CAPÍTULO III
James já estava com Nicky nos braços quando Lily chegou ao quarto. Seu sobrinho berrava com toda a força dos pulmões, o rosto vermelho em sinal de insatisfação.
— Deixe-me pegá-lo — ela pediu, estendendo os braços na intenção de oferecer todo o conforto possível.
— Sei o que fazer com um bebê — James respondeu com frieza. — Com que frequência costuma deixá-lo chorando?
— Eu nunca o deixo chorando!
— Em minha casa, ele teria atenção imediata em todos os segundos do dia.
— Se o colocar no berço, irei esquentar a mamadeira.
— Vou ficar aqui com Nicholas até você voltar.
O atrevido! Lily dirigiu-se à cozinha com passos apressados, furiosa por ele estar segurando o filho de Petunia. Recusava-se a reconhecer o laço de sangue entre eles. Nenhum dos irmãos Potter tinha direito a tal reconhecimento.
De repente o passado voltou a desfilar por sua mente, trazendo de volta a amargura e a raiva.
Há sete meses, Damon partira para a América numa viagem de negócios. De acordo com Petunia, ele soubera sobre a gravidez e ficara absolutamente encantado com a idéia de ser pai. Petunia naturalmente havia sugerido que já era hora de Damon apresentá-la ao irmão. Com o anel de noivado no dedo e o filho dele a caminho, Petunia tivera certeza de que em breve estaria casada.
Damon prometera conversar com o irmão durante o período que passaria em casa. Depois havia retornado abatido e desanimado, sem o entusiasmo de antes. James estava irredutível, ele dissera a Petunia. Não queria nem conhecê-la. Só então Petunia revelara a gravidez à irmã. Arrastara Damon até a casa de Lily para que fizessem o comunicado juntos, e os três haviam enfrentado uma noite de muito constrangimento.
Não sabia que a irmã caçula estava morando com Damon no apartamento que ele mantinha em Oxford. Petunia justificara a mudança de telefone e endereço dizendo que decidira ir dividir um apartamento mais barato com algumas colegas de classe.
— Não tenho condições de me casar com Petunia neste momento — Damon informara sem rodeios.
— James está ameaçando deixá-lo sem um centavo! Quem poderia imaginar um drama tão antiquado nos dias de hoje? — Petunia comentara exasperada.
— Não posso desafiar meu irmão — Damon havia dito embaraçado, incapaz de suportar o olhar de Lily. — Pelo menos por enquanto...
Uma desculpa das mais descaradas. Petunia tornara-se histérica. Devia estar esperando que a irmã mais velha erguesse a mão e solucionasse o problema num passe de mágica. Mas Damon era um homem adulto. Se não tinha coragem para enfrentar o irmão tirano e impor à família a mulher que escolhera para esposa, ninguém podia fazer nada por ele.
Uma semana mais tarde Damon partira novamente para a América sem aviso prévio.
— Sabia que ele estava partindo? — Lily perguntara à irmã com ar preocupado.
— Fique tranquila... Ele vai voltar. Damon quer essa criança — Petunia informara com aparente segurança.
Naquela noite Lily refletira muito sobre o assunto, questionando se não estaria sendo maldosa por suspeitar que, de repente, Damon já não tinha tanta certeza sobre o que sentia pela noiva. Em nenhum momento ele voltara a jurar o amor eterno que fizera questão de manifestar no primeiro encontro. Além disso, estava abatido, desanimado e retraído. Mas não quisera preocupar a irmã com seus temores.
Quinze dias mais tarde um advogado apresentara-se no apartamento em Oxford e apresentara uma notificação de despejo. Petunia fora refugiar-se na casa de Lily, ultrajada com o que havia acontecido, mas certa de que o despejo não era obra de Damon. Tudo não passava de um estúpido mal entendido com o proprietário, insistira. Depois recusara-se a voltar para a universidade, apesar dos pedidos insistentes da irmã.
