CAPÍTULO IV
Lily esperava qualquer coisa, menos isso. Atônita, concentrou-se em manter o rosto inexpressivo, apesar das batidas frenéticas do coração. Exigira o mais absurdo dos sacrifícios, e ele concordara! Por quê? Por que Nicky era tão importante para a família Potter? Devia ser o primeiro neto, e do sexo masculino, mas Damon e sua preciosa esposa podiam ter os próprios filhos, não? Por que James concordaria em se casar com uma mulher que desprezava, quando o máximo que podia conseguir com isso era a adoção do sobrinho?
— Parece que Nicky é muito importante para você — ela disse, escolhendo as palavras com cuidado para não trair as emoções. — Estou realmente surpresa com a mudança. Petunia estava grávida de quatro meses quando foi expulsa do apartamento de seu irmão.
— Acha que eu teria feito isso se acreditasse na gravidez? Que tipo de homem pensa que sou?
— Um completo canalha — ela respondeu com franqueza.
— Teria me comportado diferente, se acreditasse na gravidez de sua irmã.
— Não acredito. O cheque era suficiente para cobrir o custo de um aborto... Não acredito que estivesse preocupado com o destino de Petunia, ou da criança que...
— Como se atreve. Nunca pensei em tamanho absurdo! Jamais teria concordado com o assassinato do filho de meu irmão!
Era surpreendente, mas Lily acreditava nele. Ninguém seria capaz de fingir tamanha indignação.
— Damon não disse nada sobre a gravidez de Petunia?
— Não — James admitiu relutante.
Então as mentiras existiram, Lily constatou com desgosto. Quantas outras Damon teria produzido para livrar-se da ira do irmão? Sem dúvida era responsável pela idéia que James fazia sobre o caráter de Petunia.
James levou-a para almoçar em sua casa, uma imponente mansão com vista para um parque bem cuidado. A refeição foi servida por um criado americano, e o silêncio do dono da casa já começava a perturbá-la quando ele anunciou que o café seria servido na sala de estar.
Nervosa, Lily mal conseguira tocar na comida. Além do mais, a decoração luxuosa a impressionava, e a profusão de criados era irritante para alguém que acostumara-se a fazer tudo sozinha.
Assim que o mordomo serviu o café e retirou-se, James murmurou:
— Vamos direto ao ponto. Já instruí meus advogados para preparem um contrato pré-nupcial, e espero que o assine sem impor condições.
Estaria realmente disposta a se casar com James Potter? Não seria um casamento normal, mas um acordo comercial em benefício de Nicky. O bem estar de seu sobrinho e seu direito à herança estariam garantidos. Nicky a teria por perto... E ela o teria em caráter definitivo, percebeu aliviada. James passaria boa parte do tempo viajando pelo mundo, e não teria de suportar sua presença constantemente. Era a única maneira de assegurar a satisfação de todas as necessidades de Nicky, tanto as materiais quanto as afetivas.
— Não me casarei sem esse contrato.
— Eu concordo — Lily respondeu sem encará-lo, certa de que a única coisa que o preocupava era não correr o risco de perder parte de sua preciosa fortuna.
— Mandarei alguém cuidar de todos os detalhes burocráticos, e você será informada cobre o andamento dos planos para o casamento. Alguma dúvida?
— Por que concordou?
— Pelo bem do bebê. — Os olhos amendoados cravaram-se em seu rosto e Lily experimentou um estranho arrepio. — Quero que ele tenha tudo que é necessário para o bem estar de uma criança: segurança, amor e um lar tranquilo.
Por que não estava convencida? Uma espécie de sexto sentido a avisava de que ele não estava dizendo a verdade, mas Lily censurou-se em silêncio. James não tinha nada a ganhar com o casamento desprovido de amor, desejo ou simpatia. E por que a idéia provocava tamanha amargura?
Devia ter sido Petunia e Damon. Segurando a xícara de porcelana com mãos trêmulas, Lily disse a si mesma que queria fazer James pagar por ter ferido e humilhado sua irmã, e por privá-la da companhia do grande amor de sua vida. Sim, ele merecia pagar por isso... E pagaria, nem que tivesse de dar a própria vida!
