14. "A gente se vê"

Três semanas. Três semanas inteiras desde a morte de Arthur Weasley. Nada mais era como antes, a casa não era a mesma, nem seus moradores. Tudo estava diferente. Para Rony, era impossível que as coisas fossem se ajeitar. É claro que a dor diminuiria e eventualmente, ele e o resto de sua família ficariam bem, mas aquilo nunca passaria por completo.

Ele fechou os olhos, tentando dormir um pouco, mas sua cabeça estava muito cheia e como sempre, ele não pegaria no sono. Talvez o fato de estar de tarde e do sol entrar pela janela, ajudasse nisso.

_ Você quer alguma coisa? Um chá? Café?_ Meg, que estava sentada na cama dele ao seu lado, lendo uma revista, perguntou.

Rony continuou do mesmo jeito, deitado de lado e de costas para ela.

_ Não. Você já me obrigou a beber duas xícaras de chá e um copo de suco. Minha bexiga tá do tamanho de um lago_ Rony respondeu. Meg riu e ele também.

_ Bom, já que você não tem comido bem, achei que deveria beber algum líquido pra compensar...

Ela parou de falar, quando um barulho veio da janela. Rony se sentou para olhar e Meg levantou, indo em direção a janela.

_ É uma coruja_ ela falou. Abriu a janela e a coruja entrou, soltou uma carta em cima dela e pousou em cima do encosto da poltrona no canto_ É pra mim.

Um pouco surpresa, Meg voltou para a cama e se sentou ao lado de Rony.

_ De quem é a carta?_ Rony perguntou.

_ Hum, é da Beth.

_ Que Beth?

_ Beth, gerente da minha loja.

_ Acho que não a conheço.

_ É claro que você conhece, saiu com ela três vezes_ Meg disse, ela parecia dividida entre o riso e a indignação.

Rony vasculhou na mente por essa tal de Beth. Mas... Hum, não, nada. Deu de ombros.

_ Meu Deus, Rony. Você chegou a levar ela pra dormir na sua casa uma vez...

_ Você não quer que eu lembre de toda mulher que eu levei pra dormir na minha casa, não é?

_ Ok, esquece_ Meg disse balançando a cabeça, ela abriu o pergaminho e começou a ler. Depois de um tempo, olhou para Rony_ Ela disse que tá sumindo dinheiro do caixa e que não conseguiu descobrir quem tá roubando.

_ Pensei que todo mundo fosse de confiança lá.

_ Eu também_ Meg olhou para Rony, parecendo um pouco perdida_ Ela me pediu pra voltar, porque sozinha não consegue dar conta da situação.

_ Ah!_ Rony exclamou. Foi só o que saiu de seus lábios.

Ele sabia que Meg tinha as coisas dela e ele realmente queria que ela cuidasse dessas coisas. Mas quando a ouviu dizer a palavra "voltar", alguma coisa dentro dele, desejou não ter que ouvir aquilo. A verdade é que Rony precisava dela. Nessas últimas três semanas, ela foi mais que sua amiga, foi seu porto seguro, a pessoa em quem ele podia se apoiar sem medo, porque ele sabia que ela sempre estaria ali. Ainda mais depois de encontrar Hermione dois dias depois da morte do pai. Ela foi muito educada e solícita, mas deixou claro que o beijo que ele deu nela no casebre de Arthur, não quis dizer nada, que ele estava vulnerável e ela também. E pior, tinha conseguido um estágio de um ano no Ministério da Magia na França e viajaria para lá logo. É claro que depois de ter perdido seu pai, aquilo foi como um balde de água fria para Rony, mas no fundo, ele não ficou surpreso. E de qualquer forma, o Rony egoísta estava no passado agora.

_ Sabe, eu não preciso ir_ Meg disse muito rápido e Rony supôs que era por causa da expressão em seu rosto. Ele sabia que estava com uma cara de quem dizia "não me abandone".

_ Não, você deve ir_ ele falou e aquilo lhe custou muito_ Você tem que cuidar da sua loja, descobrir quem tá te roubando.

Rony levantou, ele caminhou até a poltrona, onde a coruja estava e começou a desdobrar e dobrar de novo umas roupas que Meg tinha arrumado ali há pouco tempo. Ele andava fazendo muito isso ultimamente. Não dobrar suas roupas, mas arrumar bagunças imaginárias toda vez que as coisas ficavam tensas para ele e que ele sentia que iria desmoronar a qualquer momento. Ele estava num desses momentos agora.

