Lea alisou uma das camisetas de Dianna, guardando com todo o carinho do mundo na mala aberta sobre a cama de casal do quarto todo decorado em tons de lilás. Suspirou, sentindo o ânimo se esvaindo de si junto com o gás carbônico que era expelido no ato de respirar. Podia ouvir Dianna cantarolando alguma canção infantil qualquer, enquanto terminava de vasculhar o banheiro em busca de uma ou outra coisa que talvez fosse precisar e que havia sido esquecida. Cerca de um pouco mais de uma semana tinha se passado desde a conversa com Ryan. A rotina do casal não tinha mudado em quase nada, na verdade, a não ser que agora, sempre que tocava Dianna, toques que antes eram considerados corriqueiros, ganhava um olhar meio diferente do grupo. Olhares que iam desde absoluta ternura por parte de HeMo, passando pelo Q de descrença que ainda encontrava em Jenna e terminando no mais safado dos olhares que Lea se lembrava ter recebido de Matthew. "Pervertido", Lea pensou, meneando a cabeça para tentar afastar as distrações e voltando a arrumar as coisas de Dianna. Tudo ali naquele quarto cheirava a ela. Tudo na casa, aliás, cheirava a Dianna... e Lea não tinha lá tanta certeza assim se iria conseguir se acostumar sem aquele cheiro.

Passaram os dias gravando e as noites juntas. Dianna se mantivera curiosamente distante fisicamente, mas conversar com Dianna sempre fora muito fácil. Sobre qualquer assunto. A cabeça daquela mulher era simplesmente fascinante... E aquele fascínio fora imediato, Lea conseguia ver agora, muito tempo depois de se conhecerem. No início, não se percebera tão fascinada assim... Demorou a constatar que simplesmente não conseguia parar de prestar atenção em Dianna, quando ela falava. As gravações de Glee a todo vapor, toda a descoberta da nova cidade que tinha um ritmo muito diferente mas que em nada perdia para o glamour de New York, as dezenas de novos colegas de trabalho dentre um mar de novidades nublou um pouco o discernimento de Lea. Talvez exatamente por não estar conseguindo pensar direito que simplesmente não conseguiu arrumar nenhum apartamento em pelo menos três semanas de buscas diárias e absurdamente cansativas. E depois de mais um desses dias de cão em que Lea tentava conciliar o ato de acalmar a família que já estava ficando histérica justamente por ela ainda estar instalada em um hotel, quase doze horas de trabalho entre gravações no estúdio de música e no set de filmagens e outra festa do cast (festas estas que já tinham se tornado corriqueiras), Dianna olhava sem entender a melancolia de Lea, que às alturas das três da manhã, meio bêbada, se encolhia em um cantinho da sala com um bico infantil, murmurando que não queria ir pro hotel frio e impessoal. O convite para ficar aquela noite foi a coisa mais natural de se fazer. Dianna não estava a muito tempo na cidade também, mas parecera ter um pouco mais de sorte. Ocupava apenas um dos dois quartos, enquanto o outro era usado como escritório... Se é que se pode chamar um cômodo com uma escrivaninha e um computador de escritório. Juntas, chegaram à conclusão de que talvez fosse realmente uma boa ideia se Lea se mudasse para o outro quarto. Os problemas iniciais de convivência foram resolvidos tão logo Lea percebeu que o nome do meio de Dianna provavelmente deveria ser Ordem. Aos poucos, o canto que já tinha a cara e o jeito de Dianna foi ganhando um pouco de sua personalidade também... Era o perfeito ponto de equilíbrio entre as duas: Despojado, feminino e simetricamente organizado.

Estaria tudo bem para o resto da eternidade... Se não fosse absolutamente impossível deixar de se apaixonar por Dianna Agron. Lea não sabia dizer exatamente quando começara... mas não tinha mentido quando disse a Christopher que tinha se dado conta que não queria dividir só as contas e biscoitos com Dianna um certo dia, quando haviam chegado para ensaiar a coreografia de uma música a ser apresentada na turnê a qual se dedicariam tão logo as gravações da primeira temporada tivessem terminado. Que a beleza de Dianna chegava a ser alguma espécie de pecado, ela nunca duvidara... mas não conseguir sequer desviar os olhos dos movimentos perfeitos do quadril de Dianna para prestar atenção em Zach, com certeza era uma novidade.