— Você não parece ter muito a dizer — ele comentou.
— Já consegui o que queria — Lily respondeu com um sorriso gelado.
— Parece muito segura disso.
— E estou — ela devolveu triunfante. Havia justiça no mundo, afinal. James Potter não era intocável. Conseguira colocá-lo exatamente onde desejava... Na palma de sua mão.
— E então, o que acha? — Lily perguntou, fingindo não notar o espanto de Molly. Depois de deixar as caixas e pacotes no chão, ela girou pela sala para mostrar a roupa nova. — Combina comigo?
— Cortou os cabelos — Molly constatou perplexa. — E essa roupa, os sapatos... Não a teria reconhecido se a encontrasse na rua!
— Ótimo — Lily respondeu enquanto subia a escada.
— Acha mesmo que devia estar gastando o dinheiro de James antes do casamento?
— Adoro gastar o dinheiro de James. Ele acha que sou gananciosa e interesseira. O contrato é prova disso. Vinte páginas de insultos! Não acha que devo me comportar de acordo com as expectativas de meu futuro marido?
— Já parou para pensar que vai ter de viver com esse homem?
— Não tenho a menor intenção de viver com ele. A julgar pelo que sentimos um pelo outro, nossos encontros serão poucos e esporádicos.
— Nesse caso, por que a transformação?
— Está pensando que é por causa dele? — Lily riu. — É por Nicky!
— Por Nicky?
— Tenho de desempenhar o papel de mãe dele, não? Tenho de me adaptar, parecer adequada. Caso contrário, acabarei por embaraçá-lo no futuro. Além do mais, fiz apenas o que James sugeriu. Coloquei-me nas mãos de profissionais competentes para tornar-me apresentável...
Molly analisou a figura delicada de Lily, as curvas suaves do corpo realçadas pelas roupas bem cortadas e elegantes. Agora já não parecia mais a garota solitária e triste de antes, mas uma mulher segura que jamais conhecera a dor de ser rejeitada.
Lily examinou-se no espelho do quarto e aprovou o que viu. Não parecia mais uma carcereira. O dinheiro havia comprado a ilusão da beleza. O dinheiro de James. Ficara furiosa ao ler aquele contrato ofensivo e ridículo. Em recompensa por sua aparente docilidade, recebera vários cartões de crédito e fora informada sobre diversas contas bancárias abertas em seu nome.
— Ainda não é tarde demais para mudar de idéia — Molly sugeriu da porta.
Lily suspirou. Molly estava tentando convencê-la a desistir do casamento há uma semana!
— Não pretendo desistir. Estou fazendo isso por Nicky, lembra-se?
— Não sente-se infeliz sabendo que o casamento será um sacrifício para James Potter?
— O que você acha? — ela disparou irritada.
— Acho que não gostaria de desafiá-lo. Acho que é maluca e ele é ainda mais louco por ter concordado.
— Como conseguiu isso? — James perguntou.
Do que estava falando? Lily lançou um olhar de soslaio para o homem sentado a seu lado na limusine. Apesar de manter a maior distância física possível, a presença dele a incomodava, provocando um estranho desconforto. Era a primeira vez que James falava desde a cerimônia no cartório. Passara todo o tempo observando-a com atenção, como se estivesse surpreso com a transformação, mas sabia que algumas roupas novas e um pouco de maquiagem não eram suficientes para impressionar um profundo conhecedor da beleza feminina.
— Como consegui o quê? — Sentia-se vazia sem Nicky. Preocupada, olhou para trás e viu o carro que transportava Nicky... E uma babá. Uma babá de verdade, com uniforme e vários certificados!
Ao ser entregue aos cuidados da profissional, Nicky havia chorado como se alguém estivesse tentando estrangulá-lo.
— Vejo que é um garotinho muito mimado — a Sra. Brown dissera com ar de reprovação.
Mal podia esperar para dizer a Nicky que não precisavam de uma babá, pois pretendia dedicar-se pessoalmente aos cuidados com o bebê.