Desesperada, Lily julgara-se no dever de ir procurar James Potter para discutir o assunto. Ela já havia pedido isso antes, mas Petunia recusara-se. Apenas a inabalável fé da irmã no noivo a convencera a entrar em ação. Ele concordara em recebê-la na próxima vez em que estivesse em Londres.
Ainda lembrava aquele dia em seu escritório. James Potter a intimidara desde o momento em que pusera os olhos nele. Dirigira-se ao encontro certa de que ele só precisaria conhecer Petunia para perceber que seu preconceito era tolo e sem fundamentos.
Mas James não chegara a conhecer Petunia. Deixara as duas irmãs entrarem em seu escritório e cravara os olhos apenas na mais velha, como se a outra sequer existisse.
— Acho que devemos conversar a sós, Srta. Evans — havia dito.
Petunia fora levada para outra sala, onde dois advogados incumbiram-se de ameaçá-la e amedrontá-la. Sem saber o que estava acontecendo, Lily ficara aliviada com a possibilidade de falar a sós com James Potter, certa de que poderia convencê-lo de seu ponto de vista.
James fora sentar-se na imponente cadeira atrás da mesa grandiosa e dissera:
— Sou todo ouvidos, Srta. Evans.
— Vim perguntar o que considera tão inadequado em minha irmã. E por que recusa-se até mesmo a considerar a possibilidade de conhecê-la.
Um sorriso sardônico distendera seus lábios.
— O fato de ter a ousadia de fazer essa pergunta revela muitas coisas. Não tenho o menor desejo de conhecer sua irmã. A única coisa que espero dela é que saia definitivamente da vida de Damon.
—Ainda não respondeu minha pergunta — Lily insistira.
— E por que deveria? Sua irmã dormiu com meu irmão... Só isso.
— Ele a pediu em casamento.
— Conversa de travesseiro — ele havia disparado com sarcasmo. — Não estamos mais no século dezenove, srta. Evans. Damon é americano. Tem sangue quente, é jovem...
— Petunia também é jovem! E está grávida!
— Não acredito nisso. E também não acredito que seja tão ingênua.
— Petunia está esperando um filho de seu irmão.
— Não entendo onde acha que esse tipo de afirmação pode levá-la. Na verdade, esperava que fosse inteligente o bastante para perceber que perderam a batalha. A galinha dos ovos de ouro voou, srta. Evans. Voltou para a América, onde vai permanecer. O romance com sua irmã acabou.
— Porque você o ameaçou!
— Eu jamais ameacei meu irmão! Damon sabe o que é esperado dele, e uma... mocinha qualquer com a atenção voltada para sua carteira não é suficiente para afastá-lo de seus deveres.
Chocada com os insultos, Lily tentara defender o caráter e a reputação da irmã, mas James jogara a cabeça para trás e rira.
— Apesar de jovem, sua irmã não era nenhuma virgem. Soube que ela era bastante liberal antes mesmo de Damon aparecer, e também não foi muito fiel enquanto esteve com ele.
— Como... Como se atreve?
— Se vamos falar em atrevimento, srta. Evans, sua decisão de vir até aqui foi bastante impertinente. Um conselho: da próxima vez em que for ajudar sua irmã a caçar um americano milionário, não esqueça de dizer a ela para manter a boca fechada sobre seus ex-amantes. Os americanos são notoriamente antiquados no que diz respeito à liberação feminina. Eles gostam de serem os primeiros, ou pelo menos de poderem fingir que são.
— Você é grosseiro, rude e...
— E se ela quer uma aliança na mão esquerda, que mantenha as pernas bem fechadas até sair da igreja. Ir morar com Damon foi seu segundo erro — ele concluiu, os olhos iluminados por um brilho triunfante. — E agora pode sair. Já disse tudo que tinha a dizer.
