9. "Bem vindo ao lar, Rony"

Deitado de barriga para cima na cama, Rony encarava o teto branco, sem defeitos daquele quarto que ele não via mais como seu. Era esquisito estar ali, depois do que pra ele, foram dois meses longe. Mas agora parando para pensar, ele se sentia estúpido, por ter achado que ficaria naquela vida para sempre. Dumbledore estava certo, ele fora bem claro. Rony ia voltar, quando entendesse. E lá estava ele, desejando mais que nunca não ter entendido nada. Do que adiantava, se agora tudo que ele sentia, era um vazio interminável?

_ Você não dormiu nada, não é?_ Meg perguntou.

Ela estava deitada ao seu lado, o encarando com tristeza e com uma cara de quem também não tinha dormido nada. Rony se sentia grato à ela por ser uma amiga tão incrível. Ele sabia, que se não fosse por ela, ele provavelmente, ainda estaria deitado no tapete chorando feito uma criança. Sem nenhum tipo de incentivo, ele não se imaginava tendo forças pra levantar do chão e ir para a cama. E Meg sempre foi boa em convencê-lo das coisas.

_ Você também não_ assim que ouviu sua voz, Rony fez uma careta. Ela parecia a voz de outra pessoa, porque não tinha vida nenhuma. E era horrível.

_ Não consigo, fico preocupada com você_ ela disse. Rony se virou para ela.

_ Você é minha melhor amiga, Meg. Me desculpe por tudo.

E Rony pensou no que Dumbledore lhe disse. Que se ele não tivesse ido para a Nova Zelândia e monopolizado Meg, ela estaria noiva e feliz. Nesse momento, ele só poderia pedir desculpas. Ele tinha que se desculpar por tantas coisas, com tantas pessoas.

_ Pelo quê?_ ela franziu a testa em confusão.

_ Por atrasar a sua vida.

_ Do que você tá falando, Rony? De onde você tirou isso?

Rony não respondeu. O que ele poderia dizer? Nada, a não ser que quisesse parecer um louco. Meg não entenderia, ninguém entenderia a coisa fantástica que lhe havia acontecido. Então, algo lhe ocorreu, e ele se sentiu estúpido por não ter pensado nisso imediatamente. Se sentou na cama.

_ O que foi?_ Meg perguntou, se sentando também.

_ Eu vou voltar pra Inglaterra agora_ Rony respondeu e tão rápido quanto se sentou na cama, ele levantou.

Ele correu para o seu closet e voltou de lá com uma mochila e colocou sobre a cama.

_ Como assim, agora? Você tá dizendo nesse instante?_ Meg perguntou, parecendo atônita.

_ Sim, nesse instante_ ele respondeu, enquanto enfiava um monte de roupa de qualquer jeito dentro da mochila.

_ Mas, Rony...

_ Eu tenho que fazer isso, Meg_ Rony a interrompeu_ Eu preciso voltar o quanto antes.

Houve um silêncio, no qual Rony sabia que Meg o estava encarando, provavelmente meio atordoada. Mas então, o que ela falou a seguir, surpreendeu Rony.

_ Ok, eu vou com você.

_ O quê? Não, não_ Rony se voltou para ela. Meg estava de pé agora, o encarando.

_ Por que não?

_ Porque você tem suas coisas aqui, tem a loja_ Rony respondeu, se referindo a loja de roupas que Meg havia herdado de seus pais. Ela não passava muito tempo lá, ia poucas vezes por semana, e ia menos ainda depois que começou a bancar a babá dele.

_ Você sabe que eu tenho gente de confiança trabalhando lá. E de qualquer forma, eu posso aparatar pra cá e saber como estão as coisas...

_ Não importa. Você tem sua vida, Meg.

_ Rony, eu quero ir com você_ ela falou com firmeza.

_ Não! Eu não quero que você perca mais tempo da sua vida comigo.

_ Você nunca achou que eu perdia tempo com você antes_ Meg cruzou os braços e o olhava severamente_ Aliás, você sempre me quis por perto até para as coisas mais bobas.

_ É justamente isso, Meg. Você não vê? Eu sou um egoísta que nunca deixou você ter sua própria vida. Eu atrapalho você.

_ Você pode dizer de onde você tirou essa besteira? Você é meu melhor amigo, é a única pessoa que eu tenho. Como pode achar que me atrapalha?

Rony imaginou que Meg não pensaria assim, se soubesse o que ele sabia; que sem ele, ela estaria a caminho de ter uma família.

