Love-War Red.

Autora: Little V.

Cor: Vermelho

Temas: Violência, raiva, fogo e perigo

Capa: Alguém quer fazer? :D

Porque estes olhos tão arregalados, pequeno Tom? Acaso te deixei abalado? Deixei-te sem reação?

E porque essa boca tão aberta, pequeno Tom? Acaso te deixei sem o que dizer, sem algum de seus discursos prontos e ultrapassados?

Porque esses músculos tão retesados, meu pequeno? Deixei-te furioso com meu ato? Deixei-te envergonhado na frente de todos aqueles que te respeitam? O baile que estavas a dar em comemoração ao vigésimo aniversário de teu império do mal, de repente, tornou-se sobre mim, e não sobre você?

Porque esses olhos tão faiscantes em minha direção, porque esses gritos, essa ira? Por acaso ateei fogo em seu sangue, inflamei sua alma e depositei traiçoeiramente ainda mais ódio dentro de ti?

Você não pode me controlar, pequenino. Não pode controlar alguém que deixou de te temer há tanto tempo. Não pode controlar o que faço, não pode mais me atingir com todos os teus tapas, socos, pontapés, torturas. Seu sexo não me atinge mais, nem a sua ira. Você não merece mais minhas lágrimas, não merece mais que eu implore por liberdade, não merece nada. Nem mesmo meu desprezo, embora essa seja a única coisa que eu ainda tenho por ti. Nem mesmo nojo sinto mais. Talvez pena. É. Talvez isso.

Pequeno Tom, você não merece mais o vermelho em mim. Você amava aquele vermelho, não amava? Amava quando ele se espalhava por cima de você e dos lençóis negros de nossa cama, enquanto fazíamos sexo. Amava quando ele ficava preso em altos e elegantes coques, revelando a pele alva de meu pescoço, sempre marcada por sua boca. Amava quando eles saiam em sua mão, quando você os puxava e arrancava gritos de minha garganta. Era a única coisa que você amava de verdade, e agora ele foi embora, não foi?

Pintei-os de preto, meu pobrezinho. Para onde foi o vermelho do teu amor e da tua guerra? Não adianta me bater, não adianta arrancar meus cabelos, gritar. Podes pintá-lo de vermelho quantas vezes forem necessárias, eu volto a pintá-los de preto (o preto dos teus cabelos, meu queridinho, não é uma boa coisa? Uma homenagem? Não é você que adora ter o mundo vivendo em função de ti?). Se quiseres que ele fique vermelho para sempre, terás que me matar. Ficarei pálida e vermelha, como você ama.

O vermelho que existia em mim, pequeno Tom, era o vermelho do teu amor. Mas também era o vermelho da minha guerra. E, no final vermelho, não é representante dos dois?

Esqueça. Ele já não existe mais. Para você, ele não existirá nunca mais.