Lily encontrara Petunia na recepção, igualmente trêmula e abalada, apertando entre os dedos um cheque de valor astronômico. Lily o rasgara e atirara os pedaços no lixo, mas horas haviam se passado antes que ela conseguisse arrancar toda a história da irmã.
— Eles me fizeram sentir suja, Lily, como se eu fosse uma chantagista!
Petunia fora ameaçada e amedrontada por dois advogados que prometeram repercussões desastrosas caso ela procurasse a Imprensa para falar sobre Damon.
Petunia continuara escrevendo para Damon, furiosa por não receber uma única resposta, mas ainda cheia de esperanças.
— Aposto que minhas cartas estão sendo interceptadas antes dele recebê-la — ela dizia. — James Potter é capaz de qualquer coisa. Espere só até meu filho nascer. Então a história será muito diferente. Nada poderá manter Damon longe de mim.
A lembrança odiosa daquele dia ainda resistia na memória de Lily, dolorosa e viva. O ódio parecia ainda mais intenso, alimentado pela amargura e o desespero da perda. Ela parou na soleira do quarto de Nicky.
Uma cena inesperada a esperava do lado de dentro.
James estava recostado em sua cama de solteiro, o sobrinho aninhado de encontro ao peito. Falava com o bebê com seu sotaque americano, e Nicky havia parado de chorar.
Era estranho. James parecia tão humano! Mas a maneira como tratara Petunia fora desumana. E agora ele queria o filho dela, e esperava que o entregasse sem resistência. Por quê? Nicky também era Potter, como todas as implicações trazidas pelo nome. Era um Potter. Petunia acertara ao prever o valor de seu filho para a família Potter.
Mas Lily ainda estava atônita com a intensidade do interesse deles por Nicky. Ou deveria dizer do interesse de James por Nicky? Por que, aparentemente, o desejo de Damon de criar o filho fora rapidamente silenciado e sufocado. Assim, até que ponto a oferta havia sido sincera? Lily tinha a impressão de que Damon oferecera-se para cuidar da criança apenas para impressionar o irmão mais velho.
Seria o medo de ser exposto publicamente que obrigava James a exigir a custódia do sobrinho? Algum tipo de obsessão paranóica? Sabia que não era uma questão de honra ou consciência. A experiência de Petunia com aquela família havia deixado claro com que tipo de gente estava lidando. Lily olhou para o homem e o bebê e tremeu com a força da própria frustração.
Sim, queria vingança. Queria, precisava ferir James Potter, mas não podia. Não tinha esse poder. Além do mais, tinha de considerar o bem estar de Nicky, sua principal preocupação. Num silêncio chocado, removeu a criança dos braços de James e foi sentar-se numa cadeira para alimentar o sobrinho.
James levantou-se repentinamente.
— Tem de aceitar o fato de que Nicky não pertence a este lugar.
Apesar de todo mise-en-scène, James ainda não conseguira convencê-la da honestidade de propósitos de sua família. Nem todo o dinheiro do mundo poderia compensar a falta de amor. De qualquer maneira, sentia-se dividida e confusa, e tinha medo de estar tomando uma decisão precipitada. Temia que seus sentimentos a impedissem de enxergar a melhor solução para o bebê que aprendera a amar como se fosse seu.
— Seria melhor para vocês dois se desistisse dele agora.
O que pretendia oferecer agora? Já havia tentado dinheiro. Também experimentara a intimidação. Fizera de tudo para pintar Damon e Androula como os pais perfeitos. E finalmente oferecera-se. Mas se Nicky fosse para a América, Lily não teria mais qualquer influência sobre o futuro do sobrinho. Até onde podia confiar nos homens da família Potter?
— Não sou muito paciente — James suspirou.
— Diga algo que eu não saiba.
— Sou um inimigo perigoso. Vou tirar essa criança de você, custe o que custar.
