A primeira coisa que Lea sentiu ao acordar foi a dor de cabeça. Até respirar parecia impossivelmente doloroso e ela não conseguiu evitar um gemido. A segunda coisa de que teve consciência foi do cheiro horrível que tinha seu quarto. Será que tinha derrubado alguma coisa? Um produto de limpeza talvez. O estômago protestou com violência e ela se viu obrigada a engolir em seco para tentar amenizar a náusea. Ergueu a mão direita para os olhos, mas teve o movimento interrompido por mãos gentis, antes que os dedos alcançassem o rosto.
- Opa... Opa... calma, Bela Adormecida.
Heather? O que Heather fazia em seu quarto tão cedo?
Abriu os olhos de uma única vez, se arrependendo no mesmo instante ao sentir a pontada dolorida que a luz forte lhe trouxe. O que diabos estava acontecendo? Aquele com certeza não era o seu quarto.
- Heather...
Ambas as mãos de Heather cobriram a que ela ainda tinha erguida. E só então ela pode sentir que tinha algo que impedia que as costas de sua mão entrassem em contato direto com a palma da mão de Heather. Algo colado à própria pele. Algo que incomodava, que doía e que lhe dava a sensação de ter alguma coisa gelada injetada contra a pele.
- O que...
- Shhh... – Heather repreendeu com gentileza, enquanto livrava uma das mãos e levava uma mecha de cabelo castanho para trás da orelha de Lea. – Você está bem. Só precisa descansar.
Bem? Descansar? O que diabos estava acontecendo?
Lea franziu o cenho, enquanto sentia Heather afastando a mão direita de seus cabelos. Não demorou para que a ouvisse falando alguma coisa como "ela acordou" para alguém. Não houve resposta, apenas Heather falando outra vez, dessa vez se despedindo, provavelmente estava ao telefone. Não demorou para HeMo voltar a acariciar-lhe os cabelos.
A consciência voltou aos poucos... Sem pressa, como se a própria mente a estivesse poupando uma vez que o esforço fazia com que a dor piorasse, ela se lembrou da noite anterior... Bom... pelo menos uma parte dela e ela achava que fosse a noite anterior. Não tinha certeza de quanto tempo se passara.
Theo...
A entrada de outra pessoa no quarto nublou ligeiramente as memórias que se faziam vívidas demais agora. O que Theodore tinha feito?
- Ela acordou mesmo?
Ouviu Jon falando e logo a mão dele substituiu a de HeMo em seus cabelos. Pode sentir, mesmo de olhos fechados, quando a loira se levantou e outra pessoa tomou o lugar dela ao segurar sua mão.
- Dianna?
A voz débil fez toda a revolta de Jon voltar à flor da pele e ele usou de todo seu autocontrole para que isso não interferisse na caricia delicada que aplicava aos cabelos dela. Naya suspirou pesarosa antes de responder... Aquilo ia ser difícil de explicar.
- Não... Sou eu, gatinha...
- Jon?
- Aqui.
- O que houve?
Lea se obrigou a abrir os olhos. Lutou contra a vontade de fechá-los outra vez, mas foi inútil. Voltou a cerrar as pálpebras, erguendo a mão livre e apertando as laterais da testa, como se aquilo fosse amenizar um pouco a dor. O pouco que vira denunciava que não estava em seu quarto. Isso explicava o porquê do cheiro horrível e do fato de estar sentindo frio. Não olhara para a própria mão, mas podia agora também discernir que o incomodo que sentira era o fruto de uma punção intravenosa.
Ela estava hospitalizada.
Ouviu Jon suspirar também, imitando o gesto de Naya.
- Está tudo bem agora.
- Jon... O que aconteceu?
- Nada que vai se repetir.
- Jon...
- Isso pode esperar.
- Não, não pode.
- Lea...
- Cadê a Dianna?
Outro suspiro de Jon. Naya aumentou a pressão delicada que fazia na mão machucada. Então Lea se viu obrigada a abrir os olhos de vez. Um pouco mais acostumada com a claridade excessiva, ela ignorou a pontada dolorosa nas têmporas. Parecia que estava com a ressaca de todos os porres tomados na vida. A onda de náusea reforçou a analogia.
Quatro pares de olhos a observavam. Jon, Naya, Heather e Mark. O ultimo calado, recostava-se ao batente da porta de entrada do quarto. Jon ergueu a mão livre, apoiando-a na proteção da cama. Uma tala enorme imobilizava-lhe o dedo anelar. Lea olhou com estranheza, erguendo olhos preocupados e curiosos para Jon.
- O que diabos está acontecendo, Jonathan?
