Dianna ergueu o copo de vidro, o líquido vermelho em seu interior já pela metade, o corpo por instinto se balançando ao ritmo da música eletrônica no último volume. Trazia Harry pela mão e estavam saindo do meio da pista de dança, voltando para o bar. Andava com dificuldade entre as outras pessoas que faziam o caminho inverso ao que ela estava fazendo. Sentiu uma mão masculina em seu abdômen e logo em seguida a barba do homem roçando-lhe a bochecha, a boca muito próxima à sua orelha. Ele cochichou alguma coisa que ela não conseguiu entender, mas riu mesmo assim, sentindo a cabeça extremamente leve. Não parou de andar, se livrando assim do semi-abraço do estranho. Levou o copo aos lábios, o líquido gelado desceu com suavidade... o gole foi maior do que o esperado. Continuavam andando, com menos dificuldade agora, já bem mais próximos ao bar. Passava um pouco das duas da manhã agora e embora não fosse sábado, a casa estava cheia.
Dianna se debruçou sobre o balcão do bar, o copo ainda em mãos.
- Eu quero outro American Beauty – Gritou, se projetando sobre o balcão, a tentação de flertar com o cara que preparava os drinks imperava no lugar do bom senso que renunciara já na segunda dose da bebida... o que indicava que o mau comportamento reinava há um bom tempo já.
- Você nem acabou o que eu acabei de fazer pra você ainda... – O rapaz riu, se divertindo com o fato de estar sendo cortejado. Dianna ergueu a sobrancelha direita e o copo tocou novamente os lábios bem feitos. Num gole só a bebida ainda foi consumida e o copo colocado do lado de frente do balcão, na frente do barman.
Ele riu novamente e Dianna se virou para a multidão, os quadris acompanhando quase por vontade própria a voz de Inna enquanto os versos de H O T tomavam conta do ambiente. Harry tinha se perdido no meio do caminho entre a pista de dança e o bar e ela só notara agora... ele tinha sido o único que ela tinha conseguido encontrar no meio da multidão e nem dez minutos depois já o tinha perdido novamente. "E quem se importa?". Levou as duas mãos aos cabelos, erguendo-os numa tentativa de aplacar um pouco o calor, enquanto ainda dançava sozinha. Espiou sobre o ombro esquerdo a ponto de ver o copo com seu drink sendo colocado sobre o balcão. Experimentou a bebida, antes de piscar e soprar um beijo para o barman que chegou a gargalhar dessa vez.
Dianna tornou a se virar para a pista de dança, mas no primeiro passo em direção à pista de dança, se sentiu empurrar e todo o líquido do copo recém abastecido, veio para suas roupas. Por instinto, olhou para o próprio corpo. O tecido leve do tecido preto irritantemente se colava à pele. Ouviu um milhão de desculpas por parte da moça que também tinha sido empurrada e só então olhou para ela. O vermelho de seu drink estava todo agora na blusa de botões da moça latina... Impossível ficar brava naquelas situações. Ela riu e ainda envergonhada, a moça a acompanhou. Dispensou mais desculpas com um gesto de mão e se virou, na intenção de ir para o banheiro.
Foi então que os olhos dourados encontraram uma silhueta muito conhecida a poucos metros dali... e a silhueta conhecida tinha uma outra silhueta em sua companhia... e as duas silhuetas estavam muito próximas... e parecia que a cada passo que a moça dava para trás, tentando se afastar do cara com quem conversava, ele dava dois em sua direção... e eles estavam muito próximos à parede... Não, Dianna, isso não é bom.
Os pés pareceram agir por conta própria e quando voltou a se dar conta, estava ao lado de Lea, sorrindo com o maior cinismo possível para o rapaz que agora a encarava com olhos ligeiramente arregalados. Lea levou a mão até os cabelos, prendendo uma mecha de cabelo castanho atrás da orelha, enquanto Dianna estendia a mão direita para... como ele lhe disse que se chamava mesmo? Ah é... Andrew.
- Dianna, prazer.