_ Mas se eu for, quem vai cuidar de você?_ ela perguntou da cama.

_ Eu não sou mais criança, Meg. Deus, você parece até a minha mãe_ continuou dobrando e desdobrando as roupas e tentando não parecer muito perdido_ E você não tem que se preocupar, tem muita gente aqui que pode me distrair.

_ Mas... Você precisa de mim_ Meg argumentou baixinho.

_ Sim, eu preciso_ Rony se virou para ela_ Mas sua loja também, sua vida precisa de você... Meg, você tem que me deixar andar com as minhas próprias pernas e... E eu tenho que te deixar ter a sua própria vida.

Eles se encararam por alguns instantes. Então Meg levantou, caminhou até ele e o abraçou.

_ Rony, eu amo você_ ela falou com a voz meio trêmula. Rony sorriu.

_ Eu também amo você, sua boba. Você não vai se livrar de mim tão fácil. Você pode ir sem se preocupar, pois nós ainda estaremos grudados como chiclete.

Os dois riram e se afastaram. Rony passou o polegar no rosto dela, limpando quando uma lágrima caiu. Nesse momento, eles ouviram alguém pigarrear na porta e então se viraram para olhar. Gina estava parada, encostada no portal, com os braços cruzados, os encarando.

_ Podemos conversar?_ ela perguntou a Rony, ignorando a presença de Meg.

Houve um silêncio constrangedor entre os três durante um tempo.

_ Eu... Eu vou dizer a sua mãe que vou embora hoje, depois fazer minhas malas_ Meg disse olhando para Rony um pouco sem graça. Ela deu um meio sorriso para Gina e depois saiu.

_ Ela vai embora?_ Gina perguntou, assim que só haviam ela e Rony no quarto.

_ É, ela tem uns problemas pra resolver...

_ Já não era sem tempo_ Gina falou baixo.

_ Qual é o seu problema com a Meg?_ Rony perguntou a irmã.

_ Não tenho nada contra ela.

_ Não?_ Rony a olhou incrédulo_ Desde que nós chegamos aqui, que você a trata com indiferença e eu tenho certeza que ela nunca te fez nada.

Gina suspirou. Ela então caminhou para dentro do quarto e se sentou na beirada da cama do irmão.

_ É que... Eu a vejo como uma ameaça_ ela disse finalmente. Rony piscou algumas vezes, confuso.

_ Ameaça? De que diabos você tá falando, garota?

_ Bom, você disse que ela é sua melhor amiga... Era pra ser Hermione.

_ Gina, Hermione não quer ser minha amiga. Ela não quer ser nada minha.

_ Ela está assustada... Com tudo o que houve, tudo que ela passou.

_ Eu já pedi perdão, eu... Eu fiz tudo que eu podia. Não sei mais o que eu posso fazer.

_ É que ser abandonada por quem você ama, faz isso com as pessoas, Rony. Dar uma segunda chance, é difícil. Eu não seu o que eu faria se Harry me deixasse, ainda mais agora...

_ Harry nunca vai te deixar_ Rony afirmou, ele foi até a cama e se sentou ao lado dela. A olhou bem e notou como sua irmã parecia triste. Claro que pela morte do pai, mas Rony percebeu que não era só isso.

_ Eu tenho uma coisa pra te contar_ Gina falou, sem encará-lo. Ela entrelaçava as mãos uma na outra, nervosa.

_ O quê?

Rony a olhava, curioso. Ela abaixou a cabeça e seus cabelos ruivos cobriram a maior parte do seu rosto. Aquilo, obviamente, era difícil pra ela.

_ Eu estou grávida_ ela falou de uma vez e baixo, só que num volume suficiente para que Rony pudesse ouvir.

_ Grávida?

Gina ergueu a cabeça para ele e seus olhos castanhos estavam cheios de lágrimas. Ela o encarou, parecendo ansiosa e Rony tinha certeza que sua irmã estava esperando por uma bronca... Que com certeza, ele não daria. Ele nem sequer estava surpreso. Na outra vida, Gina também ficou grávida, quando ela e Harry eram apenas namorados.

