CAPÍTULO II

Lily precisou de alguns segundos para vencer a incredulidade. Os Potter queriam Nicky! Queriam o filho de Petunia!

James interpretou o silêncio como encorajamento.

— Damon adora crianças. Nicholas será muito amado.

— Francamente... não acredito no que estou ouvindo — Lily confessou trêmula. — Não permitiu que seu irmão se casasse com Petunia, mas acha que ele tem direito sobre o filho dela? Ele a esqueceu por completo, ignorou suas cartas e a deixou enfrentar sozinha uma gravidez muito difícil, e agora você vem dizer que ele quer a criança?

— Quaisquer que sejam seus sentimentos por meu irmão, ele é o pai desse bebê.

— Não acredito que tenha aceitado esse fato...

— Damon herdou um grupo sanguíneo muito raro, característica da família de minha mãe, e soube que Nicholas tem o mesmo tipo de sangue — ele comentou, reconhecendo que não teria acreditado sem a prova definitiva. — As chances de estarmos diante de uma coincidência são muito remotas.

— E você deve estar verificando todas elas!

— Não estou disposto a enfrentar uma discussão, Srta. Evans. Só estou aqui pelo bem da criança, como intermediário e representante de meu irmão nessa negociação.

— Negociação?

— Conciliação, se preferir. Já que o passado não pode ser mudado, devemos pensar no futuro de meu sobrinho.

— O futuro de Nicky está aqui, comigo!

— Sem dúvida espera conseguir uma oferta melhor com essa encenação de afeto pelo filho de um homem que despreza...

— Oferta?

— Diga seu preço. Estou disposto a pagar o que for necessário.

Lily estava tão indignada que não foi capaz de responder.

— Desista de Nicholas sem criar problemas ou escândalos, e prometo que terá o que quiser. Pense bem. Você tem uma vida dura... Qual é sua idade? Trinta, trinta e um?

Trinta? Estaria aparentando tantos anos além de sua verdadeira idade?

— Poderia fazer o que quisesse — James apontou com frieza. — Não é tarde demais. O dinheiro pode comprar beleza. Com algum esforço e atendimento especializado, poderia tornar-se uma mulher muito atraente... Pense nas viagens, nas roupas, no conforto... Sei que é uma mulher inteligente. Talvez possa até encontrar um marido.

Lily respirou fundo, dividida entre a indignação e a humilhação. Apesar da raiva que sentia, da certeza de estar diante um homem arrogante, grosseiro e insuportável, era impossível ignorar o estranho fascínio que experimentava. De maneira sutil, porém clara, ele estava dizendo que um homem seria a solução para todos os seus problemas. Jamais passaria pela cabeça de alguém como ele que o celibato pode ser uma escolha perfeitamente natural.

E como poderia? James Potter tinha duas amantes! Uma em Paris e outra em Londres. Lily engoliu em seco, tentando disfarçar a repulsa provocada por comportamento tão promíscuo. Era evidente que seu apetite sexual era voraz e primitivo, o que o tornava uma espécie de peça de museu na sociedade atual. Um homem digno de piedade, ela disse a si mesma enquanto erguia o queixo. Deixar um bárbaro como esse feri-la e embaraçá-la era ridículo.

— Nicky não está à venda — Lily respondeu com tom seco, questionando os pensamentos íntimos dos últimos segundos.

— Nem eu sugeri que estivesse. Só pensei que não gostaria de prender-se a uma criança tão pequena e cheia de necessidades quando pode construir uma nova vida.

— Não quero uma nova vida. Estou perfeitamente feliz com a que tenho.

— Nesse caso sou forçado a ser grosseiro...

— Oh, não acredito que precise de qualquer estímulo! — Lily cortou com sarcasmo. — Diria que a grosseria é parte de sua natureza. O desafio seria tentar um pouco mais de sensibilidade.

— Você é uma mulher de discernimento — ele sorriu, surpreendendo-a com sua reação. — Apesar de ter piedade por sua falta de feminilidade, sua língua ferina e sua malícia descarada, realmente sinto-me intimidado em sua presença.

Pálida, Lily sentiu o ódio crescer até tornar-se uma força assassina.

— Não vamos perder tempo. Está dizendo que pretende privar Nicholas da presença do pai e de sua herança natural — ele afirmou com tom gelado. — E o que oferece em troca? Um buraco mal iluminado e pequeno onde ele terá de crescer, o rótulo da ilegitimidade e os ensinamentos de uma mulher que não tem sequer um bom caráter. Se tivesse um pingo de decência, não teria encorajado sua irmã adolescente a prosseguir com o relacionamento com meu irmão...

