Olá. Esse é o primeiro capítulo de uma short que escrevi em 2006, mas nunca publiquei. É um daqueles "projetos de gaveta" que ficam a espera de "O Destino de Muitos" ser concluído e acabam esquecidos por completo. Talvez valha a pena retomar, talvez não. Vocês é que vão me dizer.
É só um ensaio, sem nenhuma betagem, ninguém o leu, então, se houver algum erro grave, perdoem, por favor.
Beijos e Feliz Natal!
Sadie
VAZIOS
Embora o espírito estremeça à lembrança e seja avesso ao pranto, / começarei.
Virgílio
I – PAISAGEM DE SOMBRAS
Quando o sol brilhava assim, manhoso, por entre os galhos dos velhos arbustos, desenhando silhuetas divertidas no chão seco de outono, Elrohir sempre encurvava suas grossas e delineadas sobrancelhas negras com ares de um cão que fareja ao longe, recusando-se a aceitar a calmaria.
"Sol de outono," seu gêmeo, à direita em um cavalo pardo idêntico ao seu, comentou, atento como sempre às preocupações do irmão. "Sol de surpresas," acrescentou contemplativo, enquanto elevava os olhos em direção às rochas distantes, entre as quais o grupo no qual estavam passaria em pouco tempo.
"Anor trapaceiro," Elrohir resmungou, atento às mesmas imagens e ideias que ocupavam a mente do irmão. "Certas brincadeiras não têm graça."
"Deixe de ser rabugento. Sombras só são perigosas quando o que esboçam em imitação autêntica também o são. Quando não, são apenas motivos de diversão."
"Não estou disposto a me divertir."
"Isso é novidade," Elladan riu, em seguida soltou o ar do peito em busca de um alívio para a tensão sem propósito que o afligia e que, estranhamente, parecia estar afligindo também a seu gêmeo.
Elrohir não respondeu à provocação, sua mente estava povoada de lembranças tristes demais para conseguir encontrar algo engraçado ou igualmente provocativo para dizer. Elladan também se calou, parecendo sentir no silêncio um refúgio, agora que passavam pelas largas rochas que indicavam o princípio do Vau, aquele Passo que há tempos se convertera em um cenário de pesadelo para os dois.
"O Chifre Vermelho..." eles ouviram um dos elfos do grupo batedor que ia à frente sussurrar para o amigo no cavalo vizinho. A audição élfica, mesmo menos privilegiada como a que tinham os gêmeos, em alguns momentos era um grande transtorno. E aquele nome correu-lhes a espinha indesejadamente, despertando em cada um dos irmãos um sentimento diferente, porém aproximado, por estarem atados à mesma lembrança.
Haviam na verdade se conformado que aquela recordação jamais deixaria de persegui-los. Afinal, o que esperavam eles ali, naquele lugar de seus pesadelos, encontrar? Sentiam como se parecessem fadados a passar ali todos os dias de sua existência. Um suspiro e pronto, já estavam naquele rumo novamente.
Elrohir fechou enfim os olhos, desistindo de ignorar o aperto que se acentuava em seu peito. Até que daquela vez a sensação demorara um pouco mais a vir incomodá-lo. Logo a mão de Elladan estava em seu joelho, dando-lhe um leve aperto.
"Respire, Ro..."
Ele o ouviu dizer e soltou o ar do peito, obedecendo instintivamente aos comandos do mais velho. Mas era tarde, sua mente já estava repleta das imagens daquele dia, seu coração cheio da dor que sentira quando a encontraram, quando perceberam quanto mal aquelas criaturas tinham feito a ela e quanto daquele mal parecia ser irremediável.
Aquele mal que poderia ter sido evitado se eles não tivessem saído de sua rotina, se tivessem estado onde deveriam ter estado...
No entanto, entre a patrulha que acompanhava Celebrian naquele dia, entre os soldados que deram suas vidas para protegê-la, não estavam dois integrantes importantes, não estavam os primogênitos da Última Casa Amiga, não estavam os filhos da Senhora de Imladris.