Todos os meses que se seguiram, lhe pareceram décadas. Era como se não se lembrasse mais como fazer as coisas sem Dianna. Aquela situação, não era lá muito justa. Suspirou outra vez, pensando que talvez não fosse lá assim tão ruim se Jonathan não tivesse viajado naquele fim de semana. Justo naquele fim de semana... Fechou os olhos cansados, massageando as têmporas doloridas. Não a viu chegar... quando deu por si, Dianna estava em seu colo, uma das mãos se encarregava de afastar as suas mãos da testa, enquanto a outra levava uma mecha de cabelo castanho para trás da orelha de Lea.

- Ele disse que não vai ser por muito tempo.

- Um dia já é muito tempo.

O mau humor de Lea não impediu que Dianna sorrisse do comentário. A olhava assim, de muito perto. Os dedos da mão direita passeando pela pele perfeita, um tom apenas mais bronzeada que a dela.

- Eu não quero que você vá.

- Eu sei que não...

- Então porque vai?

Os olhos castanhos, inquisidores, se fixaram nos de Dianna.

- Eu só não quero um escândalo.

Lea foi a primeira a quebrar o contato visual. Suspirou, deixando ambos os braços descansarem no colchão.

- Lea... - Dianna não se deixou intimidar pelo muro de gelo que a morena tinha acabado de construir entre as duas. Levou as duas mãos, envolveu-lhe o pescoço, se trouxe para mais perto. Lea se esquivou, mas ainda assim a boca de Dianna encontrou-lhe a bochecha. – Eu não estou indo embora para outro país... Na verdade, estarei a cinco quarteirões daqui. Vamos nos ver todos os dias... ou você se esqueceu que trabalhamos juntas? – Dianna sorriu, a boca ainda colada à pele de Lea.

- Você não parece estar se importando lá tanto assim... – Foi a vez de Dianna suspirar. Se afastou o suficiente para conseguir olha-la. – Olha... me desculpa. Eu só estou...

- Com medo?

- Um pouco...

- Assustada?

- É... eu acho que sim...

- Confusa?

- Demais!

Dianna riu, se inclinando de novo. Dessa vez Lea não fugiu. O encontro entre as duas bocas não foi diferente dos demais. Ambos os corpos pareciam terem sido feitos um colado ao outro, tamanha a perfeição do encaixe entre elas. Lea suspirou ao sentir Dianna se ajeitando em seu colo, virando-se de frente. Os dedos delicados se enfiaram em meio aos cabelos castanhos, Dianna puxou o rosto para si, mordendo-lhe o lábio inferior. Lea gemeu, muito baixinho. Toda a falta que sentira de ter a amada assim, tão perto, caindo com peso sobre os ombros delicados agora.

Dianna não teve problemas para fazê-la se deitar. Desceu a boca faminta pelo pescoço de Lea, enquanto se ajeitava sobre Lea, mantendo-a cativa, entre o colchão e o próprio corpo.

- Você não precisa ir...

O sussurro veio de uma Lea ofegante, que insistia em erguer o corpo da cama, pressionando-se ainda mais contra Dianna, que se ergueu, buscando os lábios vermelhos outra vez.

- Não?

Dianna respondeu no mesmo tom, sem parar de depositar beijos delicados, extremamente delicados nos lábios de Lea. A mão direita soltou-se dos punhos que antes seguravam, puxou a franja castanha para trás, livrando-a dos cabelos que se espalhavam pela face de traços perfeitos. Desceu um pouco mais, tocando o colo exposto pela blusa decotada só com a ponta dos dedos. E continuou descendo a mão. Contornou o seio de Lea pela parte de baixo. Apertou então, a força quase nula. Lea gemeu uma vez mais, em agonia e Dianna mordeu-lhe o lábio inferior outra vez.

- Fica comigo...

- Eu estou aqui. – Dianna estava tão ou mais ofegante ainda que Lea. A voz saiu rouca, um fio apenas.

- Eu... eu te...

Dessa vez foi Lea quem tomou a iniciativa do beijo. Com desespero, buscou os lábios de Dianna, a mão livre se enfiando entre os fios dourados, puxando-a mais ainda para si. O folego já era curto, não demorou a faltar, e Dianna outra vez fugiu para o pescoço delicado. Mordeu-lhe ali, pouco abaixo da linha do maxilar.