— Como conseguiu operar tão grande transformação da noite para o dia?
Lily ruborizou, convencida de que ele estava sendo sarcástico.
— Contratei um consultor de estética.
— Um... O quê?
— Quando não sei fazer alguma coisa, costumo procurar os serviços de uma autoridade no ramo.
— E o que não sabia fazer?
Lily virou-se e viu que ele mantinha os olhos fixos em seus lábios, enriquecidos pelo batom cor de pêssego. Qual era o problema com o sujeito? Por que estava fazendo perguntas tão estúpidas, se a idéia havia sido dele?
— Com algum esforço e ajuda profissional, poderia tornar-se bem atraente... — dissera.
— Não sabia como lidar com roupas, maquiagem, esse tipo de coisas. Francamente, nunca tive tempo ou interesse para aprender. Nem dinheiro para gastar com futilidades.
— Você gastou uma ninharia.
Não podia estar falando sério. Gastara uma fortuna! Isto é, de acordo com sua escala de valores... Seu novo guarda-roupa não incluía grifes famosas, mas contava com peças básicas e clássicas que podiam ser combinadas entre si, criando vários conjuntos elegantes e discretos, e uma variada coleção de sapatos, bolsas e peças íntimas. O trabalho do consultor, indispensável em sua situação, custara os olhos da cara!
— Uma ninharia — James repetiu, os olhos fixos em seu rosto.
Estava falando sério!
Virtude número um: James não era mesquinho.
— É lisonjeiro saber que fez tamanho esforço por mim.
— Por você? Fiz isso por Nicky! Não quero embaraçá-lo.
— Ele tem seis semanas de idade.
— Não quero que ele se envergonhe da própria mãe — Lily insistiu.
— E quanto a não querer que eu sinta vergonha de minha esposa?
Lily encarou-o com um sorriso sarcástico, demonstrando que tal ambição jamais passara por sua cabeça. O rubor que tingiu o rosto de James provou que ele estava ofendido com seu desinteresse, o que era ridículo nas circunstâncias. Tinham um casamento de conveniências! Por que pensaria em tornar-se mais atraente para ele?
— Gostaria que parasse de olhar para mim desse jeito — ela indicou.
— O que esperava? Você está irreconhecível! Com exceção da cor dos cabelos...
Tensa, Lily o viu erguer a mão para tocar seus cabelos e afastou-se ainda mais.
— Pare com isso — James exigiu irritado.
— Parar com... O quê? — ela gaguejou, sentindo os dedos em seus cabelos. Estava trêmula, ofegante, e o corpo parecia estar reagindo por conta própria. Não sabia o que esperar. E se James fosse violento? Teria a intenção de agredi-la fisicamente? Tentando distraí-lo, ela decidiu dizer a primeira coisa que passou por sua cabeça. — Não quero que Nicky tenha uma babá.
Por um instante os olhos que a fitaram expressaram frustração e incredulidade.
— Uma babá? — James repetiu, como se não conhecesse o significado da palavra.
— Eu mesma cuidarei dele.
— Estará ocupada demais cuidando de mim.
— Você tem empregados para isso.
— Agora tenho uma esposa, e não preciso mais dos criados — ele insistiu, aproximando-se devagar e tocando seu queixo para forçá-la a encará-lo.
Irritada, Lily plantou as duas mãos em seu peito e em purrou-o. James riu com uma espontaneidade que a perturbou.
— Tire as mãos de mim... Agora! — ela exigiu, enlouquecida com o comportamento inexplicável do marido.
— Tente me obrigar.
Lily o encarou e o encontro com aqueles olhos amendoados foi eletrizante. Um aroma pungente penetrava por suas narinas, uma mistura de colônia fina com algo profundamente erótico. Erótico? Deus, de onde havia tirado essa idéia?
James riu e afastou-se com um movimento confiante, fitando-a com ar de... satisfação?
— Obrigada — Lily agradeceu com tom frio, deslizando as mãos pela roupa como se estivesse amarrotada.
