Quando Dianna chegou no apartamento que dividia com Lea, a casa já estava vazia. O cheiro do perfume de Lea por toda a parte e a ligeira umidade que ela conseguia detectar no ar, indicavam que ela tinha se banhado antes de sair... É claro que ela fugiria. Fugiu antes, não fugiu? Ficou quase um dia inteiro sem falar com Dianna. Porque agora seria diferente? Simplesmente porque era diferente.
Bom... pelo menos era nisso que Dianna acreditava.
Não tinham apenas se beijado. Devia ser diferente, não?
É claro que tinha!
Dianna se deixou sentar no sofá da sala. As mãos finas cobriram o rosto, ela esfregou os olhos cansados. Agora sim a cabeça começava a doer, mas ela duvidava um pouco que fosse reflexo da noite anterior. A noite anterior... Suspirou, afundando o rosto ainda mais nas mãos, a ressaca moral a atingindo em um único e fatal golpe. A idéia de que precisara se esconder no álcool lhe desagradando ao ponto dela chegar a pensar que sentia algum tipo de dor física. Uma dor que se instala em algum lugar atrás das suas orelhas e desce, acompanhando o crânio. Mas nada dói de verdade... ou melhor, dói. O que dói é a sua consciência. Suspirou outra vez, sem conseguir se conter, engolindo em seco e erguendo os olhos para a janela. O clima quase insuportavelmente frio do meio de fevereiro, mas também extremamente seco, costumava pintar o céu em um tom de azul muito intenso. Mas naquele dia, a única cor que se fazia ver era um cinza pálido. Quase tão pálido quanto seu humor, ela pensou enquanto se levantava. Bom dia, Dianna Agron. A vida te chama.
Lea se recostou a parede do camarim, ambas as mãos nos bolsos do casaco grosso. O cachecol jazia em volta do pescoço, sem se cruzar entretanto. Ela olhava o chão... O camarim estava totalmente vazio... assim como ela tentava manter a cabeça, todo e qualquer tipo de pensamento negativo ou positivo que fosse, muito longe. Tentara fugir de Dianna durante o dia todo, com muito sucesso, diga-se de passagem. Mas o destino é caprichoso e ela se esquecera desse pequeno detalhe quando formulou o seu plano de fuga perfeito. Recostou a cabeça na parede em que estava encostada, fechando os olhos. "Pois bem, senhor destino. Eu me rendo. Pode me ferrar a vontade agora que eu não vou nem ligar mais."
O dia tinha se baseado em ensaios com a equipe de coreografia. Em grupo, ela podia fingir que era fácil fugir dos olhos cor de âmbar. Ela podia fingir que era fácil, que estava tudo bem, que era mais uma dessas moças modernas que trata o assunto "sexo" com toda a naturalidade do mundo. Na frente das outras pessoas, ela podia fingir que ela não era Lea Michele. A doce e romântica Lea Michele.
Sentiu um nó na boca do estomago, um presentinho da angústia. Um nó quase tão parecido quanto o que sentiu quando Dianna voltou para o quarto naquela manhã, apressada. Vestiu-se da melhor maneira que era humanamente possível de se fazer em menos de três minutos e saiu. Simplesmente saiu. A realidade veio tão gelada quanto o vento que ela sentiu entrar porta adentro quando Dianna saiu. Era muito óbvio que o frio que sentira era apenas psicológico... ainda assim, ela sentiu. Puxou os cobertores para mais perto do corpo nu. Os olhos castanhos muito abertos, encarando o nada... a cabeça trabalhando numa velocidade enlouquecedora. Pensamentos dos quais ela só conseguia captar ideias soltas... "ela estava bêbada e você se aproveitou da situação", "ela transou, você fez amor", "Alex Pettyfer". Lea afundou na cama, engolindo com dificuldade. E aquela tortura só parou quando ela achou a única solução que lhe parecia possível àquela altura do campeonato.
Nada tinha acontecido. Ou tinha? Tinha? Não!
Se tinha, Lea definitivamente não se lembrava. Não é, Lea? É!
E tudo tinha saído relativamente bem... Como já foi dito, em grupo é fácil fingir. Mas aí vem o destino e fode com tudo. Vem o destino e coloca todos os seus planos por água abaixo simplesmente porque é divertido. Se bem que se for mesmo pra avaliar, realmente deveria ter sido muito divertido observar a cara de desalento que ela devia ter ficado quando abriu a porta do carro e o aparelho de som ainda estava ligado. Como, por Deus, ela tinha deixado o som ligado? Onde, por Deus, estava com a cabeça?
