tudo que ela havia feito por ele. Só pelo fato de tê-lo livrado definitivamente de Grace Collins, ela já merecia um prêmio. Ele caminhou sem fazer barulho e se encostou à parede próxima a porta.

_ Bom, você não me chamou aqui pra ficar olhando pra minha cara, se fosse isso, você poderia olhar pro Jorge_ Fred falou com ironia e Rony teve vontade de chutar o irmão.

"Seja legal, seu idiota! Ela já está fazendo muito se dando ao trabalho de tentar resolver as coisas com você".

Houve um silêncio, no qual a única coisa que Rony podia ouvir, era o relógio de pêndulo do seu quarto. Então alguém suspirou. Fred.

_ Desculpe. Eu sei que sou um idiota.

_ Sim, você é.

Outro silêncio e Rony se sentiu ansioso, como aquelas pessoas quando estão lendo um livro querido e desejando que no final, tudo ficasse bem.

_ Eu não queria que as coisas acabassem daquele jeito_ Fred começou.

_ Nem eu_ Angelina concordou, e sua voz estava neutra.

_ Eu não quis magoar você_ Fred continuou.

_ Mas magoou.

_ Eu sinto muito.

_ Eu também_ e nesse momento, Rony notou alguma coisa se quebrar na voz de Angelina.

_ O que eu posso fazer? Eu faria qualquer coisa pra você me perdoar.

Houve um outro suspiro e dessa vez, era Angelina.

_ Era por isso que eu queria conversar com você, pra dizer que eu já te perdoei. Há muito tempo eu te perdoei.

_ Achei que você me odiasse.

_ Eu nunca te odiei, Fred. Eu tive raiva de você, muita raiva. E mágoa, mas não ódio. Acho que te perdoei, quando me aproximei de Jorge. Vi que não adiantava guardar aquilo dentro de mim, não quando eu estava sendo feliz de novo.

_ Mas, no entanto, você se afastou totalmente de mim_ Fred disse baixo.

_ O que você esperava? Que nos tornássemos amigos? Isso nunca vai acontecer.

_ Mas você disse que me perdoou...

_ São coisas diferentes. Eu posso conviver com você, posso sentar e ter uma conversa civilizada, mas nunca seremos amigos, Fred. Sejamos realistas, por favor. Eu seria hipócrita se fingisse que as coisas seriam como antes, que seriamos amigos como éramos antes do namoro, quando ainda estávamos em Hogwarts.

_ Então?_ Rony sentiu pena do irmão. Sua voz soou triste, sem vida.

_ Eu te perdoei, mas eu nunca vou esquecer. Mas estou disposta a tentar um coleguismo.

_ Parece razoável.

_ É o justo.

_ E quanto ao Jorge?

_ O que tem ele?

_ Ele me odeia. Ele nunca vai deixar você se reaproximar de mim...

_ Jorge não te odeia. Você é tudo de que ele mais sente falta na vida.

_ Não é verdade. Ele me ignora completamente e quando me olha, parece que quer cuspir em mim.

_ Porque você sempre o provoca na primeira oportunidade_ Angelina rebateu.

_ Eu... Eu só faço isso, porque detesto quando ele finge que não estou por perto.

_ Fred, foi você quem parou de falar com ele.

_ Eu sei, e me arrependo. É a segunda coisa da qual eu mais me arrependo... A primeira, foi ter perdido você.

Rony engoliu em seco. Ele mal acreditava que estava ali, encostado à parede, ouvindo uma conversa tão íntima entre seu irmão e sua cunhada. E sua expectativa só crescia.

_ Fred, por favor! Eu não quero ouvir isso_ Angelina disse na defensiva.

_ Eu ainda te amo, Angelina_ Fred continuou, como se a jovem não tivesse dito nada.

_ Não diga isso_ Angelina o cortou e Rony apesar de não poder vê-la, a imaginou de braços cruzados, evitando olhar para Fred_ Eu realmente não sei o que você está querendo me dizendo algo assim...