— E você, por que não impediu esse romance, se tinha tanto poder sobre seu irmão? — Lily explodiu furiosa.

— Só descobri tudo quando já era tarde demais. Você sabia desde o início. Teve sua parcela de culpa na morte prematura de Petunia.

— Meu Deus!

— E como se não estivesse satisfeita com essa tragédia, agora quer destruir o futuro de meu sobrinho. Não vou permitir, ouviu bem? Ele pertence à minha família. Podemos dar tudo a essa criança. Parentes que o tratarão com amor e respeito, uma mãe atenciosa e um pai de verdade. As melhores escolas, uma linda casa e a capacidade de manter a cabeça erguida em qualquer situação. Ele é um Potter!

E isso, evidentemente, devia ser motivo de orgulho. Agora entendia porque Petunia Evans, filha de um operário e uma enfermeira, fora tratada com tanto desprezo. De repente seus pensamentos retornaram alguns segundos, enfocando palavras que James havia pronunciado pouco antes. Uma mãe atenciosa?

— Androula amaria esse bebe como se fosse sua mãe verdadeira. Não há lugar para ressentimento ou mágoa em seu coração generoso. Ela teve alguns meses para habituar-se à idéia de que outra mulher carregava no ventre o filho de seu marido.

Lily ficou paralisada. Androula... filho de seu marido? Damon casara-se com outra mulher, enquanto Petunia alimentara esperanças patéticas de uma eventual reconciliação!

— Vamos ver se entendi... Está sugerindo que eu entregue Nicky para Damon e essa... And...

— Androula.

— A esposa de Damon — ela repetiu, só para certificar-se.

— Uma jovem bondosa e adorável.

Não uma prostituta como Petunia, Lily interpretou com amargura. Estava tão perplexa com o que James sugeria que só conseguiu conter a raiva com enorme esforço. O fato dele sequer perceber o quanto estava ferindo seus princípios morais era a prova definitiva da falta de decência dos membros da família Potter.

Se Petunia estivesse viva, também teriam se aproximado para exigir que ela entregasse o filho? James estaria acusando sua irmã de privar o bebê da riqueza material e de todas as vantagens que Damon poderia oferecer? Provavelmente. Esse homem havia tratado Petunia como um monte de lixo, e em nenhum momento considerara a possibilidade dela ser a mulher adequada para seu irmão caçula, nem mesmo ao saber que ela estava grávida. Aparentemente, James Potter não admitia que uma mulher pobre e simples como Lily Evans pudesse ter sentimentos.

Petunia teria preferido a morte a entregar o filho à esposa de Damon! Revoltada, Lily aproximou-se do telefone.

— Se não sair dessa casa imediatamente, vou chamar a polícia. Afinal, você não foi convidado a entrar.

— Isso é tudo que tem a dizer? Será que não tem nenhuma vergonha? Eu aqui falando sobre a generosidade de Androula...

— Generosidade! Essa é boa! O que acabou de sugerir é tão absurdo, que não merece sequer consideração. E a proposta mais vil que já ouvi!

— Vil?

— Saia daqui imediatamente!

— Não tenho nenhuma intenção de sair antes de chegarmos a um acordo.

— Se não sair, juro que irei procurar o jornal mais sensacionalista que existir e contarei tudo.

— Teria coragem de fazer isso com Androula? — ele perguntou chocado.

— Não estou preocupada com sua generosa Androula!

— Se fosse um homem, partiria todos os ossos de seu corpo com minhas mãos.

— Imagino como isso o faria feliz. Mas não pode tocar em mim, é isso que o deixa tão furioso. Se você ou seu irmão aproximarem-se de mim novamente, irei procurar a imprensa. Damon poderia estar com o filho nesse momento, sr. Potter. Ele teve a oportunidade de conviver com essa criança, mas preferiu abandoná-la. Minha irmã deu a vida para trazer Nicky ao mundo. Esse era o valor que ela dava ao bebê, e esse é exatamente o valor que eu dou ao meu sobrinho.

— Não tem direito de ficar com Nicholas!

— Não? Então vá aos tribunais... Onde toda a história será revelada. Damon e a esposa jamais ficarão com o filho de Petunia. Aceite esse fato e fique longe de nós.

James estava pálido e furioso, mas conseguia manter as emoções controladas.

— Então essa será sua vingança... — ele disse.

— Não é nem um centésimo do que eu gostaria de fazer com você e sua família. Damon é um fraco, um covarde, mas foi você quem destruiu a vida de minha irmã. E por quê? Porque ela não era boa o bastante! Porque era pobre e não correspondia aos seus padrões esnobes!