Dianna acordou em uma cama estranha, em um quarto estranho, distante centenas de quilômetros de onde realmente queria estar. Ela sempre pensara que a lenda sobre Vegas era somente uma lenda. A madrugada anterior tinha mostrado que estava errada.
Não sabia exatamente como Alex concordara com aquilo. Não sabia exatamente nem como ELA tinha concordado com aquilo, mesmo que a ideia fosse dela. Por Deus, o que ela tinha feito?
Esfregou os olhos, sentindo-se exausta, mesmo que ainda estivesse deitada. Abriu os olhos com pesar, olhando para o lado. Alex dormia de bruços, abraçado ao travesseiro. Dianna suspirou sentindo o peso do remorso ameaçando esmagar-lhe os pulmões. Levantou-se com todo o cuidado do mundo, para não acordá-lo. Seguiu para o banheiro, entrando e trancando a porta.
Sentou-se no vaso sanitário do banheiro do hotel, apoiando os cotovelos nos joelhos e a cabeça nas mãos, suspirou, sentindo o nó na garganta. Engoliu em seco, tentando engolir a maldita angústia também. Não funcionou. Não queria se permitir chorar, mas a força de vontade foi muito menor que o misto de tristeza, pesar e vergonha. Soluçou, arrancando o anel simples e discreto que em nada parecia com o estilo de Alex, mas que com certeza era a única coisa que ele tinha conseguido arrumar às duas da manhã, quando chegaram em Las Vegas.
Talvez a medida que tomara tivesse sido extremista demais.
Com certeza tinha sido extremista demais.
Mas por enquanto, não podia se deixar arrepender... pelo menos por enquanto.
- Dianna?
Ela enxugou os olhos vermelhos, erguendo a cabeça e encarando a porta. Não soube exatamente ficou assim, parada olhando a porta. Alex chamou mais alguns pares de vezes... Disse estar preocupado e avisou que se ela não abrisse, ele ia arrombar a porta. Ele ainda insistiu mais um pouco, até que por fim ela se levantou. Abriu a porta e saiu do banheiro, o corpo parecendo pesar algumas centenas de quilos. Alex a esperava do lado de fora. Segurou-lhe o rosto com as duas mãos, mas ainda assim não foi o suficiente para que Dianna evitasse um beijo, sorrindo com tristeza e timidez enquanto desviava o rosto com delicadeza. Ele bufou, irritado, mas não contestou. Entrou no banheiro e Dianna voltou a se sentar, dessa vez na cama, imitando o que fizera no banheiro. Por fim, estendeu a mão. Olhou outra vez o anel. Tirou-o, com raiva, jogando a jóia sobre a cama desfeita.
Sentiu o nó na garganta apertando outra vez, ao pensar que dividira a cama com Alex. A sensação das mãos dele em seu corpo já não era a mesma que ela se lembrava. O nojo a tinha impedido de conseguir levar adiante o plano dele de prosseguirem com a lua de mel. Alegou não estar se sentindo muito bem e por alguns segundos, chegou a pensar que isso não o impediria. Mas Alex não era assim tão irracional. Não gostou, mas também não forçou a barra. Por fim, ela se virou na cama, pedindo a Deus que conseguisse dormir.
E dormiu. Pouco, mas dormiu. O sono tinha sido tumultuado, povoado pelo pesadelo que ela já sabia de cor. Sabia exatamente quando iria acordar também. Agradeceu aos céus por não acordar chorando e ter que se explicar.
Bem... teria que se explicar agora. Talvez não tivesse tanta diferença assim.
Alex saiu do banheiro apenas alguns minutos depois. Olhou o anel sobre a cama e em seguida, para Dianna. Vestiu a camisa branca de botões que jazia na cabeceira da cama, ainda encarando o anel.
- Você vai me contar o que aconteceu de verdade?
- Eu não sei do que você está falando. – Dianna havia se endireitado. Paralela a ele, olhava para o chão do quarto, numa posição desconfortavelmente ereta.
- Acha mesmo que eu engoli aquela historia que você me contou? Aliás... Que história, né? Você só me ligou e me pediu em casamento! - Alex riu da própria piada, que nem era lá uma piada.
Dianna engoliu em seco, extremamente tensa.
- Eu... Eu acho melhor nós voltarmos pra Los Angeles, Alex.
- Los Angeles? Hoje? Depois de viajar quatro horas só pra me casar? – Ele riu com vontade antes de continuar. – Eu acho que não.
- Alex...
- Eu, minha cara, conferi sua agenda pessoalmente antes de virmos para cá. E você está livre o fim de semana todo.
- Não, eu...
