- Eu te avisei que isso aconteceria. E... bem, você não pode me culpar. – Dianna falou baixo, muito baixo. Os olhos fixos nos dois mares cor de chocolate à sua frente. Lea bufou, aparentemente muito irritada, levando a mão direita até a franja que começava a lhe cair nos olhos, prendendo os cabelos atrás da orelha esquerda, por baixo do chapéu que usava.

- Você é má. Você não vale absolutamente nada. Como espera que alguém realmente te ame?

- Bom, não é isso que anda acontecendo ultimamente, é? – A loira sorriu, pretenciosa, imitando o gesto de Lea de arrumar o cabelo e por fim se virando para o espelho do banheiro em que se encontravam. Lea bufou outra vez, a respiração extremamente pesada.

Quando Dianna deu por si, Lea a puxava, buscava atenção, queria que estivessem de frente o misto da sensação de pele contra pele unido à força que Lea empregara para puxar Dianna, fez com que o corpo agisse por contra própria em reação. Arrepiada, Dianna se deixou virar, engolindo em seco na tentativa de tentar se controlar.

- Quem você pensa que é pra me tocar? – A mão de Lea foi tirada de seu braço com um tapa. Um golpe único golpe seco e que foi o suficiente. Se encararam em silencio por uma fração de segundos... e Dianna sentia como se o sangue corresse pesado nas veias. Quase tão pesado quanto a respiração de Lea agora.

Os olhos também agiram por conta própria quando baixaram pelo pescoço delgado, acompanhando a linha do decote da blusa que Lea usava naquele dia... Vestes um tanto quanto incomuns para Lea, principalmente naquela situação. Dianna engoliu em seco uma vez mais e se obrigou a morder o lábio inferior quando Lea voltou a falar, dessa vez ainda mais baixo e muito mais próxima.

- Eu penso que sou quem tomou o seu namorado duas vezes. Acho que não estou tão abaixo de você na cadeia alimentar do colegial, afinal de contas. Eu estou falando pro seu próprio bem... Aquele cara não vale o chão que pisa.

Dianna riu, os olhos teimando em não conseguir se desviar do pouco que ela conseguia ver através do decote de Lea... E foi assim, ainda olhando, que ela falou.

- Como se o seu namoradinho valesse alguma coisa, Berry.

A voz saiu novamente muito baixa. Um sussurro apenas... E Dianna agradeceu a Deus pelo gemido que ela tinha preso na garganta àquela altura do campeonato não tivesse escapado para coroar o fim da frase.

Lea não respondeu... Ela não precisava olhar para a outra para saber que os olhos castanhos também se fixavam nela agora... Na boca, talvez. Com certeza na boca. Lambeu os lábios, intencionalmente, e o suspiro de Lea mostrou que ela não estava nenhum pouco errada.

Alguém pigarreou... E Dianna se obrigou a se afastar de Lea. Pelo menos por enquanto.

- Meninas...

Lea piscou muito rápido alguns pares de vezes. Era com certeza muito mais fácil pensar quando Dianna mantinha uma distancia segura. Brad levantara da onde estava e Lea o encarou enquanto ele se aproximava. Trazia alguma coisa em mãos... Uma coisa que ela julgou ser um megafone, ou algo assim.

Era um megafone. Ela teve certeza absoluta quando ele o posicionou perto da boca, enquanto ainda caminhava na direção das duas, mais de Dianna que dela, na verdade.

- Dianna, se você não se controlar, eu juro que da próxima vez eu juro que vou jogar água em vocês duas.

Falou e a voz do diretor propagou-se pelo estúdio com toda potência dada pelo aparelho.

A equipe de produção que acompanhava as gravações naquele dia explodiu em gargalhada. Lea acompanhou-os enquanto Dianna enrubescia até a raiz dos cabelos com um sorriso sem graça.

- A culpa é dela! Quem consegue resistir a aquilo ali? – Disse, apontando para Lea e se referindo à Jannet, a figurinista.

- O episódio pede. – A moça ruiva falou, se destacando da multidão.

- Ela está com um colete. – Jannet concordou com um gesto de cabeça. – Só de colete. – Assentiu outra vez. – E de quepe! – Dianna praticamente gritou, como se o fato de que aquilo era praticamente um oitavo pecado capital fosse absurdamente óbvio.

A pequena multidão riu outra vez.

- Dianna, vocês são o Village People. Eu não posso fazer nada! – Jannet ergueu ambas as mãos, como se realmente se desculpasse, o que garantiu mais uma onda de risos.