A última pergunta era muito fácil de ser respondida... e sua mente lhe traiu mais uma vez naquele dia lhe mostrando em cores, sons e cheiros onde ela estava com a cabeça desde que acordara de uma noite muito mal dormida mas muito bem aproveitada.
Lea fechou os olhos. A intensidade do gemido de Dianna que ela conseguiu ouvir a fez abrir os olhos e olhar para os lados com a certeza de que mais alguém tinha ouvido aquilo e que não era só um produto de sua imaginação, uma memória. Suspirou, fechando os olhos de novo. Então ela a ouviu rir, ao fim do corredor... provavelmente tinha encontrado a roupa perfeita para Quinn usar amanhã. Provavelmente ela estaria rindo sobre a gracinha de algum dos meninos do som, pra variar... Ouviu os passos delicados... não abriu os olhos... só o fez quando a sentiu entrar no cômodo. A presença de Dianna sempre fora muito fácil de se sentir... Podia enumerar o aroma de flores com feminilidade que exalava dela como um dos motivos... mas ela sabia que não era o único. O quarto todo parecia ter sido tomado por correntes elétricas... e foram essas correntes elétricas que fizeram Lea se arrepiar ao ouvir a porta do camarim fechando. Abriu os olhos a ponto de ver Dianna levando as mãos até a barra da camiseta larga e puxa-la cabeça acima, de costas para ela e de frente para o grande espelho que cobria grande parte da parede em que estava acoplado.
Então, e só então, Dianna ergueu os olhos. Os olhos dela foram a única coisa que ela conseguiu enxergar. Olhos enormes e muito escuros... fixados nos dela, através do reflexo do espelho. E então os olhos baixaram... a palidez dos seios perfeitos contrastando em perfeita harmonia com o tom pouco mais rosado dos mamilos... Dianna se sentiu corar com violência. Por instinto, trazendo a camiseta para perto do corpo novamente, tentando se cobrir.
Lea pigarreou desviando o olhar de imediato, desconfortável, só então se dando conta do quanto sua idéia original era tola. Era meio que óbvio que as coisas não poderiam voltar a ser o que eram antes.
- Você me assustou... – Dianna por fim falou. A voz baixa, doce... alcançou a blusa que estava pendurada em uma das araras do camarim. Vestiu-se com naturalidade... e mesmo assim Lea insistia em não erguer os olhos do nada que ela fingia observar com uma atenção sem tamanho.
- Eu... na... meu carro, ele...
Dianna se virou, alcançando o casaco pesado no mesmo cabide onde estava sua blusa. Vestiu-o olhando Lea, sem pressa nenhuma.
- Eu preciso de uma carona.
Lea não teve outro modo de falar, a não ser de um folego só... e até para si, a frase lhe pareceu dita rápido demais. Suspirou, baixando a cabeça, resignada. Droga de adolescência retardada aquela em que ela se encontrava.
- O que houve com o seu carro?
Dianna, ao contrário dela, não aparentava nem um único pingo de nervosismo.
- Eu... A bateria... – Suspirou, levando a mão ao rosto num gesto cansado. Chega. Quando falou de novo, olhava Dianna. – Eu preciso de uma carona.
A loira sorriu, dando um passo na direção de Lea, que se retesou, engolindo em seco.
- Eu não vou te morder, Lea. Não precisa agir assim. – Ela continuava a se aproximar, com vagar, calculando os movimentos. Lea encolheu o pescoço, se recusando a ceder às células que pareciam gritar implorando por um toque... um único toque. Dianna foi mais ainda mais cruel. Terminou de fechar o último botão do casaco, exatamente de frente para Lea. – Não entendo você.
Lea fechou os olhos, não respondeu.
- Porque você sempre foge de mim?
- Dianna...
Mais um passo na direção de Lea. Dianna olhava-a de perto agora, muito de perto... respirou fundo, muito fundo, engolindo em seco.
- Eu adoro esse seu perfume... – Murmurou baixo, muito baixo e Lea se sentiu arrepiar outra vez. – Porque você foge de mim, Lea? Eu machuco você?
Um pequeno passo a mais. Dianna roçou o nariz na testa delicada... beijou-a ali. Lea suspirou, não conseguiu se conter.
Dianna ergueu a mão direita, deslizou a ponta dos dedos da bochecha direita na direção dos cabelos... deliciada com a maneira com que os sedosos fios castanhos acariciavam-lhe a pele, ela se deixou levar, acariciando o couro cabeludo cheia de carinho. Lea suspirou outra vez, se sentindo arrepiar com violência uma vez mais.
- Eu não vou te machucar...
Por instinto Lea entreabriu os lábios... não, ela não tinha como lutar contra aquilo. Resignada, viu-se tombando a cabeça enquanto Dianna se aproximava. O toque foi suave, delicado... e extremamente rápido.