— Não foi bem assim. E usar uma criança inocente como arma de vingança é que é vilania!

— Sabe qual seria a verdadeira vingança? — ela riu, sabendo que jamais alcançaria tamanha felicidade. — Fazê-lo sofrer pelo que fez a Petunia. Se Nicky é ilegítimo, você é o único culpado. O orgulho de sua família arrogante está acima da honra e da decência. Quando disse que eu não tenho bom caráter, eu devia ter rido em sua cara! Como se atreve a falar em caráter, quando coleciona amantes e paga para ter sexo com elas? Você e seus padrões duplos, você e sua hipocrisia! Tente me prejudicar, ou encostar um dedo em mim, Sr. Potter, e o mandarei para a prisão!

— Um dia, um homem de muita sorte vencerá sua estupidez e a fará compreender o significado da palavra respeito — James resmungou com os punhos cerrados.

— Quer saber o que realmente merece? Uma esposa capaz de transformar sua vida num inferno! Uma verdadeira cadela!

— Como você? — ele disparou.

— Eu não tenho estômago para me aproximar de você! Não me lembro de ter conhecido homem mais repulsivo em toda minha vida! Posso não ser um modelo de beleza, mas meus padrões morais são bastante elevados, ao contrário dos seus.

— Nenhuma mulher jamais me considerou... Repulsivo.

— O dinheiro fala alto — Lily concluiu, abrindo a porta para convidá-lo a sair.

Por um segundo James pareceu disposto a agredi-la fisicamente, tal era a raiva estampada em seu rosto. Por alguma razão, era como se não pudessem desviar os olhos um do outro, atraídos por um poderoso e estranho fascínio. Mas de repente ele recuperou-se e saiu com passos rápidos e firmes. Lily bateu a porta e virou-se, e só então compreendeu por que ele James decidira partir tão subitamente. Molly estava sentada no último degrau da escada, perplexa e boquiaberta. O espanto em seus olhos era tão grande, que ela nem sequer tentou negar o pecado da curiosidade. Estivera ouvindo a conversa.

Batidas violentas na porta atraíram a atenção de Lily, que abriu-a com um gesto furioso.

— Receberá notícias de meus advogados — James avisou com o dedo em riste.

— Faça isso. Uma visita, uma ameaça, uma tentativa de intimidação, e irei cantar no ouvido da Imprensa — ela respondeu, antes de bater a porta novamente.

Molly continuava boquiaberta, os olhos arregalados e cheios de espanto.

— Duvido que ele volte a nos aborrecer.

— Não acredito no que acabei de escutar... Você o enfrentou!

— Apenas disse algumas verdades. E esse sujeito não é tão frio como Petunia dizia. Aposto que todas as mulheres que ele conhece o idolatram, alimentam sua vaidade...

— Por isso disse que ele era repulsivo, e que tinha de pagar para ter sexo?

— Quis bater onde a dor seria mais forte.

— Não acredito que um homem tão lindo tenha de pagar para ter uma mulher em sua cama. Está afirmando que ele se relaciona com prostitutas?

— Ele mantém duas amantes. E se as mantém, está pagando pelo próprio prazer.

— Não é bem assim!

— Por que está defendendo esse sujeito, Molly?

— Lily, ele não é responsável pela morte de Petunia. Ninguém tem culpa. Está se tornando obcecada. Sei que está sofrendo, mas não pode agir como se a morte de sua irmã fosse uma ofensa pessoal!

— Perder Petunia foi muito pessoal — Lily soluçou. Molly aproximou-se e abraçou-a.

— Sim, eu sei, mas precisa pensar em Nicky, querida.

— Está tentando dizer que acha que devo entregá-lo a Damon e sua esposa?

— Se essa mulher está realmente disposta a receber o bebê, se tudo isso não for apenas uma encenação para conservar o marido... Por outro lado, como poderemos saber? Não faça essa cara de quem está sendo traída — Molly implorou, o rosto redondo cheio de incerteza e preocupação. — Também estou muito confusa. Não sei mais o que pensar. A única coisa que sei é que o bem estar de Nicky tem de vir acima de tudo, e nem com toda a boa vontade do mundo... Como poderá alcançar um décimo de tudo que eles podem dar ao bebê?

— Dinheiro não é tudo — Lily protestou. Sei que Nicky tem o direito de usufruir da fortuna da família paterna, mas não às custas da memória de Petunia! De qualquer forma, Molly estava certa. A felicidade e o futuro de Nicky tinham de ser colocados acima de tudo, e os sentimentos dela, por mais dolorosos que fossem, não podiam impedi-lo de desfrutar de um lar confortável e da segurança que a família Potter podia proporcionar.