_ Não é verdade, você tem o David também.

_ E você acha que o David conta? Ele só é meu amigo, por sua causa. Além do mais, você precisa de mim lá. Você não vê sua família há dois anos... Não fala com eles... Você precisa que alguém ao seu lado. E quem melhor que eu?_ ela insistiu. Seus olhos estavam cheios de lágrimas.

_ Você não entende_ Rony suspirou. Ele sentou na cama, colocou os cotovelos sobre as pernas e as mãos na cabeça.

_ Tem razão, não entendo. Como eu poderia entender o fato de meu melhor amigo não me querer perto dele no momento mais importante de sua vida?_ Meg estava magoada, Rony tinha certeza. Ele sabia disso, não só pelo que ela disse, mas também, porque sua expressão era dura e agora ela estava chorando de raiva por ele pensar em excluí-la. Mais uma vez, sua amiga lhe lembrou sua irmã.

_ Não é isso, Meg. É claro que ter você por perto, seria ótimo_ Rony admitiu quando ela sentou ao lado dele e ele ergueu a cabeça para olhá-la.

_ Então é o quê?

_ É complicado de explicar.

_ Eu sou bem esperta. Eu posso entender.

Rony passou as mãos pelos cabelos. Ele não podia explicar. Mas Meg estava certa, ele precisaria dela. Ele sabia que o próximo passo seria difícil, reencontrar todos, encarar aqueles que ele ignorou por tanto tempo. Passar por isso sozinho seria ainda mais difícil. Então, ele deu um pequeno sorriso pra ela.

_ Você está certa. Eu preciso de você_ Meg enxugou as lágrimas e sorriu_ Me desculpe, Meg.

_ Tudo bem_ então ela começou a retirar todas as roupas que ele havia enfiado dentro da mochila.

_ O que você está fazendo?

_ Eu vou arrumar isso decentemente_ ela explicou em tom óbvio_ Agora você vai escrever uma carta para o David explicando a situação. E acho que você tem que avisar ao técnico, ao presidente do seu time, sei lá... Você vai faltar aos treinos, por tempo indeterminado, eles têm que ter alguma justificativa.

Rony sorriu.

_ Você pensa em tudo mesmo.

_ Bom, é pra isso que eu estou aqui, né?

_ O que eu faria sem você, Meg?

_ Provavelmente morreria de intoxicação alimentar, porque você não sabe fritar um ovo.

Dessa vez os dois riram e aquele foi primeiro momento em que Rony se sentiu menos pior desde que tinha voltado. Era estranho, porque ele achou que jamais sorriria o riria de novo, depois de tudo. Mas lá estava ele, poucas horas depois, rindo com sua querida melhor amiga. Mas ainda assim, Rony não ousava se iludir de que teria muitos motivos para rir dali em diante. Ele sabia que estava prestes a passar pelo momento mais difícil de sua vida.


Quando Rony finalmente sentiu a estrada de terra, próxima A Toca, sob os seus pés, ele considerou aparatar de volta para a Nova Zelândia. Ele sabia que era covardia de sua parte, mas era muito difícil sequer imaginar o que ele encontraria pela frente. Mas já estava ali, não estava? Ele só precisava de um pouco de coragem para seguir em frente.

Foi quando Meg, ao seu lado, apertou sua mão, e lhe lançou um sorriso. E, Rony sabia o que aquilo queria dizer. Que ela estava com ele, que estava tudo bem. E foi o suficiente para que ele se sentisse um pouco mais confiante. Mas não muito.

_ Você quer esperar um pouco?_ Meg perguntou, assim estavam de frente para a porta d'A Toca_ Podemos esperar um pouco aqui fora, até você se sentir pronto...

_ Não_ Rony respondeu. Só tinha um jeito de acabar com aquilo. Ele respirou fundo e estendeu a mão para a porta. Bateu.

Alguns longos segundos se passaram, até que ele ouvisse passos dentro da casa. E em poucos instantes, a porta foi aberta e ele se deparou com sua mãe.

Não parecia real, porque ela não parecia em nada com sua mãe da outra realidade, nem mesmo se parecia como da última vez que a havia visto em sua verdadeira vida há dois anos atrás. Ela parecia cansada, seus cabelos ruivos tinham muitos fios brancos, abaixo de seus olhos tinham olheiras que Rony não se lembrava de ter visto ali antes. Mas ainda assim, mesmo com toda aquela tristeza que transbordava em suas expressões, Molly Weasley sorriu. E Rony sabia, que era só porque ele estava ali.