— Essa aliança em seu dedo significa que estamos casados.
— E daí?
— Agora você é minha esposa.
E o que ele esperava? Que corresse horrorizada, ou agradecesse orgulhosa? Para ela, o casamento havia sido apenas uma cerimônia sem qualquer significado, como a aliança em seu dedo. Apenas um meio para satisfazer duas necessidades: a de poder cuidar de Nicky e de seu futuro, e a de vingar-se. Fizera James Potter pagar por ter destruído a vida de sua irmã, e agora que conseguira realizar seu desejo, não tinha muito mais a dizer ao sujeito. Adiante, via apenas a vida ao lado do bebê que amava. James seria um apêndice, e desempenharia o papel de pai ocasionalmente. Não tinham nada a dividir, a partilhar. Nada em comum além de Nicky. Então, por que ele fazia questão de dizer que agora era sua esposa?
— Está tão embriagada com o doce sabor da vitória que deixou de enxergar à sua volta.
Exasperada, Lily jogou os cabelos para trás e desejou tê-los cortado. Não gostava da maneira como James olhava para eles.
— Não gosto de ser ignorado — ele disse.
— Se precisa mesmo falar, devia tentar entabular uma conversa mais normal — ela retrucou, irritada com seus comentários misteriosos.
— Quer falar sobre o tempo. Seria bem adequado ao seu nível intelectual.
— A chuva na Espanha é mais constante nas áreas de planície — ela provocou.
— Quantos anos tem?
— Por que não lê a certidão de casamento?
— Não seja infantil.
— Farei vinte e cinco dentro de um mês... O que significa que ainda tenho algum tempo antes de chegar aos trinta.
— Isso a magoou, não?
— Nada do que diga ou faça poderá me magoar. Com relação a você, sou inatingível.
— Você é muito confiante.
— Tenho razões para ser.
Lily havia pensado em tudo com antecedência. O que ele poderia fazer? Deixá-la sem dinheiro? Isso não a aborreceria. Poderia ignorá-la. Isso a satisfaria. Poderia ser rude. Reagiria à altura. Poderia deitar-se com uma mulher a cada noite, entregando-se à promiscuidade diante de toda a sociedade... e isso não a incomodaria, exceto pelo fato dele não ser um exemplo para Nicky seguir no futuro. E se fosse violento, divorciaria-se dele... Ou do que restaria dele quando terminasse de fazer o que considerava adequado à situação. Ao menor sinal de abuso físico, James seria um homem morto!
Embarcaram no jato que os levaria a casa dele na França. Quando a Sra. Brown subiu a escada, Lily ouviu os gritos de Nicky e aproximou-se com os braços estendidos, perturbada e aflita.
— Está tudo bem, senhora — a babá afirmou com um sorriso frio. — Nicholas vai precisar de algum tempo para aprender a me reconhecer. Cuido de crianças há trinta anos, e garanto que ele logo estará acostumado comigo.
— Podemos tentar ir aos poucos. Ele tem medo de estranhos — Lily explicou.
— Talvez ele não esteja bem — James intercedeu, os olhos perturbados fixos no rosto congestionado do sobrinho.
— Não há nada de errado com ele, exceto uma boa dose de manha — a babá respondeu. — Os bebês precisam habituar-se a uma determinada rotina.
Incapaz de suportar tal discurso por mais tempo, Lily simplesmente arrancou a criança dos braços da Sra. Brown e aninhou-o junto ao peito, murmurando palavras doces enquanto dirigia-se ao fundo da aeronave. Nicky abriu os olhos inchados e cheios de lágrimas e fitou-a, pronto para mais um ataque de choro. Ao reconhecê-la, o pequeno acalmou-se e recostou a cabeça em seu peito. Lily sentou-se, satisfeita, e James estudou-os com expressão surpresa.
— Ele a conhece...
— É claro que sim... não é, meu benzinho?
Por que James a observava com aquele ar intrigado, como se estranhasse seu comportamento? Independente de sua opinião, estava desempenhando o papel que assumira recentemente e, a menos que a babá adotasse uma atitude mais suave e carinhosa, não tinha a menor intenção de deixar o sobrinho aos seus cuidados.