Elrohir abriu os olhos, e percebeu que a sensação que amargava parecia ter contagiado os demais. Ao seu redor cada patrulheiro também estava cabisbaixo, o olhar perdido de quem igualmente trilhava tristes recordações. Ele ergueu as palmas então e enxugou o rosto úmido, criando coragem para encarar o gêmeo. Sabia que Elladan estava aborrecido com ele, ecoavam-lhe os inúmeros pedidos do mais velho, as súplicas para que ele esquecesse o passado, livrasse os ombros de ambos daquele pesado fardo.
Entretanto, aquele fim de tarde que por si só parecia querer fazer-se diferente dos demais, mostrou-se ainda mais intrigante para o já incomodado Elrohir, quando este, a voltar-se, encontrou, ao invés do previsível ar entristecido, um olhar atento no rosto do irmão, cujas sobrancelhas estavam envergadas em preocupação visível. O fato inesperado já foi o bastante para fazer com que Elrohir voltasse imediatamente a ser apenas o capitão daquele grupo.
"O que foi?" ele indagou.
"Não sei... Escutei algo..."
"O quê?" Elrohir intrigou-se. Estava tudo tão silencioso.
"Capitão!" A voz surpresa de Earon, um dos batedores, sobressaltou-os e o grupo teve um tempo mínimo de inquietação até que vissem o que havia roubado a cor do soldado.
A poucos metros, logo na saída do Passo, uma brutal mudança na paisagem tomou o fôlego dos elfos; uma pequena montanha enegrecida marcava o chão descoberto e seco. Uma montanha de corpos.
O batedor olhou para seu capitão, esperando por ordens ou qualquer palavra deste, mas o espírito audaz de Elrohir jamais se deixava prender em um sentimento de estupefação por muito tempo. Ele já sacara a espada e fazia seu cavalo dar giros no lugar no qual estava. O olhar atento buscava por respostas mais específicas do que seriam suas conjecturas. Em instantes a patrulha toda tomava as mesmas precauções.
Aos poucos todos perceberam que, infeliz ou felizmente, o silêncio seria a única informação que aquele cenário bizarro lhes ofereceria. Elrohir pressionou o maxilar insatisfeito, suas órbitas escurecidas ainda vasculhando a paisagem que não compreendia. Depois de mais algum tempo de incertezas ele olhou para o irmão e esvaziou insatisfeito os pulmões, movendo o queixo em uma instrução silenciosa que Elladan compreendeu bem.
O gêmeo mais velho desmontou cautelosamente e, sob o olhar atento e as armas erguidas de seus amigos, aproximou-se da mórbida descoberta.
"Orcs. Todos eles," relatou depois de uma breve investigação. Ele ajoelhou-se diante de um dos corpos então. "Alvejados... Parecem não terem tido qualquer chance de defesa."
"Pobrezinhos..." ironizou Angahor, o elfo mais velho do grupo capitaneado por Elrohir.
Ainda de joelhos, Elladan virou a cabeça em várias direções como se tentasse criar uma imagem melhor do que tinha acontecido. Ele baixou novamente os olhos, puxou uma das flechas que selara o destino de um daqueles infelizes e a olhou pensativo, depois suas sobrancelhas voltaram a envergar-se. "São setas bem feitas, porém rudimentares, não parecem trabalho de um dos nossos..."
"Edain?" Elrohir aproximou seu cavalo e Elladan ergueu-se lhe oferecendo a descoberta. O gêmeo mais novo segurou a flecha com uma das mãos, a outra ainda mantendo a espada erguida. Não parecia nada satisfeito com aquela cena inesperada. Ele olhou atentamente a flecha, mas nada disse.
"Algumas estão em melhor estado," Elladan observou, puxando outras setas e tentando encontrar um padrão entre elas. Elrohir esticou-se para apanhar algumas mais da mão do gêmeo, acompanhando atentamente seus movimentos e as conclusões que chegava. "Mesmo assim parecem feitas de forma improvisada..."
"Talvez sejam de algum povo peregrino," Angahor ofereceu. "Uma caravana edain, por certo."