- Sim, Dianna, você está. E eu não vou voltar para Los Angeles pra você correr pros braços daquela mulher outra vez.
A simples menção de Lea fez com que Dianna se segurasse ao lençol da cama, sentindo o resto do quarto rodar. Sintoma psicológico, ela sabia, o que não ajudou a diminuir a sensação de tontura.
- Nós vamos ficar aqui até amanhã. Eu sugiro que você aproveite essa manhã linda de sábado para comprar roupas, minha querida. Notei que você não trouxe nenhuma mala.
Dianna fechou os olhos com força. Aquilo era só o começo do tormento que ela procurara com as próprias mãos.
- E aí? – Naya perguntou para Jon, que tinha o celular à orelha. Pelo que ele achava que fosse a trigésima quinta vez, ligava e ganhava a caixa de mensagens.
- Nada... Desligado. – Ele respondeu sem animação.
Lea se agarrou com ainda mais força ao edredon grosso que tinha sobre si.
Passava um pouco das oito da noite. E depois de um dia extremamente cansativo dividido entre a saída do hospital, as providencias necessárias para o boletim de ocorrência que Jon insistira veementemente que ela fizesse e or fim as inúmeras visitas de amigos e vizinhos extremamente preocupados, Lea se permitia apenas desfrutar da companhia de Jonathan e de Naya que se recusava a ir embora, embora Mark já tivesse ido havia muito tempo.
Estava deitada no colo de Naya, coberta até o pescoço. O frio cortante do inverno americano não castigava tanto quanto tinha castigado na semana anterior, mas ainda assim, Lea pensava que aquele era o dia mais frio de sua vida.
Estavam no flat que Jonathan tinha alugado depois que Lea se recusara veementemente a voltar para casa. Não a culpava. Mesmo que ele estivesse com ela como ele deixara bem claro que estaria, o mais lógico, seria que o medo dominasse quando o assunto fosse voltar para aquele apartamento.
A mãe de Lea tinha ligado, se dizendo preocupada. Não sabia como ela soubera, mas podia apostar que tinha dedo de Jenna nessa história.
Produção, direção, elenco e elenco de apoio. Todos eles tinham de uma maneira ou de outra pelo menos tentado falar com Lea, desesperados em busca de notícias. O boato se espalhou e Jon tinha a ligeira sensação de que àquelas horas, Theo estivesse se borrando todo. E era muito bom que estivesse se borrando mesmo, porque além de Jonathan, tinha muito mais gente querendo por um dedo sequer naquela carinha de idiota que ele ostentava sem vergonha nenhuma por aí.
A noite anterior tinha rendido a Jon um dedo quebrado e muito, mas muito ódio. Ele sabia bem que prestar um depoimento nas condições de Lea poderia ser muito traumático, mas ele simplesmente não podia deixar para depois. A maior parte, quem narrou de qualquer forma foi ele mesmo, Lea só se lembrava de quando Theo chegara. Jon se empenhara em ajudar a polícia o máximo possível, mas de todos os modos, faltava um elo daquela corrente. E nesse caso, o elo era Dianna. Quando Jon chegou ao apartamento, teoricamente a única coisa que Theodore fazia era fechar a porta da sala descamisado. Dianna o havia pegado com a mão na massa... Sim, precisavam de Dianna.
Jon se permitiu observar Lea, encolhida no colo de Naya que ainda lhe fazia cafuné. Tão indefesa... O corpo pequeno parecia ainda menor agora. Ela estava ligeiramente trêmula. Estivera trêmula o dia todo. Jon sabia que não era apenas efeito colateral da droga que Theo tinha usado, seja ela qual fosse, ou do frio. Lea tinha muito mais frio por dentro. Ele quase podia sentir o frio emanando dela nas poucas vezes que falou. Extremamente calada, ela se mantinha arredia até mesmo entre os amigos. Naya precisara de um dia inteiro para trazê-la para o colo.
Com muito empenho e toda a habilidade de ludibriar pessoas que ele desenvolvera nos anos de espetáculos da Broadway, tinha conseguido convencer o médico a liberar Lea para dormir em casa esta noite. Desde a hora em que deram entrada no hospital, pouco depois das nove da noite, até a hora que Lea tinha acordado, tinham se passado mais de dezessete horas e durante todo o tempo foi monitorada.
O mais preocupante, era a pressão arterial, que do mesmo modo quando o corpo sedado com anestésicos fortíssimos, oscilou a noite toda. Desconfiavam que Theo não usara de drogas comuns... O que era ainda mais preocupante.