Enquanto alimentava o bebê, Lily ouviu os comentários de desaprovação da Sra. Brown, que fora sentar-se numa poltrona próxima.
— Está tentando me impressionar? — James perguntou irritado.
— Do que está falando? — Lily espantou-se.
— De toda essa falsa atenção com Nicholas. Por que acha que contratei uma babá?
— Não há nada de falso no que sinto por meu sobrinho. E prefiro não comentar a contratação da babá, embora deva dizer que não gostei do que vi até agora.
— Ela apresentou excelentes referências.
— Não quero parecer crítica ou injusta, mas você fez exatamente o que eu esperava, interferindo num assunto sobre o qual sabe muito pouco... Algo que, imagino, costuma fazer com regularidade. É um desses homens que acredita saber tudo...
James ficou vermelho, visivelmente perturbado. Não podia ouvir uma ou duas verdades sem perder a calma e explodir. Devia ter sido excessivamente mimado quando criança. Rico, inteligente, bonito. Ambicioso, obcecado por trabalho e dominador, certamente encorajado por uma família amorosa, empregados servis e mulheres estúpidas a acreditar-se a mais perfeita das criaturas em todos os campos.
— Você é lésbica?
Depois de uma pausa ultrajada, Lily encarou-o e riu. O ego do sujeito! Não era capaz de aceitar que uma mulher não o considerasse atraente.
— Eu imaginava que não. — Longe de estar constrangido, James a observava com interesse, a boca distendida por um sorriso divertido. — Devia perguntar-se por que sente tamanha compulsão para me agredir.
Lily arregalou os olhos verdes numa encenação de ingenuidade.
— Eu faço isso? E está querendo dizer que percebeu? Francamente, não gosto muito de você, James...
— Gostar não é necessário. Mas exijo respeito.
— Um homem deve ter sempre um objetivo a alcançar. Mesmo que esse objetivo seja quase inatingível...
— Está correndo um risco que nem os inimigos mais poderosos quiseram correr.
— Não tenho medo de você.
— Não é o que seu corpo está dizendo — ele sorriu, notando a mão agarrada ao apoio do assento. — Se não tivéssemos a companhia da babá e da aeromoça, já teria corrido daqui com o rabo entre as pernas.
— Esse tipo de comparação diz muito a seu respeito — Lily devolveu, tentando esconder o nervosismo que a invadia. — Se não pode conquistar a admiração de uma mulher, contenta-se em despertar temor. Na verdade, prefere despertar qualquer tipo de sentimento a lidar com uma mulher em outro nível...
— Se estamos falando de uma mulher como você, tem razão. E não foi isso que imaginei para o dia do meu casamento.
Lily foi tomada pela tensão.
— E o que imaginou?
— Esperava dividir essa ocasião com uma esposa digna de meu nome.
— E ainda quer que eu acredite que não é um esnobe...
— Não estou preocupado com seu nível social, mas com sua falta de moral.
— Minha falta de moral?
— A mulher com quem devia ter me casado tem os mais elevados princípios morais.
— Está tentando dizer que ia se casar com outra mulher?
— Exatamente.
— E amava essa mulher? — Lily atreveu-se a perguntar, invadida por uma estranha ansiedade.
— Não pretendo discutir minha vida íntima com você.
— Ela o amava? Deus, por que não me disse? Não pode vir me cobrar por algo que... Por que não disse que havia alguém em sua vida, alguém além de...
— Das mulheres que levo para a cama em troca de dinheiro?
Lily não respondeu, perturbada com a possibilidade de ter partido o coração de outra mulher.
— Elise nunca esteve em minha cama.
Então não estavam falando de um romance apaixonado.
— Jamais discutimos a possibilidade de um casamento, mas teríamos formado uma bela aliança. Na família Potter, casamento é um passo definitivo. Não assumimos compromisso tão sério movidos pela ilusão.