_ Meu filho!_ ela exclamou e se atirou nos braços de Rony. Ele a envolveu num abraço forte e cheio de carinho.

Rony não estava surpreso. Ele sabia que de todas as pessoas, sua mãe seria uma das poucas, talvez a única, que o receberia de braços abertos. Mesmo depois de tudo, ela estava ali, agarrada à ele, chorando baixinho contra a camisa dele e lhe transmitindo todo aquele amor, que sempre fora tão comum à ela.

_ É você mesmo. Eu não acredito que está aqui_ Molly se afastou um pouco, para observá-lo. Ela então passou as mãos no rosto dele, como se quisesse ter certeza de que Rony estava mesmo ali.

_ Sou eu, mãe_ Rony falou. Dizer aquilo, soava bobo, ele sabia. Mas não parecia real para ele também. Precisava se certificar de que estava realmente em casa.

_ Deus ouviu as minhas preces_ ela então o abraçou de novo, chorando mais ainda.

_ Se acalme, mãe. Estou aqui, ok?_ Rony disse, acariciando os cabelos de sua mãe. Ele olhou pra Meg, um pouco sem graça por sua mãe, mas se surpreendeu ao ver lágrimas rolando pelo rosto de sua amiga. Desviando o olhar, Rony sentiu seus próprios olhos arderem. Respirando fundo, ele afastou Molly um pouco_ A senhora lembra da Meg? A senhora a conheceu na minha casa, quando esteve lá com o papai...

_ Ah, é claro que eu lembro_ Molly afirmou, enquanto ia enxugando o rosto com a beirada do avental que usava_ Como vai, querida?

_ Bem, obrigada!_ Meg respondeu, e também começou a enxugar suas lágrimas, só que com as costas das mãos_ Eu espero que a senhora não se incomode, Sra Weasley, mas eu vim acompanhando o Rony...

Molly balançou a cabeça, como se a idéia dela estar incomodada com a presença deles, fosse a mais ridícula do mundo. Então Rony a viu olhar em direção as malas dos dois, que estavam sobre a grama. Seu rosto simplesmente se iluminou.

_ Vocês vão ficar?_ Molly perguntou maravilhada.

_ Sim, por algum tempo, se a senhora não se importar...

_ Ora, Rony, que idéia_ ela resmungou, mas estava sorrindo. Rony sentia que ela estava prestes a chorar novamente. Felizmente, ela pareceu perceber o mesmo_ Mas então, entrem, vamos...

Rony acompanhou sua mãe para dentro da casa, enquanto Meg os seguia de perto. Ele sentiu um frio na barriga, ao constatar que estava lá dentro. Dentro da casa que ele não visitava há dois anos. E era assustador. Porque estar ali, comprovava que não havia mais como fugir de algo que ele evitou por dois anos, que aquela era a sua verdadeira realidade.

_ Bem vindo ao lar, Rony_ sua mãe disse, e ele deu um sorriso nervoso à ela. Tinha sérias dúvidas de que seria bem vindo pelo resto da família.

_ Onde está todo mundo?_ Rony perguntou, ao perceber o quanto a casa estava silenciosa.

_ Gina está treinando...

_ Treinando o quê? Não me diga que ela joga quadribol?_ ele a interrompeu surpreso.

_ Sim, eu disse isso numa das cartas que te mandei durante esse tempo.

_ Ah, sim. É verdade. Esqueci_ Rony disfarçou. Ele lançou um olhar nervoso a Meg, que se aproximou dele. Ele simplesmente não tinha lido muitas das cartas que sua mãe lhe mandou.

_ Bom, Fred e Jorge estão na loja e Percy no Ministério.

_ E o papai?_ ele sentiu um nó na garganta. Parecia fazer tanto tempo que tinha lido a carta em que sua mãe dizia que seu pai estava morrendo. Ele mal podia acreditar que fazia apenas algumas horas.

Rony viu sua mãe empalidecer. Incrivelmente, ela pareceu mais velha, mais cansada do que há segundos atrás.

_ Está no quarto. Ele não está podendo trabalhar_ Molly respondeu triste.

_ Mãe, o que ele tem exatamente?

_ Você não leu a carta que eu te mandei?

_ Li, mas você não tava explicando nada, não disse o que ele tem...

_ É claro que eu disse, Rony. Disse na outra carta, na anterior a essa última.

É claro. O problema é que ele não tinha lido a outra carta, como todas as outras, ele a ignorou. Mas como explicaria isso a sua mãe, sem deixá-la magoada?

