Dianna's POV
Você tem que sair daqui Dianna.
Da onde saiu esse desejo louco por outra mulher?
Eu não faço a mínima idéia também. Se você não sabe a resposta, eu sei menos ainda. Mas você não pode simplesmente ficar no banheiro pro resto da vida, você tem que sair daqui. E não me adianta olhar desse jeito que você tá olhando, eu também não sei o que fazer. Aliás, eu sei o que vou fazer. Vou fazer exatamente o que você fizer. É pra isso que servem os reflexos, não é?
É... eu estou conversando com a minha imagem no espelho. Agora eu tenho certeza que fiquei louca... (Suspiro... de novo) Ando suspirando demais desde que entrei aqui. Não me pergunte o que aconteceu porque eu também não sei o que aconteceu. Só a vi chorando e... e... (Suspiro comprido). Foi o que me pareceu mais certo pra fazer... nunca gostei de vê-la chorar. Ela tem olhos tão lindos... se soubesse o estrago que aqueles olhos enormes encharcados podem fazer no coração de qualquer ser humano normal, ela não choraria nunca mais.
...
Tá bom, Dianna. Culpe-a por você a ter beijado. Quem manda ser tão beijável, né? A culpa é dela mesmo!
O que é isso agora? Além de me responder enquanto eu não quero respostas, vai me recriminar também? Você é um reflexo, sabia? E reflexos só refletem. Shut up, bitch!
...
Certo... o que é pior? Eu estar me respondendo ou estar mandando o meu reflexo calar a boca enquanto me olha desse jeito que ele tá olhando agora? Ele não... eu... Merda. Acho que eu estou confusa.
Não consigo lidar nem comigo mesma... como eu vou fazer para lidar com Lea?
Merda de novo. Eu não quero ter que lidar com Lea... Não quero mesmo. Não quero conversar. Odeio discutir relação. Re... Relação...? É. Relação. Definitivamente temos uma relação pra discutir aqui.
Só que eu não quero discutir nada! Eu só quero...
...
Eu só quero...
(Mais um suspiro.)
...
Que Deus me ajude, eu só quero beija-la outra vez!
Dianna baixou a cabeça. As mãos em concha trouxeram um pouco da água que caia pela torneira para o rosto dela. Água que foi secada logo em seguida pela toalha de rosto, enquanto ela se encarava uma vez mais no espelho do banheiro.
Abriu a porta para voltar para seu quarto. Todas as outras luzes da casa estavam apagadas, o que indicava que Lea provavelmente ainda estava em seu quarto, exatamente onde a deixara. Beijaram-se e Dianna não soube dizer quanto tempo ficou agarrada ao corpo de Lea antes de arrumar uma desculpa qualquer e fugir para o banheiro, assustada demais para conseguir lidar com os próprios impulsos se continuasse perto dela. Deus, da onde tinha vindo aquilo?
Enfiou a mão nos cabelos loiros, jogando a franja para trás, antes de entrar no quarto. Lea estava parada exatamente no meio do caminho entre o guarda-roupa e a cama. Os olhos enormes muito fixos na camiseta que tinha entre as mãos e no movimento de alisar o tecido com as costas do dedo indicador, cheia de carinho. Foi a vez de Dianna se recostar no batente da porta, observando. Uma espiada para dentro da mala foi o suficiente para perceber o que Lea estivera fazendo enquanto ela se trancava no banheiro. Foram necessários alguns segundos para que Lea percebesse a presença de Dianna. Pigarreou, desconfortável, não conseguindo conter o rubor intenso que lhe tomou conta das maçãs do rosto. Uma criança pega fazendo arte. Dianna não pode deixar de rir da comparação.
- Eu... an... eu estava...
- Desfazendo minha mala.
Foi a vez de Lea sorrir, envergonhada, baixando os olhos.
- Medo de que eu saia correndo apavorada?
- Talvez...
- Eu não sou uma adolescente.
Lea ergueu os olhos para Dianna. Pela primeira vez, ninguém fugiu da cumplicidade do olhar. Encararam-se por alguns segundos... e então Lea baixou os olhos pelo corpo da mulher a apenas alguns passos dela, analisando. Suspirou, se obrigando a desviar o olhar.
- Definitivamente você não é uma adolescente.
A voz saiu baixa, meio rouca, e foi a vez de Dianna sentir as bochechas queimando de vergonha. Talvez ela fosse sim apenas uma menina.
A tensão voltou a ser quase palpável entre as duas. Lea pigarreou, se virando para guardar a peça de roupa que tinha em mãos, mas Dianna foi mais rápida e conseguiu interceptar a camiseta antes que Lea realmente a colocasse sobre a prateleira do armário.
- Se lembra dessa? – Perguntou, colocando a blusa branca na frente do corpo. O logo exageradamente grande em verde e vermelho tomou um destaque ainda maior assim, na frente do corpo dela. "Barnes and Noble". Dianna ergueu as sobrancelhas, e Lea riu.
- É claro que sim...
- Então da onde é?
- Fui eu quem comprei... – Dianna concordou com um gesto de cabeça, acompanhando-a no sorriso. - ... você não pode ir com a gente daí... – Ela baixou os olhos, o sorriso se abrindo ainda mais. – Isso é tão bobinho...
- E aí? – Dianna tombou a cabeça, buscou os olhos de Lea, um pedido mudo para que a olhasse.