Tudo aconteceu muito rápido... o cérebro não conseguiu registrar o que aconteceu na verdade. A única coisa de que teve consciência foi de um barulho que lhe parecera muito distante de uma porta se abrindo e então Dianna se afastou.
Ainda se permitiu fechar os olhos por algumas frações de segundo, mas os abriu a ponto de ver uma Amber que parecia meio estática na porta do camarim voltando para o corredor depois de um pequeno momento de confusão.
Dianna tinha se afastado mais do que ela tinha notado... e agora estava de costas para ela, uma das mãos na cintura... a outra ela usava para apertar a ponte entre os olhos.
A morena respirou fundo, engolindo em seco. Passou por Dianna indo na direção do aparador em que ela havia deixado a bolsa ao entrar no camarim. Dianna simplesmente não se moveu... a sensação de ter sido pega fazendo algo extremamente errado corroendo-lhe o fígado com uma lentidão extremamente dolorosa.
- Você já me machucou... – Lea falou sem olha-la, já se encaminhando para a porta do camarim. – Eu te espero no carro.
A viagem até o apartamento foi feita em silencio. Amber tinha sumido tão magicamente quanto tinha aparecido naquele camarim. Dianna suspirou uma última vez, apertando o volante entre os dedos magros. Lea fingia prestar extrema atenção nos desenhos do cachecol de lã que usava enquanto o carro entrava para a garagem do edifício. Entraram no apartamento ainda em silencio. Lea seguiu direto para o quarto Dianna fechou a porta que tinha recém aberto, suspirou, a mão direita ajeitando-lhe a franja enquanto ela seguia também pelo corredor, no encalço de Michele.
Recostou-se à porta do quarto dela, enquanto Lea tirava o casaco pesado. Dianna suspirou, olhando o chão. Lea ignorou a vontade de erguer os olhos para Dianna. Simplesmente ignorava a presença da outra no quarto.
- Nós precisamos conversar.
Foi a vez de Lea suspirar. Parou, no meio do quarto, de costas para Dianna. Não soube dizer exatamente quanto tempo ficaram naquela posição, mas foi Lea quem se moveu primeiro. Mais dois passos e ela se sentava na cama de casal do quarto decorado em tons delicados de um roxo muito clarinho.
- Eu estou te ouvindo.
Dianna acompanhou os movimentos dela com os olhos... a ouviu... falar o que exatamente? Suspirou uma vez mais e então a seguiu. Sentou-se no colchão. Lea não a olhou...e Dianna também focou um canto qualquer do quarto.
- Eu... eu te machuquei?
Lea meneou a cabeça, no sorriso um sorriso sem humor nenhum. Um sorriso produto do nervosismo.
- Eu acho que essa é uma das conversas mais estranhas que eu já tive na minha vida.
- Não quero te machucar...
- Então porque me levou pra cama?
A pergunta veio à queima-roupa. Lea olhou para Dianna magoada... e Dianna se viu obrigada a se virar também, a sustentar os olhos acusadores.
- Eu...
- Você sabe como me sinto. Arrancou de mim. Eu não deveria ter te contado. Mas contei. Você sabia e... – Uma última vez, Lea suspirou, levando a mão aos olhos cansados, o nó na garganta já não era uma novidade... engoliu em seco e puxou o ar com força, numa tentativa de se conter. O ar saiu tremido, ela simplesmente não pode evitar.
Dianna sentiu o próprio ar lhe faltar. Não... ela não podia chorar... Alcançou-lhe a mão de Lea que jazia sobre seu colo e trouxe para perto de si... Inclinou-se, os lábios tocando as costas da mão de Lea.
- Se arrependeu? – A voz baixa, o tom receoso. Não queria agredir a intimidade, o tom de confissão de Lea, que esfregou os olhos uma vez mais, meneando a cabeça num tom exasperado.
- Que droga... não é isso, Dianna.
- O que é então?
- Eu não sou lésbica.
Dianna sorriu, beijando-lhe a mão com toda a delicadeza do mundo.
- Nem eu.
- É... eu sei... sei bem. Nem lésbica e nem solteira.
O sorriso se intensificou. Dianna trouxe a mão de Lea para um pouco mais perto do rosto. Acariciou-se utilizando a pele dela, enquanto afagava a própria bochecha com as costas da mão dela.
- Aí eu já não sei.
- E... e agora... o que vamos fazer? Eu duvido um pouco que a Amber vai falar alguma coisa. Mas no mínimo ela vai perguntar. Eu não quero responder nada agora.