Lily havia terminado de alimentar Nicky, Tentando esconder o tremor das mãos, ela o colocou de volta no berço. Com que direito ele entrava em sua casa e a ameaçava? Não estava satisfeito com o sofrimento que já provocara? Os irmãos Potter mataram sua irmã!
Damon devia ter dito a Petunia que não a amava mais. Em vez disso fugira, deixara sua pobre irmã cheia de esperanças vãs. O que aqueles meses de angústia haviam feito com seu coração frágil? E qual teria sido o desfecho da história, se Damon houvesse cumprido a promessa de se casar com ela? Petunia podia estar viva.
— Escute... — James exigiu com impaciência, segurando-a pelo braço.
Lily soltou-se com um gesto violento e dirigiu-se à escada.
— Não ponha suas mãos imundas em mim! Não suporto a idéia de ser tocada por você!
— Mentirosa.
Furiosa, tomada por uma curiosa mistura de emoções, ela virou-se para encará-lo e o viu encostado na parede da sala, exalando uma aura de sensualidade impressionante.
— Acho que gostaria de ser tocada por mim — ele provocou.
Confusa, Lily retrocedeu alguns passos, tentando livrar-se da tensão sufocante que penetrara a atmosfera.
— Você não passa de um animal — ela sussurrou, sem saber como interpretar o que sentia.
James sorriu arrogante. Julgava-se irresistível, mas o que realmente a irritava era o fato de estar conseguindo perturbá-la.
— Infelizmente, quando disse que estava disposto a pagar qualquer preço, não estava me incluindo na oferta — ele prosseguiu insolente. — Quando vou para a cama com uma mulher, tenho de gostar dela. É o mínimo que exijo.
Se Lily tivesse uma faca na mão, ele estaria sangrando a seus pés. Além de insinuar que ela o considerava atraente, ainda tinha a ousadia de dizer que, caso estivesse disposto a recebê-la, ela teria se atirado em seus braços com entusiasmo! Francamente! Não conseguia sequer verbalizar o que estava sentindo!
De repente Lily teve certeza de qual seria o pior castigo para James Potter. O que poderia feri-lo profundamente. Ser obrigado a casar-se com ela para obter a custódia de Nicky. Ele não concordaria, é claro, mas seria uma vingança perfeita. Uma idéia insana, mas uma deliciosa fantasia. Pensando bem, por que tinha de ser uma fantasia? Se fizesse tal exigência, certamente conseguiria livrar-se dele.
— Estou feliz por ter encontrado algo de divertido nessa situação — ele comentou, fitando-a com ar intrigado. — Confesso que ainda não sou capaz de rir.
— Você disse que eu devia estipular o preço para entregar Nicky... Certo?
— Já estava imaginando quanto tempo levaria para desistir do ato da tia amorosa. Por que me fez perder tempo com essa encenação?
— Não vai gostar do que vou propor — ela suspirou, indo acomodar-se numa das poltronas. Queria estar o mais longe possível quando ele perdesse a calma e explodisse.
— Pagarei o que for necessário para tirá-la definitivamente da vida dessa criança.
— Bem, não seria bem assim — ela avisou, os olhos verdes brilhando como esmeraldas. — A única coisa que quero é o que minha irmã não pôde ter.
— Vá direto ao ponto.
— É um pouco... Delicado.
— Você não é nenhuma flor do campo — ele irritou-se.
— Quero que se case comigo. Quero ser a Sra. James Potter. Apenas oficialmente, é claro. Por mais que duvide, não tenho nenhum interesse pessoal em você, nem o considero irresistível. Não pretendo exigir de você o imenso sacrifício de deitar-se pensando na glória da América.
James estava pálido, como que petrificado.
— Cristos... Acha que eu me casaria com você?
— Um destino pior que a morte, mas uma doce vingança. Devo deduzir que sou ainda menos aceitável que minha pobre irmã? Bem, você disse que eu devia estipular o que queria...
