Dianna bateu a palma das duas mãos contra o monte de neve em sua frente. O nariz incomodou pela milésima vez naquela manhã e ela foi obrigada a levar a mão gelada ao rosto. Coçou-o com a palma da mão porque em algum lugar de seu cérebro, uma vozinha gritava que os dedos estariam impossivelmente frios. Bom... mais frios que a palma da mão agora lhe parecia uma ideia meio absurda, mas ainda assim, usou a palma da mão.
Fungou, fechando os olhos por alguns segundos sentindo a cabeça começando a doer.
- Eu não acredito que você me convenceu a fazer isso... – Murmurou para Lea, que se ocupava de um outro monte de neve a apenas uns dois metros dela. Lea sorriu, seu monte de neve visivelmente maior.
- Essa aí é a cabeça, né? Como vamos fazer o rosto?
Perguntou, apontando o monte disforme que Dianna tinha em sua frente.
- Era sempre o Jason que colocava uma bola sobre a outra. Eu não faço idéia. Como foi que eu vim parar aqui mesmo?
Lea riu outra vez, olhando para os lados. O parque estava quase completamente vazio. Uma ou outra alma viva aqui e ali. Afinal de contas, apesar de estar nevando, Los Angeles era Los Angeles e aquela era uma terça-feira, onze da manhã de uma terça-feira e nem todo mundo tinha a sorte de poder ir trabalhar só depois do almoço como um certo casal que conhecemos bem. Se aproximou de Dianna, a passos lentos, ainda olhando para os lados. A loira tinha voltado sua atenção novamente para a neve, tentando transformar aquilo que se abaixava para apertar em uma bola um pouco mais firme, que não se transformasse em só um monte de neve quando alguém que ela esperava sinceramente que não fosse ela, resolvesse ergue-la para colocar sobre o monte de Lea. Um passo a mais e Lea estava próxima o suficiente para conseguir alcançar o rosto de Dianna... e foi exatamente o que ela fez, tão logo Dianna voltou a se erguer. Colou os lábios à bochecha rosada de frio e Dianna se encolheu, não conseguindo evitar de sorrir divertida quando Lea segurou o boné que usava com uma das mãos para conseguir lhe beijar a bochecha. Segurou-a junto ao corpo com a mão direita, que contornou a cintura de Lea.
- Foi assim: depois de um pouquinho de dengo, você concordou em me trazer. Nós viemos no seu carro, aliás.
Falou com a boca ainda colada ao rosto de Dianna. A boca de Lea era extremamente quente. Em contraste com o frio ambiente, ficava ainda mais quente. Dianna se sentiu arrepiar e fechou os olhos, franzindo no nariz enquanto sorria.
- Um pouquinho de dengo? Você quer dizer depois de MUITO dengo, MUITO charminho, bico, tentativa de suborno e um pouquinho de chantagem emocional, né? Só assim também pra me fazer sair de casa numa manhã dessas.
Lea riu outra vez, abrindo um pouco mais a boca. Os dentes ganharam a bochecha de Dianna. Mordeu-a muito devagarzinho, puro charme, antes de se afastar e voltar a trabalhar no bendito boneco de neve.
- Você não pode REALMENTE estar falando sério, anã. – Dianna cruzou as pernas com um movimento digno de uma das princesas europeias e apoiou as duas mãos sobre os joelhos. A voz ligeiramente nasalada era quase imperceptível, mas ainda assim, nasalada. Dianna olhava para Lea, que retribuía o olhar com um misto de decepção e ódio, a exatamente dois metros de distancia. – Eu prefiro de verdade passar alguns dias em um desses campos em que os soldados americanos treinam tiro ao alvo e voltar ligeiramente surda do que ter que ouvir você em mais um desses seus solos insuportavelmente chatos que você tira daqueles seus musicais. Aliás... eu acho que você chega a ter sonhos eróticos com aquelas coisas, não tem?
A frase foi terminada com um daqueles sorrisos perfeitos. Todos os integrantes do Glee Cast a encaravam perplexos, mas com a exceção de Naya, ninguém mais lhe acompanhava no sorriso. Matt parecia o mais perplexo dentre todo o elenco. Assim como Lea, ele também estava de pé e olhava Dianna assim.
- Meninas, eu acho que vocês precisam se...
- Você só está com ciúmes. Com ciúmes porque sou eu quem vou dividir esse solo com ele e não você. Você está com inveja de mim. – Lea o interrompeu, cerrando as mãos com força. O ódio no olhar para Dianna tinha aumentado visivelmente. A voz saiu corrida, a frase dita em um tom extremamente controlado de voz. A única coisa que traia o nervosismo era o ritmo.
Dianna respondeu com uma gargalhada estridente, chegando a jogar o corpo para trás, antes de voltar a falar.