_ Mamãe já sabe?_ ele perguntou.

_ Não, ninguém sabe... Digo, só Harry e eu, e agora você... Mas, espera, você não vai me dar um sermão sobre responsabilidade? Não vai atrás do Harry pra lançar um crucio nele, por ter engravidado sua irmãzinha? Quer dizer, é o que eu achei que você faria.

_ Em uma outra época talvez_ Rony respondeu e deu um pequeno sorriso_ Na verdade, estou feliz por vocês. Um filho é uma bênção.

_ Desde quando você ficou tão racional?

_ É que muita coisa aconteceu_ ele respondeu infeliz.

Rony sentiu alguma coisa se remexer dentro dele. Era aquela sensação de perda de novo. De vazio. Ele pensou em Rose e Hugo que jamais existiriam. Que só seriam reais na memória dele, em suas alucinações e em seus desejos. Seus filhos, que ele jamais teria.

_ Quanto tempo?_ ele perguntou, tentando se focar em Gina, Harry e no bebê.

_ Quatro meses.

_ Quatro meses? E você e Harry tão escondendo isso esse tempo todo?

_ Eu sei, eu me sinto péssima. Queria tanto que o papai estivesse aqui... Ele nem sequer vai conhecer o neto_ nesse momento, algumas lágrimas caíram dos olhos dela. Rony a puxou para um abraço de um braço só.

_ Não se preocupe, ele sabe... Eu bem que estava estranhando as roupas largas que você tem usado_ ele falou, tentando não tocar no nome de seu pai outra vez. Rony evitava falar dele o máximo que podia.

_ Como você acha que ele reagiria se soubesse? Acha que ele sentiria raiva?

_ Raiva não_ Rony respondeu, depois de um suspiro_ Talvez um pouco de decepção no começo_ então ele sorriu_ Mas tenho certeza que quando ele visse sua barriga crescendo, ele ficaria feliz, e quando visse o bebê, ele se derreteria... Porque é assim que ele era. Ele só te amaria mais, Gina.

Gina sorriu, mas lágrimas caíram ao mesmo tempo de seus olhos. Ela pegou a mão de Rony e levou à sua barriga. Quando pôs a mão lá, Rony pôde sentir o volume e ele imaginou que logo, as roupas largas não disfarçariam mais.

_ E a mamãe, como você acha que ela vai reagir?

_ Ah, ela já é outra história_ Rony respondeu e os dois riram_ Mas você tem que contar logo.

_ Eu vou fazer isso hoje. Harry vai vir pra cá depois do trabalho e vamos fazer isso juntos.

_ Bom.

_ Sabe, Harry e eu conversamos e queremos que você seja o padrinho... E Hermione a madrinha, claro.

_ Eu vou adorar, vai ser uma honra_ ele disse, sorrindo.

Eles sorriram um para o outro e então Gina limpou as lágrimas e levantou.

_ Estou com desejo de bacon com suco de abóbora_ ela falou meio pensativa. Rony riu_ Vou providenciar.

E depois de dizer isso, saiu.

O sorriso de Rony foi se desfazendo aos poucos, quando ele voltou a pensar em Rose e Hugo e em seu pai. Tudo que não era mais e tudo que nunca seria. E em como esse pensamento o entristecia, deprimia. Mas algo o consolava agora. O bebê de Harry e Gina. Pelo menos eles, teriam a vida que deveriam ter.


_ Vai sentir saudades?_ Meg perguntou, enquanto ela e Rony caminhavam pelo jardim d'A Toca. Rony segurando a mala dela.

_ Não, Meg. Depois que você desaparatar, eu provavelmente darei um festa pra comemorar. Aliás, não vejo a hora de você ir_ ele respondeu ironicamente. Meg riu.

_ Tem certeza de que vai ficar bem?

_ Eu vou ficar ótimo, você não tem com o que se preocupar_ Rony fez uma breve pausa e então continuou_ Até porque acho que não vou ficar aqui muito tempo.

_ O que quer dizer?

_ Vou esperar mais um tempo, talvez mais uma ou duas semanas, porque a morte do meu pai ainda tá recente... E aí acho que vou voltar para a Nova Zelândia.

_ Por quê?