_ Nós não recebemos carta nenhuma_ Meg disse à seu lado e ele a olhou surpreso. Ela parecia firme e decidida, como sempre. Simplesmente, não parecia que ela estava mentindo_ Provavelmente, deve ter extraviado, Sra Weasley_ ela continuou, parecendo o mais inocente possível.

_ Será?_ Molly indagou, pensativa_ Bom, Errol é uma coruja muito velha, aposto que acabou deixando a carta em outro lugar.

_ Deve ter sido isso_ Meg concordou e Rony a olhava maravilhado. Ele tinha sorte de ter uma amiga como ela, embora ele achasse que não merecia. Enquanto sua mãe não prestava atenção neles, ele murmurou um "obrigado", ao qual Meg respondeu com um simples sorriso.

_ Mas então, mãe, o que o pai tem?_ ele perguntou de novo, se voltando para sua mãe.

_ Ele... Ele teve um infarto_ Molly respondeu, ela virou de costas para e eles, e Rony pôde ouvir um soluço_ Os médicos disseram que o coração dele está muito fraco. E que a qualquer momento...

Ela não conseguiu continuar. Seu corpo começou a balançar violentamente e os soluços se tornaram mais altos. Rony se aproximou, virou sua mãe de frente para ele e a abraçou. Ele mesmo sentiu que poderia chorar a qualquer momento, mas não o fez. Tinha que ser forte ao menos naquele momento. Não ia desabar agora, não quando sabia que tanta coisa ainda estava por vir.

_ Está tudo bem, mãe_ ele disse baixinho_ Está tudo bem.

_ Eu vou pegar um pouco de água para ela_ Meg disse_ Onde é a cozinha?_ Rony fez um sinal com a cabeça indicando a porta da cozinha e em segundos a garota sumiu por ela. Depois, muito rápido, ela voltou com um copo cheio de água.

Rony afagou as costas de Molly, enquanto ela bebia a água.

_ Desculpem_ ela disse, limpando as lágrimas.

_ Será que eu posso vê-lo, mãe?_ Rony pediu.

_ É claro que sim.

Enquanto ia subindo aquelas escadas, Rony se deu conta de que no fundo achou que nunca mais faria isso de novo. E de como sentiu falta daquelas escadas íngremes com degraus estreitos e barulhentos. Era aquela sensação de novo, de estar no mundo real. Parou então em frente a porta do quarto dos seus pais.

_ Pode entrar, querido_ sua mãe o encorajou_ Eu vou instalar Meg no quarto de Gina e levar suas coisas para o seu quarto.

Rony fez que sim com a cabeça e logo as duas mulheres continuavam a subir as escadas. Meg lhe lançou um sorriso confiante, enquanto acompanhava Molly, mas Rony logo se sentiu desmotivado assim que sua mãe e sua amiga, sumiram de vista. Reunindo toda a sua coragem, ele bateu na porta.

_ Querida, eu já disse que não preciso de nada, pode voltar aos seus afazeres_ a voz de seu pai soou de dentro do quarto e Rony se pegou sorrindo só de ouvir a voz dele outra vez.

Ele respirou fundo e abriu a porta. Seu pai estava sentado numa poltrona, próxima à janela, lendo um jornal. Seus cabelos ruivos estavam ralos e Arthur parecia frágil demais. Ele ergueu a cabeça e olhou na direção de Rony. Sua expressão de tornou assustada por um instante, mas de repente seu rosto ficou duro.

_ Oi, pai.

_ O que você está fazendo aqui?_ Arthur perguntou. Sua voz era baixa, mas rude.

Rony deu alguns passos dentro do quarto. Ele desviava o olhar de seu pai, olhando para várias partes do quarto, mas no fim decidiu que aquela era uma conversa a ser feita olho no olho. Ele então, o encarou.

_ Eu vim por você_ "Não só por você, por outras coisas também, mas você é o mais importante agora". Ele pensou.

_ Sua mãe escreveu à você, não é? Mesmo eu pedindo que não, ela escreveu_ Arthur resmungou, balançando a cabeça em desagrado.

_ Ela só queria que eu estivesse aqui. E eu estou. Fiquei preocupado.

_ Bom, você já viu que eu estou vivo. Agora pode voltar para sua boa vida...

_ Não falei assim, pai. Por favor!_ Rony pediu, triste.

_ Não quero que fique por obrigação.

_ Eu não vim por obrigação. Eu vim, porque percebi muitas coisas...