- Sinceramente, Ru-Paul. Olhe para você e olhe para mim. O que te leva a crer que em algum dia da minha gloriosa vida eu vou te in... – o folego pareceu faltar e Dianna respirou um pouco mais fundo, antes de continuar. – Eu vou te invej... – Faltou de novo e ela respirou ainda mais forte, puxando o ar depressa – Eu vou te inve... – O espirro que foi delicada e parcialmente contido pela mão que Dianna colocou na frente do rosto fez com que os colegas de elenco e a equipe de produção explodisse em gargalhada.
- Chamem a enfermeira. Quinn Fabray está definitivamente gripada! – Matt disse um pouco mais alto em meio ao burburinho que se formara. Não era a primeira vez que ela espirrara. Só naquela cena em que estavam gravando, já era a quinta.
- Nós estamos ligeiramente atrasados... mas não vai dar pra fazer takes externos hoje mesmo. Alguém leve a ovelhinha para o veterinário. – Brad falou também rindo e por fim se levantando de sua cadeira de diretor.
- Você está bem? – Amber estava exatamente ao seu lado. Cobriu a mão que Dianna ainda tinha sobre a perna quando perguntou. Di sorriu-lhe, os olhos lacrimejando em razão da gripe. Muito a contra-gosto, se viu obrigada a fungar pra tentar respirar melhor.
- Eu estou... só uma gripe. Pra variar. - O sorriso se alargou. Não sentiu Lea se aproximar. Quando percebeu, a outra moça já tinha a mão sobre seu ombro esquerdo. Amber olhou-a e então voltou a olhar Dianna. Piscou, cumplice e então se levantou.
- Acho que alguém está precisando de chocolate quente, Lelee.
Lea riu, deixando que os dedos da mão deslizassem em meio aos fios loiros amarrados em um rabo de cavalo disciplinado. Foi a vez de Dianna olhar Lea.
- Eu acho que eu preciso de chocolate quente. – Repetiu o que Amber acabara de falar. Lea teve a impressão de que a voz dela estava um pouco mais nasalada do que estava minutos antes. Estaria Dianna Agron fazendo manha? O sorriso se alargou um pouco mais perante a ideia.
- Acho justo vocês me contarem o que está rolando de verdade, só pra constar ok?
- Rolando? O que está rolando? – Foi Dianna quem respondeu. No rosto a expressão mais inocente do mundo. Sim, ela merecia aquele monte de prêmios que havia ganho com Fabray, Lea pensou.
- Di, eu vi.
- O que?
- Você viu que eu vi.
- O que? – Tinha os olhos ligeiramente arregalados agora. Dianna Agron, sua cachorra fingida.
Amber riu, se inclinando na direção de Dianna, quando falou, sua voz era apenas um sussurro.
- Vi você engolindo Lelee no nosso camarim ontem a noite. Ryan teve um ataque de bichisse da última vez que a Naya brigou com o Mark e se recusou a sair do camarim por três horas inteiras, lembra? Meninas, vocês tem que se cuidar.
Dianna a ouviu... os olhos se arregalando ainda mais, dessa vez com sinceridade, a cada palavra dita. Por fim, não pode conter uma gargalhada. Lea a acompanhou, um pouco mais nervosa, notando o beliscão com que Dianna presenteou Amber.
- Eu não engoli ninguém!
- Mas ia! Se eu não tivesse chego, não teríamos mais Rachel Berry durante o resto da temporada. – Falou um pouco mais alto.
- Sem Rachel Berry? Então eu posso assumir o posto de diva do Glee Club? Acho que vou mudar o nome dele... Hummel Directions fica muito melhor, não fica? – Chris se aproximou, rindo da própria piada e Dianna baixou a cabeça, corando com violência. Amber riu, com vontade, observando-a. Não foi difícil engrenar com Colfer em um outro assunto aleatório.
Lea suspirou alto, aliviada e Dianna a acompanhou. Levantou-se com uma desculpa qualquer, piscando para Amber e saiu do set com Lea em seus calcanhares.
- Ela viu...
- Eu sei.
- E aí?
- Você tem alguma coisa pra falar pra ela?
- Eu? – Lea franziu o cenho, desconfiada, enquanto vasculhava a si mesma. - Bom, eu acho que...
- Eu também não. - Dianna a interrompeu. Olhando sobre o ombro esquerdo, estendendo a mão para Lea. Entraram no camarim juntas.
- Você tem certeza que não quer mesmo ir ao médico? – Lea gritou da cozinha.
Tinha dito à Dianna que ia cozinhar para o jantar. Um prato cujo nome Di não entendeu, mas concordou de imediato porque parecia delicioso. Naquele exato momento, Dianna estava encolhida no sofá da sala. O cobertor sobre as pernas estendidas sobre o sofá e uma caneca gigante de chocolate extra-doce nas mãos. Zappeava a televisão sem preocupação nenhuma.
- Não mesmo. Odeio médicos.
Dianna não gritou, só falou. Teve que repetir um pouco mais alto para que Lea entendesse.
- Isso não é desculpa.
- Não preciso de um médico. Estou bem. Mesmo.