"Uma caravana edain com arqueiros suficientemente capazes para abater um grupo de orcs dessa grandeza?" Hérion, o bardo do grupo, duvidou, enquanto aproximava seu cavalo da pilha de cadáveres. "Não sei não. Acho mais aceitável acreditar que o grupo que venceu esse era de primatas do que de edain arqueiros."
O tom jocoso do comentário trouxe um sorriso à quase todos do grupo, mas Elrohir, que sempre fora tão ou mais espirituoso do que o próprio Hérion, dessa vez não parecia disposto a especulações apelativas de qualquer espécie. Seu olhar já estava voltado para uma direção específica. Ele sentiu a mão do irmão em sua perna e havia urgência naquele toque.
"São flechas silvestres," Elladan disse seguro, percebendo o olhar do irmão se estreitar com aquela informação. Um pequeno som misto de descrença e surpresa ecoou no grupo.
"Não fala sério, Elladan," Angahor olhou os demais da patrulha como se esperasse apoio à opinião que acabara de expressar. "Os silvestres já possuem flecheiros capazes e equipamento bom o bastante para fazerem melhor do que isso."
"É verdade, Elladan," Hérion reforçou, desmontando apenas para apanhar uma das flechas. Assim como o gêmeo mais velho, ele também era um arqueiro e, além das cordas de sua harpa, conhecia outras cordas como poucos elfos conheciam. Ele analisou a seta com cuidado, a haste longa e fina feita de madeira rústica, mas bem cortada, o engaste com sua empenagem trabalhada com cuidado, garantindo o equilíbrio necessário para o projétil. A expressão segura de seu rosto foi desaparecendo devagar, conforme percebia em quais dados Elladan havia embasado sua afirmação.
O gêmeo mais velho, por sua vez, não acompanhava o processo de conscientização da verdade do amigo, ele agora andava em volta dos cadáveres, puxando alguns, empurrando outros, analisando cada ferimento, logo sua atenção estava novamente na figura do irmão, cujos olhos continuavam fixos em um mesmo ponto não tão distante deles. Aquele era Elrohir, enquanto todos se ocupavam com os detalhes de uma cena, o gêmeo mais novo a via como uma paisagem já completa da qual nenhum pormenor lhe escapava.
"É um elfo sozinho," Elladan verbalizou surpreso a conclusão, percebendo que Elrohir já chegara a ela há tempos. Ignorando a nova onda de insatisfação que aquele comentário fez gerar no grupo, voltou a aproximar-se do cavalo do irmão, olhando para a mesma direção deste. "Consegue vê-lo? Sabe onde está?"
"Como assim?" Angahor reergueu de súbito a espada. "Um elfo sozinho matou esse grupo à distância? E ele ainda está aqui?"
Agora toda a patrulha movia seus cavalos em círculos de cuidado e apreensão. Hérion ainda observou a flecha que tinha nas mãos, antes de atirá-la junto às demais que Elladan reunira e retomar sua montaria.
"Por isso as flechas ainda estão aqui," ele estava surpreso agora. "Ele ainda ia recolhê-las."
"Mas não o fez porque chegamos antes dele poder fazê-lo," Earon, que até então não se manifestara, espelhava a atitude de Angahor em um semblante ainda menos satisfeito do que o do amigo. "Espero que seja um elfo de fato." Ele olhava agora para todas as árvores, tivesse o porte que fosse, em busca do suposto inimigo. "Somos alvos fáceis aqui... Acham mesmo que ele realmente está em alguma dessas árvores? Essas copas não são das mais espessas. Principalmente nessa época do ano."
"Se ele está em alguma dessas nossas amigas jamais o encontraremos," Elrohir baixou enfim a espada, mas seus olhos escurecidos continuavam atentos. "Se esse nosso amigo é tão bom na arte silvestre da camuflagem quanto é na confecção de flechas, jamais o encontraremos, a não ser que ateemos fogo nessa pequena mata, o que por certo não faremos."