_ Eu não estou querendo nada. Não quero me meter entre você e Jorge, eu nunca faria isso.

_ Então é o quê?_ ela o desafiou.

_ É a verdade, só isso. E eu queria que você soubesse.

Rony sentiu um estranho orgulho de Fred naquele momento. Imaginava como deveria ser difícil dizer a alguém que tinha mágoa sua, que você a amava. Dizer, mesmo sabendo que não mudaria muita coisa, ou nada.

_ Eu... Isso não faz diferença agora_ Rony ouviu Angelina dizer, mas ela parecia comovida. Sua voz estava trêmula.

_ Acho que ouvir de alguém que essa pessoa te ama, sempre faz diferença_ Fred tentou.

_ Mas eu prefiro que você não diga. Por favor!

_ Eu não vou mais dizer então. O que importa é que agora você sabe.

Outro silêncio.

_ Acho melhor voltarmos lá pra fora_ Angelina disse.

_ Vai você, eu vou ficar aqui mais um pouco.

_ Tá certo!_ Angelina concordou e em seguida Rony ouviu alguns passos se distanciando, mas logo pararam, como se ela estivesse indo embora e depois parado no meio do caminho. Houve um novo silêncio_ Eu espero que você seja feliz, Fred. De verdade. E principalmente, espero que você e Jorge se entendam...

_ Eu também!

Novos passos e Rony soube que dessa vez, ela havia ido. Ele ouviu Fred suspirar e então dizer:

_ Você já pode sair, Rony. Espero que tenha se divertido ouvindo minha conversa particular_ Rony deu um pulo ao ouvir isso. Ele não se mexeu se sentindo completamente constrangido, então ele se remexeu inquieto quando Fred apareceu à porta, se no encostando no batente_ Seu fofoqueiro.

_ Eu não tenho culpa se vocês estavam conversando no meio do corredor. Vocês podiam ter ido pro banheiro, sei lá...

_ Claro, porque o banheiro é o lugar ideal pra se ter uma conversa séria_ Fred disse com ironia.

_ O corredor também não é.

_ Afinal, o que você estava fazendo aí escondido, ouvindo a minha conversa?

_ Eu não estava escondido. Eu tenho mais o que fazer do que ficar te vigiando_ Rony resmungou_ Eu só queria pegar uma camisa limpa, então vocês apareceram...

_ E aí você esqueceu da camisa limpa e ficou nos ouvindo_ Fred concluiu, apontando para a camisa de Rony, onde havia uma mancha de suco de abóbora. Rony imediatamente tirou a camisa.

_ Eu não não esqueci, só me distraí.

_ Sei..._ Fred murmurou, enquanto sorria debochadamente.

_ Vai se ferrar, Fred_ Rony rosnou e caminhou de volta até o guarda-roupa_ Ao invés de você ficar me enchendo o saco, você devia era estar feliz por Angelina ter te perdoado.

_ Eu estou feliz!_ Fred falou_ É claro que teria sido melhor, se nós selássemos nossa recém reconstituída amizade com um beijo, mas...

_ Não seja idiota! É da Angie que você tá falando, esposa do seu irmão gêmeo, lembra? Ah, eu adoraria que ele te ouvisse falando isso_ Rony fantasiou sorrindo. Ele retirou de dentro do guarda-roupa uma camisa azul.

_ Eu também adoraria_ Fred concordou ainda sorrindo com deboche e Rony o olhou não mais divertido_ Além do mais, não é nada que ele não saiba.

_ Você não pode ser tão canalha pra querer beijar a esposa do seu irmão...

Houve mais um silêncio, entre tantos que Rony já havia presenciado aquele dia, no qual ele e Fred apenas se encararam. A expressão cínica de Fred havia desaparecido repentinamente, e ele encarava Rony, extremamente sério agora.

_ Acha mesmo que eu faria isso?_ Fred então perguntou, parecendo ofendido.

