CAPÍTULO V
Um castelo no Vale do Loire... O que mais poderia ser para um Potter? Lily olhava pela janela da limusine, encantada com a paisagem criada pelas árvores frutíferas ao longo da alameda que levava à entrada.
— Há quanto tempo vive aqui? — perguntou, os olhos arregalados constatando a existência de mais duas alas na construção de três andares.
— Esta era a casa da família de minha mãe.
— Ela era francesa? Quando morreu?
— Quando eu era criança — James respondeu com tom frio.
Lily inclinou a cabeça, subitamente constrangida com a própria curiosidade. Mas jamais estivera fora do país, e era difícil agir com frieza diante de tantas mudanças.
De repente James inclinou-se e olhou incrédulo para a mulher que aproximava-se do carro, o rosto traindo uma enorme irritação.
— Se deixar escapar uma única pista sobre a verdadeira origem de Nicholas, pode considerar-se uma mulher morta — ele avisou em voz baixa.
— Mas quem é...?
Lily não pôde concluir a pergunta. O motorista abriu a porta do automóvel e uma loira de baixa estatura e ansiosa envolveu-os num abraço entusiasmado.
— Sou sua sogra — ela apresentou-se sem rodeios.
— Lily, essa é Vivien, minha madrasta...
— Sempre tão preciso, quando tudo que fiz foi amá-lo como se fosse meu por mais de vinte anos — Vivien suspirou.
— Você é inglesa — Lily constatou com tom confuso.
— James, sei que estou sendo inconveniente aparecendo sem avisar em sua noite de núpcias, mas não pude esperar para conhecer Lily, que vai fazê-lo incrivelmente feliz. Quer saber como posso afirmar, se nem sequer a conheço? Ela retribuiu meu abraço. Foi agarrada por uma estranha, mas abraçou-me de volta porque não quis ferir meus sentimentos.
— Vivien... — James tentou.
— Não vai me dar um abraço?
James inclinou-se e beijou o rosto da madrasta.
— Vejo que ele ainda sente-se constrangido em sua presença, Lily. Normalmente James é mais entusiasmado. Bem, onde está ele?
— Quem?
— James, qual é o problema com você? Seu filho! Estou morrendo de vontade de pegá-lo no colo!
O segundo carro estacionou atrás da limusine e a babá desceu com Nicky nos braços. Vivien aproximou-se apressada, mas de repente parou e retrocedeu um passo.
— Vamos entrar. Vou levá-la ao seu quarto — James indicou, segurando o braço de Lily e arrastando-a com certa ansiedade, desesperado para tirá-la de perto da madrasta.
Mas Vivien os impediu de escapar.
— A babá disse que ele está dormindo e não deve ser perturbado. Essa mulher parece um dragão! A escolha foi sua, James?
— Sim — Lily confirmou.
— Seu filho é lindo, querida. E você também é muito bonita. Como conseguiu emagrecer tão depressa? Olhando para você, ninguém diria que é mãe há tão pouco tempo. Está amamentando?
— Não.
— Vou levar o bebê para o quarto, senhora — a babá informou de passagem.
— Ela é como um tanque de guerra, não? Posso até vê-la armando barricadas para nos manter fora do quarto — Vivien comentou.
— Tem razão — foi a resposta desanimada de Lily.
— James, não vou ficar. Nem mesmo para o jantar — Vivien prometeu. — Embarcarei de volta para casa assim que sair daqui. Só vim para conhecer sua esposa e dizer a ela que implorei para realizar esse casamento com estilo, mesmo com três semanas de antecedência. Mas você não quis... — ela suspirou, lendo no rosto de Lily o espanto diante da criadagem perfilada no hall. — Medieval, não?
James fez as apresentações, mas Vivien baniu qualquer vestígio de formalidade com seus comentários divertidos. Em seguida ela segurou o braço de Lily e conduziu-a até a imponente escada de mármore.
— Deve estar louca por um bom banho — disse, antes de baixar a voz para um sussurro. — Há uma certo clima entre vocês, não? Adoro James, mas o acho muito difícil às vezes. E, isso acontece mesmo nas melhores famílias. E quem poderia chamar um bebê tão lindo de acidente? Eu o chamaria de milagre. James foi salvo na última hora de viver até o fim da vida com aquela Elise... Sabe a respeito dela, não?
— Um pouco.
— Já é o bastante. Ela é a mais assustadoramente perfeita das mulheres. Fala vários idiomas, é uma artista talentosa, possui uma das mais famosas videiras do Loire e é capaz de traçar a árvore genealógica de sua família por gerações e gerações. Também é muito bonita. Mas ela tem aquele ar de superioridade... E insiste em me tratar como a proverbial loira burra, o que não sou. Ela teria estragado todo o trabalho que tive para descontrair James. Elise não tem emoções. Acho que livrou-se delas numa operação especial para poder funcionar com o máximo de perfeição.