— Não pode estar falando sério! Isso é uma brincadeira! Não pode estar me pedindo tal coisa...
— Posso — ela confirmou, deliciando-se com a expressão chocada em seu rosto.
— Que tipo de mulher é você, que é capaz de exigir isso de mim?
— Bem, parece que não é um homem de palavra — Lily o acusou, notando que ele apertava as mandíbulas numa tentativa de controlar-se.
James estava tendo aquilo que merecia. Os últimos quinze dias haviam sido um pesadelo para Lily, uma espécie de túnel longo e escuro através do qual forçara-se a continuar caminhando. Desde o momento em que Petunia morrera, esse americano insolente a atormentara, invadindo seu luto. A morte de sua irmã não significara nada para ele. Pelo contrário, devia ter sido um alívio. E no entanto, ele atrevera-se a aparecer no funeral, e no mesmo dia havia tido a ousadia de oferecer dinheiro em troca do filho de sua irmã. E ainda recusava-se a deixá-los em paz!
— Isso está fora de cogitação — ele respondeu com falsa tranquilidade. — E saiba que a desprezo ainda mais por ter feito tal sugestão.
Lily sorriu com amargura. Então ele acreditava que dava alguma importância ao que pensava a seu respeito? James atravessou a sala com passos decididos, ansioso para partir.
— Adeus — ela despediu-se.
De repente ele virou-se e encarou-a com aqueles incríveis olhos amendoados.
— Por acaso sugeriu esse casamento pelo bem da criança?
— O que você acha? — Lily devolveu, momentaneamente sem ação. Estava apenas fazendo um jogo, exigindo a única coisa que, sabia, ele se negaria a oferecer.
— A vingança é uma faca de dois gumes.
Momentos mais tarde a limusine afastava-se imponente, atraindo olhares curiosos dos vizinhos. Lily atirou-se na cama, dominada pela exaustão. De onde havia tirado coragem para falar em casamento? Da certeza de que ele reagiria com surpresa e espanto à idéia de ver-se definitivamente ligado a uma mulher sem atrativos. Havia sido divertido vê-lo boquiaberto, sem saber o que dizer. Só não sabia por que não conseguia rir...
Na semana seguinte Lily retornou ao trabalho para completar as duas semanas de trabalho exigidas para o pagamento do salário integral. Não podia deixar de receber esse dinheiro. Uma vizinha de Molly ofereceu-se para cuidar de Nicky e, sem outra alternativa, Lily foi obrigada a enfrentar a angústia de deixá-lo todas as manhãs.
— Você pode ir trabalhar para mim na loja — Molly sugeriu ao final da primeira semana, enquanto tomavam o café da manhã.
Dona de uma floricultura, Molly sempre fizera questão de contratar apenas pessoas experientes.
— Mas eu não sei nada sobre flores... — Lily lembrou.
— Você pode aprender. E pode começar cuidando da papelada da loja. Nicky ficaria em seu cesto, ao lado de sua mesa.
— Não sei o que dizer. Estou realmente grata, Molly.
— Nunca a ajudei com Petunia, mas acho que dessa vez devemos unir nossas forças. Gosto de ter companhia em casa. Embora as coisas ainda estejam um pouco caóticas, tudo irá melhor assim que Nicky crescer. Ele estará indo para a escola antes que notemos.
— Acha que estou tomando a decisão correta... Mantendo-o comigo?
— Acho que está fazendo o que deve fazer. De qualquer forma, agora a bola está no campo dos Potter, certo?
— O que quer dizer?
— Bem, mais cedo ou mais tarde Damon virá procurá-la, e se quer um conselho, acho que deve deixá-lo ver o garoto. Nicky tem todo o direito de conhecer o pai.
Molly tinha razão. Para ser franca, Lily esperava que Damon já houvesse aparecido para conhecer o filho.
— Francamente, ele já devia ter vindo — Molly comentou, como se pudesse lei seus pensamentos.