Rony parou para pensar um instante. Por mais que nessa realidade, Fred fosse um pouco solitário e amargurado e que constantemente parecia querer chatear Jorge, no fundo Rony sabia que ele não faria algo do tipo. Rony podia ver nos olhos de seu irmão agora, que ele jamais faria alguma coisa para magoar Jorge e Angelina outra vez.

_ Não!_ Rony finalmente respondeu e voltou sua atenção para sua camisa.

_ Ótimo!_ Fred então passou as mãos nos cabelos_ Olha, eu vou voltar pra festa.

_ Ok!

Rony concordou, enquanto enfiava a camisa limpa pela cabeça. Quando, então olhou para a porta, seu irmão não estava mais lá. Ele suspirou e caminhou até o banheiro do quarto e jogou a camisa manchada dentro do cesto de roupa suja. Quando saiu soltou um palavrão ao se assustar com alguém sentado em sua cama.

_ Não é uma palavra muito bonita, Sr Weasley_ Alvo Dumbledore disse, o olhando através de seus óculos de meia-lua.

_ Desculpe, professor. Mas é que o senhor e assustou.

_ Não foi minha intenção_ Dumbledore disse serenamente.

_ Achei que não apareceria de novo. Quer dizer, já faz dois meses desde a última vez_ Rony se aproximou, ele colocou as mãos nos bolsos da calça jeans.

_ Sim, dois meses_ Dumbledore então se levantou e caminhou pelo quarto, indo em direção a uma prateleira próxima a cama. Ele observou as fotos que estavam ali.

Foram fotos tiradas nos últimos dois meses. Rony, sempre com Hermione e as crianças. Num piquenique, num parque de diversões, andando de barco, brincando no jardim D' Toca num domingo... Momentos especiais que Rony havia passado com sua família.

_ São fotos muito bonitas_ Dumbledore comentou, ainda observando as fotos.

_ Obrigado!_ Rony respondeu sem emoção. Ele não sabia o por quê, mas um sentimento ruim se formou na boca de seu estômago.

_ Vocês parecem felizes_ então Dumbledore se virou para ele e Rony não gostou da expressão séria no rosto do homem_ Você parece feliz.

_ Eu estou. Muito!_ o jovem afirmou com fervor. Ele estava mais feliz do que jamais estivera antes.

_ Isso é ótimo... Você entendeu. Aceitou, finalmente! Então agora está na hora.

_ Hora de quê, professor?

_ Você já pode voltar.


_ Eu quero voltar_ Rony disse esperançosamente_ Quero voltar pra minha vida antiga.

_ Ainda não está na hora, Sr Weasley.

_ Então quando vai ser a hora?

_ Quando entender e aceitar o que tem aqui.


Rony balançou a cabeça. Não. Não. Não.

_ Do que está falando, professor?_ ele perguntou debilmente.

Ele sabia do que Dumbledore estava falando. Quando Rony aceitasse, entendesse que essa sempre deveria ter sido a sua vida, ele poderia voltar. E agora ele entendia, aceitava. E ele amava aquilo. Não era justo.

_ Está na hora de voltar para sua vida.

_ Essa é a minha vida_ Rony disse com a garganta seca. Nunca sentiu tanto medo em toda a sua vida. Ele preferia enfrentar mil dementadores, preferia estar cara-a-cara com Voldemort. Qualquer coisa, menos aquilo.

_ Sua verdadeira vida.

_ Essa é minha verdadeira vida_ insistiu.

Dumbledore o encarou um instante em silêncio e Rony sentiu o medo tomando proporções surpreendentes.

_ Rony, isso não é real.

_ É real pra mim_ Rony continuou. Era real, ele estava lá. Estava lá há dois meses. É claro que era real.

_ Você não pode ficar.

_ Mas eu quero. É única coisa que eu quero na vida. Eu não quero mais nada, só isso.

Rony passou as mãos pelos cabelos. Então, além do medo, veio o desespero. Um desespero tão grande, que ele sentia dificuldade de respirar.