- Também não quero responder nada agora. – Dianna replicou, virando o rosto e alcançando os pulsos de Lea com a boca. Beijou ali agora, os olhos fixos em Lea que se recusava a erguer os olhos para ela. Sentiu-a arrepiar-se e se encolher, perante a intimidade do toque. Mas Lea não recuou a mão.
- Dianna, não dá pra ser sempre assim.
- Por que não? – Por instinto, aproximou-se um pouco mais, a boca deslizando pelo antebraço da morena.
- Por que você faz isso comigo?
- É deselegante responder uma pergunta com outra...
- Mas por que? Sabe que pra mim as coisas são diferentes.
Dianna suspirou, se obrigando a afastar, nem que fossem apenas alguns centímetros.
- Lea... – Ela não respondeu, continuou olhando o nada. – Lea... Lea, olha pra mim. – Ainda sem resposta. Dianna ergueu a mão direita, tocou-lhe a bochecha com apenas a ponta dos dedos. Lea fechou os olhos, agoniada. Os abriu logo em seguida, engolindo em seco uma vez mais, antes de procurar os olhos castanho-esverdeados. – O que te leva a crer que pra mim as coisas são do jeito que você acha que são? Está me acusando de ter te seduzido desde que entramos porta adentro. Acho que se você continuar, não vai poder reclamar se eu ficar magoada.
- Eu amo você. Com todas as minhas forças. Tem noção do quanto doeu ter que ver você se levantar da minha cama hoje cedo e sair daquele jeito?
Foi a vez de Dianna suspirar... os dedos desceram pela bochecha da outra, um pedido de desculpas silencioso.
- Eu não tive escolha...
- Eu sei, eu sei. Não estou te culpando.
- Não?
- Eu... eu estou confusa.
- Não é a única.
- Porque você veio até mim, Di?
A loira mordeu o lábio inferior. Temia aquela pergunta como o diabo teme a cruz. E ela veio. Claro que viria. Respirou fundo, muito fundo, numa tentativa de que a coragem viesse junto com o ar que lhe enchia os pulmões. Mas não, ela não veio.
- Porque você veio até mim, Dianna?
Lea repetiu, sentindo a própria respiração ficando irregular. A pele queimava onde Dianna tocava... e então ela baixou a mão. Contornou o pescoço delicado. Os dedos foram se enroscar na nuca de Lea, que fechou os olhos tentando conter um gemido de apreciação do gesto.
Dianna se aproximou um pouco mais... só mais um pouco. Roçou a boca entreaberta no queixo de Lea, mordendo-o sem força alguma, só para provocar.
- Dianna...
- Shhhh. Você fala demais, Rachel Berry.
A última frase foi dita a apenas milímetros da boca de Lea, no meio de um sorriso de pura malícia. E a única coisa de que Lea teve consciência depois disso foi de sentir o próprio corpo tombando para trás, como se agisse por conta própria. Um segundo depois, Dianna estava sobre ela. Segurava-lhe as duas mãos acima da cabeça, contra o colchão. Beijava-a com desespero, a língua buscando a de Lea com sede. O fôlego falhou e Dianna se viu obrigada a quebrar o beijo pra conseguir respirar. A boca então buscou o pescoço de Lea. O mesmo desespero com que a beijou, também estava presente no chupão que uma Dianna quase fora de si deu na pele morena.
Lea se contorceu embaixo dela. As unhas cravaram-se na palma das mãos e por instinto o corpo se ergueu no colchão, pedindo, implorando por mais.
- Eu não estou bêbada. – Dianna murmurou contra a pele dela, soltando-a e passando a contornar a lateral do corpo de Lea, descendo na direção da cintura, onde ela apertou e voltou a subir, sem pressa nenhuma. – Hoje eu só me embriago se for de você. – A mão continuou a subir... ela contornou o seio de Lea com a ponta dos dedos... e então cobriu-o com a palma da mão, segurando assim, de baixo para cima. Lea gemeu, agoniada, cravando as unhas da mão livre no braço de Dianna. – Hoje eu só vou beber você... – Sussurrou outra vez, voltando a subir com a boca e procurar a de Lea.
Preciso de ajuda... Como está o ritmo da historia?
Eu acho que estou tendo um problema com a cronologia... mas se não estiver incomodando vocês, eu não vou me apressar porque corro o risco de me perder.
Quero que me falem o que estão achando... preciso de vocês comigo.
Queria também agradecer de todo o coração vocês que estão me lendo, mesmo a galera que não comenta, e mandar um beijinho especial pra galera das reviews e do tópico Achele da Glee Brasil.
Luv ya, guys.
PS: dudewearelost, IMPLORO pra você: atualize a Numb. Eu não aguento mais a angustia de ler os capitulos incontáveis vezes e não saber o que vem a seguir. rsrs