- Se você tiver febre como teve da outra vez, não vai conseguir se safar. – A voz extremamente perto fez com que Dianna se virasse. A morena a encarava do portal da sala. O avental amarrado à cintura e o cabelo preso num coque alto. Uma perfeita dona de casa.
- Podemos brincar de médico se você quiser... – O sorriso com que Dianna a presenteou era malícia pura. Lea não respondeu. Franziu o nariz numa careta de pseudo-desprezo, se aproximando um pouco mais do sofá. Dianna se sentou melhor, cedendo espaço. – O jantar digno da rainha que sou está pronto?
- Está pronto desde a hora que fomos ao supermercado. Eu trouxe comida pra cachorro.
O travesseiro que Dianna tinha atrás das costas no segundo seguinte estava na cara de Lea, que riu, se encolhendo.
- Sem graça... – Dianna rosnou, torcendo-lhe o nariz enquanto Lea gargalhava.
Então Lea se inclinou, o travesseiro sendo colocado de lado, dando passagem. Não demorou para que a boca de Lea encontrasse a bochecha de Dianna. Antes de qualquer coisa, experimentou-lhe a temperatura. Só se deixou desfrutar do contato quando viu que ela realmente não estava febril. O toque sutil logo se transformou num beijo. Um beijinho delicado e sem pressa nenhuma. Dianna foi a primeira a se mexer. Se inclinou um pouco mais... a coberta escorregou pelas pernas esguias quando ela alcançou a cintura de Lea. Puxou-a com firmeza para o próprio colo. Lea apoiou os dois braços nos ombros da loira, se permitindo olha-la assim, de muito pertinho. Dianna se aproximou um pouco mais... roçou o nariz no de Lea, também sem pressa alguma, um movimento cheio de dengo.
Lea sentiu o próprio sorriso se alargar. Buscou o lábio superior de Dianna, prendendo-o entre os seus num chupão sem força alguma. Dianna suspirou e o coração de Lea acelerou ao ouvi-la. Abriu um pouquinho mais a boca, esperando que a loira desse o próximo passo. E não foi preciso que esperasse muito. No segundo seguinte, Dianna já explorava cada centímetro da boca bem feita, cheia de fome. Não conseguiu conter um gemido rouco ao sentir Lea enfiando as duas mãos por entre os fios loiros, puxando-a ainda mais para si. Apertou os dedos ao redor da cintura delicada, sentindo Lea se encaixar com perfeição em seu colo. Mordeu-lhe o lábio inferior, sorrindo, para logo depois voltar a beijar Lea. As mãos inconscientemente desceram um pouco mais. Lea tinha um joelho de cada lado do corpo de Lea desde que se ajeitara no colo da loira e em resposta ao atrevimento das mãos de Dianna, pressionou o corpo contra o dela. Dianna voltou a rir, a boca ainda colada à de Lea.
- Eu vou te passar gripe...
- Você não está gripada. É só um resfriado.
O tom de voz que usavam era extremamente baixo, murmurado. Só servia para aumentar o clima de intimidade. Dianna riu uma vez mais, voltando a beijá-la.
Um "bip" vindo da cozinha voltou a colocar Lea em estado de alerta... sob protestos veementes de Dianna, ela se levantou, interrompendo o beijo com selinhos delicados e seguidos, então seguiu a passos largos para a cozinha, ajeitando o avental que fora esquecido no braço do sofá, quando ela o tirou para se sentar. E Dianna voltou a zapear a TV, extremamente entediada, embirrada por ter sido interrompida.
- Di? – Outro grito da cozinha.
- Hm?
- Seu computador tá aí?
- Meu computador? Tá, ué. Por que?
- Eu preciso ver meu email...
- E o seu computador? Cadê?
- Em Nova York.
Lea continuou a ajeitar as couves-flores na assadeira, antes de volta-la para o forno para gratinar. Não ouviu Dianna entrar na cozinha. O susto que levou ao se virar alguns minutos depois e encontrar Dianna perfeitamente instalada na mesa, com o notebook à sua frente quase a fez derrubar a assadeira que segurava. Repreendeu-a com os olhos. Dianna nem notou, digitando a senha para conseguir acesso à área de trabalho.
Lea ajeitou a assadeira no forno sem pressa, fechando a tampa do fogão e tirando a luva culinária pra só então voltar sua atenção para uma Dianna que encarava o computador boquiaberta, em um estado de semi-choque.
- Di? – Lea chamou, confusa, franzindo o cenho.
Dianna meneou a cabeça, ainda boquiaberta. Piscou várias vezes, extremamente rápido.
- Eu acho que não estamos em bons lençóis.
Eu odeio fazê-los esperar... por favor, não entendam como falta de consideração com a galera que me lê.
Eu estava em semana de provas, gente. E tem muita coisa acontecendo ao mesmo tempo na minha vida.
Vocês são muito gentis. Agradeço pelos reviews.
Sei que esse capitulo foi meio morno... mas eu precisava dele pra dar continuidade na historia.