— Mas ela deve ter ficado magoada...
— De jeito nenhum. Ela não ama James, e ele também nunca a amou. Iam unir-se algum dia e iniciar uma dinastia perfeita, provavelmente num tubo de ensaio. Não consigo imaginá-la gerando um filho da maneira habitual. Felizmente, Lily, seu método anticoncepcional falhou! Você salvou meu enteado de um destino pior que a morte.
Pelo menos não precisa fingir que era uma noiva feliz. James devia ter dito que estava se casando com o único objetivo de legitimar o filho, e isso tornava as coisas mais fáceis.
Vivien levou-a a um quarto repleto de flores.
— Preparei tudo sem que ele soubesse — ela confidenciou.
— É lindo! Estonteante — Lily comentou, atordoada com o perfume inebriante.
— James disse que eu não gostaria de você. Estava apavorada. Quero dizer, alguém pior de Elise, depois de todo os planos que tracei para mantê-la afastada! E James agia como se estivesse se debatendo numa armadilha.
— Não foi exatamente uma armadilha, mas tive de fazer uma certa pressão.
— Está brincando! Com James? O canalha! Sempre pensei que ele fosse um homem decente, responsável...
— Oh, ele é!
— Eu sabia. James é tão honrado e decente que às vezes torna-se entediante. E adora crianças.
— É verdade.
— Mas tem idéias muito rígidas. Eu estraguei Damon, o irmão mais novo de James. Sei que o mimei terrivelmente, e agora me preocupo com ele. Vai rir de mim, mas quando soube sobre a existência desse bebê, pensei que James estivesse tentando encobrir o irmão.
Lily não respondeu, petrificada pela observação.
— Andy tem andado calada, pálida...
— Andy?
— Minha filha, Androula.
— Sua filha é casada com o irmão de James?
— Eu era viúva quando conheci o pai deles. Androula era uma garotinha. Meu primeiro marido também era americano, e eu trabalhava no escritório de Nicholas. Era péssima em datilografia, mas ele vivia me chamando para ditar suas cartas. Nicholas havia me escolhido como sua próxima amiguinha de travesseiro.
— Amiguinha de travesseiro?
— É um eufemismo para amante. Passei um ano resistindo, até que ele caiu de joelhos e me pediu em casamento. Precisei de dois anos para me livrar da bagagem de seu antigo estilo de vida.
— Do que está falando?
— Das amantes que ele ainda conservava. Nicholas não conseguia compreender por que não podia continuar com elas. Sabe que James mantém suas amiguinhas em Paris e Londres, não?
— Eu... sim.
— Quer saber como me livrei da tal bagagem?
— Adoraria.
— Despertei seus ciúmes. É um jogo perigoso, mas comigo funcionou. De repente ele percebeu o que eu sentia e nunca mais me traiu, pois passava o tempo todo me observando. Eu o amava muito, sabe? Por isso fiz questão de mantê-lo na linha. Quais são seus planos?
- Planos?
- Vai precisar de uma estratégia para liquidar a oposição. Lembre-se de que estou sempre ao alcance do telefone, e venho à Paris com freqüência. Estarei aqui dentro de quinze dias para conhecer meu neto com mais calma. — Vivien aproximou-se da porta e virou-se antes de sair. — James tem consciência. Use-a... E isso, também. — ela sorriu, apontando para a enorme cama de casal. — Já deve ter percebido que o que acontece aqui é mais importante que tudo. Não deixe o entusiasmo esfriar.
Lily afirmou com a cabeça e esperou que a sogra fechasse a porta para deixar-se cair sobre uma cadeira, exausta e confusa. Vivien era um furacão! E estava disposta a ajudá-la por considerá-la melhor que Elise.
Mas Vivien era a mãe da esposa de Damon, e isso a deixava ainda mais confusa. Não sabia nada sobre a família Potter. Petunia falara pouco sobre o clã, e não havia visto James nas três semanas entre sua decisão de aceitar o casamento e a cerimônia, algumas horas antes. Agora entendia por que o marido ficara tão abalado ao ver a madrasta. Naturalmente temia que a esposa revelasse toda a verdade assim que se visse sozinha com a sogra.
Androula andava abatida... Perturbada, Lily compreendeu subitamente o quanto havia resistido diante da verdade. Negara-se a ver as coisas a partir do outro lado da cerca. Ficara ultrajada ao saber que Damon ca sara-se com outra mulher enquanto Petunia carregava seu filho no ventre, e considerara Androula como uma espécie de rival triunfante.
Mas como uma mulher recém-casada poderia sentir-se triunfante ao saber que outra mulher daria à luz o filho de seu marido, ou ao ser chamada a assumir a responsabilidade por essa criança e tratá-la como se fosse sua? Em que momento Androula fora informada sobre a situação de Petunia? Antes ou depois do casamento?