_ Eu sei_ Dumbledore disse brandamente_ E era essa a intenção. Você saber o quanto isso é importante. O que poderia ter sido...

_ O que poderia ter sido não, professor_ Rony quase gritou. Seus olhos, ele sabia, estavam cheios de lágrimas_ O que é.

_ Não é real.

_ Você já disse isso e eu já disse que é real pra mim.

_ Eu sinto muito, mas isso_ Dumbledore fez um gesto mostrando o lugar ao redor_ acabou.

_ Não!_ dessa vez, Rony gritou. Ele não se importou que sua voz fosse ouvida pela casa e talvez até no quintal.

Dumbledore cruzou as mãos na frente do corpo e o encarou profundamente. Rony sabia que aquele olhar queria dizer que era o fim, que não havia nada a ser feito. Ele então sentiu as primeiras lágrimas caírem. E antes que pudesse se conter, já estava soluçando.

_ Por favor!_ ele implorou entre lágrimas_ Por favor!

_ Eu sinto muito.

_ Me deixe aqui. Esse é o meu lugar.

_ Esse não é o seu lugar, porque você é real e isso aqui, não é.

_ Eu não me importo_ Rony continuou implorando_ Eu posso viver aqui pra sempre, eu não me importo.

_ Sabe o que realmente é real? Você desmaiado no chão de seu apartamento em Wellington, na Nova Zelândia. Isso é de verdade. É lá que você está.

_ Não, eu estou aqui. Há dois meses, professor. Dois meses.

_ Você poderia estar, se tivesse feito outra escolha. Essa seria a sua vida.

_ Por favor, não faça isso comigo_ Rony chorou mais. O que Dumbledore queria que ele fizesse? Que se ajoelhasse? Tudo bem, ele não tinha mais forças pra ficar em pé de qualquer forma. Então, ele caiu de joelhos, sentindo seu corpo mais pesado do que nunca_ Naquela vida, meu pai está morrendo. Minha família e amigos, me odeiam. E... E eu não tenho Hermione, nem as crianças.

_ É, nada é como aqui. Nada disso, é seu.

Rony soluçou mais forte. Não era justo, não era justo. Ele não sabia como, mas conseguiu se levantar. Sentia tantas coisas. Medo, desespero, raiva...

_ Pra que me dar tudo isso, então? Pra que me mostrar as coisas que eu poderia ter tido, se você vai tirar isso de mim?

_ Desde o começo, você sabia que não era real. Eu disse que você voltaria...

_ O que eu posso fazer?

_ Você já fez tudo. Você viveu aqui e você feliz.

_ Me deixe ficar.

_ Eu sinto muito_ Dumbledore repetiu e tão rápido e imperceptível quanto um piscar de olhos, ele sumiu.

Rony olhou desesperado ao seu redor, mas não havia mais ninguém lá. Então, ele fez a única coisa que poderia. Saiu correndo. Ele se sentia bobo, porque sabia que fugir não adiantaria, mas ele precisava se agarrar a qualquer possibilidade, qualquer chance de permanecer na vida que ele tanto amava.

Assim que chegou ao corredor, trombou com alguém. Era Hermione. Ele o olhou assustada, quando percebeu seu rosto encharcado de lágrimas. Foi quando Rony a abraçou forte.

_ Meu amor, o que foi?_ Hermione perguntou, afagando as costas dele. O som da voz dela saiu abafado, pelos soluços de Rony_ Rony, o que houve? Você está me assustando.

_ Eu não quero ir. Eu não posso_ Rony chorou. Ele respirou fundo, inalando o perfume dos cabelos e da pele dela, tentando fazer aquele momento durar o máximo possível.

_ Do que você está falando? Você não vai a lugar nenhum. Por que você está tão apavorado?

"Porque eu vou perder você". Era difícil para Rony até pensar naquilo, mas era a verdade. A verdade mais cruel que ele já havia conhecido.