- Hey, lady. Ryan quer falar com você. – Amber avisou, cruzando o set de gravações enquanto se dirigia para a parte do estúdio dedicada à parte de cabelo e maquiagem. Dianna concordou e olhou para uma Lea que ainda ria.

Não acompanhar a risada foi impossível... e foi sorrindo que a loira se dirigiu para o corredor que a levaria para a sala do chefe.

A rotina de Lea e Dianna havia voltado ao normal cerca de uma semana atrás. E embora Dianna estranhasse o fato de que Alex não a procurara nenhuma vez desde a madrugada de sua quase-fuga do apartamento dele, ela sinceramente não se importava nenhum pouco de conseguir esquecer de sua existência por várias horas consecutivas.

Ainda ocupavam o apart que Jon alugara. Lea se negara veementemente a voltar para o antigo apartamento que dividiam e Dianna não a culpava nenhum pouco. Ela mesmo não se sentira a vontade para entrar na casa, mesmo quando na companhia de dois agentes de Hernandez para buscar a tal máquina fotográfica. A câmera de Theodore foi entregue à polícia... E Jon se dera por satisfeito quando o advogado contratado para fazer com que Theo apodrecesse na cadeia avisou que tentativa de estupro qualificado garantia pelo menos vinte anos de reclusão em regime fechado e que a cadeira elétrica seria talvez um dos desfechos do caso. Enquanto não era julgado, Theo aguardava no hospital, ainda fraco demais para sair do centro de tratamento intensivo.

Não demorou muito para que Dianna chegasse ao escritório de Murphy. Receosa, bateu na porta de madeira escura. Naya a avisara que Ryan a tinha procurado... mas o próprio roteirista não tinha dito absolutamente nada. Nem mesmo quando viera visitar Lea, no início da semana para pedir encarecidamente que ela se esforçasse, já que o hiatos de natal da série estava quase terminando e as gravações estavam terrivelmente atrasadas.

Esperou que Ryan a mandasse entrar... E a resposta às batidas da porta não demorou quase nada a chegar.

Dianna abriu-a com vagar, sentindo o coração disparar quando enfiou a cabeça por entre o pequeno vão aberto.

- Chamou?

- Ah, Di. Chamei, chamei... Entre, por favor.

E assim ela o fez. Caminhando com timidez em direção à mesa em que ele se debruçava para escrever alguma coisa. Sentou-se na poltrona exatamente de frente à dele e aguardou que Ryan terminasse de fazer seja lá o que estava fazendo antes de lhe dar atenção.

Não demorou.

Ryan ergueu a cabeça, brindando-a com um sorriso simpático, antes de se recostar na própria poltrona e cruzar os dedos na altura da face, enquanto apoiava os cotovelos nos braços da cadeira.

- Tudo bem? - Ela concordou com a cabeça, sorrindo de volta. - Eu fiquei sabendo que você anda com problemas com o nosso figurino. – Dianna se sentiu corar com violência outra vez e Ryan fez o que todos faziam quando ela se envergonhava assim: gargalhou.

- Desculpe...

O homem calvo de olhos extremamente azuis esperou que a crise de riso breve passasse, antes de voltar a falar. O ambiente relativamente muito mais descontraído agora.

- Sabe, Di, eu não vou conseguir me perdoar nunca. – Dianna franziu o cenho, estranhando o inicio do discurso – Eu fui... egoísta. Acho que não tem outra palavra para descrever minha atitude que não seja egoísta. Quando eu fiquei sabendo do... Da amizade que unia você e Lea, eu não pensei em nada além da dor de cabeça que eu teria com os peixes grandes daqui. A Fox é um tanto quanto conservadora... E eu já estava tendo certos problemas quanto ao teor da série. Lidar com eles implicando com as minhas estrelas ia ser muito mais cansativo. – Dianna sentiu quando a cabeça agiu por conta própria quando tombou, em consequência da estranheza de ter o seu relacionamento com Lea ser definido como amizade. Mas afinal de contas, o que ela e Lea eram? – E... Bom... Quando eu fiquei sabendo o que aconteceu com a Lea, a única coisa que eu conseguia pensar era que se você estivesse lá, se eu não tivesse me envolvido mais do que deveria na vida pessoal de vocês duas, com certeza nada daquilo tinha acontecido. Quando Naya me contou o que tinha acontecido com você em específico, eu fiquei com ainda mais raiva de mim.

- Mas não é cul...