_ Porque acho que não tenho mais nada a fazer aqui... Quero dizer, meu pai está morto_ toda vez que Rony dizia aquilo, doía_ Minha mãe tem todos os meus irmãos aqui, acho que ela não vai precisar realmente de mim...

_ E Hermione? Desistiu dela?

_ Ainda não... Na verdade, eu preciso tentar uma última vez...

_ E se ela não quiser?

_ Bom, aí você vai ter que deixar minha casa bem bonita pra quando eu voltar_ ele respondeu, com um sorriso triste.

_ Mesmo que ela não te queira mais... Você não precisa voltar, Rony... Agora que você reconquistou a sua família...

_ Não vai ser como da outra vez, Meg. Não vou ignorá-los. As coisas vão ser diferentes agora... A Nova Zelândia vai ser a minha casa, mas minha família está aqui, o que quer dizer que vou ter que me dividir entre os dois lugares.

_ Pode parecer egoísmo da minha parte, mas eu fico feliz. Você ainda vai estar comigo_ ela sorriu meio tímida.

_ Sempre_ Rony confirmou e a puxou para uma abraço_ Sabe o que eu acho que você deve fazer?

_ O quê?

_ Acho que você deveria procurar o Stevie Slater, quando estiver na Nova Zelândia.

Meg se soltou de Rony rapidamente. Ela franziu a testa para ele.

_ Stevie? O mesmo Stevie que você odeia? O mesmo que você socou uma vez?

_ Esse idiota mesmo... Digo, sim, ele_ Rony se corrigiu rápido. Ele não gostava de Stevie, mas ele sabia que Meg ainda gostava. E bem ou mal, desde que Dumbledore lhe disse na outra vida que ele monopolizava Meg, ele se sentia culpado pelo fim do namoro.

_ Por quê?_ Meg perguntou. Sua expressão estava confusa.

_ Porque você gosta dele e acho que as coisas entre vocês ficaram mal resolvidas.

_ Mal resolvidas? Ele me chamou de burra, Rony. E você deu um soco nele... Não tem nada mal resolvido aí.

_ Bom, ele te chamou de burra, porque não concordava que você fosse tão dedicada a mim, o que parando pra pensar, ele estava certo.

_ O quê?

_ Meg, eu sinto que atrasei tanto a sua vida.

_ Rony...

_ Você é minha amiga, eu quero que seja feliz.

_ Eu sou feliz.

_ De verdade?_ Rony perguntou, com incredulidade_ Vai me dizer que você não sente falta do Stevie?

_ Eu... Eu sinto, mas ele terminou comigo.

_ Por minha culpa. Porque ele tinha ciúmes, porque eu não deixei você viver a sua vida em paz.

_ Rony, eu nunca reclamei... Você é minha família.

_ Eu sei, e é justamente por isso, que eu quero ver você feliz. Com Stevie Slater, ou com quem quer que seja.

Meg ficou em silêncio, como se ponderasse as coisas que Rony disse. Então depois de um tempo, ela deu um pequeno sorriso.

_ Ok, eu não vou morrer se eu procurá-lo_ agora ela sorriu abertamente. Rony sorriu também.

_ Boa sorte.

_ Você também, com Hermione.

_ Valeu!_ ele se abraçaram mais uma vez.

_ Bom, eu tenho que ir.

Rony entregou a mala para ela. Meg lhe sorriu uma última vez, deu alguns passos de distância dele e no instante seguinte sumiu num estalo. Rony suspirou.

Ele olhou na direção d'A Toca, imaginando se seria muito difícil ali sem sua amiga. Mas agora ele tinha sua família de volta e Harry... Mas ele não tinha mais seu pai e o teve por tão pouco tempo, depois de sua volta. E também não tinha Hermione. Ele não podia ter seu pai de volta, mas Hermione estava viva e como ele disse a Meg, ele faria mais uma tentativa. A última.


Embora ela tivesse relutado um pouco em visitá-lo, Rony se sentia extremamente satisfeito em ver Hermione parada, um pouco desconfortável a porta de seu quarto. Ela havia chegado há alguns minutos e ele a convenceu a subir com ele, para que pudessem conversar em particular no quarto dele.

Bom, era verdade que ela estava com uma viagem marcada para a França em breve, mas isso não queria dizer nada, na verdade. Se ele soubesse exatamente o que dizer, talvez, as coisas pudessem ser diferentes. Era agora ou nunca, ele pensou.