- Eu vou ficar aqui essa noite. E pro resto da vida. Amanhã vamos chamar os repórteres e falar que vamos nos casar. – A boca de Dianna ainda estava contra a pele de Lea, que pode sentir o sorriso enorme se formando em seus lábios quando esta sorriu. Suspirou, entregue, mordendo o lábio inferior com muita força quando Dianna desceu a mão um pouco mais. O short muito leve de algodão que usava não foi empecilho algum para os dedos da loira, que se enfiaram entre a peça de roupa e a calcinha de Lea. Sem pressa nenhuma, Dianna deslizou a ponta do dedo indicador pelos contornos de Lea, que jogou a cabeça para trás, mordendo o lábio inferior outra vez e logo em seguida abrindo a boca pra respirar melhor, em quase desespero.

A mala ainda estava aberta sobre a cama. Dianna só precisou de um empurrão para derruba-la. Agora a cama era toda delas. Apoiou então a mão que antes ainda segurava o pulso de Lea no colchão e Lea não tardou a levar as duas mãos para as nádegas de Dianna. Gravou as unhas na pele muito branca, o vestido que a loira usava simplesmente se apresentou em um obstáculo que fora transpassado com a maior naturalidade do mundo. Lea subiu na cama, buscando conforto. Dianna seguiu-a, sem deixar que ela se afastasse muito. Quando voltaram a se beijar, os dedos de Dianna se atreveram por além da peça delicada de renda branca que Lea usava.

Lea gemeu, alto, a boca ainda colada à de Dianna, o corpo sendo tomado por algo que ela julgou ser extremamente parecido com uma corrente elétrica ao sentir o primeiro toque de Dianna sem a calcinha para atrapalhar. Dianna retardou os movimentos... esperou que se ela se acalmasse. Sabia que Lea estava faminta, saudosa. Sentia a própria saudade lhe doendo quase fisicamente, mas se continuasse naquele ritmo, tudo ia ser rápido demais... e não, ela não queria que fosse tudo rápido demais. Não naquele dia. Não naquela hora. Beijou-a outra vez. A língua percorrendo cada centímetro da boca aveludada de uma Lea que se esforçava para acompanhar o ritmo do beijo sedento. Aos poucos, sentiu-a se acostumando com a sensação de toque de pele extremamente delicado de seus dedos... E somente quando a sentiu controlar-se um pouco, que passou a movimentar os dedos. Foi o suficiente para que Lea se agarrasse às nádegas dela uma vez mais, com força. Riu, as bocas ainda coladas.

- Desse jeito vai demorar metade do tempo que eu...

- Fica quietinha, vai...

Dianna riu outra vez. Lea não. Forçou os quadris contra a mão de Dianna... e foi a vez da loira gemer, enquanto aumentava o ritmo dos dedos, que apenas massageavam a outra mulher. Quando por fim Dianna a penetrou, Lea ouviu-se gritar... Mas a onda de prazer que a envolvia era tão densa que tudo lhe parecia muito longe... o mundo real quase inalcançável. Não durou dez minutos nas mãos de Dianna... E quando o orgasmo nublou o restinho de consciência que ainda lhe restava, a única coisa que conseguiu sentir foi Dianna se agarrando a ela. A boca colada ao ouvido esquerdo... Falando qualquer coisa que ela não conseguia entender muito bem, o mundo todo parecendo explodir em um outro, muito mais colorido, muito mais barulhento e muito mais cheiroso. Fechou os olhos com muita força, se deixando relaxar debaixo do corpo adorado que ainda estava sobre o seu... Dianna não se moveu, apenas também se deixou deitar. Uma das pernas se enfiou entre as de Lea. Deitou-se meio de lado, se permitindo observar Lea ainda de olhos fechados, respirando cheia de dificuldade. Sorriu, pensando que ainda não tinha visto nada tão... Surreal, tão lindo quanto Lea Michele perdida em uma onda de prazer. Beijou-a na bochecha, com todo o carinho do mundo.

Lea ainda demorou algumas dezenas de segundos para perceber que o barulho que escutava tão perto era na verdade o próprio coração e o cheiro que inundava o quarto de Dianna era o seu próprio. O seu cheiro misturado ao cheiro de shampoo que exalava da cascata dourada que caia pelos ombros de Dianna e terminava no próprio colo. Permaneceu de olhos fechados, se recusando a sair do estado de verdadeiro torpor em que Dianna havia lhe colocado. A loira foi a primeira a se levantar. Ergueu-se no cotovelo esquerdo, ainda olhando Lea. Sorriu outra vez. Como evitar? Para logo em seguida desviar os olhos para o relógio no criado mudo à cabeceira da cama.

- Vai ficar tarde...

Falou baixinho, se obrigando a levantar então.

- Tarde?

- É... Eu não quero chegar no outro prédio de madrugada. Já passa das nove.

