Nas semanas que se passaram, eu não falei mais com Edward. Ou talvez a verdade fosse que eu nem mesmo olhei na cara dele. Duas semanas depois do acontecido, Esme me contratou oficialmente como chef do The Cullen's, e eu recebi até mesmo uma pequena matéria no jornal da cidade. Forks não tinha muitos acontecimentos emocionantes. Eu fazia minhas refeições do lado de fora do restaurante agora, mais especificamente no lugar onde vi Edward pela primeira vez. E ficava lá justamente para não ter que aguentá-lo durante minha meia-hora livre. Eu tinha sempre uma companhia nas refeições: Jacob. Eu mesma fazia nossos lanches, na maioria das vezes, e ele adorava ressaltar como eu era ótima cozinhando. Todos os dias eram a mesma coisa, como se nós três estivéssemos programados. Eu e Jacob almoçávamos juntos e, quando nosso horário livre estava quase acabando, Edward saia para fumar. Nossos risos paravam no mesmo instante, ele e Jacob se encaravam, e eu voltava ao trabalho. Eu realmente estava gostando de trabalhar lá. Todos eram animados na cozinha (as coisas ficavam ainda mais divertidas quando Emmett aparecia). Mas uma onda de melancolia vinha junto com Edward, como se a alegria de todos os funcionários sumisse quando ele abria a porta.
Certo dia cheguei cedo – até demais – e fiquei nervosa, pensando em um jeito de me ocupar com alguém para que o gerente não puxasse assunto comigo. Sentei em uma mesa vazia, já com meus itens de higiene (como ele chamava) e, antes que ele pudesse me dirigir a palavra, Alice entrou saltitando pela porta da frente. Sorri, aliviada, e a puxei para a cozinha. Estávamos ficando muito amigas.
- Não me deixe sozinha com ele. – Resmunguei, me apoiando na bancada. Ela revirou os olhos, simplesmente, tirando o notebook da grande bolsa que trazia.
- Alguma hora vão precisar se entender. – Ela disse, ligando.
Assenti comigo mesma, com as costas apoiadas no balcão. Ao meu lado, ela apoiou seu computador.
- É complicado, Alice. Ele é tão grosso, e eu não suporto pessoas assim. Se ele não mudar, como eu posso... - Ouvi o barulho do Windows iniciando, e logo um suspiro vindo da pequena garota ao meu lado. Franzi a testa e me curvei pra frente, arregalando os olhos e ficando de frente para a tela em seguida.
- O QUE É ISSO, ALICE? – Eu não sabia se ria ou ficava nervosa. Ao lado das pastas e ícones estava meu primo, vestindo somente uma bermuda.
- É a foto que você me deu, ué.
- Não era para usar como plano de fundo!
- O que é que tem? Quem é que vai ver? – Ela revirou os olhos, mordendo o lábio inferior enquanto passava o dedo indicador pelo contorno da bunda de Jasper.
Passei as mãos pelo rosto demoradamente, enquanto ela ria e soltava gritinhos ao meu lado.
- Um dia... ESCREVA O QUE EU ESTOU DIZENDO! – Berrou no meio da frase, antes de continuar. – Um dia eu vou morder essa coisa deliciosa. – Disse, apontando para o traseiro do meu primo. Ergui uma sobrancelha, observando com os lábios pressionados um no outro. – E isso... E isso aqui também! E aqui... – Ela começou a sonhar sozinha, apontando para todas as partes possíveis do corpo dele, sem realmente olhar para onde. Em certo momento não consegui mais conter o riso, e Alice me acompanhou. Mas fomos interrompidas com os outros funcionários chegando. A garota desligou o notebook rapidamente, sem conseguir fazer o que pretendia quando o abriu. Talvez só quisesse mesmo olhar para seu mais novo pretendente.
***
Por volta das 13:00, o restaurante estava lotado. E eu era a maior responsável por tudo. Felizmente, era boa em mandar todos trabalharem enquanto eu mesma agilizava muita coisa. Os pedidos não paravam de chegar, e os pratos toda hora saiam. Mas parecia que aquela velocidade não era suficiente.
Edward abriu a porta com tudo, vestindo um terno impecável. O lugar não era chique, mas os clientes se arrumavam bastante para ir, e os funcionários não ficavam para trás. Ele andou diretamente para mim, e eu bufei, me desconcentrando do prato que preparava.