_ Obrigado por vir_ ele disse.

_ Não tinha como continuar te ignorando depois das seis cartas que me mandou_ Hermione respondeu meio divertida, mas parecia tensa ao mesmo tempo.

_ Que bom que eu fui persistente então... Er... Como você está?

_ Bem, bem. E você? Digo, depois de tudo?

_ Eu tô levando_ Rony deu um sorriso triste_ Sei que meu pai está bem, mas sinto falta dele.

_ Eu sei.

_ Eu não tive oportunidade de te agradecer pelo apoio no dia... Bem, no dia do enterro...

Hermione se mexeu desconfortavelmente e desviou o olhar. Rony sabia que era porque, assim como ele, ela estava lembrando do beijo que trocaram na escuridão do casebre do seu pai.

_ De nada! Os amigos são pra isso, não é?

_ Somos amigos então?

_ Acho que sim.

_ Isso quer dizer que você me perdoou?

Rony fitou o rosto dela, enquanto ela parecia perdida olhando o guarda-roupa dele. Após alguns longos segundos, Hermione finalmente o olhou de volta.

_ É, é isso que quer dizer. Está tudo bem, Rony_ ela respondeu com calma. Mas alguma coisa ali estava errada, Rony pensou.

_ Então você... Você não vai mais viajar?_ Rony tentou.

_ Por que eu não iria? O que uma coisa tem a ver com a outra?

_ Bom, se você me perdoou... Eu pensei que nós...

_ Nós somos amigos_ Hermione o cortou, ainda com calma_ Só isso!

_ Hermione...

_ Rony, sobre a viagem... Eu...Eu vou hoje a noite. A viagem foi adiantada, o estágio vai começar antes do previsto.

_ Hoje? Não, você não pode.

_ É importante pra mim_ ela falou, ainda muito calma.

_ É o que você quer realmente fazer? Ir embora? Quer fazer o mesmo que eu fiz?

_ Me magoou muito você ter ido embora... Mas de qualquer maneira, no fim, você só perseguiu o seu sonho... Fez isso de um jeito errado, mas ainda assim, era o seu sonho.

_ O que você quer dizer agora? Que agora me entende?_ Rony perguntou levemente irritado.

_ Não. Eu nunca vou entender porque você escolheu um time de Quadribol ao invés da sua família, das pessoas que te amavam. Eu não serei como você, eu não deixarei ninguém pra trás...

_ Então, não faça o mesmo_ Rony se aproximou, ele segurou as mãos dela, entre as dele_ Fique aqui... Fique comigo. Nós podemos construir algo juntos, Hermione.

Hermione o olhou, e Rony teve certeza que viu carinho naquele olhar. Ela soltou uma mão da dele e a levou até seu rosto. Ela o acariciou. Rony fechou os olhos.

_ Eu quis tanto isso durante um tempo. Construir algo com você...

_ Então fique e será isso que vamos fazer_ Rony pediu, ele abriu os olhos. Hermione desceu lentamente a mão do rosto dele.

_ Não... O tempo passou, Rony. As coisas mudaram.

_ Você não me ama mais?

Hermione ficou em silêncio. Rony sabia que aquela era sua oportunidade.

_ Eu quero que você olhe dentro dos meus olhos e diga com toda sinceridade que não me ama mais.

_ Eu não posso fazer isso_ ela continuou com aquela calma assustadora_ Seria mentira.

_ Então por que não pode nos dar uma chance?_ Rony perguntou, desesperado.

_ Por que você não nos deu uma chance quando teve a oportunidade?_ ela devolveu a pergunta. Rony soltou a mão dela.

_ Eu mudei, eu cresci... Não sou mais o mesmo.

_ Eu sei e estou feliz por isso. Mas não muda nada.

Os dois ficaram em silêncio, apenas se encarando. Aquilo não podia ser real, Rony pensou. Pelo menos, ele não queria acreditar. Era assim que tudo acabaria? Ele teria que se contentar com as lembranças da felicidade do seu sonho? Ele não poderia transformá-lo em realidade?

Hermione se afastou.

_ É irônico, não é?_ ela comentou com tristeza.

_ O quê?_ Rony perguntou baixo. Ele estava entorpecido, anestesiado.