Lea observou um sorriso de puro fascínio se estampar no rosto do rapaz. Não pode culpa-lo. Tinha a ligeira impressão que tinha ficado mais ou menos do mesmo jeito quando a conheceu pessoalmente na primeira reunião do elenco com Ryan Murphy.
Andrew apertou a mão delicada com ambas as suas, a atenção momentaneamente desviada de Lea. Foi Dianna quem cortou o contato primeiro, e com a mesma mão que tinha estendido, enlaçou Lea pela cintura, trazendo-a para mais perto do próprio corpo.
- Amor, sabe aquele drink que você me pediu pra ir buscar? Então... achei melhor tomar banho com ele. – Dianna riu da própria piada, ignorando os olhos arregalados de Lea – Vem comigo até o banheiro pra gente resolver isso? – Então ela se inclinou e os lábios encontraram a ponta do nariz de uma Lea que a essa altura já se encontrava em semi-choque. A mão deslizou da cintura para a mão esquerda de Lea. – Vou ter que pegar minha garota de volta, And. Tchauzinho, viu? – O copo vazio foi colocado à mão de um Andrew meio perplexo e outro beijo de Dianna foi soprado ao vento, enquanto Dianna levava Lea consigo para o meio da multidão.
- O que você...
Dianna novamente ergueu a mão livre, se deixando levar pela voz de Enrique Iglesias que gritava aos quatro cantos do salão "Eu sei que você me quer... É óbvio que eu te quero também" e encobria os protestos de Lea.
Não demoraram a cruzar o salão... e antes que Lea percebesse, já estava em um outro corredor do outro lado da boate. Um pouco mais escuro que o do outro banheiro, e com certeza menos movimentado, pode notar... e com um único movimento de Dianna, se viu contra a parede fria. Então Dianna espalmou a mão direita ao lado da cabeça de Lea, a esquerda ganhou a cintura delicada... E Dianna sorriu ao sentir Lea se encolher entre os seus braços.
- O que aconteceu agora há pouco? E... você está bêbada? – Lea perguntou franzindo o cenho, se obrigando a concentrar em qualquer outra coisa que não fosse a proximidade perigosa que Dianna a estava sujeitando agora. A frase não precisou ser gritada, onde estavam agora, conseguiam conversar num tom até confortável.
- Derrubaram o meu drink todo em mim... e eu acho que talvez eu possa estar meio alta sim. – Dianna respondeu com simplicidade, ainda sorrindo. A perna direita se encaixou entre as pernas de Lea, o espaço entre as duas ainda menor do que já era.
Lea prendeu a respiração, a vontade de fechar os olhos mais forte que ela.
- Eu estou falando do que você falou pro cara lá...
- Ele parecia estar te aborrecendo... – Dianna falou num tom um pouco mais baixo, se inclinando. O nariz tocou a pele suave do pescoço de Lea e ela inspirou fundo, se permitindo sentir o cheiro do perfume feminino. – E você tem namorado... – A última frase foi sussurrada, seguida de um sorriso e um beijo delicado logo abaixo da orelha. Obviamente uma provocação
Lea riu, nervosa, se encolhendo novamente por culpa do arrepio violento que o toque provocou.
- Você tem também... – Mordeu com força o lábio inferior, sentindo Dianna se pressionar com um pouco mais de força contra seu corpo.
Os lábios de Dianna subiram, sem pressa...
- But tonight i'm loving you... – Acompanhou a letra da música, muito baixo, os lábios colados à orelha de Lea, que levou as mãos até então abandonadas ao lado do corpo até os quadris de Dianna, segurando-os com força na tentativa de tentar conter um gemido – Você não vai fugir de mim de novo... – finalizou com uma mordidinha no lóbulo da orelha... a boca então procurou a de Lea.
O beijo já começou desesperado... Dianna não parecia se importar com o fato de estarem em local público e Lea... bem... Era simplesmente impossível beijar Dianna e conseguir pensar com coerência ao mesmo tempo.