- Será que pode agilizar isso? – Disse, sério.
- Estou fazendo o máximo que posso. – Retruquei. – E estamos indo muito bem.
- Esme fazia tudo com o dobro de eficiência!
Fiquei em silêncio, empurrando ele levemente com o cotovelo ao pegar o sal próximo a sua mão. Logo depois estava uma faca que eu usara para picar as cenouras, e havia me esquecido completamente de guardar. Edward fez menção de sair, mas logo voltou, pronto para dizer mais alguma coisa.
- Escute aqui! – Tirei a colher de madeira de dentro da panela, apontando para ele. – Desde quando você entende alguma coisa de comida?
- Desde quando? – Ergueu a sobrancelha. – Eu toco esse lugar há 5 anos, e está sempre lotado. Mas nunca vi tantos clientes reclamando da demora!
- Ah, me desculpe por estar acabando com seu precioso restaurante! Eu realmente vou estragar tudo, como sempre faço, não é?
- Pode calar a boca e voltar ao serviço?
- Pode esquecer que eu existo?
- Isso não é possível, enquanto você for a responsável pela comida do meu estabelecimento.
Bufei, recolocando a colher no lugar para mexer o molho com uma vontade desnecessária. Mordi a língua para não insinuar que queria demissão ou algo do tipo, e prestei atenção enquanto ele começava a falar alguma coisa. Pelo canto dos olhos, pude vê-lo apoiando a mão no balcão. Mas, ao invés disso, estava tocando a faca.
- Merda! – Gritou, erguendo a mão sangrando.
Ignorei qualquer raiva que estava sentindo naquele momento, e também o prato que preparava, tentando segurar sua mão nas minhas.
- Me dá aqui! – Reclamei.
- NÃO, NÃO PRECISA! – Edward pareceu desesperado de repente, esquivando a pele da minha. Cerrei os olhos, pegando um pano de prato do outro lado da panela. Quando me virei novamente para ele, já estava no pequeno banheiro que havia depois da porta dos fundos, com sua saída para a rua.
Larguei tudo o que estava fazendo, seguindo-o.
- Edward, deixa eu cuidar disso!
- Você é enfermeira por acaso? Eu sei me virar. – Ele estava dentro do banheiro, lavando as mãos com o lábio inferior sendo mordido, provavelmente tentando suportar a ardência. Vê-lo sofrendo me deu um aperto no coração, e eu novamente tentei me aproximar. – JÁ DISSE QUE ESTOU BEM!
Olhei em seus olhos, desta vez com raiva. Por que diabos eu me importava com ele?
Jacob estacionou a moto atrás de nós e desceu, sorrindo ao me ver. Mas logo ficou sério ao olhar para dentro do banheiro.
- Tudo bem aí? – Havia realmente muito sangue na pia, e Edward parecia mais pálido, tentando acelerar a limpeza para que eu não precisasse intervir.
- A próxima entrega já está lá, Jake. – Mostrei a porta da cozinha com a cabeça, e ele assentiu.
Assim que saiu, Edward me olhou, suspirando derrotado ao ver que eu tentava entrar ali com ele.
- FICA PARADO! – Berrei, autoritária, enquanto segurava sua mão sangrando. O cheiro me deixou um pouco tonta, mas ignorei. Ele se esquivou mais uma vez, pedindo controladamente que eu saísse. Como recusei, ele recomeçou a gritar.
- Ótimo! – Saí com passos firmes, voltando para a cozinha com as mãos molhadas. Eu mal havia tocado o sangue dele.
Jacob parou ao meu lado, franzindo a testa.
- O que houve com ele?
- Se cortou. – Respondi, séria, enquanto lavava a faca. – E é auto-suficiente o bastante para cuidar de si mesmo, é claro! – Trinquei os dentes, me aproximando novamente da panela. Estava borbulhando. O molho passara do ponto.
Esme entrou na cozinha, perguntando calmamente o porquê da demora.
- EU ESTOU INDO, OK? SOU UMA SÓ! NÃO POSSO CUIDAR DAQUELE IDIOTA E AO MESMO TEMPO...
Um barulho veio a minha frente, e eu virei o rosto para ver o que estava acontecendo com a panela. De repente, meu rosto estava coberto de molho de tomate, assim como minhas roupas. Desliguei o fogo, simplesmente mostrando o fogão para Esme, num pedido mudo que assumisse meu lugar.