_ Isso... Há dois anos atrás, nós estávamos nesse mesmo quarto, só que com os papéis invertidos. Era você quem estava indo embora, era eu quem estava te implorando pra ficar.

_ É, o mundo dá voltas mesmo_ Rony concordou, ainda falando baixo.

Não era real. Não era real. Não podia ser real.

_ Bom, eu tenho que ir. Roger está me esperando...

_ Roger?_ ele perguntou, surpreso e ferido.

_ É... Ele vai comigo. Quer dizer, ele também ganhou o estágio.

_ Ah!_ Rony exclamou, incapaz de esconder sua mágoa.

Hermione respirou fundo e caminhou até a porta.

_ Hermione?_ ele a chamou. Ela se virou para ele_ Eu te amo!

Exatamente igual, Rony pensou. Exatamente igual há dois anos atrás, como Hermione disse. Só que com os papéis invertidos. Agora ele sabia como era estar daquele lado...

_ Você não sabe o quanto eu esperei para ouvir isso_ Hermione disse com um leve sorriso, seus olhos brilhando de lágrimas.

Rony esperou que algo acontecesse, ele rezou pra que ela corresse até ele e pulasse em seu braços. Que dissesse que não iria a lugar nenhum. Mas isso não aconteceu. Ao invés, Hermione disse a pior coisa que ela poderia dizer. Aquela frase que o fez desmoronar, que o tornou miserável.

_ A gente se vê.

E foi aquilo. Ela se foi. E mais uma vez, o sonho de Rony morreu bruscamente. Porque, afinal, nunca foi mais do que isso. Um sonho. E ele daria tudo pra sonhar outra vez.


N/A: Penúltimo capítulo, gente. Um dos que eu mais gostei de escrever até agora. Espero que gostem.

Srt. Black: Espero não ter te feito chorar muito. Obrigada pela review!

JackieMooneyLestrange: Que bom que está achando a fic "maravilhosamente maravilhosa" (*-*). Obrigada pela review!

Mari Granger: Talvez depois de ler esse capítulo 14, você fique um pouco frustrada, mas espero que goste mesmo assim. Obrigada, Mari!

Ma Weasley: Espero não te feito chorar muito² (rsrsrs). Ah, mas você não é sádica não. Tô feliz de ter gostado do capítulo, mesmo com tudo que aconteceu. E pois é, a Hermione é muito humana, eu não podia deixar ela revoltada num momento como aquele. Obrigada, Ma!

Andreia: Eu acho que ninguém esperava a morte do Sr Weasley, né? Você é outra que provavelmente ficará frustrada com o capítulo 14, porque... Bem, mais drama (rsrsrs). Obrigada, Andreia!

Lyke: Bate na madeira, Lyke, seu pai está com você (*-*). Você me acha fofa, que linda! Você também é, já te disse isso uma vez. Obrigada pelo carinho!

Glaucia Potter: Você e suas reviews irreverentes (rsrsrs). Pô, prima, lê mais rápido. A fic tá acabando e você ainda tá no capítulo 7. Ah, priminha, obrigada pela capa da fic, você é demais. Te amo, sua tosca!

Gabi Weasley: Tadinho do Rony mesmo, né? Espero que goste desse novo capítulo, Gabi. Obrigada!

BelinhaZpears: Eu também tenho um fraco por George/Angelina. Qualquer dia, quando tiver criatividade, escrevo uma fic deles. E que bom que fiz você babar com R/Hr, eles combinam tanto (eu babando agora). Obrigada pela review. E sei que já te agradeci na mensagem privada, mas quero agradecer outra vez, por me explicar o lance da capa no profile. Muito, muito obrigada!

Gihgi: Feliz que você leu "De volta ao seu coração" e que gostou. E mais feliz ainda por você está gostando de "Escolhas". E pode ficar tranquila, que já tenho outras fics em mente. Obrigada pela review Gihgi.

N/A 2: Gente, quem quiser ver a capa da fic, é só ir no meu perfil, que tá lá. Quem fez foi a minha prima, Glaucia Potter. Depois me digam o que acharam.

N/A 3: Bom, só tem mais um capítulo depois desse, e tenho a sensação de que será um parto, porque ainda não decidi como vai ser. Estou dividida entre três finais. Enfim, falta pouco.

Então, até o último capítulo, meus amores.

Bjks!

Reviews?