Naquela manhã, Lily estava cuidando dos arquivos do escritório, quando um movimento na porta da sala chamou sua atenção. Alguns dos diretores da empresa estavam parados na soleira, fitando-a como se fosse a mais estranha das criaturas. Assustada, ela encarou o diretor administrativo, o Sr. Soames.
— Srta. Evans — ele começou hesitante, já que não a conhecia.
O grupo de executivos abriu-se como o Mar Vermelho para dar passagem a uma outra figura.
— Vim buscá-la para o almoço — James Potter informou sem rodeios.
— Mas...
— Não se preocupe com o horário, Srta. Evans — Soa mes ofereceu. — Tire o resto do dia de folga, se desejar.
— A Srta. Evans não trabalha mais aqui — James avisou. — Tenho outros planos para ela.
— Uma excelente funcionária — o diretor comentou. Que diabos estava acontecendo? Confusa e irritada, Lily adiantou-se alguns passos, mas, antes que pudesse exigir explicações, James pousou uma das mãos em suas costas e empurrou-a com firmeza em direção à porta.
— Precisa apanhar alguma coisa?
— Sim, mas...
— Mande alguém limpar a mesa da Srta. Evans, e envie os objetos pessoais para a casa dela — ele ordenou sem olhar para trás.
— Que brincadeira é essa? — Lily explodiu ao ser empurrada para dentro do elevador.
— Acabei de demití-la — James informou.
— Você... Me demitiu?
— Sou o dono dessa companhia. Suas roupas são muito estranhas, sabe?
— Você possui essa empresa?
— Vim até aqui apenas para levá-la para almoçar, mas alguém me reconheceu na recepção e o pânico instalou-se. Nunca estive sequer perto da empresa — ele explicou, retirando a presilha que mantinha os cabelos dela presos na altura da nunca.
— Mas... O que está fazendo? Você enlouqueceu?
— Recuso-me a ser visto em público com uma mulher que parece uma carcereira.
— Seu... Machista arrogante! Primeiro diz que me demitiu, e depois me arrasta para um almoço! Não comeria com você nem que estivesse morrendo de fome!
— Não me provoque — James murmurou com tom seco.
— E quanto à demissão, está perdendo seu tempo. Eu ia mesmo deixar a empresa, e já tenho outro emprego.
— E tão difícil imaginá-la lidando com flores, que mal posso esperar para ouvir sobre esse novo trabalho.
— Como sabe que vou trabalhar com flores?
— Molly me contou.
— Quando? — ela espantou-se, parando na calçada para encará-lo. James havia empurrado a porta giratória com tanta força, que quase a atingiu. — Suas maneiras são grotescas.
Ele sorriu, e pela primeira vez Lily teve de admitir que Molly estava certa a respeito da beleza do americano.
— Você me chamou de machista. Só um machista perde tempo segurando portas para uma mulher.
Lily sentou-se no banco traseiro da limusine com a graça de um soldado de chumbo, O que ele podia querer desta vez? Talvez pretendesse atirá-la no rio mais próximo com um bloco de cimento amarrado ao pescoço. Uma estranha inquietação a invadiu. James Potter era imprevisível. Embora tivesse facilidade para julgar o caráter das pessoas, não conseguia sequer imaginar o que ia na cabeça desse homem. Mesmo assim, podia apostar que ele era complexo, frio e cruel.
— Quer beber alguma coisa? Tensa, ela balançou a cabeça.
— Nem mesmo para celebrar sua vitória?
— Do que está falando? — ela perguntou desconfiada.
— Decidi pagar o preço.
— Que preço?
— Vamos nos casar.
N/A: Olá! Demorei um pouco pra postar, não é? Acontece que eu tentava fzer o upload do arquivo aqui no FF, mas não ia, culpa da minha internet lenta -.-
Espero que gostem do cap!
AdlaPoynter ;*