_ Eu sei o que está fazendo, Rony_ Arthur disse, olhando em direção à janela_ Você está aqui, por culpa.

_ Também. Eu estaria mentindo se dissesse que não_ Rony admitiu_ Mas não é só isso, pai. Eu fiz muitas escolhas erradas, agora eu sei disso.

Arthur não disse nada, ele se voltou para Rony e o encarou. Rony entendeu aquilo, como uma chance para continuar. Seu pai o estava ouvindo.

_ Eu achei que ter dinheiro e fama, me fariam uma pessoa mais feliz. De fato, eu fui feliz sim. Não me falta nada, eu não tenho que usar roupas que meus irmãos já usaram e não preciso ficar contando dinheiro pra nada. Isso, pra mim, era como um sonho...

_ Era? Não é mais?_ seu pai perguntou.

Rony deu mais alguns passos, se aproximando mais da poltrona de Arthur.

_ Não é o suficiente. Eu passei esses dois últimos anos, me iludindo. Acreditando ter tudo, quando na verdade, eu não tenho nada...

Arthur ficou quieto outra vez, só o ouvindo.

_ O que eu quero dizer, pai, é que... Que nada disso significa nada, porque eu não tenho mais vocês. Hoje eu sei disso.

_ E como você percebeu isso? Até semanas atrás, você nem sequer respondia as cartas que sua mãe mandava, Rony_ Arthur falou magoado_ Como que de repente, você se arrependeu?

"Não foi de repente. Foram dois meses numa vida perfeita. Numa vida que poderia ter sido minha."

_ Eu... Apenas aconteceu. Eu abri os olhos, mesmo que tarde. E eu sinto muito por tudo_ Rony caminhou até está na frente de seu pai. Ele se abaixou, sentou no chão na frente da poltrona, encarando Arthur.

Houve uma pausa, na qual eles apenas se encararam. Então Arthur suspirou.

_ Eu senti sua falta_ ele disse, seu rosto doente, parecendo mais doente ainda.

_ Me perdoa, pai. Por favor, me perdoa!_ Rony pediu. Ele deitou a cabeça no colo do pai, como fazia quando era criança. Sempre que via seu pai sentado no sofá, corria até ele, se sentava no chão a sua frente e deitava a cabeça em seu colo. Era quentinho e ele se sentia protegido. Como agora.

Rony tentou se impedir de mais uma de suas demonstrações de fraqueza, que agora eram constantes: as lágrimas. Mas quando sentiu a mão de Arthur sobre sua cabeça e depois deslizando suavemente por seu cabelos, ele não pôde. E, honestamente, naquele momento ele não se importou mais.

_ Como eu poderia não te perdoar? Você é meu filho_ Arthur disse e Rony ouviu sua voz embargada. Naquele instante, ele soube que seu pai esperou por aquilo mais do que ele.

E ficaram assim durante muito tempo: Arthur sentado em sua poltrona e Rony sentado no chão, com a cabeça em seu colo. Sem dizer mais nada. Não era preciso. Aquilo já era o suficiente. Arthur tinha seu filho de volta. Rony tinha o perdão do seu pai.


A mesa do jantar estava silenciosa. Nem mesmo as tentativas de Molly e Arthur para puxar conversa, estavam adiantando. Fred, Jorge, Percy e Gina ainda estavam lhe dando um gelo. Rony se sentia idiota por pensar que se seu pai o havia perdoado, seria igual com seus irmãos. Ele preferia mil vezes, as piadinhas grosseiras que eles lhe lançaram, assim que o viram em casa do que aquela indiferença. Esperava que fosse menos pior, quando Carlinhos e Gui, aparecessem lá no fim de semana.

_ Já está satisfeito, querido, não vai comer mais?_ Molly lhe perguntou.

_ Não, já comi bastante_ ele respondeu, lançando um sorriso forçado a sua mãe.

_ E você, querida, gostou da comida?_ dessa vez a senhora ruiva se dirigiu a Meg.

_ Muito! Estava tudo ótimo, Sra Weasley_ Meg respondeu_ Mais uma vez, obrigada por me deixar ficar aqui com o Rony.

_ Imagina.

_ Você pode ficar o tempo que quiser. Eu não me incomodo em nada_ Fred falou, olhando maliciosamente para Meg, que pareceu surpresa com o comentário.

_ Cuidado, Fred_ Jorge disse_ Ou o super goleiro, grande astro de quadribol pode ficar chateado por você mexer com a namorada dele_ continuou com ironia.

_ Meg não é minha namorada_ Rony cortou_ Somos grandes amigos.