Sentindo o ódio tomar nublar a voz da razão outra vez, Jon voltou a discar o número de Dianna. A acharia, nem que fosse no quinto dos infernos. Pela primeira vez na noite, o celular demorou um pouco mais antes de dar o sinal para a caixa de mensagens... um bom sinal, ele pensou saindo do quarto enquanto tentava ser o mais discreto possível. Tinha a plena consciência do que Dianna vira, do que ela imaginara que tinha acontecido e de que seria um tanto quanto difícil convencê-la que Lea precisava dela mais do que nunca agora. Que as imagens não correspondiam aos fatos. Sabia que Lea tinha essa consciência também. Não foi necessário que ele dissesse com todas as letras que Dianna saíra correndo do prédio quando achou Theo em sua sala. Não foi necessário que ele dissesse com todas as letras o que provavelmente ela tinha pensado. Lea deduziu. Deduziu e piorou. A onda de náuseas ficou mais forte. Ela chegara a ficar febril. O ambiente do hospital não estava ajudando. Jon sabia que grande parte do quadro de Lea estava sendo piorado pelo aspecto psicológico. Por isso ele a tinha trazido para casa. Por isso ele não hesitou um segundo sequer antes de trazê-la consigo para o hotel. Lea era sua pequena, seu anjo de guarda. Nada no mundo a atingiria se ele pudesse evitar. Nem mesmo Dianna Agron. Não se fosse pra ferir uma Lea já mortalmente machucada.
Perdido nos próprios pensamentos, Jonathan ouviu a voz masculina que atendeu o telefone. Usava o aparelho de Lea, uma vez que o próprio havia ficado sem bateria depois de ligar para meia Los Angeles dando notícias e em busca de um hotel que não fosse um pulgueiro para levar Lea enquanto metade da américa parecia ter se decidido a visitar Hollywood.
- Mas será possível que você não vê que ela não quer falar com você, Lea?
- Primeiro que se você ousar falar nesse tom com ela outra vez, eu juro que eu rodo o país inteiro atrás de você só pra te fazer engolir esse maldito telefone celular. Segundo que se Dianna quer ou não falar com Lea, ela tem que ser mulher o suficiente para falar isso por si só, ou ela por acaso perdeu a voz? Terceiro que não sou Lea e que preciso realmente falar com a dona desse celular. Se você pudesse parar de ser um quadrúpede e passar o telefone para a Dianna eu agradeceria, Alex.
Jonathan falou baixo, mas muito claro, certificando-se que seria entendido, enquanto andava um pouco mais para longe do quarto, ganhando a pequena sala-cozinha do apartamento. Ouviu a voz de Dianna ao fundo, Alex simplesmente ignorando o que pareciam ser apelos para que lhe devolvesse o telefone. O que diabos Dianna tinha feito afinal? Com Alex? Ela estava mesmo falando sério?
- O que você quer, Groff?
- Não te interessa, animal. Já te falei. Ou você passa pra Dianna ou eu vou à policia agora, uma vez que ela está desaparecida há quase 24 horas e você a está deixando incomunicável ao que me parece.
Jonathan o ouviu rir baixo e quase pode ver o desdém quando Alex falou de novo.
- Um casal não pode curtir a lua de mel numa boa? Você está sendo inconveniente, Jonathan.
- Alex, eu não vou gritar com você. – "Lua de mel? Puta que pariu, Dianna!" Jon levou a mão aos olhos cansados, se lembrando uma vez mais porque era tão bom não depender das mulheres para ser feliz emocionalmente.
- Ela não quer falar com você.
- Ah, mas ela vai...
- Não, não vai.
- Pettyfer! – Jonathan rosnou, muito alto, não conseguindo se conter. Um segundo depois se deu conta de que Alex tinha desligado a chamada. O primeiro impulso foi o de jogar o aparelho contra a parede... Impulso que foi reprimido ao ver uma Lea parada à porta do quarto, o encarando com olhos enormes. Enormes, embebidos em uma tristeza que beirava o desespero. Lea não se movia, embora Naya parecia extremamente empenhada em puxar-lhe para o quarto outra vez.
- A-... Alex? O... O que o celu-lular dela est' tá fazendo com o Alex? – soluçou.
Lea engoliu em seco, lutando com todas as forças para que as malditas lágrimas que lhe queimavam os olhos não vencessem os esforços que ela imprimia em não chorar. Em vão. Ao terminar de falar, um soluço estrangulado escapou-lhe da garganta. Antes que ela se desse conta, chorava copiosamente contra o ombro de Naya. Chorava o que não tinha chorado o dia todo... Chorava de dor. Dor física e dor de alma, enquanto a consciência do porquê de Dianna não ter aparecido ainda vinha com dolorosa rapidez, pisando sem esforço nenhum na ilusão romântica e boba de Lea de que Dianna estivesse apenas brava demais por não saber ainda da verdade, mas que provavelmente ela tivesse viajado para o interior, em busca do colo da mãe.