_ Rony, olhe pra mim_ Hermione exigiu. Ela se afastou um pouco de Rony, apenas o suficiente para que pudessem se encararr. Olhando o rosto assustado de Hermione, Rony conseguia imaginar que ele devia estar uma bagunça, provavelmente devia estar parecendo um louco_ Respire fundo e me diga o que está havendo...

_ Eu não quero que você se assuste.

_ Como eu não vou ficar assustada? Eu venho aqui te chamar pra cantar os parabéns pro Hugo e te encontro nesse estado_ ela então levou as mãos até o rosto dele e com os polegares, começou a limpar as lágrimas em suas bochechas.

_ Você me fez tão feliz. Eu fui tão feliz_ Rony sussurrou, mais para si mesmo do que para Hermione.

E aquilo estava chegando ao fim. Era o fim. Ele contraiu o rosto, sentindo uma nova onda de lágrimas escorrer por seu rosto.

_ Meu Deus, Rony, por favor_ ela voltou a limpar as lágrimas dele, mas Rony a interrompeu. Ele segurou as mãos dela e começou a dar beijos em suas palmas. Hermione começou a chorar também. E Rony sabia que era de desespero, sabia que ela não estava entendendo nada.

_ Você me ama, Hermione?

_ Mais que tudo.

_ Então, me promete uma coisa?

_ Qualquer coisa!

_ Por favor, não me esqueça_ ele implorou.

Rony sabia que aquilo era ridículo. A Hermione de sua outra vida, ele não via há dois anos, nem sequer falava com ela. Ela não tinha idéia desses dois meses tão maravilhosos que haviam passado juntos na realidade alternativa de Rony. Mas ele precisava que essa Hermione, a que ele tinha agora na sua frente, tão perto, lhe dissesse que não o esqueceria. Mesmo que ela não fosse real, mesmo que nada disso fosse real.

_ Por que você está me pedindo isso? Não faz sentido nenhum...

_ Apenas prometa. Por favor!_ ele implorou_ Por favor!

_ Eu prometo_ Hermione sussurrou.

Imediatamente, quando Hermione acabou de falar, Rony a beijou. Foi o beijo mais forte, cheio de amor e doloroso que Rony podia imaginar. Ele a agarrou com mais força contra seu corpo, sentindo seu calor, sentido seu coração bater forte contra o dele. E aquilo, era o que ele perderia.

Eles terminaram o beijo e se abraçaram forte. Hermione tentando lhe confortar, Rony sabia. E ele buscando mais contato, tentando se perder naquela Hermione, nos momentos que teve com ela nessa vida e que ele levaria para a outra. Fechou os olhos com força.

_ Não me esqueça_ ele pediu mais uma vez.

_ Nunca!

_ Não me esqueça_ repetiu.

"Não me esqueça. Não me esqueça. Não me esqueça". E ele foi repetindo aquilo mentalmente tantas vezes, quanto foi capaz. A abraçava tão fortemente, que temia a estar machucando, mas ele não podia se soltar dela, nem um milímetro, nem por uma fração de segundo.

Então alguma coisa mudou. Tudo mudou.

Rony sentiu seus braços vazios, não havia mais ninguém abraçado a ele. E, incrivelmente, ele nem sequer estava mais em pé. Sentiu contra sua bochecha, algo fofo, que ele já nem lembrava mais que existia, que já havia esquecido a textura. Era um tapete, onde ele estava deitado de lado naquele momento.

E Rony não precisava abrir os olhos pra saber que não estava mais no corredor de sua casa branca, com um jardim florido na frente. Não precisava abrir os olhos pra saber que aquele choro que estava ouvindo, não era de Hermione, pra saber que havia chegado ao fim. Que ele estava de volta a sua vida verdadeira. Um frio repentino tomou conta dele.

Ele não precisava abrir os olhos...

Mas ainda assim, ele o fez . Lentamente. E, por um momento, Rony desejou não ter nenhum sentido. Pra não ter que ver, ouvir, sentir nada daquilo. Pra não ter que sentir aquele buraco imenso que estava dentro dele agora.