_ Sim, nós somos_ Meg confirmou e então com um sorriso, encarou Jorge_ E sabe, você está certíssimo em dizer que Rony é um grande astro do quadribol, porque ele é.

_ E você é o quê? A assessora de imprensa dele?_ Gina perguntou com antipatia. E pela primeira vez, desde que tinha reencontrado seus irmãos, Rony se sentiu verdadeiramente irritado com eles.

_ Olha, vocês podem me tratar mal, ok? Podem jogar piadinhas e agir com hostilidade, eu sei que eu mereço. Mas Meg não tem nada a ver com a história, ela está aqui com a melhor das intenções. Então não a tratem assim.

A mesa ficou silenciosa novamente e Meg sorriu para Rony em agradecimento. Nesse momento, houve algumas batidas na porta da sala e Molly se levantou rapidamente para ir abrir.

_ Então, como se conheceram?_ Gina perguntou de repente. Ela parecia mais calma, e suas bochechas estavam vermelhas e Rony sabia que ela estava meio envergonhada.

_ No supermercado_ Meg respondeu_ Rony estava tentando comprar coisas para a despensa... Bom, ele não fazia idéia do que comprar, eu o ajudei. Ele é péssimo em coisas de cozinha.

_ É, ele é péssimo em quase tudo_ Fred disse com maldade. Rony o ignorou. Meg também.

_ E desde então, vocês são amigos?_ Gina continuou.

_ Sim, muito amigos.

_ Não só isso_ Rony ia dizendo, enquanto a porta da cozinha foi aberta e ele soube que sua mãe estava de volta, acompanhada de quem quer que fosse que estava batendo na porta_ Meg é minha melhor amiga. Confiaria a minha vida à ela.

Eles sorriram uma para o outro e depois Rony olhou para trás, porque seus irmãos e seu pai estavam olhando para algo atrás dele, parecendo meio constrangidos.

Ele arregalou os olhos e engoliu em seco, quando também viu. Parada na entrada da cozinha, com Molly a envolvendo com um dos braços, estava Hermione, o encarando.

Rony sentiu milhões de sensações tomarem conta de seu corpo. Era tudo misturado, mas ainda assim, ele pôde identificar uma: amor. E logo depois medo. Porque ela não parecia surpresa em vê-lo, nem mesmo chocada ou irritada. Seu rosto simplesmente não transmitia nada, pelo menos nada que pudesse ser dirigido a ele. Rony havia conseguido o perdão de seu pai, mas pela expressão de Hermione, duvidava que fosse conseguir o mesmo dela. E aquilo havia sido o mais assustador até agora.


N/A: Vou começar com o de sempre: mil desculpas pela demora na atualização, galera. Estou fazendo um curso importante e tenho estudado muito. Isso toma muito do meu tempo. Mas, enfim, aí está o novo capítulo. Espero que gostem!

N/A 2: Srta Black, pois é. Pobre Rony. Foi bem dramática a volta dele mesmo. Feliz de você achar que tá cada dia melhor, a fic. Obrigada! Andreia, obrigada pela review, espero que o capítulo sirva para amenizar sua ansiedade. Obrigada, Andreia. Laís, está aí o novo capítulo. Ansiosa ainda? (rsrs). Obrigada! Maiara, bom, isso dos poucos comentários realmente é um dilema. Mas sabe que muito mais gente lê e não comenta? Eu sei disso, porque vejo as pessoas que adicionam a fic aos favoritos. Obrigada pela review. Rebecah (é o nome da minha irmã, hehe!), repito a você a mesma coisa que disse à Maiara. É assim mesmo. Pelo menos uma review por capítulo, eu sei que eu vou ter (^^). Muito abrigada, Rebecah. Ron and Mione 4ever!, o problema do Rony é que ele sempre demora muito pra colocar a cabeça no lugar. Lento, coitado (rsrs). Obrigada! Liih Cullen, eu também amo o Rony. E se ele fica com a Mione? Humm, não sei (*-*). Obrigada, pela review Liih. Lyke, calma, respira fundo (rsrs). Uma hora ele teria que voltar e não tem problema nenhum você ter demorado a comentar, o que importa é que comentou. Obrigada, Lyke.

N/A 3: Meninas, vocês são demais. Eu já disse, mas vou repetir que as reviews de vocês são meu estímulo. Muito obrigada mesmo. Espero não ficar muito repetitiva. Hehehe!!!

Então, até o próximo capítulo!

Bjks!!!

Reviews???