- Eu nunca me meti na vida pessoal das minhas interpretes. Por que faria isso agora? – Ryan a interrompeu, antes que ela terminasse a frase. – Me senti um tanto quanto homofóbico quando essa pergunta começou a me rondar. Vocês são pra mim como... filhos. Todos vocês. Chegaram até mim como crianças... Lea era a pior delas. A mais desastrada. Deus seja louvado por ela não ter se matado enquanto tentava vir para os testes. – O sorriso de Dianna foi automático ao se lembrar do tão famoso episódio do teste de Lea e dos cacos de vidro nos cabelos castanhos. – E que pai eu seria, se não cuidasse da minha prole? Eu falhei com vocês duas. Falhei demais. E eu não me perdoaria se não conseguisse reparar pelo menos um pouco da bagunça que eu fiz.

Dianna tentou falar outra vez... E Ryan tornou a interrompê-la. Dessa vez com apenas um gesto de mão.

- Theo já está preso. Vai ser julgado no meio do mês que vem. Eu consegui achar a empresária dele e com o depoimento do próprio Theo, ela também está presa. Indiciada como autora intelectual daquela... bestialidade. E... Bom... Eu falei com um amigo nosso.

Dianna pode sentir os próprios olhos dobrando de tamanho ao ouvir Ryan mencionando Alex.

O que?

Como assim?

Ryan voltou a impedir que falasse com o mesmo gesto de mão usado anteriormente quando ela tentou dar voz ao mar de perguntas.

- Quanto menos você souber, minha criança, vai ser melhor. Mas eu posso garantir que ele não vai voltar. – Ryan sorriu e Dianna não pode deixar de acompanha-lo, num misto de puro alívio e ligeira desconfiança. Essa última facilmente vencida pela primeira sensação. A loira suspirou, sentindo-se pelo menos uns quarenta quilos mais magra e se deixando descansar contra a cadeira. Não tinha se dado conta do quanto aquele assunto a deixara tensa até então. – E bem, eu acho que vocês tinham uma certa... pendência. Eu tive que mexer uns pauzinhos lá em Vegas, me deu uma certa dor de cabeça... Mas eu consegui isso aqui.

Ryan se inclinou, abrindo a primeira gaveta da escrivaninha e empurrando um envelope pardo sobre o tampo de madeira na direção de Dianna.

- Abra.

Dianna franziu o cenho outra vez, erguendo a mão e trazendo o que lhe era estendido para perto com somente a ponta dos dedos. Por algum motivo, ela temia o que quer que fosse que estivesse ali dentro.

No cabeçalho, o brasão da cidade de Las Vegas, a data do começo da semana e por fim, o título.

Dianna segurava em mãos, naquele instante, a declaração da anulação de um casamento que nunca devia ter sido realizado.

Não conseguiu conter o sorriso que se desenhou centímetro a centímetro na boca bem feita e que por fim, se estendia de orelha a orelha.

Seu nome, o nome de Alex, termos que ela não conseguia entender e por fim, a assinatura dele. Meio torta, meio estranha, mas que ela definitivamente não iria contestar. Ergueu os olhos para Ryan. Olhos transbordantes da mais pura alegria.

O encontrou com uma caneta em mãos, estendendo para ela.

- Só falta você.

A caneta oferecida foi praticamente agarrada e o documento assinado às pressas.

No instante seguinte, Dianna se pendurava no pescoço de Ryan. Meio torta, meio atrapalhada, sobre a mesa ainda. Mas ainda assim, ela gritava de alegria, ignorando a borda do tampo que lhe apertava o abdômen.

- Eu acho que você tem coisas a fazer, com o seu nome de solteira recém re-adquirido.

Ele sussurrou em meio a cabelos loiros e gritos histéricos.

Dianna agarrou-lhe o rosto com as duas mãos... buscou a bochecha com os lábios. Algumas dezenas de beijos foram depositadas ali, antes que ela saísse da sala dele, se controlando para não correr. Tentando ignorar o ímpeto de gritar de alegria no corredor também, enquanto voltava para o set de filmagem.

Lea estava exatamente no mesmo lugar em que Dianna a havia deixado e conversava com Brad. Outra vez, ela gargalhou e Dianna sentiu-se estranha, enquanto se aproximava um pouco mais. Não se lembrava de ter se sentido daquele jeito antes... e com certeza se existia realmente aquela coisa extremamente brega e piegas das tais borboletas no estomago, era alguma coisa parecida com isso. E embora a sensação fosse um tanto quanto desconfortável, o frio no estomago a impeliu com um pouco mais de velocidade na direção de Lea.