De repente era novamente forçada a reconhecer que não era a única vítima. Androula também estava sofrendo, apesar de não ter feito nada para merecer tal sina. Damon espalhava a infelicidade por onde passava.
A bagagem foi levada ao quarto por um criado, e uma empregada surgiu pouco depois para avisar que o jantar seria servido em uma hora. A criada desfez suas malas, e depois de um banho relaxante e prolongado, Lily usou seu francês rudimentar para perguntar onde ficava o quarto do bebê.
A babá havia realmente erguido barricadas. Nicky estava acomodado num grande berço de bronze, alimentado e limpo, pronto para a noite.
— Ele sossegou... Finalmente. — a Sra. Brown comentou antes que Lily pudesse entrar.
— Ótimo.
— Não seria uma boa idéia perturbá-lo. Estou muito cansada, e não gostaria de ter de passar a noite acordada.
— Cuidarei das mamadeiras noturnas — Lily ofereceu sem hesitar.
— De jeito nenhum, senhora. Eu mesma o alimentarei esta noite, e amanhã haverá uma jovem para alimentar o bebê durante a noite e ficar ao lado dele em minhas horas de folga.
Nicky passaria as vinte e quatro horas do dia sob vigilância!
Lily desceu apressada, os olhos verdes falseando de raiva.
— Odeio falta de pontualidade — James disparou ao vê-la entrar na sala de jantar.
Estava apoiado na lareira, saboreando um drinque, e sua aparência formal a fez perceber que cometera seu primeiro erro social. Devia estar usando o único vestido de noite que trouxera na bagagem.
Intimidada, Lily foi sentar-se na ponta da enorme mesa iluminada por candelabros.
— Sua madrasta é muito gentil — ela comentou. — Vivien me fez sentir em casa.
James sorriu e fez um sinal para que o criado acendesse as luzes da sala.
— Os empregados acreditam que temos algo a celebrar — ele disse, apontando para a entrada de ostras que acabara de ser servida.
Lily já ouvira falar sobre a propriedade afrodisíaca do prato, mas não estava preocupada. Era alérgica a frutos do mar, e não pretendia sequer aproximar-se das ostras.
— E então, como é ser minha esposa?
— Não me sinto sua esposa, o que significa que não deve preocupar-se com isso. Só desejo ser uma excelente mãe para Nicky. Não pretendo interferir em sua vida.
— Palavras amenas. Parece ter acalmado desde que colocou essa aliança no dedo.
— Não sei de onde tirou essa impressão.
— Você disse que eu merecia uma esposa capaz de transformar minha vida num inferno. Uma verdadeira cadela... Se não estou enganado quanto ao termo utilizado. Mas agora parece estar mudando seu plano de ação representando a mãe dedicada, apesar de sua limitada habilidade artística.
— Não estou representando! Eu amo Nicky!
— Ele foi seu passaporte para outro mundo. Você o usou para conseguir o que neguei à sua irmã.
— Isso não é verdade! Tudo bem, reconheço que queria vingança, mas nunca imaginei que fosse concordar. Depois, quando aceitou a idéia, percebi que esse casamento era a melhor solução para as necessidades de Nicky.
— Você me obrigou a aceitá-la. Nunca pensei que uma mulher pudesse ser tão desavergonhada. Trocou seu sobrinho por riqueza e status.
— Como se atreve a me acusar?
— Não devia esperar nada melhor da mulher que invadiu meu escritório há cinco meses.
— Eu não invadi seu escritório! Marquei hora com a secretária, lembra-se? Foi você quem agiu como um bárbaro.
— Você e sua irmã nunca se preocuparam com Androula. Que tipo de recepção esperava? Damon já tinha uma esposa e uma família, e você sempre soube disso! Desde o início daquele caso sórdido!
— O que está dizendo? — Lily sussurrou, o rosto subitamente pálido. — Quer que eu acredite que há cinco meses Damon já era casado há tempo suficiente para ter um filho? Isso é absurdo!
— Fingir ignorância não vai ajudá-la em nada. Sua irmã conheceu Androula e minhas sobrinhas antes de esgueirar-se até a cama de meu irmão. Ela era a babá.
— Isso é mentira! Está inventando essa história para profanar a memória de minha irmã! Petunia não pode ter conhecido sua cunhada... Não sabíamos que Damon era casado!
— É claro que sabiam.
— Damon a pediu em casamento! Ele até comprou um anel de noivado!
James pronunciou um impropério para manifestar sua incredulidade, e Lily reagiu de imediato.
— Não se atreva a usar esse tipo de linguagem em minha presença! Não sei onde está querendo chegar com todas essas mentiras. Minha irmã jamais teria se envolvido com um homem casado, a menos que ignorasse seu estado civil.
— Sua irmã conheceu Androula antes de ser apresentada ao resto da família.
