- Oi? – Jonathan chamou, a cabeça enfiada na porta de entrada do apartamento. Já conhecido do porteiro, não foi difícil convencê-lo de que havia esquecido uma jaqueta na casa de Lea a última vez que esteve ali. A porta estava aberta... o que quando pensado que se tratava da casa de Dianna Agron, era um pecado capital. – Lea? – Chamou, entrando dois passos pra dentro da sala... o completo silencio o preocupou e ele adentrou um pouco mais, pelo corredor que levava aos quartos. As portas ficavam exatamente uma de frente para a outra. A do quarto de Dianna estava totalmente aberta, o quarto vazio, a de Lea fechada. E foi na porta fechada que ele bateu, chamando outra vez.

- Un...? – Ela murmurou, dentro do quarto. Jon entrou, abrindo a porta com vagar. Suspirou ao encontra-la de bruços na cama, o travesseiro sobre a cabeça. Levou a mão direita aos seus cabelos castanhos, um pouco mais compridos que o habitual, levando-os para trás.

Aproximou-se e se sentou na beirada da cama, olhando para um canto qualquer do quarto. O silencio permaneceu por alguns minutos... Lea imóvel, esperando que o melhor amigo explodisse a qualquer segundo... o que não aconteceu. Jon esperou, quieto, até que ela tirasse o travesseiro da cabeça. Nem sequer a olhava.

Não demorou cinco minutos.

Lea pulou da cama, por entre os cobertores. Agarrou-se a barra da jaqueta de Jon, a cabeça acomodando-se com a perfeição que ela só encontrava no colo dele e finalmente ela parou de brigar com as lágrimas que ardiam, ardiam, ardiam, mas ela não conseguia por pra fora.


Lea's Pov

...

Era muito fácil falar com Jon. Principalmente quando ele adotava a postura que estava usando agora. Simplesmente me deixava falar. Me contou que Dianna tinha ido gravar e que avisou que eu provavelmente não apareceria pra gravar naquele dia porque não tinha acordado me sentindo bem. Sempre tão discreta a minha lady... Então eu contei... Contei o que tinha acontecido na noite anterior.

Contei o que ela tinha vindo me contar, toda alegre, um pouco antes da gente chegar na Fox, ainda no meu carro...

Contei que Theo tinha vindo me buscar pra gente conversar sobre uma suposta proposta de trabalho que ele tinha pra mim. Não colou muito, porque o Jon é praticamente meu diário de carne e osso e ele sabe muito bem que eu não posso me comprometer com mais nada por enquanto.

Contei para onde ele me levou. Contei que eu não tinha lá mais tanta tolerância pra bebida... Contei que tinha perdido as contas de quantas doses de tequila eu tinha virado daquele jeito que ele fez questão de me ensinar como se fazia. "Você sobe pela barriga lambendo o sal, aí pega o copo que tá preso ali no sutiã com a boca e por fim morte a fatia de limão entre os lábios dela, entendeu?".

Contei que me excedi com uma das stripers...

Contei que não me lembrava exatamente de como tinha ido parar em casa...

Contei por fim o fiasco que tinha sido minha manhã.

Suspiro... só então ergui os olhos pra ele, sentado à minha frente. Minha cabeça voltou a doer... tudo o que contei, foi em pranto de choro... choro que na verdade eu nem entendia porquê. Ressaca moral não era lá um problema que eu citava que a bebida me trazia. Afinal, só se vive uma vez, não é mesmo? Por que se arrepender então? O problema, era que eu não fiquei triste porquê bebi. Eu bebi porque fiquei triste. Fiz o que eu me prometi que não faria mais. Perdi o controle sobre mim. Não era seguro ficar perto dela enquanto quando o álcool turvava a minha visão da realidade. Eu já tinha me decidido há muito tempo que o que quer que fosse que ela tinha de diferente, eu tinha que ignorar se quisesse tê-la por perto. E definitivamente ver Dianna sair da minha vida estava fora de cogitação.

Tinha que pensar no bem dela também. Theodore já tinha dado mais que provar concretas de que não era confiável... Ela tinha me dito alguma coisa sobre Theo e ela pela manhã. Provavelmente o assunto "Agron" tinha vindo a tona entre uma rodada e outra. Extremamente perigoso... se eu a prejudicasse... Oh Deus...

Jon abriu os braços de novo... colo. Eu preciso de colo.

...


Dianna's Pov

...

Brad teve que voltar a cena de novo porque eu errei minha fala. Eu tenho certeza que ele está ficando irritado. Se fosse comigo, eu também ficaria.

Cory se virou pra mim... acho que ele me ouviu suspirando. Acho que é melhor eu voltar pra casa, definitivamente não estou rendendo nada hoje. O problema de voltar pra casa é que...

Suspirei de novo.

- Di, tem alguma coisa errada?

Tudo.

- Não. Nada.

- O que você tem?

Uma amiga imbecil que namora um filho da puta.

- Gripe! – Sorri, o mais cara de pau possível.

- Dianna? – Isso, Brad, me tira daqui... você não sabe o quanto eu te amo agora. – Você tem certeza que está bem? Está meio vermelha.

- Eu estou vermelha?

- Vai pra casa. Gravamos amanhã, pode ser? Pode ser Cory?

Cory sorriu... uma graça esse menino.

- Claro que pode. Precisa de carona, Di?

Preciso.

- Não... tudo bem...

Funguei... meus olhos estão queimando. Acho que é realmente uma boa idéia eu ir pra casa.

Passei no meu camarim para pegar a chave do carro e a minha bolsa. Será que é melhor eu procurar um médico? Maldita resistência essa minha que não resiste a nada também, viu? Se eu levasse uma vida boêmia, com certeza não seria fresca assim.

- Até parece que eu vou te deixar ir sozinha pra casa nessa situação.

Me virei e Naya me olhava da porta do camarim.

- Estou tão mal assim? – Sorri... e eu não tinha percebido, mas realmente estava cansada. Os olhos pareciam pesar uma tonelada. Ela sorriu em resposta. Aquele sorriso de mãe que pega o filho fazendo uma arte qualquer e ainda assim acha uma gracinha.

- Depende do sentido.

Ela enganchou-me pelo braço tão logo passei pela porta. Juntas, andamos até o estacionamento e eu entreguei-lhe a chave do meu carro. Pelo jeito ela e Mark tinham vindo juntos de novo... Me acomodei no banco do passageiro e de imediato fechei os olhos.

- O que houve?

- Tomei sorvete demais.

- Sei. E tomar sorvete no inverno de Los Angeles é uma coisa extremamente normal. Principalmente pra você. E desde quando uma gripe te impede de gravar?

Suspiro... abrindo os olhos sem vontade. É extremamente irritante alguém te conhecer do jeito que essa latina me conhece.

- Tá tão na cara assim?

Ela sorriu. Resposta óbvia.

- Briguei com a Lea.

- Ela deixou os chinelos no meio da sala de novo?

- Idiota. – Ri, dando as costas pra ela, de birra. Outro suspiro... eu preciso falar. Só não sei como.

Como eu disse, Naya me conhece. Não insistiu no assunto. Melhor assim.

...