- Bom... eu fiquei falando a noite inteira do quanto você iria adorar se estivesse lá, porque você parece devorar qualquer coisa que tenha papel e letras e... – pausa... suspiro... outra risadinha sem graça - ... e eu comprei essa camiseta horrível. Não adianta protestar porque eu sei que é horrível, tentando te falar que eu queria que você estivesse lá...
Foi a vez do sorriso de Dianna se expandir. Quase que sem perceber, ela deu um passo na direção de Lea, que tinha tornado a desviar os olhos.
- E você queria que eu estivesse lá? – Foi também sem perceber que Dianna levou a mão direita até o rosto de Lea... a mania de ajeitar-lhe os cabelos começou logo na primeira semana de maior intimidade entre as duas, assim que Lea se mudara. A primeira vez Lea estranhou, enrijeceu, não acostumada a ter o seu espaço pessoal invadido assim, do nada... Mas Dianna simplesmente não conseguia conter o tique que a acompanhava desde a infância. A sensação de fios de cabelo no rosto a agoniavam. Com o tempo, o gesto cheio de carinho passou a ser corriqueiro, comum... mas Lea nunca tinha reagido daquele jeito como reagia agora... ou tinha... e era Dianna quem não percebia.
Dianna assistiu os olhos se fechando quase de imediato e o sorriso bobo morrer nos lábios cheios tão logo ela tocou a face de Lea, que não conseguiu conter um suspiro de puro deleite, entreabrindo a boca.
- Dianna... – Lea murmurou com os olhos ainda fechados. A nota de advertência na voz de Lea foi mascarada com a ligeira rouquidão. Dianna mordeu o lábio inferior, engolindo em seco. Por Deus... o que estava acontecendo consigo?
O impulso de beijar aquela boca tão perfeita foi infinitas vezes maior que o resquício de bom senso que ainda lhe restava. Ela só se inclinou... a ponta da língua roçando muito de leve o lábio superior de Lea, que suspirou uma vez mais, abrindo um pouco mais a boca. A atenção de Dianna passou então para o outro lábio. Capturou-o entre os dentes, numa mordida muito de leve, só pra provocar. Dessa vez Lea não conseguiu conter a vontade de gemer.
Cansada daquele jogo, enfiou os dedos nos cabelos loiros, puxando-a para si. Queria mais... queria muito mais. Novamente buscou a boca dela com a língua, bebendo Dianna a goles fartos. Os dedos nos cabelos loiros se fecharam com força quando Lea a puxou pra ainda mais perto. Foi a vez de Dianna gemer, levando as duas mãos para a cintura de Lea, enquanto forçava o corpo para frente, obrigando-a a dar um passo para trás... e mais um... e Dianna só se deu por satisfeita ao sentir Lea Caindo de costas na cama, embaixo dela. As bocas se separaram sem outra opção, quando Lea caiu e Dianna riu, ajeitando-se sobre ela, uma perna de cada lado do corpo pequeno. Lea fechou os olhos com força ao sentir Dianna investindo o quadril contra o dela, numa rebolada muito lenta, só pra judiar. Buscou-lhe a cintura... mas Dianna foi mais rápida e com apenas uma das mãos, segurou as duas de Lea acima de sua cabeça, contra o colchão, enquanto se apoiava na outra. Voltou a rebolar, se inclinando uma outra vez e buscando o pescoço de Lea agora... provou-lhe a pele com a ponta da língua, sem pudor nenhum, rindo baixinho ao sentir Lea gemendo uma vez mais... A boca então deslizou até a orelha de Lea... mordeu-lhe o lóbulo, muito devagar, rindo outra vez ao sentir Lea se contorcendo, o corpo se erguendo da cama, pedindo mais... e mais... e mais...
"There's a fire starting in my heart"
Dianna se sentiu enrijecer tão logo a voz poderosa de Adele se fez ouvir...
"Reaching a fever pitch and it's bringing me out the dark"
Respirou muito fundo, a boca ainda colada à orelha de Lea. Engoliu em seco, tentando controlar o ritmo da própria respiração, enquanto soltava Lea e se deixava cair na cama, ao lado dela.
"Finally, I can see you crystal clear. Go he…"
Dianna alcançou o celular no bolso traseiro da calça Jeans antes que o terceiro verso inteiro se fizesse ouvir. Atendeu o telefone, mantendo-o contra os olhos fechados por algumas frações de segundo, em uma outra tentativa de conseguir se acalmar.
- Alô? – A voz pareceu vacilante até mesmo para ela... – Não... não... An... Eu não consigo encontrar minha carteira. – Franziu o cenho, numa careta de reprovação pra própria mentira. – Não, não precisa... a gente se fala amanhã, pode ser? ... Alex, não dá pra falar agora... Se você começar eu vou desligar...
Ela ainda ficou na linha por quase três segundos inteiros e então, ainda de olhos fechados, ela desligou a chamada. Em seguida o celular, jogando-o em um canto qualquer da cama. Engoliu em seco uma vez mais, respirando muito fundo, o desespero de não estar reconhecendo a si mesma ameaçando chegar a qualquer segundo.
Lea não tinha sequer mudado de posição... quieta e meio trêmula, só respirava, tão alterada quanto Dianna.
- Eu acho que nós precisamos conversar... – E acreditem ou não, senhoras e senhores, essa frase veio de Dianna Agron. De uma Dianna Agron ofegando e quase tão trêmula quanto Lea... ainda assim, de Dianna Agron.