O folego não demorou a faltar. Lea abandonou a boca de Dianna, deixando os lábios deslizarem para o queixo delicado. Mordeu-o, sem força, só pra provocar... e continuou descendo. A boca entreaberta desceu pelo pescoço sem pressa... o cheiro doce da bebida recém derramada na pele branca a fez tocar o lugar onde os lábios tocavam com a língua. Dianna com brandy com certeza era uma delícia. Foi a vez de Dianna se arrepiar com violência. A mão que antes estava na parede buscou os cabelos de Lea. Puxou-os com força, a obrigando a erguer o rosto com um gemido baixo de puro deleite, os olhos semiabertos. Dianna movimentou os quadris contra os de Lea, uma única vez, um movimento firme e preciso... Lea não conseguiu conter outro gemido, fechando os olhos e novamente entreabrindo a boca, em sinal de rendição. Dianna capturou-lhe o lábio inferior entre os dentes, com força moderada...
- Nós precisamos sair daqui... – Lea sussurrou, débil, sem força alguma, contra a boca de Dianna.
A porta do apartamento foi fechada com um empurrão e logo em seguida Dianna se viu contra a parede da sala, a perna direita erguida, em torno da cintura de Lea.
Com um certo custo, conseguiram se separar, pagar a conta e sair da boate... com mais custo ainda, Lea conseguiu não bater o carro de Dianna no caminho de volta para casa, enquanto uma Dianna absolutamente impossível tinha descoberto o quão divertido era tentar tirar as roupas de Lea enquanto ela dirigia... entraram pela garagem dos fundos... usaram o elevador dos fundos também... a câmera de segurança não pareceu nenhum empecilho Dianna também... mas até então, só Dianna tinha brincado. Situação que mudou tão logo ganharam a privacidade do apartamento e o bom senso de Lea que não estava tão deturpado quanto o de Dianna permitiu que ela se soltasse um pouco mais.
Enfiou a mão direita por dentro do vestido negro. Lea descobriu que Dianna era incrivelmente quente enquanto deslizava a mão pela coxa revelada quando o vestido cedeu. Dianna tinha as duas mãos enfiadas nos cabelos de Lea, enquanto a língua buscava a de Lea num beijo sedento, que só cessou porque Dianna se viu obrigada a separar os lábios para gemer quando Lea cravou-lhe as unhas nas carnes fartas das nádegas. As mãos delicadas soltaram os cabelos castanhos e se agarraram ao tecido da blusa de Lea, puxando-a para cima. Lea se afastou, erguendo os braços... e Dianna a empurrou na direção de seu quarto, enquanto arrancava-lhe a blusa pela cabeça.
Lea foi a primeira a entrar no quarto... mas foi Dianna quem caiu na cama primeiro. Caiu de bruços no colchão... e Lea subiu de joelhos, com uma perna de cada lado de seu corpo, logo em seguida. Abriu o zíper do vestido sem pressa, aproveitando para desce-lo pelos braços de Dianna enquanto colava a boca no ombro direito num beijo delicado. Então deixou-a se virar... E Dianna inverteu as posições, rolando na cama e deixando que o vestido terminasse de deslizar pelo tronco quando se sentou sobre as pernas de Lea, nua da cintura para cima...
Buscou-lhe os lábios para outro beijo sedento... e quando por fim Lea baixou os olhos por seu corpo, Dianna sentiu-se queimar. O primeiro instinto foi o de se cobrir, mas Lea foi mais rápida, girando na cama outra vez. Dessa vez não se sentou... permaneceram deitadas, as duas, Lea segurando as duas mãos de Dianna sobre sua cabeça. Riu, baixinho, roubando-lhe um beijo demorado dos lábios já inchados.
- Essa é a mesma Dianna que quase me fez ser presa por atentado violento ao pudor não tem nem meia hora?
Dianna acompanhou o sorriso, se deixando fechar os olhos.
- É o jeito que você me olha...
- Eu não posso te olhar? – Lea beijou-lhe a boca outra vez, antes de deixar que respondesse.
- Ninguém nunca me olhou desse jeito...
O sorriso de Lea aumentou... o beijo se transformou numa mordidinha.