Mas se Damon e a esposa queriam criar Nicky, eles que viessem fazer a oferta pessoalmente, que demonstrassem sinceridade e honestidade de propósitos. James não tinha o direito de interferir, e seu sobrinho não era um pacote a ser remetido para um destino desconhecido. Era um ser humano, e ela o amava muito!

— Nicky é um bebê, e vai acabar descobrindo que a carga de criá-lo é muito maior do que foi criar Petunia — Molly suspirou. — Terão de morar aqui comigo. Não há outra solução.

A semana seguinte foi um período de tormenta para Lily. Nicky era adorável, mas não dormia muito. E também não queria ser alimentado a cada três ou quatro horas, mas constantemente. Molly tentava ajudar, mas Lily preferia seguir todos os conselhos do pediatra, pois mais difícil que fosse. Ao mesmo tempo, ainda tentava ajustar-se à ausência da irmã. Visitava sua sepultura três vezes por semana na intenção de conformar-se, mas a cada visita seu pranto era mais angustiado e revoltado.

Uma semana depois da primeira visita, James voltou a procurá-la e encontrou-a sozinha com o bebê. Eram cerca de oito da noite. Lily havia acabado de sair do banho, e estava a caminho da cama, disposta a aproveitar as horas de sono de Nicky para descansar um pouco, quando ouviu a campainha.

Ao ver James Potter ela empalideceu, uma das mãos agarrando a gola do robe atoalhado e a outra tentando amarrar a faixa em torno da cintura. Estava nua sob o tecido macio, e isso a embaraçava e enfurecia.

— O que quer agora? — perguntou irritada.

— Cinco minutos de seu tempo — James respondeu, entrando sem esperar pelo convite.

— Se me der licença, vou me vestir.

— Para que perder tempo? Não me perturbaria nem se estivesse completamente nua.

Vermelha de raiva e vergonha, Lily passou por ele e foi sentar-se no sofá sem qualquer cerimônia. A toalha que protegia seus cabelos molhados ameaçava cair, e ela preferiu retirá-la e jogá-la longe.

Uma cascata de cabelos ruivos caiu por suas costas até quase a cintura. James parou subitamente, os olhos fixos nela como se a estivesse vendo pela primeira vez. Segundos se passaram antes que ele recuperasse o poder de ação e se aproximasse de uma poltrona.

— Posso me sentar?

— Como quiser — Lily respondeu com tom frio.

— Podia me oferecer um drinque.

— Você não é uma visita bem vinda, Sr. Potter.

Sem o menor sinal de constrangimento, James aproximou-se das bebidas dispostas sobre uma mesa de canto, localizou o uísque, escolheu um copo e serviu-se.

— Devia ter avisado que não consigo ser muito cortês em sua presença.

Lily preferiu refugiar-se no silêncio, mas seus nervos estavam tensos como as cordas de um violino.

Potter foi sentar-se numa poltrona, os olhos amendoados iluminados por um brilho arrogante.

— Na semana passada, cometi diversos erros de cálculo. — ele anunciou. — É evidente que não tem nenhuma intenção de desistir de Nicholas.

— Nicky — Lily corrigiu irritada.

— Nicky... Não pretende abrir mão dele, certo?

— Certo. — Certo? Havia passado noites em claro, pensando se havia sido correto recusar a proposta que James fizera para o futuro do bebê. Em termos materiais, a família Potter tinha muito a oferecer a seu sobrinho, e a sugestão de dar a ele um lar, um pai e uma mãe... Mas eram exatamente o pai e a mãe que mais a preocupavam.

— Acho que não tive muito tato ao sugerir que meu irmão e sua esposa assumissem a responsabilidade sobre a criança.

Estranhando sua atitude conciliatória, Lily franziu a testa.

— Não estamos falando de tato, mas de sensibilidade. — ela respondeu.

— O futuro do menino pode ser garantido de outra forma. Posso adotá-lo e criá-lo como meu filho.

Lily ficou perplexa com a proposta oferecida de maneira tão casual. Tentando ganhar tempo, umedeceu os lábios com a ponta da língua e notou que os olhos dele cravaram-se em sua boca, notando o formato perfeito dos contornos voluptuosos.