_ Graças à Deus, Rony_ a voz, dona do choro, soou e Rony sentiu as lágrimas escorrerem por seu rosto, rolando de uma maneira torta em sua bochecha e caindo no tapete. Era emoção e raiva ao mesmo tempo. Emoção por estar ouvindo aquela voz querida de novo. E raiva, porque ele já havia se acostumado a viver sem ela, havia aceitado. E ele continuaria aceitando, se pudesse estar na sua outra vida.

_ Meg!_ sussurrou. Sua voz saiu fraca, talvez Meg nem a tivesse ouvido.

Rony continuou imóvel sobre o tapete, mas ergueu os olhos para ela. Meg Parker estava ajoelhada a seu lado, lhe encarando preocupada. Os cabelos castanhos dela, estavam caídos em cascata sobre seu busto. Era ela, sua amiga. A única pessoa que, talvez, pudesse lhe dar um pouco de consolo.

_ Você me deu um susto tão grande. Ficou quase cinco minutos desmaiado_ Meg choramingou. Ela então estendeu os braços e o ajudou a sentar.

_ Cinco minutos_ Rony repetiu. "Foram dois meses, dois meses". Apenas cinco minutos.

_ Sim... Rony, eu sinto muito pelo seu pai_ ela disse, tristemente.

"Eu também. Por tudo. Por Hermione, Rose, Hugo..." Ao pensar nas crianças, Rony sentiu seu coração apertar. Rose e Hugo nem sequer existiam. O buraco dentro dele, pareceu se estender, o rasgando.

_ Eu perdi tudo, Meg_ ele falou e abraçou a amiga. Meg o abraçou de volta.

_ Eu estou aqui com você, Rony. Sempre vou estar.

Rony se sentiu grato por ouvir aquilo. Era importante demais diante de todo seu desespero. Meg voltava a ser naquele momento, a única pessoa que ele tinha. Provavelmente, a única que ele teria. Pois, sim, ele havia perdido tudo, mas ela ainda estava lá, ela era a realidade, na qual ele tinha que se apegar agora. Sentindo o vazio e a dor o dominarem totalmente, ele enterrou a cabeça entre os cabelos de Meg. E, nos braços dela, sua melhor amiga, Rony chorou como nunca havia chorado antes.


N/A: Primeiro, mil desculpas pela demora. Foi difícil escrever esse capítulo. Não sabia como seria a volta do Rony para a realidade, mas fiz o melhor que eu pude. Espero não decepcionar ninguém. Mas, enfim, ele voltou, né? Uma hora aquela felicidade toda ia acabar. Hehe!

Vamos ao que interessa...

N/A 2: Srt. Black, a Grace é uma sem noção mesmo. Adoro escrever esse tipo de personagem (rsrsrs). Obrigada pela review. Lyke, feliz mais uma vez que você esteja adorando. E de novo, obrigada pelo carinho (*-*). MiCullen31, está aí o outro capítulo, pra acabar com sua ansiedade. Obrigada, Mi. Ron and Mione 4ever!, eu quis mais foi dar um suspense com a "história" do Rony com a Grace. Mas o Roniquinho nunca faria uma coisa dessa, não é mesmo? Muito obrigada! Andreia, está aí o que você tanto queria. Rony de volta. Vida real. Sem Mione, sem família, sem amigos (hahaha). Obrigada, Andreia. Lua Tonks, pronto, nem demorei nesse capítulo (*disfarça*). Espero que goste. Obrigada pela review.

N/A 3: Tenho que dizer que fico muito feliz em ver que quase sempre tem reviews de pessoas que nunca comentaram, embora algumas pessoas que comentam, só fazem isso uma vez. Mas quero que saibam que vocês me estimulam. E obrigada a todos que adicionaram a fic e a mim em seus favoritos. Isso é muito importante. Valeu, gente!

Então, até o próximo capítulo.

Bjks!!!

Reviews?