Lea engoliu em seco. A voz de Dianna fazendo eco dentro de si. Não... não era verdade.

- Outro prédio? Mas...

Por fim abriu os olhos. Dianna estava sentada na beirada da cama. A olhava com curiosidade agora.

- É, ué. O meu outro apartamento.

- Mas você...

Dianna sorriu. E Lea entendeu. O nó na garganta foi imediato. Engoliu-o com dificuldade, sentindo os olhos arderem. Dianna não falara a sério sobre ficar. A loira ainda sorriu sozinha por uma ou outra fração de segundo... Lea pode notar quando o brilho da compreensão chegou aos olhos cor de âmbar.

- Ai... Lea, eu não quis...

Lea não respondeu. Dianna voltou a se inclinar, para voltar à posição inicial em que estavam na cama, mas Lea foi mais rápida. Rolou, também se sentando. Os pés tocaram a mala jogada no chão. Suspirou e se levantou por fim.

- Acho que seria mais justo se fosse eu quem me mudasse.

Temeu que a própria voz lhe denunciasse... o que não aconteceu. Dianna não respondeu. Apenas encarou os cabelos castanhos.

- Eu vou me trocar. Quando estiver pronta, me avisa que eu te ajudo a descer com as malas.

Novamente não houve resposta. Lea por fim se levantou, tomando o rumo do próprio quarto. Dianna só assistiu, desolada. O que ela poderia fazer, afinal?


O prédio da nova "casa" de Dianna realmente não ficava muito longe do apartamento que dividiam. A viagem foi feita em silencio. Dianna quem dirigia e ficara de trazer Lea para casa tão logo as malas estivessem descarregadas. Os amigos se ofereceram para ajudar... Mas foram dispensados pela própria Lea. Já não era fácil enquanto estavam só as duas. Com mais gente ainda assistindo, ela temia que não fosse conseguir se controlar.

Diferente do prédio que dividiam, esse não tinha elevador. O que pode se considerar extremamente aceitável, se tratando de um prédio de três andares.

- Não tem porteiro.

- São seis famílias... não tem porque ter porteiro. – Dianna respondeu empurrando a maior das malas com o pé, enquanto Lea observava com desgosto a escada em espiral.

- Isso me deixa meio claustrofóbica...

Dianna parou, na porta da sala, uma das mãos na cintura, a outra espalmava o portal. Lea ergueu os olhos... se encararam por alguns segundos, antes da própria Lea desviar o olhar outra vez. Entrou no apartamento, passando por Dianna. Tudo estava mobiliado... mas tudo muito impessoal também.

- Eu não conseguiria viver aqui.

- Eu sei...

A voz baixa e extremamente perto de Dianna a surpreendeu. Virou-se para encontrar olhos castanho-esverdeados que pareciam lhe vasculhar a alma, tamanha a intensidade com que se fixavam nos seus.

Pigarreou, ligeiramente desconfortável. Virou-se outra vez, analisando agora a cozinha, que se dividia da sala apenas por um balcão de mármore. Olhou de soslaio para o único quarto do apartamento, ouvindo Dianna fechando a porta da sala.

Voltou-se uma vez mais para Dianna, que continuava lhe encarando. Agora com os braços cruzados, recostada à porta que acabara de fechar.

- Eu não entendo você.

Lea suspirou, levando ambas as mãos para os cabelos, puxando-os para trás.

- Não tem que entender.

- Estava tudo bem.

Riu... sem humor nenhum.

- Não, Dianna. Não está tudo bem. Nada está bem desde que você concordou com o absurdo de se mudar.

- Absurdo? Lea, ele é nosso chefe.

- Você assina Murphy?

- Oi? Assino o que?

- Eu também não assino. E o fato dele não gostar muito da fruta descarta todas as possibilidades então dele ser meu pai. Ou o seu.

- Lea...

- Você fez piada.

- Piada?

- Piada. Acha que o nosso relacionamento seria engraçado aos olhos dos paparazzi? Qual o problema de você continuar morando em casa e...

Lea falou sem tomar folego... E não terminou o que começara, só então se dando conta do que falara. Virou-se de costas outra vez, a mão direita apertando a ponte entre os dois olhos.

- E...?

- Nada.

- Continua.

- Não.

- Lea...

- Eu não quero e não vou terminar.

Dianna suspirou, meneando a cabeça e soltando os braços num gesto exasperado.

- Eu não entendo você.

- Não... Você não entende Dianna.