Havia tensão no ar. Não sabia de onde ela viera, mas podia senti-la como um toque gelado sobre sua pele. Um sorriso apagado desenhou-se no rosto de James. Num minuto estava ali, e no outro havia desaparecido, deixando-a com uma suspeita que não sabia sequer definir. Qual era o problema com ele? A bebida, talvez? O que quer que fosse, o estranho comportamento de James estava desviando sua atenção do assunto principal. E quanto à proposta de adotar Nicky... não merecia nem mesmo resposta!

— Você entregaria a criança ao seu irmão — ela disse, como se pensasse em voz alta.

— Sou um homem de palavra, um homem honrado. Sei que não acredita nisso, mas é imperativo que Nicky seja reconhecido como um Potter.

— Imperativo para quem?

— Acredita realmente que um dia esse garoto será grato por tê-lo privado de seu lugar de direito na sociedade?

Lily abaixou a cabeça, assaltada novamente pela dúvida e a incerteza.

— Sua determinação de negar a Nicky o que minha família pode dar a ele é absolutamente egoísta.

Tensa, Lily manteve os olhos fixos no tapete. Egoísta? A acusação a perturbava. Então ele não compreendia que, de seu ponto de vista, os homens da família dele eram um péssimo cartão de visitas? Damon: fraco, cruel e egoísta, como fora revelado pela maneira com que havia tratado sua irmã. James: grosseiro, arrogante e igualmente cruel e egoísta com os menos favorecidos pela sorte. Não estava tentando conservar a custódia de seu sobrinho apenas para vingar-se, ou por simples respeito à memória de Petunia. Não, realmente...

Uma criança precisa de mais que riqueza e status para desabrochar. Uma criança precisa de tempo, compreensão e amor para crescer e tornar-se um adulto responsável. Seria possível que tais necessidades fossem totalmente supridas pela família Potter? Acreditava que não, mas gostaria muito de ter uma bola de cristal para descobrir a resposta, pois não queria prejudicar o futuro de Nicky com uma decisão errada. Nicky jamais a perdoaria...

— Não entregaria Nicky aos seus cuidados — ela disse.

— Estamos falando de um bebê, e você é um homem ganancioso e obcecado por trabalho. Sem dúvida o deixaria aos cuidados de uma babá. E quando se casar? Nicky terá uma madrasta que dará preferência aos próprios filhos.

— Com que direito atreve-se a emitir opinião sobre meu caráter? — ele perguntou, levantando-se como um tigre preparando-se para o ataque.

Uma palavra de crítica e ele ameaçava explodir.

— E não podemos esquecer de seu temperamento... — Lily prosseguiu.

— Meu temperamento?

— Não tem muito controle sobre ele. Crianças podem ser irritantes, sabe? Elas costumam testar a paciência dos adultos a cada instante.

— Não sabe nada sobre meu temperamento. Sou um homem muito disciplinado.

— Sim, deve ser calmo e dócil como um cordeiro, desde que todos à sua volta estejam fazendo exatamente aquilo que você quer — ela opinou, levantando-se para aproximar-se da porta e convidá-lo a sair. — O que não suporta é ser contrariado, especialmente por uma mulher.

— Poderia lidar com você com uma das mãos presa às costas, mas garanto que não gostaria dos meus métodos — James sorriu.

Por alguma razão, a arrogância daquele olhar a fez perder o fôlego por alguns segundos. O tempo parecia caminhar mais devagar. E de repente ele desviou os olhos dos dela e dirigiu-se à porta.

— Nicholas está chorando — Potter informou com voz tensa, como se o choro de um bebê fosse uma ofensa imperdoável.

— Nicholas? — Confusa, Lily piscou algumas vezes para quebrar o encanto. Devia ser o cansaço, a preocupação... Sentia-se estranha nos últimos dias.

Impaciente com a demora da resposta, James aproximou-se da escada e, sem olhar para trás, disse:

— Não se deve deixar um bebê chorando.


N/A: Oi pessoinhas! Aqui estou eu trazendo esse cap quentinho pra vocês!

E então, o que estão achando do nosso James? E do Damon? Vamos, eu adoraria saber o que vocês estão pensando dos nossos lindos e adoráveis personagens! :D

Eu estou de férias até março (eu sou universitária agora! 6º lugar pra Comunicação Social/Jornalismo - Universidade Federal do Tocantins -UFT!), ou seja, 3 meses de férias sem fazer nada, por isso minhas atualizações provavelmente serão mais constantes, ok?

Beijos na ponta do nariz -q

AdlaPoynter ;*

PS: Aah, quem é fã de McFly aqui? Vocês viram que o Dougie tá querendo pedir a Lara em casamento? Aawnt meu lindinho vai casar! 33

PPS: Era pra eu ter postado esse cap ontem, mas a droga da internet não tava querendo pegar .