- Não tem noção do quanto eu fico feliz de ouvir isso...
Dianna suspirou, se sentindo enrubescer outra vez... o corpo todo muito ciente do peso de Lea sobre o seu... da perna de Lea entre as suas... por instinto, ergueu os quadris. Sentiu o jeans do short de Lea roçando-lhe a parte interna das coxas e o suspiro se transformou num gemido. Lea se ergueu em um dos braços para olhar Dianna... a mão livre desceu sem pressa, começando pelo pescoço, descendo pelo colo e por entre o vale dos seios com as costas do dedo indicador... então virou a mão e as pontas dos dedos roçaram pelo abdômen delicado e definido, contornando o umbigo de Dianna e então tocando o tecido delicado da calcinha branca. Dianna ergueu os quadris outra vez, fechando os olhos com força. Lea desceu ainda mais devagar... e a própria Lea se ouviu gemer no primeiro contato da ponta dos dedos com toda a umidade de Dianna. Mordeu o lábio inferior com força, assistindo-a entreabrir os lábios para tentar respirar melhor e novamente erguer os quadris, num pedido mudo.
- Delícia... – Sussurrou, enquanto o dedo médio afastava a calcinha delicada e o dedo indicador tocou com toda a cautela do mundo o clitóris de Dianna.
Dianna tremeu. Uma verdadeira corrente elétrica a obrigou a espalmar a cama de Lea com as duas mãos, os dedos se agarrando ao lençol com muita força. Afastou as pernas, erguendo os quadris outra vez. Lea repetiu o movimento... dessa vez com um pouquinho mais de força... e outra vez, e outra vez... e então, sem conseguir se controlar mais, deslizou o dedo médio para dentro de Dianna, com cuidado, sem pressa. Dianna voltou a erguer os quadris, por instinto forçando o corpo contra o de Lea, numa imitação dos movimentos de penetração, pedindo ritmo... pedido que Lea atendeu de pronto... o dedo indicador se juntou ao dedo médio e Dianna gritou, ofegante... as mãos largando o lençol e se agarrando às nádegas de Lea, parcialmente sobre deitada sobre ela. O ritmo dos dedos de Lea aumentou aos poucos, em resposta aos gemidos desesperados de Dianna, que se agarrava a ela com ainda mais força a cada investida dos dedos.
Buscou a boca da mulher que se contorcia em baixo dela, tirando os dois dedos de dentro de Dianna e voltando a atenção para o clitóris novamente... Dianna voltou a investir com os quadris contra a mão de Lea e gritou outra vez, enlaçando-lhe o pescoço em um abraço de puro abandono, o corpo todo tremendo por conta do orgasmo violento.
Lea se deixou abraçar... o corpo em chamas... se sentia latejar de vontade de Dianna, a umidade entre as pernas já chegando a incomodar. Fechou os olhos com força, com muita força, enfiando o rosto em meio aos fios loiros.
Dianna ainda se agarrava a ela, completamente abandonada, desnorteada de prazer... gemeu, muito baixo, abraçando-a com mais força e Lea se deixou deitar meio ao lado, meio sobre Dianna. Fechou os olhos, com muita força, engolindo em seco. A mão que ainda estava dentro da calcinha de Dianna buscou-lhe os quadris, trazendo-a para ainda mais perto. Respirou fundo... o cheiro de Dianna impregnava o quarto. O seu quarto... O cheiro de Dianna impregnava o seu quarto... Lea apertou os olhos ainda mais. Os lábios pressionados contra os cabelos de Dianna.
"Deus, como eu amo você!" pensou com tanta força que não se assustaria se Dianna conseguisse ouvir.
Respirou muito fundo, outra vez, o coração apertado... Sentiu Dianna se acomodar em seus braços, afrouxar o abraço e buscar lugar na curva entre o pescoço e o ombro... no segundo seguinte, ela estava dormindo. E a única coisa que Lea conseguia pensar naquele instante era que nada no mundo era tão bom quanto tê-la daquele jeito, só para si.