Dianna tinha buscado colo sim. Mas outro colo.
Someone POV's
Onde diabos está aquela droga de mala?
Mas que merda, eu já devia ter saído daqui! Eu nunca deveria ter ouvido Anya! Nunca!
Eu sabia que ela era meio louca... mas... mas... mas que merda!
Eu não posso buscar minha bolsa lá no apartamento. Com certeza tem gente me esperando lá. Muito me admira não ter gente me esperando AQUI. Mas eu preciso ser rápido.
Ai, CARALHO! Bati a droga da minha cabeça de novo nessa droga de porta do maleiro.
Eu preciso procurar um cirurgião plástico o mais rápido possível. Aquele imbecil do Groff quebrou meu nariz. Eu sei que quebrou. Ontem eu mal conseguia respirar. Ainda bem que eu consegui fugir a tempo daquele pronto socorro. Antes que eles pegassem meu nome ou alguma coisa assim.
Se bem que eu poderia ter dado qualquer nome... estava sem documentos. Pouco importava.
Merda! Bati de novo!
ONDE DIABOS ESTÁ MINHA CÂMERA? DROGA, ONDE ESTÁ MINHA CÂMERA?
NÃO!
NÃO...!
Não... Não... Não...
Procura direito, Theo. Está aí em algum lugar. Tem que estar aí!
Você não deixou a câmera também na casa dela deixou? Pra alguma coisa isso tem que ter valido, Theo, pra alguma coisa isso tem que ter valido!
PORRA!
Isso! Inútil! Tá vendo?
Fodido e anônimo!
FODIDO E ANÔNIMO!
Nem você dando uns amassos na atual teenidol você serve!
IMBECIL! INÚTIL!
ISSO! CHORA! CHORA MESMO! Você merece isso, Stockman! Você merece!
Tem alguém na porta... Não, não vai atender.
NÃO VAI, PORRA!
Isso... só olha... Eles estão batendo com mais força...
- STOCKMAN!
MERDA, MERDA, MERDA, MERDA... ELES SABEM QUE EU ESTOU AQUI. PORRA, MERDA, CARALHO...
Será que eu posso pular essa janela? PORRA! São só dois andares! Vai, Theo. Fecha os olhos e pula, não vai te matar!
No três... um... dois... três!
Os vizinhos do andar térreo do rapaz alto demais e bobo demais nunca souberam o que foi pior, escutar o grito agoniado de dor de Theodore Stockman ou olhar pela janela e vê-lo se contorcendo de dor, com a perna direita numa posição extremamente dolorosa enquanto a o fêmur da perna esquerda transpassava a pele numa fratura horrível de se ver.
Os policiais não se apressaram em chamar a ambulância.
O corpo de delito de Lea não indicava sinais de violação ou de esperma, de qualquer tipo que fosse, mas todos que estavam empenhados no caso, sabia muito bem que só aquilo só era verdade porque Theo tinha sido pego antes de consumar o ato.
O boletim de ocorrência foi lavrado no local mesmo. Foi lhe dada voz de prisão, enquanto um Theodore que parecia absurdamente religioso agora, implorava a clemência e o amor de Deus pedindo por socorro médico.
Theo foi levado propositalmente para o mesmo hospital em que Lea estivera internada horas antes. Foi tratado pela mesma equipe médica e pela mesma equipe de enfermagem nos primeiros socorros.
O osso foi colocado no lugar e os pontos foram dados sem anestesia. O desfibrilador a postos para caso ele entrasse em choque. Afinal, ninguém queria sua morte, queria? Os policiais também tinham o direito de mostrar como um caso de estupro, ou a tentativa desse, era horrendo.
Theo foi trato e medicado sim, por fim foi encaminhado para a cirurgia, que garantiria que o osso da perna quebrada fosse colocado no lugar. Mas não foi tratado como um paciente comum. E acreditem, ninguém reclamou de seus direitos enquanto ser humano.
Tenho alguns pedidos e considerações pra fazer pra vocês hoje, gente.
- Não odeiem minha Di.
- Não odeiem a mim.
- Não me achem sádica demais, please.
- Jon é gay sim. Vocês nunca amaram um amigo demais da conta? Mesmo que seja só amigo? Eu já.
- Sim, Alex é um corno filho da P***.
- Lavem a alma e todo esse ódiozinho no coração pelo Theo.
- Me perdoem pelos palavrões. Eles se fizeram necessários.
- Eu amo vocês :D
With luv and for the justice,
Live.