"Mas não estamos à caça de um inimigo..." Elladan comentou, dando a volta no cavalo do irmão, mas mantendo a atenção na mesma direção deste. Os olhos acinzentados do gêmeo curador estavam fixos em uma direção específica. Tanto ele quanto Elrohir tinham um afeto e respeito extremos pelas criações de Yavanna, mas o dom dos conhecimentos que a Vala concedera ao jovem curador era uma benção que o distinguia do irmão em situações como aquela. Elrohir dizia que as árvores falavam com Elladan de forma diferenciada da que falavam a ele e o gêmeo mais velho desconversava sempre que podia, mas jamais negara a verdade que aprendera certa vez no jardim enclausurado do palácio do Rei Thranduil. As árvores lhe falariam sempre que houvesse algo a ser dito e, naquele instante, uma delas parecia gritar-lhe uma informação muito importante.
Ele caminhou mais alguns passos, percebendo que o irmão já havia desmontado e seguia-o bastante próximo. O chão seco gemia abaixo de seus pés a cada passo que dava, conspirando com todas as outras impressões que tinha. Os sons e sensações não se calaram até que ele se viu diante de uma Azinheira jovem. Elladan ergueu os olhos para a árvore e suas sobrancelhas se encurvaram. Não se lembrava dela e não considerava o Passo um local dos mais apropriados para uma espécie daquelas.
"Está aí..." a voz firme do irmão roubou-lhe as dúvidas restantes, antes mesmo que ele precisasse tentar entender melhor o que aquele emaranhado de folhas dos mais variados tons de verde estava tentando lhe dizer. Elrohir adiantou-se um passo.
"O que vai fazer?" Elladan indagou.
"Chamar por ele," Elrohir respondeu, tomando agora a frente do gêmeo e continuando a aproximar-se. "Não estamos à caça de um inimigo, não é mesmo?" ele repetiu a frase ouvida e Elladan apenas apertou os lábios apreensivo, sabendo a quem cabia aquele primeiro contato. Atrás dele estabeleceu-se um suspense, enquanto o silêncio era invadido apenas pelo leve oscilar do vento nas folhas e a respiração hesitante e preocupada do grupo, a tensão presente nas mãos firmes nas espadas empunhadas de alguns, nos arcos semiarmados de outros.
Elrohir mantinha os olhos negros naquela folhagem, no vai e vem tão sutil quanto o receio que ele bem disfarçava por trás de uma face atenta. Ele ainda analisou suas chances caso seus instintos de liderança estivessem errados, deixou-se sentir o grupo atrás de si, o temor que compartilhavam, por fim soltou o ar do peito e disse em um tom que julgou alto suficiente para ser ouvido.
"Fez-nos um grande favor, guerreiro," ele disse em perfeito sindarim. "Somos elfos como você. Viemos de Imladris, da cidade no vale. Não lhe somos ameaça. Pode descer se quiser," completou e se afastou alguns passos, puxando o irmão para que fizesse o mesmo.
O vento ainda soprou um pouco mais forte e as folhas da jovem árvore aceitaram aquele ritmo por um tempo, até que, subitamente, pareceram mudar a direção de seu oscilar. Alguns ramos inclinaram-se sutilmente em uma direção contrária ao sopro que os conduzira até então. Espadas se ergueram mais alguns centímetros, arcos as acompanharam, mas além deles, ergueu-se também a mão do capitão contendo todos os próximos movimentos, mesmo esta não sendo a vontade de alguns. Elrohir balançou suavemente a mão direita, baixando sua própria espada para enfatizar o que queria ver feito, e seus contrariados soldados compreenderam e acataram suas instruções, afastando-se mais alguns passos junto ao líder.
Foi só depois dessa garantia que o que trazia à árvore movimentos misteriosos surgiu, descendo vagaroso o corpo esguio e tocando o chão. Os olhos se voltaram então para o grupo, e havia neles extrema cautela, nos lábios cerrados o sinal de uma preocupação evidente, reforçado então pelo arco firmemente armado e inteligentemente apontado na direção do capitão, do peito de Elrohir.
O gêmeo franziu o rosto, subitamente surpreso, mas o pouco movimento que seu corpo em um instinto se pôs a fazer foi contido pela evidente ameaça que aquela arma representava. Mais intrigante do que isso, todavia, era a pessoa que portava arco e flecha com tamanha segurança.