Muito apropriado. Sexo com as amantes, estabilidade com a esposa. O amor não fazia parte da equação. E por que deveria surpreender-se? Petunia fora julgada e rejeitada de acordo com esses mesmos padrões. Androula devia ser rica, bem educada e absolutamente adequada.
Entretanto, estava surpresa com a equação matrimonial de James. Por mais que tentasse ignorar, estava diante de um homem capaz de emanar uma carga emocional impressionante, um homem que saía em defesa da família com paixão e ardor, mesmo que não aprovasse seus métodos. Havia afastado Damon de Petunia por acreditar que essa era a melhor solução para o irmão, e certamente tratara de casá-lo em seguida para afastar o perigo de novas alianças inadequadas.
— Elise o ama?
James ergueu uma sobrancelha diante da intimidade da pergunta.
Lily ruborizou, mas recusou-se a desistir do assunto.
— Odeio pensar que posso ter sido a causa do sofrimento de outra mulher.
— Eu feri o orgulho de Elise — James afirmou com tom frio. — E como todos acreditarão que Nicholas é meu filho, e você é a mãe...
— Isso é necessário?
— Absolutamente. Como Damon e Androula não poderão criar o menino como filho, prefiro que a verdade permaneça em segredo dentro do círculo familiar. Não quero que Androula seja humilhada.
Lily não compreendia como Androula podia ser humilhada por algo que havia acontecido antes de seu casamento com Damon... A menos que ela já estivesse em cena na época do envolvimento entre ele e Petunia. Era bem possível, especialmente tratando-se de um sujeito sem caráter como Damon.
— Assim que tiver idade para compreender, Nicholas será informado sobre os fatos relativos à sua origem, desde a adoção até a verdade sobre os verdadeiros pais...
— Sua verdade, ou a minha?
— Você é uma mulher má e perigosa, mas saiba que não vou tolerar interferências quando o momento da verdade chegar. Isto é, se ainda estiver por perto.
— E por que não estaria? — ela o desafiou.
— Porque vai precisar de muita determinação e humildade para permanecer a meu lado. E francamente, não acredito que tenha toda essa fibra.
— Obrigada pelo voto de confiança.
Mas Lily estava perturbada, apesar da aparente tranquilidade. Não pelas ameaças que James fazia, mas por ter acabado de perceber que ele era repleto de sentimentos e até fragilidades.
Um homem amargurado. Há três semanas, teria sentido-se capaz de lidar com James com uma só mão e ainda conter um batalhão com a outra. Chorando a morte de Petunia, perturbada pelo ressentimento e dominada pelo desejo de vingança, não dera importância a uma verdade básica. Damon era o homem que havia mentido para Petunia, que a engravidara e abandonara, que negara-se a ampará-la e mentira para o irmão. James agira de acordo com as informações que havia recebido. Damon poderia ter desafiado o chefe do clã dos Potter e assumido seu romance com Petunia, se quisesse. Mas a verdade era que Damon jamais tivera a intenção de se casar com sua irmã, e não hesitara em permitir que James o livrasse de uma situação embaraçosa.
Portanto, Damon era o verdadeiro pecador, mas era James quem fazia todos os sacrifícios. Por que só agora se dava conta disso? Por que forçara James a pagar pelos erros de seu irmão?
Vira-se diante de um Potter, e não hesitara em mirar e fazer fogo em nome da vingança.
E em nome de Nicky, é claro. Infelizmente, só agora percebia que havia destruído a vida de James, enquanto Damon escapara ileso da confusão que criara.
Perturbada, fitou o marido que conquistara através da força e desviou os olhos apressada, assustada com a intensidade daquele olhar. Estava decepcionada consigo mesma, e a idéia de que tivesse agido de modo tão precipitado fez seu sangue gelar nas veias, mas não podia perder a cabeça à essa altura dos acontecimentos!
N/A: Ola pessoas! 23:40, quase véspera de Natal, e eu aqui, atualizando a fic pra vcs! Espero que gostem, o novo cap já está quase saindo, e vou postar em breve, ainda antes do Ano Novo, ok?
Feliz Natal!
AdlaPoynter ;*