— Petunia não pode ter conhecido a esposa de Damon! Ela jamais esteve na América! — Lily soluçou, aflita com as próprias emoções. Damon havia jogado toda a culpa sobre as costas de Petunia para redimir-se aos olhos do irmão.
— Eu tenho provas.
— Que provas?
James levantou-se e dirigiu-se à porta.
— E então? Vem comigo, ou tem medo de não conseguir sustentar a farsa diante das evidências?
— Não tenho medo de nenhuma evidência que possa ter produzido! — ela devolveu, seguindo-o com passos nervosos até a biblioteca.
James pressionou o último livro de uma estante e, espantada, Lily viu o vão revelado pelas prateleiras que se afastavam.
— Mantenho a prova em local seguro — ele comentou com um sorriso sarcástico.
Lily respirou fundo, tentando dominar a tensão. Não estava com medo... Não, não temia que ele pudesse abalar a confiança que sempre tivera na irmã!
James espalhou algumas fotos sobre a mesa, diante dos olhos arregalados de Lily.
— Foram tiradas em Oxford. Androula e as crianças foram passar algumas semanas com Damon.
Lily tinha a impressão de que alguém a havia atingido no estômago. Na foto, Petunia posava ao lado de uma jovem morena, cada uma delas segurando a mão de uma garotinha de cabelos negros, uma delas com cerca de um ano, e a outra com quatro ou cinco. Todas sorriam.
James foi mostrando as fotos numa sucessão lenta e sádica. Petunia aparecia em todas elas. Brincando com as meninas num parque, sorrindo ao lado delas... Na última ela sorria ao lado de Damon, cada um deles segurando uma criança.
— Andy perdeu uma das meninas num shopping e sua irmã a encontrou. Foi assim que elas se conheceram. Andy cometeu o engano de convidá-la para jantar em sua casa, e depois ela ficou com as crianças uma ou duas vezes para que meu irmão e a esposa pudessem sair. Minha cunhada voltou para a América e sua irmã viu-se com o campo livre.
A verdade sobre Petunia atingira Lily com tamanho impacto, que ela manteve-se em silêncio por alguns instantes, vítima da dor e da culpa. Deus, onde errara na criação de Petunia?
— Ela tinha apenas dezoito anos... E o amava. — Lily não estava falando com James, mas consigo mesma. Tentava convencer-se de que a irmã que amava fora vítima, e não algoz. — E Damon a encorajou. Quando o conheci, ele disse que a amava e pretendia casar-se com ela.
— Damon insiste em negar qualquer tipo de discussão sobre casamento.
— Então ele está mentindo. E ela também mentiu — Lily admitiu com tom pesaroso. — Há quanto tempo Damon é casado?
— Desde os dezenove anos. Andy tinha dezoito. Tentei convencê-los a esperar, mas Vivien os apoiou, e meu pai não viu razões para negar seu consentimento. Se quiser, pode ficar com isso — James ofereceu, estendendo um pacote de cartas em sua direção. — Não foram abertas, como pode ver.
— Então ele nunca as recebeu.
— Não acreditei na gravidez de sua irmã.
— Não tinha o direito de interceptar essas cartas! Petunia não era nenhuma mulher fatal que seduziu seu irmão e afastou-o do lar e da família. Era uma adolescente, e Damon era muito mais velho! Independente do estado civil de seu irmão, ela ainda era responsabilidade dele!
— Não posso ser acusado pelos erros de meu irmão.
— Mas você interferiu...
— Duas crianças estavam envolvidas nessa trama, sem falar na paz e na estabilidade de toda minha família. Sempre acreditei que é prerrogativa da mulher dizer não...
— Seu hipócrita!
— Sua irmã sabia que Damon era casado. Ela fez uma escolha... e meu irmão fez a dele. Voltou para a esposa. E como não há mais nada a fazer, acho que devemos terminar nosso jantar.
— Perdi o apetite. Acho que vou para a cama — Lily murmurou, lutando contra as lágrimas que queimavam seus olhos.
— Sozinha... Em nossa noite de núpcias?
Lily encarou-o e sentiu-se como um fantoche sob a força daqueles olhos. Seu corpo respondia com energia assustadora, como se tivesse vontade própria, e de repente era como se o mundo girasse mais depressa.
— Subirei mais tarde — James informou com voz suave. — Mal posso esperar para vê-la deitada, pensando na grande glória da América.
— O que foi que disse? – Mas ele já havia saído.
N/A: Desculpa, desculpa, desculpaaaaa pela demora! Pra tentar me redimir, eu prometo que o próx cap sai amanhã ou depois de amanhã, ok? Palavra de escoteira! (eu sou escoteira, podem confiar haha)
Espero que gostem do cap!
Besitos, hasta la vista chiquitos!
AdlaPoynter ;*