"Legolas?" Elrohir curvou as sobrancelhas, sem ousar se mover mais. A seu lado ouviu o eco de sua interrogação na voz do irmão. Nem precisaria se voltar para perceber que Elladan compartilhava a mesma estupefação dele com a imagem que via.
A única reação que o arqueiro ofereceu, no entanto, foi um leve envergar das sobrancelhas douradas ao ouvir seu nome, o arco armado cedeu alguns centímetros, mas logo se recompôs, voltando a direcionar a flecha para o alvo que escolhera.
"Legolas..." Elladan foi quem insistiu, sentindo pelo enrijecer do corpo de Elrohir que o irmão, mesmo sem compreender o motivo, começava a entender aquela situação como uma ameaça de fato, "Legolas... Somos nós..." O gêmeo tentou então, dando um passo adiante e roubando propositalmente a posição de alvo do irmão. Ele ainda ouviu o som de desaprovação que Elrohir não conteve, mas buscou afastar aquela repreensão da mente, pois sabia que a cautela era tudo o que podia temperar a reação de todos naquele instante. "Las..." Ele baixou o tom de sua voz e os sinais que viu surgir no rosto do amigo com o som daquele antigo apelido começaram a fazer para o jovem curador um sentido estranho demais. Elladan largou o arco e ergueu então ambas as mãos, decidindo que o risco valia a pena. "Somos nós, Las... Abaixe a arma, mellon-nîn. Nós não vamos lhe fazer mal."
O arqueiro estremeceu então pela primeira vez, firmando as mãos ainda mais fortemente na arma que segurava, parecendo querer fazer do gesto uma garantia de defesa que pensava precisar. Mas Elladan estava mesmo disposto ao risco, ignorando o chamado de advertência do irmão e o olhar cada vez mais acautelado do amigo louro conforme se aproximava.
"Las..." ele disse em sua voz de paz. "Somos nós. Elladan e Elrohir, os El. Não nos reconhece mais, mellon-nîn?"
Legolas voltou a estremecer, seu rosto estava tão endurecido como as estátuas dos reis do passado. Mas o que Elladan via em seus olhos não era mais o desejo de defender-se, mas uma apreensão que o curador não conseguiu compreender. Talvez por esse motivo, ou outro ainda mais forte, o gêmeo deu mais um passo e cobriu a mão com a qual o arqueiro segurava sua arma.
"Paz, mellon-nîn..." ele pediu, permanecendo com seu olhar fixo no do amigo enquanto o fazia abaixar gentilmente o arco. "Somos como irmãos, não somos? Não corre nenhum perigo junto a nós."
Legolas por fim cedeu, fechando os olhos por um momento, quando os reabriu Elladan teve a nítida impressão de que o amigo esperava que ele houvesse desaparecido como um sonho, ou um fantasma qualquer. O olhar que o arqueiro lhe deu depois de parecer constatar que aquilo não aconteceria foi quase de dor. Ele deu um passo para trás então, mas Elladan alcançou seu braço antes que se afastasse.
"Paz..." repetiu, tomando com cuidado o arco da mão do amigo. Legolas relutantemente concordou, acompanhando o distanciamento de sua arma com preocupação. Quando Elladan passou o arco para as mãos de Elrohir, os olhos de Legolas o acompanharam, pousando temerosos nos do gêmeo mais novo.
Elrohir pressionou os lábios, sem saber o que pensar, sem saber o que dizer. Ele não tinha o tato do irmão e, naquele momento, estava tão preocupado que não conseguia colocar no rosto nem o sorriso paciente que Elladan usara para tentar convencer o amigo louro de que tudo estava bem. Ele apenas aproximou-se sem qualquer pedido, sem qualquer aviso, e tomou o amigo nos braços.
"Eu não sei o que aconteceu, Las," ele sussurrou ao ouvido do arqueiro quando este estremeceu com o contato inesperado, mas não se esquivou. "Mas vai ficar tudo bem agora. Nós estamos aqui. Você não está mais sozinho."