E então, era a hora do jantar. Eu estava me preparando (já limpa) para ir ao local de costume com Jacob. Preparei um lanche generoso para nós dois, com o máximo de queijo e carne que consegui colocar dentro do pão. Mas, antes que pudéssemos sair e nos sentar na escadaria na rua, alguém segurou meu braço.
- Hm... Bella? – Edward parecia hesitar quando me virei. – O que acha de jantar comigo hoje?
Franzi a testa, olhando de relance para Jacob, que respirava fundo. Ele segurava a porta aberta para mim, enquanto eu ficava no meio do caminho, sendo impedida de andar por causa da mão de Edward no meu cotovelo.
- Por que não vem e come conosco? – Perguntei, mostrando o garoto na porta com um leve aceno de cabeça.
- Preferia que fosse somente nós dois. – Seus dedos ficaram mais fortes em minha pele, e só então eu abaixei os olhos e vi o curativo envolvendo toda a palma de sua mão.
Mordi o lábio, sem saber como recusar. Olhei para Jacob e dei os ombros, obedecendo ao pedido do Cullen.
- Depois me diga se gostou, ok? – Sorri sem jeito enquanto me afastava, me referindo ao sanduíche.
Não era exatamente um encontro. Eu acho. Precisávamos ser rápidos; eu só fui liberada naquele momento porque o restaurante estava relativamente vazio, e Esme daria conta dos poucos clientes. Ele me levou para a mesma praça em que estive com Rosalie, e sentamos em um banco onde poderíamos ver muito bem a fonte funcionando. A luz do poste estava exatamente em cima de nós, como se alguém estivesse nos assistindo na escuridão. Edward se ajeitou um pouco encolhido, talvez pensando que eu iria brigar com ele caso invadisse meu espaço. Observei, divertida, enquanto ele abria uma marmitex contendo somente macarrão e alguns pedaços de frango. Arrumei meu corpo ao seu lado, olhando o restaurante no fim da rua antes de começar a abrir meu jantar.
- Isso é tão... Pobre. – Disse, praticamente para si mesmo.
- Ah, é claro. Não está acostumado com esse tipo de comida, pobre garotinho mimado!
Ele ergueu a cabeça, mexendo ela negativamente antes de dar a primeira garfada. Mordi meu lanche, um pedaço pequeno, tentando pensar em algum assunto.
- Então, por que afinal estamos aqui? – Perguntei depois de engolir, olhando seu rosto.
- Eu só... Estava pensando em pedir desculpas. – Deu os ombros.
Eu assenti, mastigando um pouco mais do sanduíche.
- Novidade. – Ri baixinho, limpando a boca com meus próprios dedos.
Ele franziu a testa, parando com a comida à caminho da boca.
- Como é?
Pressionei os lábios um no outro, apoiando as mãos no colo um pouco nervosa.
- O que você acha? Se não fizesse tanta merda, não precisaria se desculpar o tempo todo.
Um longo tempo de silêncio continuou, muito mais longo do que eu pensava. Eu já passara da metade do lanche quando ele voltou a falar.
- O fato é que... Eu não poderia tê-la acusado daquela maneira. E suas intenções em me ajudar foram boas.
Vi pelo canto dos olhos ele analisar seu curativo antes de voltar a comer. Edward engoliu o resto de comida que faltava ali e deixou o prato de alumínio entre nós. Antes que eu pudesse comer o ultimo pedaço do meu jantar, ele colocou a mão no bolso, procurando o isqueiro.
- Ah, não! – Reclamei, abaixando o lanche ao ver ele acendendo um cigarro.
- Me deixa. – Respondeu, ficando em pé enquanto tragava e soltava a fumaça para o lado oposto a mim.
Ele ficava absurdamente sexy com o cigarro entre os dedos, eu não podia negar isso. Mas o vento estava em nossa direção, e o cheiro estava vindo direto para mim. Bufei ao ver que não pararia e engoli o que faltava do lanche. Em seguida, fiz uma bolinha com o papel alumínio, jogando em sua nuca. Ele virou, assustado, e eu ainda mastigava. Quando a comida desceu, eu ri alto, e ele ficou ainda mais confuso. Edward começou a andar em direção a fonte e eu corri para ficar a sua frente, andando de costas. Seus olhos de esmeralda me fizeram lembrar uma antiga conversa.