Uma Lea que foi pega desprevenida, aliás...

Dianna enfiou ambas as mãos em meio aos fios castanhos, derrubando o chapéu que Lea usava e fazendo com que Brad interrompesse o que quer que fosse que estava dizendo.

Colou a testa na pele adorada, enquanto acariciava o nariz dela com o seu.

Lea cambaleou, surpresa. Então suspirou, não conseguindo reprimir, fechando os olhos e cobrindo os pulsos delicados com ambas as mãos... Dianna engoliu em seco, mordendo o lábio inferior.

- Você quer se casar comigo?

A voz baixa o suficiente para apenas Lea ouvir... E foi a vez da adrenalina agir na morena, arrepiando o corpo pequeno com violência enquanto ela prendia a respiração.

Se a sensação de que nada mais no mundo existia não fosse tão forte, pelo menos uma das duas conseguiria perceber que o set havia ficado em extremo silencio tão logo notaram Dianna tomando Lea para si.

Notariam também que os mais inexperientes dali, os mais afastados do cast, ficaram um tanto quanto boquiabertos quando Lea a respondeu com um beijo que parecia querer devorar-lhe a alma.

Notariam também que depois das primeiras frações de segundos, o silencio imposto pela surpresa se tornou uma comemoração uníssona e muito barulhenta...

Dianna a puxou um pouco mais para perto, quando o folego se fez faltar, se escondendo nos cabelos sedosos e muito escuros. O coração leve, extremamente leve e com a certeza de que nunca estivera tão feliz antes...

Não importava o que a família dela pensaria. Não importava o que os repórteres iriam dizer. Não importava o que a Fox iria dizer. Não importava onde Alex estava... onde Theo estava... Nada importava, na verdade.

No seu mundo, tudo era Lea. Nada a poderia machucar.

Costumam dizer que o pra sempre não existe...

Eu, uma humilde narradora, duvido um pouco.

Tenho certeza que Lea e Dianna também.


No dia 27 de Maio, eu estava no meio de uma crise emocional brava.

Os sentimentos comigo são muito intensos... O sofrimento também se inclui nessa regra.

Eu cheguei a pensar que enlouqueceria... Mas então, eu dei vazão a uma ideia que já me rondava há algumas semanas e escrevi as primeiras linhas de Be my Baby.

Postei no tópico da Glee Brasil e o pessoal de lá, que tem se convertido em uma verdadeira família para mim, me incentivou a continuar e a postar aqui.

E desde então, nós temos sido parceiros.

Não tem como eu agradecer todo o carinho e incentivo que eu recebi de vocês.

Muito obrigada, de todo o meu coração.

Be my Baby foi cheia de emoção... Eu tentei postar o mais rápido possível e peço desculpas pelas vezes em que não correspondi a expectativas ou demorei demais pra postar. Eu sempre me esforcei para que ficasse perfeito.

Nina, Jé Sodré e sua senhora, Sophie, Office, Aninha, Tokita, Letícia, Armandinho, Má, Lucas, Max, Anne, Mick, Jéssica, Karlinha, Adri, Louise, Lu, Paloma, Laiane, Gra, plim_trident, verdade1, monicaab0203, R_Che, Cook, britt, TalitaPerez, aline_uga, confusa, Manbah, Famke, faberryshipper (Renatinha s2), julianaDelvivo, maryduff13, thalitaacioli, joyce, GabsB, pay_paula, mayarosa, iarinha12, livbuk1900, Victoriana, MariaClaraGleek, mcarolina_, DiSchatz, FerRedfield, Achele-Forevers, Amandita19, OMGLEE, JK2_Faberry, Keylamagalhaes s2, Fangirl1987, maahemilia, Maryspearsgaga, amandagron, GabanaF, GraazyShadows, MariParpinelli, Agata0456, deiaguazzelli, anila, dessinhaquintao, C_Honda, Renatai, CGates, leavethisalone, mianickol, Dudah, Squaawks, , nicholas, dudewearelost s2, Marta, isa, joyce-chan. O pessoal que eu esqueci considere-se incluido, por favor... e toda a galera do F5, que lê mas não comenta, pra vocês, eu deixo um beijo enorme, todo o meu carinho e a promessa que se vocês estiverem comigo, eu continuo a escrever.

Não demorarei a dar notícias. Prometo.

Com todo o amor do mundo,

Larissa.