Dianna não respondeu... Lea esperou... E esperou um pouco mais. Quando se deu conta de que iria continuar sem resposta, foi sua vez de suspirar. A bolsa jazia sobre o sofá enorme exatamente no meio da sala minúscula. Alcançou-a sem problemas. Virou-se para sair... mas Dianna não se mexeu. Permaneceram uma de frente para a outra mais alguns segundos. Dianna olhando para Lea, que olhava para o chão.

- Você não vai sair daí, vai?

- Não. – Dianna respondeu sem pestanejar... Lea suspirou outra vez, sentindo a própria respiração tremer. Não, ela não aguentaria muito tempo mais. Precisava sair dali o quanto antes. – O que eu fiz?

- Você não...

- Fala.

Suspirou de novo, antes de responder.

- Eu realmente acreditei que você não fosse mais vir. – Lea ergueu os olhos. Não, não podia e não ia chorar. Não viu Dianna se aproximando... só percebeu ao se sentir enlaçada pela cintura. Fechou os olhos com força, a primeira lágrima, atrevida, abusada, escorreu pela bochecha... escondeu-se em meio aos cabelos loiros. – Qual o problema de nós duas morarmos juntas?

Dianna não respondeu, apenas trouxe-a para ainda mais perto. O rosto queixo descansava na curva do pescoço delicado.

- Por que eu não posso amar você?

A voz de Lea saiu tremida... em tom de confissão e Dianna sentiu o próprio coração apertando-se de uma maneira quase insuportável. As mãos subiram, buscaram o rosto de Lea. Ela se afastou o suficiente apenas para beijar-lhe os olhos... Afagou o nariz dela com o seu, antes de beijar os lábios bem feitos com verdadeira devoção.

- Vai ficar tudo bem...

Sussurrou como quem sussurra para uma criança... e foi como uma criança que Lea buscou abrigo em seus braços, já cansada de brigar contra as lágrimas. Dianna sentiu a própria respiração se alterando, pesando... engoliu em seco, tentando desfazer o nó que subira do coração para a garganta... não adiantou. Sempre soube que a tristeza de Lea era sua kriptonita. Simplesmente a abraçou, escondendo o rosto nos cabelos castanhos, se permitindo retribuir ao choro ressentido com as próprias lágrimas.

Nenhuma das duas saberia dizer exatamente quanto tempo se passou até que Dianna por fim fez com que Lea erguesse o rosto outra vez. Beijou os olhos molhados sentindo nas costas todo o peso que aquelas lágrimas tinham.

- Você tem muito mais problema de adaptação que eu, por isso fui eu quem se mudou. Ryan ia dar xilique todos os santos dias se nós não nos afastássemos pelo menos um pouco. O que eu fiz foi pra te proteger. Pra te poupar, porque você também é muito mais irritável que eu, quando o assunto é Ryan Murphy. Eu encaro ele como um tio muito excêntrico e que ninguém contraria pra evitar a fadiga. Eu assinei um contrato de dois meses apenas com o dono desse apartamento... Ele é um amigo de uma das meninas que filmaram Number 4 comigo e viajou para a Europa no meio da semana. Quando ele voltar, eu volto para a nossa casa também. Vai ficar tudo bem... Eu prometo. – Disse baixo, muito baixo... Lea a olhava de muito perto... Os olhos enormes fixos nas orbes douradas. Dianna se inclinou... voltou a beijar-lhe os olhos antes de continuar a falar... A voz agora apenas um sussurro, quase inaudível – Prometo...

Lea segurou-lhe os pulsos enquanto Dianna falava. Voltou a abraça-la quando ela parou de falar... e de repente o mundo não era tão cinza quanto lhe parecera quando ela deixara o quarto de Dianna ou enquanto carregavam o carro com as malas pesadas, cheias de roupas.

- Eu não quero dormir sozinha essa noite... Não hoje... Nem amanhã... E nem depois. Sou eu quem te pede agora: Fica comigo...

Dianna sussurrou, a boca colada à orelha de Lea... Foi então que Lea se deu conta de que não seria uma casa dela e outra de Dianna. Não era assim que iria funcionar. Não uma casa pra cada uma... Seriam duas casas sim. Mas ainda assim, duas casas de Lea E Dianna.


Eu peço MILHÕES de desculpas... mas estive MUITO ocupada na ultima semana.
Pra quem não sabe, eu estou no ultimo ano de faculdade... E TCC não é uma coisa que vem de Deus.
Pra ajudar, também fiquei doente... aí que ficou tudo enrolado mesmo.
Ainda estão aqui comigo? Não vão me abandonar, né? =\

Whit Luv,
Live.