- Então, acha meus olhos bonitos?
- Não só os olhos. – Respondeu depois de soltar a fumaça, abrindo um meio sorriso. Mordi o lábio inferior, esperando que não estivesse corada. Eu tinha noção de que era bonita (o suficiente), mas nunca nenhum namorado meu disse isso tão abertamente.
- O que eles têm de tão incrível?
- Parece chocolate derretido. Eu gosto disso.
- Gosta de chocolate?
- Só nos seus olhos.
Assenti, analisando seu ombro por alguns segundos. Ele voltou a falar, e sua voz chamou minha atenção para seu rosto.
- Sente falta de sua mãe?
- Bastante, para ser sincera. – Dei os ombros. Parei, sentindo a beirada da fonte bater em minhas pernas. O vento veio com força novamente e, depois que passou, ele arrumou meu cabelo atrás da orelha. Ergui uma sobrancelha, mas ele não pareceu perceber como aquilo foi estranhamente íntimo.
- Me diga algo sobre você que ninguém sabe. – Pediu como se quisesse simplesmente saber meu nome.
- Eu... – Franzi a testa, sendo pega de surpresa. – Faço o melhor fondue de queijo da história.
Ele sorriu abertamente, o que era raro de se ver.
- Alguém certamente sabe disso.
- Certamente. Não tenho segredos ou coisas do tipo.
- Eu... – Edward pensou, mas simplesmente deu os ombros. – Realmente. Sem segredos. Ah, bom, que tal isso: ao contrário da maioria das pessoas, não sou fascinado por cães. Sempre quis ter um gato.
Ergui as sobrancelhas, rindo alegremente. Ele deu os ombros mais uma vez, e em seguida mostrou o restaurante no fim da rua com a cabeça.
- É melhor voltarmos.
- É, sim.
Observei enquanto ele tragava uma última vez, me acompanhando em direção à calçada. Assim que saímos da grama ele jogou o cigarro no chão, apagando o pouco que sobrou. Mexi a cabeça um pouco indignada, e ele me olhou sem se importar.
- Eu quebrei o braço quando tinha 8 anos, brigando com Emmett para ver quem ficava com mais doces no Halloween.
- Seria difícil ganhar dele. – Ri baixinho. – Eu... Sempre sonhei em ficar presa a noite toda dentro do Mc Donald's.
Edward me olhou divertido. Já estávamos na porta do restaurante quando ele riu, subindo a escada de costas para olhar para mim.
- Sua vida toda se resume em comida?
- E algumas coisas mais. – Respondi, sentindo sua mão ser entrelaçada devagar na minha enquanto andávamos em direção à cozinha.
N/A: Quem gostou do Edward se redimindo dos seus erros levante a mão o/
HUAHUAHUAHUAHUAHU, ah vai...esse capítulo ficou fofo e só não saiu antes
Por que a Carol teve que viajar no fim de semana mas...espero que a espera tenha
valido a pena ^^
Obrigada pelas reviews LINDAS que estou recebendo, estamos mais do que empolgadas
a continuar e breve sairá o próximo capítulo.
Agora o momento que eu mais gosto, responder aos comentários lindos de vocês *-*
Ana Krol: Pois é...segredo ainda mas digamos que a frase chocou ele mais do que
todos imaginam, mas claro que ele sabe que ela realmente não quis dizer aquilo,
apenas estava nervosa...e quem não estaria depois de ter ouvido um monte né¿
O problema dele logo logo vocês saberão AHHUAHAHUAHUAHU, espero que tenha
gostado desse capítulo também. Beijos ;)
Christye-Lupin: Postei AHUHUAHUAHUAHUAHU
Pollyanna Cullen: Obrigada *-*, que bom que está gostando e espero que esse capítulo
tenha sido tão bom quanto os outros e que você não desista de ler a fic HUAHUAHUAHUA.
Beijos e obrigada ;)
Bom, é isso gente, até o próximo capítulo que eu espero demorar menos :P
Beijos a todas, e...Ah...ia esquecendo de pedir, por favor, se estão gostando
da fic divulguem para as amigas e os amigos, seria bom ver mais pessoas
empolgadas com a história por aqui, mesmo que for pra falar que ta ruim
ehe...
Agora sim...beijos e até o próximo.
